segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 19

No meio de todo esse cochicho começaram a surgir os primeiros boatos. Já em 1972 os hóspedes e funcionários do Hilton comentavam baixinho pelos corredores que o problema principal de Elvis era um vício profundo em cocaína. Não era verdade, mas como ninguém sabia a realidade de seus problemas com remédios, todos chegaram a conclusão que Elvis estava daquele jeito por causa de seu vício na droga. Quando Elvis soube dos boatos explodiu! O cantor era muito sensível em relação à sua imagem. Elvis gritou para os caras da máfia de Memphis: "O que essas pessoas estão pensando? Quem usa drogas são os Beatles e não eu!"

A verdade porém era que antes de estourar com seus capangas, Elvis deveria ter feito uma auto-análise e verificar que seu estado era realmente deplorável. Alguns de seus últimos shows em Las Vegas tinham sido lamentáveis, causando uma repercussão tão negativa que a direção do Hilton chamou Tom Parker para uma reunião a portas fechadas. Naquela ocasião o conselho diretor da cadeia de hotéis comunicou, sem rodeios, a Tom Parker que a partir de agora tudo o que acontecesse nas apresentações de Elvis seria de sua exclusiva responsabilidade! Na realidade a rede deixou subentendido para o empresário que se Elvis não se endireitasse logo, eles muito provavelmente iriam cancelar todas as temporadas futuras do cantor em Las Vegas. A possibilidade de uma rescisão de contrato ficou na mente de todos!

Todos estavam temerosos pelas repercussões e eles tinham que manter a imagem da rede Hilton de qualquer forma. Parker ficou preocupado após essa reunião! A mensagem tinha sido clara. O Coronel ficou inquieto. O que ele iria fazer agora? Mesmo quando Elvis se apresentava bem, as pessoas só conseguiam reparar em sua imagem, em seu incrível aumento de peso! Também pudera, durante vinte anos Elvis Presley foi símbolo de beleza, sua imagem era conhecida nos quatro cantos do mundo! Ele sempre foi considerado pelas fãs como um dos homens mais belos do planeta! De repente ele aparecia muito mal na frente de todas essas pessoas que ainda idolatravam aquela imagem impecável! Só poderia causar um grande choque mesmo! Às vezes, porém, Elvis nem ao menos conseguia fazer um bom concerto, em certos momentos ele realmente mal conseguia cantar as músicas até o final.

Havia muita enrolação e piadas, mas musicalidade não. O pior de tudo é que sua vida na estrada e em Las Vegas era uma verdadeira montanha russa. Numa noite ele poderia cantar muito bem, se apresentar de forma excelente, mesmo estando fora de seu peso, mas poderia muito bem acontecer que na noite seguinte Elvis se apresentasse da pior forma possível, visivelmente alterado pelo abuso de drogas, deixando todos, da banda a platéia, constrangidos com sua presença! Na verdade ninguém poderia ter certeza absoluta do que iria acontecer no palco durante essa fase da vida dele. Era um jogo de dados e isso gerava muito stress e ansiedade em todos os que estavam envolvidos nas excursões. Não é por outra razão que muitos músicos da TCB Band estavam dispostos a deixar Elvis em seus últimos momentos. Além da falta de renovação musical, que os deixavam frustrados como artistas que eram, havia ainda a enorme ansiedade decorrente do que iria acontecer nos shows por causa dos problemas pessoais de Elvis!

Fora isso tinham ainda que lidar com a má remuneração paga por Tom Parker e a desorganização total das agendas de shows, que só eram lhes repassadas em cima da hora, fazendo com que eles perdessem a oportunidade de fazer outros trabalhos com outros artistas em estúdio. Com isso perdiam uma importante fonte de renda extra. Ser um músico da banda de Elvis não estava mais compensando para esses verdadeiros heróis anônimos! Muitos chegaram mesmo a comunicar pessoalmente a Elvis que estavam indo embora e só ficaram porque Elvis resolveu oferecer muito dinheiro para eles, muitas vezes pagando de seu próprio bolso para evitar a debandada. Caso contrário era certo que muitos deles teriam ido embora já em 1975 ou 1976.

Erick Steve.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 18

Rick Stanley, uma das pessoas mais próximas de Elvis em seus últimos dias de vida, acusou, sem meias palavras, alguns médicos do cantor pela sua morte: “Em troca de receitas, quatro ou cinco médicos ganharam caríssimos presentes de Elvis”. A situação foi de certa forma confirmada por Ulisses Jones, uma das primeiras pessoas que estiveram no local da morte de Elvis para tentar salvar sua vida, pois em sua opinião algo foi deliberadamente mexido no banheiro onde Elvis morreu, escondendo evidências do local da sua morte, sumindo com caixas de remédios que estavam no chão e destruindo provas materiais da cena da morte de Elvis.

Em seu depoimento ele afirmou: “Assim que cheguei no local onde Elvis tinha morrido, vi vários frascos de remédios sobre o lavatório e no chão e imaginei, imediatamente, tratar-se de uma OD (overdose de drogas). Como de praxe pedi para que fossem recolhidos e entregues todos os remédios para as autoridades, mas as caixas de remédios nunca foram parar nas mãos dos policiais que estiveram no banheiro em que Elvis morreu. Alguém sumiu com as evidências, com todas as provas que poderiam ajudar a auxiliar no esclarecimento do que realmente aconteceu!” finalizou Ulisses.

Embora Elvis tratasse todos esses potentes medicamentos como simples caixinhas coloridas, eles estavam na realidade o levando a um caminho sem volta. As drogas foram minando seu organismo de forma gradual. Conforme a dependência ia aumentando os efeitos iam se tornando menos eficazes. Para manter a mesma eficácia Elvis tinha que sempre aumentar a dosagem, chegando ao ponto em que ele começou a andar literalmente no fio da navalha. Imagine o stress: ao mesmo tempo em que manipulava suas autoridades médicas, Elvis tinha que levar adiante sua vida, se apresentar quase todos os dias e ainda manter tudo em segredo. Um dia essa rotina iria levar Elvis ao colapso nervoso. E não deu outra. Durante muitos anos o real estado de Elvis era um segredo mantido a sete chaves pela organização Presley. A imagem de Elvis estava intocada e para o público ele era um exemplo, tanto em sua vida profissional como em sua vida pessoal.

Mas as coisas começaram a ficar complicadas quando Elvis começou a transparecer todos os seus problemas nos palcos, durante suas apresentações ao vivo. Quando Elvis começou a tropeçar na frente do público a imprensa começou a ficar de olho nele pra valer! Embora tivesse uma constituição física de um touro, o organismo de Elvis começou a fraquejar, principalmente a partir de 1974. Seus abusos iriam agora cobrar seu preço e expor Elvis e seus problemas na frente de todos. O Rei estava nu! O cantor começou a esquecer sistematicamente as letras, a se mostrar totalmente sem energia e sem interesse pelas apresentações, a fazer monólogos confusos e sem graça, a criar atritos com membros da banda e a interromper os concertos para se recuperar nos bastidores.

Isso quando ele conseguia entrar no palco, pois em algumas ocasiões ele sequer tinha condições de sair do hotel em que estava hospedado para fazer os concertos. Em Baton Rouge, Louisiana, por exemplo, Elvis nem conseguiu se levantar da cama na hora do show, totalmente prostrado, em narcose profunda! Além disso ele nunca mais iria caminhar para uma renovação em seus concertos, fazendo shows muito semelhantes entre si ao longo dos anos, quase sempre com as mesmas canções habituais tocadas repetidamente, ad nauseam. Cada apresentação sofrível de Elvis fomentava cada vez mais boatos. As pessoas saíam perplexas de suas apresentações, se perguntando o que havia acontecido com ele! Por que Elvis estava tão obeso, tão confuso e tão desnorteado?

Erick Steve.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Meu Tesouro é Você

Título no Brasil: Meu Tesouro é Você
Título Original: Easy Come, Easy Go
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: John Rich
Roteiro: Allan Weiss, Anthony Lawrence
Elenco: Elvis Presley, Dodie Marshall, Pat Priest

Sinopse:
O mergulhador e aventureiro Ted Jackson (Elvis Presley) decide dar baixa na Marinha americana para se lançar em uma busca ousada por um tesouro há muito desaparecido nas profundezas do oceano sem fim. No caminho porém acaba se apaixonando perdidamente por uma linda garota, mostrando que o verdadeiro tesouro certamente não é aquele afundado nas águas cristalinas da costa azul.

