quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies Volume 2 - Parte 4

"We'll Be Together" foi tirada da trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls". Para os mais cínicos esse filme foi mais um dos vários genéricos de "Blue Hawaii" que Elvis filmou durante os anos 60. O Coronel Parker considerava esse o "produto perfeito" para Elvis, com trilha sonora cheia de músicas havaianas, clima bonito, bela fotografia e obviamente muitos dólares em caixa por causa do sucesso de bilheteria.

Assim para "Girls, Girls, Girls" Elvis voltou ao Havaí. Ele interpretava um jovem pescador que tentava comprar um barco para ganhar a vida, enquanto cantava aqui e acolá nos night clubs locais. A música em si é apenas razoável, como praticamente todas as músicas desse filme. Nada muito memorável. Alguns ainda elogiam seu ritmo, sua sonoridade caribenha, mas sinceramente não me apetece. 

"I Love Only One Girl" era outra de trilha sonora dos anos 60. O filme "Double Trouble" era uma tentativa de levar Elvis para o mundo dos filmes de espionagem, ao estilo James Bond, o agente 007 que tinha permissão para matar. Já deu para perceber que era outro desperdício de tempo e dinheiro. O roteiro trazia um enredo que se passava na Europa, mas o Coronel Parker e a MGM acharam que isso sairia muito caro. Assim uma unidade foi enviada para a Bélgica e outros países do velho continente. Cenas exteriores foram gravadas e trazidas para Hollywood.

Dentro do estúdio, já em Hollywood, Elvis iria apenas contracenar com essas imagens sendo exibidas atrás dele. Era a técnica chamada Back Projection Screen (algo como projeção atrás do elenco), que servia para economizar orçamento, mas que não parecia muito convincente nas telas de cinema. O filme acabou sendo feito assim. Era bem fraco, assim como toda a sua trilha sonora. Embora Elvis tente dar um gás, a verdade pura e simples era que o material era todo sem inspiração, feito às pressas. Assim não haveria mesmo salvação. Só serve mesmo para dar saudades das melhores trilhas de Elvis, que apresentavam boa qualidade artística, algo que ia ficando cada vez mais raro de acontecer, principalmente após 1965.

Pablo Aluísio. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 5

"We Can Make the Morning" tem um belo trabalho vocal por parte dos grupos de apoio de Elvis. Essa canção sempre considerei uma das melhores sob esse aspecto. Talvez não tenha sido tão bem recebida pelo público porque sua sonoridade destoava um pouco do que tocava nas rádios na época. "American Pie" de Don McLean era um hit nas paradas e mostrava bem o que todos estavam querendo ouvir por volta de 1972. Músicas grandiosas como essa de Elvis Presley dificilmente iriam se sobressair no mercado.

A RCA Victor porém resolveu ignorar isso e colocou a música de Jay Ramsey como lado B do novo single de Elvis. Não houve boa receptividade, fazendo com que o compacto chegasse apenas ao quadragésimo lugar entre os compactos mais vendidos, um resultado muito longe do que a gravadora pretendia. É uma pena já que definitivamente a canção era bonita e bem executada. Apenas não era a ideal para ser lançada como single naquela ocasião. De qualquer maneira acabou recebendo boas críticas por parte de revistas especializadas em música. Se não foi tão bom do ponto de vista comercial, pelo menos ganhou a simpatia dos críticos musicais.

O Lado A desse mesmo single veio com a melancólica "Until It's Time For You To Go". Essa era uma nova versão de Elvis para um sucesso de meados dos anos 60. A música havia sido escrita e lançada pela artista canadense Buffy Sainte-Marie. Ela foi uma nativa que cantando sobre paz, amor e ativismo político, conseguiu se sobressair no cenário da música naquele período. Sua versão original é bem de acordo com o movimento hippie, com apenas voz e violão, algo singelo, simples, mas ao mesmo tempo bonito e harmonioso.

Elvis de certa forma tirou a melodia de suas origens e a levou para um estilo mais country and western. Também sua banda TCB vinha nessa pegada. Elvis assim tornava a música mais palatável para o público do sul dos Estados Unidos, que tinha mais familiaridade com a sonoridade vinda de Nashville. Muito provavelmente Elvis nem tenha se inspirada na gravação original de Sainte-Marie, mas sim na versão do grupo britânico The Four Pennies. Eles a gravaram em 1965 e conseguiram transformar sua gravação em um top 20 da parada. Um feito e tanto. Pena que na voz de Elvis a música não voltou a obter muito sucesso na parada de singles. Muito provavelmente ela já havia chegado ao máximo em termos de êxito comercial com os ingleses, sete anos antes.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Escândalo Sexual cancela nova série sobre Elvis Presley

(Los Angeles) - Um escândalo sexual levou a nova série sobre Elvis Presley ao cancelamento! Já estava praticamente tudo certo para a produção de uma nova série chamada "Elvis Presley" entre o gigante da tecnologia, a Apple, e a produtora The Weinstein Company de propriedade do famoso produtor de Hollywood Harvey Weinstein. Com orçamento generoso (algo em torno de 140 milhões de dólares) a nova série estava sendo idealizada para contar de forma definitiva a história do Rei do Rock.

Os roteiristas de outras séries de sucesso como "Narcos" e "Game of Thrones" já estavam praticamente contratados e tudo ia muito bem até que... um escândalo sexual atingiu em cheio nessa semana o produtor Weinstein. Várias atrizes que trabalharam com ele no passado resolveram denunciar o produtor por assédio sexual. Duas estrelas do cinema americano,  Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie, contaram histórias de assédio envolvendo o produtor. Elas disseram que ele forçou situações em que elas só conseguiram papéis importantes em seus filmes se fossem para a cama com ele. Claramente um crime e uma situação que colocará Weinstein no tribunal nas próximas semanas. Certamente ele será processado por sua má conduta com as atrizes.

