sábado, 23 de julho de 2016

Lisa Marie Presley volta para Nicolas Cage

(Los Angeles) - Após anunciar seu quarto divórcio, Lisa Marie Presley voltou para Nicolas Cage, seu terceiro marido. Pelo menos é o que afirmam as pessoas mais próximas ao casal. São cada vez mais fortes os boatos que Lisa Marie Presley já estaria de volta aos braços de seu marido anterior, o ator Nicolas Cage, morando juntos em uma casa nos arredores de Los Angeles. Segundo fontes próximas ao casal eles estariam tentando retomar o romance de uma vez por todas. Um quinto casamento de Lisa já chegou até mesmo a ser cogitado por eles.

Cage e Lisa Marie já teriam se reencontrado várias vezes nos últimos meses e agora que o anúncio de seu quarto divórcio se tornou público o rumor de que estariam juntos novamente ganha mais veracidade. O jornal The National Enquirer afirma que Lisa e Cage já estariam juntos há um bom tempo, mesmo antes do divórcio do quarto marido de Lisa. Esse aliás anda sumido desde que Lisa Marie anunciou publicamente sua vontade de se divorciar dele. Alguns amigos de Lisa dizem que o seu ex-marido tem se escondido para não ser encontrado pelos oficiais de justiça que estão levando a ele os papéis de citação do processo de divórcio.

Em relação a Cage uma amiga de Lisa declarou: "Lisa Marie e Nicolas Cage se lamentam até hoje pelo que aconteceu com eles... Eles querem tentar tudo de novo. Ambos estão separados e estão com muito interesse em voltar". Lisa Marie Presley e Nicolas Cage estariam prontos para assumir o namoro e aparecer publicamente de mãos dadas e com um novo anel de compromisso na estreia do próximo filme de Nicolas Cage que terá premiere em breve na cidade de Los Angeles. É esperar para conferir.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Elvis Presley - Walk A Mile In My Shoes

Certa vez Elvis declarou: "Antes de criticar os outros, meu caro, se coloque no lugar deles!". A essência da letra dessa música é justamente essa. Coloque-se no lugar do outro, lute suas batalhas, vejas as dificuldades que cada um enfrenta na sua própria pele. Criticar é fácil, viver os problemas alheios, não! Elvis foi tão criticado ao longo dos anos 60 que ele sabia muito bem o que essa mensagem significava. "Caminhe uma milha em meus sapatos", ou seja, fique no meu lugar, veja como é difícil andar nessa jornada, como a vida definitivamente não é nada fácil para ninguém. Em um trecho a letra é clara sobre isso ao dizer: "Viva um pouco no meu lugar, antes de abusar, criticar e acusar, viva um pouco no meu lugar". Aliás se formos analisar bem a letra foi a chave, o fator determinante, que fez Elvis gravar essa canção. Elvis estava farto, cansado, exausto de ser tão criticado depois de tantos anos.

Em termos puramente musicais "Walk A Mile In My Shoes" não havia se destacado antes de Elvis gravar a sua própria versão. A canção foi lançada de forma bem obscura como Lado B de um single do cantor e compositor Joe South. O compacto, um tanto precário, quase uma produção independente, foi lançado como sendo do grupo "Joe South and the Believers". Na realidade não era bem uma banda, um novo conjunto vocal country, mas sim um arranjo envolvendo Joe South, seu irmão Tommy e sua cunhada. Eles se reuniram em Atlanta, juntaram uns trocados, fizeram uma gravação praticamente amadora em um estúdio da cidade e mandaram prensar 500 cópias. Tinham a esperança de vender pelo menos umas 300 cópias para lucrar algum dinheiro, e isso era tudo. Acontece que a música acabou chegando até Elvis (não me perguntem como!) e assim o astro a cantou ao vivo em Las Vegas. Quando o álbum "On Stage" chegou nas lojas Joe South pulou de alegria obviamente. Depois de Elvis colocar sua voz em sua criação finalmente Joe conseguiu lançar um single profissional que, pasmem, acabou fazendo um bom sucesso na parada country do cinturão bíblico do sul dos Estados Unidos. Sua sorte havia finalmente mudado!