Comentários:
Esse filme marcou a despedida de Elvis Presley na Paramount Pictures. Durante anos o estúdio e o produtor Hal B. Wallis investiram na carreira de Elvis em Hollywood e foram muito bem sucedidos em termos de bilheteria. Em 1967 porém os filmes estrelados pelo cantor já não davam mais o mesmo retorno financeiro esperado. Veja os números desse aqui. O filme custou meros dois milhões de dólares, mas só faturou um milhão e novecentos mil, trazendo um prejuízo de cem mil dólares ao estúdio. Assim a Paramount não mais quis renovar com Elvis para futuras produções. O interessante é que seus filmes faziam sucesso enquanto sua carreira musical ia bem e quando os discos e as músicas deixaram de frequentar o topo dos mais vendidos Elvis foi deixando de ser interessante também para a indústria do cinema americano. De uma forma ou outra a Paramount pode ser parabenizada por sempre ter colocado à disposição do cantor o que havia de melhor em termos de produção na época. Ao contrário da MGM que jogava Elvis em qualquer abacaxi, a Paramount procurava caprichar, até mesmo aqui no final da carreira do cantor no estúdio. Um exemplo? O figurino de Elvis no filme foi todo desenhado pela ótima estilista Edith Head, considerada uma das mais marcantes profissionais da moda no cinema americano durante sua época de ouro. Infelizmente mesmo com a boa vontade dos produtores o filme não consegue decolar. O maior problema de "Easy Come, Easy Go" vem de seu fraco roteiro, com pequena carga dramática, o que deixa o espectador com a impressão de que a estória não avança para lugar nenhum. Elvis até tenta, mas não há como salvar um roteiro fraco, uma lição que todos os grandes astros de Hollywood sabiam muito bem desde sempre.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 14 de setembro de 2014

Letras - Easy Come, Easy Go

Easy Come, Easy Go (Ben Weisman / Sid Wayne) - Easy come, easy go / Here, there, everywhere / Crazy love is in the air / Nightfall, mmm, day and nightfall / So many girls in every port / You gotta be a juggernaut / Full speed ahead or you'll be caught / Oh yeah, oh yeah / Easy come, easy go / Up, down, all around, kiss and kiss / And pound for pound, delicious / Mmm, so nutritious / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go, all right / When you want love to keep you warm / There's nothing like a uniform / You got a port in any storm / There she blows / Easy come, easy go / Up, down, all around, kiss and kiss / And pound for pound, delicious / Mmm, so nutritious / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go / Easy come, easy go / Easy come, easy go / Easy come, easy go.

The Love Machine (Gerald Nelson / Fred Burch / Chuck Taylor) - Step right up to the love machine / You may get lucky when you zap a dream / Let the wheel go round, round and round / You may win that girl you've never found / She may be Suzy or Maybelline / She could be Cathy or Angeline / Let the wheel go round, round and round / Try your luck right now on the love machine / We're just a bunch of salty sailors / One thing on our mind / Takin' a chance on this machine / Maybe love we'll find / She maybe tall she maybe short / She may be wide / But Lady Luck stop that wheel / On 38-24-35 / Step up, whose next in line / This love machine don't waste no time / Let the wheel go round, round and round / What will your fortune be on the love machine / All right / We're just a bunch of salty sailors / One thing on our mind / Takin' a chance on this machine / Maybe love we'll find / She maybe tall she maybe short / She may be wide / But Lady Luck stop that wheel / On 38-24-35 / Step up, whose next in line / This love machine don't waste no time / Let the wheel go round and round and round / And round and round and round and round / What will your fortune be on the love machine / What will your fortune be on the love machine. 

Yoga Is Yoga Does (Gerald Nelson / Fred Burch) - Well I can see that you and yoga will never do / Yoga is as yoga does there's no in-between / Your either with it on the ball or you've blown the scene / I can see lookin' at you, you just can't get settled / How can I even move, twistin' like a pretzel / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / Come on come on, untwist my legs / Pull my arms a lot / How did I get so tied up / In this yoga knot / You tell me just how I can take this yoga serious / When all it ever gives to me is a pain in my posteriors / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / Stand upside down on your head, feet against the wall / A simple yoga exercise done by one and all / Now cross your eyes and hold your breath, look just like a clown / Yoga's sure to catch you if you come falling down / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene). 

You Gotta Stop (Giant / Baum / Kaye) - Baby you've been lying to me now I'm onto you / It's the same old song but it doesn't ring true / That's right you're wrong again / Time to change and put you on your own again / You've had your way too long / Time for me to be moving on / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / You've been steppin' out wild and fancy free / Now you've had your fun and you're running back to me / It just can't be if there's no harmony / Then stop! / That's all let's break it up / You've had me fooled now I'm wakin' up / I see right through your lies / You made me open my eyes / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / It's too late now I've made up my mind / Being here with you is just a waste of time / Nothing to say so I'll be on my way / Stop! / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / It's too late now I've made up my mind / Being here with you is just a waste of time / It just can't be if there's no harmony / Then stop! Stop! you're wrong again / Stop that song again / Stop! you're wrong again / You gotta stop that song again / Stop!

Sing You Children (Gerald Nelson / Fred Burch) - Oh Jonah he was desperate / In the belly of the whale / Well Jonah had a plan / He knew he couldn't fail / He raised his head on high / And looking for the sky / And sang his song so pretty / The whale told him goodbye / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / Well Moses said good Lord / Open up these waters for me / So I can get Your children / Across the salty sea / Well the Lord parted the waters / And singing hand in hand / Moses and the children / Walked over to the promised land / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / Oh Joshua had a plan / At the Walls of Jericho / He'd march around those walls / And on his horn he'd blow / That horn would play a tune / And sing a happy song / When Joshua got through / Those walls came tumbling down / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / You got to sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away.

I'll Take Love (Fuller / Barkan) - Some people think that pot of gold / Is all they ever want to hold / But there's a treasure, I think more of / Measure for measure .. I'll take love / Some people think that their success / Is all they need for happiness / But there's a pleasure, I think more of / Measure for measure .. I'll take love / Pound for pound oh yeah and / Ounce for ounce love is all that really counts / So let them have their wealth and fame / Eat caviar and drink champagne / You're all the treasure I'm dreaming of / Measure for measure .. I'll take love / Pound for pound oh yeah and / Ounce for ounce love is all that really counts / So let them have their wealth and fame / Eat caviar and drink champagne / You're all the treasure I'm dreaming of / Measure for measure .. I'll take love / I'll take love, I'll take love / I'll take love, I'll take love.

Elvis Os Anos Finais - Parte 17

Já que o ser humano Elvis era totalmente preso ao Elvis mito então ele teria que tirar algum proveito dessa situação. Talvez a fama o ajudasse de alguma forma na busca da satisfação de suas necessidades químicas mais urgentes. O fato de ser uma celebridade iria certamente lhe abrir muitas portas! O que importava para Elvis nesse período nebuloso de sua vida era suprir seu vício! Ele não se importava mais, nessa altura dos acontecimentos, com o que as pessoas próximas a ele pensavam de tudo o que estava acontecendo. Enquanto houvesse medicação suficiente para sua satisfação pessoal e enquanto tudo estivesse encoberto de seus fãs e imprensa, para ele tudo estaria bem. Elvis nunca reconheceu para si mesmo que estava perdido, que precisava urgentemente de um tratamento de desintoxicação. Em sua forma de ver as coisas ele era apenas uma pessoa doente que precisava desses remédios para se curar. Ele não se considerava um viciado em drogas, mas sim uma pessoa enferma.

Infelizmente só ele pensava dessa forma. Era fácil perceber que ainda estava na fase de negação. Por essa razão, para continuar firme em sua jornada insana de hedonismo químico travestido de ciclo de auto destruição, Elvis precisaria de alguma ajuda externa e facilmente ele a teria. Para quem dependia de sua fama para viver seria fácil. Em relação e eles Elvis não teria com o que se preocupar. Mas havia também as pessoas que não eram subordinadas diretamente a ele. Para essas a antiga solução ao velho estilo "Tom Parker": muito dinheiro vivo, em cash! Segundo a peça de acusação que foi elaborada contra um dos médicos de Elvis, para contornar essa delicada situação ele simplesmente os comprava de forma indireta. Isso não era uma coisa feita de forma ostensiva, nada disso, era tudo muito bem simulado entre eles. Em troca de presentes caros como carros de alto luxo, por exemplo, os médicos receitavam as drogas que Elvis tanto queria.

Era uma simulação muito bem orquestrada, uma peça de teatro macabra! O cantor simulava estar seriamente doente e os médicos fingiam que ele realmente precisava de uma quantidade absurda de medicamentos e os receitava. Claro que Elvis sofria de alguns problemas de saúde, como glaucoma, lesões no cólon e no aparelho digestivo e depressão, muitos deles agravados inclusive pelo uso abusivo de remédios, mas nada poderia justificar um abuso tão grande de drogas por uma só pessoa! Elvis podia até estar doente, mas não em proporções tão alarmantes que justificassem o uso constante de enormes doses de drogas tão diferentes entre si. A verdade pura e simples é que Elvis havia perdido totalmente o controle da situação, principalmente em meados dos anos 70. As coisas ficaram mais claras em 1981, quando a justiça norte americana provou que só um de seus médicos receitou mais de dezenove mil doses de narcóticos e barbitúricos diversos para Elvis em seus dois últimos anos e meio de vida.

