quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 25

Era muito melhor para Elvis assim. Ele se sentia totalmente aliviado quando estava sob efeitos de drogas. Ele certamente sabia que estava se auto destruindo com tantas drogas consumidas de uma só vez, mas não se importava com isso! O que era importante mesmo era aliviar a extrema agonia do ser. Era melhor "estar inconsciente do que desgraçado" como ele próprio já dissera antes. Essa auto destruição de Elvis até poderia ser tolerada se apenas ele estivesse em perigo nessa jornada insana em que havia entrado. Mas outras pessoas também ficavam em risco na sua presença. Red West afirmou que, após testemunhar um tiro quase fatal que Elvis deu na parede que separava a sala onde estava e o banheiro em que Linda se encontrava (a bala atravessou a parede e quase acertou a cabeça de Linda!), ele determinou a todos os membros da máfia de Memphis que sempre checassem a primeira câmara de balas das armas de Elvis. Sempre deveriam estar vazias pois caso contrário Elvis, sob efeitos de drogas, poderia atirar em alguém por acidente. Sem bala na agulha, os caras da Máfia de Memphis tinham um certo lapso de tempo necessário para reagir no sentido de desarmá-lo e evitar assim acidentes fatais.

Com a palavra Red West: "Se não tivéssemos tomado essa atitude, Elvis poderia ter matado algumas pessoas durante sua vida. Uma arma na mão de uma pessoa já é perigosa, imagine na mão de uma pessoa drogada! Quando Elvis começou a explodir suas TVs com tiros todos riram no começo, mas logo a brincadeira perdeu a graça quando tínhamos que nos abaixar quando ele saía atirando para todos os lados, contra abajures, interruptores de luz, lustres, era uma insanidade, uma completa falta de responsabilidade por parte dele, imagine a situação, um tiro desses a esmo poderia matar facilmente uma pessoa por acidente. Era uma insanidade, não havia graça nenhuma nessas situações!" David Stanley relembra: "Não sei porque Elvis agia assim de forma tão tola e infantil! Uma vez ele procurou por seu revólver e não o encontrando pegou um cinzeiro, daqueles enormes de metal pesado, muito pesado, e o jogou na tela da TV, espatifando tudo! Eu fiquei chocado e olhei em sua direção. Ele tinha aquele olhar típico de uma pessoa totalmente entorpecida, olhos semifechados, desfocados, quase apagando sozinho. De repente quando o olhei novamente levei um susto, ele simplesmente tinha apagado por causa das drogas! No dia seguinte eu lhe disse: "Elvis, ontem você jogou um cinzeiro na TV! O que aconteceu?!" Elvis olhou para mim com o olhar vidrado e respondeu: "Do que diabos você está falando David?!" Ele nem tinha mais consciência do que fazia ou deixava de fazer!".

O Coronel então resolveu enfrentar Elvis nessa situação toda. Depois de mais um show ruim o Coronel resolveu confrontar o cantor de uma vez, subiu e foi falar com ele em seu quarto. Tom Parker mandou esvaziar a suíte do artista e decidiu que era hora de ter uma conversa franca com Elvis. Deixou claro para o chapado astro que ele tinha que “endireitar sua vida ou então toda sua carreira iria por água abaixo”! A palavra “drogas” não foi mencionada, o Coronel apenas sugeriu e não afirmou ou partiu para um confronto totalmente direto, pois caso fizesse isso poderia sobrar para ele no final das contas. Apenas disse uma verdade sabida por todos, pelos caras da Máfia, pelos membros da banda, por seus familiares, por todo mundo. Não havia mais como continuar daquele jeito! Elvis não mostrou reação, ele estava letárgico demais para reagir. Não se sabe se por estar em um estado depressivo ou entorpecido, o fato é que Elvis mal ouviu o que o Coronel tinha a lhe dizer naquele momento. Ele já vinha muito deprimido por algumas coisas que lhe foram ditas da vida íntima de Priscilla e de seu amante Mike Stone e agora sua depressão o impedia até mesmo de raciocinar com equilíbrio.

Dias atrás uma empregada de Priscilla, que namorava um dos caras da Máfia de Memphis, contou a ele que Priscilla colocava Lisa para dormir aos pés de sua cama com Mike. Quando Elvis soube desse fato ele implodiu! Em um primeiro momento ele não quis matar ninguém nem nada, ele simplesmente afundou, implodiu... sabe quando sofremos um duro golpe, tão grande que nem conseguimos mais mostrar forças ou sair para a luta? Quando pensamos que até a esperança está morta e enterrada... foi isso. Elvis se encolheu e teria caído em prantos se não estivesse na frente de sua entourage. Ouviu tudo atentamente e quando seu interlocutor terminou, Elvis simplesmente se levantou e rumou em direção ao seu quarto, silenciosamente. Como tudo foi lhe contado na frente de seus capangas, Elvis sentiu-se completamente humilhado, rebaixado e em um misto de vergonha e sentimento de inferioridade retirou-se. Ele nem soube direito como reagir na verdade. Sentiu-se o mais miserável dos mortais. Sua filha dormindo aos pés da cama do leito de traição de sua ex-esposa e seu amante maldito fez Elvis mergulhar em uma depressão profunda. Era nisso que a vida pessoal do outrora glorioso Rei do Rock havia se transformado?

Erick Steve.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Priscilla Presley afirma que Elvis ainda é a sua grande paixão!

Em recente entrevista a um jornal alemão a modelo e atriz Priscilla Presley confirmou que Elvis ainda é a grande paixão de sua vida e que mesmo após tantos anos ainda vive sob à sombra do seu ex-marido. Aos 67 anos ela ainda afirmou que nunca conseguiu ter um longo relacionamento com outros homens após sua separação de Elvis. Para ela nunca mais houve um homem como Elvis em sua vida sentimental. A relação entre os dois foi marcada por altos e baixos, mas no final não há como negar que Elvis foi de fato o amor de sua vida. Cada novo namorado em sua vida acabou sendo comparado com Elvis, sendo medido pela personalidade de seu primeiro amor e isso em sua opinião a prejudicou em sua vida amorosa.

"Claro que amei outros homens após me separar de Elvis, porém sempre acabava comparando eles com Elvis em algum aspecto. Talvez por isso não consegui ter relacionamentos verdadeiramente duradouros em minha vida. Essa comparação era esmagadora para a maioria dos homens que viveram ao meu lado e muitos deles simplesmente foram embora. Além disso tem o peso e a pressão que a imprensa sempre exerce sobre cada um deles." Segundo Priscilla esse fator também pode ter prejudicado a vida amorosa de sua filha Lisa Marie, também conhecida por romances fugazes e inconstantes. "Acredito que nunca encontrarei um homem que ame tanto quanto amei Elvis. Pelo que sei Elvis foi meu primeiro amor e também será o último".
E.S.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

FTD Moody Blue

"Moody Blue" como todos os fãs de Elvis sabem, foi o último disco lançado em vida por Elvis Presley. Algumas cópias chegaram ao mercado em bonito vinil azul, para celebrar a longa carreira de sucesso de Elvis na RCA Victor - em caso raro de superstar que nunca deixou seu selo desde os primeiros anos de êxito comercial internacional. De modo em geral gosto bastante do disco original, mesmo sendo em parte no estilo mosaico. De uma forma ou outra o álbum conseguiu alcançar uma personalidade própria, unindo faixas da sessões realizadas nas salas das selvas em Graceland com pontuais gravações captadas ao vivo em shows de Elvis pelos Estados Unidos afora. Na época do vinil havia uma certa limitação no número de músicas que podiam ser inseridas em um álbum. O normal geralmente era ter entre 10 a 12 canções divididas em dois lados. Quando "Moody Blue" chegou ao mercado a RCA escolheu 10 canções, o que tinha se tornado praxe na discografia de Elvis nos anos 1970, pelo menos em seus discos de estúdio. O fato é que nos últimos anos de sua vida Elvis foi ficando cada vez mais arredio em gravar em longas sessões, como aconteceu em 1969 ou 1970. A idade e os anos cobraram seu preço. Dito isso vamos tecer alguns breves comentários sobre cada canção e sua presença nesse título.

