quarta-feira, 30 de julho de 2014

Love Letters / Come What May

No meio de tantas trilhas sonoras e filmes ruins a carreira de Elvis começou a renascer discretamente no lançamento de singles, alguns desprezados pela própria RCA que não os divulgava adequadamente. Aqui surgia novamente o Elvis Presley puramente cantor, sem as amarras de Hollywood. Para os fãs o primeiro sinal de que algo bom ainda poderia surgir da carreira de Elvis pintou nas lojas em junho de 1966. Foi nesse mês que a RCA Victor lançou o single "Love Letters / Come What May", considerado por muitos o melhor single de Elvis naquele ano, pois contava com as duas ótimas músicas gravadas em maio de 1966. Olhando para trás fica complicado mesmo entender a falta de visão das pessoas que controlavam a carreira de Elvis. Ora, se as trilhas sonoras eram ruins e os filmes verdadeiras palhaçadas, por que insistir em algo que não estava dando certo? Por outro lado quando Elvis entrava em estúdio apenas como cantor, gravando material de qualidade, tudo acabava dando certo. Por que esse lado bom de sua carreira continuava a ser ignorado?

Em maio de 1966 Elvis entrou em estúdio e fez uma bela sessão. Seis canções convencionais e inéditas foram gravadas nessa ocasião, algumas demonstrando que o talento de Elvis ainda continuava intacto e que tudo o que ele precisava mesmo naquele momento era de material com um mínimo de qualidade. "Down In The Alley", "Tomorrow Is A Long Time" (a famosa canção de Bob Bylan), Love Letters (a versão original e não a regravação que deu origem a um disco de Elvis nos anos 70), "Beyond The Reef", "Come What May" e "Fools Fall in Love" mostravam que Elvis estava vivo e respirando, mesmo que com dificuldades. Essas seis canções, se tivessem sido lançadas em um disco normal, teriam amenizado e muito a crise musical e artística da carreira de Elvis. Mas infelizmente os executivos da RCA não souberam aproveitar. O single "Love Letters / Come What May", não contou com o mínimo de publicidade mas mesmo assim alcançou uma razoável posição entre os mais vendidos nos EUA (19º lugar) e um ótimo sexto lugar na Inglaterra! Aos poucos Elvis Presley estava finalmente renascendo das cinzas.

Pablo Aluísio. 

domingo, 27 de julho de 2014

FTD Paradise Hawaiian Style

"Feitiço Havaiano" foi um dos maiores sucessos da carreira de Elvis nos cinemas durante os anos 1960. O coronel Parker sempre achou esse filme de Elvis o "produto perfeito". Então uma seqüência (ou quase isso) seria inevitável. Assim nasceu "No Paraíso do Havaí", a tentativa de repetir todo aquele sucesso, ou seja, o coronel Parker colocou Elvis para imitar ele mesmo! A trilha, assim como o filme, é pouco animadora. Tem poucos bons momentos como "Sand Castles" (linda) e muitos péssimos como "A Dog's Life" e "House of Sand". Como o próprio material é fraco e desprovido de maior interesse a única coisa que levará o fã de Elvis a adquirir o CD é sua busca por ter uma coleção completa, já que, vamos ser bem sinceros, tudo poderia ser jogado no lixo sem maiores culpas! O interessante é que o próprio selo FTD tinha consciência que vender esse material não seria nada fácil, assim acabou lançado o CD dentro de um pequeno pacote com duas outras trilhas sonoras do mesmo período. Quem sabe dessa forma o colecionador não se animaria a comprar todos os três títulos, quem sabe...

Os takes alternativos porém trazem um pouco de interesse, pois mostra Elvis no estúdio, tendo que lidar com toda aquela porcariada, para transformar o que já era muito ruim em algo ao menos audível. E isso, meus amigos, não era algo fácil de conseguir. É nítido o desânimo de Elvis em ter que gravar essas faixas, pois além de serem havaianas eram de um má qualidade enorme. Fico imaginando o que se passava na mente dele em momentos como esse. Isso porque Elvis sempre foi o primeiro crítico de seu trabalho. Ele tinha muita cultura musical, desenvolvida desde os tempos de infância em Memphis, quando ouvia o que havia de melhor em termos de música pelo rádio. Imagine você uma pessoa como essa sendo obrigada a gravar todo esse lixo Hollywoodiano, sabendo que sua credibilidade como artista seria abalada quando esse disco chegasse no mercado. Definitivamente não foi algo fácil para uma pessoa como ele, que sabia que tudo, no final das contas, era destituído de valor cultural.

FTD Paradise, Hawaiian Style
Paradise, Hwaiian Style
Queenie Wahine's Papaya
Scratch My Back
Drums Of The Islands
Datin'
A Dog's Life
House Of Sand
Stop Where You Are
This Is My Heaven
Sand Castles
This Is My Heaven (take 4)
A Dog's Life (takes 4,5,6)
Datin' (takes 6,7,8,11,12)
This Is My Heaven (take 7)
Drums Of The Islands (takes 4,5)
Queenie Wahine's Papaya (take 5)
Stop Where You Are (take 1)
House Of Sand (take 3 plus intro)
Paradise, Hawaiian Style (takes 4,1)
Scratch My Back (take 1)
A Dog's Life (take 8)
Sand Castles (take 1)
Datin' (takes 1-4)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

No Paraíso do Havaí

Título no Brasil: No Paraíso do Havaí
Título Original: Paradise, Hawaiian Style
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Michael D. Moore
Roteiro: Allan Weiss, Anthony Lawrence
Elenco: Elvis Presley, Suzanna Leigh, Donna Butterworth, James Shigeta

Sinopse:
Rick Richards (Elvis Presley) é um piloto que acaba pagando caro por ser tão mulherengo. Demitido do emprego resolve ir até o ensolarado Havaí com o plano de montar uma empresa de viagens turísticas pelas ilhas por helicópteros. Ao lado de seu sócio as coisas até começam bem mas Rick não toma jeito e se envolve novamente em muitas confusões envolvendo as garotas que se atiram aos montes em seus pés.

