quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Elvis Presley ‎- I Really Don't Want To Know / There Goes My Everything

Esse foi o último single de Elvis em 1970. Foi lançado como compacto promocional do álbum que estava prestes a chegar nas lojas, "Elvis Country". As duas canções tinham sido gravadas em Nashville naquela grande maratona de gravações, onde Elvis gravou dezenas de canções para serem lançadas aos poucos, nos meses seguintes. O lado A vinha com "I Really Don't Want To Know". Essa canção foi lançada originalmente em 1963, na voz da dupla "Les Paul and Mary Ford". Dez anos depois surgiu a versão de Andy Williams. Até uma versão em língua espanhola foi lançada, na interpretação de  Johnny Rodriguez. Nenhuma dessas versões fugiram ao estilo country. Nem mesmo a de Elvis, que seguiu as linhas básicas da composição. Considero um belo country, com bonita melodia. Elvis adaptou seu jeito de interpretar ao estilo da música, sem maiores inovações. Como já havia sido lançada muitas vezes antes não conseguiu se tornar exatamente um hit dentro da discografia de Elvis, muito embora ele tenha apresentado a canção inúmeras vezes em seus shows ao vivo. Pelo visto Elvis gostava realmente da faixa.

No lado B a RCA Victor colocou a canção "There Goes My Everything".  Essa canção foi originalmente lançada em 1965 na voz do cantor country Dallas Frazier. Ele foi um veterano da música regional norte-americana, estando na ativa desde a década de 1950. Inclusive surgiu no mercado no mesmo ano em que Elvis se profissionalizou. Enquanto Elvis lançava "Thats All Right / Blue Moon of Kentucky", Dallas surgia no meio com o single "Space Command". Um fato curioso aconteceu na discografia inglesa, quando a RCA resolveu inverter a ordem das músicas, colocando "There Goes My Everything" como lado A. A estratégia fez com que o single vendesse mais no Reino Unido do que nos Estados Unidos! A versão de Elvis ficou boa, embora não seja unanimidade. De qualquer maneira esse compacto chegou nas lojas e alcançou apenas a vigésima primeira posição entre os mais vendidos da Billboard Hot 100. A RCA esperava por vendas melhores já que se tratavam de músicas inéditas, mas não foi bem isso o que aconteceu. Para alguns o fato do compacto trazer duas músicas country influenciaram sobre isso, já que Elvis acabava ficando restrito a um público mais do sul, que curtia o som de Nashville.

Elvis Presley ‎- I Really Don't Want To Know / There Goes My Everything (1970)
Data de lançamento: Dezembro de 1970 (Estados Unidos) - Março de 1971 (Inglaterra) - Agosto de 1971 (Brasil) / Melhor Posição nas Paradas: #21 (Estados Unidos) #6 (Inglaterra) / Produção: Felton Jarvis / Data de gravação: I Really Don't Want To Know (7 de junho de 1970) - There Goes My Everything (8 de junho de 1970) / Selo: RCA Victor.

Pablo Aluísio. 

domingo, 20 de agosto de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 2

Havia uma variedade de gêneros musicais nesse álbum de Elvis lançado em 1972, mas era inegável também que a country music se fazia muito presente em seu repertório. A primeira faixa do disco era justamente um country chamado  "Help Me Make It Through The Night" de autoria do cantor e compositor Kris Kristofferson. Era uma canção bem recente na época, lançada no disco "Kristofferson" de 1970. Esse álbum tinha se tornado um dos preferidos de Elvis, justamente pelo seu estilo country / rock de Nashville que estava começando a se sobressair nas rádios do sul.

A história de criação dessa canção é bem curiosa. Ela foi explicada pelo autor alguns anos depois, em entrevista. Ele disse que leu uma entrevista de Frank Sinatra para a revista Esquire onde o cantor se esquivava de uma pergunta sobre suas crenças religiosas. Frank respondeu: "Em que eu acredito? Eu acredito em um copo de whisky, em uma boa companhia, na bíblia... ou em qualquer coisa que me ajude a atravessar a noite!".

Sinatra vinha passando por uma crise depressiva após o fim de seu casamento e passava as noites em claro, tentando chegar no dia seguinte. Foi justamente em cima dessa declaração que Kris Kristofferson escreveu sua canção. Inicialmente ele ofereceu a música para Dottie West, mas ela recusou. Assim ele acabou a gravando originalmente para o seu álbum de 1970. A versão de Elvis surgiria dois anos depois. Para alguns Elvis havia se identificado com a letra, pois ele também vinha passando por problemas relacionados a uma grave depressão, após o fim de seu casamento com Priscilla. Além disso Elvis tinha sérios problemas de insônia, que o deixava acordado por noites seguidas. Assim se tornava bem óbvio que ele tinha muitos motivos para se ver naquelas palavras escritas por Kristofferson.

Outro country do disco foi a faixa "Fools Rush In". A primeira versão veio com Johnny Mercer em 1940. Tempo de guerra, com os soldados americanos se preparando para lutar na Europa contra os nazistas. Essa versão porém era bem antiga, não marcando muito Elvis (afinal ele tinha apenas cinco anos de idade quando ela foi lançada) As versões que parecem ter inspirado Elvis vieram bem depois, primeiro com Frank Sinatra e depois com Ricky Nelson que a transformou em um grande sucesso em 1963. A letra também demonstrava trazer uma certa identificação para Elvis na época. Afinal apenas os tolos abriam completamente seu coração. Com a traição de Priscilla, o divórcio e tudo o mais que de ruim lhe havia acontecido não era mesmo de se admirar que Elvis não se sentisse apenas magoado com o fracasso de seu casamento, mas também como um verdadeiro tolo por ter acreditado demais no amor.

Pablo Aluísio. 

sábado, 19 de agosto de 2017

Elvis Presley - Love Letters from Elvis - Parte 4

"Love Letters", que dá título a esse álbum de Elvis Presley, é uma antiga canção, muito popular nos anos 1940. Ela foi composta por Victor Young, violonista, pianista e compositor clássico. Nascido em Chicago, ele foi até Hollywood tentar a sorte. Acabou se dando muito bem, escrevendo canções populares românticas para trilhas sonoras de filmes dos grandes estúdios de cinema. Essa foi uma delas. Ela fez parte da trilha sonora do filme "Um Amor em Cada Vida", um drama estrelado por Jennifer Jones e Joseph Cotten. Acabou sendo indicada ao Oscar na categoria de Melhor Música original naquele mesmo ano. Os créditos foram dados ao próprio Young e ao letrista Edward Heyman. Antes de Elvis ainda haveria uma outra versão, gravada por Ketty Lester em 1962.

Elvis raramente gravava uma música em estúdio duas vezes. Isso aconteceu com "Blue Suede Shoes" que foi gravada para o primeiro álbum de Elvis na RCA Victor e depois para a trilha sonora do filme "G.I. Blues" (Saudades de um Pracinha) e depois com "You Don't Know Me" da trilha sonora de "Clambake" (O Barco do Amor), também regravada em estúdio por Elvis após a gravação original. Assim "Love Letters" era igualmente um caso bem raro. Elvis a gravou originalmente na década de 1960 e depois a gravou novamente, sendo essa segunda versão a usada nesse disco. Qual teria sido a razão? Não se sabe ao certo. Particularmente ainda prefiro a versão de 1966. O cantor parece mais concentrado e mais firme. Os arranjos também são mais adequados para essa velha composição romântica. Há um clima de nostalgia que valoriza muito a melodia. De qualquer maneira ambas as versões de Elvis são muito boas, sem dúvida. No final das contas se torna apenas um caso de gosto pessoal de cada ouvinte.