Unchained Melody - Elvis não a gravou em estúdio. Era aquele tipo de música que ele ensaiou especialmente para os shows ao vivo, onde tinha oportunidade maior de soltar o vozeirão e tirar algumas notas ao piano. É sem dúvida uma das mais marcantes do álbum, mas curiosamente o CD não a aproveita como deveria. São apenas duas versões, a oficial, com a maquiagem sonora que o produtor Felton Jarvis lhe deu e uma versão crua, denominada undubbed que já havia sido lançada antes no CD "Spring Tours '77". Deveria ter sido mais bem aproveitada, sem dúvida.

If You Love Me - Bom country que chegou a tocar razoavelmente bem nas rádios americanas da época. Novamente o ouvinte só terá versão oficial e a crua (undubbed). Bem decepcionante para falar a verdade, afinal de contas outras versões ao vivo poderiam ter sido encaixadas.

Little Darlin' - Igualmente pouco aproveitada. O selo FTD apenas disponibiliza a versão oficial que foi enriquecida com metais e demais instrumentos providenciados por Felton Jarvis e a versão crua, tal como foi gravada e depois usada pela RCA no disco original. Uma pena pois "Little Darlin'" tem versões bem melhores na discografia não oficial de Elvis que circulam por aí há anos e anos. Pelo visto os produtores do selo FTD colocaram na cabeça que só iriam aproveitar as versões que fizeram parte do disco original.

He'll Have To Go - Baladona triste e depressiva que nunca conseguiu se destacar muito. Para muitos sua melancolia e tristeza a impediram de ser melhor apreciada. Além da versão original o CD traz a chamada rough mix que já tinha saído antes no Jungle Room Session. E isso, infelizmente, é tudo.

Let Me Be There - A versão do disco original foi pincelada do álbum ao vivo gravado por Elvis em Memphis em 1974. Na época os fãs reclamaram porque afinal de contas era uma reprise. Nesse CD do selo FTD é a única presente.

Way Down - Talvez o mais próximo que Elvis chegou de gravar novamente um rock ´n´ roll em sua vida, muito embora a música esteja mais para country rock. Finalmente uma canção bem explorada pelo CD. São seis versões. A oficial do álbum original, sua versão crua sem overdubbs, um ensaio inédito, a versão denominada 2A que já havia sido lançada no box Platinum, a versão 2B, inédita, e finalmente a rough mix, também inédita. Se você gosta de "Way Down" o CD não vai lhe decepcionar.

Pledging My Love - A canção da roleta russa. Gosto da versão original, tem muita fluência e ótimo arranjo - superior até de outras faixas da Jungle Sessions. A grande novidade do CD é um ensaio que desbanca para o take 3, ambos inéditos. Também temos a oportunidade de ouvir pela primeira vez os takes 1 e 2, mostrando que a música foi sendo contruída aos poucos, em doses homeopáticas. Obras primas nascem assim.

Moody Blue - A canção mais anos 70 do disco. Elvis odiava discoteca, mas essa canção tem claras influências do estilo musical. Ele tentou levar a canção para os shows, mas isso foi bem raro. Talvez naquela altura de sua vida Elvis achasse que sua letra poderia atrapalhar sua execução nos palcos, por essa razão nas raras vezes que a cantou ao vivo o fez lendo a letra em uma folha. Algumas versões já tinham sido lançadas antes nos CDs "Made In Memphis" e "Jungle Room Session", mas os takes 1, 8 e 9 estão pintando pela primeira vez aqui.

She Thinks I Still Care - Essa música tem uma curiosidade. Seu take alternativo 2B que pode ser ouvido no box "Walk a Mile in My Shoes" é bem melhor do que a versão original que saiu no vinil de 1977. Para quem quiser tirar a dúvida essa versão foi encaixada aqui novamente. Fora ela temos a versão 2A que já tinha sido lançada no CD "Jungle Room Session" e os takes 3 e 4 que já tinham sido lançados no box "Made In Memphis". Para quem procura alguma versão inédita da canção temos boas novidades: os takes 7, 9 e 15 são completamente inéditos!

Its Easy For You - Essa música fechava o disco original. Os takes 3 e 4 são também totalmente inéditos. Por fim chamo a atenção para o fato de que esse título do selo FTD ainda trazer versões das músicas "America The Beautiful", "Softly As I Leave You" e "My Way" que não fizeram parte do projeto original de "Moody Blue" embora tenham sido gravadas na mesma época. Pessoalmente achei a inclusão inoportuna e desnecessária, mas para o fã que vai desembolsar uma bela quantia para ter o CD, certamente não haverá do que reclamar.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 24

Antes de tomar sua segunda rodada de remédios Elvis pedia aos seus assistentes que o ajudassem a ir ao banheiro. Mal conseguindo falar por causa de seu estado, Elvis puxava a camisa de Red West duas vezes para que ele o levantasse da cama junto a, geralmente, Rick Stanley. Os dois então seguravam Elvis em ambos os lados e o levavam até o banheiro luxuoso de sua suíte. Elvis mal podia andar em suas próprias pernas por estar tão turbinado por drogas pesadas. Poucos minutos depois eles o traziam de volta à cama. Rick Stanley relembra esses momentos difíceis: “Era muito triste presenciar Elvis nessas situações. Aqui estava essa pessoa, totalmente dependente de todos à sua volta, sendo tratado como uma criança pequena. Quando o colocava em sua cama perguntava a ele: ‘Está tudo bem Elvis? Tem certeza que não precisa de mais nada?’ Elvis mal conseguia mostrar reação nessas horas, ele simplesmente se virava para o lado e ia a nocaute novamente. O olhar estava vidrado, ele não conseguia manter a menor atenção ao que acontecia ao seu redor. Era muito deprimente testemunhar tudo isso”. Após se deitar Elvis novamente ia perdendo a consciência rapidamente, mergulhado totalmente em seu torpor químico, se afundando até o dia seguinte quando então tudo recomeçava novamente com as mesmas drogas, as mesmas situações aflitivas e... o mesmo fio da navalha...

Quando o relógio marcava dez da manhã era chegado o momento do terceiro ataque. Esse teria uma função complementar para as duas primeiras rodadas de drogas a que Elvis já tinha sido submetido nessa mesma noite. A intenção agora era completar o serviço iniciado com os ataques anteriores. De todos os procedimentos perigosos pelo qual Elvis passava esse era certamente o mais delicado. O menor erro poderia levá-lo facilmente à morte e por essa razão sempre era preciso a presença de um médico para evitar qualquer eventual problema, como por exemplo uma super dosagem de drogas que o levasse a uma overdose fatal. Tudo era feito com extremo cuidado e cautela. Nesse momento o cantor precisava de uma substância diferenciada. O médico mandava então seus assistentes virarem Elvis e com duas mechas de algodão introduzia drogas líquidas em suas narinas e finalizava o procedimento com uma dose de dexedrinas para dar partida em seu coração semi moribundo e evitar uma parada cardíaca causada por tantas substâncias circulando em seu corpo ao mesmo tempo. Elvis babava e revirava os olhos. Uma cena grotesca que deixaria o mais fanático fã de sua música em choque! Depois do terceiro ataque Elvis afundava e desabava, só conseguindo recobrar sua consciência no final da tarde. Como justificar tamanha agressão ao próprio organismo?! Com o tempo Elvis foi ficando totalmente à vontade na posição de usuário de drogas perigosas. Por mais incrível que isso possa parecer, Elvis estava sempre procurando os mais novos remédios do mercado. Mal recuperava sua consciência e ia folhear seu guia de drogas, que geralmente ficava à mão em seu quarto.

