quarta-feira, 25 de maio de 2016

Elvis Presley - Blue Suede Shoes

A versão de "Blue Suede Shoes" desse álbum foi a terceira a ser lançada na discografia oficial de Elvis. Recordando: a primeira vez que esse clássico rock surgiu na voz de Elvis foi em seu primeiro LP na RCA Victor, logo após ele assinar com a gravadora, em 1956, o grande ano de sua fase como roqueiro. Ela abria o lado A do disco e havia sido gravada nas primeiras sessões do cantor na nova empresa. Essa gravação é considerada uma das melhores já realizadas pelo então chamado Rei do Rock. Quatro anos depois Elvis gravou "Blue Suede Shoes" novamente, dessa vez para a trilha sonora do filme "Saudades de um Pracinha" (GI Blues, 1960). Eu sempre gostei muito dessa segunda versão principalmente pelo fato de ser extremamente bem gravada, com ótimo arranjo. Não tem o mesmo feeling roqueiro da primeira versão, mas supera essa em termos de performance e execução. Não resta dúvida que foi muito bem trabalhada em estúdio. Por isso a considero um verdadeiro primor de Elvis durante os anos 60. Embora "Blue Suede Shoes" seja uma criação de outro astro da Sun Records, o grande Carl Perkins, ela sempre foi muito associada a Elvis e por essa razão era de se esperar que mais cedo ou mais tarde voltasse à sua discografia oficial.

E foi o que de fato aconteceu. Em 1969 ela ressurgiu aqui, dessa vez gravada nos palcos de Las Vegas. Devo dizer que é uma excelente gravação, com Elvis e sua TCB Band extremamente empenhados em dar o melhor de si. Há uma introdução musical que fazia parte dos primeiros concertos de Elvis em Vegas, pois na época ele ainda não usava a conhecida "Also Sprach Zarathustra", composição clássica de Richard Strauss. Pois bem, essa abertura que ouvimos nesse álbum foi gravada justamente no concerto do dia 25 de agosto, quando a RCA montou seu equipamento de gravação no showroom do International Hotel justamente para aproveitá-la naquele que seria o primeiro disco ao vivo de Elvis em Las Vegas. Infelizmente temos que reconhecer também que logo Elvis perderia o interesse por "Blue Suede Shoes" nos shows que viriam. Seria notório que a execução desse clássico iria se tornar, com o passar dos anos, mais displicente e negligente por parte de Elvis. Não raro ele a cantava em medíocres versões com menos de um minuto de duração! O que teria acontecido? Penso que o repertório de Elvis ficou tão sofisticado e pessoal a partir de determinado momento de sua carreira ao vivo que "Blue Suede Shoes" acabou ficando ofuscada, diria até mesmo obsoleta. Quando Elvis a gravou pela primeira vez ele era apenas um jovem de vinte e poucos anos. O tempo passou e o velho rock foi perdendo o sentido para o cantor. Algo normal de acontecer. Na maioria das vezes só servia mesmo como um lembrete de que aquele cantor que estava no palco na frente de seu público havia sido um dos nomes mais importantes da história do rock e seu surgimento. Nada muito além disso.

Blue Suede Shoes (Carl Perkins) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 25 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

sábado, 21 de maio de 2016

Elvis Presley - Sweet Caroline

Um dos pontos altos da temporada de fevereiro de 1970 foi essa versão de Elvis para o sucesso de Neil Diamond, "Sweet Caroline". Essa era uma música bem recente nas rádios pois ela havia sido lançada como single (com "Dig In" no lado B) poucos meses antes. Elvis, como todos sabemos, era fã incondicional da música de Diamond, a tal ponto que ao longo de sua carreira gravou várias canções desse artista. Para sua apresentação no palco em Las Vegas acabou criando uma coreografia própria que ficou excelente. O grande diferencial da versão de Elvis para a original de Diamond vem dos arranjos. A música na voz de Neil Diamond soava mais pueril, com uma sonoridade bem hippie. Com Elvis ela ficou mais marcante, fruto dos metais da orquestra. A singeleza do resto, principalmente em relação à letra, manteve-se.

