quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies Volume 2 - Parte 2

Como era de se esperar em uma coletânea como essa, da RCA Camden, há uma boa dose de bobagens no repertório do disco. Curiosamente porém há também boas faixas, mesmo que retiradas das trilhas sonoras dos filmes de Elvis em Hollywood. Um bom momento vem com a romântica "Tender Feeling" do filme "Kissin Cousins" de 1964. Hoje em dia já gosto mais dessa trilha sonora. O filme é muito fraco, com um roteiro explorando dois personagens interpretados por Elvis, um caipira das montanhas e um oficial da força aérea. A única diferença entre eles era uma peruca loira.

A parte musical do filme é bem melhor. Com o passar dos anos e com a inúmeras audições a trilha sonora hoje em dia me soa até bem divertida, com alguns momentos que se destacam. Essa canção "Tender Feeling" eleva a qualidade do disco como um todo. Elvis estava em um excelente momento vocal, cantando com aquela tonalidade do começo dos anos 60, caprichando realmente na interpretação. A melodia também ajuda muito. Não foge muito de certos clichês, mas o arranjo (igualmente adequado) preserva o romantismo à prova de falhas. Alguns podem até se enganar pensando tratar-se de mais uma composição de Don Robertson, mas não, essa é uma criação, quem diria, do trio Bernie Baum, Bill Giant e Florence Kaye. Aliás praticamente toda a trilha de "Kissin Cousins" é uma criação deles.

"Am I Ready" é outra balada romântica de filmes. Essa porém fez parte do filme "Spinout", um derivado de "Viva Las Vegas", onde Elvis voltava a interpretar um piloto de pistas de corridas. Até considero o filme bem produzido, fruto de um certo capricho do estúdio pois essa produção foi lançada para celebrar os 10 anos de Elvis em Hollywood. Até o famoso piloto Bruce McLaren, fundador da igualmente conhecida equipe de Fórmula 1, fez uma pequena pontinha no filme. Aliás um dos carrões que Elvis pilota em cena era uma autêntica máquina McLaren, uma das primeiras de sua recém fundada indústria de carros esporte.

Pois bem, deixando de lado essas curiosidades automobilísticas, o fato é que a sonoridade da trilha sonora desse filme nunca me convenceu completamente. Há algo estranho nas gravações dessas músicas. Algo que incomoda. Os arranjos também sempre me soaram como menos caprichados do que de outras trilhas do passado. Essa baladinha romântica tem seus momentos, mas como fez parte de um pacote maior, acabou sendo prejudicada justamente por causa de sua sonoridade fora de tom. Também passava longe de ser uma novidade dentro da discografia de Elvis. Havia outras faixas dos anos 60, algumas arquivadas há anos, que certamente chamariam mais a atenção dos fãs.

Pablo Aluísio.

sábado, 16 de setembro de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 8

Um dos dramas da vida de Elvis foi que ele não teve a oportunidade de se tratar adequadamente de seu problema de depressão. O Coronel Parker não queria que sua imagem pública fosse maculada com o estigma de ser depressivo. Havia muito preconceito sobre isso na época. Assim na ânsia de esconder tudo na imprensa o próprio Elvis acabou ficando sem o tratamento adequado. O que havia no lugar disso eram meros paliativos, como as pílulas receitadas pelo Dr. Nick. O problema é que ele não era um médico especialista em depressão, longe disso.

Sem consultar um médico especializado em depressão, sofrendo todos os tipos de stress por causa de sua profissão e sem passar pelo tratamento certo, Elvis foi afundando cada vez mais na doença. Ele tinha problemas de insônia desde quando era apenas um adolescente, mas com seu estado depressivo a coisa piorou. Elvis passava dias sem dormir, mesmo quando tomava as drogas receitadas pelo Dr. Nick. A ausência de sono, a estafa de viver viajando para cumprir agendas puxadas de show e a própria melancolia que ia se instalando em seu espírito justamente por causa da depressão o foram deixando cada vez mais com um aspecto doentio. O aumento de peso também se tornou visível. Elvis muitas vezes procurava consolo na comida. Sozinho em seu quarto, ele era capaz de comer três, quatro ou cinco grandes pratos de uma refeição que geralmente não era nada saudável. Era claramente uma forma dele em amenizar sua tristeza.

A carreira também deixava Elvis frustrado. Depois do NBC Special ele teve um novo fôlego em seus discos e a volta aos palcos trouxe novamente a alegria do contato com os fãs. Porém depois de 1973 a carreira de Elvis voltou a estagnar. Não havia mais novos desafios. Elvis tinha esse velho sonho de fazer uma turnê internacional como havia feito os Beatles nos anos 60, mas o Coronel Parker sabotava toda tentativa dele nesse sentido. Ao invés de ir para Londres, Paris ou até mesmo ao Japão, Elvis ficava preso em apresentações de temporadas realizadas em hotéis cassinos ou em pequeninas cidades do interior dos Estados Unidos. Não era nada desafiante para quem já tinha passado por tudo isso desde os anos 50.

Curiosamente esse estado depressivo de Elvis também começou a se refletir na escolha do repertório de seus discos nos anos 70. Elvis não era um compositor, por isso escolhia músicas que tinham letras em que ele pudesse de alguma forma se identificar. Geralmente baladas românticas bem tristes contando histórias de rompimento, decepções e desilusões. Algo que ele havia sentido com o fim de seu casamento com Priscilla Presley. Fora isso Elvis encheu seus álbuns de muita country music e gospel. O Rock, o gênero que o havia consagrado, o levando a ser chamado de "Rei do Rock" no passado, foi deixado para trás. Isso intrigou a imprensa. Durante uma de suas raras entrevistas, um jornalista perguntou a Elvis porque ele não gravava mais rocks! Tentando se sair Elvis apenas desculpou-se, dizendo que não havia mais bom material nesse estilo musical para gravar. Não era verdade, era apenas uma questão de falta de identificação, uma vez que Elvis não se sentia mais jovem, nem rebelde e nem muito menos roqueiro. Ele estava, no fim das contas, apenas se sentindo muito depressivo.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Elvis Presley - Tahoe '73

Nos anos 70 o Coronel Tom Parker direcionou a carreira de Elvis para um determinado tipo de apresentação em cassinos. Primeiramente em Las Vegas e depois em Lake Tahoe. É curioso que foi justamente nesse último local que Elvis acabou realizando suas temporadas menos conhecidas e menos badaladas. O cantor Frank Sinatra era sócio justamente do Sahara Tahoe onde Elvis se apresentou várias vezes. Geralmente Sinatra levava seu próprio grupo de artistas (o chamado Rat Pack com Dean Martin, Sammy Davis Jr, entre outros) para se apresentar na alta temporada. Nos meses menos frequentados o velho Sinatra entrava em contato com o Coronel Parker para levar Elvis para curtas temporadas por lá. Era uma forma de não deixar os hotéis vazios em baixa estação. E Elvis conseguia lotar seus shows em Lake Tahoe, mesmo com teoricamente tudo contra. De fato, no quesito bilheteria o Rei do Rock realmente jamais deixou a desejar durante os anos 70.