"This Is Our Dance" é uma criação do músico e compositor inglês Leslie David Reed. Ele era o maestro e líder uma orquestra muito popular no Reino Unido na década de 1950, onde também tocavam os músicos Gordon Mills e Barry Mason. Naqueles tempos os bailes tinham se tornado bem populares, assim várias orquestras surgiram, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos (fenômeno que também se repetiu no Brasil, na mesma época). Por essa razão as características dessa música são bem claras no tocante ao seu ritmo e melodia. É uma música romântica de baile, composta para ser tocada nos grandes salões da Europa. Provavelmente Elvis tomou conhecimento dela por causa justamente da The Les Reed Orchestra, uma vez que essa orquestra também gravou um disco com "Also Sprach Zarathustra" que Elvis iria utilizar como abertura de seus concertos na década de 1970. 

Já "Heart Of Rome" era mais uma música Italianíssima que Elvis trazia para seu repertório. Elvis não tinha raízes italianas (seus antepassados tinham vindo da Escócia para os Estados Unidos), mas ele amava a músicalidade daquela grande nação. Provavelmente Elvis tomou gosto pelas canções italianas ouvindo Dean Martin, um dos seus cantores preferidos. Logo percebeu que as melodias italianas soavam perfeitas para ele disponibilizar aos seus fãs grandes performances vocais. Afinal ele tinha obtido excelentes resultados comerciais no passado com gravações como "It´s Now Or Never" e "Surrender". Infelizmente porém dessa vez a RCA Victor resolveu não trabalhar na promoção da música, se limitando a divulgá-la de forma bem tímida nas rádios como mero lado B do single "I´m Leaving". Penso que se houvesse maior capricho por parte de sua gravadora, principalmente em seu lançamento europeu, o compacto teria se tornado um grande sucesso.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Elvis Presley - 40 anos de sua morte

Hoje se completa 40 anos da morte de Elvis Presley. Datas assim, redondas, acabam chamando bastante a atenção da imprensa e do público em geral. Pena que esse tipo de coisa também leve a termos inúmeras reportagens sem muita (ou nenhuma) precisão histórica. O número de bobagens escritas por jornalistas em órgãos de imprensa chega até mesmo a surpreender (e assustar). O jornalismo definitivamente vive seu ocaso.

Nessa semana mesmo tivemos um artigo em uma famosa revista no Brasil afirmando que "Elvis praticamente se aposentou em 1972"! Veja que esse jornalista sequer teve o mínimo trabalho de pesquisa - aliás é complicado entender até mesmo onde ele colheu tamanho bobagem em termos de informação. Onde leu isso? Para esse jornalista desavisado e mal informado nunca houve o "Aloha From Hawaii" (que é de 1973), nem os discos dele após 1972. Concertos pelos Estados Unidos? Não houve, Elvis estava aposentado! Como se pode ver muitos jornalistas simplesmente ignoram a pesquisa em seus trabalhos. Eles apenas escrevem seus preguiçosos textos baseados em outros artigos e se eles estiverem errados, volta-se a propagar uma besteira através dos anos. Isso se pode notar nas inúmeras matérias dizendo que Elvis tinha problemas de alcoolismo. Há alguns anos alguém escreveu isso e a partir daí essa informação inverídica é reproduzida todos os anos em revistas e jornais do Brasil. Uma lástima.

Deixando essas barbeiragens da imprensa de lado até que temos boas notícias em relação ao mercado de CDs. Tanto o selo RCA como FTD lançam com regularidade incrível novos títulos de Elvis todos os meses. Nenhum outro artista (nem mesmo Beatles ou Michael Jackson) possuem tanta fartura em termos de lançamentos como Elvis Presley. Os fãs do cantor por isso não têm realmente do que reclamar. Todos os anos (independente das datas comemorativas ou não) os fãs são presenteados com novos lançamentos, novos títulos, gravações inéditas, etc. Podemos até afirmar que a discografia de Elvis se tornou muito mais movimentada nesses últimos 40 anos do que nos 23 anos que durou, enquanto Elvis ainda era vivo.

Colocando-se tudo na balança chegamos na conclusão de que a música de Elvis venceu. Venceu o teste do tempo, venceu as toneladas de matérias escandalosas ou equivocadas da imprensa, venceu até mesmo a mortalidade de seu protagonista. Não há nada parecido no mundo da música até os dias de hoje. Claro que passados 40 anos de sua morte o catálogo de Elvis vai se exaurindo, pois acabam restando poucas gravações ou concertos realmente ainda inéditos. Provavelmente não teremos mais fôlego para outros 40 anos tão fartos em termos de lançamentos. Independente disso o simples fato do nome de Elvis ter sobrevivido depois de tanto tempo é uma prova incrível de seu talento, da imortalidade de sua obra musical. Nesse aspecto não há mesmo o que pensar, Elvis foi realmente único em sua lenda.

Pablo Aluísio.

sábado, 12 de agosto de 2017

Elvis Presley - Let's Be Friends (1970)

Em 1970 a RCA lançou muitos álbuns de Elvis. Como não havia tanto material novo gravado em seus arquivos, a gravadora através de seu selo azul RCA Camden jogou no marcado mais um disco de preço promocional. O LP se chamou "Let's Be Friends" e seguindo os passos do disco "Almost In Love" também era recheado de sobras de estúdio, relançamento de singles e músicas de trilhas sonoras dos anos 60. Curiosamente esse disco nunca foi lançado no Brasil, talvez porque a filial da gravadora em nosso país tenha chegado na conclusão de que não haveria mercado para tantos álbuns de Elvis sendo lançados ao mesmo tempo. Afinal não havia como comparar o nosso país com o mercado consumidor americano.

1. Stay Away, Joe (Weisman / Wayne) - Essa era a música título do filme "Joe é Muito Vivo". Essa é uma comédia nonsense, com roteiro maluco, que nunca chega a fazer muito sentido. De certa maneira é um dos filmes mais singulares da filmografia de Elvis onde ele interpreta um mestiço, um nativo americano, que anda de moto e se envolve em confusões. O final do filme tem uma cena digna das comédias pastelões de "Os Três Patetas" com uma casa inteira vindo abaixo! A música é divertida, segue o mesmo estilo de humor, recriando tambores e sonoridades que tentam copiar as velhas melodias indígenas, mas sem querer ser fiel. É de certa maneira mais um pop ao estilo Hollywood que obviamente não acrescentou praticamente nada dentro da discografia de Elvis Presley.

2. If I'm a Fool (Kessler) - Outra que soava como completa novidade para os colecionadores era a desconhecida "If I'm a Fool". Naqueles tempos as capas dos discos não traziam informações sobre as datas das gravações, os músicos participantes, nada! Assim era quase um trabalho de arqueologia descobrir onde foram produzidas determinadas músicas. Na realidade essa faixa era uma sobra (embora essa denominação possa parecer inadequada) das sessões do American Studios. Uma canção que não havia sido aproveitada em lugar nenhum até aquele momento. Escrita por Stan Kesler não é bem o que se poderia chamar de uma obra prima inesquecível. Na verdade é uma balada country até bem honesta, mas nada muito além disso. Jamais iria se destacar mesmo, ainda mais se levarmos em conta a extrema qualidade do material gravado por Elvis no American. Não foi por acaso que acabou ignorada. De qualquer maneira, para não passar em branco completamente, acabou sendo colocada aqui nessa seleção pelo produtor Felton Jarvis que adorava qualquer tipo de canção country.

