quarta-feira, 20 de agosto de 2014

FTD Spinout

Meu maior interesse nesse título do selo FTD era realmente ouvir as versões gravadas em estúdio na sua maneira mais crua e sem retoques. Em minha forma de ver a "maquiagem" sonora que foi usada na trilha sonora acabou estragando o resultado final. Além disso nunca perdi a opinião de que a trilha soava mal gravada mesmo nas origens. Para não ser injusto deixei sempre a porta da dúvida aberta. Teria sido mera imperícia de banda e Elvis ou era tudo resultado da péssima edição realizada na mesa de som do engenheiro da gravação da RCA? Infelizmente não há material suficientemente farto na seleção musical para se chegar numa conclusão definitiva. O produtor Ernst Jorgensen aqui trouxe apenas cinco gravações realmente inéditas dentro do mercado. O CD é composto pelas versões originais da trilha sonora (incluindo as bonus songs), seis takes alternativos que já eram conhecidos dos fãs (pois foram lançados antes nos discos "Collectors Gold", no CD "Out In Hollywood" e no box "Today, Tomorrow And Forever") e apenas poucas versões de fato inéditas das canções "Smorgasbord", "Beach Shack", "Never Say Yes", "All That I Am" e "Stop, Look And Listen" (totalizando apenas seis faixas).

Assim ao ouvir todo o CD não consegui mudar minha opinião. A trilha de "Spinout" parece mesmo ter sido gravada às pressas, sem capricho, sem cuidado. Até a voz de Elvis parece sem vida, apressada em acabar logo com aquilo. Os músicos que sempre se mostraram tão virtuosos em trabalhos anteriores de Presley também parecem convencidos que não há muito o que fazer com aquele fraco material e assim se colocaram em um terrível modo de controle remoto, executando suas notas musicais sem muito empenho ou garra. Soam tão talentosos e primorosos quanto um burocrata, um funcionário público brasileiro qualquer, batendo seu carimbo em documentos de pura burocracia. Elvis não está melhor. Embora em algumas faixas a velha chama ainda pareça acessa a maior parte do tempo Elvis parece estar passando a mensagem subliminar para seus músicos de que "vamos acabar logo com tudo para irmos para casa o mais rapidamente possível". Uma pena, a que ponto havia chegado a carreira daquele que havia sido o maior nome da música mundial.

FTD Spinout
1: Stop, Look And Listen
2: Adam And Evil
3: All That I Am
4: Never Say Yes
5: Am I Ready
6: Beach Shack
7: Spinout
8: Smorgasbord
9: I'll Be Back
10: Tomorrow Is A Long Time
11: Down In The Alley
12: I'll Remember You
13: Stop, Look And Listen (takes 1, 2, 3)
14: Am I Ready (take 1)
15: Never Say Yes (takes 1, 2)
16: Spinout (takes 1, 2)
17: All That I Am (takes 1, 2)
18: Adam And Evil (takes 1, 14, 16)
19: Smorgasbord (take 1)
20: Beach Shack (takes 1, 2, 3)
21: Never Say Yes (takes 4, 5)
22: All That I Am (take 4)
23: Stop, Look And Listen (take 6)
24: Smorgasbord (take 5)

Pablo Aluísio.

domingo, 17 de agosto de 2014

Minhas Três Noivas

Título no Brasil: Minhas Três Noivas
Título Original: Spinout
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Norman Taurog
Roteiro: Theodore J. Flicker, George Kirgo
Elenco: Elvis Presley, Shelley Fabares, Diane McBain

Sinopse:
O astro Elvis Presley interpreta o piloto de corridas Mike McCoy. Seu grande sonho é se tornar um campeão das pistas, mas enquanto isso não acontece se vira como cantor nas horas vagas, se apresentando em boates e night clubs. Agora seu coração está dividido entre três gatinhas e ele está sinceramente em dúvida sobre com qual delas pretende se casar.

Comentários:
"Spinout" é em essência um genérico de "Viva Las Vegas", um dos maiores sucessos de bilheteria do cantor Elvis Presley nos cinemas durante os anos 60. Não há muito o que acrescentar por essa razão, mas certos aspectos merecem crédito. A MGM absorveu as inúmeras críticas que se abateram sobre os filmes anteriores de Elvis realizados no estúdio e resolveu dessa vez disponibilizar ao cantor uma melhor produção. De fato "Spinout" é bem superior nesse aspecto em relação a verdadeiras tralhas como "Harum Scarum" e "Frankie and Johnny". A fotografia em especial é bem caprichada e as cenas de corridas contam com uma muito bem realizada edição. Em termos de elenco temos o retorno da atriz Shelley Fabares, o que também se revela um ponto positivo já que ela além de carismática era muito simpática. O filme na realidade foi vendido à época como um presente aos fãs pelo décimo aniversário de Elvis Presley em Hollywood. Apesar do marketing reforçado e das melhoras na película de uma maneira em geral o filme não conseguiu se tornar um sucesso, se revelando um dos mais fracos comercialmente da carreira de Elvis. Fruto da perda de paciência dos fãs que naquela altura queriam mudanças na carreira do ex-Rei do Rock. Mesmo com tanta coisa contra, um legado indireto de "Spinout" permaneceu. O filme foi a inspiração para Tatsuo Yoshida criar um dos personagens de animação mais populares dos anos 60: o corredor Speed Racer, cuja série animada estrearia no ano seguinte nas TVs de todo o mundo. Nada mal para uma produção que não se tornou um sucesso na ocasião de seu lançamento.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Double Features - Spinout / Double Trouble