Isso dava uma média de mais ou menos 25 ou 30 diferentes remédios por dia, entre pílulas e injeções! No seu receituário diário havia Quaalude (conhecida como "Wall Banger", que traduzindo significa "Bater a cabeça na parede"), Amytal, Dexedrine, Biphetamine, Percodan, Demerol, Valium, Codeína, Dilaudid, a preferida de Elvis, enfim... uma diversidade absurda e mortal. Foi com base nessas informações que o Dr. Nick, médico particular de Elvis, foi a julgamento no começo dos anos 80. Para os promotores do caso, mesmo correndo o risco de ser investigado um dos médicos não se fez de tímido e prescreveu uma quantidade mais do que excessiva para seu cliente famoso! Em troca Elvis comprou uma casa para ele no valor de 350 mil dólares, deu carros importados e financiou um centro clínico no valor de 5.5 milhões de dólares. Como se isso não bastasse, ainda investiu em negócios de seu médico particular, como a construção de um complexo esportivo!

Mas isso era apenas uma peça dentro do complexo mosaico de médicos fornecedores de que Elvis se utilizava. Não raro ele pegava seu avião e atravessava o país em busca de uma nova fonte de medicamentos, pois a anterior já havia se esgotado. Todos esses fatos só servem para termos uma idéia de como era grave o estado de Elvis Presley em seus últimos meses de vida! No final das contas, apesar da promotoria ter demonstrado com amplo material probatório a má fé do médico em receitar tantos remédios em troca de favores, um dos médicos foi inocentado na esfera penal alegando que as drogas eram consumidas por todo o pessoal envolvido nas turnês e não apenas por Elvis, fato que foi negado por vários membros da máfia de Memphis e da própria banda do cantor. Lamar Fike afirmou: "Eu nunca tomaria coisas como Demerol ou Quaalude na minha vida!" Já Red West foi mais incisivo e disse depois do julgamento: "Aquilo foi o médico que inventou uma história sem pé, nem cabeça! Eu não sou e nunca fui um usuário desse tipo de substância, se quiserem me submeto até a exames para provar o que digo!".

Erick Steve.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Easy Come Easy Go - Parte 2

Vamos agora tecer alguns comentários sobre as músicas do filme "Meu Tesouro é Você" (Easy Come, Easy Go, EUA, 1967):

Easy Come, Easy Go (Ben Weisman / Sid Wayne) - Música título do filme, é apresentada no início e sua cena é ridícula, com Elvis cantando-a dentro de um barco com seus amigos da marinha. Mas essa é o tipo da música que tem que ser avaliada por partes. Sua letra é completamente imbecil, porém seu ritmo é EXCELENTE!!! Frenética e com um ótimo solo de guitarra ECEG poderia ter sido uma boa música, se não fosse sua letra, que não chega a ser ruim como em outras, mas... o que dizer de uma letra que chama um beijo de nutritivo!!!???

The Love Machine (Gerald Nelson / Fred Burch / Chuck Taylor) - Essa música fala sobre uma suposta roda com várias fotos de garotas que você gira e na garota que parar essa vai ser sua. Ótimo tema para música não acham?! Pela explanação acima já dá pra ver que a letra, novamente não é o forte dessa canção, que possui um ritmo até simpático, mas que não se desenvolve, apesar dos competentes vocais de Elvis. Essa é o tipo de música que fora do filme não faz sentido algum. Curiosamente foi primeiro lugar na Índia!!!

Yoga Is Yoga Does (Gerald Nelson / Fred Burch) - Ai Meu Deus, o que foi que eu fiz pra merecer isso?! Essa música é tão ruim, mas tão ruim, que só perde para a pérola "Dominic" de Stay Away Joe. De longe uma das mais odiadas pelos fãs de Elvis, essa "coisa" pavorosa não possuía nem ritmo, nem melodia e é uma das piores letras já escritas. Para completar é cantada em um dueto simplesmente horroroso e em uma cena que deve ter sido no mínimo constrangedora para Elvis. Poderia passar horas a criticando, mas ela nem isso vale a pena!

You Gotta Stop (Giant / Baum / Kaye) - Você já está quase chorando de raiva com a trilha quando de repente escuta Elvis: "Baby you´ve been Lying to me..." Seus ouvidos não acreditam, que melodia boa, que letra legal! Pois é senhores, toda trilha de Elvis é uma montanha russa, tem altos e baixos e nessa, apesar dos baixos serem em número maior, conseguimos encontrar essa preciosidade que vem para salvar tudo. "You Gotta Stop" não só é a melhor da trilha (grande coisa), mas é uma das mais desconhecidas preciosidades da carreira de Elvis! Divertida, com uma introdução que lembra "Runaround Sue" essa belezura tem uma das melodias mais gostosas que já escutei, com uma letra que foge da temática "rapaz se apaixona por garota". Falando de um cara que acabou um relacionamento e não quer mais nem saber da menina, "You Gotta Stop", recorre a um tema muito pouco explorado na carreira de Elvis: a superação amorosa.

Foi um pecado da RCA não ter lançado um single dessa música. Se bem que com a má publicidade do filme talvez a canção não teria sido bem sucedida. Mas fica aí a dica: no dia que a BMG resolver remixar outra música de Elvis, essa é bastante indicada. Por incrível que pareça, as trilhas de 1966 tem uma qualidade melhor do que os horrorosos "Paradise Hawaiian Style" e "Harum Scarum", definitivamente uma prova de que Elvis estava dormindo em 1965. "Double Trouble" é bem razoável e "Spinout" é até interessante (tirando a horrenda Beach Shack!).

O mesmo não pode se dizer de "Easy Come Easy Go", que está em 5º lugar nas piores bilheterias de Elvis. E pessoalmente eu achei o filme horrível. A trilha é péssima, com exceção de "I´ll Take Love" e a mencionada acima. Essa trilha contém a extremamente desprezível "Yoga is as Yoga Does", uma das piores músicas que já escutei. Mas como esse é um caso de altos e baixos, temos o prazer de escutar essa excelente música completamente desconhecida até entre os fãs, talvez por ser dificílima de se conseguir. Com uma letra fugindo da temática "garoto apaixonado pela garota", falando de um cara que quer terminar um relacionamento, essa música tem um excelente ritmo e é extremamente contagiante, com uma introdução que usa os mesmos acordes do clássico de Dion "Runaroun Sue". Como já disse, se quisessem fazer um remix dela ficaria perfeito. Nada dance, mas um arranjo mais rock. Se o Offspring descobrisse essa música... Tenho certeza que iam fazer maravilhas, transformando-a num punk rock, pois ela tem ritmo para isso. Nota dez para talvez a mais desconhecida canção dessa lista de preciosidades!!!

Sing You Children (Gerald Nelson / Fred Burch) - Tentativa frustrada de incluir um Gospel fajuto na trilha. Esse gospel é forçado, de letra boba e melodia sofrível. Também, o que esperar de uma música escrita pelos mesmos autores de Yoga is Yoga does? Pior é a cena em que ela é cantada no filme, onde Elvis a usa como forma de passar de um canto pra outro do recinto onde se encontra, pois o mesmo está lotado!!! Acho que existem melhores desculpas para incluir uma música em um filme. Mas quem sabe funciona? Quando estiver em um show lotado e quiser me locomover posso até tentar...

I'll Take Love (Fuller / Barkan) - A trilha se encerra com essa música simpática, de ritmo agradável, apesar dos toques caribenhos em sua parte instrumental. Não é uma das melhores da discografia do rei, mas passa longe de incomodar. É usada na habitual seqüência final do filme onde Elvis sempre canta uma música, depois que tudo ocorreu bem. Cerca de 80% dos filmes do rei acabam assim. Infelizmente.

Em resumo, só assiste ao filme e ouve essa trilha três tipos de pessoas:
- Os masoquistas
- Os fãs de Elvis
- Se você for ambos!
Tirando "You Gotta Stop", a trilha é dispensável e o filme bem ruim. Demoraria ainda dois anos para Elvis entrar nos estúdios da NBC e voltar com a mesma força que o fez imortal.

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Charlie McCoy (guitarra e órgão) / Bob Moore (baixo) / Buddy Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Hal Blaine (bateria) / Curry Tjader (bateria) / Larry Bunker (bateria) / Emil Radocchia (percussão) / Michel Rubini (Harpsichord) / Mike Henderson (trumpete) / Anthony Terran (trumpete) / Jerry Scheff (trumpete) / Butch Parker (trombone) / Meredith Flory (sax) / William Hood (sax) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Gravado no Paramount Scoring Stage, Hollywood, California / Data de gravação: 28 e 29 de setembro de 1966 / Produzido e arranjado por Joseph Lilley / Data de lançamento: Março de 1967 / Melhor posição nas charts: # - (USA) e # - (UK) Obs: O EP (compacto duplo) não conseguiu classificação nas paradas inglesas e americanas pois foi um fracasso comercial de vendas.