Walk A Mile In My Shoes (Joe South) Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  19 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

sábado, 16 de julho de 2016

Elvis Presley - FTD Elvis in Alabama

Elvis Presley - FTD Elvis in Alabama
Esse novo lançamento do selo FTD (Follow That Dream) não foi muito bem recebido. A razão é simples de entender. Há um certo excesso de títulos enfocando shows ao vivo de 1976 nos últimos anos. Os fãs andam meio cansados desse tipo de material. Pelo visto há um vasto acervo já catalogado e restaurado pelo produtor Ernst Jorgensen englobando justamente esse período. Esses concertos de Elvis em 1976 foram caracterizados por um certo sentimento de irregularidade por todos aqueles que participaram das turnês. Elvis vivia em uma montanha russa. Ora fazia boas apresentações, ora concertos desastrosos. No ano do bicentenário dos Estados Unidos Elvis deu vazão a um certo cotidiano de excessos que envolviam abuso de drogas, mulheres, exaustão física (por causa do excesso de apresentações atravessando longas distâncias pelo interior americano) e exageros de todos os tipos. Muitos shows desse período são criticados por justamente apresentarem essas características. Elvis não parecia bem, fisicamente e psicologicamente bem, e por essa razão o que poderia acontecer quando ele subia ao palco era completamente imprevisível. Imaginem o cantor enfurnado em seu quarto, com muitas drogas circulando pela sua mente, com uma pistola carregada nas mãos e dizendo a todos que não iria fazer os shows. A tensão era constante.

Nesse CD temos dois shows realizados na cidade dos foguetes, em Hunstville, no estado sulista e caipira do Alabama. Por essa época o Coronel Parker havia decidido tirar Elvis dos grandes centros urbanos - por causa das críticas - para colocá-lo em redutos de fãs mais fiéis e fanáticos. Assim Elvis passou a se apresentar em cidadezinhas sulistas, lugares que muitas vezes sequer tinham hotéis para acomodar o cantor e sua banda, que acabavam ficando hospedados dentro dos próprios aviões de Elvis nas pistas de pouso dos aeroportos, esperando a hora do concerto chegar. Claro que a chegada de um artista do porte de Elvis fazia com que ele fosse recebido quase como um semi-Deus nessas localidades e era justamente isso que o Coronel Parker queria. Em compensação Elvis acabava também adotando um comportamento meio preguiçoso no palco, já que ele praticamente não precisava fazer muito esforço para conquistar o público. E é justamente isso que percebemos nesses registros. Elvis realizou dois concertos no controle remoto, sem muito esforço, algumas vezes a meia voz, como se não tivesse muita vontade de cantar bem. Não é à toa que os fãs reclamaram tanto.

FTD Elvis in Alabama
CD-1: Afternoon show - 01: See See Rider / 02: I Got A Woman - Amen / 03: Love Me / 04: Fairytale / 05: You Gave Me A Mountain / 06: All Shook Up / 07: Teddy Bear/Don't Be Cruel / 08: And I Love You So / 09: Jailhouse Rock / 10: America / 11: One Night / 12: Polk Salad Annie / 13: Introductions by Elvis / Early Morning Rain / What'd I Say / Johnny B. Goode / 14: Love Letters / 15: School Days / 16: Hurt / 17: Hound Dog / 18: Funny How Time Slips Away / 19: That's All Right / 20: Can't Help Falling In Love / 21: Closing Vamp / CD-2: Evening show / 01: See See Rider /  02: I Got A Woman/Amen / 03: Love Me / 04: Fairytale / 05: You Gave Me A Mountain / 06: All Shook Up / 07: Teddy Bear/Don't Be Cruel / 08: And I Love You So / 09: Jailhouse Rock / 10: Fever / 11: America / 12: Introductions by Elvis / Early Morning Rain / What'd I Say / Johnny B. Goode / 13: Love Letters / 14: School Days / 15: Hurt / 16: Hound Dog / 17: Danny Boy (S. Nielsen) / 18: That's All Right / 19: Blue Christmas / 20: Mystery Train/Tiger Man / 21: Funny How Time Slips Away / 22: Can't Help Falling In Love / 23: Closing Vamp

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Elvis Presley - Polk Salad Annie

Essa canção é uma das mais sui generis da carreira de Elvis. O autor, Tony Joe White, foi criado nas regiões pantanosas da Louisiana e assim escreveu essa letra, meio maliciosa, sobre uma garota pobre do sul, que tinha hábitos alimentares bem regionais. Usando de gírias de sua região natal ele criou esse enredo meio nonsense, algo que no final das contas nunca fez muito sentido ou foi de fácil entendimento para os ouvintes de outras regiões dos Estados Unidos. Por essa mesma razão sua letra soava incompreensível para quem não era do sul. Assim, sempre que Elvis a cantava, usava uma pequena introdução tentando explicar do que se tratava. Na maioria das vezes não adiantava nada, mas o que valia era a boa intenção.