Assim que saía uma pílula nova, lá estava Elvis tentando dar um jeito de experimentar seus efeitos! Queria conferir as novidades, experimentá-las! Assim como um sujeito normal que deseja um bem de consumo novo qualquer todos os anos, Elvis desejava sempre experimentar a mais nova droga que a indústria farmacêutica colocava à venda! Segundo seu biógrafo Jerry Hopkins, Elvis era um "experimentador"! Do mesmo modo que ele queria o mais novo modelo extravagante de carro, ele queria adquirir a mais recente droga no mercado! Valium. Ethinamate. Dilaudid. Demerol. Percodan. Placidyl. Dexedrine. Biphetamine. Amytal. Quaalude. Carbrital. Ritalin. Não importa, assim que chegavam aos consumidores Elvis colocava sua tropa de médicos em ação para que as receitas chegassem logo nas suas mãos e ele mandasse seus capangas o mais rapidamente possível à farmácia local para comprar a nova química! Aos poucos Elvis foi ficando cada vez mais confortável com o uso desses remédios, afinal não eram drogas de rua, mas no final das contas também o deixavam chapado, dando um barato do qual Elvis não conseguia mais se livrar. Sob esse ponto de vista ele estava tão viciado em drogas como qualquer usuário de cocaína ou heroína na esquina. A única diferença era que as substâncias psicotrópicas eram vendidas em drogarias legais e não por traficantes perigosos. A comodidade era o grande diferencial para Elvis, embora ele no final de tudo pagasse caro por suas escolhas equivocadas.

Curiosamente Elvis odiava traficantes e usuários de drogas em geral. Em relação às drogas de rua Elvis acreditava que apenas a violência iria limpar a sociedade. Para ele deveria haver um choque de repressão violenta dentro da sociedade, com os traficantes e drogados sendo eliminados sem qualquer compaixão. Pena de morte para essa gente imunda. Chegou a dizer várias vezes: "Se os tiras quiserem minha ajuda, com meu arsenal pessoal, podem me chamar. Vou para as ruas e passo chumbo quente nessa escória". Ironicamente ele própria fazia a mesma coisa em sua vida privada. Era uma contradição impossível de contornar. Como vivia cercado de puxa sacos profissionais ninguém porém ousava contrariar seu pensamento fatalista. Elvis empunhava seus rifles de última geração, falava essas abobrinhas e todos concordavam em coro dizendo: "Sim Elvis, os drogados devem ser mortos!". Tão à vontade Elvis ficava nessa posição que nem mais se importava em comentar isso na presença de pessoas próximas a ele. Uma vez, durante uma conversa com a esposa de Red West, disse tranqüilamente: "Pat, eu já usei todas as drogas do mercado, e querida, acredite no que lhe digo, Dilaudid é a melhor!" Dilaudid era uma droga extremamente agressiva que causava forte dependência, sendo receitada geralmente para pacientes em estado terminal de câncer! Embora tivesse muitos problemas de saúde, a verdade era que Elvis usava muitas das drogas que tomava apenas para se sentir bem, no "alto", como se diz na gíria dos viciados em drogas. Nada mais do que isso! Se começava a sentir-se deprimido, Elvis logo tomava uma dose extra para desabar. Do mesmo modo, se algo o aborrecia ou o deixava triste, Elvis preferia simplesmente fugir da realidade à sua volta. Ele estava sempre se escondendo dos problemas, desabando sob efeitos de drogas pesadas. Elvis não queria enfrentar problemas, ele queria apenas se refugiar no torpor e prazer químico que estas drogas lhe proporcionavam. O preço a pagar seria muito alto, sua vida, no final desse caminho sem volta.

Erick Steve.

sábado, 18 de outubro de 2014

How Great Thou Art - Parte 2

How Great Thou Art (Stuart K. Hine) - Essa é uma canção bem antiga, escrita ainda no século XIX por um pastor chamado Carl Boberg. Só muitos anos depois foi que surgiu a primeira versão em inglês, dessa vez nas palavras escritas por Stuart K. Hine cujos créditos foram dados na contracapa do disco. Elvis tinha grande apreço por essa canção e a levou inúmeras vezes ao palco durante os anos 70. Curiosamente temos aqui um caso em que as versões ao vivo são bem melhores do que a gravada em estúdio. Durante muitos anos especialistas afirmaram (com plena razão) que há problemas de equalização na master original. O vocal de Elvis também está bem mais soturno do que nas versões gravadas em shows, onde há sem dúvida maior fluidez em seu desenvolvimento. As melhores versões são da primeira metade dos anos 70 pois sempre notei que a partir de determinado momento Elvis passou a exagerar em certos trechos da música, algumas vezes até mesmo gritando seu refrão a plenos pulmões para causar impacto no público. Funcionava, mas para falar a verdade aquilo tinha pouca coisa a ver com musicalidade verdadeira.

In The Garden (C.Austin Miles) - Outra canção religiosa bem antiga, datada do começo do século XX. A letra é muito bonita e inspiradora, mas segundo a própria neta do autor ela não foi composta em um belo jardim, como supõe o ouvinte, mas sim em um porão frio, úmido e cheio de vazamentos, onde Miles passou por maus bocados quando chegou em New Jersey pela primeira vez na década de 1930, desempregado e com família para sustentar. Ele era farmacêutico e estava na pior. Depois que compôs a música levou para um amigo que trabalhava numa editora musical de Nova Iorque e assim sua vida começou a melhorar. Foram várias gravações ao longo do tempo - o que trouxe uma certa estabilidade financeira para o compositor e sua família - e ao que tudo indica a principal referência para Elvis foi uma versão gravada em 1958 por Perry Como, um de seus cantores preferidos. Provavelmente Elvis já a conhecia de muitos anos, inclusive a mais bem sucedida versão comercial assinado por Tennessee Ernie Ford em 1956. Pelos arranjos e vocal porém tudo indica que Elvis usou mesmo o trabalho de Perry Como como norte para sua própria versão que foi finalmente finalizada no dia 27 de maio de 1967 após apenas três tentativas.

Somebody Bigger Than You And I (Johnny Lange / Walter Heath - Joseph Burke) - A mais inspirada versão dessa canção veio em 1960 com a grande Mahalia Jackson. Na ocasião Elvis até cogitou gravá-la durante as sessões de seu primeiro disco religioso, "His Hand in Mine", mas desistiu em cima da hora por achar que a gravação seria ofuscada pela de Jackson, que ainda era muito recente e estava fazendo muito sucesso nas paradas. Elvis assim a deixou de lado. Em casa porém, nos momentos de descanso quando cantava e tocava gospel ao lado de amigos, ela sempre surgia, mostrando que Elvis a adorava. Ao longo dos anos sempre aspirou gravar sua própria interpretação para a música e assim quando pintou na noite de 27 de maio no RCA Studio B, em Nashville, Tennessee, nem pensou duas vezes. Curiosamente a canção acabou se revelando mais complicada de se gravar do que Elvis pensava. Como ele a vinha cantando por tantos anos pensou que seria relativamente fácil chegar no take ideal. Ledo engano, "Somebody Bigger Than You And I" precisou de 16 takes para ficar pronta. Quem tiver curiosidade em acompanhar o processo de se chegar no take ideal da música eu aconselho o CD "Stand by Me" que trouxe vários takes encontrados nos arquivos da RCA. 

Farther Along (W.B.Stone) - Essa não precisa ir muito longe para entender de onde Elvis a conhecia. Ela fez parte do repertório do cantor e compositor Bill Monroe, um dos preferidos de Elvis, autor de "Blue Moon of Kentucky". Ela também foi gravada pelo grupo Stamps Quartet, um dos mais apreciados por Presley e que mais tarde o iria acompanhar em futuras gravações. Aqui o processo foi bem mais simples do que "Somebody Bigger Than You And I", com Elvis chegando no take master em apenas três tentativas. Para sorte dos fãs de Elvis todos os takes sobreviveram ao tempo e podem ser conferidos em CDs como "Stand by Me vol. 2".

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 23

Elvis também utilizava uma grande quantidade de remédios para emagrecer, mas em seus últimos anos eles não faziam mais efeito fazendo com que ele muitas vezes passasse uma péssima imagem durante os concertos. Um colunista de San Diego chegou ao ponto de chamá-lo de "glutão ao vivo" em sua coluna diária. Mas isso não o impediu de comer cada vez mais. Outro problema surgia por causa da comilança sem limites de Elvis. Com a palavra Rick Stanley: "Tínhamos de vigiar Elvis 24 horas por dia no final de sua vida! O simples ato de se alimentar agora significava risco. Ele simplesmente poderia apagar no meio das refeições e então era preciso socorrê-lo imediatamente pois caso contrário ele poderia morrer sufocado com a comida obstruindo sua garganta! Algumas vezes Elvis ficava tão fora de si durante uma refeição que sentava e parecia apalermado e era preciso vigiá-lo porque ele podia deixar um pedaço de hambúrguer preso na garganta. Em mais de uma ocasião eu o encontrei em choque em cima da cama, e tive de enfiar a mão em sua garganta e puxar coisas para fora! Pressionar seu peito. E era muito triste, você sabe. Quero dizer, este cara é apenas alguns anos mais velho do que eu, e eu o estou suspendendo e colocando meu braço em volta dele, perguntando: 'Patrão, você está bem? Tem certeza? Beba alguma água! Essa era uma situação muito triste sabe! De repente estávamos segurando Elvis nos braços perguntando: 'Chefe, tudo bem? Está respirando normalmente agora?' Era como uma criança bem pequena! Era uma situação muito triste mesmo!".