Victor Alves.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 16

Ninguém queria se indispor com alguém que, no fim das contas, era o único meio de renda e sobrevivência deles. Vernon vivia às custas de Elvis há muitos anos e por isso não tinha a independência necessária para confrontá-lo. Parker era um sanguessuga astuto que vivera toda a vida explorando ao máximo o talento de Elvis. Que moral tinham essas pessoas para confrontar Elvis? Com seus amigos e amores a coisa era bem pior. Os caras da Máfia de Memphis eram uns inúteis que ganhavam apenas para serem “amigos” de Elvis. Como Parker bem resumiu, a vida deles se limitava a simplesmente puxar o saco do cantor e nada mais. E as garotas que Elvis se relacionava na época eram, na maioria das vezes, bonecas vazias de beleza. A última mulher com inteligência que passou na sua vida, aquela que poderia exercer alguma força, Linda, estava fora do jogo.

Havia várias garotas que eram rainhas da beleza ao seu redor mas era só. Segundo algumas pessoas mais próximas a Elvis elas nunca gostaram de Elvis de verdade. Não raras vezes, quando Elvis afundava em torpor químico, muitas simplesmente se levantavam e iam embora, dormir em suas casas. No fundo as garotas apenas queriam ganhar seu naco do tesouro real e quem sabe garantir seu futuro. Para muitos as beldades nunca demonstraram carinho verdadeiro por Elvis, que na época era, em resumo, apenas um homem muito mais velho do que elas, com sérios problemas pessoais e de saúde. Elvis percebeu a situação e tentou ganhar (ou melhor comprar) seus afetos mas nunca conseguiu. Tudo soava falso.

De vez em quando Elvis as presenteava com um anel de diamantes. A beldade aceitava, mas não mudava sua conduta em relação a ele. Ficava esperando por outro mimo. Um dos membros da Máfia de Memphis resumiu tudo: “Nenhuma daquelas jovens garotas amava Elvis de verdade, isso era até óbvio para todos. Em seu estado elas não queriam ficar ao lado dele, na verdade ninguém queria, ninguém queria presenciar aquele tipo de situação, era muito triste!”. O próprio Elvis também não aceitava qualquer sugestão de que estaria precisando de ajuda. Ele encarava os remédios apenas como um meio de superar problemas de saúde que ele imaginava ter. Não se pode negar que de fato Elvis sofria de vários problemas e que eles foram indiretamente os responsáveis por seu vício, mas o fato é que a partir do momento em que se percebe que há um problema de dependência química é hora de procurar por ajuda médica e psicológica urgentemente. Elvis porém se recusava a pensar dessa forma e agia com extrema raiva com quem sugerisse algo nesse sentido.

Nesse quadro tenebroso Elvis ficou sozinho. De um lado seus fãs mais abobados que simplesmente o endeusavam e esqueciam (ou preferiam ignorar) que ele era antes de tudo um ser humano com um sério problema particular. Ficar aplaudindo com os olhos arregalados e o sorriso escancarado não iria lhe ajudar em nada! Do outro lado a coisa era bem pior, pois a imprensa marrom estava sempre massacrando Elvis. As manchetes, principalmente dos jornais das grandes cidades, praticamente versavam sobre os mesmos assuntos quando queriam atacar o cantor: "Elvis aos 40, apavorado por ter perdido seu sex appeal!", "A misteriosa doença de Elvis Presley!", "Elvis: lenda decadente em sua própria era?", "Um Elvis sem inspiração satisfaz Vegas!" ou então "Elvis, gorducho e preguiçoso, se apresenta no Los Angeles Forum". Em sua vida reclusa Elvis se recusava a ler críticas negativas, mas algumas escapavam e ele tomava conhecimento. Nesses momentos tinha acessos de fúria, dando tiros para o alto!

Nesse jogo de empurra empurra não havia sobrado ninguém para tirar Elvis dessa situação deprimente, nenhum amigo, nenhuma amante, nenhum parente que lhe dissesse numa conversa franca: "Elvis, você está totalmente dependente de seu vício em drogas, chegou a hora de lhe ajudar, vamos internar você em uma clínica para que você se recupere dessa fase em que entrou. Vamos lhe ajudar!" Como essa mão amiga nunca surgiu porque todos resolveram lavar mesmo suas próprias mãos, Elvis simplesmente foi afundando cada vez mais... sozinho em seu drama pessoal...

Erick Steve.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Easy Come, Easy Go - Parte 1

A data era 26 de setembro de 1956. Deve ter sido um dos dias mais especiais para Elvis. No auge do sucesso, voltar para sua cidade natal, Tupelo, para fazer dois shows e rever amigos e colegas de escola, junto com seus pais. A vida realmente tinha mudado para aquele pobre garoto do Mississipi. Há menos de 20 dias da data ele havia se apresentado no Ed Sullivan, conseguindo índices recordes de audiência e entrando para a história. O futuro parecia brilhante à sua frente. E foi, por alguns anos.

28 de setembro de 1966. Pouco mais de dez anos após aquela gloriosa data, a situação para Elvis Presley tinha virado de ponta cabeça. O cantor se encontrava em um dos pontos baixos de sua carreira, fazendo 3 filmes por ano com suas respectivas trilhas. A qualidade de ambos era bastante sofrível. Enquanto Elvis se afundava cada vez mais em sua mistura de música ruim, exageros químicos e deslumbramento com as religiões da nova era, a geração psicodélica dos anos 60 tomava forma e ganhava os EUA.

1966 foi um ano um pouco melhor do que 1965, pois Elvis finalmente, após mais de 2 anos sem gravar nada além de trilhas, entrou em estúdio e gravou material de alta qualidade como "Down in the Alley", "Tomorrow is a Long Time", "Love Letters" e outras, além do excepcional álbum "How Great Thou Art", ganhador de um Grammy. Elvis conseguiu um produtor novo, Felton Jarvis, que já dava novos ares para carreira do cantor em termos de qualidade de material e arranjo musical. Porém essas mudanças eram feitas a passo de tartaruga e iriam culminar com o especial de 1968, uns 2 anos depois.

Em termos de trilhas e filmes, 1966 é muito melhor que seu antecessor. "Spinout" possui material ainda fraco, mas algumas músicas de qualidade como a belíssima "Am I Ready" e o rock" I´ll Be back", uma das melhores músicas das trilhas de Elvis nos anos 1960, além do filme ser bem divertido. "Double trouble" é um filme bem legal, com uma história nada original, mas interessante. A trilha também é razoável e tirando a horrorosa e degradante "Old MacDonald", é bastante escutável.

Porém, qualquer melhora nesse complexo e difícil ano foi por água abaixo com "Easy Come, Easy Go" e sua horrorosa trilha. O filme só perde em termos de ser ruim para "Harum Scarum" e "Paradise Hawaiian Style". E a trilha é pior ainda do que "Harum Scarum". O filme conta a história de Ted Jackson, membro da marinha, que em uma de suas últimas expedições ao mar encontra um tesouro naufragado. Já civil, semanas depois, Ted se junta com seu amigo de banda e um jovem e vão à procura do tesouro. Porém, terão que enfrentar um grupo de playboys que também querem se apoderar dele. Se a história já parece ser sofrível, você não viu nada, só assistindo o filme. Os vilões são ridículos, as cenas embaixo d´água são as mais chatas já filmadas na história, e a não ser que você seja um oceanógrafo, não vai curtir muito elas.

Elvis simplesmente passeia pelo filme, não demonstrando nenhum interesse. Também com um roteiro desses! Foi o último filme que ele fez para a Paramount e o último sob a batuta de Hall B. Wallis. Os poucos pontos positivos são que Elvis está com um ótimo visual no filme, tendo perdido peso, se comparado com o ano anterior e apesar do guarda roupa limitado do filme, a calça preta e camisa preta que Elvis usa quase o tempo todo não poderia ter lhe caído melhor. O filme possui alguns indícios da psicodelia da época com garotas fazendo uma espécie de pintura nada convencional, além de referências ao yoga e a própria garota que contracena com Elvis, Pat Priest, ser um típico exemplo de garota zen-hippie que começava a pipocar no país por aquela época.

Outra curiosidade é que a senhora que faz a professora de yoga era casada com Charles Laughton, que foi o apresentador substituto de Ed Sullivan no dia 09 de setembro de 1956, primeira apresentação de Elvis no show. No mais o filme é completamente esquecível e foi um fracasso quando lançado em 1967. Merecidamente.

Já sua trilha sonora é outro desastre. Composta de 6 músicas, quando lançada em formato de Extended Play em março de 1967, nem entrou para o Hot 100, vendendo meras 30.000 cópias, se transformando na trilha de menos vendagem da carreira de Elvis. Foi o último Extended Play de sua carreira. Na Inglaterra o EP continha apenas 4 músicas, sendo as outras duas: "The Love Machine" e "You Gotta Stop" lançadas como single, que merecidamente alcançou apenas a 38ª posição.