Em uma época em que o psicodelismo imperava, com letras que não faziam nenhum sentido, até que Elvis poderia dispensar esse tipo de preciosismo, já que para falar a verdade ninguém estava muito se importando mesmo com a letra da música. O que salvava "Polk Salad Annie" era o seu embalo, o ritmo e as coreografias que Elvis apresentava no palco. E por falar em misturas e misturebas, Elvis também resolveu jogar em um mesmo caldeirão movimentos que tinha aprendido com mestres em artes marciais e o estilo dançante da canção, resultando tudo em algo novo. Nesses primeiros concertos Elvis ainda se esmerava em dar o melhor de si, as melhores performances, mas com o passar dos anos a execução de "Polk Salad Annie" foi se tornando mais displicente, quase uma gozação por parte de Elvis nos shows. De uma forma ou outra o que não se pode negar é que a música era ótima para concertos ao vivo! Por outro lado Elvis nunca gravou uma versão oficial com sua banda em estúdio. Era desnecessário. "Polk Salad Annie" afinal era pura festa e diversão.

Polk Salad Annie (Tony Joe White) Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  19 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de julho de 2016

Lisa Marie Presley anuncia seu quarto divórcio

(Los Angeles) - Lisa Marie Presley, a filha de Elvis Presley, anunciou nessa semana que entrou com pedido de divórcio de seu quarto marido, o músico Michael Lockwood. Oficialmente os advogados de Lisa Marie alegam na peça de divórcio que a principal razão do fim do casamento seriam "diferenças irreconciliáveis" surgidas entre o casal no últimos anos, porém sites como TMZ afirmam que o marido de Lisa colocou em risco a riqueza da cantora, avaliada em 300 milhões de dólares.

 Segundo algumas fontes próximas a Lisa Marie, seu marido Michael Lockwood teria "abusado" financeiramente de sua fortuna pessoal, colocando em risco os bens, as propriedades e as ações pertencentes à Lisa. Mas ainda há mais. Lisa teria dito a parentes que Michael era uma figura paterna frágil, medíocre, indeciso e inseguro, não sendo assim um exemplo para suas filhas, duas crianças gêmeas tais como havia sido seu avô, o mundialmente conhecido cantor Elvis Presley, morto em 1977, que também tinha um irmão gêmeo chamado Jesse Garon.

Esse passa a ser assim mais um capítulo triste da vida amorosa da única filha de Elvis. Ela vem colecionando relacionamentos fracassados desde que se casou pela primeira vez com o também músico Danny Keough, ainda nos anos 80. Desse primeiro casamento vieram os dois primeiros filhos de Lisa, a atriz Riley Keough e o jovem cantor Benjamin. Depois da separação do primeiro casamento Lisa se envolveu com Michael Jackson e se casou com ele, em um dos matrimônios mais explorados pela imprensa sensacionalista da história. Para muitos o casamento era apenas uma fachada para encobrir os problemas de Jackson na época, com várias acusações de pedofilia. Lisa tinha esperanças que Michael cuidasse de sua tão sonhada carreira como cantora, mas no final nada deu certo.

O terceiro casamento de Lisa Marie também foi com uma celebridade, o ator Nicolas Cage. Ela dizia que o amava pois ambos tinha um certo "espírito de pirata", o que os tornavam muito próximos. Após um romance breve e turbulento, Lisa pediu o divórcio de Nicolas em circunstâncias ainda bem nebulosas. Alguns boatos da época dizem que a razão foi a obsessão que Nicolas havia adquirido em relação a Elvis, dizendo ter em sua posse o item mais cobiçado da coleção, ou seja, a própria filha do Rei do Rock.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Elvis Presley - Temporada em Las Vegas - Fevereiro de 1970

A segunda temporada de Elvis Presley em Las Vegas foi realizada logo no começo do ano de 1970. A primeira foi um furacão dentro da mídia, também pudera, Elvis estava há anos sem pisar em um palco para um show profissional. Durante anos ele se concentrou em seus filmes e suas respectivas trilhas sonoras. Nenhuma novidade, nada relevante. Em 1969 ele retornou e isso causou uma grande comoção na imprensa mundial.

Já nessa segunda temporada as coisas foram mais amenas. A novidade havia passado e por essa razão a cobertura da imprensa não foi tão presente. Algumas revistas especializadas em entretenimento como Variety publicaram notas discretas. Na Billboard foi publicada uma matéria muito boa, bem respeitosa sobre os shows de Elvis que estavam sendo realizados em Las Vegas. Seus macacões brancos, de peça única, chamaram bem a atenção. Era algo diferente. Fora isso nada mais foi muito explorado pela mídia da época.

Com um single novos nas lojas, "The Wonder Of You", Elvis procurou trazer várias canções de sucessos de outros artistas para seu repertório, embora mantivesse de certo modo a espinha dorsal dos concertos que tinha usado no ano anterior. Quem foi ao International hotel porém foi presenteado com as primeiras performances de Elvis em canções como "Proud Mary", "Walk a Mile In My Shoes", "Sweet Caroline", "Let It Be Me" e "Polk Salad Annie" que era tão sulista que precisava ser explicada pelo próprio Elvis em sua introdução, caso contrário ninguém entenderia nada de sua letra.