Comentários:
Algo deu muito errado na carreira de Elvis no cinema. Cinco anos depois de fazer sucesso com "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii, 1961) ele voltava ao mesmo ponto de antes, ou pior, para algo inferior. O filme é obviamente uma tentativa de reviver os bons tempos de Elvis no Havaí mas pouca coisa se salva nesse remake disfarçado. O roteiro, mais uma vez escrito por Allan Weiss, é bem ruim e nem sequer tenta disfarçar a falta de um argumento melhor para Elvis ir apresentando as canções (igualmente ruins) da trilha sonora. A produção tampouco é boa e o enredo literalmente se arrasta, com Elvis de vez em quando cantando um pouco para quebrar o tédio reinante. Curiosamente foi o primeiro filme do diretor Michael D. Moore que não conseguiu esconder sua falta de experiência. Há erros de continuidade e muitas vezes tudo cai no marasmo, fato que fica evidente no rosto de Elvis, transparecendo aborrecimento em cada momento. Pelo visto ele sabia que estava envolvido em mais um abacaxi de Hollywood, para sua tristeza e de seus fãs - que começavam a debandar em massa por causa da má qualidade de seus filmes e trilhas.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Paradise, Hawaiian Style - Parte 2

A Dog's Life (Ben Weisman / S. Wayne) - E pensar que Elvis, que cantou "Hound Dog" iria acabar gravando "A Dog's Life"! A pior música do filme que já é ruim de doer! Na cena no Helicóptero de papelão Elvis divide a "atuação" com um monte de amigos caninos! Acho que não poderia ser pior! O fim da picada!

House of Sand (Giant / Baum / Kaye) - Quando pensávamos que estávamos livres do trio calafrio eles reaparecem com mais uma "bomba"! Eita musiquinha ruim essa hein! Elvis transparece todo seu tédio (que deve ter sido enorme ao gravar esse material) e apenas interpreta a pobreza lírica com desdém nítido. Ruindade pouca é bobagem.

Stop Where You Are (Giant / Baum / Kaye) - Outra porcaria assinada por Giant, Baum e Kaye. Esses caras eram realmente imbatíveis, não me surpreende o fato deles terem sido os pais dos maiores abacaxis da carreira de Elvis como "Kissin Cousins" e "Harum Scarum". Mas aonde diabos afinal o Coronel Parker achou esses caras? Com tantos compositores talentosos nos anos 60 implorando para que Elvis gravasse suas músicas, o Coronel resolveu escolher logo os mais ineptos e idiotas disponíveis no mercado? Como perdoar uma coisa dessas? Provavelmente eles cobravam uma merreca para comporem temas para Elvis. Pelo qualidade da mercadoria entregue sem dúvida o Coronel não gastou muito.

This Is My Haven (Giant / Baum / Kaye) - Adivinhe só quem compôs essa canção? Leva um abacaxi quem ganhar! Eles mesmos: Giant, Baum e Kaye! Dessa vez eles tentaram diminuir um pouco a mediocridade e escreveram pelo menos uma melodia agradável. Mas depois de escreverem tantos temas ruins será que tem salvação? A música é menos constrangedora do que as demais, mas mesmo assim não empolga e nem decola. Fico no lenga lenga e termina logo (graças a Deus!)

Sand Castles (H Guldeberg / D. Hess) - Você chega no finalzinho da trilha sonora e pensa que perdeu minutos preciosos de sua vida com nada e de repente começa "Sand Castles". Você dá um salto e fica com o queixo caído! Essa canção é mesmo de "Paradise, Hawaiian Style"? Eu não acredito! Essa música é simplesmente LINDA! Como é que ela foi parar aqui, no fim, desprezada e esquecida? É um dos maiores vocais de Elvis em toda a sua discografia (e isso meu caro não é pouca coisa!). Acompanhamento lindo e ritmo relaxante, "Sand Castles" evita que joguemos o disco na lata de lixo! Simplesmente adoro essa canção e sempre a ouço (tente ouvi-la a dois!). Fantástica e completamente destoante do restante da trilha sonora. Ah! se o disco fosse composto de dez versões dessa mesma canção! Seria muito mais relevante do que a trilha inteira! Nota 10 com louvores!

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Barney Kessel (guitarra) / Charlie McCoy (guitarra) / Ray Siegel (baixo) / Keith Mitchell (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Hal Blaine (bateria) / Milton Holland (bateria) / Larry Muhoberac (piano) / Bernal Lewis (steel guitar) / Al Hendricksson (guitarra) / Howard Roberts (guitarra) / Victor Feldman: (bateria) / The Mello Men: Bill Lee, Max Smith, Bill Cole e Gene Merlino (vocais) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California / Data de gravação: 26 e 27 de julho e 2,3 e 4 de agosto de 1965 / Produzido por Thorne Nogar / Data de lançamento: maio de 1966 / Melhor posição nas charts: #15 (USA) e #7 (UK).

