quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Elvis Presley - Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada

Blue Suede Shoes (Carl Perkins)
A versão de "Blue Suede Shoes" desse álbum foi a terceira a ser lançada na discografia oficial de Elvis. Recordando: a primeira vez que esse clássico rock surgiu na voz de Elvis foi em seu primeiro LP na RCA Victor, logo após ele assinar com a gravadora, em 1956, o grande ano de sua fase como roqueiro. Ela abria o lado A do disco e havia sido gravada nas primeiras sessões do cantor na nova empresa. Essa gravação é considerada uma das melhores já realizadas pelo então chamado Rei do Rock. Quatro anos depois Elvis gravou "Blue Suede Shoes" novamente, dessa vez para a trilha sonora do filme "Saudades de um Pracinha" (GI Blues, 1960). Eu sempre gostei muito dessa segunda versão principalmente pelo fato de ser extremamente bem gravada, com ótimo arranjo. Não tem o mesmo feeling roqueiro da primeira versão, mas supera essa em termos de performance e execução. Não resta dúvida que foi muito bem trabalhada em estúdio. Por isso a considero um verdadeiro primor de Elvis durante os anos 60. Embora "Blue Suede Shoes" seja uma criação de outro astro da Sun Records, o grande Carl Perkins, ela sempre foi muito associada a Elvis e por essa razão era de se esperar que mais cedo ou mais tarde voltasse à sua discografia oficial. E foi o que de fato aconteceu. Em 1969 ela ressurgiu aqui, dessa vez gravada nos palcos de Las Vegas. Devo dizer que é uma excelente gravação, com Elvis e sua TCB Band extremamente empenhados em dar o melhor de si. Há uma introdução musical que fazia parte dos primeiros concertos de Elvis em Vegas, pois na época ele ainda não usava a conhecida "Also Sprach Zarathustra", composição clássica de Richard Strauss. Pois bem, essa abertura que ouvimos nesse álbum foi gravada justamente no concerto do dia 25 de agosto, quando a RCA montou seu equipamento de gravação no showroom do International Hotel justamente para aproveitá-la naquele que seria o primeiro disco ao vivo de Elvis em Las Vegas. Infelizmente temos que reconhecer também que logo Elvis perderia o interesse por "Blue Suede Shoes" nos shows que viriam. Seria notório que a execução desse clássico iria se tornar, com o passar dos anos, mais displicente e negligente por parte de Elvis. Não raro ele a cantava em medíocres versões com menos de um minuto de duração! O que teria acontecido? Penso que o repertório de Elvis ficou tão sofisticado e pessoal a partir de determinado momento de sua carreira ao vivo que "Blue Suede Shoes" acabou ficando ofuscada, diria até mesmo obsoleta. Quando Elvis a gravou pela primeira vez ele era apenas um jovem de vinte e poucos anos. O tempo passou e o velho rock foi perdendo o sentido para o cantor. Algo normal de acontecer. Na maioria das vezes só servia mesmo como um lembrete de que aquele cantor que estava no palco na frente de seu público havia sido um dos nomes mais importantes da história do rock e seu surgimento. Nada muito além disso.