O CD Double Features "Spinout / Double Trouble" é bem melhor do que os demais, com não menos que 11 canções notáveis que se sobressaem das 18 músicas. Se "Stop, Look And Listen" é somente um fac-símile tolo de rock' n' roll, "Adam And Evil" é o puro rock. Já "All That I Am", a primeira canção que Elvis gravou com acompanhamento de violinos, é uma grande balada, um verdadeiro prazer sem culpas (e um grande hit na Europa). "Never Say Yes" é um lixo, mas "Am I Ready" é uma balada que provavelmente você nunca escutou antes, ou passou batido quando viu o filme. Escutá-la após estes anos todos, é sentir que ela está imaculada e bela.

Mas, como este é um caso daquele tipo de arte com altos e baixos, a próxima faixa, "Beach Shack" é horrenda. "Spinout" a musica título é fraca, mas após tanta repetição, agora em 1995, me parece bem melhor. A parte Spinout do disco termina com uma música, da qual simplesmente não consigo dizer o bastante sobre ela — K. D. Lang terminou sua grande tournée americana de 92 com "I 'll Be Back". Por mais que eu procurasse essa música não a encontrava, até agora. Escondida nesta colcha de retalhos musical, "I 'll Be Back" é como um original de Monet perdido numa pilha de reproduções. Sem discussão, é o melhor momento de Elvis num filme musical, pós-exército. Não consigo parar de tocá-la e depois da 20º audição, torna-se uma experiência religiosa. Estarei obcecado?

A porção "Double Trouble" do disco, mesmo sem conter nada nem remotamente similar a "I 'll Be Back", é surpreendentemente livre de chatices. Mostra as várias vozes de Elvis em múltiplas situações. A faixa-título "Double Trouble" é outro prazer sem culpas. "Baby lf You'll Give Me Ali Of Your Love" é um rock incendiário! As três seguintes: "Could I Fall ln Love" "Long Legged Girl (With The Short Dress On)" e "City By Night" provam que, não importa o quanto Elvis tenha se tornado irrelevante na época, ele ainda podia ser capaz de emocionar. Então, tudo cai por terra com a terrível "Old MacDonald". Engraçado, mas mesmo na mais mortificante das canções, Elvis permanece bem e dá tudo de si. Em seguida, a igualmente embaraçante marcha, "I Love Only One Girl", antes das 2 últimas faixas deixar tudo a salvo, satisfatoriamente. "There Is So Much World To See" e "It Won't Be Long" são o tipo de canções sexy de Las Vegas, que somente Elvis pode torná-las agradáveis.

Fonte: Rock in Portfolio

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Spinout - Parte 3

7. Spinout (Ben Weisman / Dolores Fuller / Sid Wayne) - Se o lado A do álbum "Spinout" não conseguia sair muito do lugar comum de suas últimas trilhas sonoras, o lado B trazia algumas preciosidades. Essa canção título do filme foi inexplicavelmente jogada para abrir o lado B do disco, algo que surpreendeu aos fãs pois a tradição nas trilhas de Elvis era a música título do filme abrir o disco. Era algo que vinha desde a primeira trilha sonora de Elvis ainda nos anos 50. Não considero essa música muito boa, para falar a verdade mostrou-se uma das mais fracas dos anos 60. Será que os produtores meio que a esconderam no lado B justamente por causa de suas poucas qualidades sonoras? É uma possibilidade.

8. Smörgåsbord (Sid Tepper / Roy C. Bennett) - Essa trilha sonora de Elvis enfrentou alguns problemas no mercado inglês. Isso porque algumas expressões simplesmente não faziam sentido aos ouvidos ingleses. A própria palavra "Spinout" soava ruim aos britânicos. Agora imagine essa palavra chamada "Smörgåsbord"! Os ingleses que sempre consideraram os americanos uns matutos sem sofisticação devem ter coçado a cabeça para entender o que diabos isso significava. Curiosidades linguísticas à parte até que essa canção não é de se jogar fora. Gosto de seu ritmo e refrão pegajoso. Ouviu uma vez, não esquece mais.

9. I'll Be Back (Ben Weisman / Sid Wayne) - Fechando a parte da trilha sonora do álbum temos essa "I'll Be Back". Já li muitos elogios para essa canção, mas sinceramente considero muitos deles exagerados. Não quero ser interpretado de forma equivocada, "I'll Be Back" é sem dúvida uma boa música, diria mesmo muito acima da média das demais presentes na trilha desse filme, porém não é tudo aquilo que dizem e escrevem sobre ela. Considero Ben Weisman um escritor competente que foi muito criticado em sua parceria com Elvis Presley e por isso deixarei o julgamento final a cada ouvinte. Ouça e tire suas próprias conclusões. 