Outro detalhe técnico chama a atenção. Alguns autores afirmam que "Sweet Caroline" foi sugerida a Elvis ainda quando ele estava produzindo nas sessões do American Studios em Memphis, no ano anterior. Isso provém do fato de que a versão de Diamond foi produzida por Chips Moman (que também produziu aquelas sessões com Elvis) e Tommy Cogbill (que também tocou com Elvis naquela ocasião). Apesar de ter sido oferecida a Elvis e tudo mais o cantor não a gravou em estúdio. As razões de sua recusa seguem desconhecidas. Talvez a grande qualidade das outras canções tenha ofuscado "Sweet Caroline", quem sabe... Foi um erro de Elvis porque ele teria gravado a versão antes de seu autor e teria feito bastante sucesso nas paradas se a tivesse lançado como single, ainda em 1969. Depois disso o próprio Elvis foi surpreendido pela versão original de Neil Diamond que lançada como compacto pelo selo MCA fez bonito nas paradas, ganhando um disco de platina por suas vendas. Todo esse sucesso poderia ter sido de Elvis caso ela não a tivesse descartado no American. Tentando contornar a bobagem que havia feito Elvis resolveu levá-la para os palcos em Vegas, confirmando o velho ditado que diz "Antes tarde do que nunca".

Sweet Caroline (Neil Diamond) / Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  16 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Elvis Presley - Johnny B. Goode

Outra canção a surgir pela primeira vez na discografia oficial de Elvis nesse álbum foi "Johnny B. Goode", o clássico rock de Chuck Berry. A música foi originalmente lançada em 1958 na gravadora Chess de Chicago. Durante anos a RCA Victor sugeriu a Elvis que gravasse sua versão em estúdio já que esse sempre foi considerado um dos mais celebrados rocks da história, mas Elvis sempre declinava do convite. Para muitos o fato de Elvis nunca ter gravado a música em estúdio nos anos 60 se deveu ao fato dela ser uma verdadeira marca registrada de Chuck Berry, extremamente conhecida e identificada com esse artista. Faz sentido. Se formos analisar bem a carreira de Elvis perceberemos que, com algumas exceções, o cantor preferia gravar canções menos conhecidas, que não fosse hits absolutos de outros cantores. Para isso basta olhar bem o exemplo de Chuck Berry. Ao invés de gravar "Johnny B. Goode" em estúdio Elvis preferiu fazer versões de músicas menos conhecidas dele, como por exemplo, "Memphis Tennessee". Por isso, embora seja um marco da primeira geração de roqueiros americanos, Elvis nunca a tenha gravado oficialmente em estúdio.

Já uma versão ao vivo era outra história. Em concertos Elvis se sentia mais livre e solto de amarras. A versão que ouvimos aqui, gravada na primeira temporada em Las Vegas, tem todo o vigor e energia necessários para transformá-la naquela que talvez seja a melhor performance de Elvis da canção. É verdade que outras versões seriam lançadas em discos oficiais, com destaque para a do álbum duplo "Aloha From Hawaii", mas aquela, embora fosse boa, já não tinha mais o pique de antes. Aqui no "In Person" havia aquela vontade de dar certo, de se apresentar bem, isso depois de anos afastado dos palcos. Elvis nessa primeira temporada queria provar a todos que ainda era um grande artista de palco, acima de tudo. Esse foi o diferencial. O destaque em termos de banda, não poderia ser dado a outro músico, pois quem realmente arrasa nessa execução é o guitarrista James Burton. Vindo do grupo de Ricky Nelson, Burton acabou virando um dos principais elementos da TCB Band. Sua atuação aqui foi certamente irrepreensível.