Johnny B. Goode (Chuck Berry)
Outra canção a surgir pela primeira vez na discografia oficial de Elvis nesse álbum foi "Johnny B. Goode", o clássico rock de Chuck Berry. A música foi originalmente lançada em 1958 na gravadora Chess de Chicago. Durante anos a RCA Victor sugeriu a Elvis que gravasse sua versão em estúdio já que esse sempre foi considerado um dos mais celebrados rocks da história, mas Elvis sempre declinava do convite. Para muitos o fato de Elvis nunca ter gravado a música em estúdio nos anos 60 se deveu ao fato dela ser uma verdadeira marca registrada de Chuck Berry, extremamente conhecida e identificada com esse artista. Faz sentido. Se formos analisar bem a carreira de Elvis perceberemos que, com algumas exceções, o cantor preferia gravar canções menos conhecidas, que não fosse hits absolutos de outros cantores. Para isso basta olhar bem o exemplo de Chuck Berry. Ao invés de gravar "Johnny B. Goode" em estúdio Elvis preferiu fazer versões de músicas menos conhecidas dele, como por exemplo, "Memphis Tennessee". Por isso, embora seja um marco da primeira geração de roqueiros americanos, Elvis nunca a tenha gravado oficialmente em estúdio. Já uma versão ao vivo era outra história. Em concertos Elvis se sentia mais livre e solto de amarras. A versão que ouvimos aqui, gravada na primeira temporada em Las Vegas, tem todo o vigor e energia necessários para transformá-la naquela que talvez seja a melhor performance de Elvis da canção. É verdade que outras versões seriam lançadas em discos oficiais, com destaque para a do álbum duplo "Aloha From Hawaii", mas aquela, embora fosse boa, já não tinha mais o pique de antes. Aqui no "In Person" havia aquela vontade de dar certo, de se apresentar bem, isso depois de anos afastado dos palcos. Elvis nessa primeira temporada queria provar a todos que ainda era um grande artista de palco, acima de tudo. Esse foi o diferencial. O destaque em termos de banda, não poderia ser dado a outro músico, pois quem realmente arrasa nessa execução é o guitarrista James Burton. Vindo do grupo de Ricky Nelson, Burton acabou virando um dos principais elementos da TCB Band. Sua atuação aqui foi certamente irrepreensível.

All Shook Up (Otis Blackwell / Elvis Presley)
Embora tenha sido um dos maiores cantores de todos os tempos o fato é que Elvis Presley não levava jeito para compor músicas. Definitivamente ele não era um compositor, fato que ele próprio reconheceu em muitas entrevistas. Na verdade Elvis era um intérprete fenomenal, mas seu talento musical era restrito aos vocais e nada muito além disso. Não há nada de errado nesse aspecto, sendo apenas uma característica sua como artista. Ele não compunha e tocava apenas o básico de certos instrumentos como violão e piano. Dito isso é curioso ver que um de seus maiores sucessos foram creditados a ele. "All Shook Up" ainda hoje é citada como uma composição da dupla Otis Blackwell e Elvis Presley. A verdade foi que Elvis contou a Steve Sholes um estranho sonho que tivera na noite anterior ao de uma sessão de gravação em Nova Iorque. O produtor então ligou para Blackwell para que ele providenciasse um tema em cima disso e assim a canção foi composta. De forma bem divertida e rindo muito Elvis explicaria depois que a inclusão de seu nome na criação dessa música era uma "grosseira tapeação". Pois bem, sendo dele ou não, pouco importa. O fato é que Elvis tinha que voltar com força total aos palcos de Las Vegas após passar vários anos sem realizar shows, se concentrando apenas nos filmes e em suas trilhas sonoras. Por isso era necessário também valorizar seu próprio legado de sucessos. Assim esse novo arranjo foi criado, muito em cima da versão que já havia sido apresentada no NBC TV Special no ano anterior. Como era de praxe nesses antigos rocks Elvis não a levou muito à sério. Era a oportunidade de levantar o público, apresentar algum coreografia agitada e nada muito além disso. É interessante notar que nessa primeira temporada em Vegas Elvis veio com fúria total no palco, porém aos poucos ele foi percebendo que o público da cidade era um pouco diferente daquele que ele encontrara nos anos 50. A maioria era formada de casais na meia idade, todos eles sentados confortavelmente em suas mesas. Algo bem diferente das plateias formadas por jovens adolescentes gritantes de seus anos como roqueiro. Por isso ao longo do tempo Elvis foi colocando seus rocks antigos meio de lado, valorizando canções mais de acordo com aquele público, diria, mais conservador e comportado.