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Paradise, Hawaiian Style - Parte 1

Agosto de 1966, o filme "Paradise, Hawaiian Style" (No Paraíso do Havaí, no Brasil) é lançado nos cinemas americanos. O filme foi filmado em locação nas ilhas havaianas de Oahu, Kauai e Mauí. Com direção de D. Michael Moore e produção de Hall Wallis pela Paramount, o filme tentava repetir o sucesso de fitas anteriores de Elvis nas ilhas do pacífico, mas o tiro saiu pela culatra e os resultados financeiros não atingiram as expectativas. Isso sem dúvida refletia todo o desgaste da carreira do cantor em Hollywood. O que escrever sobre "Paradise, Hawaiian Style"? Esse é um material tão inconsistente e falso que fica até difícil começar a apontar seus defeitos. Em primeiro lugar é um projeto que tenta imitar descaradamente Blue Hawaii (Feitiço Havaiano, 1961), aliás com a metade dos dólares gastos no filme anterior (ordens do Coronel). Elvis nem se importou muito em atuar bem e está visivelmente fora de forma. O filme, como muitos outros desse período foi realizado às pressas - em pouco mais de 2 semanas todas as cenas já estavam prontas e a equipe de filmagem de volta aos Estados Unidos. Tudo foi filmado praticamente de primeira, sem ensaio, sem cuidado, sem primor.

Nessa época parece que Elvis estava mesmo em uma espécie de coma criativo, engolindo tudo o que lhe era enfiado goela abaixo. Sua incrível intuição artística parecia morta e enterrada e o astro havia se transformado em um mero boneco na mão de diretores, produtores e roteiristas! Mas as más notícias não parariam por aí. Se não bastasse o filme ser extremamente ruim e inconsistente o "Rei" ainda seria jogado em um lamaçal de músicas ruins. "Paradise" é sem sombra de dúvida uma das piores trilhas sonoras de sua carreira (se não for a pior!). A faixa título é muito ruim, com péssima letra (com um verso pra lá de estúpido: "Puxa! Como é bom estar no 50º Estado!") E a partir daí é uma ladeira abaixo, com canções de mal gosto (Scratch My Back), infantis e maçantes (Datin) constrangedoras (A Dogs Life) e mal produzidas (Stop Where You Are). Nem This Is My Heaven consegue manter a dignidade. A única e honrosa exceção no meio desse pântano de músicas ruins e baratas é mesmo, como já foi dito, a bela canção Sand Castles. E por incrível que pareça ela foi a única cortada do filme! Como pôde acontecer uma coisa dessas? Realmente Paradise, Hawaiian Style é impressionante, pois até nisso eles se equivocaram. Não há muito o que comentar nesse momento opaco, depois dessa é melhor esquecer que nosso querido ídolo se envolveu em tamanho abacaxi, literalmente!

Paradise, Hawaiian Style (Giant / Baum / Kaye) - Realmente essa faixa tema é ruim demais. Se existisse um prêmio "framboesa de ouro" na categoria de "pior música tema de um filme de Elvis" essa levaria o prêmio fácil, fácil. Até o vocal de Elvis está estranho, muito contido e cantando extremamente mal, como se a master original estivesse fora da rotação normal. O ritmo é muito equivocado mas a letra é insuperável! "Como é bom estar no 50º Estado"!. Que bobagem é essa? Esse triozinho de compositores quando erravam a mão erravam mesmo pra valer! Terra arrasada mesmo! Péssimo em todos os aspectos!

Queenie Wahine's Papaya (Giant / Baum / Kaye) - Outra pérola trash! No filme Elvis divide os vocais com a garotinha pentelho Donna Buttersworth, que é engraçadinha, talentosa e bonitinha, mas que em nenhum momento do filme deixa de ser pentelhinha. Falando sério, vamos ser sinceros: colocar Elvis Presley, o Rei do Rock, numa cena abacaxi dessas, batendo em panelas já é demais! Alguém deveria ter tirado Elvis à força dos sets de filmagens desse filme! Nada contra Elvis dividir o microfone com uma criança, mas se pelo menos ela soubesse cantar! Seria pedir demais?!

Scratch My Back (Giant / Baum / Kaye) - Outra música que faz jus à total e absoluta falta de talento desse trio assustador que escreveu algumas músicas desse filme. A cena é ainda pior, pois Elvis tem que se abaixar de perfil ao se esfregar em algumas - minhas sinceras desculpas Fernanda Montenegro - "atrizes"! E nesse momento, como ele estava bem fora de forma, sua pancinha se sobressai de forma constrangedora. Complicado superar tamanha besteira! Sério, ninguém viu isso não? Nem vou escrever sobre a canção...

Drums of The Islands (Polynesium Cultural Center / S. Tepper / R.C. Bennett) - Bem, alguém deve ter pensado: Precisamos colocar alguma dignidade nessa trilha sonora, vamos escrever alguma coisa que preste! Então chamaram os compositores dos filmes "G.I. Blues" e "Blue Hawaii" para comporem e adaptarem um tema típico havaiano. Quase conseguiram, a bola bateu na trave. Se não é um primor, pelo menos traz Elvis em boa vocalização com uma boa equipe vocal o apoiando. Uma pequena pausa na mediocridade reinante.