O escândalo, que tem sido o mais falado em Hollywood nos últimos anos, atingiu também o ator
Ben Affleck que estava sendo cotado por Harvey Weinstein para interpretar Elvis durante os anos 60, em sua fase no cinema. Affleck que se tornou conhecido por interpretar inúmeros filmes e personagens, entre eles Batman, foi acusado de também ter assediado jovens atrizes em Hollywood. Com tantos escândalos sexuais envolvendo essas pessoas a Apple anunciou que está fora do projeto pois teme associar a marca de sua empresa nesse tipo de escândalo sexual. Com isso a série que estava programada para ser lançada no final de 2018 foi definitivamente cancelada, para desapontamento dos fãs de Elvis Presley.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies Volume 2 - Parte 3

Durante muitos anos a trilha sonora de "Blue Hawaii" foi o álbum mais vendido de toda a carreira de Elvis Presley. Um disco que comercialmente trouxe muito sucesso para Elvis. A crítica porém nunca gostou muito dele artisticamente. Disseram que era Hollywoodiano demais, sem consistência, com arranjos enjoativos (a tal sonoridade havaiana). Nem tudo o que se disse foi equivocado. Há de fato músicas que não se sustentam fora da trilha do filme, porém há também bela canções ali.

Um exemplo é "No More", bela balada romântica escrita por Don Robertson (ótimo compositor romântico) e Hal Blair. Gravada e lançada em 1961, justamente dentro da trilha sonora de "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano, no Brasil), essa canção tem uma linda melodia que até hoje surpreende. Além disso Elvis estava em um momento vocal realmente maravilhoso. Um grande momento de sua carreira, sem dúvida alguma. Penso até que Elvis deveria ter aproveitada essa canção romântica nos palcos durante os anos 70.

Outra boa faixa que foi usada nessa coletânea, outra que também veio de Hollywood, foi a italianíssima "Santa Lucia". Fã de Dean Martin, Elvis sempre flertou com a música italiana, algo que se acentuou depois quando ele retornou do exército em 1960. De tempos em tempos surgia no mercado novas gravações de Elvis nesse estilo, todas herdeiras de uma forma ou outra de seu grande sucesso "It´s Now Or Never" (seu compacto mais vendido em todos os tempos). Pois bem, essa faixa foi gravada para fazer parte do filme "Viva Las Vegas" (Amor à toda Velocidade, 1963). No filme ela não chegou a ser bem utilizada, mas dentro dos estúdios Elvis se empenhou e acabou tendo uma excelente performance, cantando a música com um capricho todo especial. Gosto muito do resultado final.

Também de 1963 temos "Guadalajara" de "Fun in Acapulco" (O Seresteiro de Acapulco, no Brasil). Aqui já percebemos uma canção que nunca funcionaria muito bem fora do filme. É algo muito específico, com uma vocalização de apoio que sempre me soou muito exagerada. Não é aquele tipo de gravação que Elvis levaria para os palcos. É algo realmente mais para o cinema mesmo, feita e gravada para funcionar em cena, nada mais do que isso. Elvis até parece bem focado, tentando tirar alguns versos em espanhol, mas fora isso nada de muito relevante. Para criar todo um clima em torno da musicalidade mexicana exageraram um pouco no arranjo de metais. Enfim, coisas de Hollywood.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Elvis - The Last Movies

Essa é a capa do novo CD do selo FTD (Follow That Dream) intitulado "Elvis - The Last Movies" ("Elvis - Os Últimos Filmes" em português). Achei a ideia muito boa, até porque é notório que os últimos filmes de Elvis no cinema não tiveram o tratamento adequado em termos de trilhas sonoras pela gravadora RCA Victor na época de seus lançamentos. As músicas desses filmes foram dispersadas dentro do mercado, ora surgindo como meros "tapa buracos" de seus discos promocionais, ora como compactos sem qualquer divulgação pela RCA.

Nenhum dos filmes ganhou uma trilha sonora própria, lançada como álbum, como havia acontecido nos primeiros anos de Elvis em Hollywood. Tudo foi de certa maneira desprezado, pessimamente tratado pelo selo RCA. Agora temos a reunião das três últimas trilhas sonoras, trazendo além das gravações oficiais, muito material inédito, takes alternativos e um pequeno livreto com várias fotos inéditas, rara memorabilia e informações em geral das sessões originais. É uma boa pedida para os colecionadores adquirirem o pacote completo do trabalho de Elvis feito durante os anos 60 no cinema. Aqui temos muito material proveniente do faroeste "Charro", da boa comédia de costumes "Lindas Encrencas, as Garotas" e do bom filme final "Ele e as Três Noviças". Vale muito a pena comprar esse novo CD. Deixamos assim a dica desse lançamento que está chegando nas lojas dos Estados Unidos, Europa e Japão nas próximas semanas. 

Elvis Presley - Elvis The Last Movies (2017)
01 Change Of Habit / 02 Rubberneckin' / 03 Let's Be Friends / 04 Have A Happy / 05 Let Us Pray / 06 Clean Up Your Own Back Yard / 07 Almost / 08 Charro / 09 Let's Forget About The Stars / 10 Let's Forget About The Stars (rough mix) / 11 Charro (rough mix) / 12 Clean Up Your Own Back Yard (undubbed master) / 13 Almost (undubbed master) / 14 Swing Down Sweet Chariot (movie version) / 15 Swing Down Sweet Chariot (female vocals and brass overdub) / 16 Signs Of The Zodiac (duet with Marlyn Mason) / 17 College Songs Medley (Far Above Cayuga's Waters / Boola Boola / Dartmouth's In Town Again / The Eyes Of Texas / On, Wisconsin / The Whiffenpoof Song / Fair Harvard / Notre Dame / Violet) / 18 Almost (takes 1-3*) / 19 Almost (takes 4* & 6) / 20 Almost (takes 10*-11) / 21 Almost (take 13*) / 22 Almost (takes 14-16*) / 23 Almost (takes 22-25*) / 24 Almost (takes 27-28*) / 25 Almost (take 29*) / 26 Let Us Pray (alternate vocal overdub) / 27 Let Us Pray (M/vocal only).

Pablo Aluísio.

domingo, 8 de outubro de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 4

É fato que os americanos nunca deram muita bola para a balada romântica "Sylvia". Nos Estados Unidos essa música nunca chegou a ser um sucesso. Nem entre os fãs mais ardorosos daquele país há qualquer destaque dado para a canção. Assim ela é considerada mesmo um verdadeiro "Lado B", ou seja, uma faixa gravada apenas para completar o espaço de um disco. Nada mais do que isso. O curioso é que mesmo em fóruns de colecionadores no exterior há um certo desprezo pela gravação.

No Brasil as coisas mudam de figura. "Sylvia" foi certamente um dos maiores sucessos da carreira de Elvis Presley. A música tocou muito nas rádios, ajudou o álbum "Elvis Now" a vender muito em nosso país, além de ter sido colocada como single nacional para aproveitar o sucesso na época. O compacto (único no mundo todo) até hoje é cobiçado por quem coleciona discos de vinil.