Are You Lonesome Tonight? (Lou Handman / Roy Turk)
Depois que Elvis Presley retornou da Alemanha, onde havia estado por longo tempo para cumprir seu serviço militar, o Coronel Parrker e a RCA Victor decidiram que era o momento dele promover mudanças em sua carreira. A imagem do Elvis roqueiro, rebelde e selvagem, não era mais adequada. Parker tinha planos de transformar Elvis em um astro galã de Hollywood ao velho estilo. Nada de associações com James Dean, Marlon Brando ou com o Rock. O mundo musical havia mudado desde que Elvis fora embora. Os antigos ídolos roqueiros estavam com problemas legais, alguns deles tinham sido presos e não era mais conveniente se associar a esse tipo de coisa. Havia um estigma ruim ligando o rock e a criminalidade, dentro da imprensa e da sociedade americana. Assim Elvis foi remodelado, transformando-se de jovem roqueiro desafiador em um bom moço, cumpridor dos deveres patrióticos, cantando músicas romântica e ternas. Músicas mais agitadas? Apenas se fossem do estilo pop suave. Dentro dessa nova diretriz uma canção como "Are You Lonesome Tonight?" era mais do que adequada. Era o tipo de som que iria imperar nos álbuns e singles do cantor dali para frente. Na verdade "Are You Lonesome Tonight?" era uma regravação de um antigo sucesso da década de 1920, ainda no alvorecer da nascente indústria fonográfica americana. Antes do advento dos gramofones e dos discos de cera (que foram anteriores ao vinil), os compositores ganhavam dinheiro vendendo as partituras de suas músicas em lojas de instrumentos musicais. Como quase toda casa nos Estados Unidos tinha um piano ou alguém que soubesse tocar algum instrumento (a educação musical vinha das escolas públicas) era natural que a venda dessas melodias e letras impressas trouxessem algum retorno financeiro para seus criadores. Esse mundo que já não existe há quase cem anos foi o mesmo em que "Are You Lonesome Tonight?" surgiu. Segundo alguns historiadores a música foi composta por volta de 1910 ou até antes disso. Só depois de alguns anos foi gravada pela primeira vez. Por causa de sua antiguidade a canção trazia um trecho falado, muito popular nos tempos do cinema mudo, que Elvis resolveu manter em sua gravação original no começo dos anos 1960. Curiosamente nos palcos essa parte acabava sendo alvo de brincadeiras por parte de Elvis, o que não deixa de ser uma pena, uma vez que o aspecto histórico dessa composição sempre foi um de seus maiores atrativos.

Hound Dog (Leiber / Stoller)
O que aconteceu com "Blue Suede Shoes" acabou acontecendo também com "Hound Dog". Aliás algo semelhante foi ocorrendo com todos os rocks clássicos de Elvis dos anos 50, ou seja, ele foi perdendo o interesse nessas músicas conforme os anos foram passando. Em determinado momento as execuções de Presley foram ficando medíocres, uma mera sombra de um passado glorioso. Nessa primeira temporada de 1969 o cantor ainda dava energia nas apresentações dessas canções, mas depois realmente a perda de seu interesse foi ficando óbvia. Uma pena porque "Hound Dog" foi um símbolo de uma era. Basta lembrar de suas históricas apresentações na TV americana nos anos 50 para entender bem isso. Claro que em Las Vegas "Hound Dog" não poderia mais surgir no palco como foi gravada nos anos 50. O rock puro, com apenas quatro instrumentos, foi modificado. Havia uma orquestra inteira com Elvis no palco e por essa razão um arranjo com muitos metais foi escrito. Além disso a guitarra foi colocada em primeiro plano, com James Burton em destaque, algo que não existia na versão original com Scotty Moore. É interessante que esse rock de Leiber e Stoller foi também um dos que mais receberam arranjos diferentes ao longo do tempo. Nos anos 70 iríamos ouvir nos concertos de Elvis além daquelas mini versões irrisórias - que duravam menos de um minuto - outras bem diferenciadas, com um certo molejo, outras vezes um pouquinho jazz e até mesmo - pasmem! - uma versão com ritmo de discoteca! Não sei como essa última foi feita pois Elvis simplesmente odiava discoteca. Enfim, muito provavelmente ele estava tão desinteressado por "Hound Dog" que simplesmente deixou pra lá, sem ligar para o que estavam fazendo com ela.