Embora morna a repercussão na imprensa, comercialmente a temporada foi um grande sucesso. Estima-se que toda a temporada teve um público estimado em 100 mil pessoas, com renda de um milhão e meio de dólares. Para os padrões atuais isso pode até parecer pouco, mas temos que entender que as instalações do hotel não eram tão amplas a ponto de receber multidões, como se Elvis estivesse se apresentando em um estádio de futebol ou algo parecido.

O L.A. Times chamou a atenção em artigo para a faixa etária do público que assistiu Elvis em Las Vegas naquela temporada. Embora existissem jovens na plateia o fato é que a maioria do público presente tinha mais de 40 anos de idade, já que Las Vegas não era um point jovem naquele tempo, pelo contrário, era mais um lugar para casais de meia idade celebrarem seus aniversários de casamento. Nessa mesma reportagem o jornalista do Times chamou a atenção para o fato de que a presença de Elvis no palco criava uma grande comoção, por causa do status inigualável de sua estrela como artista e ídolo. Em algumas apresentações, salientou o texto, Elvis tinha que esperar por minutos para que as palmas cessassem e ele pudesse finalmente cantar.

Pablo Aluísio.

sábado, 2 de julho de 2016

Morre Scotty Moore

Morreu no último dia 29 de junho o guitarrista Scotty Moore, da primeira banda de Elvis Presley. Ele tinha 84 anos de idade. Há tempos vinha com a saúde frágil e abalada, por causa da idade e alguns problemas respiratórios, Moore estava muito doente desde o ano passado. Só nos últimos dias os boatos de que ele havia falecido foram confirmados por sua família e amigos. Um jornal de Memphis finalmente confirmou a notícia.

Scotty Moore foi imortalizado por fazer parte do grupo Blue Moon Boys, o primeiro conjunto musical a acompanhar Elvis Presley em sua carreira. Quando o jovem Elvis pintou na Sun Records em 1954 ele contava apenas consigo mesmo e seu violão. O produtor Sam Phillips percebeu que ele tinha futuro, mas que para isso era necessário ter uma banda o acompanhando. Foi assim que Sam ligou para Scotty e ele conheceu Elvis Presley que em pouco tempo iria se tornar o aclamado Rei do Rock na década de 1950.

Moore participou da primeira gravação profissional de Elvis na Sun Records, o acetato "That´s All Right" e depois continuou ao lado de Elvis quando ele foi contratado pela RCA Victor. Na nova companhia Scotty, Elvis, o baixista Bill Black e o baterista DJ Fontana, além do grupo vocal The Jordanaires, atuaram em algumas das músicas mais populares do surgimento do rock como "Don´t Be Cruel", "Hound Dog", "Jailhouse Rock", "Loving You" e tantos outros hits que transformaram o caminhoneiro desconhecido de Memphis em um dos maiores vendedores de discos da história. 

Scotty Moore foi presença marcante em praticamente todos os discos de Elvis no período que foi de 1954 a 1968. Quando Elvis retornou do exército americano em 1960 o Coronel Tom Parker decidiu que ele não iria mais fazer shows ao vivo para se dedicar exclusivamente a sua carreira no cinema. Assim o grupo Blue Moon Boys foi dissolvido (o baixista Bill Black havia deixado a banda) e Scotty se tornou apenas um músico de estúdio contratado pela RCA Victor para acompanhar Elvis nas gravações de suas trilhas sonoras para Hollywood. 

A parceria chegou ao final em 1968. Scotty Moore tocou no especial de TV que Elvis gravou para o canal NBC, um show ao vivo que marcou seu retorno ao sucesso, após anos estagnado em uma carreira cinematográfica que não deu muito certo. Depois disso nunca mais voltaram a se ver. Elvis montou um novo grupo chamado TCB Band e Moore não fazia mais parte dele. Discreto, nunca mais voltou a falar com Elvis ou com o Coronel Parker. Uma nova fase na carreira de Elvis estava começando e outra havia terminado, justamente àquela em que Scotty foi um dos maiores representantes. Depois disso o guitarrista se concentrou em seu trabalho nos estúdios de gravação, onde se tornou arranjador e produtor.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - The Wonder of You