Nenhum desses concertos chegaram a ser excepcionais. Elvis, como bom profissional que era, subia ao palco e cumpria seus compromissos. Nada mais. Em raras ocasiões ele até tentou testar novos repertórios, introduzindo músicas novas, mas não ia muito além disso. O próprio Frank Sinatra aconselhava Elvis a não mudar muito, a não sair demais do habitual. Para Sinatra a fórmula do sucesso era sempre repetir a mesma seleção musical, com os maiores sucessos, para não decepcionar ninguém na plateia. Elvis parece ter seguido o conselho do colega veterano. O concerto que ouvimos aqui nesse CD foi gravado na noite de 9 de maio de 1973. É um CD com qualidade Audience, ou seja, um pouco sofrível em termos de sonoridade. Isso porém fica em segundo plano quando descobrimos que é uma gravação pouco conhecida que certamente vale pelo menos uma audição, nem que seja por mera curiosidade. E por fim para os que gostam do bom e velho vinil haverá também uma edição limitada desse título nesse formato.

Elvis Presley - Tahoe '73 (2017)
01. Opening Riff / C. C. Rider 02. medley: I Got A Woman / Amen 03. Love Me Tender (with false start) 04. You Dont Have To Say You Love Me 05. Steamroller Blues 06. You Gave Me A Mountain 07. Love Me 08. Blue Suede Shoes 09. Heartbreak Hotel 10. medley: Long Tall Sally / Whole Lotta Shakin' Goin' On / Flip Flop And Fly / Whole Lotta Shakin' Goin' On 11. I'm Leavin 12. Hound Dog 13. What Now My Love 14. Suspicious Minds 15. Band Introductions 16. I'll Remember You 17. I Can't Stop Loving You 18. Bridge Over Troubled Water 19. A Big Hunk O'Love 20. Can't Help Falling In Love 21. Closing Vamp / Announcements.

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de setembro de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 3

Elvis nasceu em berço evangélico, mas jamais se fechou dentro da doutrina religiosa dos seguidores de Lutero. Pelo contrário, ao longo da vida ele procurou por várias manifestações religiosas diferentes, tendo estudado as religiões orientais (que sempre o fascinaram, até o fim da vida) e o cristianismo dito mais tradicional. Elvis tinha muito apreço com a religião católica, a primeira religião cristã a surgir na história, principalmente na forma como os católicos tratavam a Virgem Maria. Uma das orações preferidas do cantor aliás era a "Ave Maria" que ele sempre rezava em momentos de reflexão.

Assim Elvis decidiu que iria trazer a "Ave Maria" para seus discos. A forma que ele encontrou para isso foi gravar a canção religiosa católica "Miracle of the Rosary", que ele considerava belíssima! Tão inspirado ficou ao ouvi-la pela primeira vez que comprou algumas imagens católicas para ter em sua casa, tanto em Graceland, como na Califórnia. Elvis não se importava com críticas de que aquilo seria algum tipo de idolatria, porque havia estudado o catecismo romano e entendido a razão de ser das imagens católicas. Nada a ver com idolatria ou algo do tipo. Esse era um velho preconceito evangélico que Elvis não aceitava, pelo contrário, sempre tentava explicar teologicamente que as imagens serviam apenas como instrumentos de fé. Além disso ele amava a arte sacra dos católicos, tendo trazido para seu figurino inúmeros crucifixos e adornos da igreja de Roma.

Um dos sonhos de Elvis inclusive era fazer uma viagem até Roma, para conhecer o Vaticano. Quando estava servindo o exército na Alemanha ele chegou a programar uma viagem que só foi cancelada na última hora por causa de imprevistos. Acabou assim indo até Paris, mas sem deixar de lado seus planos de ir até a Basílica de São Pedro. Nos anos 70 ele teve bastante vontade de realizar uma grande turnê por toda a Europa, com Roma incluída dentro do cronograma, mas tudo foi por água abaixo por causa do Coronel Parker que não tinha passaporte e não poderia acompanhar o cantor por seus shows pelas grandes cidades históricas da Europa.

Outro bom momento desse álbum "Elvis Now" veio com a faixa "Early Morning Rain". Um belo country, com melodia agradável e relaxante. De todas as canções desse disco essa foi certamente uma das que ele mais utilizou em seus concertos durante os anos 70. Aliás é interessante notar que também foi incluída no especial de TV "Aloha From Hawaii". Aqui Elvis não a usou no show propriamente dito, mas numa sequência própria, sem público, apenas a cantando de forma sóbria, concentrada. Curiosamente apesar de ser um country (um gênero nascido no sul dos Estados Unidos), a canção havia sido composta por um canadense, Gordon Lightfoot, em 1966. A versão porém que inspirou Elvis a gravar a faixa foi a de Peter, Paul and Mary. Elvis simplesmente adorava o estilo vocal desse trio que fez grande sucesso nos anos 60.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Elvis Presley - 3000 South Paradise Road

Aqui temos mais um lançamento do selo FTD (Follow That Dream). Logo de cara podemos perceber o bom gosto da direção de arte da capa. Quem é colecionador de longa data, desde os tempos do vinil, vai reconhecer rapidamente essa foto. Ela foi utilizada na contracapa do álbum "Elvis On Stage - February 1970". Elvis usa um figurino diferenciado, com camisa e calça em cores diferentes, algo bem raro de acontecer, principalmente depois que adotou as famosas roupas ao estilo jumpsuit (seus conhecidos macacões, geralmente brancos, mas também disponíveis em outras cores como preto, azul e vermelho). Pois bem, a capa como se pode perceber já é um convite para adquirir o CD, mas há mais atrativos.