3. Let's Be Friends (Arnold / Morrow / March) - Esse disco não prima muito pela organização e nem por seguir qualquer critério visível. É mesmo uma colcha de retalhos sonora, muitas vezes dita como produto caça-níquel. A música título "Let's Be Friends" é boa, tem boa qualidade técnica e uma performance na média por parte de Elvis. Ela foi escrita pelo trio de compositores Calvin Arnold, David Martin e Geoff Morrow e provavelmente seria esquecida para sempre caso não tivesse dado título a esse álbum. Originalmente ela fez parte da trilha sonora do filme "Ele e as três Noviças" (Change Of Habit), tendo sido gravada em março de 1969 nos estúdios da Universal, na costa oeste. Muitos se confundem dizendo que a música teria feito parte do pacote de gravações do American Studios, mas isso é obviamente um erro.

4. Let's Forget About The Stars (Owens) -  Essa música foi gravada em outubro de 1968 para fazer parte da trilha sonora do western "Charro". Como não houve intenção nenhuma da RCA Victor em lançar essa música ela foi deixada de lado. É curioso porque apesar de ter sido uma das gravações mais negligenciadas da carreira de Elvis ela foi ganhando, ao longo do tempo, um status cult entre os fãs, com muitos elogiando sua bonita melodia. É uma música bem fora de rota do que Elvis produziu nos anos 60, criada por um compositor chamado A.L. Owens. No saldo geral tem seus méritos, é sim uma bela balada que merecia ter tido melhor sorte dentro da discografia do cantor.

5. Mama (Curran / Brooks)- Uma boa razão para se comprar esse disco na época de seu lançamento foi a inclusão de "Mama" em seu repertório. Essa era uma antiga faixa que embora tenha sido gravada para a trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls" foi deixada de lado pelos produtores da RCA. A razão segue sendo desconhecida, uma vez que Mama tinha sua importância dentro do filme, sendo ouvida e executada entre as cenas. Alguns autores dizem que a RCA Victor ficou incomodada com o excesso de músicas gravadas para essa trilha sonora e por isso cortou Mama e outras faixas, como por exemplo, "Plantation Rock". Essa última nem fez muita falta, mas Mama certamente deveria ter sido incluída. Foi mais um dos vários erros cometidos pelos responsáveis pela discografia de Elvis.

6. I'll Be There (Gabbard / Price / Darin)- Essa música "I'll Be There" foi composta pelo cantor e compositor Bobby Darin. Ela foi lançada originalmente em 1960 com relativo sucesso comercial. Anos depois, em 1965, foi relançada pelo grupo inglês Gerry and the Pacemakers. Essa banda era rival dos Beatles ainda nos tempos do Cavern Club. Eles também faziam parte do círculo de conjuntos de rock que surgiram no eixo Liverpool - Manchester, ainda no final dos anos 1950. Foi justamente dentro desse movimento musical que surgiram os próprios Beatles. Lançada em single pelos ingleses não teve muito sucesso. A versão de Elvis veio em 1969. É uma boa gravação de uma música apenas mediana, não muito vocacionada para o sucesso.

7. Almost (Weisman / Kaye)- Esse álbum tem algumas músicas bem obscuras dentro da discografia de Elvis. São gravações que ou ficaram arquivadas por bastante tempo ou então não chamaram atenção nenhuma dos fãs quando foram lançadas originalmente. "Almost" é um exemplo disso. Ela foi composta por Ben Weisman e Buddy Kaye. O compositor Weisman foi um campeão em emplacar canções para as trilhas sonoras de Elvis durante os anos 60. Pena que a imensa maioria de suas composições eram bem descartáveis, sem importância artística. Essa fez parte da trilha sonora do filme "The Trouble With Girls" (Lindas Encrencas: As Garotas), mas foi considerada tão fraca que foi arquivada, ressurgindo aqui nesse disco, sem maior repercussão.

8. Change of Habit (Weisman / Kaye) - Essa foi a canção tema do filme "Ele e as três noviças". Esse foi o último filme de Elvis ao velho estilo, com roteiro, elenco, direção e argumento mais tradicional. Apesar disso o filme tinha também novidades interessantes, fugindo daquelas estorinhas mais bobas que rechearam muitas das produções com Elvis em Hollywood. Com direção musical do maestro Billy Goldenberg, Elvis começou as sessões de sua última trilha sonora. "Change of Habit" tem um belo arranjo, com um guitarra bem presente. A melodia tem uma cadência própria, bem de acordo com o som da época. Não é tola e nem tem uma letra óbvia demais. De maneira em geral gosto bastante dessa gravação. Elvis já estava com aquele estilo vocal que iria se destacar em suas gravação no American Studios em Memphis. Uma voz mais encorpada, forte! Isso contribuiu bastante para o bom resultado. Outro ponto digno de citação foi o belo trabalho do baixista Lyle Ritz em raro solo dentro da discografia de Elvis. Um bom momento, sem dúvida.

9. Have a Happy (Weisman / Kaye / Fuller) - Esse outro bom momento do disco foi gravado também para a trilha sonora de "Change of Habit". No entanto essa faixa era bem mais convencional. Nesse dia, o último de gravação, algumas mudanças foram feitas na equipe musical que acompanhava Elvis. O guitarrista Robert Bain assumiu o baixo e Max Bennett chegou para ajudar nas sessões. Essa segunda canção de "Ele e as três noviças" que foi selecionada para esse álbum "Let's Be Friends" pode ser considerada uma das mais pueris desse disco. Ao contrário da anterior não tenta inovar muito e nem absorver as mudanças da sonoridade da época. É de certa maneira uma herderia tardia das antigas trilhas de Elvis. Um último adeus a aquele tradicional estilo de Hollywood dos velhos tempos.

Elvis Presley - Let's Be Friends (1970) - Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Jerry Reed (guitarra e violão), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo),  Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Charlie McCoy (harmonica), Peter Drake (steel guitar) e The Jordanaires (vocais) / Dennis Budimir (guitarra) / Mike Deasy (guitarra) / Howard Roberts (guitarra) / Robert Bain (baixo e guitarra) / Max Bennett (baixo) / Carl "Cubby" O'Brien (bateria) / Roger Kellaway (piano) / B.J. Baker, Sally Stevens, Jackie Ward (backup vocals) / The Blossoms: Darlene Love, Jean King & Fanita James (backup vocals) / Produção e arranjos: Joseph J. Lilley, Felton Jarvis, Billy Stange, Hugo Montenegro, Billy Goldenberg e Chips Moman / Data de lançamento: 10 de abril de 1970 / Selo: RCA Camden / Melhor posição nas paradas: 105 (Billboard 200).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Elvis News: Notícias sobre Elvis Presley

Glen Campbell morre aos 81 anos - O compositor, cantor e guitarrista Glen Campbell morreu nos Estados Unidos. Ele tinha 81 anos de idade. O músico trabalhou ao lado de Elvis Presley durante a década de 1960, participando das gravações da trilha sonora do filme "Amor à Toda Velocidade" (Viva Las Vegas, 1964). Em estúdio ele trabalhou em diversas gravações importantes, em sucessos de vários artistas, entre eles The Byrds e The Righteous Brothers. Com Elvis participou das sessões de "Viva Las Vegas" e "What'd I Say".

Guarda-costas de Elvis lança novo livro - Dick Grob, que trabalhou ao lado de Elvis como guarda-costas, está lançando um novo livro intitulado "Safe and Sound". O autor defende em seu livro que não foi apenas guarda-costas e chefe de segurança de Elvis Presley por dez anos, mas também um amigo próximo com quem o cantor dividia histórias e pensamentos bem pessoais. E é justamente nesse tipo de relacionamento que Dick se apoia para, segundo ele, compartilhar com fãs histórias inéditas sobre Elvis, nunca contadas antes. Ele conta detalhes da intimidade do astro, tanto em suas turnês pelos Estados Unidos, como em Graceland e na sua mansão em Palm Springs. Também revela o que realmente ocorreu em 1974, durante sua conturbada temporada em Lake Tahoe. 