Datin (J. Wise / R. Starr) - "Datin" é um caso interessante. Se você não se importar com a infantilidade do tema pode até mesmo se divertir com o ritmo alegre e sem pretensão nenhuma. Diversão pela diversão. Escapismo total mesmo. É um dos bons momentos da trilha, mesmo que seja bobinha, mesmo que a letra seja ingênua e pueril. No filme novamente a atriz mirim estraga a canção, mas felizmente a versão presente no disco só conta com a vocalização de Elvis. Pelo menos dessa vez o bom senso prevaleceu!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Double Features - Frankie And Johnny / Paradise Hawaiian Style

O relançamento remasterizado de 7 trilhas sonoras de Presley em 3 discos — intitulados Elvis Double Features pela primeira vez em CD, podem fazer os fãs vibrarem com o som superior e gemas ocasionais (como "I ll Be Back" de Spinout), ou se angustiar com o que deve ter sido artisticamente frustrante para o próprio cantor. Pense. Aqui está Elvis, que colocou o mundo em chamas nos anos 50, posto para cantar "Old MacDonald Had A Farm" nos anos 60, em filmes estúpidos, enquanto que grupos como Beatles e Rolling Stones admitindo que Elvis era o maior — estabeleciam novos padrões musicais. Preso aos contratos de seu empresário Tom Parker, por milhões de dólares, Elvis foi ficando mais rico a cada filme, enquanto morria artisticamente.

O primeiro Elvis Double Feature, com Frankie And Johnny / Paradise Hawaiian Style, é um CD com 49:07 e 22 faixas que mostram o abismo onde o grande artista caiu. Existem 5 preciosidades absolutas embutidas: a faixa título, "Frankie And Johnny", abrasiva com seu som Dixieland. Rodado em New Orleans, é lamentável que as 12 canções deste filme não tenham absorvido mais a cena musical local. Elvis lamenta! Cada verso é construído com intensidade e nos seus escassos 2:23, as numerosas repetições ecoam uma magia mais ampla. Idem para a seguinte, "Come Along", 1:52 de puro prazer. Então, vem o desastre. Será "Petunia, The Gardener's Daughter" a pior música que Elvis já cantou? Provavelmente não, porque ela foi salva pelo balanço de New Orleans. "Chesay" é bem pior e "What Every Woman Lives For" não é apenas terrível, mas francamente insultuosa. Com melancólica misogenia, diz que a mulher é realmente boa se "for para dar seu amor a um homem". "Look Out Broadway" é igualmente ruim. Melosa e maliciosa chega a perguntar: "se ele lhe der um diamante, o que você dará a ele?"

Perceba que a voz de Presley era um instrumento tão quente e expressivo, que escutá-la pode ser o jeito de se descobrir sobre como ele se sentia na época, e estas faixas, mesmo ruins como são, para um fanático por Elvis, são fascinantes. "Begginer's Luck" é a terceira gema. Lembrando trilhas sonoras melhores como G.I. Blues ou Blue Hawaii, esta terna balada tem fluidez. Infelizmente, ela precede uma marcha. Uma marcha! Como aficionado a Elvis por 35 anos, posso dizer sem hesitação que entre todos os gêneros musicais do universo — com exceção do já mencionado "G.I. Blues" — Elvis soava mais desconfortável cantando marchas. E algum estúpido decidiu fazer uma marcha, misturando "Down By The Riverside" com "When The Saints Go Marching In" — atirando Elvis numa horrível estrutura rítmica, salva no fim, quando muda para ragtime. "Shout It Out" é um exemplo, de como aqueles lacaios de Hollywood, tentaram substituir seu grito rebelde de rock' n' roll original, por uma batida pegajosa e sem valor, supervalorizando os efeitos percussivos, ainda que Elvis a cante corretamente.

Acho que ele sabia, assim como nós, que sempre existirão aquelas poucas gemas, onde valerá a pena enfiar a cara, como na que se segue: "Hard Luck" é um blues pesado, no qual ele se entrega com uma paixão que não se ouve em qualquer lugar. A metade Frankie & Johnny do disco, termina numa levada "para cima" em ritmo de ragtime. A psicologia de bastidores que transformou o Rei do Rock' n' Roll numa marionete de compositores, argumentistas, diretores e produtores, é um enigma da cultura pop que talvez jamais seja solucionado. E fácil apontar para Tom Parker, o homem que ajudou Elvis a alcançar o superestrelato. Parker, na sua visão limitada, optou todas as vezes pelo dinheiro rápido. Presley quase o despediu em uma ocasião, mas em última análise, ele era tão leal quanto um velho perdigueiro. Minha teoria é que Elvis racionalizou a sua ascenção: "Odeio esta droga, mas até que não tem sido tão ruim assim. Faço filmes em Hollywood. Tenho meus amigos de Memphis comigo o tempo todo. Tenho garotas a cada noite da semana. Recebo minha 'medicação' para me fazer sentir bem. Então, se devo cantar estas músicas horríveis, e dai? É um trabalho para se viver."