São dois CDs na verdade, um lançamento duplo. No primeiro CD temos um show de Elvis realizado em 12 de agosto de 1972 em Las Vegas. Essa foi uma boa temporada que resultou em apresentações bem interessantes. Aqui temos o Dinner Show, que geralmente trazia um Elvis mais descansado, cantando melhor e com mais foco. Dentro de um repertório mais leve e dançante Elvis volta a se destacar ao cantar o hino "American Trilogy", Sim, ele poderia ter aproveitado para adicionar canções mais novas, recentemente lançadas no mercado, como "Burning Love", por exemplo, mas isso no final das contas não conta muito por causa de sua boa performance. Já o CD 2 traz um ensaio que Elvis realizou com a TCB Band em 4 de agosto, em Las Vegas também. Embora o clima de ensaio sempre deixasse Elvis mais disperso, não se preocupando muito em ser perfeito ao microfone, aqui ainda temos alguns lapsos de seu talento. "True Love Travels On A Gravel Road" do American Studios, por exemplo, ganha uma versão ao vivo. Pena que Elvis nunca tenha utilizado a música com mais frequência em suas apresentações. Seria um sopro de novidade muito bem-vindo. "I'll Remember You" e "Faded Love" também são destaques, mas a grande atração vem mesmo de "Burning Love", seu grande sucesso do momento.

Elvis Presley - 3000 South Paradise Road (2016):
CD-1: Las Vegas, August 12 1972 (D.S.) - 1. See See Rider / 2. Proud Mary / 3. Until It's Time For You To Go / 4. You Don't Have To Say You Love Me / 5. You've Lost That Loving Feeling / 6. Polk Salad Annie / 7. What Now My Love / 8. Fever / 9. Love Me / 10. Blue Suede Shoes / 11. One Night / 12. All Shook Up / 13. Teddy Bear/Don't Be Cruel / 14. Heartbreak Hotel / 15. Hound Dog / 16. Love Me Tender / 17. Suspicious Minds / 18. Band introductions / 19. My Way / 20. American Trilogy / 21. Can't Help Falling In Love.

CD-2: Rehearsal, Las Vegas August 4 1972 - 1. You Don't Have To Say You Love Me / 2. Until It's Time For You To Go / 3. You've Lost That Loving Feeling / 4. Burning Love / 5. What Now My Love (# 1) / 6. What Now My Love (# 2) / 7. My Babe / 8. For The Good Times / 9. True Love Travels On A Gravel Road /10: Fever / 11: Blueberry Hill / 12: Little Sister/Get Back (incomplete) / 13: I'll Remember You / 14: American Trilogy / 15:Something / 16: Faded Love / 17: You Gave Me A Mountain / 18: I'm Leavin' / 19: My Way (# 1) / 20: My Way (# 2).

Pablo Aluísio. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Elvis Presley - Reconsider Baby - Parte 3

"My Baby Left Me" é uma antiga gravação de Elvis que foi lançada pela primeira vez em álbum no LP "For LP Fans Only". Nem precisa dizer que essa foi uma coletânea da RCA nos tempos em que Elvis estava servindo o exército na Alemanha. Um mero caça-níqueis? Em termos, havia boa coisa ali, além disso preservou para a posteridade grandes momentos da carreira de Elvis, inclusive sua primeira gravação profissional, a excelente "That´s All Right (Mama)", gravada nos tempos em que Elvis pertencia ao selo Sun Records. Bom, diante de tudo isso é interessante notar que a versão de "My Baby Left Me" que foi incluída nesse disco é a oficial, master, sem novidades.

"When It Rains, It Really Pours" é bem mais interessante. Um velho blues gravado por Elvis que ficou anos e anos arquivado, sem que a gravadora do cantor a colocasse no mercado. Quem lembra do disco "Elvis For Everyone" de 1965? Pois é, era um álbum bem estranho, não sendo nem um disco oficial de inéditas gravado em estúdio e nem uma coletânea tradicional. Ficando no meio termo entre as duas classificações, acabou chamando pouca atenção dos fãs. Essa música também já havia sido lançada no álbum "Elvis: A Legendary Performer Volume 4" e aqui ganha nova roupagem. Está bem mais trabalhada, com visível melhoria na qualidade sonora.

Já tive oportunidade de escrever várias vezes isso e repito mais uma vez: a versão de "Ain't That Loving You Baby" que você encontra nesse disco de Elvis é a melhor de todas as que já ouvi! Muito superior inclusive ao master oficial que sem ritmo, sem pegada, fracassou nas paradas quando foi lançada tardiamente em single durante os anos 60. Aqui há uma batida inigualável! De todas as músicas que Elvis gravou em sua carreira essa ocupa um lugar de destaque pelos motivos errados. Como é possível ignorarem esse take, escolhendo um bem mais inferior para lançar oficialmente? Um verdadeiro desperdício. O mais estranho é que essa versão ficou anos e anos fora do mercado. Enfim, se você precisa de apenas uma razão para comprar esse disco "Reconsider Baby" essa é a inclusão desse take maravilhoso na seleção musical. Um pedaço de genialidade de Elvis que foi injustamente jogado de lado pela RCA Victor.

"I Feel So Bad" também é outro momento muito bom do disco. Elvis a gravou em 1961 em uma época em que ele estava ficando mais centrado apenas nas trilhas sonoras de filmes. É uma faixa que nos faz lembrar o quão Elvis poderia ter sido interessante nos anos 60 se não tivesse sido literalmente engolido pelos estúdios de Hollywood. É a tal coisa, a música ficou em segundo plano, enquanto o Elvis ator não conseguia ir muito além do lugar comum. Uma pena. Mal lançada, sem promoção, esse blues ainda conseguiu chegar na décima quinta posição da Billboard, mostrando que a música de qualidade de Elvis sobrevivia a tudo mesmo, até mesmo ao péssimo gerenciamento de seus lançamentos pela RCA.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Elvis Presley - Love Letters from Elvis - Parte 5

"When I'm Over You" foi outra composição de S. Milete a entrar no álbum. Esse autor já havia composto a estranha "Life" e aqui surgia com algo mais convencional. É fato que Elvis procurou por um novo time de compositores nos anos 70. Na década anterior ele ficou muito preso a um grupo de escritores de Nova Iorque e Los Angeles que acabou criando quase todas as músicas de suas trilhas sonoras. Aquele material saturou Elvis que agora procurava por novos caminhos, outras sonoridades.

Essa faixa porém não agradou muito. Para muitos ela seria apenas uma canção qualquer, feita para completar cronologicamente o LP. É uma visão até bem pessimista, já que apesar de ser bem comum a melodia desse country ainda apresenta alguns momentos bons, de clara inspiração melódica. A RCA Victor porém não fez nada por ela, se tornando assim mais uma música pouco conhecida fora do círculo dos fãs mais conhecedores da obra de Elvis. "When I'm Over You" nunca foi lançada em outro álbum, nem em coletâneas, nem em nada. E como Elvis também nunca a cantou em concertos ela foi simplesmente sumindo, desaparecendo com o passar dos anos.