10. Tomorrow is a Long Time (Bob Dylan) - Essa é a primeira bonus song do álbum e o primeiro grande momento do disco. Durante anos as pessoas ficaram sem entender porque Elvis Presley gravava tanta bobagem, sendo que na mesma época os grandes compositores americanos imploravam para que ele gravasse suas músicas. Dylan foi um deles. Considerado um dos maiores nomes da música daquele período, tinha esse velho sonho de um dia Elvis vir a gravar algumas de suas canções. O sonho se tornou realidade com essa faixa, "Tomorrow is a Long Time". Bob Dylan a gravou inicialmente em 1963, em um disco ao vivo. A música chegou a Elvis através de seu músico e amigo Charlie McCoy, que inclusive já havia trabalhado ao lado de Dylan antes. Assim que ouviu a faixa Elvis decidiu que a gravaria. Isso foi em maio de 1966 e inicialmente a RCA pensou em lançar a gravação em um single, o que teria sido uma grande ideia. Pena que mudaram de opinião e a resolveram encaixar aqui no lado B de "Spinout" onde acabou ficando obscurecida, não tendo a devida atenção que merecia. Esqueça esse erro histórico e não deixe de ouvir a faixa, considerada nos dias de hoje uma preciosidade,  um dos melhores momentos de Elvis no estúdio durante os anos 1960.

11. Down in the Alley (Jesse Stone) - Outra jóia perdida da discografia de Elvis Presley. "Down in the Alley" é mais um blues que criminosamente foi jogado para escanteio pelos produtores de Elvis. Uma canção relevante, lindamente gravada, com ótimo entrosamento vocal que foi desperdiçada completamente dentro de sua discografia. Não merecia surgir no mercado como mera bonus song de "Spinout". De qualquer maneira Elvis adorava a música, tanto que a tentou promover até mesmo anos depois, já em Las Vegas, numa forma de resgatar esse ótimo momento obscuro de sua vida nos estúdios.

12. I'll Remember You (Kui Lee) - "I'll Remember You" foi muito importante para Elvis em 1973. Foi uma das faixas mais promovidas e divulgadas em seu "Aloha From Hawaii", justamente porque seu autor, Kui Lee, deu nome a uma fundação que seria ajudada com os lucros do famoso show via satélite de Elvis. Todos certamente conhecem a versão ao vivo de Presley naquele momento tão importante de sua carreira. Curiosamente poucos conhecem a versão de estúdio, essa aqui mesmo que foi lançada como última bonus song de "Spinout". Bela gravação com Elvis em pleno domínio vocal e ao contrário das faixas da trilha sonora, lindamente gravada, sem máculas, em um registro perfeito.

Elvis Presley - Spinout (1966) - Elvis Presley (vocais) / The Jordanaires (backing vocals) / Boots Randolph (sax) / Scotty Moore (guitarra)  / Tommy Tedesco (guitarra)  / Tiny Timbrell (guitarra)  / Floyd Cramer (piano) / Charlie Hodge (piano) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harman (bateria) / Data de gravação: fevereiro de 1966 exceto "Tomorrow is a Long Time" e "Down in the Alley", gravadas em maio de 1966 e "I'll Remember You" gravada em junho de 1966 / Data de lançamento: outubro de 1966 / Melhor Posição nas Paradas: #17 (Reino Unido) #18 (Estados Unidos).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Spinout - Parte 2

Stop, Look and Listen (Joy Byers) - A canção que abre o álbum. Sempre gosto de afirmar que Joy Byers compôs algumas das melhores canções da carreira de Elvis nos anos 1960, período muito complicado para ele, que foi colocado para cantar algumas porcarias enlatadas impostas pelos estúdios de cinema. Assim Byers funcionava como um alívio, pois suas composições, se não eram geniais, pelo menos surgiam acima da média do que ele vinha gravando. Essa "Stop, Look and Listen" é uma tentativa de trazer algum conteúdo roqueiro aos discos de Elvis, que se notabilizavam mesmo por essa época pelas baladas e músicas pop. Não é de toda ruim, embora a ache mal equalizada, mal gravada (característica que pode ser atribuída aliás a todas as faixas da trilha sonora "Spinout", infelizmente).

Adam and Evil (Fred Wise / Randy Starr) - Outra canção mais agitadinha. No filme pelo menos Elvis surge em boa cena, com um figurino azul e preto em um quadro esteticamente muito interessante (muito embora o trash também esteja lá, quando um dos membros de sua banda dá uma de faquir seduzindo uma cobra de pano!). A versão apresentada no filme é ligeiramente diferente da do álbum, com mais solos de bateria. Em termos de letra esqueça, é uma tremenda bobagem.

All That I Am (Sid Tepper / Roy C. Bennett) - Uma das músicas mais celebradas da trilha sonora. Sid Tepper esclareceu nos anos 70 que a canção não havia sido composta especialmente para Elvis e nem para o filme. Só depois quando foi contactado pelo estúdio é que ele resolveu oferecer a canção para fazer parte do disco. Isso talvez explique porque ela é tão bem composta, com ótima melodia. O belo arranjo de violinos também soma muito em seu excelente resultado final. Um oásis de qualidade no meio do deserto de músicas fracas de "Spinout".