A porção Paradise Hawaiian Style do disco é ainda pior. Enquanto Frankie & Johnny tem 5 faixas fortes em 12, Paradise... não tem nenhuma em 9. Na faixa-titulo, Elvis canta um verso estúpido, "puxa, é bom estar no 50º estado". Procedido por um material havaiano tão falso, banal e embaraçoso, que Elvis deve ter se entupido de medicação para poder gravá-lo. O divertido é que ele sabia o quanto era ruim. Há uma versão engraçada de "Datin" numa caixa editada em 1980, onde depois de dezenas de tomadas de gravação, ele ainda não consegue cantá-la sem rir do que estava fazendo. Apenas não conseguia parar de rir! Claro, seu senso de humor é lendário, mas aqui é contagiante. O ouvinte não consegue evitar de rir junto com ele. Pena que a versão escolhida pela RCA para este Double Feature, é uma que ele consegue cantar do começo ao fim. O resto do material sequer é digno de menção.

Double Features -  Frankie And Johnny / Paradise Hawaiian Style (1994)
Frankie And Johnny
Come Along
Petunia The Gardener's Daughter
Chesay
What Every Woman Lives For
Look Out Broadway
Beginner's Luck
Down By The Riverside - When The Saints Go Marching In
Shout It Out
Hard Luck
Please Don't Stop Loving Me
Everybody Come Aboard
Queenie Wahine's Papaya
Scratch My Back
Drums Of The Islands
Datin'
A Dog's Life
House Of Sand
Stop Where You Are
This Is My Heaven
Sand Castles

Fonte: Elvis Rock in Portfólio.

sábado, 12 de julho de 2014

FTD Frankie and Johnny

Assim encerrando os comentários sobre o filme "Frankie and Johnny" vamos tecer breves comentários sobre o CD do selo FTD dessa trilha sonora. Originalmente foi lançado em 2004 (lá se vão dez anos, como o tempo passa rápido!!!) e talvez por essa razão não seja dos mais simples de encontrar hoje em dia (embora no mundo da internet tudo seja possível). Por essa época a FTD estava bem concentrada nas trilhas sonoras dos anos 60. Além de "Frankie and Johnny" o selo havia lançado "Fun In Acapulco", "Girl Happy", "Harum Scarum" e "Vivas Las Vegas". Todos com encartes de bom gosto, excelente direção de arte, livretos, fotos raras e revitalização sonora. Uma beleza. Outro ponto positivo é que o título vinha com muitas gravações inéditas. Credito isso ao fato de que após seu lançamento nos anos 60 ninguém mais se interessou muito por essa trilha que ficou meio de lado, esquecida. Como não havia nenhum grande sucesso e também como não tinha sido um sucesso de vendas em seu lançamento as canções foram aos poucos sendo esquecidas. Pois bem, o colecionador teve assim em mãos a trilha sonora original e mais 13 faixas completamente inéditas que pela primeira vez chegavam aos fãs. Só isso já valeria a adição do CD na coleção, mesmo que você não simpatizasse muito com a sonoridade de metais ao estilo New Orleans.

Embora recheada de coisas inéditas o CD também apresentava algumas reprises conhecidas. Os fãs já tinha tido acesso ao take 1 de "Frankie and Johnny" no CD FTD "Out In Hollywood" e ao take 10 de "Please Don't Stop Loving Me" no box "Today, Tomorrow And Forever". Para quem viveu a época houve ainda o resgate da versão do acetato de "Frankie And Johnny" que trazia a versão do filme, levemente diferente da do álbum. Fora isso tudo inédito. Pelo relativo sucesso que fez a canção "Please Don't Stop Loving Me" ganhou certo destaque com várias versões. Acho isso até justificável. Agora, complicado mesmo é entender porque deram tanta atenção para a péssima "Petunia, The Gardeners Daughter". Ouvir essa canção uma vez já é ruim, imagine várias vezes!!! Pena que não haja takes alternativos do medley "Down By The Riverside / When The Saints Go Marching In" e nem de "Beginner's Luck". Infelizmente são coisas do destino já que muito material gravado por Elvis em estúdio acabou sendo mesmo jogado fora, seja por engano, seja porque a RCA jogava mesmo na lata de lixo takes de sessões que não mais lhe interessavam comercialmente. Tudo bem, de uma forma ou outra o que sobrou já vale bastante a pena. Resgata uma trilha que o tempo esqueceu. Só isso já justifica completamente o lançamento desses registros fonográficos.

FTD Frankie and Johnny
1. Frankie And Johnny
2. Come Along
3. Petunia, The Gardeners Daughter
4. Chesay
5. What Every Woman Lives For
6. Look Out, Broadway
7. Beginner's Luck
8. Down By The Riverside / When The Saints Go Marching In
9. Shout It Out
10. Hard Luck
11. Please Don't Stop Loving Me
12. Everybody Come Aboard
13. Frankie And Johnny (take 1)
14. Please Don't Stop Loving Me (take 10)
15. Everybody Come Aboard (takes 1, 2)
16. Chesay (take 1)
17. Petunia, The Gardeners Daughter (take 2)
18. Look Out, Broadway (takes 3, 4, 5)
19. Please Don't Stop Loving Me (takes 1, 2, 3)
20. Shout It Out (takes 1, 2, 3)
21. Everybody Come Aboard (takes 9, 10)
22. Chesay (takes 3, 6)
23. Look Out, Broadway (takes 6, 7, 8)
24. Petunia, The Gardeners Daughter (take 5)
25. Please Don't Stop Loving Me (take 7)
26. Frankie And Johnny (takes 3, 4)
27. Frankie And Johnny (Versão do filme - acetato)