Em razão disso Elvis passou a se alimentar em seu próprio quarto onde poderia ser mais facilmente vigiado por seus capangas. Tudo era devorado na cama mesmo, pois uma pequena mesinha era colocada por sua companheira (que poderia ser sua namorada oficial ou qualquer outra garota de estoque que estivesse à disposição naquele momento). Enquanto ia se alimentando Elvis mandava ligar a enorme TV que ficava à sua frente. Brincando com o prato, se distraindo com algo que passava na tela, a comida acabava esfriando e Elvis pedia que outra quente lhe fosse servida. Isso era o pior de tudo, pois Elvis acabava comendo três a quatro vezes mais do que uma pessoa normal. Barriga cheia, Elvis se preparava para finalmente ir repousar seu espírito.

Em pouco tempo ele começava a sentir os efeitos do primeiro ataque e pedia que a comida fosse retirada de sua cama, pois caso contrário ele poderia apagar e desmaiar em cima da refeição. Isso já acontecera antes. Uma vez Linda o deixou por alguns minutos e quando voltou o encontrou com a cara enfiada dentro de um prato de sopa. Alarmada ela levantou rapidamente o rosto de Elvis e o salvou de literalmente morrer afogado em um prato de sopa! Para evitar que isso novamente acontecesse Elvis imediatamente mandava retirar a comida de sua frente quando ele percebia que iria apagar a qualquer momento. Então seus assistentes levavam a mesinha e o resto da comida embora e Elvis se aconchegava em seu leito para finalmente apagar.

Para Elvis sentir-se bem em sua cama king size era necessária uma dose extra de travesseiros e almofadas. O cantor gostava de dormir de lado, com uma almofada entre as pernas, posição que aliviava suas dores nas costas, problema que tinha se agravado nos últimos anos em intensidade após seu aumento de peso. Enquanto ele não perdia sua consciência, sua companhia feminina lia para ele algum trecho da bíblia ou alguma coleção de pensamentos de seus livros espirituais e esotéricos. Em pouco tempo os remédios agiam sobre seu sistema nervoso e Elvis logo adormecia. Adormecer é um eufemismo, na realidade Elvis apagava totalmente, de forma imediata. Em poucos segundos ele entrava em um sono profundo por causa das potentes drogas que havia ingerido momentos antes. Mas estava longe de ser um sono normal, como o das pessoas comuns. Era um sono artificial, induzido por remédios poderosos. Os efeitos só duravam quatro horas e quando Elvis começava a despertar era hora do segundo ataque. O principal objetivo dessa segunda rodada de coquetel químico era completar o serviço do primeiro ataque, ou seja, colocar Elvis em nocaute até a manhã do dia seguinte, pois caso contrário ele acordaria antes do tempo necessário para se recuperar totalmente.

Erick Steve.

sábado, 11 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 22

A mistura de tantas drogas de uma só vez era um enorme risco e Elvis certamente arriscava sua vida todos os dias ao fazer uso de tantos medicamentos ao mesmo tempo. Elvis tinha plena consciência dos riscos que corria todos os dias, mas não se importava mais. O que realmente tinha importância para ele nessa fase final de sua vida era realmente ir a nocaute todas as manhãs e só acordar no final da tarde para fazer mais uma apresentação. Sua vida realmente se resumia nisso: fazer shows, ir para o hotel e desabar sob efeitos de drogas. Rick Stanley relembra: "Quando saía da cama havia uma grande quantidade de drogas excitantes. De um estado de torpor Elvis saltava rapidamente para um quadro de extrema agitação, após tomar as drogas! Ele ficava totalmente fora de ordem, ficava totalmente elétrico, matraqueando e falando sem parar, então seu médico tinha que novamente lhe aplicar algo para que ele voltasse ao normal."

O médico sempre ficava observando Elvis para ver como ele reagiria as doses que tomava pela manhã, se ele ficasse muito agitado não demorava muito e eles lhe aplicavam logo Valium ou qualquer coisa parecida e nesse vai e vem ele ficava 24 horas por dia medicado e muitas vezes perdia a noção das coisas, perdia a noção de tempo e espaço". Essa rotina, muitas vezes, fazia com que Elvis ficasse sem saber nem onde estava e nem onde se apresentava. Houve ocasiões em que ele entrou no palco sem nem ao menos saber em que cidade ou Estado estava! Não raras vezes se virava para Rick Stanley após o concerto e perguntava: "Onde estou?"

Depois de sofrer o primeiro ataque, seu médico particular se retirava do quarto. Então um terceiro assistente vindo diretamente da cozinha do hotel trazia sua última refeição antes de ir dormir: Três enormes chessburguers, dois ou três dos famosos sanduíches de banana, quatro a cinco bananas Splits, muita fritura e bacon, três a quatro refrigerantes, muitos doces e sorvetes... enfim, uma dieta nada saudável, um verdadeiro desastre nutricional para a saúde de qualquer pessoa. Não era por outro motivo que ele estava muitos quilos à frente de seu peso normal. Tudo era fruto da gulodice desenfreada do cantor, que nem mais se importava com sua aparência anormal e pesada no palco. Em relação à sua imagem pessoal, Elvis parecia não mais se importar. Ele estava gordo?! E daí?! Para o antigo símbolo de beleza masculina isso parecia não mais incomodar. Como muitos americanos de sua idade que nunca se cuidaram, Elvis era uma paródia triste da antiga imagem impecável que tanto impacto causou no passado. Considerado nos anos 50 um dos homens mais bonitos do mundo, Elvis agora só podia se lamentar e se entristecer ao se deparar consigo mesmo em frente ao espelho: pálido, gordo e envelhecido

Os anos de símbolo sexual há muito ficaram para trás. O que importava agora era se empapuçar de comida, até como uma forma de aliviar sua angústia e sua depressão cada vez mais crescente. A obesidade descontrolada de Elvis se tornava cada vez mais um sério problema para as organizações Presley, como bem relembra Rick Stanley: "A saúde de Elvis estava praticamente arruinada por seu estilo de vida. Elvis tinha hábitos alimentares realmente ruins. Todo mundo estava sempre tentando fazê-lo perder peso, mas era preciso ter cuidado ao fazer esse tipo de sugestão ou ele ficava furioso. Então sugeriram indiretamente, como, por exemplo, assegurando-se de que ele estava ao alcance do ouvido quando diziam a alguém coisas do tipo como: 'Eu tenho um amigo que perdeu um monte de peso comendo iogurte'. Então podia ser que mais tarde Elvis começasse a tomar iogurte. Ele arranjou aquelas pequenas vasilhas de iogurte com frutas, mas não adiantou porque ele comia 20 de uma vez e continuava comendo tanto quanto antes! A mesma coisa aconteceu com pêssegos. Red West lhe disse que pêssegos ajudava as pessoas a perderem peso rapidamente. A partir desse dia Elvis teve uma loucura passageira por pêssegos e comia esse tipo de fruta dia e noite. Mas não adiantou nada por causa de sua fome descontrolada. Ele comia uma dúzia de pêssegos de uma só vez e cuspia os caroços por toda parte, em todos os lugares. Algumas vezes ele os jogava no assoalho. Passou dos 113 quilos. Houve ocasiões em que tivemos que conseguir cintas de Saran Wrap, gigantescas mesmo, e apertar seu estômago! Aquilo tornava quase impossível a respiração. Na última parte de sua vida ele não estava realmente acertando muitas notas. Apenas as tartamudeava, indo através dos movimentos!".