Esse era o tipo de música que Elvis vinha procurando para apresentar ao vivo, principalmente em palcos como o de Las Vegas, onde esse tipo de exuberância orquestral era praticamente um pré-requisito para qualquer artista se dar bem e ser aclamado por público e crítica. O curioso é que a música em si era antiga, gravada e lançada no final da década de 1950 pelo cantor pop Ray Peterson, justamente na época em que Elvis estava servindo o exército americano numa base na Alemanha. Não há maiores informações sobre se Elvis a teria conhecido na Europa ou na sua volta aos Estados Unidos em 1960, até porque naqueles tempos não havia ainda a facilidade de comunicação e divulgação que temos hoje em dia, mas o fato é que a música conquistou o cantor, tanto que ele pensou em gravá-la durante as sessões no American Studios em Memphis, no ano anterior. A canção chegou inclusive a ser selecionada, o novo arranjo elaborado e até ensaiado pela banda, mas no final passou mesmo em branco. Elvis jamais a gravaria em estúdio.

O arranjo composto porém não seria desperdiçado. Já nos primeiros ensaios de sua segunda temporada Elvis resolveu inclui-la no repertório, ainda mais agora que a RCA Victor estava em busca de músicas inéditas dentro da discografia de Elvis. O próprio Felton Jarvis diria a Elvis que o "On Stage" seria na verdade um álbum de gravações inéditas, só que nas versões live, ao vivo. Assim com tudo certo a bela faixa foi incluída. Considero essa performance impecável, tanto por parte de Elvis como por parte da TCB Band. É fato que eles sabiam que estavam gravando músicas para o novo LP de Presley e por essa razão foram perfeccionistas na execução da música. Acertaram em cheio. A gravação que foi incluída nesse disco foi a registrada pela RCA em 19 de fevereiro de 1970. Assim que desceu do palco Elvis mandou um recado para seu produtor, para que essa versão fosse a escolhida para o álbum pois ele bem sabia que ela havia ficado simplesmente maravilhosa. Uma das melhores interpretações ao vivo de Elvis em toda a sua carreira. 

The Wonder Of You (Baker Knight) / Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  19 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Elvis Presley - Elvis Studios Highlights 1970

Em junho de 1970 Elvis retornou a Nashville para mais uma maratona de gravações. Assim como havia acontecido no ano anterior no American Studios a intenção era gravar o maior número possível de músicas no menor número de sessões de gravação. Após gravar o conjunto de canções essas seriam selecionadas pela direção da RCA Victor para serem lançadas em singles e álbuns no decorrer dos meses seguintes. A estratégia se mostrara bem sucedida em 1969 e por isso era mais do que óbvio que Elvis repetiria a dose. Porém dessa vez as sessões seriam realizadas em Nashville nos estúdios da gravadora e não mais em Memphis como ocorrera antes. A razão era simples: a estrutura disponível em Nashville era bastante superiora a que Elvis encontrou no American. Essas sessões seriam conhecidas nos anos que viriam como The Nashville Marathon. Essa denominação inclusive seria dada a um dos CDs mais conhecidos do selo FTD.

Elvis ficou tão satisfeito com o resultado de suas apresentações em Las Vegas que resolveu escalar para o estúdio os mesmos músicos de palco que estavam se apresentando ao seu lado. Embora não fosse totalmente contrário a essa visão o produtor Felton Jarvis preferiu porém mesclar um pouco a equipe de apoio convocando músicos experientes de estúdio para também atuar ao lado de Elvis, como por exemplo o baixista Norbert Putnam e o baterista Jerry Carrigan. Ao lado de alguns integrantes da TCB Band como James Burton a equipe finalmente ficou completa. A intenção da RCA era realmente "encher a lata", ou seja, registrar o máximo possível de músicas para que assim Elvis ficasse finalmente livre para se concentrar em suas obrigações na estrada sem se preocupar com os lançamentos de estúdio.

Foi programada uma semana de gravações, a direção da gravadora deixou à disposição de Elvis e banda uma lista com mais de 60 músicas. Dentro do estúdio Elvis foi ouvindo uma a uma as demos para finalmente escolher o material que lhe agradava. Também trouxe sua própria lista de músicas que gostaria de gravar, caso fosse possível em relação aos direitos autorais das mesmas. Em quatro dias de trabalho Elvis conseguiu a proeza de gravar 35 músicas - o equivalente a praticamente 3 novos álbuns e tantos outros singles, que ficariam à inteira disposição dos diretores de estúdio. Um número e uma produção que até hoje espanta principalmente nos dias atuais onde cantores levam meses para gravar um disco com pouco mais de 10 canções.