"If I Were You" é outro country considerado bem abaixo da média. Ela foi composta pelo músico Gerald Nelson. Essa canção foi gravada no último dia de sessão da famosa Nahsville Marathon. Era o dia 8 de junho de 1970 e após gravar dezenas e dezenas de canções Elvis estava visivelmente cansado e esgotado. Nessa noite em especial ele conseguiu ainda emplacar outras cinco canções: "There Goes My Everything", "Only Believe", "Patch Up" (que seria lançada no disco "That´s The Way It Is") e "Sylvia" (o grande sucesso de Elvis no Brasil, lançado no disco "Elvis Now" dois anos depois de ser gravada).

Impossível não notar um certo clima de fim de festa. Elvis era um cantor muito produtivo dentro dos estúdios, mas depois de tantas gravações ele se mostrava mesmo bem cansado, principalmente em sua performance vocal. A linha de melodia da canção também não ajuda muito, sempre rodando em círculos, sem ir para qualquer direção. A letra era novamente romântica e referencial, onde um homem apaixonado tentava convencer sua paixão a ficar ao seu lado. Um tema até bem batido, mesmo dentro dos padrões de Nashville. Enfim, uma música sem novidades que acabou sendo facilmente esquecida após algum tempo.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies, Volume 2 - Parte 1

O maior sucesso de Elvis em termos de singles nos anos 70 foi a música "Burning Love". O compacto vendeu muito e trouxe Elvis de volta às rádios. Um som contagiante, ótimos arranjos, uma sonoridade jovial, alegre! Era basicamente o que os fãs esperavam de Elvis Presley, o tão aclamado Rei do Rock! Pois bem, naqueles tempos a RCA Victor tinha essa política de não colocar músicas de singles nos álbuns oficiais de Elvis. Isso vinha desde os anos 50. "Hound Dog", "Don´t Be Cruel", entre outras, venderam milhões de singles, mas não fizeram parte do repertório de nenhum disco do cantor. Elas só chegavam depois, em coletâneas de sucessos, do tipo "Elvis Golden Records".

O mesmo aconteceu com esse hit "Burning Love". Por volta de 1972 a canção não foi incluída em nenhum dos álbuns oficiais de Elvis que estavam à venda. A RCA porém não conseguia ignorar mais o sucesso dessa música. Por essa razão inventou um disco próprio para lançar a música intitulado "Burning Love and Hits from His Movies, Volume 2". É absurdo pensar que os executivos preferiram colocar o grande sucesso de Elvis na época em um disco do selo RCA Camden (de preço promocional), misturada com inúmeras outras músicas antigas de filmes que não tinham mais apelo ou potencial para o sucesso, do que encaixá-la adequadamente em um disco de inéditas, do selo principal (RCA Victor), para colocar novamente um álbum de Elvis no topo da parada Billboard Hot 100.

Pois foi exatamente o que aconteceu. Esse tipo de estratégia hoje em dia nem faz muito sentido, mas nos anos 70 a gravadora ainda pensava dessa maneira equivocada. Esse disco, nem preciso dizer, é uma bagunça tremenda. A RCA pegou as duas canções do single "Burning Love" (que ainda trazia "It's a Matter of Time") para abrir os respectivos Lados A e B do vinil. Depois encheu linguiça colocando várias canções de trilhas sonoras dos anos 60, sem qualquer critério visível. Tudo jogado ao vento, sem nenhuma organização. Agora veja como a obra de Elvis conseguia sobreviver até mesmo aos erros de sua gravadora. Mesmo sendo mal lançado, desorganizado, de um selo menor e sem prestigio da RCA, o álbum fez sucesso comercial. As pessoas gostaram tanto de "Burning Love" que imediatamente compraram o disco.

Lançado em novembro de 1972 o álbum rapidamente se destacou nas paradas. Claro que o fã mais experiente sabia que estava sendo de certa forma enganado. Para ter "Burning Love" e "It's a Matter of Time" no formato LP ele teria que comprar outras oito músicas sem nenhum atrativo para quem era colecionador. Velhas canções de trilhas sonoras. Era a velha tática do Coronel Parker em lançar a mesma coisa duas, três, quatro vezes, se fosse possível. Um desrespeito para o consumidor. O ideal teria sido aproveitar diversas outras faixas que foram gravadas para a trilha sonora do disco "Elvis on Tour" (que jamais seria lançado) para preencher esse álbum. Aí sim teríamos um grande lançamento em mãos. Isso porém só aconteceria em um mundo perfeito, onde a RCA respeitasse mesmo os admiradores da obra de Elvis Presley. Algo que definitivamente não aconteceu.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Elvis Presley ‎- I Really Don't Want To Know / There Goes My Everything

Esse foi o último single de Elvis em 1970. Foi lançado como compacto promocional do álbum que estava prestes a chegar nas lojas, "Elvis Country". As duas canções tinham sido gravadas em Nashville naquela grande maratona de gravações, onde Elvis gravou dezenas de canções para serem lançadas aos poucos, nos meses seguintes. O lado A vinha com "I Really Don't Want To Know". Essa canção foi lançada originalmente em 1963, na voz da dupla "Les Paul and Mary Ford". Dez anos depois surgiu a versão de Andy Williams. Até uma versão em língua espanhola foi lançada, na interpretação de  Johnny Rodriguez. Nenhuma dessas versões fugiram ao estilo country. Nem mesmo a de Elvis, que seguiu as linhas básicas da composição. Considero um belo country, com bonita melodia. Elvis adaptou seu jeito de interpretar ao estilo da música, sem maiores inovações. Como já havia sido lançada muitas vezes antes não conseguiu se tornar exatamente um hit dentro da discografia de Elvis, muito embora ele tenha apresentado a canção inúmeras vezes em seus shows ao vivo. Pelo visto Elvis gostava realmente da faixa.