Never Say Yes (Doc Pomus / Mort Shuman) - Na volta de Elvis do serviço militar a dupla Doc Pomus e Mort Shuman logo se tornou a principal da carreira do cantor. Não é para menos, pois eles eram realmente ótimos, tanto nas letras como nas melodias. Infelizmente como era de se esperar foram colocados de lado por Tom Parker que começou a considerar a dupla cara demais para trabalhar com Presley. Assim eles foram empurrados sem muita cerimônia para a geladeira. Para surpresa de muitos ressurgiram timidamente aqui na trilha de "Spinout". A canção é fraca, parece que foi vendida pela dupla propositalmente assim. Algo no estilo "pelo preço que vocês querem pagar só podemos oferecer músicas desse nível".

Am I Ready (Sid Tepper / Roy C. Bennett) - Outra bela balada de Tepper e Bennett. Embora fossem contratados da Paramount Pictures, onde compuseram vasto e bom material para os filmes de Elvis, eles também vendiam suas criações por fora, como freelancers, principalmente após 1964, quando se desligaram oficialmente da Paramount. Essa música não chega a ser tão bela como "All That I Am" mas forma com essa a melhor parte da trilha sonora. Infelizmente o arranjo deixou a desejar, principalmente por não ter sido tão embelezada como a outra balada. De uma forma ou outra mantém o interesse e conta com belo trabalho vocal de Elvis Presley, relembrando seus melhores momentos por volta de 1960 e 1961, quando seu estilo de cantar era muito mais suave e terno.

Beach Shack (Bill Giant / Bernie Baum / Florence Kaye) - Um verdadeiro lixo! Muitos fãs de Elvis ficam irritados quando alguém afirma que Elvis gravou lixo cultural em sua carreira! Ora, isso é uma afirmação verdadeira! Ele só gravou lixo? Obviamente não, claro que não, mas ele gravou sim grandes porcarias, não há como negar. Pensem sob um contexto histórico. Quando Elvis gravou essa trilha sonora ele já era um homem com mais de 30 anos, não um adolescente boboca! Apenas um cantor teen, desses bem rasteiros, gravaria algo desse tipo. Triste momento para um dos grandes talentos da música mundial que via seu talento ser explorado e colocado a serviço de lixos como esse.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Spinout - Parte 1

Em 1966 chegou nas lojas o álbum, ou melhor dizendo, a trilha sonora que celebrava os dez anos de Elvis Presley em Hollywood. Nem é preciso dizer que foi uma festa bem sem graça. Os fãs reclamavam há anos e pediam a volta de Elvis aos palcos, a gravação de bons discos de estúdio e mudanças em sua carreira, mas as organizações Presley se recusavam a mudar. Todo ano a mesma coisa, três filmes, três trilhas sonoras, vendas ruins e críticas negativas para todos os lados. O álbum "Spinout", apesar da recepção com muita má vontade, nem era tão ruim como os anteriores. O filme era um genérico de "Viva Las Vegas", com Elvis novamente interpretando um piloto de corridas. As músicas, por outro lado, se mostravam superiores ao que vinha sendo lançado com Elvis, muito embora acompanhada novamente daquele lote de bobagens que todos os fãs de Presley já estavam acostumados.

O disco pode ser dividido em duas partes bem distintas. O material do filme em si, que é caracterizado por uma certa irregularidade, e as chamadas "bonus songs", canções que não faziam parte do filme, mas que eram encaixadas nos discos para que eles não fossem muito curtos. A trilha sonora propriamente dita tem altos e baixos. Há canções medonhas de ruins como "Beach Shack", ao lado de músicas medianas ao estilo "All That I Am", além de pequenas preciosidades como a subestimada "I'll Be Back". O material foi composto por bons compositores como a dupla Sid Tepper e Roy C. Bennett, o sempre bom Joy Byers e até mesmo os excepcionais Doc Pomus e Mort Shuman, que infelizmente comparecem com apenas uma faixa. Graças aos deuses musicais os produtores resolveram colocar o trio calafrio Bill Giant, Bernie Baum e Florence Kaye de lado e eles aparecem também com apenas uma canção, e pra variar a pior de todas, um verdadeiro lixo cultural.

Outro aspecto que merece menção é a falta de qualidade técnica das gravações. "Spinout" é considerado um dos discos mais mal equalizados da carreira de Elvis, talvez só superado por "Double Trouble" que parece ter sido gravado na garagem de alguém. Não dá para entender porque a RCA já não se importava mais com a qualidade das gravações daquele que havia sido seu maior nome até pouco tempo atrás. Ao que tudo indica os profissionais da gravadora simplesmente lavaram as mãos, deixando tudo para lá e como os discos já não vendiam mais tão bem, deixaram tudo para o "Deus dará"! Assim que se coloca o vinil original americano para tocar o ouvinte percebe a falta de capricho nas faixas. A banda já não soa tão afinada como antes e Elvis parece transparecer desleixo em seus vocais, algo impensável para quem vinha acompanhado Presley por longos anos, onde seus álbuns sempre se destacavam pelo bom gosto e cuidado nas gravações.

Alguns membros da Máfia de Memphis confirmam que Elvis ficou até mesmo abalado quando ouviu o disco pela primeira vez. Ele obviamente acusou Tom Parker de mandar mexer nas matrizes mas nada fez para parar essa interferência indevida. Chegou a dizer que ficava fisicamente doente quando descobria que um trabalho com seu nome saía mal feito, mal realizado. Some-se a isso os problemas no cinema e você terá uma ideia da imensa frustração profissional que ele vinha sentindo por essa época. A única salvação do disco vem mesmo das bonus songs, três belas canções em gravações impecáveis. "Tomorrow is a Long Time" de Bob Dylan, "Down in the Alley" de Jesse Stone e  "I'll Remember You" de Kui Lee, são maravilhosas. Gravadas numa sessão em maio (e junho) de 66, estavam arquivadas, sem a RCA saber o que fazer com elas. Acabaram enfiando aqui para amenizar a má qualidade do material do filme. 