Em suma, "Sylvia" foi um grande hit verde e amarelo, sob qualquer ponto de vista. Fazendo um exercício de imaginação, se Elvis tivesse vindo ao Brasil realizar algum show por aqui nos anos 70 certamente ele teria que colocar "Sylvia" como um dos destaques de seus concertos, já que o público brasileiro não iria admitir uma apresentação sem essa canção tão querida dos fãs brasileiros. Como infelizmente isso nunca aconteceu e como Elvis ficou mesmo enclausurado dentro dos Estados Unidos pelo resto de sua vida, ele nunca chegou a interpretar a música ao vivo, afinal para os americanos ela nunca passou de ser um mero "Lado B" da discografia do cantor. Que pena!

Avançando no disco temos ainda "Put Your Hand in the Hand". Confesso que nunca gostei muito dessa faixa. Ela tem uma melodia até agradável, mas o excesso de repetições da letra e do refrão cansam o ouvinte após algumas audições. A letra é gospel, trazendo de volta o Elvis religioso, sempre louvando a Deus. A letra basicamente é quase uma oração, incentivando o ouvinte a colocar seu destino nas mãos de Deus, ou melhor dizendo, colocando suas mãos nas mãos do homem da Galileia, que com suas próprias mãos acalmou as águas do mar. Basicamente é isso. Como se trata de uma música religiosa o refrão é repetido inúmeras vezes. Não há nada de errado nesse tipo de composição harmônica, apenas acredito que canse um pouco, funcionando melhor mesmo dentro de um culto religioso, com todos batendo palmas e cantando juntos.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Priscilla Presley lançará livro infantil inspirado em Elvis para suas netas

Priscilla Presley está levando o legado de Elvis em frente. Agora em seu novo projeto ela anunciou o lançamento de um livro infantil para as novas gerações. Priscilla chamará o livro de "Elvis Presley's Love Me Tender", inspirado na famosa balada romântica de seu ex-marido. Segundo ela o livro infantil será um presente especial para suas duas netas que atualmente moram ao seu lado em Los Angeles.

Sobre elas Priscilla explicou: "As gêmeas sabem muito sobre seu avô. Sabem que ele foi um artista muito famoso, que ele amava sua casa Graceland, conhecem seus filmes, suas músicas. Elas reconhecem a voz do avô sempre que uma música dele toca na rádio."

Priscilla explicou também que a história de Elvis pode ser contada de uma forma bem leve, como uma fábula para crianças. "Quando eu contei que iria escrever esse livro elas imediatamente reconheceram o nome da música do avô. Esse livro vai trazer uma história muito bonita, de felicidade, amor e um final feliz. O que mais poderia se esperar de um livro para crianças?" - perguntou Priscilla.

A data prevista de lançamento está marcada para 13 de novembro de 2017. Priscilla ainda não decidiu se lançará o livro primeiro em Memphis ou Los Angeles onde mora, mas tem certeza que as netas de Elvis vão adorar o livro. "Ela adoram livros, contos de fadas, etc. Harper e Finley são muito atentas nos detalhes, nos desenhos, nas gravuras dos livros. Elas estão sempre contando essas estorinhas para si mesmas, e muitas vezes acabam lendo para mim! Acho que vai ser maravilhoso lançar esse livro" - concluiu Priscilla.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Elvis Presley - Love Letters From Elvis (1971)

Elvis Presley - Love Letters From Elvis (1971) - "Love Letters from Elvis" foi o último álbum a trazer músicas inéditas gravadas em Nashville, na chamada "Nashville Marathon". Em apenas poucos dias Elvis gravou um número enorme de músicas que foram sendo lançadas aos poucos. Esse "Love Letters" não foi um disco bem sucedido nas paradas. Na verdade fez mais sucesso na Inglaterra do que nos Estados Unidos, onde conseguiu chegar no máximo em um desolador trigésimo terceiro lugar entre os mais vendidos. Na terra da Rainha alcançou o Top 10, mostrando o quanto os ingleses gostavam de Elvis. Isso é bem curioso porque todos viviam perguntando quando Elvis iria se apresentar em Londres. Depois de tantos anos o cantor nunca havia feito uma única apresentação na Europa, algo que era encarado como único e estranho entre os superstars da música mundial. Depois descobriu-se que Tom Parker não poderia sair das fronteiras americanas porque ele não tinha passaporte, afinal era um imigrante ilegal. Pois é, por causa da situação ilegal do seu empresário o velho mundo ficou sem ver Elvis ao vivo, um absurdo!

"Love Letters from Elvis" apresentava um repertório agradável de músicas bem escritas e gravadas, porém temos que reconhecer que nenhuma delas tinha vocação para o sucesso nas paradas. A impressão que fica é que a RCA Victor foi selecionando as melhoras para os discos anteriores (como "That´s The Way It Is") deixando o "resto" para ser lançado tudo de uma vez, nesse disco. Pode até parecer cruel pensar dessa forma, mas se formos analisar bem o que realmente aconteceu, a conclusão que chegamos é exatamente essa. É um disco de retalhos, material que não havia sido aproveitado antes, que tinha que ser lançado de um jeito ou outro. Mesmo assim, como escrevi, isso não significa que seja um disco ruim, longe disso. Na verdade é um disco de músicas que não tinham muita vocação para se tornarem hits nas rádios, mas que nem por isso não deixavam de ter seu valor. A própria faixa título do disco, "Love Letters", já tinha sido gravada antes pelo próprio Elvis em estúdio, durante os anos 60. O resto da seleção não era tinha maior potencial para o sucesso, eram canções diferentes, com letras bonitas, mas nada que fosse virar sucesso nas paradas. Por tudo isso o disco acabou sendo esquecido com os anos. Era um álbum de canções inéditas de Elvis, algo que deveria ter sido mais bem sucedido, porém nem mesmo um astro como Elvis Presley tinha a capacidade de transformar tudo o que gravava em grande fenômeno de vendas. Ele era o Rei do Rock, não o Rei Midas.

