sábado, 29 de abril de 2017

Elvis Presley - The Wonder of You - Parte 5

Pois bem, finalizando a análise das canções desse novo CD de Elvis Presley vou tecer os últimos comentários sobre essas novas versões. O CD oficial, na versão comercial simples, termina com duas faixas. A penúltima é "The Wonder of You", A versão original, gravada ao vivo, foi lançada no disco "On Stage - February 1970". Como eu já escrevi antes essa situação de remodelar versões gravadas no palco sempre me soou bem equivocada. Quando se isola o vocal do cantor, retirando da faixa os demais membros da banda e a reação do público, muita coisa se perde. É um processo de perda, impossível negar.

De todas essas novas versões remodeladas essa nova de "The Wonder of You" foi uma das que mais me desagradaram. O som saiu excessivamente metálico da nova sala de edição. A música que tinha um arranjo opulento, forte, grandioso, perdeu grande parte de sua força. Embora, como em todas as demais versões, essa seja também seja creditada com a participação da Royal Philharmonic Orchestra, o fato inegável é que poucos instrumentos foram acrescentados. Tudo me pareceu bem errado, da primeira à última nota. Definitivamente não gostei.

O CD, em sua edição standart, se encerra com mais uma versão moderna de "Just Pretend". Dessa vez temos um dueto com a cantora Helene Fischer. Ela canta bem, em um estilo country Nashville que muito provavelmente Elvis apreciaria. Desde "Duets" com Frank Sinatra, essa fórmula tem dado muito certo. Geralmente são essas faixas de duetos que conseguem espaço nas rádios, trazendo de novo esses grandes cantores de volta às paradas. De maneira em geral, apesar de achar duas versões de Just Pretend em um mesmo CD, algo meio excessivo, até que me agradei. Não é algo para bater palmas ou ficar admirado, mas não aborrece. No mínimo é curioso e agradável.

Além da edição standart o CD também ganhou outra edição de luxo intitulada "Deluxe version". Essa saiu apenas nos Estados Unidos e Europa e traz mais duas outras faixas como bonus songs: "You Don't Have to Say You Love Me" e "You Gave Me a Mountain". A primeira foi lançada originalmente no excelente disco "That´s The Way It Is", fechando o lado A do antigo vinil. Já a segunda é a nossa velha e boa versão retirada do disco "Aloha From Hawaii". Para o fã veterano não há grandes novidades. Já para os que estão chegando agora, na condição de marinheiros de primeira viagem, nunca é demais a inclusão de grandes músicas como essas, pois certamente vão despertar a atenção deles, que assim irão em busca do material original, girando a roda de renovação de fãs na nova geração.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Elvis Presley - From Elvis In New York - 1956

A gravadora que detém os direitos autorais de Elvis Presley muitas vezes dorme mesmo no ponto. Ideias originais, bem boladas, nem sempre são aproveitadas. Assim os lançamentos chamados bootlegs fazem a festa. Um exemplo vem com esse novo CD intitulado "From Elvis In New York - 1956". A ideia é simples, mas bem bolada, ou seja, reunir tudo o que existe em termos de gravações e registros sobre os dias que Elvis passou em Nova Iorque durante os anos 50, bem no comecinho de sua carreira.

Nessa ocasião Elvis havia sido recentemente contratado pela RCA Victor. Assim um dos seus primeiros objetivos foi ir até a grande metrópole americana para uma série de compromissos que entre outras coisas previa novas gravações nos estúdios da gravadora na cidade, aparições na TV e entrevistas nas rádios locais. O CD dessa maneira foi dividido em capítulos (intitulados "The Masters", "Elvis On TV", "Promo Recordings for RCA" e "Interviews At The Warwick Hotel"). É um panorama amplo daqueles dias bem importantes, quando Elvis deixava de ser apenas um artista regional, do interior do sul dos Estados Unidos, para começar a ser conhecido nacionalmente (e depois internacionalmente). O começo de sua trajetória de superstar da música mundial. Os produtores desse "From Elvis In New York - 1956" realçam a importância das entrevistas concedidas por Elvis no Warwick Hotel, material apontado no encarte como completamente inédito até os dias de hoje.


From Elvis In New York - 1956 (2017) 
The Masters
01. Blue Suede Shoes
02. My Baby Left Me
03. One-Sided Love Affair (including count-in)
04. So Glad You're Mine
05. I'm Gonna Sit Right Down And Cry (Over You)
06. Tutti Frutti
07. Lawdy, Miss Clawdy (including count-in)
08. Shake, Rattle And Roll
09. Hound Dog (from the mixing desk)
10. Don't Be Cruel
11. Anyway You Want Me (That's How I Will Be)
12. Shake, Rattle And Roll (edited undubbed master)  
Elvis On TV
13. Shake Rattle and Roll / Flip Flop and Fly
14. I Want You, I Need You, I Love You
15. Hound Dog
16. Don't Be Cruel  
Promo Recordings For RCA
17. Recording of personal introductions for latest RCA Victor albums
18. RCA Radio Victrola Division Spot #1
19. RCA Radio Victrola Division Spot #2  
Interviews At The Warwick Hotel
20. Robert Carlton Brown interviews Elvis
21. 'Hy Gardner Calling' (Hy Gardner interview)

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de abril de 2017

Elvis Presley - You'll Never Walk Alone - Parte 1

Oficialmente Elvis gravou apenas três álbuns no estilo gospel. O primeiro foi "His Hand in Mine" em 1960, o segundo "How Great Thou Art" em 1967 e finalmente o terceiro e último "He Touched Me" em 1972. Foram poucos discos, mas que trouxeram grandes frutos para sua carreira. Além das boas vendas essas gravações trouxeram os únicos prêmios Grammy da discografia de Elvis Presley. Sim, de certa forma era um grande absurdo, um dos maiores nomes da história da música nunca foi premiado em vida pelo Grammy por suas gravações em outros estilos musicais. Quem disse que a vida era justa?

De qualquer forma a RCA estava sempre vasculhando os arquivos para colocar no mercado coletâneas de Elvis. O selo RCA Camden se especializou por essa época em lançar discos com preços promocionais do cantor. Em 1971 os executivos da RCA decidiram que era hora de colocar no mercado mais um álbum com canções religiosas. O problema era que a última vez que Elvis havia entrado nos estúdios para gravar algum álbum nesse estilo havia sido em 1967. Assim a gravadora foi em seus arquivos atrás de canções avulsas para compor esse novo LP. Eles acharam coisas bem interessantes, canções que só tinham sido lançadas em singles, outras que nunca tiveram o destaque merecido, etc.

No total conseguiram reunir nove músicas (abaixo da média da época que era em torno de 10 a 12 canções para se completar um álbum). Mesmo assim como o disco chegaria em preço promocional nas lojas não haveria muitos problemas. O novo disco foi chamado de "You'll Never Walk Alone". Uma canção simplesmente maravilhosa que puxaria a venda dessa nova coletânea. Apesar de alguns equívocos na seleção o fato é que esse disco realmente era um atrativo e tanto para o colecionador da época. Estamos falando de um tempo em que não existia internet e nem muitos lançamentos de Elvis no mercado. Por isso qualquer novidade, qualquer música menos conhecida que chegava nas lojas, já era uma boa notícia para os fãs.