40 anos de Moody Blue - A Sony anunciou que lançará nos próximos dias uma edição especial, comemorativa, dos 40 anos de lançamento do último disco da carreira de Elvis, "Moody Blue". Será uma edição limitada, com lançamento inclusive em vinil, especialmente destinado para colecionadores. "Moody Blue" foi o LP final da carreira de Elvis, lançado um mês antes de sua morte em agosto de 1977. O disco trazia uma mescla de faixas gravadas em estúdio (registradas em Graceland no ano anterior) e algumas ao vivo, trazendo parte do trabalho que Elvis desenvolvia nos palcos. A faixa título do disco foi lançada como single em dezembro de 1976, conseguindo alcançar o topo da parada country da Billboard. Sem dúvida um belo lançamento para fãs de Elvis e colecionadores em geral. Fica a dica. 

Elvis em documentário da HBO - O canal HBO anunciou que está produzindo um documentário sobre Elvis intitulado "Elvis Presley: The Searcher". Esse filme terá uma duração de três horas e será exibido em duas partes na grade de programação do canal. A ideia é resgatar o lado do Elvis músico, desde seus primeiros discos, indo até suas últimas sessões de gravação em Graceland. Haverá a exibição de entrevistas com diversas pessoas que trabalharam ao lado de Elvis nos estúdios, desde músicos, passando por produtores e executivos dos estúdios de cinema em que Elvis trabalhou. Priscilla Presley será uma das produtoras executivas do documentário.

Pablo Aluísio.

sábado, 5 de agosto de 2017

Ele e as Três Noviças

Quando Elvis foi para Hollywood em 1956 ele tinha grandes sonhos de construir uma grande carreira como ator. Queria seguir os passos de seus ídolos Marlon Brando e James Dean. As coisas porém não saíram conforme o planejado. Os filmes de Elvis que fizeram grande sucesso de bilheteria (como Feitiço Havaiano, Viva Las Vegas e Saudades de um Pracinha) seguiam uma certa fórmula e os executivos de Hollywood o aprisionaram dentro desse tipo de comédia romântica musical. Não houve saída e assim Elvis ficou fazendo filmes que basicamente tinham os mesmos roteiros, ano após ano. A partir de 1965 a qualidade dessas produções caíram muito, fazendo com que seus velhos sonhos de ser um grande ator virassem pó. O curioso é que esse último filme de Elvis em Hollywood foi, para surpresa de muitos, realmente muito bom!

Elvis interpreta um médico trabalhando na periferia de Nova Iorque, dentro de uma comunidade mais pobre. Nesse mesmo lugar atuam algumas freiras, uma delas interpretada pela excelente atriz Mary Tyler Moore. O roteiro desse filme assim fugiu de certa maneira da desgastada e saturada fórmula dos filmes de Elvis do passado. Embalado igualmente pela sua volta aos palcos, pelo sucesso do NBC TV Special, Elvis aparece bem mais natural em cena, com os cabelos soltos, livres de todo aquele laquê que plastificou sua imagem no cinema por anos a fio. A trilha sonora também tem músicas muito boas, mais condizentes com a época do filme. Nada daqueles versos adolescentes e daqueles acompanhamentos vocais que em 1969 já não tinham mais razão de ser. Para o próprio Elvis inclusive foi reconfortante interpretar um personagem que parecia mais com uma pessoa de verdade, da vida real. Ele não era mais um piloto ou cantor galã com garotas e mais garotas se jogando aos seus pés. Era um médico, um sujeito comum, concretizando um velho sonho do próprio Elvis que sempre dizia que na juventude havia pensado seriamente em se dedicar aos estudos, para cursar uma faculdade de medicina. Então é isso. Um filme bem acima da média que marcou sua despedida de Hollywood para sempre! Poderia ter sido um novo caminho em sua filmografia, mas Elvis pensou melhor e decidiu dar adeus ao cinema, com pelo menos um bom filme. Foi uma despedida digna e muita adequada.

Ele e as Três Noviças (Change of Habit, Estados Unidos,1969) Direção: William A. Graham / Roteiro: James Lee, S.S. Schweitzer/ Elenco: Elvis Presley, Mary Tyler Moore, Barbara McNair / Sinopse: O Dr. John Carpenter (Elvis Presley) trabalha em uma clínica para pessoas pobres em um subúrbio de Nova Iorque e lá acaba conhecendo a freira irmã Michelle (Mary Tyler Moore). Juntos passam a trabalhar em prol da comunidade local.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Elvis Presley - You Don't Have to Say You Love Me / Patch Up

Em termos de single o último lançamento de Elvis em relação a "That´s The Way It Is" foi esse compacto simples com a dobradinha "You Don't Have to Say You Love Me / Patch Up". Era outubro de 1970 e embalado pela promoção extra que vinha das salas de cinema o novo single de Elvis acabou sendo muito bem sucedido nas paradas. Quase alcançou o Top 10 da Billboard, chegando na décima primeira posição entre os mais vendidos. Uma ótima posição para Elvis naquela época. As rádios tocaram bastante o Lado A "You Don't Have to Say You Love Me". Já o Lado B com "Patch Up" não teve a mesma sorte, embora Elvis tivesse se esforçado bastante para divulgar a música em seus shows realizados em Las Vegas.

A capa trazia na discografia do cantor uma curiosidade. Era a primeira vez que um disco seu o trazia usando óculos! A foto foi tirada durante os ensaios para a temporada em Las Vegas e como sempre acontecia nesses momentos Elvis mantinha seus óculos pois havia sido aconselhado por médicos a fazer isso pois ela tinha desenvolvido glaucoma. Com a iluminação das filmagens da MGM ele resolveu manter seus olhos protegidos. Já nos palcos Elvis raramente usava óculos, o que lhe trouxe problemas oculares por causa dos canhões de luz próprios da época. Curiosamente os covers de Elvis não dispensam os óculos de "aviador" nem mesmo quando estão no palco, talvez para reforçar a caracterização do cantor (esse modelo acabou ficando bem marcado com essa fase de Elvis). Então é isso, temos aqui um single muito bem sucedido comercialmente, embora a longo prazo não tenha sido tão marcante assim pois Elvis logo deixaria de cantar as canções em seus concertos. O público também pareceu se esquecer rapidamente delas, apesar do sucesso inicial.

Pablo Aluísio.


sábado, 29 de julho de 2017

Elvis Presley - You'll Never Walk Alone (1971)

Oficialmente Elvis gravou apenas três álbuns no estilo gospel. O primeiro foi "His Hand in Mine" em 1960, o segundo "How Great Thou Art" em 1967 e finalmente o terceiro e último "He Touched Me" em 1972. Foram poucos discos, mas que trouxeram grandes frutos para sua carreira. Além das boas vendas essas gravações trouxeram os únicos prêmios Grammy da discografia de Elvis Presley. Sim, de certa forma era um grande absurdo, um dos maiores nomes da história da música nunca foi premiado em vida pelo Grammy por suas gravações em outros estilos musicais. Quem disse que a vida era justa? De qualquer forma a RCA estava sempre vasculhando os arquivos para colocar no mercado coletâneas de Elvis. O selo RCA Camden se especializou por essa época em lançar discos com preços promocionais do cantor. Em 1971 os executivos da RCA decidiram que era hora de colocar no mercado mais um álbum com canções religiosas. O problema era que a última vez que Elvis havia entrado nos estúdios para gravar algum álbum nesse estilo havia sido em 1967. Assim a gravadora foi em seus arquivos atrás de canções avulsas para compor esse novo LP. Eles acharam coisas bem interessantes, canções que só tinham sido lançadas em singles, outras que nunca tiveram o destaque merecido, etc.