1. Love Letters (E. Heyman / V. Young) - Balada romântica que dá título a esse álbum de Elvis Presley, é uma antiga canção, muito popular nos anos 1940. Ela foi composta por Victor Young, violonista, pianista e compositor clássico. Nascido em Chicago, ele foi até Hollywood tentar a sorte. Acabou se dando muito bem, escrevendo canções populares românticas para trilhas sonoras de filmes dos grandes estúdios de cinema. Essa foi uma delas. Ela fez parte da trilha sonora do filme "Um Amor em Cada Vida", um drama estrelado por Jennifer Jones e Joseph Cotten. Acabou sendo indicada ao Oscar na categoria de Melhor Música original naquele mesmo ano. Os créditos foram dados ao próprio Young e ao letrista Edward Heyman. Antes de Elvis ainda haveria uma outra versão, gravada por Ketty Lester em 1962. Elvis raramente gravava uma música em estúdio duas vezes. Isso aconteceu com "Blue Suede Shoes" que foi gravada para o primeiro álbum de Elvis na RCA Victor e depois para a trilha sonora do filme "G.I. Blues" (Saudades de um Pracinha) e depois com "You Don't Know Me" da trilha sonora de "Clambake" (O Barco do Amor), também regravada em estúdio por Elvis após a gravação original. Assim "Love Letters" era igualmente um caso bem raro. Elvis a gravou originalmente na década de 1960 e depois a gravou novamente, sendo essa segunda versão a usada nesse disco. Qual teria sido a razão? Não se sabe ao certo. Particularmente ainda prefiro a versão de 1966. O cantor parece mais concentrado e mais firme. Os arranjos também são mais adequados para essa velha composição romântica. Há um clima de nostalgia que valoriza muito a melodia. De qualquer maneira ambas as versões de Elvis são muito boas, sem dúvida. No final das contas se torna apenas um caso de gosto pessoal de cada ouvinte.

2. When I'm Over You (S. Milete) - Essa foi outra composição de S. Milete a entrar no álbum. Esse autor já havia composto a estranha "Life" e aqui surgia com algo mais convencional. É fato que Elvis procurou por um novo time de compositores nos anos 70. Na década anterior ele ficou muito preso a um grupo de escritores de Nova Iorque e Los Angeles que acabou criando quase todas as músicas de suas trilhas sonoras. Aquele material saturou Elvis que agora procurava por novos caminhos, outras sonoridades. Essa faixa porém não agradou muito. Para muitos ela seria apenas uma canção qualquer, feita para completar cronologicamente o LP. É uma visão até bem pessimista, já que apesar de ser bem comum a melodia desse country ainda apresenta alguns momentos bons, de clara inspiração melódica. A RCA Victor porém não fez nada por ela, se tornando assim mais uma música pouco conhecida fora do círculo dos fãs mais conhecedores da obra de Elvis. "When I'm Over You" nunca foi lançada em outro álbum, nem em coletâneas, nem em nada. E como Elvis também nunca a cantou em concertos ela foi simplesmente sumindo, desaparecendo com o passar dos anos.

3. If I Were You (G. Nelson) -  Outro country considerado bem abaixo da média. Ela foi composta pelo músico Gerald Nelson. Essa canção foi gravada no último dia de sessão da famosa Nahsville Marathon. Era o dia 8 de junho de 1970 e após gravar dezenas e dezenas de canções Elvis estava visivelmente cansado e esgotado. Nessa noite em especial ele conseguiu ainda emplacar outras cinco canções: "There Goes My Everything", "Only Believe", "Patch Up" (que seria lançada no disco "That´s The Way It Is") e "Sylvia" (o grande sucesso de Elvis no Brasil, lançado no disco "Elvis Now" dois anos depois de ser gravada). Impossível não notar um certo clima de fim de festa. Elvis era um cantor muito produtivo dentro dos estúdios, mas depois de tantas gravações ele se mostrava mesmo bem cansado, principalmente em sua performance vocal. A linha de melodia da canção também não ajuda muito, sempre rodando em círculos, sem ir para qualquer direção. A letra era novamente romântica e referencial, onde um homem apaixonado tentava convencer sua paixão a ficar ao seu lado. Um tema até bem batido, mesmo dentro dos padrões de Nashville. Enfim, uma música sem novidades que acabou sendo facilmente esquecida após algum tempo.

4. Got My Mojo Working / Keep Your Hands Off Of It (P. Faster / E. Presley) - Dando sequência na análise das canções do álbum " Love Letters from Elvis" vamos tecer mais alguns comentários sobre essa faixa. A primeira vez que ouvi "Got My Mojo Working / Keep Your Hands" fiquei com a nítida impressão de que se tratava de um mero ensaio ou melhor dizendo, uma animada jam session. Esse tipo de gravação não entrava, via de regra, nos discos oficiais de Elvis. O produtor Felton Jarvis porém teve outra opinião sobre isso. Ele gostou tanto do resultado, da espontaneidade de Elvis e sua banda, que não pensou duas vezes e colocou essa gravação informal dentro do disco. Como não era algo comum de acontecer nos álbuns de Elvis, que sempre saíam com grande produção e profissionalismo, acabou chamando a atenção dos fãs na época de seu lançamento original. É um bom momento do disco, valorizado pelo fato de ser uma versão de Elvis para uma música do grande Muddy Waters, um nome consagrado. Curiosamente embora tenha sido de certa maneira ousado em escolher essa jam session para fazer parte do disco, o produtor Felton Jarvis resolveu editá-la, pois a versão no total tinha quase seis minutos de duração, algo considerado nada comercial naqueles tempos. Assim a versão que ouvimos no LP original é bem mais curta e bem mais editada, com a adição de instrumentos promovidos por Jarvis em seu estúdio.

5. Heart Of Rome (Stephens / Blaikley / Howard) - "Heart Of Rome" era mais uma música Italianíssima que Elvis trazia para seu repertório. Elvis não tinha raízes italianas (seus antepassados tinham vindo da Escócia para os Estados Unidos), mas ele amava a músicalidade daquela grande nação. Provavelmente Elvis tomou gosto pelas canções italianas ouvindo Dean Martin, um dos seus cantores preferidos. Logo percebeu que as melodias italianas soavam perfeitas para ele disponibilizar aos seus fãs grandes performances vocais. Afinal ele tinha obtido excelentes resultados comerciais no passado com gravações como "It´s Now Or Never" e "Surrender". Infelizmente porém dessa vez a RCA Victor resolveu não trabalhar na promoção da música, se limitando a divulgá-la de forma bem tímida nas rádios como mero lado B do single "I´m Leaving". Penso que se houvesse maior capricho por parte de sua gravadora, principalmente em seu lançamento europeu, o compacto teria se tornado um grande sucesso.