Para piorar a situação, além de ter que gravar material de péssima qualidade, Elvis ainda teve que utilizar os estúdios de gravação da Paramount que eram péssimos e mais pareciam uma garagem, além de ter que ser obrigado a gravar de dia, fato que era único em sua carreira, visto que, todas as sessões de Elvis eram realizadas à noite ou então de madrugada. De propósito, Elvis chegou atrasado para os dois dias de gravação. Uma curiosidade dessas sessões de gravação é a presença do baixista Jerry Sheff que iria acompanhar Elvis nos anos 70.

Victor Alves.

domingo, 7 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 15

Como todas essas drogas não eram vendidas em farmácias normais Elvis começou a pesquisar em livros e guias médicos algum tipo de substância que poderia servir como substituta daquelas que eram privativas do exército americano. Foi assim que começou um de seus maiores hobbies: ler e pesquisar sobre remédios novos no mercado. Durante anos Elvis brincou de tomar drogas, muitas vezes se auto medicando, usando um guia de remédios disponíveis no mercado escrito para leigos em medicina. Este livro acabou se tornando sua leitura preferida depois da Bíblia. Elvis estava sempre querendo conhecer as novas drogas, experimentá-las e sentir seus efeitos. Muitos desses medicamentos eram produtos químicos fortíssimos que causavam forte dependência, quando não receitadas de forma adequada por médicos ou usado para combater doenças para as quais eram prescritos. Muitos deles também só podiam ser comprados por receita médica, o que fazia com que Elvis sempre procurasse travar amizade com o maior número de médicos que pudesse. Até porque ninguém saberia ao certo quando ele precisaria deles. Por essa época Elvis começou a incluir em sua lista de assalariados vários doutores de Memphis e de outras regiões. Nunca se sabia ao certo quando ele precisaria da próxima dose. Precavido, Elvis começou a prezar da companhia desses profissionais e de vez em quando jogava um carro zero KM nas mãos deles.

Todos esses profissionais de saúde sabiam que estavam na presença de uma pessoa com sérios problemas com drogas e que todos os presentes dados por Elvis só tinha um objetivo: facilitar o acesso, o caminho para a aquisição dessas substâncias. Com uma receita prescrita nas mãos, Elvis teria sinal verde para saciar seu vício, que agora o estava consumindo totalmente, dia e noite. Conforme a dependência de Elvis ia atingindo níveis absurdos, os próprios médicos começaram a temer pela excessiva quantidade de comprimidos receitados. Para driblar uma possível investigação policial, os médicos de Elvis começaram a receitar as drogas em nomes de terceiros, para algum membro da máfia de Memphis ou então até mesmo para parentes dele. Não era raro haver um frasco de remédios no criado mudo de Elvis, com os nomes de Red e Sonny West ou até mesmo de Lisa Marie na caixa de drogas. Nos frascos era possível se ler: “Droga rigorosamente controlada, seguindo normas federais de saúde, com venda permitida apenas sob prescrição médica” e abaixo: “Droga prescrita para Lisa Marie Presley”.

Apesar dos nomes diversos, toda o estoque químico era consumido apenas por uma só pessoa: Elvis. Os demais, citados nas embalagens, muitas vezes, até ignoravam a existência desses remédios. Era uma farsa macabra. Os médicos sabiam que Elvis tinha problemas de dependência, mas faziam vista grossa, principalmente se estivessem com uma Mercedes recém dada de presente por ele, estacionada na entrada de seus consultórios. Qualquer estudante de medicina do 1º ano de curso sabe reconhecer um dependente: olhos vermelhos e lacrimejantes, olhar vidrado, conversação desconexa, desinteresse pela vida pessoal, confusão mental. Para um viciado tudo o que importa é a próxima dose. Nem a família, nem o trabalho, nem questões particulares, nada mais lhe despertava interesse. Aos poucos os seus freios morais e éticos foram sendo perdidos no labirinto químico em que se afundara. Elvis sabia que as pessoas ao seu redor conheciam o seu real estado de forte dependência química. Mas para superar e abafar tudo, ele se utilizava de dois artifícios: a sua autoridade pessoal e o seu poder financeiro.

Muitos hoje afirmam que Elvis teria que sofrer uma interdição pessoal, uma intervenção da família para, de forma forçada, se internar em uma clínica de recuperação. Com isso teriam salvado sua vida. Para os defensores dessa teoria Elvis morreu também por omissão de seus parentes e amigos, que nada fizeram para reverter seu quadro lastimável. Mas isso era muito improvável nos anos 1970. Na época isso nem era comum e ninguém tinha força moral para liderar uma coisa dessas! Para aqueles que viviam às suas custas, era muito complicado iniciar qualquer forma de censura ou interdição pessoal em relação a Elvis Presley. Mesmo as pessoas mais influentes na vida dele, como o seu pai Vernon e o Coronel Parker, só conseguiam ir até um certo limite.

Erick Steve.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Indescribable Blue / Folls Fall in Love

O ano de 1967 na carreira de Elvis Presley começou muito bem com o lançamento logo em janeiro daquele ano do single "Indescribable Blue / Folls Fall in Love". "Indescribable Blue" vinha com um arranjo realmente diferenciado, muito bem produzido, com belos solos de violão espanhol choroso ao fundo, tudo enriquecido com um bonito coro feminino (algo que soava naqueles anos como uma grande novidade nas gravações de Elvis). Era uma canção bem diferenciada dentro da discografia de Presley certamente. A letra evocava a saudade de um amor perdido, com o autor se sentindo "Indescritivelmente triste" com sua situação pessoal. Infelizmente a música, apesar de todos os seus inegáveis méritos em termos de qualidade, arranjo e letra, acabou sendo ignorada pelo público, fazendo com que o single não conseguisse se destacar nas paradas. Era um reflexo negativo da baixa qualidade de suas trilhas sonoras para o cinema. O público não conseguia mais distinguir o que era bom do ruim e acabava ignorando todos os lançamentos de Elvis por essa época, o que era mesmo uma grande pena!

O lado B por sua vez vinha com a alegre e divertida "Folls Fall in Love" que apesar de pregar em sua letra que "apenas os tolos se apaixonam" tinha um arranjo para cima, com Elvis visivelmente empolgado com a melodia e a letra. Obviamente não podia se comparar com a bela "Indescribable Blue" do lado A, mas certamente era salva por sua energia positiva e pelo (novamente) bem produzido arranjo, embora esse seja bem mais tradicional do que o ouvinte havia constatado no lado principal do single. Aqui se sobressaem belos solos de sax e guitarras, tudo resultando em um inspirado momento de Elvis nos estúdios. Embora fosse um cover de Presley para um velho hit R&B dos Drifters, a canção também marcava, mesmo que indiretamente, um reencontro de Elvis com a maravilhosa dupla Leiber & Stoller, que tantos sucessos tinham escrito para ele em seus melhores anos na RCA Victor. Certamente não é nenhuma obra prima, mas consegue manter o bom padrão dentro do compacto, que era de fato muito acima da média das trilhas. No geral ainda não era a mudança tão aguardada pelos fãs nos rumos da carreira do cantor, mas já soava como algo novo, diferente. Elvis só iria mudar tudo mesmo em 1968, pois em 67 os fãs ainda teriam que lidar com muitas tolices e bobagens em sua discografia. Os tempos ruins porém estavam prestes a acabar.

Indescribably Blue (Darrell Glenn) - Our friends all ask me / The last time I saw you / And I smile and tell them / It's been a day or two / There's no way to explain it / The way that I miss you / And my love, you have left me / Indescribably blue / I talk to your picture / My fav'rite one of you / I wish that you were here with me / But what good will it do / Having no way to tell you / The pain that I've been through / Oh, my love, you have left me / Indescribably blue / Yes, my love, you have left me / Indescribably blue.