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Elvis, Frankie, Sinatra e Johnny


Durante as filmagens do filme "Frankie and Johnny" Elvis recebeu uma ilustre visita no set: Frank Sinatra. O cantor esteve por lá para realizar uma visita de cortesia, até porque também estava trabalhando no mesmo estúdio. No fundo Sinatra também tinha duas ambições - convencer Elvis a gravar um disco ao seu lado (algo que não aconteceria) e arranjar uma vaga para sua filha Nancy em algum futuro filme de Elvis (algo que se tornaria realidade em "Speedway", dois anos depois). Após as trocas de gentilezas Sinatra ainda aproveitou para tirar uma casquinha do figurino de época que Elvis usava. Amigos, amigos, negócios à parte.

domingo, 6 de julho de 2014

Entre a Loura e a Ruiva

Título no Brasil: Entre a Loura e a Ruiva
Título Original: Frankie and Johnny
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: MGM
Direção: Frederick De Cordova
Roteiro: Alex Gottlieb, Nat Perrin
Elenco: Elvis Presley, Donna Douglas, Harry Morgan

Sinopse:
Elvis Presley interpreta Johnny, um jogador que vai levando a vida entre partidas emocionantes de cartas e amores clandestinos. Quando conhece Frankie (Donna Douglas), uma loira bonita e charmosa, ele pensa que finalmente poderá entrar em um relacionamento sério com uma mulher, algo que acaba não acontecendo pois também surge em sua vida a dançarina Nellie (Nancy Kovack), que também mexe com seu coração. E agora, como solucionar esse complicado triângulo amoroso? Roteiro baseado na famosa canção “Frankie and Johnny” do século XIX.

Comentários:
A primeira coisa que me chamou bem a atenção quando assisti a esse filme de Elvis pela primeira vez foi a pobreza da produção. Veja que em filmes que ele realizou em estúdios como a Paramount isso jamais aconteceria, pois os executivos dessas empresas cinematográficas tinham um nome a zelar e não deixariam que o nome da Paramount fosse envolvida em produções classe Z. Infelizmente a MGM, sempre com ameaças de fechar suas portas, não mais se importava com isso. Então a coisa toda foi realizada mesmo assim, a toque de caixa, sem capricho e sem recurso. Supostamente teria que ser um filme de época, com cenários e figurinos de encher os olhos, mas como a grana estava curta tudo foi realizado com material de segunda mão. Os figurinos vieram de produções de faroeste classe B e os cenários foram reaproveitados de outras produções. Quando Elvis surge na janela de um barco nós logo percebemos que aquilo pode ser tudo, menos uma embarcação de verdade. O que realmente vemos em cena é uma divisória de madeira bem mal feita se fazendo passar por um barco-cassino do século XIX. É demais, vamos convir. O roteiro é básico, sem novidades, um mero pretexto para que Elvis vá cantando preguiçosamente as (boas) músicas da trilha sonora a cada 10 ou 15 minutos. O filme aliás foi muito criticado justamente pelo fato de se estar lidando com um enredo até conhecido, que já entrou inclusive no folclore americano. Pena que os produtores não estavam nem aí para isso. Assim chegamos na conclusão de que se a trilha sonora pode até ser considerada boa, do filme pouco se salva, pois é muito ruim de fato. Mais um passo em falso na melancólica trajetória de Elvis por Hollywood na década de 1960.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Frankie and Johnny / Please Don't Stop Loving Me

Nos bastidores da RCA Victor houve uma certa polêmica se haveria o lançamento de algum single extraído da trilha sonora do filme "Frankie and Johnny". Na verdade se temia por um prejuízo financeiro. Afinal os últimos filmes de Elvis não tiveram singles lançados e os que chegaram no mercado ficaram pegando poeira nas prateleiras. Os péssimos números de vendas desanimavam os executivos da RCA. Era mesmo pouco provável que alguém se aventurasse a colocar no mercado algum single com o cantor. Por outro lado a RCA não tinha certeza se o resto do material iria fazer sucesso pois os arranjos de época certamente não tinham força para competir com os grupos de rock da moda. Era algo meio ao estilo Dixieland, jazz e outras sonoridades que dificilmente iriam fazer bonito nas paradas de sucesso. Os hippies não iriam se ligar naquela caretice de cornetas antigas! Talvez no sul, lá pelas bandas de New Orleans, o público se animasse a adquirir o álbum, mas em regiões mais desenvolvidas como Nova Iorque e Los Angeles isso provavelmente não iria se tornar um sucesso de vendas. Era algo até previsível. Assim na via das dúvidas, procurando faturar um pouquinho mais com essas gravações, a RCA lançou, sem divulgação nenhuma, diga-se de passagem, o single com "Frankie and Johnny / Please Don't Stop Loving Me".