6. Only Believe (P. Rader) - Essa música "Only Believe" sempre me pareceu como uma interessante fusão entre gospel e blues. Essa música não é unanimidade entre os fãs de Elvis. Há aqueles que gostam muito de sua proposta e outros que a consideram abaixo da média, uma música sem muita identidade, transitando entre gêneros musicais diversos, sem optar definitivamente por nenhum deles! Penso que é um bom momento do álbum, inclusive chegou a ser escolhida pela RCA Victor para ser o lado B do single "Life" (sim, aquela estranha composição falando sobre a origem do universo e outras coisas sem nexo). Infelizmente o single não foi muito bem sucedido comercialmente, chegando apenas na posição 53 da Billboard. Algo que era até esperado pois nenhuma das faixas tinha potencial mesmo de se tornar um grande hit na paradas!

7. This Is Our Dance (L. Reed / G. Stephens) - Essa canção é uma criação do músico e compositor inglês Leslie David Reed. Ele era o maestro e líder uma orquestra muito popular no Reino Unido na década de 1950, onde também tocavam os músicos Gordon Mills e Barry Mason. Naqueles tempos os bailes tinham se tornado bem populares, assim várias orquestras surgiram, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos (fenômeno que também se repetiu no Brasil, na mesma época). Por essa razão as características dessa música são bem claras no tocante ao seu ritmo e melodia. É uma música romântica de baile, composta para ser tocada nos grandes salões da Europa. Provavelmente Elvis tomou conhecimento dela por causa justamente da The Les Reed Orchestra, uma vez que essa orquestra também gravou um disco com "Also Sprach Zarathustra" que Elvis iria utilizar como abertura de seus concertos na década de 1970.

8. Cindy, Cindy (Kaye / Weisman / Fuller) - Esse country com bela melodia bucólica era bem mais dentro do padrão. Um country rock muito bom, que deveria ter sido usado como música de trabalho do álbum. Curiosamente a música foi composta pelo trio Kaye, Weisman e Fuller. Esse pessoal compôs muitas canções para os filmes de Elvis durante os anos 60. Revê-los aqui, na contracapa de um álbum de Elvis dos anos 70, também soa ao seu modo bem estranho. Houve uma certa ruptura com o trabalho desses autores depois que Elvis deixou Hollywood. Voltar para gravar músicas deles era algo inesperado. De qualquer maneira é uma boa canção, inclusive contando com aquela certa inocência das músicas dos filmes da década anterior. Ela é salva no final das contas pelo alto astral e boa performance de Elvis e banda! O guitarrista James Burton inclusive contou com um belo solo para mostrar sua habilidade. No geral é um momento bem agradável do disco, embora se formos comparar com outras faixas como "Life" a letra pareça bem pueril e bobinha.

9. I'll Never Know (Karget / Wayne / Weisman) - Essa canção foi composta por Ben Weisman. Como se sabe ele foi o autor de dezenas de músicas para Elvis em seus filmes na fase Hollywood. No total chegou a escrever mais de 50 canções para Elvis durante os anos 60! Um recorde dentro da discografia do cantor! Aqui Weisman retorna para a discografia de Presley com uma melodia singela, que para muitos lembra bastante as próprias composições de Hollywood que ele escreveu na década anterior. Penso que embora lembrem mesmo há o diferencial do vocal de Elvis. Nos anos 70 ele tinha deixado a suavidade das trilhas dos anos 60 para trás, adotando um estilo mais forte, grandioso! E isso no final das contas acaba fazendo toda a diferença.

10. It Ain't Big Thing (But is Crowing) (Merrit / Joy / Hall) - E se você gosta de country music mais tradicional certamente vai apreciar "It Ain't Big Thing (But is Crowing)". O vocal de Elvis e o arranjo são bem caipiras, parecendo até mesmo uma banda das montanhas do Kentucky. Essa gravação aliás ficaria muito bem nos tempos da Sun Records e dos Blue Moon Boys. Muitos especulam porque ela não foi acrescentada no repertório do álbum "Elvis Country". De fato seria mais do que adequada. A letra é simples, romântica, levemente melancólica. Nada de surpresas ou esquisitices. Para temas country nada melhor do que letras que evocam os sentimentos românticos da forma mais direta e emocional possível. Tudo aliado a uma boa gravação. Sem dúvida outro bom momento desse álbum que merece inclusive ser redescoberto pelos fãs.

11. Life (S. Milete) - Sempre que se escreve sobre esse álbum se chama a atenção para a música "Life". Realmente, se formos analisar sua letra veremos que dentro da longa e vasta discografia de Elvis Presley nunca se viu nada parecido com isso. S. Milete, que escreveu a letra, começa falando no surgimento da vida, nos primeiros seres vivos, em um universo ainda em formação! Versos como "Em algum lugar no espaço vazio / Muito antes da raça humana / Alguma coisa esquentava / Uma vasta e atemporal fonte se iniciou!" soam bem estranhos. A letra é grande, complicada de memorizar e totalmente fora dos padrões da média do que Elvis seguia em sua carreira na época. O autor, tipicamente uma pessoa influenciada pelo movimento hippie, flower power e derivados, parece ter exagerado um pouco na dose, criando algo até mesmo surreal. Pelo visto ele andou tomando alguma coisa meio esquisita quando compôs essa música! O que levou Elvis a gravar uma faixa como essa ainda é um mistério. Provavelmente ele estava inspirado por causa de suas leituras místicas, religiosas e procurou por algo que se relacionasse a esse tipo de literatura para gravar. Curiosamente a letra, apesar de ser completamente sui generis, misturava visões científicas, religiosas e sentimentos de amor, tudo em um só pacote! O produtor Felton Jarvis procurou melhorar bastante a gravação, acrescentando um background musical que poderia ser qualificado como "esotérico", com uso de flautas e instrumentos adicionais que praticamente nunca eram usados nas gravações de Elvis. Enfim, se existe uma música diferente dentro da discografia de Elvis durante os anos 70 essa é certamente "Life" e sua singular mensagem.