O repertório era bem eclético. Além da já citada "You'll Never Walk Alone", clássico gospel gravado por Elvis em 1967, o disco trazia ainda gravações dos distantes anos 1950 (como "I Believe", "It Is No Secret (What God Can Do)", "(There'll Be) Peace in the Valley" e "Take My Hand, Precious Lord"), músicas de filmes (como a excelente "Let Us Pray" de "Change of Habit" e "Sing You Children" de "Easy Come, Easy Go"), além de versões esparsas de gravações religiosas feitas por Elvis durante os anos 1960 (como "Who Am I?" e "We Call on Him"). Para quem estava em busca de músicas difíceis de achar no mercado na época era uma bela e muito bem-vinda surpresa.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Elvis Presley - The Wonder of You - Parte 4

"Kentucky Rain" nunca foi das minhas canções preferidas de Elvis. Seu arranjo original nunca foi muito bem realizado. Aqui nessa nova orquestração a música certamente ganhou mais consistência. O curioso é que esse feeling instrumental me soou tão anos 80! Não sei se todos perceberam isso, mas esses novos instrumentos poderiam muito bem estar em qualquer álbum de uma daquelas bandas de um sucesso só, que se tornaram tão comuns naquela década. Melhorou, certamente melhorou, mas com esse estilo 80´s, tudo me pareceu também um pouco datado. Arranjaram espaço até para uma bateria eletrônica... quem diria.

"Memories" vem logo a seguir. Essa canção foi gravada especialmente por Elvis para seu especial de TV no canal NBC, conhecido como "Comeback Special". Em minha visão essa música já ganhou sua orquestração definitiva, que foi justamente a da gravação original. Não precisava fazer mais nada. Os produtores desse novo CD provavelmente pensaram dessa mesma forma pois apesar de toda a instrumentação ter sido substituída, tudo no final das contas ficou igual. Assim a palavra chave aqui é desnecessária. Não há necessidade nenhuma de tirar os músicos originais para colocar novos músicos executando praticamente o mesmo arranjo de 1968. Completamente desnecessário.

Como sabemos a versão original de "Let It Be Me" do álbum "On Stage" foi gravada ao vivo. Penso que tentar colocar novos arranjos em versões ao vivo é um erro e tanto, pois não se trata apenas da performance do vocalista, mas também da sua banda, todos absorvendo as energias do público. Até mesmo os pequenos erros contam a favor em se tratando de gravações ao vivo. É tudo um grande complexo de fatores. Assim os produtores aqui erraram feio. Isolaram a voz de Elvis da reação do público, de seu grupo de apoio e com isso tiraram a alma dessa faixa. Era preciso fazer algo assim? Não, não era. Além disso se equivocaram com alguns instrumentos, como por exemplo, essa maldita bateria eletrônica dos anos 80 (que aqui volta a assombrar). O que Elvis e sua música tem a ver com os plastificados anos 80? Nada, absolutamente nada. Prefira a versão original do disco ao vivo gravado em Las Vegas e nada mais.

Já "Always on My Mind" até que ficou bonita. Gostei da introdução mais bem trabalhada, parecendo até uma pequena canção de ninar. Apesar dos bons arranjos dessa nova instrumentação o problema se repete. Os produtores ficaram com receio de modificar muito a versão original que é, queiram ou não, um standart da música popular americana. Optando novamente pelo "novo, mas igual", seguiram basicamente as diretrizes da gravação original de Elvis, até mesmo nas linhas de acompanhamento e nos instrumentos de destaque. As únicas modificações aliás foram mesmo na introdução (bonita, repito) e nas linhas finais, que a despeito dos violinos bem executados, continuam na mesma levada do single de 1972. Dois pequenos detalhes que não justificam a existência dessa nova versão.

Pablo Aluísio.

sábado, 15 de abril de 2017

Elvis Presley - 2 Original Albuns

A Sony anunciou o lançamento dos dois primeiros álbuns de Elvis Presley em um mesmo box. É na verdade um teste de mercado da empresa pois se as vendas forem boas a gravadora pretende seguir em frente nesse formato, colocando dois álbuns originais para serem vendidos juntos. Como era de se esperar nesse primeiro pacote que chegará nas lojas teremos Elvis Presley (1956) e Elvis (1956), dois clássicos absolutos da era de ouro da primeira geração do rock americano.

Além das faixas que fizeram parte dos discos originais em vinil, a Sony achou por bem "rechear" o CD duplo com canções que foram gravadas na mesma época, embora não fizessem parte dos álbuns que chegaram originalmente nas lojas nos anos 50. Assim faixas como "I Don't Care If The Sun Don't Shine" e "That's All Right" foram adicionados na seleção do primeiro disco e "Don't Be Cruel" e "Love Me Tender" na do segundo.

Pessoalmente não gostei desse tipo de mistura, porém o objetivo desse tipo de lançamento fica bem óbvio. A Sony visa com esse tipo de lançamento não o fã mais veterano de Elvis, mas sim os mais jovens, que estão descobrindo sua música agora. É uma tentativa de renovar as gerações dos ouvintes da obra do cantor. Sob esse aspecto até que a intenção está valendo. Já para o que vem acompanhando Elvis há anos não há maior interesse nesse lançamento já que a seleção de música só trará as gravações master, oficiais, que todos conhecemos.

Elvis Presley - 2 Original Albuns (2017):

Elvis Presley (1956):
Blue Suede Shoes - I'm Counting On You - I Got A Woman - One-Sided Love Affair - I Love You Because - Just Because - Tutti Frutti - Trying To Get To You - I'm Gonna Sit Right Down And Cry (Over You) - I'll Never Let You Go (Little Darlin') - Blue Moon - Money Honey - That's All Right - I'm Counting On You - I Got A Woman - Heartbreak Hotel - I Love You Because - Shake, Rattle And Roll - Lawdy, Miss Clawdy - When It Rains, It Really Pours - I Don't Care If The Sun Don't Shine - My Baby Left Me - Blue Moon - Good Rockin' Tonight

Elvis (1956):
Rip It Up - Love Me - When My Blue Moon Turns To Gold Again - Long Tall Sally - First In Line - Paralyzed - So Glad You're Mine - Old Shep - Ready Teddy - Anyplace Is Paradise - How's The World Treating You - How Do You Think I Feel - Rip It Up - Love Me Tender - Don't Be Cruel - Hound Dog - I Was The One - Too Much - I Want You, I Need You, I Love You - Old Shep - Mystery Train - Any Way You Want Me (That's How I Will Be) - Playing For Keeps - I Forgot To Remember To Forget

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 6

Durante seus últimos anos Elvis sofreu não apenas com crises depressivas cada vez maiores e frequentes, mas também com doenças físicas que muito o debilitaram. A causa de muitos desses problemas de saúde vinha do uso excessivo de medicamentos. Seu fígado, seus rins e outros órgãos estavam no limite após anos e anos de abusos dessas drogas. Seu coração, por exemplo, estava fora do tamanho normal de um ser humano de sua idade e peso. Algo estava muito errado com seu corpo de forma em geral. Em determinado momento de sua vida Elvis pareceu perder o controle sobre o que tomava. Inúmeras vezes teve que ser internado às pressas para tratamento médico.