Johnny B. Goode (Chuck Berry) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 24 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

domingo, 15 de maio de 2016

Elvis Presley - My Babe

A Chess foi uma gravadora muito importante na história da música americana. Ela foi fundada por dois irmãos (Phil e Leonard) que tinham o objetivo de explorar o rico cenário musical negro na Chicago dos anos 1950. A ideia deu extremamente certa e em pouco tempo a Chess estava colecionando sucessos nacionais. Assim como a Sun Records, o segredo vinha da revelação de novos valores, músicos talentosos, mas desconhecidos, que tinham sua primeira oportunidade no selo. Willie Dixon foi um desses cantores e compositores negros que tiveram sua grande oportunidade na Chess. De origem humilde ele ganhava a vida tocando blues em bares e pequenos festivais do sul, onde nasceu. Mais tarde se mudou para Chicago em busca de trabalho. Acabou caindo nas graças dos irmãos Chess e conseguiu finalmente gravar seus primeiros singles. "My Babe" foi lançada como compacto em 1955. Ele apenas adaptou a canção "This Train (Is Bound For Glory)" da cantora gospel Rosetta Tharpe, mudando sua letra original, retirando seu teor religioso, a transformando num típico R&B que a cada dia ia ficando mais popular. Essa ideia seria também aproveitada por Ray Charles na criação de seu hit "I Got a Woman". No lado B Dixon encaixou a instrumental "Thunderbird". O single fez sucesso e chegou a se destacar na parada nacional de blues da Billboard.

Elvis, que sempre foi um admirador da música negra americana, logo pensou em "My Babe" para seus shows em Las Vegas. Ela seria apresentada numa versão mais rocker, sem seguir fielmente os arranjos originais. Vinte anos tinham se passado e não havia como resgatar aquela sonoridade clássica mais ao estilo blues. "My Babe" acabou se tornando um dos pontos altos da primeira temporada de Elvis no International Hotel, mas curiosamente não teve vida longa nos palcos. Embora bastante agitada, com refrão pegajoso, ela também se tornava um pouco cansativa para Elvis e banda por causa das repetições de sua letra e melodia. Elvis jamais a gravou em estúdio, nunca tendo sido reaproveitada dentro de sua discografia oficial. Da maneira como foi executada por Elvis e a TCB Band ela realmente só tinha vocação para os concertos ao vivo. Uma canção para levantar o público, nada muito além disso. A letra é básica, se formos extrair mesmo sua essência e conteúdo teremos apenas uma ou duas linhas relevantes. O que vale é a repetição do refrão e a melodia de blues, tudo de acordo com o gênero. O embalo é certamente sua maior qualidade.

My Babe (Willie Dixon) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação:  25 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Elvis Presley - Release Me

Música: Release Me
Compositores: Eddie Miller, James Pebworth, Robert Yount
Álbum: On Stage - February 1970
Data de Gravação: 18 de fevereiro de 1970
Local de Gravação: Las Vegas, Nevada
Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley
Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Comentários:
Sempre gostei muito dessa regravação de Elvis de um velho sucesso da década de 1940, gravada originalmente por Ray Price. Ele foi um artista muito popular durante a adolescência de Presley em Memphis, sempre tocando nas emissoras de rádio da cidade. "For the Good Times", outro de seus sucessos radiofônicos, seria gravada também por Elvis em pouco tempo (sendo lançada no álbum "Good Times" de 1974). Assim Elvis resolveu dar uma nova roupagem a esse velho hit country, usando de certa maneira como base a versão posterior de Engelbert Humperdinck, que chegou, imagine você, a disputar com um single dos Beatles (Penny Lane / Strawberry Fields Forever), a primeira posição nas paradas de sucesso da Inglaterra! Assim você já pode perceber que "Release Me" já era muito conhecida quando Elvis a interpretou em Las Vegas em sua segunda temporada. Como o cantor queria trazer mais material renovador para seu repertório a canção acabou se enquadrando muito bem no que ele tencionava fazer nos palcos da cidade.