No total conseguiram reunir nove músicas (abaixo da média da época que era em torno de 10 a 12 canções para se completar um álbum). Mesmo assim como o disco chegaria em preço promocional nas lojas não haveria muitos problemas. O novo disco foi chamado de "You'll Never Walk Alone". Uma canção simplesmente maravilhosa que puxaria a venda dessa nova coletânea. Apesar de alguns equívocos na seleção o fato é que esse disco realmente era um atrativo e tanto para o colecionador da época. Estamos falando de um tempo em que não existia internet e nem muitos lançamentos de Elvis no mercado. Por isso qualquer novidade, qualquer música menos conhecida que chegava nas lojas, já era uma boa notícia para os fãs. O repertório era bem eclético. Além da já citada "You'll Never Walk Alone", clássico gospel gravado por Elvis em 1967, o disco trazia ainda gravações dos distantes anos 1950 (como "I Believe", "It Is No Secret (What God Can Do)", "(There'll Be) Peace in the Valley" e "Take My Hand, Precious Lord"), músicas de filmes (como a excelente "Let Us Pray" de "Change of Habit" e "Sing You Children" de "Easy Come, Easy Go"), além de versões esparsas de gravações religiosas feitas por Elvis durante os anos 1960 (como "Who Am I?" e "We Call on Him"). Para quem estava em busca de músicas difíceis de achar no mercado na época era uma bela e muito bem-vinda surpresa.

1. You'll Never Walk Alone (Oscar Hammerstein II / Richard Rodgers) - É muito curioso perceber que em 1967 Elvis gravou em Nashville a canção "You'll Never Walk Alone". Essa era uma velha canção, dos tempos da II Guerra Mundial, que havia sido inclusive usada em musicais da época. Elvis ignorou esse passado e remodelou a música ao seu estilo. Tecnicamente a gravação de 67 não é perfeita, mas os produtores da RCA Victor resolveram aproveitar mesmo assim, com pequenas imperfeições, por causa da inspirada interpretação do cantor. A faixa deveria ter sido lançada em um álbum convencional (ou seja, que não fosse uma trilha sonora de filme) que a RCA planejava há tempos. Infelizmente desistiram da ideia.

2. Who Am I? (Rusty Goodman) - Na falta de uma definição melhor poderíamos dizer que essa gravação era mais um daqueles momentos de Elvis em estúdio que ficavam completamente perdidos dentro de sua discografia. Muitas vezes Elvis gravava um grande lote de novas músicas em Nashville ou em Memphis e depois todo o pacote era levado para a central da RCA Victor em Nova Iorque onde eles escolhiam quais seriam lançadas e de que forma (em álbuns, singles, etc). Essa canção religiosa havia sido escrita por Rusty Goodman, membro de um grupo vocal gospel sulista chamado The Goodman Family Revival ou como era mais conhecido, The Happy Goodman Family. Esse tipo de artista só uma pessoa nascida e criada no sul dos Estados Unidos e mais ainda, que fizesse parte da comunidade evangélica, poderia conhecer. Era um tipo de grupo de nicho mesmo, bem específico. Como Elvis adorava a sonoridade de quartetos gospel, não é de se admirar  que ele conhecesse muito bem a obra desse grupo religioso. Afinal ele era um colecionador desse tipo de disco. A sua versão porém só veio muitos anos depois, sendo gravada em fevereiro de 1969.

3. Let Us Pray (Buddy Kaye / Ben Weisman) - Essa faixa foi escrita para o filme "Change of Habit (no Brasil, "Ele e as três noviças). Esse filme, da fase final de Elvis em Hollywood, contava no elenco com a talentosa atriz Mary Tyler Moore, recentemente falecida. Ao contrário de muitas comédias musicais fracas que Elvis estrelou após 1965, essa produção tinha um bom roteiro e uma direção segura do cineasta William A. Graham. Elvis canta essa música na cena final do filme, quando ele está se apresentando durante uma missa em uma bela e histórica igreja católica de Nova Iorque. É um hino religioso, mas com ótimo ritmo, parecendo até mesmo um rock animado. Ideal para quem ainda não entendeu que o gospel foi um dos elementos mais importantes na criação e surgimento do Rock ´n´ Roll nos anos 50. Destaque também para o belo coro feminino da gravação, naquela época uma novidade e tanto nas gravações de Elvis.

4. (There'll Be) Peace in the Valley (Thomas A. Dorsey) - Essa era uma velha música religiosa de autoria de Thomas A. Dorsey, a aclamada "(There'll Be) Peace in the Valley". Tudo bem que era um clássico dentro do repertório religioso de Elvis, tendo sido a primeira música gospel cantada pelo cantor na TV americana, ainda na década de 1950. O problema era mesmo de saturação. Se já havia sido lançada tantas vezes antes no "Elvis Christmas Album", porque lançá-la mais uma vez aqui, em um disco que poderia abrir espaço para outras canções desse estilo que não tinham tido o mesmo espaço? Uma pena que o próprio Elvis não tinha controle (ou até mesmo interesse) na seleção musical de seus discos. Caso ele olhasse com mais cuidado sobre isso coisas assim não aconteceriam.

5. We Call on Him (Fred Karger / Sid Wayne / Ben Weisman) - Essa faixa acabou sendo mal lançada, em março de 1968, como lado A de um single que não foi devidamente promovido pela gravadora. Esse foi certamente um dos maiores erros da RCA Victor pois a performance de Elvis era magistral. O lado B desse single trazia  "We Call on Him", outra gravação dessa mesma sessão de setembro de 1967 em Nashville que a RCA também aproveitou para colocar nesse álbum. Outra boa faixa desperdiçada. Ficou anos fora de catálogo. Para os fãs brasileiros a situação era ainda pior porque o compacto nem sequer foi lançado no Brasil. Descaso completo da filial da RCA em nosso país. De qualquer forma era outra bela canção do repertório mais intimista de Elvis. Uma pena que ambas as músicas, tanto seu lado A como seu lado B, tenham sido tão equivocadamente lançadas no mercado. Gravações que tinham grande potencial nas paradas, acabaram passando despercebidas pelos fãs de Elvis.

6. I Believe (Ervin Drake / Irvin Graham / Jimmy Shirl / Al Stillman) - Para completar o disco a RCA usou de material que já naquela época estava saturado, pelos inúmeros relançamentos, como as constantes reedições do disco natalino "Elvis Christmas Album". Embora a música "I Believe" tenha sido lançada inicialmente no EP gospel "Peace in The Valley", o fato é que ela também fez parte do repertório original do disco de natal. Assim não era uma novidade para os colecionadores, muito pelo contrário. Soava como mais um caça-níquel. A composição feita para ajudar espiritualmente os soldados americanos na Guerra da Coreia já não tinha mais o mesmo impacto de antes.