Numa dessas ocasiões, conforme recordou Linda em seu livro de memórias, Elvis acordou de uma longa noite em que esteve sedado no hospital. Ele então pediu delicadamente para que ela se aproximasse de sua cama e apertou sua mão bem forte. Então Elvis disse algo a Linda que a deixou sem reação. Ele olhou de forma fixa em seus olhos e disse: "Eu sonhei com a minha morte ontem. Foi tudo muito real. E nesse sonho você era o meu irmão que morreu. Ele morreu para que eu pudesse sobreviver. Ele morreu sufocado para que eu nascesse. Você era ele!". Linda jamais esqueceu dessa confissão de Elvis. Realmente Jesse, seu irmão, havia morrido no nascimento em 1935. Desse parto complicado apenas Elvis conseguiu sobreviver.

Elvis estudou religiões orientais a vida inteira. Em muitas dessas doutrinas religiosas a reencarnação era algo palpável, concreto. Estaria Elvis realmente acreditando que Linda era a reencarnação de seu falecido irmão Jesse que agora o reencontrava em um momento muito ruim de sua vida, com o divórcio, os problemas de saúde e a depressão?  Será que Elvis realmente levava fé nessa hipótese tão estranha e fora do comum? A de que o espírito de Jesse Garon Presley havia reencarnado anos após sua morte, voltando ao plano terreno como Linda Thompson? Essa pergunta ficou sem uma resposta mais definitiva. Elvis apenas quis contar seu sonho para ela, sem pensar muito no que tudo isso poderia enfim significar para o relacionamento de ambos...

Mesmo toda a religiosidade porém não conseguia parar o lado mais forte da personalidade de Elvis. Ele havia herdado um lado bem explosivo de sua mãe e não negava isso. Muitas vezes até tinha orgulho desse lado que havia puxado de Gladys. Certa noite Elvis chamou Red West ao seu quarto. Linda ficou do lado de fora, mas logo começou a ouvir uma grande discussão entre eles. As coisas foram ficando cada vez mais agressivas e violentas e quando Linda entrou no quarto percebeu que ambos, Elvis e Red, estavam com armas em punho! Sem pensar muito na loucura que estava fazendo Linda entrou no meio dos dois homens armados, evitando assim que algo mais sério acontecesse naquela suíte.

Tanto Elvis como Red não pareciam dispostos a recuar. Nesse dia, mais uma vez, Linda salvou a vida de seu namorado, um gesto heroico que mereceu uma reprimenda por parte de Sonny. Depois de que a confusão se acalmou ele chamou Linda de lado e lhe deu alguns conselhos: "Nunca mais faça isso! Não era a sua briga, não era a sua batalha! Você poderia ter morrido lá! Eu não acredito que Elvis fosse matar alguém, mas uma arma pode disparar de forma acidental quando usada por alguém com a cabeça quente! Não faça mais isso!". Linda ouviu os conselhos de Sonny, um guarda-costas experiente que sabia o que estava fazendo e nunca mais se envolveu em uma situação tão arriscada como aquela. Nunca mais ela arriscaria sua própria vida.

Pablo Aluísio.

sábado, 8 de abril de 2017

Elvis Presley - Love Letters from Elvis - Parte 1

"Love Letters from Elvis" foi o último álbum a trazer músicas inéditas gravadas em Nashville, na chamada "Nashville Marathon". Em apenas poucos dias Elvis gravou um número enorme de músicas que foram sendo lançadas aos poucos. Esse "Love Letters" não foi um disco bem sucedido nas paradas. Na verdade fez mais sucesso na Inglaterra do que nos Estados Unidos, onde conseguiu chegar no máximo em um desolador trigésimo terceiro lugar entre os mais vendidos. Na terra da Rainha alcançou o Top 10, mostrando o quanto os ingleses gostavam de Elvis.

Isso é bem curioso porque todos viviam perguntando quando Elvis iria se apresentar em Londres. Depois de tantos anos o cantor nunca havia feito uma única apresentação na Europa, algo que era encarado como único e estranho entre os superstars da música mundial. Depois descobriu-se que Tom Parker não poderia sair das fronteiras americanas porque ele não tinha passaporte, afinal era um imigrante ilegal. Pois é, por causa da situação ilegal do seu empresário o velho mundo ficou sem ver Elvis ao vivo, um absurdo!

"Love Letters from Elvis" apresentava um repertório agradável de músicas bem escritas e gravadas, porém temos que reconhecer que nenhuma delas tinha vocação para o sucesso nas paradas. A impressão que fica é que a RCA Victor foi selecionando as melhoras para os discos anteriores (como "That´s The Way It Is") deixando o "resto" para ser lançado tudo de uma vez, nesse disco. Pode até parecer cruel pensar dessa forma, mas se formos analisar bem o que realmente aconteceu, a conclusão que chegamos é exatamente essa. É um disco de retalhos, material que não havia sido aproveitado antes, que tinha que ser lançado de um jeito ou outro.

Mesmo assim, como escrevi, isso não significa que seja um disco ruim, longe disso. Na verdade é um disco de músicas que não tinham muita vocação para se tornarem hits nas rádios, mas que nem por isso não deixavam de ter seu valor. A própria faixa título do disco, "Love Letters", já tinha sido gravada antes pelo próprio Elvis em estúdio, durante os anos 60. O resto da seleção não era tinha maior potencial para o sucesso, eram canções diferentes, com letras bonitas, mas nada que fosse virar sucesso nas paradas. Por tudo isso o disco acabou sendo esquecido com os anos. Era um álbum de canções inéditas de Elvis, algo que deveria ter sido mais bem sucedido, porém nem mesmo um astro como Elvis Presley tinha a capacidade de transformar tudo o que gravava em grande fenômeno de vendas. Ele era o Rei do Rock, não o Rei Midas.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Elvis Presley - The Wonder of You / Mama Liked The Roses

Segundo single de Elvis Presley nos anos 70. Esse aqui fez muito mais sucesso do que o anterior, chegando ao Top 10 da Billboard entre os mais vendidos, alcançando a nona posição, o que para Elvis na época era muito bom. O single trazia duas canções. No lado A tínhamos a versão ao vivo da canção "The Wonder of You", gravada ao vivo em Las Vegas, em fevereiro de 1970, na sua segunda temporada na cidade. Como o single foi lançado em abril era uma gravação ainda muito recente, um verdadeiro presente para todos os fãs do cantor que não podiam ir até Vegas conferir pessoalmente o trabalho que ele vinha desenvolvendo na cidade. Essa era uma antiga canção, originalmente lançada por Ray Peterson em 1959, que Elvis tornava sucesso novamente nas paradas, uma proeza que apenas astros como ele conseguiam fazer. Afinal de contas transformar uma velha música romântica como essa novamente em hit não era uma coisa das mais fáceis no concorrido mercado fonográfico americano da época.