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FTD The Jungle Room Sessions

FTD The Jungle Room Sessions - É seguramente um dos dez mais importantes títulos da coleção FTD. Aqui temos pela primeira vez o resgate de alguns momentos das sessões realizadas na chamada Sala das Selvas em Graceland. Como se sabe foi uma sessão de gravação completamente fora dos padrões. Elvis se recusou a ir até Nashville para gravar novas músicas para a RCA e como a gravadora não tinha nenhum local disponível em Memphis as sessões tiveram que ser improvisadas em sua própria casa, na mitológica mansão Graceland. Ao longo dos anos muito se especulou sobre o que teria levado Elvis a se indispor com a RCA Victor. Problemas profissionais, pessoais e de saúde montam um mosaico amplo que nos faz entender as circunstâncias dessa decisão. Na vida profissional Elvis demonstrava estar exausto e cansado diante de tantos compromissos. Embora não gravasse há meses em estúdio, ele vivia de cidade em cidade, cantando e se esgotando em turnês sem fim pelos Estados Unidos. A situação era ainda mais grave tendo em vista as condições pessoais do cantor. Não raro ele mostrava claros sinais de que não estava bem, mesmo assim encarava longas e exaustivas agendas para cumprir seus compromissos assumidos. Ordens do Coronel Parker.

Na vida pessoal as coisas também não andavam muito bem. Elvis ainda tentava de alguma forma exorcizar o fantasma da traição de Priscilla em sua vida. Para isso se envolvia com beldades bem mais jovens do que ele. Agora estava apaixonado por uma garota chamada Ginger Alden. Ao contrário de sua namorada fixa anterior, Linda Thompson, Ginger não tinha ainda idade e maturidade suficientes para ter um relacionamento construtivo com Elvis, até porque ele seguia em frente na sua auto destruição pessoal causada por remédios de tarja preta. Isso obviamente abalou bastante sua saúde, o que acabou completando a tríade de fatores que impossibilitaram Elvis de se locomover até um estúdio profissional de gravação. A boa notícia é que em termos técnicos essas gravações não foram tão prejudicadas como se alardeou. Claro que a crítica não gostou muito do resultado na época do lançamento dos discos originais, mas hoje em dia poucos ainda se levantam para falar mal das músicas, até porque o consenso parece mesmo apontar para uma qualificação de mais um grande trabalho por parte de Elvis, mesmo sob circunstâncias adversas.

Outro fato digno de nota é salientar que as sessões também trouxeram uma luz para os bastidores das gravações. Durante muitos anos se escreveu que Elvis estaria severamente deprimido dentro da sala das selvas, mal balbuciando alguma palavra audível. Na realidade, como se prova esses registros, a situação não era tão negra como se supunha ser. Elvis está até mesmo brincalhão, tirando onda, rindo e fazendo piadas (como ocorre quando o cachorro late ao fundo ou o telefone toca, estragando as gravações). Nada de um Elvis saindo do caixão como um Drácula morto-vivo que tanto foi retratado até mesmo em biografias ditas sérias e bem escritas. Sim, ele estava bem acima de seu peso, tinha problemas de todos os tipos, mas seu espírito ali parecia contradizer que nuvens negras sempre estavam acima de sua cabeça o tempo todo. Ao que parece nem Elvis parecia se levar muito à sério durante esses dias, afinal de contas ele estava em casa, caso se enchesse de tudo, poderia simplesmente ir até a cozinha tomar um pouco de água ou então ir embora para seu quarto dormir.

Como praticamente fazia em todas as gravações, Elvis pouco mudou o seu estilo de agir na sala das selvas. Ele ainda sentava no centro, rodeado de seus músicos, para ir aos poucos escolhendo as faixas que gravaria. Uma a uma, Felton Jarvis ia executando as canções que estavam disponíveis. Se gostava Elvis dizia algo como "Vamos lá rapazes, essa vale a pena enfiar a cara" - caso contrário soltava algum palavrão do tipo "Essa música é uma m... Passe outra!". Também não há maiores surpresas no estillo musical adotado nessas sessões. Elvis continou seguindo a linha country romântica que vinha usando em seus últimos discos. O curioso é que isso provém do próprio gosto pessoal de Elvis na época. Ao contrário do que muitos pensam, Elvis não se interessava mais em ouvir estações de rádio que tocavam Rock. Na verdade ele havia perdido interesse pelo rock há muitos anos. Só cantava seus velhos rocks para não decepcionar seus fãs nos concertos, mas fora isso ele nem mais conhecia os novos artistas e bandas que faziam sucesso. Mal sabia quem era o Led Zeppelin ou o Pink Floyd. Para Elvis o importante era mesmo saber o que estava no ouvido do povão que adorava country music. Assim em momentos de descanso ou quando estava no carro, Elvis mandava sintonizar as principais estações country de Memphis. Não é por outra razão que esse estilo musical se proliferou em seus discos na fase final de sua carreira.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

How Great Thou Art - Parte 1

Vamos agora dar prosseguimento nas análises da discografia de Elvis Presley. Esse álbum foi literalmente uma benção para Elvis Presley. Perceba que em 1967 ele estava de fato no fundo do poço. Seus discos - em sua enorme maioria trilhas sonoras - já não faziam sucesso e Elvis deixou de ser considerado um artista relevante, daqueles que se deve prestar atenção. No lugar sobrou apenas o triste fato de ser ignorado pela imprensa, pelos críticos e o pior de tudo, pelo público. Assim foi muito mais do que bem-vindo ter entrado em estúdio para gravar um disco completamente gospel, apenas com canções religiosas. O curioso é que a carreira de Elvis dentro do setor gospel do mercado americano sempre foi muito deixada de lado pela maioria dos fãs, inclusive brasileiros. O que poucos sabem é que foi justamente nesse tipo de estilo musical que ele ganhou algumas de suas maiores glórias, como por exemplo ser premiado pelo prestigiado prêmio Grammy, não apenas uma vez, nem duas, mas três vezes! Isso se torna ainda mais importante quando descobrimos que ele nunca ganhou um Grammy fora da categoria Gospel - incrível não é mesmo?

Pois bem. É sabido de todos que Elvis levava muito à sério sua fé. Embora tenha sido muito eclético em suas escolhas o fato é que Presley sempre prezou pelas canções evangélicas que aprendeu desde muito cedo nos cultos da Igreja Assembléia de Deus. Abro um parêntese aqui para uma informação importante. Ao contrário do que muitos dizem a família Presley em seus primórdios era uma família bem comum nesse aspecto. Aos domingos Gladys, Vernon e Elvis frequentavam os cultos da Igreja local, mas nunca foram também muito atuantes dentro de sua paróquia. Eram frequentadores normais e passavam longe de serem considerados fanáticos ou algo do tipo, como muitas biografias mais desinformadas costumam publicar. Sim, Elvis adorava música gospel, sim ele e seus pais eram frequentadores dominicais dos cultos, mas isso não significa que eram diferentes ou mais empenhados do que outras famílias daquela época. Ficavam na média, assistiam as celebrações, mas depois iam para a casa desfrutar o resto do domingo ouvindo rádio pelas estações de Memphis.

No final das contas o que Elvis pegou de bom do ambiente gospel foi mesmo a empolgação dos pastores, que corriam pra lá e pra cá, contorciam o corpo e gritavam aleluia com todo o fervor. Elvis desde muito criança descobriu que para mexer um público você tinha que entrar mesmo na dança, empolgar, rolar no chão se fosse preciso, mostrar que se importava e sentia aquilo que cantava. Toda essa performance o jovem Elvis soube muito bem usar em seus primeiros concertos, só que ao invés de passar uma mensagem religiosa no palco ele desfilava um modo de ser sexy e provocante, visando atingir diretamente seu público alvo, as adolescentes americanas na faixa entre 14 e 17 anos de idade. Isso porém foi em 1955, 56, agora lá estava Elvis em 1967, reencontrando sua velha paixão, a gospel music, para tentar levantar novamente sua carreira. Foi mesmo uma sábia decisão se afastar, ainda que por um breve período de tempo, do material de Hollywood. Aquele tipo de coisa já estava saturada e os fãs ansiavam por algo diferente, novo e se possível menos adolescente.