Fools Fall In Love (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Fools fallin' in love in a hurry / Fools give their hearts much too soon / Just put in two bars of stardust / Just hang out one silly moon / Oh, they've got their love, torches burning / When they should be playing it cool / I used to laugh but now I'm the same / Take a look at a brand new fool / Fools fall in love just like schoolgirls / Blinded by rose colored dreams / They build their castles on wishes / With only rainbows for beams / Oh, they're making plans for the future / When they should be right back in school / I used to laugh but now I'm the same / Take a look at a brand new fool, all right / They've got their love torches burning / When they should be playing it cool / I used to laugh but now I'm the same / Take a look at a brand new fool / Take a look at a brand new fool. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 14

Elvis à Venda Sob Prescrição Médica - O homem Elvis era agora mais do que nunca prisioneiro do Elvis mito. Sem oportunidade de crescer e evoluir como um ser humano normal, Elvis se via no meio de um cabo de guerra entre a imprensa e seus fãs mais exaltados. A primeira sempre estava aumentando consideravelmente qualquer deslize ou acontecimento negativo em sua vida e os fãs também pecavam, mas pelo lado oposto, pois estavam convencidos de que Elvis não seria capaz de fazer nenhum ato condenável ou censurável. Afinal, onde estava o tal falado equilíbrio que Elvis tanto tinha procurado em suas leituras de religiões orientais? O cantor nem mais sabia quem era de verdade, um ser humano real ou a capa de seu último disco? A perda de contato com a realidade foi o primeiro sinal de que Elvis estava entrando de vez num labirinto de verdades e mentiras do qual não conseguiria mais sair. Nem queria ser massacrado e nem muito menos ser endeusado por fãs que não tinham o menor conhecimento do que ele passava em sua vida íntima. Toda aquela história de rei pra lá, rei pra cá, já tinha lhe esgotado a paciência. Em um dos shows Elvis já havia inclusive chegado a se indispor pessoalmente com um grupo de fãs que havia estendido uma grande faixa o chamando de Rei. Elvis parou a música, olhou para aquilo e disse em tom de censura: “O único Rei que conheço é Jesus Cristo!”. As fãs ficaram tão sem graça que recolheram a faixa no mesmo minuto. Todos queriam que ele fosse perfeito e Elvis sabia que não era nada disso!

Ele tinha problemas e muitos! Seu maior problema agora era a forte dependência de medicamentos a que estava preso. Os primeiros remédios que tomou foram receitados ainda na adolescência para que ele superasse um velho mal que sempre o acompanhara ao longo da vida: a insônia contumaz. Os Presley eram caipiras e achavam que o fato de Elvis não dormir mais do que uma ou duas horas por noite era natural, seria uma característica normal que Elvis herdara de seus parentes paternos e que não haveria nada a fazer sobre isso. Ele teria que se acostumar com a situação e se adaptar a ela, segundo Gladys. Mas Elvis não agüentava mais ficar a noite em claro e passar o dia seguinte sentindo-se exausto e sem energia para nada. Foi por essa razão que numa manhã, antes das aulas começarem, ele próprio resolveu procurar o médico do colégio em que estudava para pedir ajuda, talvez o Doutor pudesse lhe receitar algo que o fizesse dormir melhor durante à noite. Depois desses primeiros comprimidos receitados e de seus efeitos mais do que satisfatórios, ele se convenceu que a solução de todos os seus problemas poderia ser encontrada numa simples pílula.

Pouco tempo depois Elvis foi ficando cada vez mais confortável com a situação de ele mesmo tomar as pílulas que achava que lhe seriam úteis e necessárias. O consumo desses remédios agora seria parte de sua vida até os seus últimos dias. Durante seus anos na estrada, nos anos 50, Elvis acabou sendo apresentado a outras drogas, principalmente aquelas que eram populares entre os músicos. Havia muitos estimulantes para esses profissionais segurarem o pique durante os shows e inibidores de apetite entre as excursões, pois essas eram as drogas populares entre os artistas que faziam as famosas turnês de Hank Snow. Durante uma dessas noites Elvis sentiu-se mal após tomar um milk shake estragado e ficou com receio de fazer a apresentação nessas circunstâncias, foi nesse momento que um músico da banda de Slim Whitman lhe deu um estimulante para que ele se apresentasse bem. O mal estar desapareceu rapidamente e logo após tomar o remédio Elvis sentiu-se ótimo, maravilhoso! Não tardou para ele resolver adotar o uso desse comprimido também, principalmente quando ficasse muito tempo longe de casa, na estrada, durante as jamborees.

Tomar esse tipo de droga para Elvis era complicado, pois ele não conseguia dormir direito nem se estivesse sem tomar nenhum estimulante, imagine com eles! Quando tomava esse tipo de droga Elvis ficava totalmente elétrico e não conseguia mais dormir depois dos shows de jeito nenhum! Para combater isso então ele tomava mais remédios para dormir e assim começava a roleta russa química que iria marcar toda sua vida. Nessa primeira fase de uso de drogas simples, não havia ainda o risco desses comprimidos trazerem maiores danos à saúde do cantor. O pior estava por vir. No exército Elvis foi estimulado pelo sargento de seu batalhão a ingerir uma nova geração de pílulas desenvolvidas exclusivamente para os soldados agüentarem a dura rotina de treinamentos no rigoroso inverno alemão. Aquele tipo de droga que Elvis tomava antes, nos anos 50, era brincadeira de criança perto do poder e dos efeitos dessas bolinhas do U.S. Army. Quando Elvis voltou aos Estados Unidos de seu serviço militar ele estava totalmente dependente e viciado nesse tipo de medicamento. Uma de suas maiores preocupações naquele momento era se ele teria como manter o uso dessas drogas após deixar o exército!

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis Presley 1966 - Cronologia - Parte 2

Setembro de 1966 - O Single "Spinout / All That I Am" é lançado para promover o filme Spinout (minhas três noivas, no Brasil). Como esse fracassou nas bilheterias e enterrou qualquer pretensão em se divulgar mais a trilha sonora, que tinha uma qualidade musical acima da média em comparação às outras lançadas nesse ano, o single acabou sendo seriamente prejudicado, não recebendo a atenção devida nos EUA. Ao contrário do filme que é destituído de valor artístico, a parte musical de Spinout traz pela primeira vez em muitos anos de trilhas sonoras fracas, uma seleção bastante interessante de momentos e até mesmo algumas músicas excelentes da carreira de Elvis como "Down in the Alley", "I'll Remember You" e "Tomorrow is a long Time" de Bob Dylan (Todas como Bonus Songs da trilha). Isso se deveu a um fator que ocorreu nos bastidores da RCA Victor em 1966. Por motivos de saúde o produtor de Elvis, Chet Atkins, teve que se afastar dos estúdios. Isso abriu caminho para que os trabalhos musicais de Elvis fossem providenciados por um novo produtor: Felton Jarvis. Ao contrário de Atkins, que apesar de ser um produtor e músico talentoso estava muito acomodado, Jarvis chegava com muita vontade de mostrar serviço. Resolveu embelezar as músicas de Elvis com novos arranjos e lhes dar maior qualidade harmônica, mesmo que essas fossem apenas canções descartáveis de filmes. Enfim, finalmente havia um sopro de ar fresco pairando dentro dos estúdios da RCA Victor. All That I Am - (S. Tepper / R.C. Bennett) - A prova viva de que Felton Jarvis vinha para ficar! Nesse caso o produtor pegou uma música despretensiosa que fazia parte da trilha e resolveu escrever um belíssimo arranjo de cordas em violino! A nova versão ficou tão bela que, com a concordância de Elvis, Jarvis resolveu lançá-la em single antes do filme. O resultado foi tão satisfatório que a música chegou ao Top 20 na Inglaterra, se tornando também bem conhecida no resto da Europa. Nesse compacto europeu ela foi lançada como lado A, ao contrário do single americano original que vinha com "Spinout" no lado principal e com "All That I am" no lado B. O disco com a trilha sonora se saiu melhor que o filme e conseguiu também ser Top 20 nos EUA (18º lugar entre os mais vendidos). Um excelente sinal de mudanças positivas nas combalidas trilhas sonoras de Elvis nesse período.

Outubro de 1966 - A trilha sonora do filme "Spinout" é lançada. Esse disco consegue (graças em parte às suas bonus songs) manter o interesse. Nada menos que três ótimas canções foram colocadas no disco por Felton Jarvis, certamente para evitar um vexame consecutivo a Elvis, depois de "Frankie And Johnny" e "Paradise, Hawaiian Style". "Down In The Alley", "Tomorrow Is A Long Time" e "I'll Remember You" salvaram o disco de se tornar mais uma decepção completa. Além dessas a bela balada "All That I Am" se destaca, principalmente por se tornar um belo sucesso de Elvis na Europa na época. Foi a primeira gravação do cantor a utilizar um arranjo de violinos. Mostra sem dúvida a seriedade de Felton Jarvis como produtor de Elvis. "I'll Be Back" também é uma música que sempre é citada como um ponto alto do disco. Porém para fazer jus ao material inconsistente gravado por Elvis para as trilhas sonoras nessa época, essa também marca presença na lista das piores músicas da discografia com a inacreditável Beach Shack. Simplesmente horrível. Porém se levarmos em conta que há cinco faixas fortes no disco, podemos considerar esse disco um bom sinal de mudanças na carreira de Elvis. Antes tarde do que nunca: O disco chegou ao Top 20 e o filme chegou na lista vexatória dos 50 piores filmes de todos os tempos publicada pela revista americana Premiere. Nada é perfeito.