Elvis Presley - Love Letters From Elvis (1971) - Elvis Presley (vocal) / James Burton (guitarra) / Jerry Scheff (baixo) / Ronnie Tutt (bateria) / Chip Young (guitarra) / Bob Lanning (bateria) / Charlie Hodge (violão e voz) / Glen Hardin(piano) / The Imperials (vocais) / The Sweet Inspirations (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / John Wilkinson (guitarra) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (bateria) / David Briggs (piano) / Charlie McCoy (orgão e Harmônica) / Bobby Thompson (Banjo) / Harold Bradley (guitarra) / The Jordanaires (vocais) / Farrel Morris (percussão) / Bobby Morris e sua Orquestra / Produzido por Felton Jarvis / Arranjado por Felton Jarvis, Elvis Presley, Glen D. Hardin, Cam Mullins, David Briggs, Bergen White, Norbert Putnam / Local de gravação: RCA Estúdio B, Nashville, Tennessee, Estados Unidos / Data de Gravação: 4 a 8 de junho de 1970 / Data de Lançamento: Junho de 1971 / Melhor posição nas paradas: 33 (EUA) e 7 (Reino Unido).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Priscilla Presley fala sobre suas netas

(Londres) - Como se sabe desde o divórcio de Lisa Marie Presley de seu marido, as suas filhas ficaram sob a guarda e custódia da avó Priscilla Presley. O juiz determinou que assim fosse para preservar as crianças do stress do fim do casamento de Lisa Marie, das brigas judiciais e também dos problemas enfrentados pela filha de Elvis Presley em relação a sua dependência química.

As duas meninas chamadas Finley e Harper agora moram com Priscilla em sua casa em Los Angeles. Durante algum tempo Priscilla não quis falar sobre isso publicamente, mas recentemente deu uma entrevista contando sobre a experiência de morar com as netas pela primeira vez.

Priscilla declarou: "São duas meninas maravilhosas. Minha casa sempre será o lar delas também. Fiz com que o ambiente ficasse bem adequado para crianças de sua idade. E elas são realmente maravilhosas. Sempre se encontram com seus pais quando podem. Estão matriculadas em uma boa escola, perto de minha casa. No começo iriam ficar apenas nove meses, mas agora já estão adaptadas na nova casa. Vamos ver o que vai acontecer daqui em diante".

Sobre o complicado divórcio de Lisa Marie Presley com seu ex-marido  Michael Lockwood, Priscilla procurou ser diplomática nas palavras. Ela disse: "Essa é uma questão muito pessoal entre eles. Estão surgindo muitos rumores, muitos boatos. Isso tudo gera muita especulação sobre o casamento de Lisa. Estamos resolvendo tudo para que não prejudique as crianças. Tudo tem que ser resolvido com dignidade". A imprensa inclusive chegou a cogitar a possibilidade das duas netas de Priscilla e Elvis serem enviadas para uma instituição mantida pelo Estado da Califórnia, algo que Priscilla rejeitou prontamente. Sobre a questão Priscilla afirmou: "Isso jamais vai acontecer! As meninas nunca serão enviadas para um orfanato ou algo do tipo! Jamais! Elas estão morando comigo e assim será até que tudo seja resolvido. Tudo está bem agora, minhas netas estão morando ao meu lado e estão muito felizes!."

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Priscilla Presley revela os motivos de sua separação de Elvis

(Londres) - A ex-esposa de Elvis, Priscilla Presley, resolveu contar em entrevista para o jornal inglês Daily Mail a verdadeira razão pela qual resolveu acabar seu casamento com Elvis Presley. Em uma entrevista para relembrar os 40 anos sem Elvis, Priscilla declarou: "Havia muita infidelidade por parte de Elvis em nosso casamento. Eu não poderia mais viver com esse tipo de situação. Eu não estava disposta a dividir meu homem com essas mulheres!".

Aos 72 anos a única mulher que foi casada com o ícone da música Elvis Presley resolveu abrir seu coração sobre o fim de seu casamento. "Eu não conseguia mais tolerar sua infidelidade" - disso se referindo ao ex-marido. Elvis, contando com muito assédio de mulheres na época sucumbiu às tentações. No começo Priscilla até tentou superar a situação, mas não conseguiu aguentar por muito tempo o fato de Elvis ter inúmeros casos com outras mulheres enquanto estava casado com ela.

Priscilla resumiu o comportamento de Elvis durante seu casamento dizendo: "Havia muita tentação ao seu redor, muita infidelidade. Chegou a um momento em que não consegui mais viver com aquilo. Não estava disposta a compartilhar meu marido, meu homem!". Priscilla não citou em suas declarações nada sobre seu caso amoroso com Mike Stone, que para muitos biógrafos foi o fato que realmente colocou um fim definitivo em seu casamento.

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de setembro de 2017

Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden - Parte 2

A versão ao vivo de Elvis para seu grande clássico "Love Me Tender" nesse show realizado no Madison Square Garden é inegavelmente fraca. Apenas um minuto e trinta segundos de performance. Nada muito inspirador. Na verdade Elvis sempre transparecia um certo desleixo no que se referia ao seu repertório mais antigo, dos anos 50. Ele parecia ter pouco apreço por esses grandes sucessos do começo de sua carreira. Qual seria a razão? Complicado descobrir. Um pista porém pode ser encontrada numa frase que ele disse nos anos 70, ao afirmar que não queria ser um cantor de 40 anos rebolando ao som de "Hound Dog"!

Provavelmente Elvis entendia que isso significava que ele não havia avançado musicalmente em sua carreira, vivendo apenas dos velhos sucessos do passado. E por falar em "Hound Dog", essa também foi cantada nesse show. Outra versão de pouco mais de 1 minuto de duração. Outra que ele não levou nada à sério. Provavelmente só entrou na seleção de repertório do show para relembrar aos nova-iorquinos de onde ele vinha, de seu passado glorioso nos primeiros dias do rock ´n´ roll americano. Melhor se saiu (mas apenas um pouquinho melhor) com o medley "Teddy Bear / Don't Be Cruel", Aqui Elvis demonstrou um pouco mais de foco - porém nada muito digno de nota. Ele parecia mesmo incomodado de trazer de volta esses "Oldies", as velharias de um passado remoto.

Realmente, se formos pensar no pior lado desse grande show da carreira de Elvis Presley vamos perceber que todas as antigas músicas de sua fase mais roqueira, justamente nos anos 50 quando ele foi chamado de "O Rei do Rock", foram negligenciadas nesse palco. A versão de "All Shook Up" não tem nem 1 minuto de duração! Que lástima! Essa música foi sem dúvida um dos grandes hits de Elvis em 1957. Uma canção essencial, que ganhou discos de ouro e platina. Como é possível Elvis apresentar um número tão medíocre para um clássico tão importante? Lamentável em todos os aspectos.