O disco logo se tornou um sucesso de público e crítica nos Estados Unidos e vizinho Canadá, mas infelizmente toda essa badalação ficou restrita ao mercado norte-americano. No Brasil o disco sequer chegou a ser editado e lançado. A razão? Muito simples de explicar. A RCA Brasil que já não vinha lançando os discos das trilhas sonoras de Elvis em nosso mercado não viu qualquer razão para investir em um disco religioso. Para eles seria um tremendo fracasso comercial. Além do próprio Elvis estar em baixa, o álbum era visto como "um disco para crentes" e como os evangélicos estavam em franca minoria em nosso país, ninguém se interessou em colocar o disco em nossas lojas. Uma pena porque sem dúvida foi o primeiro trabalho de grande qualidade musical do cantor em anos. Foi um trabalho primoroso, extremamente bem gravado, com Elvis em belo momento vocal. Uma verdadeira obra prima de sua discografia. Assim os fãs brasileiros mais fiéis tiveram que importar o disco, muitas vezes pagando verdadeiras fortunas para ter o privilégio de ouvir seu rei enaltecendo o mais puro espírito cristão.

Pablo Aluísio.

sábado, 4 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 21

Las Vegas. Anos 1970. Suíte privativa do cantor Elvis Presley no Hilton. 15:45 hs da tarde. Temperatura interna do ambiente: 9º C (ar condicionado funcionando à toda). Escuridão completa, nenhuma luz. Silenciosamente a porta do frio e escuro quarto é aberta lentamente, com o máximo de cuidado para não provocar nenhum ruído mais forte. Após essa excessiva cautela, para não interromper de forma abrupta o sono do Rei do Rock, duas pessoas adentram o ambiente. O primeiro é um dos muitos assistentes pessoais de Elvis, Red West, que imediatamente se dirige à janela e abre uma pequena aresta para deixar entrar um mínimo de raio de sol natural no ambiente altamente artificial em que Elvis passa seus dias. O cantor abre lentamente um dos olhos e nota a presença de seus valetes reais. Ele está péssimo, olhos vermelhos, cabelo despenteado, totalmente desnorteado, sem a menor disposição de se levantar de seu leito e encarar mais uma noite de trabalho. O astro levará pelo menos de 30 a 45 minutos para conseguir acordar totalmente. Um procedimento longo, penoso e nada agradável para ele. A segunda pessoa a entrar no quarto, seu médico particular, senta-se ao lado da cama de Elvis e logo abre sua pequena maleta, dando início ao longo processo de verdadeiro renascimento do artista. Elvis não consegue mais viver sem o total acompanhamento e assistência de seus homens.

O simples ato de ir dormir ou acordar acaba virando uma operação de guerra, um verdadeiro esforço coletivo envolvendo várias pessoas de sua entourage privada, cada uma com uma função determinada e precisa. Elvis havia ido dormir na noite anterior às quatro horas da manhã. Assim como seu despertar, o simples ato de ir dormir denotava uma verdadeira organização de assistentes e médicos cujo único objetivo era proporcionar uma noite tranqüila de sono ao cantor. E tudo se repetia depois para acordá-lo na tarde do dia seguinte e retirá-lo do coquetel químico a que havia sido exposto na noite anterior. O processo de fazer Elvis dormir e se levantar se constituía de três etapas básicas, que ele próprio acabou apelidando de “ataques”. Era uma ironia, mas tinha sua dose de verdade, pois era nisso mesmo que se constituía, um verdadeiro “ataque” ao seu deteriorado organismo, pois ele era literalmente “nocauteado” para finalmente conseguir pregar os olhos e chegar ao próximo dia descansado e com uma boa noite de sono. Os ataques eram feitos por cinco a oito de seus assistentes e um médico. Uma verdadeira equipe que ficava de plantão ao lado de seu quarto, para em horas pré-determinadas entrar em ação.

Antes do primeiro ataque, Elvis vestia seu pijama preferido, de náilon azul com suas iniciais escritas na parte da frente, logo acima de seu bolso frontal. Então ele se virava para seu assistente e dizia: “Me dá o primeiro ataque!”. Sentado na beira da cama, seu assistente lhe entregava um envelope amarelo com onze, isso mesmo, onze pílulas e um copo de água que Elvis logo colocava ao seu lado, acima do criado mudo. Elvis então enchia a mão com todas essas pílulas coloridas e tentava engolir todas de uma só vez, coisa que lhe divertia bastante, e que achava o maior barato. Então seu assistente pessoal lhe dava a água e assim Elvis finalmente se deitava. Nesse momento a função desse primeiro cara da Máfia de Memphis (geralmente Red ou Sonny West) estava concluída e ele se retirava do quarto. Agora era a vez de seu médico particular entrar em serviço para lhe aplicar três injeções de Demerol, em ambos os lados de sua espinha, logo abaixo das omoplatas. Lentamente as injeções eram aplicadas, com Elvis deitado de costas em sua cama e com o pijama levantado.

Geralmente o Dr Nick fazia esse trabalho, mas também poderia ser qualquer outro médico da longa lista de doutores assalariados de Elvis. O Médico então conferia se as dosagens de pílulas para Elvis estavam corretas e começava a preparar um novo envelope amarelo para o segundo “ataque”. Nesse cardápio químico que Elvis tomava diariamente havia muitos barbitúricos: Amytal, Carbital e Seconal. Todos causadores de forte dependência e cujos efeitos são facilmente tolerados pelo organismo, o que os leva a perderem o efeito, sendo necessário então o aumento de dose para garantir a mesma eficácia. No segundo envelope ainda havia duas drogas extremamente perigosas: Placidyl e Quaalude. Para finalizar o ataque, Valium e Valmid. Em ocasiões mais aflitivas o Dr Nick ainda acrescentava doses extras de Demerol, usada muitas vezes como substituta da morfina e causadora de forte dependência.

Erick Steve.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 20

Priscilla Presley resumiu toda a situação em seu livro “Elvis e Eu”. Na sua autobiografia ela escreveu: “Por volta de 1976 todos estavam alarmados com seu estado mental, além da aparência física. O rosto estava inchado, o corpo anormalmente pesado. Quanto mais as pessoas tentavam lhe falar a respeito, mais ele insistia que estava tudo bem. O Coronel estava preocupado até mesmo com as ações de Elvis no palco. Elvis começava a esquecer as letras e a recorrer às partituras. Comportava-se de maneira imprevista, ignorando a audiência e se apresentando apenas para a banda. Alguns shows foram cancelados e ninguém podia prever se ele apareceria ou não no palco! A classe, o charme e o orgulho que durante os últimos anos havia caracterizado as apresentações ao vivo de Elvis Presley beiravam agora à paródia.

Frustrado pela falta de desafios a cada show que passava, Elvis passou a recorrer à pura exuberância, simbolizada por seus trajes, cada um mais requintado do que o anterior, com uma abundância de pedras falsas, tachas e franjas. Havia capas enormes e cintos incômodos. Ele se apresentava com trajes que acrescentavam quinze quilos a seu peso. Era como se estivesse determinado a conquistar a audiência apenas por sua aparência, em vez de confiar apenas em seu talento! Houve ocasiões, durante o último ano, em que ele foi criticado pela maneira como se relacionava com o publico. Algumas pessoas comentaram que ele gracejava demais com os músicos e não terminava as canções. Um dos rapazes (da máfia de Memphis) disse a Elvis que ele estava se parecendo cada vez mais com Liberace. Sua esperança era de que Elvis compreendesse a insinuação e recuperasse o bom senso, passando a se confiar apenas em seu talento! Mas Elvis insistira desde o início afirmando: 'Só quero ler as críticas positivas. Não quero tomar conhecimento de qualquer comentário negativo!'.