As primeiras resenhas dos críticos não foram lá muito animadoras mas pelo menos não debocharam da qualidade do disco. Havia ali um produto que era nitidamente bem trabalhado, com arranjos de metais em uma clara tentativa de melhor a qualidade das gravações de Elvis que chegavam ao mercado. É claro que não iriam disputar cabeça a cabeça as primeiras posições com os grupos psicodélicos que começavam a surgir vindos da ensolarada Califórnia, mas pelo menos tinham um certo pedigree. Passava longe de ser um material de dar vergonha. Curiosamente um articulista de Londres chegou a dizer que as músicas não era puro sangue, de raça, mas pelo menos não eram pangarés como os que Elvis estava acostumado a colocar no mercado nos últimos anos. O álbum com a trilha sonora de "Frankie and Johnny" de fato vendeu bem pouco, mas esse single conseguiu chegar num bom número de cópias vendidas, chegando ao ponto de ganhar um disco de ouro, algo que vinha rareando cada vez mais na carreira de Elvis Presley. Agora o terrível mesmo é saber que Elvis só voltaria a ser premiado com um disco de ouro novamente por um single com "If I Can dream / Edge of Reality" no final de 1968, ou seja, ele ficaria amargando por longo tempo um jejum de boas vendas, colecionando vendas medíocres nos meses que viriam. A má qualidade do material gravado para as trilhas de filmes de Hollywood iria cobrar um preço bem caro - a do fracasso comercial em série de seus discos.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 29 de junho de 2014

Frankie and Johnny - Parte 2

8. Down by the Riverside / When the Saints Go Marching In (Bernie Baum / Bill Giant / Florence Kaye) - Muitos não gostam desse medley com músicas tradicionais. Eu penso de forma diferente, acho de uma alegria contagiante, inclusive por parte de Elvis Presley, que parece estar se divertindo como nunca! Além da animada performance temos que dar o braço a torcer pelas próprias canções, que são maravilhosas. Embora tenham sido creditadas a esse trio no disco, eles nada mais fizeram do que apenas adaptar as canções para Elvis e o filme. "Down by the Riverside", por exemplo, era dos tempos da guerra civil e "When the Saints Go Marching In" é uma canção católica composta originalmente em tempos imemoriais.

9. Shout It Out (Bernie Baum / Bill Giant / Florence Kaye) - Outra boa canção da trilha sonora. No filme Elvis surge apresentando a música com uma roupa escura no velho estilo do sul, que em um bom exercício de imaginação, até mesmo antecipa algumas de suas mais famosas jumpsuits dos anos 70.

10. Hard Luck (Ben Weisman / Sid Wayne) - Mais uma composição do Ben Weisman. O ritmo é de blues, com Elvis a cantando ao lado de um garoto negro do filme, mandando ver em sua gaita de bolsa (na verdade dublando o talento de Charlie McCoy). Apesar de sempre ser um prazer renovado ouvir Elvis cantando blues essa faixa é prejudicada por ser Hollywoodiana demais. A letra pelo menos é até bem escrita, fugindo de maiores banalidades. No geral podemos dizer que é apenas mediana, além de curta demais.

11. Please Don't Stop Loving Me (Joy Byers) - Joy Byers durante essa fase da carreira de Elvis foi responsável por alguns dos melhores momentos das cambaleantes trilhas sonoras do cantor. Aqui está de volta, só que ao invés de escrever algum pop mais agitado optou por uma balada romântica. Considero um dos momentos mais fracos da trilha por apelar demais para clichês - tanto do ponto de vista de arranjos como de letra. A cena do filme é fraca, pois Elvis a canta de uma janela do barco (o cenário aliás não é muito convincente, mostrando toda a falta de capricho na produção do filme, que sendo bem sincero é B demais para que nos importemos com ele).

12. Everybody Come Aboard (Bernie Baum / Bill Giant / Florence Kaye) - A trilha sonora se encerra com essa boa "Everybody Come Aboard", com muitos metais e arranjo ao velho estilo de New Orleans. Sem acompanhamento vocal marcante, contando praticamente apenas com Elvis nos vocais é uma boa despedida para "Frankie and Johnny". Bem melhor do que muitas canções ruins que ele teve que enfrentar por essa época.

Frankie and Johnny (1966) - Elvis Presley (vocais) / The Jordanaires (backing vocals) / Eileen Wilson (vocais) / George Worth (trumpete) / Richard Noel (trombone) / John Johnson (tuba) / Gus Bivona (saxophone) / Scotty Moore (guiarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Charlie McCoy (harmonica) / Larry Muhoberac (piano) / Bob Moore (baixo) / D. J. Fontana, Buddy Harman (baixo) / Data de Gravação: maio de 1965 / Data de Lançamento: março de 1966 / Melhor Posição nas paradas: # 20 (EUA) # 11 (UK).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Frankie and Johnny - Parte 1

Assim como aconteceu com "Harum Scarum" temos aqui uma boa trilha sonora de um filme ruim. Muitas pessoas dizem que Elvis só gravou coisa ruim em seus anos de Hollywood, principalmente após 1965 mas acredito que essa seja uma visão muito simplista. Alguns de seus álbuns sofreram e foram descartados sumariamente simplesmente por serem trilhas sonoras de filmes fracos, de produções que deixavam a desejar. Já pensei quase desse modo no passado, mas ouvindo novamente algumas dessas canções que ficaram perdidas nas areias do tempo, posso dizer sem receios que muitas delas são boas e, para surpresa de muitos, com talentosas performances por parte de Elvis e banda. A trilha de "Frankie and Johnny" está inserida justamente nessa categoria. Certamente tem bobagens e claramente apresenta momentos que nunca seriam dignos de um artista como Elvis Presley, mas no meio de tudo também se esconde pequenas preciosidades esquecidas. Duvida? Que tal ouvir o disco novamente para tirar as dúvidas. Vamos dar um passeio pelo álbum? Convite aceito, vamos lá...