Como o público já vinha ficando aborrecido com os rumos da carreira de Presley o disco ao ser lançado novamente se tornou uma decepção nas vendas, a tal ponto que pela primeira vez em sua carreira Elvis tinha sido deixado de lado pela filial brasileira da RCA Victor que simplesmente desistiu de lançar o álbum comercialmente por aqui por causa do fracasso de vendas nos Estados Unidos. E o mesmo aconteceu com vários países europeus, mostrando o grau de declínio que o antigo astro vinha passando em sua carreira, tanto no mundo do cinema como no mundo fonográfico. Como disse certa vez um articulista americano, se Elvis tivesse morrido em 1966 ou 1967, ele seria retratado como um dos maiores cantores de todos os tempos que havia desaparecido das paradas e se tornado um artista completamente irrelevante para a arte em geral. Como sabemos isso felizmente não aconteceu e em 1968 ele finalmente se levantaria do mundo dos mortos do show business para reviver novamente dias de glória na sua carreira.

Pablo Aluísio.

sábado, 2 de agosto de 2014

Spinout / All That I Am

Embora o single "Love Letters / Come What May" tenha deixado os fãs de Elvis cheios de esperanças o fato era que o cantor ainda estava preso aos inúmeros contratos que assinou no começo dos anos 60 e isso significava que pelo menos em curto prazo ele não deixaria os filmes em Hollywood. Assim não tardou a pintar nas lojas de discos o single "Spinout / All That I Am". Mais músicas de filmes. Mais um trilha sonora que estava por vir. Era algo que não estava nas expectativas de ninguém. Os fãs queriam basicamente que Elvis voltasse a gravar álbuns convencionais, realizar shows e deixar os filmes ruins feitos na costa oeste de lado. Afinal de contas depois de coisas como "Paradise Hawaiian Style" a paciência estava chegando ao fim. O curioso é que o Coronel Parker nesse mesmo tempo estava atarefado criando uma campanha para celebrar os "Dez Anos de Elvis Presley em Hollywood", sem entender que nos fãs clubes todo mundo já estava farto de trilhas sonoras e filmes ruins. Em outras palavras, Coronel estava preparando um aniversário que ninguém queria celebrar.

As duas canções já traziam uma ideia do que seria encontrado na trilha sonora. "Spinout" do Lado A seria a canção título do novo filme. Uma gravação com uma sonoridade um pouco diferente, valorizando os efeitos de percussão. A letra era novamente muito boba e não havia nenhum potencial para transformar aquela música em um hit nas paradas. Além disso ela não tinha uma boa qualidade técnica de gravação, com os vocais de Elvis muito à frente de sua banda, o que dava a impressão que tudo havia sido gravado separadamente. Na realidade era uma velha manobra de Tom Parker que tinha chegado na conclusão que os discos de Elvis estavam mal sonorizados, com os vocais de Elvis sendo abafados por seu grupo. Presley não pensava dessa forma, mas Parker passou por cima de sua opinião e resolveu mexer nas gravações por conta própria. Telefonou para a RCA e disse que os engenheiros de som fizessem a mudança. No lado B do single foi encaixada a música "All That I Am", que já soava um pouco melhor, com bonito arranjo, fruto do bom trabalho do novo produtor, Felton Jarvis. Os fãs logo notaram que havia algo de novo ali. A decisão de melhorar as gravações partiu do diretor musical George Stoll da MGM, que havia ouvido a última trilha sonora de Elvis e não gostou do que escutou. Assim ele indicou Jarvis para que esse em Nashville desse um bom "banho de loja" nas músicas para que não parecessem tão fracas. Com o tempo o próprio Jarvis iria se tornar o produtor de Elvis em estúdio. Infelizmente mesmo com as mudanças o single foi um tremendo fracasso comercial, não conseguindo se destacar nas vendas, encalhando vergonhosamente nas prateleiras das lojas nas semanas seguintes.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Love Letters / Come What May

No meio de tantas trilhas sonoras e filmes ruins a carreira de Elvis começou a renascer discretamente no lançamento de singles, alguns desprezados pela própria RCA que não os divulgava adequadamente. Aqui surgia novamente o Elvis Presley puramente cantor, sem as amarras de Hollywood. Para os fãs o primeiro sinal de que algo bom ainda poderia surgir da carreira de Elvis pintou nas lojas em junho de 1966. Foi nesse mês que a RCA Victor lançou o single "Love Letters / Come What May", considerado por muitos o melhor single de Elvis naquele ano, pois contava com as duas ótimas músicas gravadas em maio de 1966. Olhando para trás fica complicado mesmo entender a falta de visão das pessoas que controlavam a carreira de Elvis. Ora, se as trilhas sonoras eram ruins e os filmes verdadeiras palhaçadas, por que insistir em algo que não estava dando certo? Por outro lado quando Elvis entrava em estúdio apenas como cantor, gravando material de qualidade, tudo acabava dando certo. Por que esse lado bom de sua carreira continuava a ser ignorado?