Em termos de melodia e letra "Release Me" é bem simples, fruto da época em que foi composta, no período da II Guerra Mundial. Aqueles soldados americanos que estavam lutando na Europa só queriam ouvir uma boa música country para relembrarem suas namoradas que ficaram nos Estados Unidos. Por essa razão a mensagem era simples e fácil de entender. Nada muito intelectualmente sofisticado. Como se sabe muitos desses militares na Europa ou no Pacífico encontraram novos amores nas cidades por onde passavam, assim a letra trazia essa mensagem ao mesmo tempo nostálgica de um amor do passado e libertária em relação a novos relacionamentos. Em termos de carreira de Elvis eu costumo qualificar canções como essa como "músicas de palco". Elvis nunca a gravou oficialmente em estúdio e ela só foi lançada na discografia oficial justamente nessa versão ao vivo. A interpretação do cantor foi excelente nessa noite e de todas as performances de Elvis cantando "Release Me" ao longo de sua carreira essa é a certamente a melhor. Curiosamente Elvis também a descartaria rapidamente do repertório dos concertos, sem muita explicação. Assim ao longo dos anos ela seria sutilmente esquecida por Elvis e sua banda. Uma pena.

Pablo Aluísio.

sábado, 7 de maio de 2016

Elvis Presley - I Can't Stop Loving You

Música: I Can't Stop Loving You
Compositor: Don Gibson
Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada
Data de Gravação:  25 de agosto de 1969
Local de Gravação: Las Vegas, Nevada
Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley
Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Comentários:
O álbum "Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada" foi um desdobramento do disco duplo "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis" e trazia apenas as canções gravadas ao vivo por Elvis em Las Vegas na sua primeira temporada na cidade (realizada em agosto de 1969). Como era de se esperar em um concerto ao vivo Elvis interpretou vários sucessos de sua carreira. O LP aliás abria com uma seleção deles, "Blue Suede Shoes", "All Shook Up", "Are You Lonesome Tonight?" e "Hound Dog". Não vou escrever sobre essas músicas porque já falei sobre elas antes. Vamos nos ater apenas naquelas que surgiam pela primeira vez na discografia oficial de Elvis. Assim a primeira inédita desse disco era o country "I Can't Stop Loving You" de Don Gibson. Essa é uma velha música lançada pela primeira vez em 1957 pelo próprio autor na RCA Victor. Desde que a ouviu pela primeira vez Elvis a adorou, chegando inclusive a cogitar gravá-la ainda naquele ano. Só desistiu por causa do produtor Steve Sholes que o aconselhou a não misturar seu trabalho na época (em sua fase mais roqueira) com o sucesso de outro artista country. Realmente naquela fase não havia espaço para essa música na discografia de Elvis.

Já em Las Vegas, 1969, o contexto era outro. Elvis selecionou um repertório que fosse ao mesmo tempo um revival de seus anos de glória - que aconteceram justamente na década de 1950 - com uma nova seleção musical que também fosse de seu gosto pessoal, que lhe agradasse. A despeito disso nunca considerei "I Can't Stop Loving You" uma grande canção. Ela tem todas as matrizes que fazem parte do universo country mais comercial de Nashville - entre eles os arranjos excessivos e a letra piegas e sem novidades. Muito provavelmente Elvis e o Coronel Parker já estivessem de olho nas turnês que realizariam em cidades do sul dos Estados Unidos e a incluíram na lista dos shows, já que ela era considerada naqueles tempos uma das grandes representantes do som rural do Tennessee, um verdadeiro standard. Curiosamente Elvis nunca a gravou em estúdio oficialmente. Em termos de discografia oficial a canção retornaria mais uma vez no LP "Welcome to My World" de 1977. Essa foi uma coletânea com claro sabor country, repleta desse tipo de estilo musical. A capa era excelente, mas o conteúdo era formado apenas por reprises. Em suma, não vejo "I Can't Stop Loving You" como um grande momento musical na carreira de Elvis, embora seja inegável que o cantor a apreciava, sempre a interpretando em inúmeras turnês e concertos realizados nos anos 70. Só indicada mais firmemente para quem aprecia especialmente o lado mais country de sua carreira.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Elvis Presley - C.C. Rider