Novembro de 1966 - Estréia o filme "Spinout" (Minhas três noivas). Em 1966 Elvis Presley completou dez anos de carreira em Hollywood. Os executivos da MGM então resolveram elaborar um intenso projeto de marketing para celebrar a data com muito material promocional, posters, álbuns, comerciais, folders etc. No centro das comemorações estava a realização de mais um filme de Elvis na produtora: Spinout (Minhas três noivas, no Brasil). As filmagens começaram em fevereiro de 1966 e duraram dois meses. Para contracenar com Elvis foram chamadas três beldades da época: Shelley Fabares (que já havia atuado ao lado de Elvis), Debora Walley (que chegou a ter um casinho com Elvis no set de filmagem) e Diana McBaine. Na direção o "pau-pra-toda-obra" dos estúdios Norman Taurog. Infelizmente os executivos da MGM não quiseram se arriscar e resolveram apostar na velha fórmula dos filmes anteriores de Elvis, que já estavam bastante desgastados pela crítica e até mesmo pelos fãs, que vinham exigindo atráves do fanzine "Elvis Monthly" mudanças na carreira de Elvis. Ou seja, muitos fãs estavam mais lamentando esse "aniversário" do que comemorando tal data. A falta de inovação da carreira de Elvis o levou a um impasse: ele tinha que mudar o rumo que vinha tomando há tempos ou afundaria de vez e se tornaria apenas uma "lenda viva" sem relevância artística. Os primeiros sinais já tinham aparecido no ano anterior com as más bilheterias de seus últimos filmes. O público estava cansado dos mesmos roteiros, das mesmas estórias e o pior de tudo: da má qualidade do material musical apresentado nesses filmes. E Elvis tinha consciência disso, porém preso a muitos contratos cinematográficos desde a primeira metade dos anos 60 o cantor se viu amordaçado não só aos grandes estúdios como também à sua própria gravadora que lançava todas as trilhas sonoras - e que por sua vez também estava presa à obrigações com os estúdios de cinema. Por incrível que isso possa parecer a melhor coisa a acontecer na carreira de Elvis nesse período era um grande fracasso no cinema! E o que todos de certa forma já previam finalmente aconteceu! Spinout foi lançado em novembro de 1966 e afundou nas bilheterias! Nem todo o marketing do mundo o salvou de ser um dos piores fracassos da carreira de Elvis! Até mesmo os fãs resolveram boicotar o lançamento e isso acabou sendo muito bom, pois acendeu de vez a luz vermelha nas organizações Presley - não dava mais para seguir essa velha linha "Trilha / Filme". Para se ter uma idéia do tamanho da bomba, basta afirmar que o filme não conseguiu ficar nem entre os 50 mais vistos do ano - logo Elvis que mesmo em suas bilheterias mais fracas conseguia ficar no top 10 ou até mesmo no top 20. O ano que viria apenas iria corroborar essa visão e tudo isso iria desbancar na realização do NBC TV Special de 68 que iria reviver a carreira de Elvis e o levar de uma vez por todas para longe de Hollywood, para o seu próprio bem e dos seus fãs, é claro!

Novembro de 1966 - Para comemorar as festas de fim de ano a RCA lança o single "If Every Day Like Christmas / How Would You Like To Be". A música natalina If Every Day Like Christmas é ótima e não teve o merecido reconhecimento quando foi lançada, sendo outro single de Elvis que também não foi classificado no Top 200 nos Estados Unidos. Um pena. Já os ingleses demonstraram mais sensibilidade e por lá fez um sucesso merecido, chegando ao muito bem vindo nono lugar nas paradas inglesas. Sem dúvida um ótimo resultado. Talvez o single não tenha feito sucesso nos EUA por causa de seu péssimo lado B. Os americanos pensaram certamente que se tratava de material já anteriormente lançado e ignoraram completamente todo o single. Uma perda grande mesmo, tanto para Elvis como para o público em geral que perdeu a chance de conhecer um clássico absoluto. Mas um single tem dois lados e o Lado B era dose. Convenhamos, How Would Like To Be do filme de 1963 "It Happened At World's Fair" é péssima. Depois que Elvis cantou "Wooden Heart" em "G.I. Blues" (Saudades de um Pracinha, no Brasil) com as marionetes, os produtores chegaram a brilhante conclusão de que todos os seus filmes seguintes teriam que Ter pelo menos uma música mais voltada para o seu público infantil. Péssima idéia. E essa foi feita exatamente para atender aos desejos deles em Hollywood. Então lá foi Elvis cantar durante mais de 3 minutos (uma eternidade para o padrão geral de duração de sua músicas) uma musiquinha muito maçante e boba, que não chega a lugar nenhum. O pior é acompanhar um irritante arranjo de percussão que dura toda a canção, ficando no mínimo chato e no máximo constrangedor. Fico imaginando Elvis no estúdio ao lado de seu grupo, que outrora revolucionou a música mundial, ensaiando tamanha bobagem. Não me admira que Elvis muitas vezes perdia a paciência durante algumas sessões desses filmes dos anos 60. E você também vai perder a paciência ao ouvir esse equívoco musical, tenha certeza. Esse é sem dúvida um dos pontos mais baixos da carreira do "Rei Do Rock".

Erick Steve e Pablo Aluísio.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Elvis Presley 1966 - Cronologia - Parte 1


Janeiro de 1966 - Livre de compromissos Elvis passa seu aniversário em Graceland ao lado de Priscilla e amigos. Embora tenha celebrado apenas 31 anos de idade Elvis já começa a reclamar de "estar envelhecendo".

Fevereiro de 1966 - Elvis começa as filmagens de Spinout (Minhas três noivas), filme feito para comemorar seu 10º aniversário em Hollywood.

Fevereiro de 1966 - Dois singles, "Joshua Fit The Battle / Known Only To Him" e "Milky White Way / Swing Down Sweet Chariot", foram lançados conjuntamente em fevereiro de 1966. Como eram apenas reprises do disco gospel His Hand in Mine foram ignorados pelo público. Os dois singles não obtiveram sequer classificação na parada TOP 200 da Billboard. Sem dúvida uma mera tentativa da RCA em ganhar uns trocados a mais com o público gospel de Elvis, só que desta vez não colou.

Março de 1966 - O single "Frankie and Johnny / Please Don't Stop Loving Me" é lançado para promover o disco da trilha sonora do filme "Frankie And Johnny". Chegou a ser premiado com um disco de ouro, apesar de não Ter alcançado uma posição satisfatória nas paradas, apenas um mero 25º lugar nos Estados Unidos e 21º na Inglaterra. A trilha se saiu melhor, porém também não conseguiu entrar no Top 10. Esse filme traz uma seleção de canções com arranjos que lembram a clássica trilha de King Creole, mas fica muito longe do resultado de sua inspiradora predecessora. Apesar de tudo consegue ser um dos bons discos de Elvis em 1966, o que também não quer dizer grande coisa. Tanto o single como a trilha sonora foram rapidamente esquecidas pelo público.

Março de 1966 - Elvis lança o filme "Frankie And Johnny" (Entre a ruiva e a morena, no Brasil). O primeiro disco de Elvis a ser lançado em março de 1966. O material não é de todo destituído de valor. Há raras exceções que conseguem manter o interesse. As duas primeiras faixas, "Frankie and Johnny" e "Come Along" conseguem mostrar Elvis em boa vocalização e a banda se mostra entrosada de uma maneira geral. O taipe de metais é bem produzido e não decepciona. Mas aí vem o desastre. "Petunia, The Gardeners Daughter" certamente é uma das piores músicas da discografia de Elvis. Idem para as seguintes, "Chesay", "What Every Woman Lives For" (com péssima letra) e "Look Out Broadway". As coisas melhoram um pouco com a boa canção "Begginers Luck", mas voltam a piorar com "Shout It Out". Mas como esse disco é uma verdadeira montanha russa as coisas melhoram bem com "Hard Luck". "Please Dont Stop Loving Me" é uma boa balada, mas não consegue salvar o navio, e esse, assim como o disco, afundam de forma melancólica. O resultado comercial do disco assustou pois alcançou apenas a 20º posição na lista dos mais vendidos. A mistura de New Orleans e música do começo do século seguramente não funcionou. O filme também se deu mal nas bilheterias, sendo o filme apenas o 48º mais assistido de 1966.

Junho de 1966 - A RCA Victor lança o single "Love Letters / Come What May", considerado o melhor single de Elvis no ano, contando com as ótimas músicas gravadas em maio de 1966. Seis canções convencionais e inéditas foram gravadas nessa ocasião, algumas demonstrando que o talento de Elvis ainda continuava intacto e que tudo o que ele precisava mesmo naquele momento era de material com um mínimo de qualidade. "Down In The Alley", "Tomorrow Is A Long Time" (a famosa canção de Bob Bylan), Love Letters (a versão original e não a regravação que deu origem a um disco de Elvis nos anos 70), "Beyond The Reef", "Come What May" e "Fools Fall in Love" mostravam que Elvis estava vivo e respirando, mesmo que com dificuldades. Essas seis canções, se tivessem sido lançadas em um disco normal, teriam amenizado e muito a crise musical e artística da carreira de Elvis. Mas infelizmente os executivos da RCA não souberam aproveitar. O single "Love Letters / Come What May", não contou com o mínimo de publicidade mas mesmo assim alcançou uma razoável posição entre os mais vendidos nos EUA (19º lugar) e um ótimo sexto lugar na Inglaterra.