7. It Is No Secret (What God Can Do) (Stuart Hamblen) - Essa música foi gravada por Elvis em janeiro de 1957. É no mínimo curioso perceber que mesmo na fase mais roqueira de sua carreira, como nesse ano em que ele estrelaria o sucesso cinematográfico "Jailhouse Rock", Elvis jamais havia deixado de lado o gospel, as músicas religiosas de sua infância e juventude. Essa canção data de 1951, quando foi lançada pela primeira vez pelo grupo vocal tradicional The Ink Spots. Na época o single chamou a atenção pois conseguiu ocupar espaço até mesmo entre os mais vendidos do ano! Não era mais apenas um lançamento de nicho (no caso religioso), mas sim da principal lista de sucessos do país, a conhecida Hot 100 da Billboard. Um feito e tanto. Some-se a isso o fato de Elvis adorar quartetos gospel e você entenderá porque ele a gravou, assim que foi possível.

8. Sing You Children (Fred Burch / Gerald Nelso) - Outra canção retirada da fase Hollywoodiana de Elvis é "Sing You Children". É divertido perceber como a discografia de Elvis era bagunçada naqueles tempos. Os executivos misturavam músicas avulsas, restos de filmes, gospel e o que mais viesse na cabeça. Algo impensável nos dias de hoje, ainda mais se tratando de um artista tão importante como Elvis Presley. Pois bem, A RCA resolveu encaixar "Sing You Children" do filme "Easy Come, Easy Go" (Meu Tesouro é Você, no Brasil) para completar o disco. Escrita por Fred Burch e Gerald Nelson, essa música foi apresentada no filme numa sequência nonsense (típica da segunda metade dos anos 60, em musicais) onde Elvis com um pandeiro nas mãos tenta atravessar o público e fica perdido no meio das pessoas. Cinematograficamente falando não é nada memorável, mas tudo é deixado em segundo plano por causa do ótimo visual do cantor, com figurino todo preto, impecável em sua forma física. Afinal Elvis compensava qualquer problema com sua presença carismática em cena.
   
9. Take My Hand, Precious Lord (Thomas A. Dorsey) - Outra música de Thomas A. Dorsey e que também fez parte do compacto duplo "Peace In The Valley" foi "Take My Hand, Precious Lord". Ela também foi incluída aqui nesse álbum. Aliás creditar a autoria dessa canção ao reverendo Dorsey é algo historicamente meio impreciso. Esse tipo de hino religioso tem na verdade autoria incerta, pois vinha sendo cantado nas igrejas evangélicas históricas desde os primórdios da colonização americana. Quem a realmente compôs? Não se sabe ao certo, apenas se sabe que Dorsey a registrou, após criar uma ou duas linhas de melodia e harmonia. Como sua fonte de criação é bem imprecisa (pode ter sido até mesmo uma composição coletiva nas capelinhas do sul), fica tudo pelo meio do caminho. De uma forma ou outra Elvis adorava esse hino e resolveu também deixar sua versão.

Elvis Presley - You'll Never Walk Alone (1971) - Faixas do EP "Peace In The Valley": Elvis Presley (voz e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J.Fontana (bateria) / Gordon Stoker (piano) / Dudley Brooks (piano) / Hoyt Hawkins (órgão) / Jordanaires (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado nos estúdios Radio Recorders - Hollywood / Data de Gravação: 12 a 13 de janeiro de 1957 e 19 de janeiro de 1957 / Faixas da trilha sonora do filme "Change of Habit": Elvis Presley (voz) / Dennis Budimir (guitarra) / Mike Deasy (guitarra) / Howard Roberts (guitarra) / Robert Bain (baixo e guitarra) / Max Bennett (baixo) / Carl "Cubby" O'Brien (bateria) / Roger Kellaway (piano) / B.J. Baker, Sally Stevens, Jackie Ward (backup vocals) / The Blossoms: Darlene Love, Jean King & Fanita James (backup vocals) / Data de lançamento: 22 de março de 1971 / Selo: RCA Camden / Melhor posição nas paradas: 69 (Billboard 200).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Elvis e Red West

Não poderíamos deixar passar em branco a morte de Red West, aos 81 anos de idade, no último dia 18 de julho. De todos os membros da Máfia de Memphis ele foi seguramente o mais próximo e o maior amigo de Elvis (pelo menos assim pensava o cantor). Essa foi uma amizade longa, que começou nos tempos de colégio e que acabou mal, quando Red foi demitido por Vernon e resolveu escrever um livro de revelações que de certa forma demolia a imagem pública de Elvis, o colocando pela primeira vez perante o público em geral como um viciado em drogas, com sérios problemas pessoais.

Elvis ficou surpreso e sem saber o que fazer direito, pois a traição de Red West era algo que ele jamais esperaria acontecer. Afinal eles foram amigos, grandes amigos, por tantos anos. Assim que se tornou famoso e viu que sua carreira iria decolar, Elvis contratou Red que estava desempregado na época, para trabalhar ao seu lado, geralmente como guarda costas e segurança. A verdade porém era que Elvis apenas queria dar um emprego ao seu velho amigo, para que ele e Sony West, seu primo, não passasse por apertos financeiros.

Assim Red West viveu praticamente toda a sua vida como empregado e amigo de Elvis. Viajando ao seu lado, indo para Hollywood na época dos filmes ou para Nashville quando Elvis ia até lá cumprir algum compromisso com sua gravadora, a RCA Victor. Praticamente Red viveu o tempo todo ao lado de Elvis, chegando em certa época a morar em Graceland. Elvis o estimava muito e considerava um de seus homens de maior confiança. A traição de Red em 1976 atingiu Elvis de uma maneira bem forte. "Como Red fez isso comigo?" - chegou a perguntar! Elvis ficou realmente abalado emocionalmente com tudo o que aconteceu.

Além da amizade e proximidade um fato interessante também chama a atenção. Elvis abriu espaço para Red West em sua própria carreira musical. O cantor chegou a gravar várias canções escritas por Red, algumas até muito boas, temos que admitir. Também fez questão que Red tivesse pequenos papéis em alguns de seus filmes. Não raro Elvis pedia aos roteiristas que colocassem algumas cenas de lutas para que Red aparecesse ao seu lado (pois assim como Elvis, Red também adorava artes marciais). Enfim, é mais um membro da Máfia de Memphis que se vai. Muitos fãs não gostam de Red West pelo que ele fez, agindo como uma espécie de Judas na história de Elvis, porém o fato inegável é que ele foi certamente um dos personagens mais próximos da vida de Elvis Presley.

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de julho de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 1

Os brasileiros de forma em geral gostam bastante desse álbum "Elvis Now". As razões para isso são várias. Vai desde a inclusão de um dos maiores sucessos de Elvis no Brasil com a canção "Sylvia", passa pelo fato de ter uma das músicas mais marcantes dos Beatles, "Hey Jude" (o que levou muitos a comprarem o disco naquele distante ano de 1972), indo até seu design de capa, multicolorida, com jeitão hippie. Também foi um dos LPs mais vendidos de Elvis em nosso país, ganhando várias reedições ao longo dos anos. De fato temos aqui um excelente disco de estúdio, um pouco diferente em sua produção dos grandes discos de Elvis da época, mas que se firmou mesmo por causa de sua bela qualidade artística. Por essa época Elvis estava vivendo seu inferno astral, com o conturbado e complicado divórcio de Priscilla. Isso porém ainda era meio ocultado do público em geral, assim todos apenas pensavam que Elvis estava vivendo mais um bom momento em sua carreira profissional, cantando regularmente em Las Vegas, fazendo turnês, etc. Uma época bacana de sua vida, isso apesar das pistas deixadas por Presley em várias das letras que cantava nesse período.