"Love Me" do disco "Elvis" de 1956 só não foi mais desprezada por Elvis porque afinal de contas seu sabor mais ao estilo country music se adequava mais ao direcionamento que Elvis vinha tomando em seus shows. Mesmo assim essa versão live não conseguiu ter nem dois minutos de duração! "Heartbreak Hotel" me soa bem melhor. Aliás sempre gostei bastante desse novo arranjo dos anos 70. Embora a versão de estúdio dos anos 50 seja excepcional, era mesmo de se esperar que sua sonoridade um tanto sombria fosse deixada de lado nesse momento. Por fim, fechando esse levantamento de seus antigos clássicos roqueiros cantados no palco em Nova Iorque, é importante citar a canção que deu começo a tudo, "That's All Right". Aqui o pique de ser a primeira canção da apresentação (logo após os acordes de "Also Sprach Zarathustra") a salvou da banalidade. Ótima performance embalada por arranjos novos, com muita energia e vibração. Para realmente levantar o público.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies Volume 2 - Parte 2

Como era de se esperar em uma coletânea como essa, da RCA Camden, há uma boa dose de bobagens no repertório do disco. Curiosamente porém há também boas faixas, mesmo que retiradas das trilhas sonoras dos filmes de Elvis em Hollywood. Um bom momento vem com a romântica "Tender Feeling" do filme "Kissin Cousins" de 1964. Hoje em dia já gosto mais dessa trilha sonora. O filme é muito fraco, com um roteiro explorando dois personagens interpretados por Elvis, um caipira das montanhas e um oficial da força aérea. A única diferença entre eles era uma peruca loira.

A parte musical do filme é bem melhor. Com o passar dos anos e com a inúmeras audições a trilha sonora hoje em dia me soa até bem divertida, com alguns momentos que se destacam. Essa canção "Tender Feeling" eleva a qualidade do disco como um todo. Elvis estava em um excelente momento vocal, cantando com aquela tonalidade do começo dos anos 60, caprichando realmente na interpretação. A melodia também ajuda muito. Não foge muito de certos clichês, mas o arranjo (igualmente adequado) preserva o romantismo à prova de falhas. Alguns podem até se enganar pensando tratar-se de mais uma composição de Don Robertson, mas não, essa é uma criação, quem diria, do trio Bernie Baum, Bill Giant e Florence Kaye. Aliás praticamente toda a trilha de "Kissin Cousins" é uma criação deles.

"Am I Ready" é outra balada romântica de filmes. Essa porém fez parte do filme "Spinout", um derivado de "Viva Las Vegas", onde Elvis voltava a interpretar um piloto de pistas de corridas. Até considero o filme bem produzido, fruto de um certo capricho do estúdio pois essa produção foi lançada para celebrar os 10 anos de Elvis em Hollywood. Até o famoso piloto Bruce McLaren, fundador da igualmente conhecida equipe de Fórmula 1, fez uma pequena pontinha no filme. Aliás um dos carrões que Elvis pilota em cena era uma autêntica máquina McLaren, uma das primeiras de sua recém fundada indústria de carros esporte.

Pois bem, deixando de lado essas curiosidades automobilísticas, o fato é que a sonoridade da trilha sonora desse filme nunca me convenceu completamente. Há algo estranho nas gravações dessas músicas. Algo que incomoda. Os arranjos também sempre me soaram como menos caprichados do que de outras trilhas do passado. Essa baladinha romântica tem seus momentos, mas como fez parte de um pacote maior, acabou sendo prejudicada justamente por causa de sua sonoridade fora de tom. Também passava longe de ser uma novidade dentro da discografia de Elvis. Havia outras faixas dos anos 60, algumas arquivadas há anos, que certamente chamariam mais a atenção dos fãs.

Pablo Aluísio.

sábado, 16 de setembro de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 8

Um dos dramas da vida de Elvis foi que ele não teve a oportunidade de se tratar adequadamente de seu problema de depressão. O Coronel Parker não queria que sua imagem pública fosse maculada com o estigma de ser depressivo. Havia muito preconceito sobre isso na época. Assim na ânsia de esconder tudo na imprensa o próprio Elvis acabou ficando sem o tratamento adequado. O que havia no lugar disso eram meros paliativos, como as pílulas receitadas pelo Dr. Nick. O problema é que ele não era um médico especialista em depressão, longe disso.

Sem consultar um médico especializado em depressão, sofrendo todos os tipos de stress por causa de sua profissão e sem passar pelo tratamento certo, Elvis foi afundando cada vez mais na doença. Ele tinha problemas de insônia desde quando era apenas um adolescente, mas com seu estado depressivo a coisa piorou. Elvis passava dias sem dormir, mesmo quando tomava as drogas receitadas pelo Dr. Nick. A ausência de sono, a estafa de viver viajando para cumprir agendas puxadas de show e a própria melancolia que ia se instalando em seu espírito justamente por causa da depressão o foram deixando cada vez mais com um aspecto doentio. O aumento de peso também se tornou visível. Elvis muitas vezes procurava consolo na comida. Sozinho em seu quarto, ele era capaz de comer três, quatro ou cinco grandes pratos de uma refeição que geralmente não era nada saudável. Era claramente uma forma dele em amenizar sua tristeza.

A carreira também deixava Elvis frustrado. Depois do NBC Special ele teve um novo fôlego em seus discos e a volta aos palcos trouxe novamente a alegria do contato com os fãs. Porém depois de 1973 a carreira de Elvis voltou a estagnar. Não havia mais novos desafios. Elvis tinha esse velho sonho de fazer uma turnê internacional como havia feito os Beatles nos anos 60, mas o Coronel Parker sabotava toda tentativa dele nesse sentido. Ao invés de ir para Londres, Paris ou até mesmo ao Japão, Elvis ficava preso em apresentações de temporadas realizadas em hotéis cassinos ou em pequeninas cidades do interior dos Estados Unidos. Não era nada desafiante para quem já tinha passado por tudo isso desde os anos 50.