Música: C.C. Rider
Compositor: Desconhecido
Álbum: On Stage - February 1970
Data de Gravação: 18 de Fevereiro de 1970
Local de Gravação: Las Vegas, Nevada
Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley
Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Comentários:
"On Stage - February 1970" foi o primeiro álbum gravado ao vivo por Elvis Presley a ser lançado na década de 70. De certa forma foi o pioneiro numa série de discos de grande sucesso de público e crítica. Saiam de cena as trilhas sonoras de filmes e entravam os discos gravados nas temporadas de Elvis em Vegas e nas suas turnês pelos Estados Unidos. A ideia desse primeiro disco foi bem interessante. Ao invés de lançar um LP aos moldes do anterior (Elvis in Person), trazendo um show na íntegra, com vários sucessos de Elvis gravados ao vivo, os produtores resolveram fazer uma seleção apenas com músicas inéditas dentro da discografia de Elvis. Assim iria satisfazer tanto o fã que estivesse em busca de um disco gravado no palco por Elvis como aquele que estivesse em busca de novidades, de material inédito do cantor.

A faixa que abriu o disco foi justamente essa C.C. Rider que ao longo do tempo iria tradicionalmente abrir os concertos de Elvis nos anos 70. A origem da canção é desconhecida. Já na década de 1910 ela já era bem tocada por cantores de blues em bares no sul. Quem a criou? Provavelmente um desses artistas cujo nome se perdeu no tempo... Apenas em 1924 seria gravada pela primeira vez por Gertrude "Ma" Rainey ainda nos tempos dos acetatos de cera dos gramofones. Como era uma canção tradicional nunca desapareceu, sempre tocada em eventos pelos estados sulistas. Aqui Elvis a revitalizou, dando um arranjo mais moderno, mais rock ´n´ roll. Curiosamente se você tiver a oportunidade de encontrar uma cópia original do LP americano verá que a canção foi creditada no selo do disco ao próprio Elvis Presley. Na verdade Elvis não a compôs, mas sim ajudou nos arranjos. Esse fato acabou justificando a retificação nas reedições posteriores do disco quando então foi creditado da forma correta com a expressão "Arr: Elvis Presley". Essa primeira versão que ouvimos aqui é excelente, mais acústica do que as demais. Além disso soava como novidade, algo que não iria se repetir com a exaustão de execuções repetidas dos anos seguintes quando ela finalmente ficaria saturada.

Pablo Aluísio.

sábado, 30 de abril de 2016

Elvis Presley - Without Love

Música: Without Love (There is Nothing)
Compositor: Danny Small
Álbum: Back in Memphis / From Memphis to Vegas – From Vegas to Memphis
Data de Gravação: 22 de janeiro de 1969
Local de Gravação: American Sound Studios, Memphis, Tennessee
Produtor: Chips Moman, Felton Jarvis
Músicos: Elvis Presley (vocais) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Bobby Emons (orgão) / John Hughey (Steel Guitar).