O resultado tão satisfatório em termos de quantidade de músicas gravadas pode também ser creditado ao próprio produtor Felton Jarvis. Visando facilitar a vida de Elvis dentro dos estúdios ele convocou poucos músicos para atuar ao lado dele no Studio B. Assim Elvis gravou versões cruas das canções, que depois seriam enriquecidas pelo produtor pelo processo de adição de orquestra e vocais secundários. Assim ao lado de Elvis dentro do estúdio da RCA só atuaram mesmo James Burton, Chip Young, Charlie Hodge, Norbert Putnam, Jerry Carrigan, David Briggs e Charlie McCoy. Todo o restante foi gravado depois e acrescentado por Jarvis por overtube. Essa sonoridade mais crua e sem grandes enfeites sonoros é até mesmo preferida por alguns fãs de Elvis que acreditam que dessa forma sua participação fica ainda mais realçada ao invés de encoberta pelo excesso de orquestração das versões oficiais.

Elvis só retornaria aos estúdios novamente nesse ano em setembro. Curiosamente mesmo com grande material deixado por Elvis depois da Nashville Marathon a RCA pretendia realizar uma nova maratona de gravação. Infelizmente Elvis compareceu a apenas um dia dessa sessão arruinando completamente os planos da RCA. O motivo de sua ausência foi uma grave crise ocular que se abateu sobre ele após essa sessão inicial. De qualquer forma a grande quantidade de músicas deixadas por Elvis nas sessões de junho iriam suprir o mercado tranquilamente nos meses seguintes compondo as seleções dos discos That´s The Way It Is, Elvis Country e Love Letters From Elvis. O resultado foi tão bom que mesmo dois anos depois algumas faixas ainda seriam lançadas como Sylvia do disco Elvis Now. Nos anos que viriam Elvis ainda tentaria produzir sessões tão produtivas como essa mas problemas de saúde, pessoais e de agenda tornariam algo assim cada vez mais raro. De qualquer forma a maratona de Nashville provou a grande capacidade de trabalho que o astro tinha, quando presentes as condições ideais.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Girls, Girls, Girls

O filme em si é um dos muitos que Elvis rodou na década de 1960. Em termos amplos é um genérico de "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano) lançado um ano antes. Também filmado no Havaí, não havia nada de muito especial nele. Aliás a equipe técnica, diretor, roteirista, estúdio, tudo era o mesmo do filme anterior. Se cinematograficamente não havia qualquer novidade em termos musicais até que tínhamos algumas coisas interessantes. A sonoridade já não era mais tão "havaiana" como na trilha sonora anterior. De certa maneira havia até mesmo um estilo mais caribenho envolvido. Isso acabou sendo bem positivo pois deu um sabor especial e único às músicas do filme.

A música título do filme é um exemplo. Ela se diferencia de todas as outras faixas do disco, principalmente por ser uma ótima versão de Elvis para o sucesso dos Drifters. Além da boa melodia essa canção se notabiliza principalmente pelo solo do saxofonista Homer "Boots" Randolph, um músico fantástico, excepcionalmente talentoso. Poucas vezes em músicas de Elvis se abriu tamanho espaço para um solo como ouvimos aqui. Enfim, seguramente se trata de uma das melhores músicas temas de filmes de Elvis na primeira metade dos anos 60. A seguinte "I Don't Wanna Be Tied" também é muito agradável. Bom ritmo, excelente vocalização dos Jordanaires e o mais importante de tudo: seu embalo, acima de qualquer crítica. O final mais lembra um blues rasgado, o que ajuda ainda mais em seu aspecto geral.

Após abrir o álbum com duas músicas alegres e divertidas, bem para cima, temos uma quebra de ritmo com a romântica (e depressivamente melancólica) "Where Do You Come From?". É curioso. Por essa época Elvis sempre estava interpretando as músicas de amor com uma ternura que ele jamais voltaria a repetir na carreira, mas aqui adota um ritmo mais forte, quase incisivo (embora procure obviamente soar romântico acima de tudo). O estilo se repete com "I Don't Want To" que tem uma melodia bem mais bonita do que a que a precede. O grande destaque vem do acompanhamento vocal, quase épico, em um crescente apoteótico que norteia cada momento dessa boa música. Gosto de seu final. Quando tudo parecia explodir a música termina de forma diferente, suave e terna. Da que vem a seguir já não gosto tanto. "We'll Be Together" ficaria bem melhor encaixada na trilha sonora de "O Seresteiro de Acapulco". Seus versos em espanhol e seu estilo que lembra um bolero cubano não se encaixa muito bem no restante do disco.