Julho de 1966 - Elvis começa novo filme nos Estúdios em Culver City pela MGM. Double Trouble (Canções e confusões).

Agosto de 1966 - O filme "Paradise, Hawaiian Style" (No Paraíso do Havaí, no Brasil) é lançado nos cinemas americanos. O que escrever sobre Paradise, Hawaiian Style? Esse é um material tão inconsistente e falso que fica até difícil começar a apontar seus defeitos. Em primeiro lugar é um projeto que tenta imitar descaradamente Blue Hawaii, aliás com a metade dos dólares gastos no filme anterior (ordens do Coronel). Depois Elvis é jogado numa das piores trilhas sonoras de sua carreira (se não for a pior!). A faixa título é muito ruim, com péssima letra (com um verso pra lá de estúpido: "Puxa! Como é bom estar no 50º Estado!") E a partir daí é uma ladeira abaixo, com canções de mal gosto (Scratch My Back), infantis e maçantes (Datin) constrangedoras (A Dogs Life) e mal produzidas (Stop Where You Are). Nem This Is My Heaven consegue manter a dignidade. A única e honrosa exceção no meio desse pântano de músicas ruins e baratas é mesmo, como já foi dito, a bela canção Sand Castles. E por incrível que pareça ela foi a única cortada do filme! Como pôde acontecer uma coisa dessas? Realmente Paradise, Hawaiian Style é impressionante, pois até nisso eles se equivocaram. Não há muito o que comentar nesse momento opaco, depois dessa é melhor esquecer que nosso querido ídolo se envolveu em tamanho abacaxi, literalmente!.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis, as últimas horas de um gênio - Parte 4

No Baptist Memorial Hospital, a equipe da emergência faz tudo que pode. Mas não existe providência, frenética ou heróica, capaz de salvar a majestade de Graceland. Por fim, o Dr. Nichopoulos, com o rosto muito pálido, surge na sala de espera onde Esposito conversa com Hodge, Strada, Smith e David Stanley. - "Ele se foi", diz o médico a quem posteriormente o Conselho de Medicina do Tennessee condenaria por receitar cerca de 12 mil medicamentos a Elvis num período, de apenas, 20 meses. - "Ele não está mais entre nós." Diante dessa notícia, os homens começam a chorar sem constrangimento, abraçando-se uns aos outros em busca de conforto. Aos 42 anos, Elvis Presley está morto.

Do Hospital, Joe Esposito liga para Portland para falar com o Coronel. -"Tenho uma notícia terrível para lhe dar" - começa Joe, com a voz trêmula. -"Elvis acaba de morrer".
Trinta segundos (ou mais) se passam até que Parker pronuncie alguma sílaba. - "Ok, Joe" - diz finalmente o empresário, coma a voz inalterada, desprovida de qualquer emoção. - "Estaremos aí o mais depressa possível".

Esposito sente que por baixo daquela frieza, o Coronel está muito abalado. Parker age rápido - por telefone, cancela a turnê e avisa a todos que está tudo acabado. Mais tarde marca uma reunião com todos os seus homens em seu quarto de hotel. Quando o último de seus homens (Lamar Fike) entra no quarto, Parker lhe ordena para que feche a porta. Nesse momento Parker está sentado na beira da cama, desligando o telefone. Com exceção de Fike, que chegara naquele instante, todos os homens olham atônitos para o chão.

Fike, sem entender nada, lança a pergunta: - "Afinal de contas, o que está acontecendo aqui?". O Coronel se levanta, vai em sua direção e diz: - "Lamar, você tem de ir a Memphis se encontrar com Vernon. Elvis morreu."

Fike fica arrasado, mas não surpreso. Havia meses que o artista mais famoso do mundo mal conseguia encontrar o caminho até o microfone. Durante um show em Baltimore, Elvis abandonara o palco por 30 minutos, sem nenhuma explicação. "No fim", publicou a revista Variety, "não houve aplausos, e os patrocinadores saíram balançando a cabeça e especulando sobre o que haveria de errado com ele."

O próprio Elvis tinha uma idéia. Não muito tempo antes, havia convidado o compositor Ben Weisman para ir à sua suíte em Las Vegas. Com o rosto inchado, o Rei sentou-se ao piano. -"Ben", disse ele - "há uma canção que eu adoro - "Softly as I leave you". Ela não fala de um homem que sofre por uma mulher. Fala de um homem que vai morrer."

Enquanto os fãs mais devotados iniciam uma peregrinação a Memphis, partindo de todos os cantos do mundo, o Coronel faz uma reserva de avião, não para o Tennessee, mas para Nova York. Lá, ele faz uma reunião na RCA, gravadora para a qual seu famoso cliente havia vendido mais cassetes e discos do que qualquer outro artista na história. Prevê, corretamente a velha raposa, que em 24 horas todos os produtos relacionados a Elvis estejam esgotados nas lojas dos Estados Unidos e, em pouco tempo, em quase todo o planeta. Parker pressiona a gravadora para contratar as principais fábricas a preços mais altos - passando à frente de outras encomendas - a fim de manter a rica torrente de discos de Elvis. Em seguida, reuni-se com um licenciador para fechar negócio envolvendo outros produtos associados ao Rei do Rock. Só então viaja para Memphis, para o funeral de Elvis, em 18 de agosto, com os helicópteros da imprensa circulando no céu e o canto estridente e monocórdio das cigarras enchendo o ar quente e úmido de emoção, no último adeus ao rei supremo do Rock.

Telmo Vilela Jr.

sábado, 30 de agosto de 2014

Elvis, as últimas horas de um gênio - Parte 3

No interior de seu belo banheiro, Elvis apanha um livro sobre o santo sudário: "The scientific search for the face of Jesus" - ( A busca científica pelo rosto de Jesus), e espera até que os remédios façam efeito.

A vários de quilômetros de Memphis, precisamente na cidade de Portland, cidade do estado do Maine, o "Coronel" Tom Parker já se encontra enfurnado dentro de um quarto de hotel, ele supervisiona e organiza aquele que seria (segundo o próprio Elvis), o maior show da carreira do Rei do Rock. Um dos homens de confiança de Tom Parker, Lamar Fike, que tinha acabado de chegar de Los Angeles num vôo noturno, imediatamente, começa a trabalhar, organiza a segurança e providencia acomodações no hotel para a banda e para o resto da equipe.

Pouco antes do meio-dia de 16 de agosto de 1977, Billy Smith chega a Graceland e fala com um dos assistentes de Elvis, Al Strada, que naquele momento embalava o guarda-roupa do cantor. Smith pergunta se alguém já tinha visto o chefe. Al diz que não, e que Elvis não quer ser acordado antes das 16 horas. Smith se pergunta, meio resmungando, se um dos Stanleys, meio-irmãos de Elvis, teria procurado saber se ele estava bem. Começa a subir as escadas, e, para. "Não, ( pensa Smith ). É melhor deixá-lo descansar. Ele está precisando".

Às 14h20min, Ginger vira-se na imensa cama e a encontra vazia. "Será que Elvis não se deitou ainda ?? O abajur na cabeceira da cama ainda está aceso. Ginger bate freneticamente na porta do banheiro. "Elvis?" Não há resposta. Ela gira a maçaneta e entra. Elvis está caído no chão de joelhos, as mãos no rosto, quase numa postura de oração. Inexplicavelmente, ele havia caído naquela posição grotesca.

-"Mas por que ele não responde e nem se mexe? Ginger chama de novo: -"Elvis?". Ele está estranhamente imóvel. Ginger se curva para tocá-lo. O corpo de Elvis está gelado, o rosto inchado enterrado no grosso tapete vermelho, as narinas respingadas de sangue. A pele apresenta manchas de um roxo quase negro. Sem querer crer no pior, Ginger aperta o botão do interfone, que toca na cozinha. Logo fala com Al Strada: "Al, preciso de você!". Elvis desmaiou!". Al Strada corre escada acima, olha a cena e chama Joe Esposito, outro escudeiro do Rei. Esposito sobe correndo e vira o corpo de Elvis de lado. Ele já sabe a verdade, mas mesmo assim chama a ambulância. Depois de ligar para a ambulância, Joe então telefona para o Dr. George Nichopoulos (o principal médico do cantor), com a notícia de que Elvis havia sofrido um ataque cardíaco. Enquanto a ambulância cruza os portões da mansão com a sirene ligada, o andar superior se enche de gente: Charlie Hodge, chora e implora a Elvis para que ele não morra; o pai de Elvis, Vernon, que chega à cena, não resiste e desmaia; a filha de Elvis, Lisa Marie, então com 9 anos, que acabara de chegar da Califórnia para visitar o pai e espia tudo de olhos arregalados.

-"O que houve com ele?" - pergunta um dos paramédicos - Ulysses Jones. Al Strada responde a verdade: - "parece que foi overdose".

Telmo Vilela Jr.