No lado B a RCA Victor colocou a canção "There Goes My Everything".  Essa canção foi originalmente lançada em 1965 na voz do cantor country Dallas Frazier. Ele foi um veterano da música regional norte-americana, estando na ativa desde a década de 1950. Inclusive surgiu no mercado no mesmo ano em que Elvis se profissionalizou. Enquanto Elvis lançava "Thats All Right / Blue Moon of Kentucky", Dallas surgia no meio com o single "Space Command". Um fato curioso aconteceu na discografia inglesa, quando a RCA resolveu inverter a ordem das músicas, colocando "There Goes My Everything" como lado A. A estratégia fez com que o single vendesse mais no Reino Unido do que nos Estados Unidos! A versão de Elvis ficou boa, embora não seja unanimidade. De qualquer maneira esse compacto chegou nas lojas e alcançou apenas a vigésima primeira posição entre os mais vendidos da Billboard Hot 100. A RCA esperava por vendas melhores já que se tratavam de músicas inéditas, mas não foi bem isso o que aconteceu. Para alguns o fato do compacto trazer duas músicas country influenciaram sobre isso, já que Elvis acabava ficando restrito a um público mais do sul, que curtia o som de Nashville.

Elvis Presley ‎- I Really Don't Want To Know / There Goes My Everything (1970)
Data de lançamento: Dezembro de 1970 (Estados Unidos) - Março de 1971 (Inglaterra) - Agosto de 1971 (Brasil) / Melhor Posição nas Paradas: #21 (Estados Unidos) #6 (Inglaterra) / Produção: Felton Jarvis / Data de gravação: I Really Don't Want To Know (7 de junho de 1970) - There Goes My Everything (8 de junho de 1970) / Selo: RCA Victor.

Pablo Aluísio. 

domingo, 20 de agosto de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 2

Havia uma variedade de gêneros musicais nesse álbum de Elvis lançado em 1972, mas era inegável também que a country music se fazia muito presente em seu repertório. A primeira faixa do disco era justamente um country chamado  "Help Me Make It Through The Night" de autoria do cantor e compositor Kris Kristofferson. Era uma canção bem recente na época, lançada no disco "Kristofferson" de 1970. Esse álbum tinha se tornado um dos preferidos de Elvis, justamente pelo seu estilo country / rock de Nashville que estava começando a se sobressair nas rádios do sul.

A história de criação dessa canção é bem curiosa. Ela foi explicada pelo autor alguns anos depois, em entrevista. Ele disse que leu uma entrevista de Frank Sinatra para a revista Esquire onde o cantor se esquivava de uma pergunta sobre suas crenças religiosas. Frank respondeu: "Em que eu acredito? Eu acredito em um copo de whisky, em uma boa companhia, na bíblia... ou em qualquer coisa que me ajude a atravessar a noite!".

Sinatra vinha passando por uma crise depressiva após o fim de seu casamento e passava as noites em claro, tentando chegar no dia seguinte. Foi justamente em cima dessa declaração que Kris Kristofferson escreveu sua canção. Inicialmente ele ofereceu a música para Dottie West, mas ela recusou. Assim ele acabou a gravando originalmente para o seu álbum de 1970. A versão de Elvis surgiria dois anos depois. Para alguns Elvis havia se identificado com a letra, pois ele também vinha passando por problemas relacionados a uma grave depressão, após o fim de seu casamento com Priscilla. Além disso Elvis tinha sérios problemas de insônia, que o deixava acordado por noites seguidas. Assim se tornava bem óbvio que ele tinha muitos motivos para se ver naquelas palavras escritas por Kristofferson.

Outro country do disco foi a faixa "Fools Rush In". A primeira versão veio com Johnny Mercer em 1940. Tempo de guerra, com os soldados americanos se preparando para lutar na Europa contra os nazistas. Essa versão porém era bem antiga, não marcando muito Elvis (afinal ele tinha apenas cinco anos de idade quando ela foi lançada) As versões que parecem ter inspirado Elvis vieram bem depois, primeiro com Frank Sinatra e depois com Ricky Nelson que a transformou em um grande sucesso em 1963. A letra também demonstrava trazer uma certa identificação para Elvis na época. Afinal apenas os tolos abriam completamente seu coração. Com a traição de Priscilla, o divórcio e tudo o mais que de ruim lhe havia acontecido não era mesmo de se admirar que Elvis não se sentisse apenas magoado com o fracasso de seu casamento, mas também como um verdadeiro tolo por ter acreditado demais no amor.

Pablo Aluísio. 

sábado, 19 de agosto de 2017

Elvis Presley - Love Letters from Elvis - Parte 4

"Love Letters", que dá título a esse álbum de Elvis Presley, é uma antiga canção, muito popular nos anos 1940. Ela foi composta por Victor Young, violonista, pianista e compositor clássico. Nascido em Chicago, ele foi até Hollywood tentar a sorte. Acabou se dando muito bem, escrevendo canções populares românticas para trilhas sonoras de filmes dos grandes estúdios de cinema. Essa foi uma delas. Ela fez parte da trilha sonora do filme "Um Amor em Cada Vida", um drama estrelado por Jennifer Jones e Joseph Cotten. Acabou sendo indicada ao Oscar na categoria de Melhor Música original naquele mesmo ano. Os créditos foram dados ao próprio Young e ao letrista Edward Heyman. Antes de Elvis ainda haveria uma outra versão, gravada por Ketty Lester em 1962.

Elvis raramente gravava uma música em estúdio duas vezes. Isso aconteceu com "Blue Suede Shoes" que foi gravada para o primeiro álbum de Elvis na RCA Victor e depois para a trilha sonora do filme "G.I. Blues" (Saudades de um Pracinha) e depois com "You Don't Know Me" da trilha sonora de "Clambake" (O Barco do Amor), também regravada em estúdio por Elvis após a gravação original. Assim "Love Letters" era igualmente um caso bem raro. Elvis a gravou originalmente na década de 1960 e depois a gravou novamente, sendo essa segunda versão a usada nesse disco. Qual teria sido a razão? Não se sabe ao certo. Particularmente ainda prefiro a versão de 1966. O cantor parece mais concentrado e mais firme. Os arranjos também são mais adequados para essa velha composição romântica. Há um clima de nostalgia que valoriza muito a melodia. De qualquer maneira ambas as versões de Elvis são muito boas, sem dúvida. No final das contas se torna apenas um caso de gosto pessoal de cada ouvinte.

"This Is Our Dance" é uma criação do músico e compositor inglês Leslie David Reed. Ele era o maestro e líder uma orquestra muito popular no Reino Unido na década de 1950, onde também tocavam os músicos Gordon Mills e Barry Mason. Naqueles tempos os bailes tinham se tornado bem populares, assim várias orquestras surgiram, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos (fenômeno que também se repetiu no Brasil, na mesma época). Por essa razão as características dessa música são bem claras no tocante ao seu ritmo e melodia. É uma música romântica de baile, composta para ser tocada nos grandes salões da Europa. Provavelmente Elvis tomou conhecimento dela por causa justamente da The Les Reed Orchestra, uma vez que essa orquestra também gravou um disco com "Also Sprach Zarathustra" que Elvis iria utilizar como abertura de seus concertos na década de 1970. 