Já "Mama Liked the Roses" havia sido gravada em Memphis, em janeiro de 1969. Ao lado do produtor Chips Moman, Elvis realizou uma das mais produtivas e inspiradas sessões de gravação de sua vida. Gravando no American Studios, ele obviamente se sentiu em casa, completamente à vontade. Nessa mesma noite aliás ele chegou nas versões definitivas de dois outros clássicos de sua discografia, a maravilhosa "Don't Cry Daddy" e "Inherit the Wind". Um fato curioso é que tanto "Mama Liked the Roses" como "Don't Cry Daddy" possuem algo em comum em suas letras. Sâo músicas nostálgicas, melancólicas até, relembrando de um passado perdido, que ficou para trás, nas areais do tempo. Seria ótimo que ambas tivessem sido lançadas juntas, lado A e lado B, porém isso não ocorreu.  "Don't Cry Daddy" havia sido lançada no ano anterior e "Mama Liked the Roses" ficou inexplicavelmente arquivada por mais de um ano nos arquivos da RCA, só sendo lançada finalmente aqui, nesse single, no mercado. Coisas da RCA.

Single: The Wonder of You / Mama Liked The Roses
Cantor: Elvis Presley
Álbum: On Stage, February 1970
Selo: RCA Victor
Data de Lançamento: Abril de 1970
Produção: Felton Jarvis
Arranjos: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White
Músicos: Elvis Presley (vocais) / James Burton (guitarra) / Jerry Scheff (baixo)/ Bob Lanning (bateria) / Charlie Hodge (violão e voz) / Glen Hardin (piano) / The Imperials (vocais) /The Sweet Inspirations (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / John Wilkinson (guitarra) / Bobby Morris e sua Orquestra.
  
The Wonder of You
(Baker Knight)

When no-one else can understand me
When everything I do is wrong
You give me hope and consolation
You give me strength to carry on

And you're always there to lend a hand
In everything I do
That's the wonder
The wonder of you

And when you smile the world is brighter
You touch my hand and I'm a king
Your kiss to me is worth a fortune
Your love for me is everything

I'll guess I'll never know the reason why
You love me like you do
That's the wonder
The wonder of you

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de abril de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 5

O relacionamento entre Elvis e Linda não foi isento de problemas e dramas. Desde o começo ela percebeu que Elvis continuava a ver outras mulheres. A palavra fidelidade não parecia fazer parte do dicionário pessoal do cantor. As traições de Elvis foram ficando cada vez mais notórias, públicas e humilhantes. Linda se sentia sufocada em não dizer nada, em não enfrentá-lo sobre isso, até que uma noite, ao saber da existência de mais uma amante de Elvis em Las Vegas, ela resolveu explodir!

Ela confrontou Elvis diretamente e ficou lá, falando e falando sobre suas traições. Elvis estava em sua cama, comendo um prato de espaguete. Aos poucos ele foi ficando nervoso com Linda por ela não parar de falar, falar e falar, exigindo explicações... Quando de repente, em um acesso de fúria, Elvis também decidiu explodir de raiva - Ele pegou seu prato e jogou contra a parede e depois partiu para cima de Linda - ele estava realmente furioso! Linda correu em direção ao banheiro e Elvis a empurrou...

Aquilo era um novo limite que Linda não estava disposta a aceitar. Apanhar de Elvis estava completamente fora de cogitação para Linda! Ela até poderia tolerar suas traições em série, mas sofrer uma agressão física por parte dele, absolutamente não! Pior é que Elvis também começou uma série de ofensas verbais contra ela... Era demais... Linda nem pensou duas vezes, desceu as escadas e pediu a Joe Esposito que reservasse passagens para o primeiro avião em direção a Los Angeles. Para ela tudo estava acabado de uma vez por todas! E assim foi feito, Joe comprou a passagem e Linda foi embora, para nunca mais voltar. Seu caso amoroso com Elvis Presley estava acabado!

Alguns dias depois o telefone tocou! Era Elvis. Ele tinha ficado completamente surpreso com a atitude de Linda. Ir embora daquele jeito, o deixando a ver navios, era algo inesperado para Elvis. Ele não queria ser abandonado de novo, como aconteceu com Priscilla, sua ex-esposa. Elvis tentou então convencer Linda a voltar, imitando uma voz de bebê na ligação, pedindo perdão, dizendo que estava arrependido, que queria ela de volta aos seus braços.

Linda não quis ceder, então falando mais sério Elvis lhe explicou a situação. Disse que sair com outras mulheres não significava nada. Que nem sempre ele tinha sexo com essas garotas, algumas vezes ele só ficava lendo livros religiosos para elas. Elvis também tentou explicar a Linda que homens e mulheres tinham ideias diferentes sobre casos fugazes. Uma noite não significava nada para um homem, ao contrário de uma mulher, que segundo Elvis, estava sempre pronta a se apaixonar. Elvis suplicou a Linda que ela então retornasse para Memphis, que aquela briga havia sido uma exceção e que ele nunca mais faria nada como aquilo. Linda resolveu pensar, mas ao mesmo tempo manteve-se em alerta pois ela tinha visto uma faceta da personalidade de Elvis que realmente a tinha deixada assustada.

Pablo Aluísio.

sábado, 1 de abril de 2017

Elvis News - Morre Allan Weiss / Elvis Presley, Las Vegas 74 / Elvis de Cera On Tour

Morre Allan Weiss - Morreu nesse fim de semana um dos roteiristas mais presentes na carreira de Elvis em Hollywood. Weiss faleceu aos 90 anos de idade em Los Angeles. No total ele escreveu seis roteiros para filmes de Elvis, todos pela Paramount Pictures, onde trabalhava como escritor contratado. Foram de autoria de Allan Weiss os roteiros de "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii, 1961), "Garotas, Garotas e Mais Garotas" (Girls! Girls! Girls!, 1962), "O Seresteiro de Acapulco" (Fun in Acapulco,1963), "Carrossel de Emoções" (Roustabout, 1964), "No Paraíso do Havaí" (Paradise, Hawaiian Style, 1966) e "Meu Tesouro é Você" (Easy Come, Easy Go, 1967). Nos anos 80 ele deu uma entrevista para uma revista de cinema dizendo que sempre quis escrever roteiros melhores para Elvis, mas os estúdios não queriam arriscar, sempre apostando na mesma fórmula de sucesso, ano após ano, algo que frustrou Elvis, sempre em busca de melhores papéis.