Comentários:
Essa é uma velha canção dos anos 50. Ela foi gravada inicialmente por Clyde McPhatter, um cantor negro de R&B e soul em 1957. O single se destacou nas paradas conseguindo uma ótima nona posição entre os mais vendidos na lista Billboard Hot 100, a mais importante da indústria americana. Anos depois o guitarrista Scotty Moore afirmaria que essa música vinha sendo ensaiada por Elvis desde os tempos da Sun Records. Ele tentava gravar, mas por uma razão ou outra isso nunca acontecia. Moore provavelmente se enganou, pois o single original dela só foi lançada em 1957, quando Elvis já estava na RCA Victor. Por essa razão ele nunca chegou a ensaiá-la nos tempos da Sun Records simplesmente porque ela ainda não existia naquela época. É certo que o guitarrista confundiu datas, gravadoras e sessões de gravação, algo esperado de uma pessoa de sua idade. De qualquer forma o mais importante nessa informação é o fato de que Elvis vinha planejando gravá-la há muito tempo, algo que ele conseguiu concretizar no American Studios.

Essa canção foi a escolhida para fechar o disco. É uma faixa triste, com acompanhamento melancólico. Sua introdução conta apenas com um dueto entre a voz de Elvis e piano. Depois sutilmente entra o coro vocal feminino, tudo culminando em uma explosão de sentimentos no refrão que é claro em sua mensagem: "Sem Amor (Não existe Nada)". O curioso é que sem saber disso Elvis a gravou em um momento em que dois outros grandes astros a registravam também em estúdio, com suas respectivas versões. A primeira a sair foi a de Ray Charles. Três meses depois outro single com a mesma música chegava nas lojas, dessa vez na voz de Tom Jones. Com isso as chances comerciais da versão de Elvis ficaram nulas. Certamente uma terceira versão em poucos meses não chamaria mais a atenção do público. A RCA prevendo isso a colocou discretamente fechando ambos os álbuns ( Back in Memphis e From Memphis to Vegas – From Vegas to Memphis). Foi uma boa escolha pois o clima da melodia se adequava perfeitamente com a proposta dos discos em questão.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Elvis - 10 Anos de Saudades

Esse foi um álbum lançado em 1987 para lembrar os dez anos da morte de Elvis Presley no Brasil. Editado pela Som Livre o disco até que se tornou bem popular, ficando anos em catálogo nas lojas de discos pelo país afora (lembram delas?). Na época de seu lançamento original não despertou minha atenção porque já na década de 80 eu procurava colecionar discos raros de Elvis, assim um disco como esse, uma mera coletãnea, sem novidades, não iria despertar realmente meu interesse. O fato de ser da Som Livre porém trouxe publicidade extra a Elvis pois a Rede Globo passou a vincular a propaganda do disco em seus intervalos comerciais.

Isso porém não significava que o disco em si era sem importância, pelo contrário. Lançamentos como esse serviam para apresentar as músicas de Elvis para uma nova geração de fãs que naqueles tempos distantes o conheciam basicamente pelas inúmeras reprises de seus filmes na Sessão da Tarde. O repertório, como era de se imaginar, investia apenas nos grande sucessos. Agora era curioso a inclusão de faixas como "Sweet Caroline", que nunca tinham se tornado grande sucesso no Brasil. Onde foram parar as mais conhecidas "Kiss Me Quick" e "Sylvia"? Ao invés disso a seleção inovava ao trazer entre os hits a doce "Can´t Help Falling in Love" de Feitiço Havaiano, que apesar de ser extremamente famosa nos Estados Unidos e Europa, não o era tanto assim no Brasil. E "I Got a Woman", o que estaria fazendo nessa lista? Outra que era praticamente desconhecida do povão. Enfim, valeu pelas intenções e pelo resultado. Não é um álbum para se ter hoje em dia em sua coleção a não ser como mera curiosidade histórica. Afinal eram os 10 anos sem Elvis.

Elvis - 10 Anos de Saudades (1987)
Blue Suede Shoes
Love Me Tender
Don´t Be Cruel
Can´t Help Falling in Love With You
I Got a Woman
Sweet Caroline
All Shook Up
Are You Lonesome Tonight?
Jailhouse Rock
Bridge Over Troubled Water
Tutti Frutti
It´s Now Or Never
Suspicious Minds
Heartbreak Hotel.