Curiosamente esse estado depressivo de Elvis também começou a se refletir na escolha do repertório de seus discos nos anos 70. Elvis não era um compositor, por isso escolhia músicas que tinham letras em que ele pudesse de alguma forma se identificar. Geralmente baladas românticas bem tristes contando histórias de rompimento, decepções e desilusões. Algo que ele havia sentido com o fim de seu casamento com Priscilla Presley. Fora isso Elvis encheu seus álbuns de muita country music e gospel. O Rock, o gênero que o havia consagrado, o levando a ser chamado de "Rei do Rock" no passado, foi deixado para trás. Isso intrigou a imprensa. Durante uma de suas raras entrevistas, um jornalista perguntou a Elvis porque ele não gravava mais rocks! Tentando se sair Elvis apenas desculpou-se, dizendo que não havia mais bom material nesse estilo musical para gravar. Não era verdade, era apenas uma questão de falta de identificação, uma vez que Elvis não se sentia mais jovem, nem rebelde e nem muito menos roqueiro. Ele estava, no fim das contas, apenas se sentindo muito depressivo.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Elvis Presley - Tahoe '73

Nos anos 70 o Coronel Tom Parker direcionou a carreira de Elvis para um determinado tipo de apresentação em cassinos. Primeiramente em Las Vegas e depois em Lake Tahoe. É curioso que foi justamente nesse último local que Elvis acabou realizando suas temporadas menos conhecidas e menos badaladas. O cantor Frank Sinatra era sócio justamente do Sahara Tahoe onde Elvis se apresentou várias vezes. Geralmente Sinatra levava seu próprio grupo de artistas (o chamado Rat Pack com Dean Martin, Sammy Davis Jr, entre outros) para se apresentar na alta temporada. Nos meses menos frequentados o velho Sinatra entrava em contato com o Coronel Parker para levar Elvis para curtas temporadas por lá. Era uma forma de não deixar os hotéis vazios em baixa estação. E Elvis conseguia lotar seus shows em Lake Tahoe, mesmo com teoricamente tudo contra. De fato, no quesito bilheteria o Rei do Rock realmente jamais deixou a desejar durante os anos 70.

Nenhum desses concertos chegaram a ser excepcionais. Elvis, como bom profissional que era, subia ao palco e cumpria seus compromissos. Nada mais. Em raras ocasiões ele até tentou testar novos repertórios, introduzindo músicas novas, mas não ia muito além disso. O próprio Frank Sinatra aconselhava Elvis a não mudar muito, a não sair demais do habitual. Para Sinatra a fórmula do sucesso era sempre repetir a mesma seleção musical, com os maiores sucessos, para não decepcionar ninguém na plateia. Elvis parece ter seguido o conselho do colega veterano. O concerto que ouvimos aqui nesse CD foi gravado na noite de 9 de maio de 1973. É um CD com qualidade Audience, ou seja, um pouco sofrível em termos de sonoridade. Isso porém fica em segundo plano quando descobrimos que é uma gravação pouco conhecida que certamente vale pelo menos uma audição, nem que seja por mera curiosidade. E por fim para os que gostam do bom e velho vinil haverá também uma edição limitada desse título nesse formato.

Elvis Presley - Tahoe '73 (2017)
01. Opening Riff / C. C. Rider 02. medley: I Got A Woman / Amen 03. Love Me Tender (with false start) 04. You Dont Have To Say You Love Me 05. Steamroller Blues 06. You Gave Me A Mountain 07. Love Me 08. Blue Suede Shoes 09. Heartbreak Hotel 10. medley: Long Tall Sally / Whole Lotta Shakin' Goin' On / Flip Flop And Fly / Whole Lotta Shakin' Goin' On 11. I'm Leavin 12. Hound Dog 13. What Now My Love 14. Suspicious Minds 15. Band Introductions 16. I'll Remember You 17. I Can't Stop Loving You 18. Bridge Over Troubled Water 19. A Big Hunk O'Love 20. Can't Help Falling In Love 21. Closing Vamp / Announcements.

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de setembro de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 3

Elvis nasceu em berço evangélico, mas jamais se fechou dentro da doutrina religiosa dos seguidores de Lutero. Pelo contrário, ao longo da vida ele procurou por várias manifestações religiosas diferentes, tendo estudado as religiões orientais (que sempre o fascinaram, até o fim da vida) e o cristianismo dito mais tradicional. Elvis tinha muito apreço com a religião católica, a primeira religião cristã a surgir na história, principalmente na forma como os católicos tratavam a Virgem Maria. Uma das orações preferidas do cantor aliás era a "Ave Maria" que ele sempre rezava em momentos de reflexão.

Assim Elvis decidiu que iria trazer a "Ave Maria" para seus discos. A forma que ele encontrou para isso foi gravar a canção religiosa católica "Miracle of the Rosary", que ele considerava belíssima! Tão inspirado ficou ao ouvi-la pela primeira vez que comprou algumas imagens católicas para ter em sua casa, tanto em Graceland, como na Califórnia. Elvis não se importava com críticas de que aquilo seria algum tipo de idolatria, porque havia estudado o catecismo romano e entendido a razão de ser das imagens católicas. Nada a ver com idolatria ou algo do tipo. Esse era um velho preconceito evangélico que Elvis não aceitava, pelo contrário, sempre tentava explicar teologicamente que as imagens serviam apenas como instrumentos de fé. Além disso ele amava a arte sacra dos católicos, tendo trazido para seu figurino inúmeros crucifixos e adornos da igreja de Roma.

Um dos sonhos de Elvis inclusive era fazer uma viagem até Roma, para conhecer o Vaticano. Quando estava servindo o exército na Alemanha ele chegou a programar uma viagem que só foi cancelada na última hora por causa de imprevistos. Acabou assim indo até Paris, mas sem deixar de lado seus planos de ir até a Basílica de São Pedro. Nos anos 70 ele teve bastante vontade de realizar uma grande turnê por toda a Europa, com Roma incluída dentro do cronograma, mas tudo foi por água abaixo por causa do Coronel Parker que não tinha passaporte e não poderia acompanhar o cantor por seus shows pelas grandes cidades históricas da Europa.

Outro bom momento desse álbum "Elvis Now" veio com a faixa "Early Morning Rain". Um belo country, com melodia agradável e relaxante. De todas as canções desse disco essa foi certamente uma das que ele mais utilizou em seus concertos durante os anos 70. Aliás é interessante notar que também foi incluída no especial de TV "Aloha From Hawaii". Aqui Elvis não a usou no show propriamente dito, mas numa sequência própria, sem público, apenas a cantando de forma sóbria, concentrada. Curiosamente apesar de ser um country (um gênero nascido no sul dos Estados Unidos), a canção havia sido composta por um canadense, Gordon Lightfoot, em 1966. A versão porém que inspirou Elvis a gravar a faixa foi a de Peter, Paul and Mary. Elvis simplesmente adorava o estilo vocal desse trio que fez grande sucesso nos anos 60.

Pablo Aluísio.