Elvis Presley, Las Vegas 74 - Um novo CD foi anunciado trazendo dois concertos realizados por Elvis em 1974 em sua conturbada temporada em Las Vegas. O lançamento duplo terá as duas apresentações de Elvis feitas no dia 20 de agosto, em material de luxo, com encartes e fotos inéditas tiradas na ocasião. Entre os destaques estão raras versões ao vivo das canções "I’m Leavin’", "Softly As I Leave You", " If You Talk In Your Sleep", "It’s Midnight" e "My Boy", faixas do disco recente de Elvis na época "Good Times", acrescentado de algumas músicas do álbum "Promised Land", que já havia sido gravado em estúdio, mas ainda não lançado no mercado.

Elvis de cera On Tour
O boneco de cera de Elvis exposto no museu da Madame Tussauds em Londres fará uma turnê americana nas próximas semanas. A peça, considerada uma das melhores e mais realistas do acervo desse famoso museu, vai percorrer algumas cidades dos Estados Unidos. Essa versão foi inspirada no visual e figurinos usados por Elvis no filme "O Prisioneiro do Rock" (Jailhouse Rock, 1957), um dos clássicos do cantor em Hollywood, seu terceiro filme, o primeiro na Metro, um estúdio que se consagrou na história do cinema americano por causa de seus grandes musicais. Um fato curioso é que a franquia Madame Tussauds mantém inúmeras figuras de Elvis ao redor do mundo, com destaque para suas versões "Las Vegas", "Elvis Army" (seu período no exército americano) e "NBC TV Special" (com sua roupa de couro, usado no famoso especial). Já essa versão Vince Everett (nome do seu personagem no filme) tem sido uma das mais elogiadas. Uma peça realmente magnífica.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Elvis Presley - RCA Studio C

Em março de 1972 Elvis foi até o estúdio C da RCA em Hollywood para gravar novas músicas. Inicialmente os planos eram de gravar material inédito para ser lançado na trilha sonora do novo filme de Elvis pela Metro chamado "Elvis on Tour". Foi programada uma semana de gravações e as expectativas do produtor Felton Jarvis eram muito boas. Porém Elvis tinha outros planos e só apareceu mesmo por três dias.

No total ele gravou poucas músicas - sete apenas - porém nos chama a atenção até hoje a qualidade das faixas e a boa receptividade que essas canções tiveram depois. Na primeira noite de trabalho Elvis gravou apenas três músicas. Os trabalhos começaram com "Separate Ways" que havia sido escolhida pelo produtor para ser o lado A do próximo single de Elvis. Por essa razão resolveram caprichar bem nos arranjos, trazendo belos solos de violão. A letra era bem significativa para Elvis naquela ocasião pois ele estava bem no meio do turbilhão de problemas causados por seu divórcio da esposa Priscilla.

Logo após vieram as não tão marcantes "For the Good Times" e "Where Do I Go from Here?". Essas ficaram um bom tempo arquivadas, sendo que a última, por exemplo, só veio a ser lançada tempos depois no disco "Elvis", também conhecido como "The Fool Album". Essa primeira noite foi considerada pouco produtiva pelo produtor Felton Jarvis pois ele tinha planos de gravar pelo menos seis, sete faixas, até o dia amanhecer, mas Elvis não parecia tão disposto.

No dia seguinte Elvis foi ainda menos produtivo. Ele só gravou duas canções. Parecia um pouco cansado das longas viagens e dos concertos sem fim. Mesmo assim puxou energia para uma das canções mais populares dos anos 70, o hit "Burning Love". Era uma velha sugestão da RCA Victor, tentando fazer Elvis gravar músicas mais embaladas, alegres, não ficando tão restrito apenas às baladas românticas e ao material country. A outra gravada nesse mesmo dia foi "Fool" que no ano seguinte se tornaria a música de trabalho do disco "Elvis".

E para finalizar essas curtas, porém extremamente bem sucedidas faixas, Elvis terminou seu trabalho no dia 29 com a gravação da imortal "Always on My Mind" seguida da também excelente "It's a Matter of Time". Fazendo um panorama em cima da seleção de repertório é impossível negar que todas essas músicas tinham algo em comum e retratavam de certa maneira o momento emocional que Elvis vinha passando em sua vida. Até parecia que o cantor queria compartilhar com todos os fãs a triste realidade de um casamento destruído, fracassado. O fim de um sonho romântico que não se concretizou.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Elvis Presley - Kentucky Rain / My Little Friend

O primeiro single de Elvis nos anos 70 trazia canções gravadas no ano anterior, no American. Esse single aliás, lançado tardiamente, trazia ao mercado os últimos materiais gravados por Elvis naquelas sessões que foram consideradas as melhores da carreira do cantor durante os anos 60. Após anos de trilhas sonoras Elvis voltava a gravar com afinco e determinação, com ótimo repertório e o que era melhor de tudo, em Memphis, sua cidade querida. Essas faixas do American foram extremamente bem recebidas pela crítica, pois era um verdadeiro renascimento artístico por parte de Elvis.

Nesse mesmo dia Elvis ainda gravaria a versão definitiva de "Only the Strong Survive". Realmente é um lote de canções bem acima da média, com ótimos arranjos e produção. Apesar de tudo isso não considero "Kentucky Rain" um dos grandes destaques do material produzido no American. Certamente é bem gravada, porém seu ritmo um pouco indeciso não me agrada muito. Prefiro a singeleza de "My Little Friend", que destoava um pouco da consistência das outras músicas gravadas nessa ocasião. Era mais pueril, lembrando um pouco suas trilhas sonoras mais simples. De qualquer forma "Kentucky Rain" cumpriu suas pretensões, mantendo a discografia de Elvis em alta entre a crítica. Comercialmente falando não fez muito sucesso, chegando apenas no Top 20 da Billboard, em décima sexta posição. Nunca foi um grande sucesso, mas serviu para completar o pacote de músicas do American que ainda não tinham chegado ao mercado. No saldo final é um bom single, nada espetacular, mas mantendo um certo nível de qualidade.

Elvis Presley - Kentuck Rain (1970)
Single: Kentucky Rain / My Little Friend
Cantor: Elvis Presley
Selo: RCA Victor
Data de Lançamento: Fevereiro de 1970
Melhor posição Billboard: 16
Produção: Chips Moman, Felton Jarvis
Estúdio: American Sound, Memphis, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocais e violão), Reggie Young (guitarra), Tommy Cogbill (baixo), Gene Chrisman (bateria), Bobby Wood (piano), Bobby Emmons (órgão).

Kentucky Rain
(Eddie Rabbit - Dick Heard)

Seven lonely days
And a dozen towns ago
I reached out one night
And you were gone
Don't know why you'd run,
What you're running to or from
All I know is I want to bring you home

So I'm walking in the rain,
Thumbing for a ride
On this lonely Kentucky backroad
I've loved you much too long
And my love's too strong
To let you go, never knowing
What went wrong

Kentucky rain keeps pouring down
And up ahead's another town
That I'll go walking thru
With the rain in my shoes,
Searchin for you
In the cold Kentucky rain,
In the cold Kentucky rain

Showed your photograph
To some old gray bearded man
Sitting on a bench
Outside a gen'ral store
They said "Yes, she's been here"
But their memory wasn't clear
Was it yesterday,
No, wait the day before

So I fin'ly got a ride
With a preacher man who asked
"Where you bound on such a dark afternoon?"
As we drove on thru the rain
As he listened I explained
And he left me with a prayer
That I'd find you.