Bom, é consenso que uma das razões do sucesso de vendas de "Elvis Now" foi mesmo a inclusão de uma bela versão de "Hey Jude", o clássico imortal dos Beatles. Elvis deu uma leveza toda própria à sua versão, culminando em uma sonoridade e uma performance realmente magistral. Um aspecto que gosto muito dessa gravação é que Elvis canta a balada com uma certa suavidade, uma leveza, que não havia nem mesmo na versão original dos Beatles. Isso se deveu ao fato de que Elvis na verdade não tinha programado nada no sentido de gravar a música dos Beatles. A coisa simplesmente aconteceu dentro do estúdio, quase como se fosse um ensaio sem maiores compromissos. Perceba que Elvis não segue à risca a ordem da letra original. Ele começa até mesmo com um verso errado. Também podemos perceber o quanto ele estava relaxado ao rir um pouco quase no final da faixa (coisa que nos velhos tempos inutilizaria qualquer take com pretensões de se tornar uma faixa oficial). No final das contas era apenas Elvis cantarolando uma música de que gostava, sem pressão, sem pretensão de soar perfeito. 

Outro fato curioso é que durante anos os Beatles silenciaram sobre a gravação de "Hey Jude" por parte de Elvis. Na realidade eles nem sequer existiam mais como grupo em 1972. Isso porém não evitou uma certa expectativa sobre a opinião do quarteto sobre essa faixa. Tudo ficou meio omisso até que Paul McCartney visitou Memphis durante uma de suas concorridas turnês. Ele foi até Graceland, visitou o museu, posou ao lado das guitarras que tinham pertencido a Elvis e depois, falando com a imprensa americana, confidenciou que havia amado a versão de Elvis para uma de suas maiores criações, justamente a versão de "Hey Jude" que ouvimos nesse disco. O próprio explicou tudo com seu jeito peculiar de se expressar ao afirmar: "Adoro ouvir Elvis cantando Hey Jude! É ótimo, tenho o disco até hoje comigo! Fantástica interpretação!". Assim se o próprio criador desse hino imortal dos anos 60 adorou a faixa quem somos nós para criticar qualquer coisa, não é mesmo?

Outro aspecto curioso desse disco foi a opção da RCA Victor em colocar a versão completa, sem cortes, de "I Was Born About Ten Thousand Years Ago". Como sabemos essa música foi picotada no disco "Elvis Country" de maneira até interessante, original, mas também torturante para quem queria ouvi-la completa. Para apaziguar as críticas de quem ficou insatisfeito por tê-la apenas aos pedaços no disco de 1971, a gravadora resolveu ouvir as reclamações, a selecionando aqui da forma como foi gravada, completa, sem  Interrupções ou algo do tipo. A letra, como já tivemos a oportunidade de explicar, ia bem ao encontro de algumas crenças e doutrinas religiosas que Elvis vinha estudando naqueles tempos, com referências a reencarnação e imortalidade da alma. Por isso a afirmação de se ter mais de dez mil anos! Coisas que Elvis conversava praticamente todos os dias com seu cabeleireiro e "guru" Larry Geller. Ler e debater temas religiosos era um dos passatempos preferidos do cantor, algo que ele nunca abandonou, colecionando literatura sobre o assunto até o dia em que morreu.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Elvis Presley - Greensboro '77

Mais um título divulgado a ser lançado no mercado americano. Trata-se de "Greensboro '77". O CD do selo Ragdoll label trará o show que Elvis realizou na cidade de Greensboro em 21 de abril de 1977. Em relação a esse lançamento temos uma boa e uma má notícia para os colecionadores. A boa novidade é que se trata de uma apresentação inédita, considerada por muitos como um dos melhores concertos realizados por Elvis nessa turnê. A má notícia é que o CD será lançado com qualidade "Audience", ou seja, através de material gravado originalmente no meio da plateia, com todos os problemas de qualidade a que estamos de certa maneira acostumados.

Em termos de repertório poderíamos dizer que se trata de um show de rotina, pois Elvis em pouco inovou na seleção das músicas. Depois da introdução com as costumeiras "Also Sprach Zarathustra / See See Rider / I Got A Woman / Love Me", Elvis canta uma versão OK de " If You Love me Let Me Know" que iria fazer parte de seu último álbum, "Moody Blue". Outra canção que se destaca é "And I Love You So". A bela balada do disco "Elvis Today" aos poucos foi se firmando no set list dos concertos por essa época. Infelizmente seus antigos rocks clássicos não tiveram versões muito boas. O medley "Teddy bear - Don't Be Cruel" soa um pouco cansado, embora as músicas em si sejam à prova de falhas. "Jailhouse Rock" é apenas uma sombra da gravação clássica e "Little Sister" é uma mera introdução. De qualquer maneira as versões de "My Way", "Early Mornin' Rain", "Hurt" (do From Elvis Presley Boulevard) e "How Great Thou Art" puxam a qualidade lá para cima. Em um tempo em que Elvis vinha enfrentando diversos problemas de saúde, emocionais, etc, esse registro prova que ele ainda era capaz de belos momentos no palco, diante de seu querido público.

Elvis Presley - Greensboro '77 (2017)
Also Sprach Zarathustra / See See Rider / I Got A Woman / Love Me / If You Love me Let Me Know / You Gave Me A Mountain / Jailhouse Rock / O Sole Mio / It's Now Or Never / Little Sister / Teddy bear - Don't Be Cruel / And I Love You So / Fever / My Way / Introductions / Early Mornin' Rain / What'D I Say / Johnny B Goode / Introductions (Incomplete) / Hurt (With Reprise) / Hound Dog / Funny How Time Slips Away / How Great Thou Art / Little Darlin' / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp.

Pablo Aluísio. 

sábado, 15 de julho de 2017

Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden - Parte 1

A primeira vez que ouvi esse álbum fiquei realmente impressionado como Elvis conseguia ir da fúria roqueira aos momentos mais intimistas, em questão de segundos! No palco Elvis era realmente magistral nesse aspecto. Um exemplo vem do blues "Never Been To Spain". Ele havia acabado de balançar o Madison Square Garden com a vibração e a empolgação de "Proud Mary" e então recebidos os aplausos emendou com essa excelente canção blueseira. Elvis, um fruto cultural do vale do Delta do Mississippi, tinha plena familiaridade com esse tipo de sonoridade. Afinal ele foi criado bem ali e em Memphis acabou tendo ainda mais contato com esse estilo musical puramente americano, forjado nas plantações de algodão do sul. Era um branco com negritude cultural correndo em suas veias.

Outro ponto importante a se dizer sobre "Spain" era que essa era efetivamente a primeira vez que essa música pintava em um disco oficial de Elvis. Ela era assim uma das "inéditas" do álbum, um canção não gravada por Mr. Presley em estúdio antes. Para o fã que havia ido na loja de discos em 1972 era uma novidade e tanto! A outra ótima notícia era que, tecnicamente, essa faixa se mostrava, desde os primeiros acordes, como uma das mais perfeitas gravações do concerto - chego inclusive a dizer que ela tinha mesmo as qualidades, as matizes, de uma gravação em estúdio, de tão perfeita que saiu. Elvis e banda, entrosados e afinadíssimos, tiveram uma performance simplesmente impecável, uma obra prima ao vivo. Para essa performance "live" eu realmente tiro o meu chapéu. E para quem gosta dos solos de James Burton, aqui ele foi de fato excepcional. A TCB Band atingiu em 1972 um amadurecimento e um primor técnico que poucas vezes seria repetido ao longo dos anos. O que dizer? Eles foram perfeitos.