"A Boy Like Me, a Girl Like You" é uma prova que Elvis estava se distanciando cada vez mais do bom e velho Rock ´n´ Roll. Essa canção ficaria confortável em qualquer disco com Doris Day, mas na voz de Elvis, após duas músicas românticas assumidas, soava como uma prova de que o cantor estava mesmo virando um galã romântico de Hollywood ao velho estilo. Apesar disso é uma boa balada, com um bom arranjo. O antigo vinil terminava seu Lado A justamente com essa canção infantil chamada "Earth Boy". No filme ela era usada quando Elvis contracenava com suas garotinhas orientais. Funcionava como momento gracinha no cinema, mas no disco nada tinha a acrescentar. Além disso era aquele tipo de canção que não existia fora da trilha sonora. Não havia nenhuma chance de uma música assim se destacar nas rádios, por exemplo.

Virando o vinil o ouvinte era presenteado logo de cara, no Lado B, com o grande sucesso do filme, "Return to Sender". Essa canção pop (não é um rock, por favor não confunda) tinha um refrão pegajoso que grudava na mente. Não me admira em nada que tenha feito sucesso. Sobre isso é bom esclarecer que embora tenha se destacado o número de cópias vendidas foi bem menor do que nos tempos de auge de Elvis nos anos 50. Isso mostrava que os filmes realmente mais atrapalhavam do que ajudavam na promoção das músicas gravadas por Elvis por essa época. Depois do hit vem a última boa canção da trilha sonora. "Because of Love" é cheia de clichês melódicos, mas sempre me agradou. Hilmer J. "Tiny" Timbrell que tocou a guitarra rítmica dessa trilha foi quase um herói anônimo dessas gravações. Muitas músicas se salvam justamente por causa de sua econômica, mas eficiente participação.

Infelizmente depois de "Because of Love" a trilha cai consideravelmente de qualidade. As demais canções são, em maior ou menor escala, meras bobagens sem muito valor artístico. "Thanks to the Rolling Sea" e "We're Coming in Loaded" são esquisitas, vendidas como músicas de pesca, seja lá o que isso venha a significar. "Song of the Shrimp" é um pouco melhor, pois tem uma melodia que lembra até mesmo a nossa Bossa Nova (mas claro, tudo em um nível bem superficial). Já "The Walls Have Ears" é terrível e ficou mais conhecida por causa de sua cena no filme do que por qualquer outra coisa. Um verdadeiro desperdício. O interessante é que Elvis teve que lidar com um pacotão de músicas em estúdio, um excesso de canções para gravar. Sem espaço o vinil original deixou de fora "Mama", "Plantation Rock" (que é até legalzinha) e "Dainty Little Moonbeams". Nenhuma delas fez grande falta, mas serviam para mostrar que nem sempre quantidade era sinônimo de qualidade.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Elvis Presley - Elvis Studios Highlights 1969

Logo em janeiro de 1969 Elvis iniciou as sessões que marcariam para sempre sua carreira. O local escolhido foi o American Studios, um pequeno estúdio de gravação localizado em Memphis. Seria a primeira vez que Elvis gravaria em sua cidade desde os tempos da Sun Records. Esse fato por si só já chamava a atenção dos que acompanhavam a carreira de Elvis desde o seu início, mas as novidades não paravam por aí. O grupo que acompanharia Elvis seria completamente renovado, composto por excelentes músicos contratados especialmente para atuar ao lado do cantor. Os antigos membros como Scotty Moore e DJ Fontana, além dos Jordanaires foram deixados de lado. A direção musical também mudaria de mãos, sendo comandada por Chips Moman e Felton Jarvis, que já tinha desenvolvido material interessante ao lado de Elvis anteriormente.

Qual afinal era a razão para tantas mudanças? Simples. A palavra de ordem era renovação - e urgente! Depois do sucesso alcançado por seu especial de TV no final de 1968 Elvis queria acima de tudo se renovar em estúdio, gravando material de qualidade para se tornar novamente um artista relevante. A própria escolha do American mostrava bem a intenção de Elvis. Tecnicamente o American passava longe de ser um local adequado, suas instalações não eram das melhores - alguns participantes relataram até mesmo ratos passeando pelo ambiente durante as gravações - mas no final nada disso importava. Elvis queria acima de tudo procurar a inspiração perdida há tantos anos e obviamente seria em Memphis que ele a reencontraria. Além disso o cantor não escondia que naquele momento queria certa distância dos estúdios de Nashville e da costa oeste. Nesses lugares Elvis foi obrigado a engolir algumas das músicas mais ridículas já compostas. O simples fato do American ser em Memphis já era um alívio para ele pois certamente a pressão vinda da direção da RCA seria bem menor.

A sessão no American também foi sua primeira "maratona" de gravação. Ao contrário do que ocorria antes Elvis agora entrava em estúdio para gravar uma grande quantidade de canções, sem nenhum tema específico as ligando entre si (como acontecia nas trilhas sonoras). O farto material depois seria selecionado e lançado pela direção da RCA em títulos diversos ao longo do ano. Esse sistema era muito interessante, pois dava uma grande liberdade de escolha de repertório ao artista, além de ser muito econômico pois as sessões realizadas de forma concentrada traziam menores custos. O sistema de "maratona" deu tão certo que seria fartamente utilizado por Elvis nos anos 70 e se tornaria padrão em sua carreira dai em diante.