Pablo Aluísio.

sábado, 25 de março de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 4

Depois do divórcio de sua esposa Priscilla Presley Elvis se relacionou com Linda Thompson. Esse foi o relacionamento mais duradouro do cantor após o fim de seu casamento. O começo do romance foi muito bom, Elvis e Linda pareciam se dar muito bem, tanto que ele, pela primeira vez em anos, ficou bastante tempo sem procurar outra mulher. Elvis sentia-se plenamente satisfeito ao lado dela. Linda também se mostrou muito adaptável ao estilo de vida de Elvis. Pela primeira vez o astro sentia que tinha alguém ao lado com quem poderia desabafar, contar seus mais bem guardados segredos.

Embora o namoro tivesse tido um começo promissor, logo nos primeiros meses de 1973 alguns problemas começaram a surgir no horizonte. Elvis começou a ser infiel, como sempre. O pior é que ele era publicamente infiel, não se importando em ser fotografado ao lado de outras mulheres em Las Vegas e nas viagens que fazia para realizar concertos em outras cidades pelos Estados Unidos. Agindo assim Elvis não demonstrava muito respeito por Linda, que muitas vezes ficava chocada com o modo de agir do namorado. Em certos aspectos Elvis levava uma vida moral completamente ridícula, onde fidelidade não fazia parte do cardápio.

O pior é que sempre após ostentar ao lado de mulheres bonitas em público, Elvis voltava para Linda como se nada tivesse acontecido. Ele havia aparecido em jornais e colunas de fofocas curtindo seu novo romance e depois retornava aos braços de Linda, sem dar a menor satisfação. Linda também se sentia intimidada em confrontar Elvis em Graceland. O cantor era temperamental, dado a explosões de raiva quando confrontado, assim Linda começou a agir também como se nada tivesse acontecido.

O deslumbramento de Linda com Elvis também foi passando com o tempo. Ao invés de apenas enxergar o mito da música e do cinema ela começou a ver o outro lado de Elvis. Um homem que passava por momentos depressivos, que tinha problemas com drogas e que parecia nunca superar completamente o fim de seu casamento com Priscilla. Elvis pedia para que Linda lhe aplicasse injeções em seu banheiro de Graceland, dizendo que eram vitaminas, o que não era verdade. Com o tempo as aplicações foram deixando marcas na pele de Elvis, algo que seguramente não soava atrativo para uma mulher. Ele também ficava falando com frequência de seus anos ao lado da ex-esposa, outro tipo de coisa que deixava Linda constrangida e consternada. Viver ao lado de Elvis tinha um preço e Linda estava começando a entender isso.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 1

Todo artista precisa se adaptar ao público. Elvis sabia muito bem disso e por isso nos anos 70 procurou uma nova linha de repertório para seguir. Ele iria passar toda a década fazendo shows e concertos por todos os Estados Unidos, mas em especial para seu público fiel dos estados sulistas. Bom, não é complicado entender que nesses rincões a música que prevalecia nas rádios, nas festas e no dia a dia era o bom e velho country. Então Elvis tratou de providenciar um novo lote de gravações nesse gênero musical. Um artista se adaptando ao gosto de seu público, nada mais do que isso.

"Elvis Country", o álbum, foi uma surpresa em vários aspectos. Para um cantor que vinha seguindo o estilo de Hollywood era realmente uma volta às raízes, ao country and western de seus primeiros dias, ainda na Sun Records. Claro, Elvis foi um dos grandes pioneiros do rock, mas desde o começo e mesmo em suas álbuns mais, digamos, roqueiros, sempre havia uma ou outra faixa com sabor country. Não é que Elvis estivesse pulando de paraquedas dentro do universo country de Nashville. Na verdade ele nunca deixou de fazer parte desse nicho musical. Reverenciado como um dos pais do rock americano, o fato é que Elvis dedicou bem mais espaço em sua discografia para as baladas românticas e as canções ao estilo country.

Quando o álbum foi anunciado pela RCA Victor houve quem dissesse que o disco não iria vender bem. Ele não era direcionado nem para os fãs do distante Elvis roqueiro dos anos 50 e nem tampouco para os que vinham acompanhando seu estilo Made in Hollywood dos anos 60. A capa, por si só, também chamava a atenção, trazendo um Elvis garotinho em uma das suas primeiras fotos, ao mais puro estilo sulista de Tupelo, a pequenina cidadezinha onde nasceu. Elvis também fez questão que ao lado da foto mais bem trabalhada, por uma bonita direção de arte, estivesse a fotografia original, com ele ao lado de seus pais, Vernon e Gladys. Ter a oportunidade de colocar sua querida mãe na capa de um de seus discos o encheu de orgulho e saudades.

Intitulado "Elvis Country (I'm 10,000 Years Old)", o disco foi um sucesso de vendas, mostrando que a opção de se abraçar o country de vez era muito bem-vinda por parte de seu público. A seleção musical era das melhores. Elvis selecionou o material que iria gravar e fez uma mescla de antigas canções - algumas de sua época de infância - com sucessos recentes. Ele queria homenagear seus primeiros anos, quando ouvia country nas estações de rádio de Memphis, com o melhor que Nashville vinha produzindo no momento. O disco, lançado no começo de 1971, acabou antecipando muito do caminho que Elvis iria trilhar naqueles anos.

Pablo Aluísio.

sábado, 18 de março de 2017

Elvis Presley - Almost In Love (1970)

Esse disco "Almost In Love" foi lançado pelo selo azul da RCA denominado RCA Camden. Os álbuns desse selo eram lançados com preços promocionais, geralmente custando a metade do preço de um disco (LP) da RCA Victor. Como era um lançamento especial, não havia a necessidade e nem a preocupação por parte dos executivos em lançar canções inéditas entre suas faixas. Muitas vezes esses discos da Camden, embora fossem oficiais, traziam apenas uma salada de faixas de filmes, material que não havia sido muito bem aproveitado ou então gravações que há muito estavam arquivadas, sem aproveitamento pela gravadora. Curiosamente a música que deu nome ao disco era uma composição de um autor brasileiro, uma bossa nova, gênero musical que estava se tornando muito popular nos Estados Unidos, principalmente entre a elite universitária daquele país. A Bossa Nova brasileira era vista quase como uma variação do jazz, indo na mesma linha de sofisticação e bom gosto musical. Na verdade essa canção nunca foi muito badalada dentro da discografia de Elvis. Depois de fazer parte da trilha sonora esfacelada do filme "Live a Little, Love a Little" de 1969 a música ficou meio esquecida. Lançada no disco "Almost In Love" da RCA Camden ganhou alguma projeção, mas definitivamente nunca virou um hit dentro da carreira do cantor.