Já "Heart Of Rome" era mais uma música Italianíssima que Elvis trazia para seu repertório. Elvis não tinha raízes italianas (seus antepassados tinham vindo da Escócia para os Estados Unidos), mas ele amava a músicalidade daquela grande nação. Provavelmente Elvis tomou gosto pelas canções italianas ouvindo Dean Martin, um dos seus cantores preferidos. Logo percebeu que as melodias italianas soavam perfeitas para ele disponibilizar aos seus fãs grandes performances vocais. Afinal ele tinha obtido excelentes resultados comerciais no passado com gravações como "It´s Now Or Never" e "Surrender". Infelizmente porém dessa vez a RCA Victor resolveu não trabalhar na promoção da música, se limitando a divulgá-la de forma bem tímida nas rádios como mero lado B do single "I´m Leaving". Penso que se houvesse maior capricho por parte de sua gravadora, principalmente em seu lançamento europeu, o compacto teria se tornado um grande sucesso.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Elvis Presley - 40 anos de sua morte

Hoje se completa 40 anos da morte de Elvis Presley. Datas assim, redondas, acabam chamando bastante a atenção da imprensa e do público em geral. Pena que esse tipo de coisa também leve a termos inúmeras reportagens sem muita (ou nenhuma) precisão histórica. O número de bobagens escritas por jornalistas em órgãos de imprensa chega até mesmo a surpreender (e assustar). O jornalismo definitivamente vive seu ocaso.

Nessa semana mesmo tivemos um artigo em uma famosa revista no Brasil afirmando que "Elvis praticamente se aposentou em 1972"! Veja que esse jornalista sequer teve o mínimo trabalho de pesquisa - aliás é complicado entender até mesmo onde ele colheu tamanho bobagem em termos de informação. Onde leu isso? Para esse jornalista desavisado e mal informado nunca houve o "Aloha From Hawaii" (que é de 1973), nem os discos dele após 1972. Concertos pelos Estados Unidos? Não houve, Elvis estava aposentado! Como se pode ver muitos jornalistas simplesmente ignoram a pesquisa em seus trabalhos. Eles apenas escrevem seus preguiçosos textos baseados em outros artigos e se eles estiverem errados, volta-se a propagar uma besteira através dos anos. Isso se pode notar nas inúmeras matérias dizendo que Elvis tinha problemas de alcoolismo. Há alguns anos alguém escreveu isso e a partir daí essa informação inverídica é reproduzida todos os anos em revistas e jornais do Brasil. Uma lástima.

Deixando essas barbeiragens da imprensa de lado até que temos boas notícias em relação ao mercado de CDs. Tanto o selo RCA como FTD lançam com regularidade incrível novos títulos de Elvis todos os meses. Nenhum outro artista (nem mesmo Beatles ou Michael Jackson) possuem tanta fartura em termos de lançamentos como Elvis Presley. Os fãs do cantor por isso não têm realmente do que reclamar. Todos os anos (independente das datas comemorativas ou não) os fãs são presenteados com novos lançamentos, novos títulos, gravações inéditas, etc. Podemos até afirmar que a discografia de Elvis se tornou muito mais movimentada nesses últimos 40 anos do que nos 23 anos que durou, enquanto Elvis ainda era vivo.

Colocando-se tudo na balança chegamos na conclusão de que a música de Elvis venceu. Venceu o teste do tempo, venceu as toneladas de matérias escandalosas ou equivocadas da imprensa, venceu até mesmo a mortalidade de seu protagonista. Não há nada parecido no mundo da música até os dias de hoje. Claro que passados 40 anos de sua morte o catálogo de Elvis vai se exaurindo, pois acabam restando poucas gravações ou concertos realmente ainda inéditos. Provavelmente não teremos mais fôlego para outros 40 anos tão fartos em termos de lançamentos. Independente disso o simples fato do nome de Elvis ter sobrevivido depois de tanto tempo é uma prova incrível de seu talento, da imortalidade de sua obra musical. Nesse aspecto não há mesmo o que pensar, Elvis foi realmente único em sua lenda.

Pablo Aluísio.

sábado, 12 de agosto de 2017

Elvis Presley - Let's Be Friends (1970)

Em 1970 a RCA lançou muitos álbuns de Elvis. Como não havia tanto material novo gravado em seus arquivos, a gravadora através de seu selo azul RCA Camden jogou no marcado mais um disco de preço promocional. O LP se chamou "Let's Be Friends" e seguindo os passos do disco "Almost In Love" também era recheado de sobras de estúdio, relançamento de singles e músicas de trilhas sonoras dos anos 60. Curiosamente esse disco nunca foi lançado no Brasil, talvez porque a filial da gravadora em nosso país tenha chegado na conclusão de que não haveria mercado para tantos álbuns de Elvis sendo lançados ao mesmo tempo. Afinal não havia como comparar o nosso país com o mercado consumidor americano.

1. Stay Away, Joe (Weisman / Wayne) - Essa era a música título do filme "Joe é Muito Vivo". Essa é uma comédia nonsense, com roteiro maluco, que nunca chega a fazer muito sentido. De certa maneira é um dos filmes mais singulares da filmografia de Elvis onde ele interpreta um mestiço, um nativo americano, que anda de moto e se envolve em confusões. O final do filme tem uma cena digna das comédias pastelões de "Os Três Patetas" com uma casa inteira vindo abaixo! A música é divertida, segue o mesmo estilo de humor, recriando tambores e sonoridades que tentam copiar as velhas melodias indígenas, mas sem querer ser fiel. É de certa maneira mais um pop ao estilo Hollywood que obviamente não acrescentou praticamente nada dentro da discografia de Elvis Presley.

2. If I'm a Fool (Kessler) - Outra que soava como completa novidade para os colecionadores era a desconhecida "If I'm a Fool". Naqueles tempos as capas dos discos não traziam informações sobre as datas das gravações, os músicos participantes, nada! Assim era quase um trabalho de arqueologia descobrir onde foram produzidas determinadas músicas. Na realidade essa faixa era uma sobra (embora essa denominação possa parecer inadequada) das sessões do American Studios. Uma canção que não havia sido aproveitada em lugar nenhum até aquele momento. Escrita por Stan Kesler não é bem o que se poderia chamar de uma obra prima inesquecível. Na verdade é uma balada country até bem honesta, mas nada muito além disso. Jamais iria se destacar mesmo, ainda mais se levarmos em conta a extrema qualidade do material gravado por Elvis no American. Não foi por acaso que acabou ignorada. De qualquer maneira, para não passar em branco completamente, acabou sendo colocada aqui nessa seleção pelo produtor Felton Jarvis que adorava qualquer tipo de canção country.