Em maio de 1966 Elvis entrou em estúdio e fez uma bela sessão. Seis canções convencionais e inéditas foram gravadas nessa ocasião, algumas demonstrando que o talento de Elvis ainda continuava intacto e que tudo o que ele precisava mesmo naquele momento era de material com um mínimo de qualidade. "Down In The Alley", "Tomorrow Is A Long Time" (a famosa canção de Bob Bylan), Love Letters (a versão original e não a regravação que deu origem a um disco de Elvis nos anos 70), "Beyond The Reef", "Come What May" e "Fools Fall in Love" mostravam que Elvis estava vivo e respirando, mesmo que com dificuldades. Essas seis canções, se tivessem sido lançadas em um disco normal, teriam amenizado e muito a crise musical e artística da carreira de Elvis. Mas infelizmente os executivos da RCA não souberam aproveitar. O single "Love Letters / Come What May", não contou com o mínimo de publicidade mas mesmo assim alcançou uma razoável posição entre os mais vendidos nos EUA (19º lugar) e um ótimo sexto lugar na Inglaterra! Aos poucos Elvis Presley estava finalmente renascendo das cinzas.

Pablo Aluísio. 

domingo, 27 de julho de 2014

FTD Paradise Hawaiian Style

"Feitiço Havaiano" foi um dos maiores sucessos da carreira de Elvis nos cinemas durante os anos 1960. O coronel Parker sempre achou esse filme de Elvis o "produto perfeito". Então uma seqüência (ou quase isso) seria inevitável. Assim nasceu "No Paraíso do Havaí", a tentativa de repetir todo aquele sucesso, ou seja, o coronel Parker colocou Elvis para imitar ele mesmo! A trilha, assim como o filme, é pouco animadora. Tem poucos bons momentos como "Sand Castles" (linda) e muitos péssimos como "A Dog's Life" e "House of Sand". Como o próprio material é fraco e desprovido de maior interesse a única coisa que levará o fã de Elvis a adquirir o CD é sua busca por ter uma coleção completa, já que, vamos ser bem sinceros, tudo poderia ser jogado no lixo sem maiores culpas! O interessante é que o próprio selo FTD tinha consciência que vender esse material não seria nada fácil, assim acabou lançado o CD dentro de um pequeno pacote com duas outras trilhas sonoras do mesmo período. Quem sabe dessa forma o colecionador não se animaria a comprar todos os três títulos, quem sabe...

Os takes alternativos porém trazem um pouco de interesse, pois mostra Elvis no estúdio, tendo que lidar com toda aquela porcariada, para transformar o que já era muito ruim em algo ao menos audível. E isso, meus amigos, não era algo fácil de conseguir. É nítido o desânimo de Elvis em ter que gravar essas faixas, pois além de serem havaianas eram de um má qualidade enorme. Fico imaginando o que se passava na mente dele em momentos como esse. Isso porque Elvis sempre foi o primeiro crítico de seu trabalho. Ele tinha muita cultura musical, desenvolvida desde os tempos de infância em Memphis, quando ouvia o que havia de melhor em termos de música pelo rádio. Imagine você uma pessoa como essa sendo obrigada a gravar todo esse lixo Hollywoodiano, sabendo que sua credibilidade como artista seria abalada quando esse disco chegasse no mercado. Definitivamente não foi algo fácil para uma pessoa como ele, que sabia que tudo, no final das contas, era destituído de valor cultural.

FTD Paradise, Hawaiian Style
Paradise, Hwaiian Style
Queenie Wahine's Papaya
Scratch My Back
Drums Of The Islands
Datin'
A Dog's Life
House Of Sand
Stop Where You Are
This Is My Heaven
Sand Castles
This Is My Heaven (take 4)
A Dog's Life (takes 4,5,6)
Datin' (takes 6,7,8,11,12)
This Is My Heaven (take 7)
Drums Of The Islands (takes 4,5)
Queenie Wahine's Papaya (take 5)
Stop Where You Are (take 1)
House Of Sand (take 3 plus intro)
Paradise, Hawaiian Style (takes 4,1)
Scratch My Back (take 1)
A Dog's Life (take 8)
Sand Castles (take 1)
Datin' (takes 1-4)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

No Paraíso do Havaí

Título no Brasil: No Paraíso do Havaí
Título Original: Paradise, Hawaiian Style
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Michael D. Moore
Roteiro: Allan Weiss, Anthony Lawrence
Elenco: Elvis Presley, Suzanna Leigh, Donna Butterworth, James Shigeta

Sinopse:
Rick Richards (Elvis Presley) é um piloto que acaba pagando caro por ser tão mulherengo. Demitido do emprego resolve ir até o ensolarado Havaí com o plano de montar uma empresa de viagens turísticas pelas ilhas por helicópteros. Ao lado de seu sócio as coisas até começam bem mas Rick não toma jeito e se envolve novamente em muitas confusões envolvendo as garotas que se atiram aos montes em seus pés.