1. Almost In Love (Luiz Bonfá) - A Bossa Nova invadiu os Estados Unidos durante os anos 60 quando Frank Sinatra convidou Tom Jobim para gravar um álbum ao seu lado. Era uma coisa realmente inédita pois Sinatra, egocêntrico como era, jamais havia dado tanto espaço a um outro artista em sua discografia antes. Pois bem, depois desse disco a sociedade americana descobriu aquele ritmo muito interessante e sofisticado proveniente de um país tropical mais conhecido por seu carnaval e florestas do que por qualquer outra coisa. Com um feeling de jazz a Bossa Nova encontrou grande receptividade entre o público e a crítica do grande irmão do norte. Diante dessa boa recepção era de se esperar que muitos músicos e compositores brasileiros fossem para os Estados Unidos em busca de trabalho e oportunidade. Um deles foi Luiz Bonfá, compositor e violonista carioca. Ele vendeu várias canções para as editoras americanas e eventualmente uma delas foi parar na RCA Victor, onde Elvis Presley gravava. Até aquele momento Elvis jamais tinha gravado qualquer canção do gênero (por favor esqueça "Bossa Nova Baby" de "Fun in Acapulco" que não tinha nada a ver com a verdadeira Bossa Nova). Assim Elvis acabou gravando a única canção escrita por um brasileiro em toda a sua longa carreira. Eu sempre considerei essa gravação muito elegante, sofisticada, de boa cadência rítmica. É interessante notar como Elvis conseguiu realizar uma boa performance ainda mais se levarmos em conta que ele não tinha nenhuma familiaridade com a cultura brasileira e seus ritmos musicais. Obviamente se nota um certo cuidado por parte de Elvis para não pisar na bola. Como estava em terreno desconhecido ele vai encontrando seu tempo aos poucos, de forma lenta e gradual. O resultado é certamente bem melhor do que o esperado. Grande momento de Elvis Presley em raro momento de aproximação com a cultura musical do Brasil. Por anos essa música ficou fora de catálogo, sem acesso aos fãs. Com o advento do CD ela retornaria em algumas edições no formato do próprio álbum de mesmo nome. Novidade mesmo só surge com o lançamento da edição especial do selo FTD (Follow That Dream) trazendo takes inéditos da trilha sonora do filme "Live a Little, Love a Little". Durante muitos anos se especulou que não havia mais nenhum take da sessão original, mas esse CD colocou abaixo essa visão. Assim o CD trazia praticamente todos os takes da sessão. Nesse CD intitulado "Live A Little, Love A Litte sessions" você encontrará os takes de número 1, 4, 5 e 6. Também terá a oportunidade de ouvir um ensaio puramente instrumental e finalmente uma versão restaurada. Sem dúvida um excelente resgate histórico dessa faixa.

2. Long Legged Girl (McFarland - Scott) - "Almost In Love" é uma coletânea de músicas avulsas. Um exemplo desse tipo de seleção sem muito critério vem da inclusão nesse disco dessa canção "Long Legged Girl (With the Short Dress On)" da trilha sonora do filme "Double Trouble" de 1967. Qual era a razão da canção estar presente nesse álbum em especial? Provavelmente nenhuma. Era apenas uma forma de preencher o tempo de um disco como esse. A canção que nunca fora nada de muito interessante ou especial chegava assim em seu terceiro lançamento dentro da discografia de Elvis pois antes já tinha feito parte da trilha sonora do filme (que não vendeu muito bem) e do single (que também decepcionou nas paradas de sucesso!). É curioso porque sempre achei a sonoridade dessa trilha diferente. O estéreo é esquisito, os instrumentos estão mais separados do que o habitual e o próprio Elvis não primou por uma boa performance em suas gravações. Provavelmente ele sabia que esse tipo de material não valeria muito a pena. Era pura perda de tempo e dinheiro. De qualquer maneira o álbum "Almost In Love" estava nas lojas e o fã, querendo ou não, levou a música pela terceira vez para casa. Tudo fruto do velho pensamento mercenário de Tom Parker que dizia: "O Segredo do lucro é vender a mesma coisa duas, três vezes!". Esse disco seguramente provou o ponto de vista do veterano empresário.

3. Edge Of Reality (Giant - Baum - Kaye) - Dando continuidade na análise sobre o álbum "Almost in Love" aqui vão mais algumas considerações sobre as canções que fizeram parte desse LP do selo azul da RCA Camden. É a tal coisa, a intenção era fazer uma mistura de singles, canções de filmes e gravações que estavam pegando poeira nos arquivos da gravadora. Depois juntava-se tudo, colocava uma boa capa e lançava o disco no mercado, em preço promocional. Geralmente dava bem certo, trazendo mais alguns dólares paras as contas de Elvis e do Coronel Parker. E tudo isso sem a necessidade de se entrar em estúdio para gravar algo novo. Assim "Edge Of Reality" acabou sendo incluída nesse pacote. Falando a verdade sempre achei essa canção um tanto esquisita, com estranha harmonia. Ela foi Lado B do single campeão de vendas "If I Can Dream" em 1968, mas mesmo assim nunca conseguiu chamar muito a atenção. A música entrou no compacto não apenas como "tapa buraco", mas também para promover o filme "Live a Little, Love a Little" que estava chegando nos cinemas naquela mesma ocasião. Acabou sendo ignorada como praticamente todo o restante do material. Por essa época os fãs de Elvis já estavam fartos de seus filmes em Hollywood e toda gravação ligada às suas trilhas sonoras não parecia encontrar mais receptividade entre os admiradores do cantor. Havia ali uma clara má vontade sobre isso. E os fãs estavam mais do que certos, é bom frisar.

4. My Little Friend
(Shirl Milete) - Outra canção que fez parte do disco "Almost In Love" foi essa balada "My Little Friend". Como a intenção desse álbum era reunir músicas aleatórias da discografia de Elvis, principalmente se elas tivessem sido mal lançadas anteriormente, a inclusão dessa canção no repertório até que não foi uma má ideia. Inicialmente esse country foi lançado como Lado B do single "Kentucky Rain", em fevereiro de 1970, mas não conseguiu obter qualquer repercussão. Não era para menos. A música em si é realmente bem fraca. Felton Jarvis até tentou melhorá-la na sala de edição, mas ainda continuou sem brilho. De forma em geral é uma música country que não desperta muito atenção, a não ser para um público bem específico (entenda-se sulistas americanos).

5. A Little Less Conversation (Strange - Davis) - Não há dúvida de que essa é, hoje em dia, a música mais famosa do disco "Almost In Love" de Elvis Presley. Pois é, uma surpresa para muitos é saber que a primeira vez que "A Little Less Conversation" pintou em um álbum de Elvis foi justamente nesse "Almost in Love". Como explicar que uma das músicas mais populares de Elvis tenha sido lançada em um disco sem maior importância, uma coletânea promocional de um selo secundário da RCA? Bom, antes de qualquer coisa é importante saber que durante sua carreira a música "A Little Less Conversation" nunca foi um sucesso. Ela só se tornou extremamente popular com o Remix que foi lançado muitos anos após a morte de Elvis. Antes disso ela passou completamente despercebida, sem sucesso ou repercussão. Para o cantor e para seus fãs da época ela era apenas mais uma música de trilha sonora da fase final de Elvis em Hollywood. Nada mais do que isso. Diante disso já estava de bom tamanho e mais do que isso, ela estava encaixada mesmo no disco certo, apesar de tudo o que aconteceria depois. Nessa época ela era apenas uma canção secundária de um disco secundário da discografia de Elvis.