Como adolescente ele fora resguardado das críticas negativas por Gladys. Quando fazia seus álbuns ela só colava os recortes favoráveis. Se não tivesse sido tão protegido, Elvis poderia ter tido uma perspectiva melhor de sua carreira. Pelo menos estaria a par de tudo o que se dizia a seu respeito e talvez usasse alguns comentários de maneira construtiva!”. Elvis realmente preferia fugir das críticas negativas mas Tom Parker fazia questão de ler tudo! E ele estava preocupado com o que estava sendo escrito, tanto que resolveu levar Elvis para longe das grandes cidades, levando o cantor para localidades menores, de preferência no sul do país onde ele tinha sua legião de fãs mais fiéis. Isso não significaria que Elvis deixaria de se apresentar nos grandes centros, nada disso, mas em menor escala do que antes. Nas grandes cidades Elvis era selvagemente atacado pela imprensa após seus concertos. Os críticos não o poupavam e cada mínimo deslize seu virava manchete de jornal no dia seguinte! Para Tom Parker era importante se retirar desses locais até Elvis se recuperar, era necessário preservar sua já tão abalada imagem de desgastes desnecessários. Porém o empresário do cantor percebeu logo que apenas essa estratégia não bastava.

O Coronel Parker viu que era hora de agir, de ter uma conversa franca, de homem para homem, com Elvis! Ele tinha decidido que iria enfrentar o cantor em toda essa situação. Iria falar francamente com ele, expor todos os problemas. Não seria uma tarefa fácil pois Elvis, como bem resumiu Lamar Fike, era "dessa classe de pessoas que não gostam de se defrontar com a realidade. Elvis sempre confiava que desconhecendo os problemas, estes desapareciam!" Mas não desapareceram, pelo contrário, eles aumentaram. Numa noite David Stanley, filho de Dee, a madrasta de Elvis, resolveu perguntar diretamente a ele porque tomava tantos remédios, porque se submetia a uma rotina tão mortificante, tão sinistra e perigosa? Elvis ficou surpreso com a sinceridade de David e resolveu também lhe ser o mais sincero possível. Dar o troco na mesma moeda! Elvis tirou seus óculos lentamente, o encarou e foi de uma sinceridade atroz: "David..." - disse em tom melancólico - "...Prefiro estar inconsciente do que desgraçado!..." O silêncio que se seguiu a essa frase foi absoluto! Não havia mais dúvidas... A tempestade estava próxima...

Erick Steve.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

FTD Easy Come, Easy Go

O lançamento desse título realmente me deixou surpreso. O material de "Easy Come, Easy Go" é tão inexpressivo dentro da carreira de Elvis Presley que pensei que jamais seria explorado pelo selo FTD. Bom, talvez para não deixar buracos o produtor Ernst Jorgensen resolveu então incluir essa trilha na coleção. Infelizmente como já foi escrito aqui no blog todo o projeto relacionado a "Easy Come, Easy Go" foi um fracasso de público e crítica. O filme foi mal nas bilheterias e o compacto duplo com a trilha lançada nos Estados Unidos foi quase que completamente ignorado nas lojas de discos. No Brasil foi bem pior porque a filial brasileira da RCA sequer teve interesse em lançar as canções em nosso país e elas, como não poderia deixar de ser, ficaram anos inéditas por aqui. Na época a RCA esclareceu que se o EP tinha fracassado dentro do mercado americano não havia qualquer razão para chegar nas lojas do Brasil pois o prejuízo comercial seria certeiro. Some-se a isso a enxurrada de críticas negativas lá fora em seu lançamento e você entenderá porque a RCA em nosso país desistiu dos discos de Elvis por volta de 1965. Eles não vendiam mais e como Elvis foi sendo deixado de lado o primeiro reflexo disso foi o não lançamento de seus últimos títulos americanos no Brasil. Só muitos anos depois foi que Marcelo Costa do fã clube SPEPS as incluiu em um disco 100% brasileiro chamado "Elvis by Request volume 2" no distante ano de 1981. As músicas de "Easy Come, Easy Go" ocuparam todo o lado B do antigo vinil. Foi uma forma dele, que foi grande fã de Elvis Presley no Brasil, em lançar em nosso mercado a inédita trilha sonora. Uma atitude que certamente merece todos os reconhecimentos e elogios.

Pois bem, tirando tudo isso de lado e ouvindo novamente as canções temos que admitir que esse material realmente não tem salvação. É ruim, bobinho, inofensivo e muito fora do contexto. Talvez essas musiquinhas ficassem bem em um astro juvenil ao estilo Fabian, mas Elvis Presley? Lamento dizer, mas realmente o conjunto da obra é muito medíocre. Como já tive a oportunidade de escrever antes por essa época havia um descompasso entre a produção musical de Elvis e os fãs que ainda persistiam em acompanhar sua carreira decadente. Elvis e seus produtores pareciam empenhados em apresentar material adolescente, bobo mesmo, para pessoas que já tinham passado de seus 30 anos de idade. O próprio Elvis já estava com 32 anos quando gravou essa trilha sonora boboca. Talvez o Coronel pensasse que os fãs de Elvis ficariam na adolescência para sempre, como um grupo coletivo de fãs de Peter Pan, mas a realidade do mundo natural é outra. O que era divertido aos 16 anos logo se torna idiota quando se fica mais velho. Elvis na verdade estava cantando para ninguém, já que os verdadeiros adolescentes tinham outros ídolos e seus fãs antigos dos anos 50 estavam casados, com filhos e muitas contas a pagar. Não iriam perder tempo ouvindo Elvis cantando bobagens como "Yoga Is As Yoga Does". O resultado de tudo isso não foi complicado de prever mesmo, desencadeando tudo em um enorme fracasso comercial.

FTD Easy Come, Easy Go
Easy Come, Easy Go
The Love Machine
Yoga Is As Yoga Does
You Gotta Stop
Sing You Children
I'll Take Love
She's A Machine
The Love Machine (Takes 1, 2, 3)
Sing You Children (Take 1)
 She's A Machine (Takes 5, 6, 7)
Easy Come, Easy Go (Take 10)
The Love Machine (Takes 4, 5, 11)
I'll Take Love (Takes 1, 2 A)
She's A Machine (Take 10)
Sing You Children (Takes 18, 19)
Yoga Is As Yoga Does (Takes 5, 6)
The Love Machine (Takes 13, 14)
She's A Machine (Take 13)
I'll Take Love (Take 2 B)
You Gotta Stop (instrumental take 1)
Leave My Woman Alone (instrumental take 5)

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 19

No meio de todo esse cochicho começaram a surgir os primeiros boatos. Já em 1972 os hóspedes e funcionários do Hilton comentavam baixinho pelos corredores que o problema principal de Elvis era um vício profundo em cocaína. Não era verdade, mas como ninguém sabia a realidade de seus problemas com remédios, todos chegaram a conclusão que Elvis estava daquele jeito por causa de seu vício na droga. Quando Elvis soube dos boatos explodiu! O cantor era muito sensível em relação à sua imagem. Elvis gritou para os caras da máfia de Memphis: "O que essas pessoas estão pensando? Quem usa drogas são os Beatles e não eu!"

A verdade porém era que antes de estourar com seus capangas, Elvis deveria ter feito uma auto-análise e verificar que seu estado era realmente deplorável. Alguns de seus últimos shows em Las Vegas tinham sido lamentáveis, causando uma repercussão tão negativa que a direção do Hilton chamou Tom Parker para uma reunião a portas fechadas. Naquela ocasião o conselho diretor da cadeia de hotéis comunicou, sem rodeios, a Tom Parker que a partir de agora tudo o que acontecesse nas apresentações de Elvis seria de sua exclusiva responsabilidade! Na realidade a rede deixou subentendido para o empresário que se Elvis não se endireitasse logo, eles muito provavelmente iriam cancelar todas as temporadas futuras do cantor em Las Vegas. A possibilidade de uma rescisão de contrato ficou na mente de todos!

Todos estavam temerosos pelas repercussões e eles tinham que manter a imagem da rede Hilton de qualquer forma. Parker ficou preocupado após essa reunião! A mensagem tinha sido clara. O Coronel ficou inquieto. O que ele iria fazer agora? Mesmo quando Elvis se apresentava bem, as pessoas só conseguiam reparar em sua imagem, em seu incrível aumento de peso! Também pudera, durante vinte anos Elvis Presley foi símbolo de beleza, sua imagem era conhecida nos quatro cantos do mundo! Ele sempre foi considerado pelas fãs como um dos homens mais belos do planeta! De repente ele aparecia muito mal na frente de todas essas pessoas que ainda idolatravam aquela imagem impecável! Só poderia causar um grande choque mesmo! Às vezes, porém, Elvis nem ao menos conseguia fazer um bom concerto, em certos momentos ele realmente mal conseguia cantar as músicas até o final.