Comentários:
Algo deu muito errado na carreira de Elvis no cinema. Cinco anos depois de fazer sucesso com "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii, 1961) ele voltava ao mesmo ponto de antes, ou pior, para algo inferior. O filme é obviamente uma tentativa de reviver os bons tempos de Elvis no Havaí mas pouca coisa se salva nesse remake disfarçado. O roteiro, mais uma vez escrito por Allan Weiss, é bem ruim e nem sequer tenta disfarçar a falta de um argumento melhor para Elvis ir apresentando as canções (igualmente ruins) da trilha sonora. A produção tampouco é boa e o enredo literalmente se arrasta, com Elvis de vez em quando cantando um pouco para quebrar o tédio reinante. Curiosamente foi o primeiro filme do diretor Michael D. Moore que não conseguiu esconder sua falta de experiência. Há erros de continuidade e muitas vezes tudo cai no marasmo, fato que fica evidente no rosto de Elvis, transparecendo aborrecimento em cada momento. Pelo visto ele sabia que estava envolvido em mais um abacaxi de Hollywood, para sua tristeza e de seus fãs - que começavam a debandar em massa por causa da má qualidade de seus filmes e trilhas.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Paradise, Hawaiian Style - Parte 2

A Dog's Life (Ben Weisman / S. Wayne) - E pensar que Elvis, que cantou "Hound Dog" iria acabar gravando "A Dog's Life"! A pior música do filme que já é ruim de doer! Na cena no Helicóptero de papelão Elvis divide a "atuação" com um monte de amigos caninos! Acho que não poderia ser pior! O fim da picada!

House of Sand (Giant / Baum / Kaye) - Quando pensávamos que estávamos livres do trio calafrio eles reaparecem com mais uma "bomba"! Eita musiquinha ruim essa hein! Elvis transparece todo seu tédio (que deve ter sido enorme ao gravar esse material) e apenas interpreta a pobreza lírica com desdém nítido. Ruindade pouca é bobagem.

Stop Where You Are (Giant / Baum / Kaye) - Outra porcaria assinada por Giant, Baum e Kaye. Esses caras eram realmente imbatíveis, não me surpreende o fato deles terem sido os pais dos maiores abacaxis da carreira de Elvis como "Kissin Cousins" e "Harum Scarum". Mas aonde diabos afinal o Coronel Parker achou esses caras? Com tantos compositores talentosos nos anos 60 implorando para que Elvis gravasse suas músicas, o Coronel resolveu escolher logo os mais ineptos e idiotas disponíveis no mercado? Como perdoar uma coisa dessas? Provavelmente eles cobravam uma merreca para comporem temas para Elvis. Pelo qualidade da mercadoria entregue sem dúvida o Coronel não gastou muito.

This Is My Haven (Giant / Baum / Kaye) - Adivinhe só quem compôs essa canção? Leva um abacaxi quem ganhar! Eles mesmos: Giant, Baum e Kaye! Dessa vez eles tentaram diminuir um pouco a mediocridade e escreveram pelo menos uma melodia agradável. Mas depois de escreverem tantos temas ruins será que tem salvação? A música é menos constrangedora do que as demais, mas mesmo assim não empolga e nem decola. Fico no lenga lenga e termina logo (graças a Deus!)

Sand Castles (H Guldeberg / D. Hess) - Você chega no finalzinho da trilha sonora e pensa que perdeu minutos preciosos de sua vida com nada e de repente começa "Sand Castles". Você dá um salto e fica com o queixo caído! Essa canção é mesmo de "Paradise, Hawaiian Style"? Eu não acredito! Essa música é simplesmente LINDA! Como é que ela foi parar aqui, no fim, desprezada e esquecida? É um dos maiores vocais de Elvis em toda a sua discografia (e isso meu caro não é pouca coisa!). Acompanhamento lindo e ritmo relaxante, "Sand Castles" evita que joguemos o disco na lata de lixo! Simplesmente adoro essa canção e sempre a ouço (tente ouvi-la a dois!). Fantástica e completamente destoante do restante da trilha sonora. Ah! se o disco fosse composto de dez versões dessa mesma canção! Seria muito mais relevante do que a trilha inteira! Nota 10 com louvores!

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Barney Kessel (guitarra) / Charlie McCoy (guitarra) / Ray Siegel (baixo) / Keith Mitchell (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Hal Blaine (bateria) / Milton Holland (bateria) / Larry Muhoberac (piano) / Bernal Lewis (steel guitar) / Al Hendricksson (guitarra) / Howard Roberts (guitarra) / Victor Feldman: (bateria) / The Mello Men: Bill Lee, Max Smith, Bill Cole e Gene Merlino (vocais) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California / Data de gravação: 26 e 27 de julho e 2,3 e 4 de agosto de 1965 / Produzido por Thorne Nogar / Data de lançamento: maio de 1966 / Melhor posição nas charts: #15 (USA) e #7 (UK).