6. Rubberneckin´(Jones - Warren) - A canção "Rubberneckin" que também iria ganhar uma conhecida versão remix muitas décadas depois, igualmente acabou fazendo parte de "Almost in Love", o álbum. Essa canção também havia sido lado B de um single bem sucedido, "Don't Cry Daddy", e fazia parte da trilha sonora de um filme Made in Hollywood, o hoje mais reconhecido "Change of Habit". Esse foi o último trabalho de Elvis no cinema, isso naquele velho estilo com roteiro, estorinha, romance e tudo mais. Agora verdade seja dita, o roteiro dessa última produção passava longe de ser ruim, pelo contrário, ao invés de garotas em bikinis dançando na areia, esse mostrava uma trama melhor, com Elvis interpretando um médico numa periferia de uma grande cidade. Além disso contava com uma ótima atriz no elenco, a recentemente falecida Mary Tyler Moore. Tudo de muito bom gosto, bem acima da média em relação aos filmes anteriores de Elvis. Pena que essa mudança em sua carreira no cinema acabou chegando tarde demais.

7. Clean Up Your Own Backyard (Mac Davis / Billy Strange) - Outra que foi encaixada nesse disco "Almost in Love" foi a excelente "Clean Up Your Own Backyard" do filme "The Trouble With Girls" (que no Brasil recebeu o título de "Lindas Encrencas, as Garotas"). Já tive oportunidade de elogiar essa canção várias vezes aqui no site. Ela realmente tem um ótimo arranjo e a letra, nada idiota, elevou bastante a qualidade das trilhas sonoras dos filmes do cantor. Ganhou até uma cena no filme, onde Elvis surge com excelente visual, com o característico terno branco e camisa azul do figurino desse filme bem diferente. Relembrando: Elvis interpreta um gerente de um show de variedades do começo do século XX que sai de cidade em cidade com sua companhia itinerante. O roteiro foi escrito levemente inspirado na vida do Coronel Parker, o empresário do cantor, que viveu exatamente essa vida antes de conhecer Elvis e mudar sua carreira profissional para sempre. Escrita pelos ótimos Mac Davis e Billy Strange, esse blues country é certamente uma das melhores coisas da produção. Merece ser redescoberta.

8. U.S. Male (Jerry Reed) - A canção "U.S. Male" é um dos grandes destaques desse LP. Sempre considerei que essa gravação, uma das melhores feitas por Elvis no período final dos anos 60, nunca foi muito bem aproveitada em sua discografia. Essa faixa foi gravada no meio das sessões da trilha sonora do filme "Stay Away, Joe". Era uma continuação das belas sessões feitas por Elvis em setembro de 1967. Como não deu tempo de finalizá-la naquela ocasião, Elvis arranjou um tempinho no meio dessa trilha para terminar sua gravação. Tudo tem seu tempo e por essa razão a música ficou meses pegando poeira nos arquivos da RCA Victor. Em um tempo em que Elvis precisava melhorar tecnicamente no material que ele vinha apresentando no mercado, essa música deveria ter sido lançada bem antes. Aliás muitos afirmam que as sessões de 1967 teriam sido uma tentativa frustrada por parte da RCA Victor em lançar um disco de estúdio inédito, de qualidade, com várias canções ao estilo country. O projeto foi deixado de lado depois que a RCA resolveu pegar esse pacote de gravações para preencher os LPs das trilhas dos filmes, usando o material como "Bonus Songs". Um pecado! A música foi escrita por Jerry Reed, talentoso compositor e cantor. Um dos melhores com quem Elvis teve a oportunidade de trabalhar. Embora seja um dos mais interessantes momentos de Elvis em estúdio no fim dos anos 60, o fato é que U.S. Male continuou sem muito espaço dentro de sua discografia, sendo encaixada em "Almost in Love" sem muito critério. Em minha visão a música foi totalmente desperdiçada. Lamentável, mas enfim. O disco chegou ao mercado em outubro de 1970, sendo lançado pelo selo RCA Camden. Como foi lançado no mercado promocional, entre dois importantes álbuns de Elvis (On Stage e That´s The Way It Is), nunca chegou a ser um grande sucesso comercial, muito embora tenha sido lançado no Brasil, em uma época em que isso nem era tão fácil de acontecer.

9. Charro (Strange - Davis) - Já "Charro" entrou no disco por causa da proximidade de lançamento do filme nos cinemas. Naquele final de década os filmes do chamado western spaghetti estavam em alta. Até mesmo o Western Made in USA encontrava dificuldades de competir com os filmes italianos de faroeste que eram mais violentos, mais realistas e mais sangrentos. O western tradicional, cheio de mocinhos cheios de virtudes, estava em baixa perante o público. Eles queriam ver os filmes feitos na Cinecittà em Roma. Assim Elvis, procurando pelo sucesso perdido nas telas de cinema, embarcou na onda, na modinha. E assim foi feito "Charro", o spaghetti americano estrelado por Elvis Presley. Já pararam para pensar como tudo soava estranho? O Spaghetti era uma imitação do cinema americano e agora a própria indústria americana de cinema estava copiando aqueles que o tinham copiado! O original copiando a cópia! Faz sentido para você? Não muito, é verdade. De qualquer forma se o filme não é tão bom (na verdade ele é ruim mesmo), a trilha sonora teve seus encantos. O estúdio contratou um especialista em temas de faroestes italianos e o que ouvimos aqui é uma boa canção, bem arranjada. Elvis de barba, montando seu cavalo, até que não foi um desperdício total. A trilha sonora pelo menos foi boa, bem razoável. Para quem comprou o LP "Almost in Love" na época isso já era o bastante

10. Stay Away, Joe (Weisman - Wayne) - O mesmo não se podia dizer da música tema do filme "Stay Away, Joe", também incluída na seleção das canções desse disco. Esse aqui já era um filme bem nonsense, com um roteiro amalucado e sem muito sentido que tentava tirar pitadas de comédia com Elvis interpretando um mestiço nativo em meio a muitas confusões envolvendo garotas, brigas, motos e lama (não necessariamente nessa ordem!). Era um tipo de versão mais hardcore dos roteiros bobinhos que fizeram parte de vários filmes de Elvis nos anos 60. Se o filme e a trilha não ajudavam muito, uma curiosidade despertava a atenção dos fãs pois uma versão inédita da música foi incluída no disco, um take em que Elvis quase caía na risada, bem no meio da gravação. A raridade do take acabou levando muitos a comprarem o álbum, mostrando pela primeira vez aos executivos da RCA Victor que havia também um grande interesse por parte dos fãs em takes alternativos, algo que anos depois iria ser a principal razão para o lançamento da coleção FTD.

Pablo Aluísio.