Havia muita enrolação e piadas, mas musicalidade não. O pior de tudo é que sua vida na estrada e em Las Vegas era uma verdadeira montanha russa. Numa noite ele poderia cantar muito bem, se apresentar de forma excelente, mesmo estando fora de seu peso, mas poderia muito bem acontecer que na noite seguinte Elvis se apresentasse da pior forma possível, visivelmente alterado pelo abuso de drogas, deixando todos, da banda a platéia, constrangidos com sua presença! Na verdade ninguém poderia ter certeza absoluta do que iria acontecer no palco durante essa fase da vida dele. Era um jogo de dados e isso gerava muito stress e ansiedade em todos os que estavam envolvidos nas excursões. Não é por outra razão que muitos músicos da TCB Band estavam dispostos a deixar Elvis em seus últimos momentos. Além da falta de renovação musical, que os deixavam frustrados como artistas que eram, havia ainda a enorme ansiedade decorrente do que iria acontecer nos shows por causa dos problemas pessoais de Elvis!

Fora isso tinham ainda que lidar com a má remuneração paga por Tom Parker e a desorganização total das agendas de shows, que só eram lhes repassadas em cima da hora, fazendo com que eles perdessem a oportunidade de fazer outros trabalhos com outros artistas em estúdio. Com isso perdiam uma importante fonte de renda extra. Ser um músico da banda de Elvis não estava mais compensando para esses verdadeiros heróis anônimos! Muitos chegaram mesmo a comunicar pessoalmente a Elvis que estavam indo embora e só ficaram porque Elvis resolveu oferecer muito dinheiro para eles, muitas vezes pagando de seu próprio bolso para evitar a debandada. Caso contrário era certo que muitos deles teriam ido embora já em 1975 ou 1976.

Erick Steve.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 18

Rick Stanley, uma das pessoas mais próximas de Elvis em seus últimos dias de vida, acusou, sem meias palavras, alguns médicos do cantor pela sua morte: “Em troca de receitas, quatro ou cinco médicos ganharam caríssimos presentes de Elvis”. A situação foi de certa forma confirmada por Ulisses Jones, uma das primeiras pessoas que estiveram no local da morte de Elvis para tentar salvar sua vida, pois em sua opinião algo foi deliberadamente mexido no banheiro onde Elvis morreu, escondendo evidências do local da sua morte, sumindo com caixas de remédios que estavam no chão e destruindo provas materiais da cena da morte de Elvis.

Em seu depoimento ele afirmou: “Assim que cheguei no local onde Elvis tinha morrido, vi vários frascos de remédios sobre o lavatório e no chão e imaginei, imediatamente, tratar-se de uma OD (overdose de drogas). Como de praxe pedi para que fossem recolhidos e entregues todos os remédios para as autoridades, mas as caixas de remédios nunca foram parar nas mãos dos policiais que estiveram no banheiro em que Elvis morreu. Alguém sumiu com as evidências, com todas as provas que poderiam ajudar a auxiliar no esclarecimento do que realmente aconteceu!” finalizou Ulisses.

Embora Elvis tratasse todos esses potentes medicamentos como simples caixinhas coloridas, eles estavam na realidade o levando a um caminho sem volta. As drogas foram minando seu organismo de forma gradual. Conforme a dependência ia aumentando os efeitos iam se tornando menos eficazes. Para manter a mesma eficácia Elvis tinha que sempre aumentar a dosagem, chegando ao ponto em que ele começou a andar literalmente no fio da navalha. Imagine o stress: ao mesmo tempo em que manipulava suas autoridades médicas, Elvis tinha que levar adiante sua vida, se apresentar quase todos os dias e ainda manter tudo em segredo. Um dia essa rotina iria levar Elvis ao colapso nervoso. E não deu outra. Durante muitos anos o real estado de Elvis era um segredo mantido a sete chaves pela organização Presley. A imagem de Elvis estava intocada e para o público ele era um exemplo, tanto em sua vida profissional como em sua vida pessoal.

Mas as coisas começaram a ficar complicadas quando Elvis começou a transparecer todos os seus problemas nos palcos, durante suas apresentações ao vivo. Quando Elvis começou a tropeçar na frente do público a imprensa começou a ficar de olho nele pra valer! Embora tivesse uma constituição física de um touro, o organismo de Elvis começou a fraquejar, principalmente a partir de 1974. Seus abusos iriam agora cobrar seu preço e expor Elvis e seus problemas na frente de todos. O Rei estava nu! O cantor começou a esquecer sistematicamente as letras, a se mostrar totalmente sem energia e sem interesse pelas apresentações, a fazer monólogos confusos e sem graça, a criar atritos com membros da banda e a interromper os concertos para se recuperar nos bastidores.

Isso quando ele conseguia entrar no palco, pois em algumas ocasiões ele sequer tinha condições de sair do hotel em que estava hospedado para fazer os concertos. Em Baton Rouge, Louisiana, por exemplo, Elvis nem conseguiu se levantar da cama na hora do show, totalmente prostrado, em narcose profunda! Além disso ele nunca mais iria caminhar para uma renovação em seus concertos, fazendo shows muito semelhantes entre si ao longo dos anos, quase sempre com as mesmas canções habituais tocadas repetidamente, ad nauseam. Cada apresentação sofrível de Elvis fomentava cada vez mais boatos. As pessoas saíam perplexas de suas apresentações, se perguntando o que havia acontecido com ele! Por que Elvis estava tão obeso, tão confuso e tão desnorteado?

Erick Steve.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Meu Tesouro é Você

Título no Brasil: Meu Tesouro é Você
Título Original: Easy Come, Easy Go
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: John Rich
Roteiro: Allan Weiss, Anthony Lawrence
Elenco: Elvis Presley, Dodie Marshall, Pat Priest

Sinopse:
O mergulhador e aventureiro Ted Jackson (Elvis Presley) decide dar baixa na Marinha americana para se lançar em uma busca ousada por um tesouro há muito desaparecido nas profundezas do oceano sem fim. No caminho porém acaba se apaixonando perdidamente por uma linda garota, mostrando que o verdadeiro tesouro certamente não é aquele afundado nas águas cristalinas da costa azul.

Comentários:
Esse filme marcou a despedida de Elvis Presley na Paramount Pictures. Durante anos o estúdio e o produtor Hal B. Wallis investiram na carreira de Elvis em Hollywood e foram muito bem sucedidos em termos de bilheteria. Em 1967 porém os filmes estrelados pelo cantor já não davam mais o mesmo retorno financeiro esperado. Veja os números desse aqui. O filme custou meros dois milhões de dólares, mas só faturou um milhão e novecentos mil, trazendo um prejuízo de cem mil dólares ao estúdio. Assim a Paramount não mais quis renovar com Elvis para futuras produções. O interessante é que seus filmes faziam sucesso enquanto sua carreira musical ia bem e quando os discos e as músicas deixaram de frequentar o topo dos mais vendidos Elvis foi deixando de ser interessante também para a indústria do cinema americano. De uma forma ou outra a Paramount pode ser parabenizada por sempre ter colocado à disposição do cantor o que havia de melhor em termos de produção na época. Ao contrário da MGM que jogava Elvis em qualquer abacaxi, a Paramount procurava caprichar, até mesmo aqui no final da carreira do cantor no estúdio. Um exemplo? O figurino de Elvis no filme foi todo desenhado pela ótima estilista Edith Head, considerada uma das mais marcantes profissionais da moda no cinema americano durante sua época de ouro. Infelizmente mesmo com a boa vontade dos produtores o filme não consegue decolar. O maior problema de "Easy Come, Easy Go" vem de seu fraco roteiro, com pequena carga dramática, o que deixa o espectador com a impressão de que a estória não avança para lugar nenhum. Elvis até tenta, mas não há como salvar um roteiro fraco, uma lição que todos os grandes astros de Hollywood sabiam muito bem desde sempre.

Pablo Aluísio e Erick Steve.