Elvis por sua vez aproveitou muito bem esse sistema. Livre para escolher o que lhe agradava o cantor mostrou todo o seu ecletismo, passeando livremente por praticamente todos os gêneros musicais. Do Blues, passando pelo Country, indo de baladas sentimentais a temas mais incisivos, Elvis obteve sua retenção musical durante essas sessões. Sua empolgação era latente. Além disso logo se formou um clima ameno e amigável com o grupo que o acompanhava, tudo se traduzindo em excelentes canções gravadas. O resultado não tardou a aparecer. O primeiro single lançado trazendo músicas exclusivamente gravadas no American (com Suspicious Minds / You´ll Think Of Me) logo se tornou um enorme sucesso e deu a Elvis pela primeira vez em muitos anos a primeira posição entre os mais vendidos da parada Billboard! Isso sem esquecer os clássicos álbuns lançados nesse mesmo ano, todos também extremamente bem sucedidos nas paradas de sucesso.

De fato. Embora muitos creditem o renascimento da carreira de Elvis Presley ao sucesso do especial de TV realizado em 1968 a grande verdade é que esse só se tornou completo com as gravações realizadas em Memphis, no acanhado American. As sessões foram tão completas e satisfatórias que Elvis só entraria novamente em estúdio durante esse ano para gravar sua última trilha sonora, do filme Change of Habit. Depois disso Elvis nunca mais colocaria sua voz nesse tipo de projeto. Esse tipo de coisa era realmente algo para ser deixado para trás, era passado, algo que não cabia mais depois das ótimas músicas realizadas no American Studios. Depois de ouvir o resultado das sessões todos concordaram, tanto o público quanto a crítica, que finalmente Elvis havia reencontrado seu caminho. As portas para alguns dos anos mais inspirados da carreira do cantor estavam definitivamente abertas agora.

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de junho de 2016

Elvis Presley - Suspicious Minds

Foi justamente nesse álbum "Elvis in Person" que pela primeira vez surgiu na discografia de Elvis uma versão ao vivo do grande sucesso "Suspicious Minds". Essa música, gravada maravilhosamente bem nas sessões do American Studios em Memphis, foi um verdadeiro alívio para Elvis Presley. Fazia sete anos que ele não conseguia atingir o primeiro lugar na parada de singles da Billboard. Essa era considerada a mais importante dos Estados Unidos, um verdadeiro termômetro do sucesso de cada artista dentro da indústria fonográfica. Desde "Good Luck Charm" em 1962 Elvis não conseguia chegar lá, bem no topo. Era um reflexo de como Hollywood e suas trilhas sonoras tinham arruinado o lado musical de Elvis. Dentro da indústria da música ele já não tinha mais muito prestigio, justamente pelos vários fracassos comerciais que foi colecionando ao longo dos anos 60. Para quem havia surgido no mercado como um dos maiores vendedores de discos da história era uma situação constrangedora e até mesmo vergonhosa. Assim "Suspicious Minds" serviu para melhorar sua posição dentro do mercado fonográfico, ao mesmo tempo em que passava a relevante mensagem para todos de que, apesar de tudo, Elvis ainda estava vivo musicalmente e ainda podia surpreender.

O tema de "Suspicious Minds" é o ciúme. Basicamente é uma mensagem sobre um casal que vê seu relacionamento ruir por causa da desconfiança, das suspeitas. Quando foi lançada e começou a fazer sucesso nas paradas alguns críticos implicaram com suas primeiras linhas escritas, que soavam esquisitas. Ela dizia: "Nós caímos em uma armadilha. E não posso sair dela". A tal armadilha era justamente as mentes desconfiadas, que se suspeitavam mutuamente. Um tipo de relacionamento que ia aos poucos se tornando doentio. Certamente muitos casais se identificaram, inclusive o próprio Elvis. Há tempos ele vinha ouvindo rumores de que sua esposa Priscilla estava tendo um caso extraconjugal. O problema é que o próprio Elvis era um marido infiel e resolveu não ir atrás das fofocas sobre sua mulher (e que iriam se revelar em um futuro próximo como bem verdadeiras). Assim acabou-se criando mais uma irônica coincidência entre uma letra de uma canção e a vida pessoal de Elvis, algo que ele iria propositalmente procurar nas gravações futuras de seus discos. Um reflexo de seus sentimentos em meras notas musicais.

Suspicious Minds (Mark James) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 26 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.