3. Let's Be Friends (Arnold / Morrow / March) - Esse disco não prima muito pela organização e nem por seguir qualquer critério visível. É mesmo uma colcha de retalhos sonora, muitas vezes dita como produto caça-níquel. A música título "Let's Be Friends" é boa, tem boa qualidade técnica e uma performance na média por parte de Elvis. Ela foi escrita pelo trio de compositores Calvin Arnold, David Martin e Geoff Morrow e provavelmente seria esquecida para sempre caso não tivesse dado título a esse álbum. Originalmente ela fez parte da trilha sonora do filme "Ele e as três Noviças" (Change Of Habit), tendo sido gravada em março de 1969 nos estúdios da Universal, na costa oeste. Muitos se confundem dizendo que a música teria feito parte do pacote de gravações do American Studios, mas isso é obviamente um erro.

4. Let's Forget About The Stars (Owens) -  Essa música foi gravada em outubro de 1968 para fazer parte da trilha sonora do western "Charro". Como não houve intenção nenhuma da RCA Victor em lançar essa música ela foi deixada de lado. É curioso porque apesar de ter sido uma das gravações mais negligenciadas da carreira de Elvis ela foi ganhando, ao longo do tempo, um status cult entre os fãs, com muitos elogiando sua bonita melodia. É uma música bem fora de rota do que Elvis produziu nos anos 60, criada por um compositor chamado A.L. Owens. No saldo geral tem seus méritos, é sim uma bela balada que merecia ter tido melhor sorte dentro da discografia do cantor.

5. Mama (Curran / Brooks)- Uma boa razão para se comprar esse disco na época de seu lançamento foi a inclusão de "Mama" em seu repertório. Essa era uma antiga faixa que embora tenha sido gravada para a trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls" foi deixada de lado pelos produtores da RCA. A razão segue sendo desconhecida, uma vez que Mama tinha sua importância dentro do filme, sendo ouvida e executada entre as cenas. Alguns autores dizem que a RCA Victor ficou incomodada com o excesso de músicas gravadas para essa trilha sonora e por isso cortou Mama e outras faixas, como por exemplo, "Plantation Rock". Essa última nem fez muita falta, mas Mama certamente deveria ter sido incluída. Foi mais um dos vários erros cometidos pelos responsáveis pela discografia de Elvis.

6. I'll Be There (Gabbard / Price / Darin)- Essa música "I'll Be There" foi composta pelo cantor e compositor Bobby Darin. Ela foi lançada originalmente em 1960 com relativo sucesso comercial. Anos depois, em 1965, foi relançada pelo grupo inglês Gerry and the Pacemakers. Essa banda era rival dos Beatles ainda nos tempos do Cavern Club. Eles também faziam parte do círculo de conjuntos de rock que surgiram no eixo Liverpool - Manchester, ainda no final dos anos 1950. Foi justamente dentro desse movimento musical que surgiram os próprios Beatles. Lançada em single pelos ingleses não teve muito sucesso. A versão de Elvis veio em 1969. É uma boa gravação de uma música apenas mediana, não muito vocacionada para o sucesso.

7. Almost (Weisman / Kaye)- Esse álbum tem algumas músicas bem obscuras dentro da discografia de Elvis. São gravações que ou ficaram arquivadas por bastante tempo ou então não chamaram atenção nenhuma dos fãs quando foram lançadas originalmente. "Almost" é um exemplo disso. Ela foi composta por Ben Weisman e Buddy Kaye. O compositor Weisman foi um campeão em emplacar canções para as trilhas sonoras de Elvis durante os anos 60. Pena que a imensa maioria de suas composições eram bem descartáveis, sem importância artística. Essa fez parte da trilha sonora do filme "The Trouble With Girls" (Lindas Encrencas: As Garotas), mas foi considerada tão fraca que foi arquivada, ressurgindo aqui nesse disco, sem maior repercussão.

8. Change of Habit (Weisman / Kaye) - Essa foi a canção tema do filme "Ele e as três noviças". Esse foi o último filme de Elvis ao velho estilo, com roteiro, elenco, direção e argumento mais tradicional. Apesar disso o filme tinha também novidades interessantes, fugindo daquelas estorinhas mais bobas que rechearam muitas das produções com Elvis em Hollywood. Com direção musical do maestro Billy Goldenberg, Elvis começou as sessões de sua última trilha sonora. "Change of Habit" tem um belo arranjo, com um guitarra bem presente. A melodia tem uma cadência própria, bem de acordo com o som da época. Não é tola e nem tem uma letra óbvia demais. De maneira em geral gosto bastante dessa gravação. Elvis já estava com aquele estilo vocal que iria se destacar em suas gravação no American Studios em Memphis. Uma voz mais encorpada, forte! Isso contribuiu bastante para o bom resultado. Outro ponto digno de citação foi o belo trabalho do baixista Lyle Ritz em raro solo dentro da discografia de Elvis. Um bom momento, sem dúvida.

9. Have a Happy (Weisman / Kaye / Fuller) - Esse outro bom momento do disco foi gravado também para a trilha sonora de "Change of Habit". No entanto essa faixa era bem mais convencional. Nesse dia, o último de gravação, algumas mudanças foram feitas na equipe musical que acompanhava Elvis. O guitarrista Robert Bain assumiu o baixo e Max Bennett chegou para ajudar nas sessões. Essa segunda canção de "Ele e as três noviças" que foi selecionada para esse álbum "Let's Be Friends" pode ser considerada uma das mais pueris desse disco. Ao contrário da anterior não tenta inovar muito e nem absorver as mudanças da sonoridade da época. É de certa maneira uma herderia tardia das antigas trilhas de Elvis. Um último adeus a aquele tradicional estilo de Hollywood dos velhos tempos.