Pablo Aluísio.

domingo, 24 de abril de 2016

Elvis Presley - You'll Think of Me

Música: You'll Think of Me
Compositor: Mort Shuman
Álbum: Back in Memphis / From Memphis to Vegas – From Vegas to Memphis
Data de Gravação: 14 de janeiro de 1969
Local de Gravação: American Sound Studios, Memphis, Tennessee
Produtor: Chips Moman, Felton Jarvis
Músicos: Elvis Presley (vocais) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Bobby Emons (orgão).

Comentários:
Essa canção ficou notabilizada dentro da discografia de Elvis por ter sido o lado B do single de grande sucesso comercial "Suspicious Minds". Por isso acabou pegando carona com o hit principal do compacto e acabou se tornando relativamente bem conhecida. Outro fato que chama a atenção é que ela foi composta por Mort Shuman. Ao lado de Doc Pomus ele escreveu dezenas de músicas para Elvis na década de 60. Ele era um talentoso pianista e conseguia sempre escrever temas que caíam no gosto popular. O sucesso que abriu as portas para sua carreira foi a linda "Save The Last Dance For Me", gravada pelo grupo The Drifters, que logo se tornou um imenso hit, chegando ao topo da Billboard. A partir daí vários cantores encomendaram músicas à dupla. Para Elvis, Shuman escreveu entre outras o tema principal do filme "Viva Las Vegas", além de "Little Sister" e "(Marie's the Name) His Latest Flame" que acabaram se transformando em singles premiados com discos de ouro. Essa gravação assim acabou se tornando uma despedida de Shuman da discografia de Elvis, sem parceria dessa vez com Pomus. Um trabalho solo.

A letra da música fala em despedida. Na primeira pessoa o autor se despede do grande amor de sua vida. Há um ressentimento em suas palavras, como se ela tivesse feito algo que o magoou. Isso porém fica sempre subentendido, nada é dito de forma muito clara. Para o autor aquela que ficará para trás vai se arrepender do fim desse amor. Isso fica bem claro logo na primeira estrofe: "Desculpa, garota, mas vou te deixar / Há algo profundo em minha alma que me chama / O vento do inverno, garota, não vai te enganar / E na sua cama vazia e fria, você vai pensar em mim...". O curioso é que nos versos o autor também deixa claro que é um caso perdido, que nunca se ligará fortemente com ninguém por ter "um coração perturbado" e uma alma livre. Ecos de um romance que nunca daria realmente certo. O arranjo ficou bem bonito. Há um verdadeiro "diálogo" entre guitarra e baixo ao fundo que funcionou muito bem. Some-se a isso o belo acompanhamento vocal feminino (que era uma novidade nas gravações de Elvis na época) e você terá uma bela faixa, com boa letra e performance bonita de Elvis e seus músicos.

You'll Think of Me
(Mort Shuman)

I'm sorry now girl, but I must leave you
There's something deep inside my soul keeps calling me
The winter wind girl, will not deceive you
And in your cold and empty bed, you'll think of me, oh yes
You'll think of me

You'll see me coming, you'll see me going
Don't ask me why, I'm just the kind needs to be free
Just like that outlaw wind keeps on a-blowin'
Yeah, in your cold and empty bed, you'll think of me, oh yes
You'll think of me

Now I know you loved me just like I wanted
I know you'd follow me across an endless sea
But baby I've got a heart that's haunted
Yeah, in your cold and empty bed, you'll think of me, oh yes
You'll think of me

Ah but you should know girl that I'll be crying
Out on that lonely road where not a soul can see
I'll shed my tears for a love that's dying
Yeah, in your cold and empty bed, you'll think of me, oh yes
You'll think of me

The summer sun girl will bring a stranger
And he'll be better to you than I used to be
And when he takes you into his arms girl
Well, in your warm and loving bed, you won't think of me, no, no
You won't think of me

Then in your warm and loving bed, you won't think of me, no, no

Pablo Aluísio.