1. Frankie and Johnny (Alex Gottlieb / Fred Karger / Ben Weisman) - Logo na faixa título o ouvinte terá a certeza que essa trilha não tem uma sonoridade comum. O arranjo de metais, tentando reviver o clima de New Orleans, já chega forte nos primeiros segundos da audição. Particularmente gosto muito desse tipo de instrumentação, não apenas por se tratar de algo que fuja do convencional e habitual, mas também por ser algo reverencial a um tempo passado, fruto, é claro, do enredo do próprio filme que é de época. Uma boa faixa, muito bem arranjada e executada.

2. Come Along (David Hess) - Outro prazer sem culpas. Aqui o destaque vai para o trabalho primoroso dos vocais. As pessoas ouvem esse tipo de gravação é podem até mesmo pensar que é fácil encontrar um entrosamento como esse, onde em um ritmo rápido todos os vocalistas (Elvis e seu grupo de apoio) surgem perfeitamente sincronizados. Não se engane, não é nada fácil realizar algo assim, principalmente nas notas finais do fim dos versos que são bem incisivos. Belo trabalho de Presley e os Jordanaires.

3. Petunia, The Gardener's Daughter (Roy C. Bennett / Sid Tepper) - Bom, como se trata de um trilha sonora de Elvis nos anos 60 não escaparemos de ouvir algumas bobagens. Essa é a primeira delas. Depois de duas boas faixas, fortes, gravadas e cantadas com convicção, surge essa que tem uma letra de amargar. Também é de se admirar que essa boa dupla de compositores tenha criada essa musiquinha medíocre. Se você estiver ouvindo um vinil pode levantar a agulha e ir para a próxima sem receios. Se for um CD melhor programar para ela ser ignorada na seleção de faixas. Não fará diferença.

4. Chesay (Ben Weisman / Fred Karger / Sid Wayne) - Ben Weisman foi o compositor mais produtivo durante esse período da carreira de Elvis. No total deve ter composto mais de 50 faixas para o garoto de Memphis. Essa é mais uma delas. O destaque vem de um ótimo trabalho vocal. Gosto bastante do entrosamento que Elvis e os Jordanaires tiveram nessas sessões. Perceba que ao contrário dos outros álbuns de Elvis na época, esse contou com a entrada de vários músicos contratados para reproduzir a sonoridade típica das canções para esse filme. Assim ao lado de Elvis havia mais de 15 músicos dentro do estúdio naquela ocasião. Imagine o trabalho que deu colocar toda essa gente em fina sintonia. "Chesay" prova que todos estavam muito bem entrosados.

5. What Every Woman Lives For (Doc Pomus / Mort Shuman) - Depois de um começo promissor ao lado de Elvis no começo dos anos 60 a dupla Pomus e Shuman foi desaparecendo dos discos do cantor. Tinham ficado caros demais na opinião de Tom Parker. Aqui ressurgem ainda timidamente na sua única composição para a trilha sonora. O curioso é que para muitos não foi uma grande volta. Muitos implicam com a letra dessa canção. Dizem que ela vai além do mau gosto em termos de arranjo e letra, que não é apenas machista, mas cafajeste também. Coloca as mulheres na condição de interesseiras, materialistas e loucas apenas pelo dinheiro dos homens. Eu acho que há um grande erro de interpretação no que os autores quiseram passar com a letra, pois no fundo é uma mensagem de amor sobre o que realmente engrandece a vida de uma mulher, que é, repita-se, o amor que ela pode dar ao seu companheiro e não bens materiais como muita gente entendeu, de forma bem errada aliás. As feministas muitas vezes exageram na dose.

6. Look Out Broadway (Fred Wise / Randy Starr) - Se erraram no que a canção anterior dizia, o que falar dessa em que um dos trechos da letra pergunta: "Se ele lhe der um diamante, o que você dará a ele?". Meio grosseirão não é mesmo? Mas não se engane, mesmo em termos de letra essa se salva. É no fundo uma ode à busca pelo sucesso nos palcos da vida, em especial da Broadway em Nova Iorque, o sonho de praticamente todo aspirante à ator nos Estados Unidos. Assim posso dizer que até gosto do resultado, tanto do ponto de vista da letra como da música, mesmo com a pergunta maliciosa que está inserida nela.

7. Beginner's Luck (Roy C. Bennett / Sid Tepper) - Mais uma composição da dupla que compôs o maior sucesso de Elvis em Hollywood, a trilha sonora de "Blue Hawaii". Essa é uma canção sobre se ter sorte de principiante ao se apaixonar pela primeira vez por uma mulher realmente maravilhosa! Quem, em sã consciência, não gostaria de ter essa sorte na vida? Até porque o primeiro amor ninguém esquece, sempre é o mais forte e também o mais idealizado - e talvez por isso seja realmente inesquecível. Essa é uma boa música que apresenta uma bela melodia onde Elvis parece se entregar completamente. Um bom momento do disco, que volto a dizer, tem seus méritos, não restam dúvidas sobre isso.

Pablo Aluísio e Erick Steve.