Elvis Presley - Let's Be Friends (1970) - Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Jerry Reed (guitarra e violão), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo),  Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Charlie McCoy (harmonica), Peter Drake (steel guitar) e The Jordanaires (vocais) / Dennis Budimir (guitarra) / Mike Deasy (guitarra) / Howard Roberts (guitarra) / Robert Bain (baixo e guitarra) / Max Bennett (baixo) / Carl "Cubby" O'Brien (bateria) / Roger Kellaway (piano) / B.J. Baker, Sally Stevens, Jackie Ward (backup vocals) / The Blossoms: Darlene Love, Jean King & Fanita James (backup vocals) / Produção e arranjos: Joseph J. Lilley, Felton Jarvis, Billy Stange, Hugo Montenegro, Billy Goldenberg e Chips Moman / Data de lançamento: 10 de abril de 1970 / Selo: RCA Camden / Melhor posição nas paradas: 105 (Billboard 200).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Elvis News: Notícias sobre Elvis Presley

Glen Campbell morre aos 81 anos - O compositor, cantor e guitarrista Glen Campbell morreu nos Estados Unidos. Ele tinha 81 anos de idade. O músico trabalhou ao lado de Elvis Presley durante a década de 1960, participando das gravações da trilha sonora do filme "Amor à Toda Velocidade" (Viva Las Vegas, 1964). Em estúdio ele trabalhou em diversas gravações importantes, em sucessos de vários artistas, entre eles The Byrds e The Righteous Brothers. Com Elvis participou das sessões de "Viva Las Vegas" e "What'd I Say".

Guarda-costas de Elvis lança novo livro - Dick Grob, que trabalhou ao lado de Elvis como guarda-costas, está lançando um novo livro intitulado "Safe and Sound". O autor defende em seu livro que não foi apenas guarda-costas e chefe de segurança de Elvis Presley por dez anos, mas também um amigo próximo com quem o cantor dividia histórias e pensamentos bem pessoais. E é justamente nesse tipo de relacionamento que Dick se apoia para, segundo ele, compartilhar com fãs histórias inéditas sobre Elvis, nunca contadas antes. Ele conta detalhes da intimidade do astro, tanto em suas turnês pelos Estados Unidos, como em Graceland e na sua mansão em Palm Springs. Também revela o que realmente ocorreu em 1974, durante sua conturbada temporada em Lake Tahoe. 

40 anos de Moody Blue - A Sony anunciou que lançará nos próximos dias uma edição especial, comemorativa, dos 40 anos de lançamento do último disco da carreira de Elvis, "Moody Blue". Será uma edição limitada, com lançamento inclusive em vinil, especialmente destinado para colecionadores. "Moody Blue" foi o LP final da carreira de Elvis, lançado um mês antes de sua morte em agosto de 1977. O disco trazia uma mescla de faixas gravadas em estúdio (registradas em Graceland no ano anterior) e algumas ao vivo, trazendo parte do trabalho que Elvis desenvolvia nos palcos. A faixa título do disco foi lançada como single em dezembro de 1976, conseguindo alcançar o topo da parada country da Billboard. Sem dúvida um belo lançamento para fãs de Elvis e colecionadores em geral. Fica a dica. 

Elvis em documentário da HBO - O canal HBO anunciou que está produzindo um documentário sobre Elvis intitulado "Elvis Presley: The Searcher". Esse filme terá uma duração de três horas e será exibido em duas partes na grade de programação do canal. A ideia é resgatar o lado do Elvis músico, desde seus primeiros discos, indo até suas últimas sessões de gravação em Graceland. Haverá a exibição de entrevistas com diversas pessoas que trabalharam ao lado de Elvis nos estúdios, desde músicos, passando por produtores e executivos dos estúdios de cinema em que Elvis trabalhou. Priscilla Presley será uma das produtoras executivas do documentário.

Pablo Aluísio.

sábado, 5 de agosto de 2017

Ele e as Três Noviças

Quando Elvis foi para Hollywood em 1956 ele tinha grandes sonhos de construir uma grande carreira como ator. Queria seguir os passos de seus ídolos Marlon Brando e James Dean. As coisas porém não saíram conforme o planejado. Os filmes de Elvis que fizeram grande sucesso de bilheteria (como Feitiço Havaiano, Viva Las Vegas e Saudades de um Pracinha) seguiam uma certa fórmula e os executivos de Hollywood o aprisionaram dentro desse tipo de comédia romântica musical. Não houve saída e assim Elvis ficou fazendo filmes que basicamente tinham os mesmos roteiros, ano após ano. A partir de 1965 a qualidade dessas produções caíram muito, fazendo com que seus velhos sonhos de ser um grande ator virassem pó. O curioso é que esse último filme de Elvis em Hollywood foi, para surpresa de muitos, realmente muito bom!

Elvis interpreta um médico trabalhando na periferia de Nova Iorque, dentro de uma comunidade mais pobre. Nesse mesmo lugar atuam algumas freiras, uma delas interpretada pela excelente atriz Mary Tyler Moore. O roteiro desse filme assim fugiu de certa maneira da desgastada e saturada fórmula dos filmes de Elvis do passado. Embalado igualmente pela sua volta aos palcos, pelo sucesso do NBC TV Special, Elvis aparece bem mais natural em cena, com os cabelos soltos, livres de todo aquele laquê que plastificou sua imagem no cinema por anos a fio. A trilha sonora também tem músicas muito boas, mais condizentes com a época do filme. Nada daqueles versos adolescentes e daqueles acompanhamentos vocais que em 1969 já não tinham mais razão de ser. Para o próprio Elvis inclusive foi reconfortante interpretar um personagem que parecia mais com uma pessoa de verdade, da vida real. Ele não era mais um piloto ou cantor galã com garotas e mais garotas se jogando aos seus pés. Era um médico, um sujeito comum, concretizando um velho sonho do próprio Elvis que sempre dizia que na juventude havia pensado seriamente em se dedicar aos estudos, para cursar uma faculdade de medicina. Então é isso. Um filme bem acima da média que marcou sua despedida de Hollywood para sempre! Poderia ter sido um novo caminho em sua filmografia, mas Elvis pensou melhor e decidiu dar adeus ao cinema, com pelo menos um bom filme. Foi uma despedida digna e muita adequada.

Ele e as Três Noviças (Change of Habit, Estados Unidos,1969) Direção: William A. Graham / Roteiro: James Lee, S.S. Schweitzer/ Elenco: Elvis Presley, Mary Tyler Moore, Barbara McNair / Sinopse: O Dr. John Carpenter (Elvis Presley) trabalha em uma clínica para pessoas pobres em um subúrbio de Nova Iorque e lá acaba conhecendo a freira irmã Michelle (Mary Tyler Moore). Juntos passam a trabalhar em prol da comunidade local.

Pablo Aluísio e Erick Steve.