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Paradise, Hawaiian Style - Parte 1

Agosto de 1966, o filme "Paradise, Hawaiian Style" (No Paraíso do Havaí, no Brasil) é lançado nos cinemas americanos. O filme foi filmado em locação nas ilhas havaianas de Oahu, Kauai e Mauí. Com direção de D. Michael Moore e produção de Hall Wallis pela Paramount, o filme tentava repetir o sucesso de fitas anteriores de Elvis nas ilhas do pacífico, mas o tiro saiu pela culatra e os resultados financeiros não atingiram as expectativas. Isso sem dúvida refletia todo o desgaste da carreira do cantor em Hollywood. O que escrever sobre "Paradise, Hawaiian Style"? Esse é um material tão inconsistente e falso que fica até difícil começar a apontar seus defeitos. Em primeiro lugar é um projeto que tenta imitar descaradamente Blue Hawaii (Feitiço Havaiano, 1961), aliás com a metade dos dólares gastos no filme anterior (ordens do Coronel). Elvis nem se importou muito em atuar bem e está visivelmente fora de forma. O filme, como muitos outros desse período foi realizado às pressas - em pouco mais de 2 semanas todas as cenas já estavam prontas e a equipe de filmagem de volta aos Estados Unidos. Tudo foi filmado praticamente de primeira, sem ensaio, sem cuidado, sem primor.

Nessa época parece que Elvis estava mesmo em uma espécie de coma criativo, engolindo tudo o que lhe era enfiado goela abaixo. Sua incrível intuição artística parecia morta e enterrada e o astro havia se transformado em um mero boneco na mão de diretores, produtores e roteiristas! Mas as más notícias não parariam por aí. Se não bastasse o filme ser extremamente ruim e inconsistente o "Rei" ainda seria jogado em um lamaçal de músicas ruins. "Paradise" é sem sombra de dúvida uma das piores trilhas sonoras de sua carreira (se não for a pior!). A faixa título é muito ruim, com péssima letra (com um verso pra lá de estúpido: "Puxa! Como é bom estar no 50º Estado!") E a partir daí é uma ladeira abaixo, com canções de mal gosto (Scratch My Back), infantis e maçantes (Datin) constrangedoras (A Dogs Life) e mal produzidas (Stop Where You Are). Nem This Is My Heaven consegue manter a dignidade. A única e honrosa exceção no meio desse pântano de músicas ruins e baratas é mesmo, como já foi dito, a bela canção Sand Castles. E por incrível que pareça ela foi a única cortada do filme! Como pôde acontecer uma coisa dessas? Realmente Paradise, Hawaiian Style é impressionante, pois até nisso eles se equivocaram. Não há muito o que comentar nesse momento opaco, depois dessa é melhor esquecer que nosso querido ídolo se envolveu em tamanho abacaxi, literalmente!

Paradise, Hawaiian Style (Giant / Baum / Kaye) - Realmente essa faixa tema é ruim demais. Se existisse um prêmio "framboesa de ouro" na categoria de "pior música tema de um filme de Elvis" essa levaria o prêmio fácil, fácil. Até o vocal de Elvis está estranho, muito contido e cantando extremamente mal, como se a master original estivesse fora da rotação normal. O ritmo é muito equivocado mas a letra é insuperável! "Como é bom estar no 50º Estado"!. Que bobagem é essa? Esse triozinho de compositores quando erravam a mão erravam mesmo pra valer! Terra arrasada mesmo! Péssimo em todos os aspectos!

Queenie Wahine's Papaya (Giant / Baum / Kaye) - Outra pérola trash! No filme Elvis divide os vocais com a garotinha pentelho Donna Buttersworth, que é engraçadinha, talentosa e bonitinha, mas que em nenhum momento do filme deixa de ser pentelhinha. Falando sério, vamos ser sinceros: colocar Elvis Presley, o Rei do Rock, numa cena abacaxi dessas, batendo em panelas já é demais! Alguém deveria ter tirado Elvis à força dos sets de filmagens desse filme! Nada contra Elvis dividir o microfone com uma criança, mas se pelo menos ela soubesse cantar! Seria pedir demais?!

Scratch My Back (Giant / Baum / Kaye) - Outra música que faz jus à total e absoluta falta de talento desse trio assustador que escreveu algumas músicas desse filme. A cena é ainda pior, pois Elvis tem que se abaixar de perfil ao se esfregar em algumas - minhas sinceras desculpas Fernanda Montenegro - "atrizes"! E nesse momento, como ele estava bem fora de forma, sua pancinha se sobressai de forma constrangedora. Complicado superar tamanha besteira! Sério, ninguém viu isso não? Nem vou escrever sobre a canção...

Drums of The Islands (Polynesium Cultural Center / S. Tepper / R.C. Bennett) - Bem, alguém deve ter pensado: Precisamos colocar alguma dignidade nessa trilha sonora, vamos escrever alguma coisa que preste! Então chamaram os compositores dos filmes "G.I. Blues" e "Blue Hawaii" para comporem e adaptarem um tema típico havaiano. Quase conseguiram, a bola bateu na trave. Se não é um primor, pelo menos traz Elvis em boa vocalização com uma boa equipe vocal o apoiando. Uma pequena pausa na mediocridade reinante.

Datin (J. Wise / R. Starr) - "Datin" é um caso interessante. Se você não se importar com a infantilidade do tema pode até mesmo se divertir com o ritmo alegre e sem pretensão nenhuma. Diversão pela diversão. Escapismo total mesmo. É um dos bons momentos da trilha, mesmo que seja bobinha, mesmo que a letra seja ingênua e pueril. No filme novamente a atriz mirim estraga a canção, mas felizmente a versão presente no disco só conta com a vocalização de Elvis. Pelo menos dessa vez o bom senso prevaleceu!

Pablo Aluísio.