Depois desse grande momento Elvis entra direto em "You Don't Have To Say You Love Me". Já escrevi antes e repito, essa bela música italiana, lançada originalmente no álbum "That´s The Way It Is" não teve uma boa versão de estúdio lançada. Complicado entender o que os executivos da RCA Victor tinham na cabeça, mas o fato é que eles escolheram o take errado como master, para ser lançado no disco oficial. Não era bem aquela versão em particular a ser escolhida. Curiosamente no Madison Square Garden Elvis voltou a ela. Não entendo a razão. Essa gravação de Elvis nunca foi um hit em sua voz. Ele poderia ter escolhida outras faixas mais representativas e populares. De qualquer maneira essa versão ao vivo consegue ser bem superior à que ouvimos no disco gravado em Las Vegas em 1970. Ela tem mais fluidez, mais qualidade musical. No comecinho Elvis ainda parece um pouco tímido, porém conforme a música vai avançando ele vai soltando a voz e quando chega no momento final apoteótico, Elvis consegue alcançar todas as notas necessárias sem problemas. Aplausos mais do que merecidos.

E dentre tantas versões de "Polk Salad Annie" que Elvis gravou ao longo dos anos 70 gosto particularmente muito dessa! Ela tem uma vibração poucas vezes ouvida. Sem maiores delongas Elvis vai direto na veia, deixa para lá a introdução falada e explicativa e pula logo para o puro ritmo. Problemas de microfonia foram captados pelos equipamentos da RCA, mas nem isso atrapalha o excelente resultado. Obviamente o público de Nova Iorque não deve ter entendido bulhufas da letra, afinal quando foi que aqueles nova-iorquinos de terno e gravata estiveram nos pântanos da Louisiana, não é mesmo? Embora Elvis tenha ficado claramente inspirado nessa performance, não podemos deixar de poupar elogios para o barbudo baixista Jerry Scheff. Quando esteve com os Doors, o próprio Jim Morrison teve dúvidas se aquele cara esquisito com óculos fundo de garrafa fazia rock de verdade! Bastou poucas sessões em Los Angeles para que ele se convencesse de que Jerry era mesmo um grande músico com seu instrumento. Aqui no Madison está outra prova de seu talento, pois "Polk" tinha excelentes solos de baixo, onde Scheff podia ter a oportunidade de mostrar o quanto era fera também no palco! Nesse momento do show ele foi de fato a grande estrela! Quem diria...

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 3

"Change of Habit" foi a canção tema do filme "Ele e as três noviças". Esse foi o último filme de Elvis ao velho estilo, com roteiro, elenco, direção e argumento mais tradicional. Apesar disso o filme tinha também novidades interessantes, fugindo daquelas estorinhas mais bobas que rechearam muitas das produções com Elvis em Hollywood. Ao invés de ser um cantor piloto de corridas ou galã de piscinas de grandes hotéis, Elvis interpretava um médico de uma pequena clínica na parte mais pobre de Nova Iorque. Seu estilo surgia mais natural, com o cabelo solto, em ótimo visual. Além disso Elvis contracenava com a ótima atriz Mary Tyler Moore, que vinha em um ótimo momento da carreira, onde atuava na popular série de TV "Mary Tyler Moore Show". Era uma mudança para melhor dentro da filmografia do cantor. Infelizmente Elvis já havia decidido deixar Hollywood, voltando aos shows em Las Vegas. Era uma página virada em sua vida profissional.

A trilha sonora desse filme foi gravada na costa oeste, nos estúdios da Universal localizados na Califórnia. Esses mesmos estúdios eram usados pela gravadora Decca que disponibilizava sua própria equipe para trabalhar no local. Por essa razão Elvis gravou ao lado desses músicos do estúdio. Uma turma diferente, com quem ele nunca havia trabalhado antes. Só para se ter uma ideia havia quatro guitarristas à disposição (Dennis Budimir, Mike Deasy, Howard Roberts e Robert Bain). Elvis preferia trabalhar com seus músicos tradicionais, mas preferiu guardar suas reservas só para si. No final até que essa mudança foi bem positiva, pois trouxe uma nova sonoridade aos seus discos. É saudável que de tempos em tempos haja mudanças nesse sentido, principalmente em se tratando de grandes cantores como Elvis Presley.

Assim, com direção musical do maestro Billy Goldenberg, Elvis começou as sessões de sua última trilha sonora. "Change of Habit" tem um belo arranjo, com um guitarra bem presente. A melodia tem uma cadência própria, bem de acordo com o som da época. Não é tola e nem tem uma letra óbvia demais. De maneira em geral gosto bastante dessa gravação. Elvis já estava com aquele estilo vocal que iria se destacar em suas gravação no American Studios em Memphis. Uma voz mais encorpada, forte! Isso contribuiu bastante para o bom resultado. Outro ponto digno de citação foi o belo trabalho do baixista Lyle Ritz em raro solo dentro da discografia de Elvis. Um bom momento, sem dúvida.

"Have a Happy", que foi gravada nas mesmas sessões dessa trilha sonora, era bem mais convencional. Nesse dia, o último de gravação, algumas mudanças foram feitas na equipe musical que acompanhava Elvis. O guitarrista Robert Bain assumiu o baixo e Max Bennett chegou para ajudar nas sessões. Essa segunda canção de "Ele e as três noviças" que foi selecionada para esse álbum "Let's Be Friends" pode ser considerada uma das mais pueris desse disco. Ao contrário da anterior não tenta inovar muito e nem absorver as mudanças da sonoridade da época. É de certa maneira uma herderia tardia das antigas trilhas de Elvis. Um último adeus a aquele tradicional estilo de Hollywood dos velhos tempos.

Pablo Aluísio.

domingo, 9 de julho de 2017

Elvis Today : The Original Session Mixes

Esse é um lançamento para os nostálgicos, pois se você gosta do bom e velho vinil poderá comprar uma edição especial do selo FTD nesse formato. O álbum duplo trará canções e takes alternativos do disco original "Elvis Today" de 1975. No primeiro disco o ouvinte terá a reedição do LP original. O curioso é que a ordem original das músicas foi alterado, algo que considero um equívoco por parte dos produtores desse novo lançamento.

Já o disco 2 trará as melhores versões alternativas dessas sessões. Como se trata de um vinil (LP) não houve espaço suficiente para colocar todas as músicas do CD, por isso foram selecionadas apenas 10 faixas, até para seguir o número de músicas que fizeram parte do "Today" de 1975. Outro ponto que lamento é que não preservaram a capa do disco, colocando outra foto, embora o design de produção das letras tenha sido mantido. Enfim, é um bom item para se ter na coleção. Como se sabe o vinil tem renascido na Europa, Estados Unidos e Japão. Até selos importantes estão reativando velhas fábricas para voltar a produzir esse tipo de produto, muito embora em tiragem limitada, mais voltada para um tipo de colecionador mais específico. De uma forma ou outra não deixa de ser uma ótima notícia para os puristas de um tipo de sonoridade que parecia nunca mais voltar!

Elvis Today : The Original Session Mixes (vinil - 2017)
Disco 1: The Original Session Mixes - Side A - 1) Susan When She Tried  2) Woman Without Love 3) Shake A Hand  4) Fairytale  5) Green, Green Grass Of Home Side B - 1) Bringin' It Back 2) )T-R-O-U-B-L-E 3) Pieces Of My Life 4) I Can Help 5) And I Love You So / Disco 2:  The Outtakes - Side C - 1) T-R-O-U-B-L-E - take 1 / 2) Fairytale - takes 1,2 4 / 3) SusanWhen She Tried - takes 1,2 / 4) Shake A Hand - take 1 / 5) Tiger Man - informal jam / Side D - 1) Green, Green Grass Of Home - take 1 / 2) Bringin' It Back - take 1 / 3) I Can Help - master / 4) Shake A Hand - take 2 / 5) Susan When She Tried - take 3.

Pablo Aluísio.