I Can't Stop Loving You (Don Gibson)
O álbum "Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada" foi um desdobramento do disco duplo "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis" e trazia apenas as canções gravadas ao vivo por Elvis em Las Vegas na sua primeira temporada na cidade (realizada em agosto de 1969). Como era de se esperar em um concerto ao vivo Elvis interpretou vários sucessos de sua carreira. O LP aliás abria com uma seleção deles, "Blue Suede Shoes", "All Shook Up", "Are You Lonesome Tonight?" e "Hound Dog". Não vou escrever sobre essas músicas porque já falei sobre elas antes. Vamos nos ater apenas naquelas que surgiam pela primeira vez na discografia oficial de Elvis. Assim a primeira inédita desse disco era o country "I Can't Stop Loving You" de Don Gibson. Essa é uma velha música lançada pela primeira vez em 1957 pelo próprio autor na RCA Victor. Desde que a ouviu pela primeira vez Elvis a adorou, chegando inclusive a cogitar gravá-la ainda naquele ano. Só desistiu por causa do produtor Steve Sholes que o aconselhou a não misturar seu trabalho na época (em sua fase mais roqueira) com o sucesso de outro artista country. Realmente naquela fase não havia espaço para essa música na discografia de Elvis. Já em Las Vegas, 1969, o contexto era outro. Elvis selecionou um repertório que fosse ao mesmo tempo um revival de seus anos de glória - que aconteceram justamente na década de 1950 - com uma nova seleção musical que também fosse de seu gosto pessoal, que lhe agradasse. A despeito disso nunca considerei "I Can't Stop Loving You" uma grande canção. Ela tem todas as matrizes que fazem parte do universo country mais comercial de Nashville - entre eles os arranjos excessivos e a letra piegas e sem novidades. Muito provavelmente Elvis e o Coronel Parker já estivessem de olho nas turnês que realizariam em cidades do sul dos Estados Unidos e a incluíram na lista dos shows, já que ela era considerada naqueles tempos uma das grandes representantes do som rural do Tennessee, um verdadeiro standard. Curiosamente Elvis nunca a gravou em estúdio oficialmente. Em termos de discografia oficial a canção retornaria mais uma vez no LP "Welcome to My World" de 1977. Essa foi uma coletânea com claro sabor country, repleta desse tipo de estilo musical. A capa era excelente, mas o conteúdo era formado apenas por reprises. Em suma, não vejo "I Can't Stop Loving You" como um grande momento musical na carreira de Elvis, embora seja inegável que o cantor a apreciava, sempre a interpretando em inúmeras turnês e concertos realizados nos anos 70. Só indicada mais firmemente para quem aprecia especialmente o lado mais country de sua carreira.

My Babe (Willie Dixon)
A Chess foi uma gravadora muito importante na história da música americana. Ela foi fundada por dois irmãos (Phil e Leonard) que tinham o objetivo de explorar o rico cenário musical negro na Chicago dos anos 1950. A ideia deu extremamente certa e em pouco tempo a Chess estava colecionando sucessos nacionais. Assim como a Sun Records, o segredo vinha da revelação de novos valores, músicos talentosos, mas desconhecidos, que tinham sua primeira oportunidade no selo. Willie Dixon foi um desses cantores e compositores negros que tiveram sua grande oportunidade na Chess. De origem humilde ele ganhava a vida tocando blues em bares e pequenos festivais do sul, onde nasceu. Mais tarde se mudou para Chicago em busca de trabalho. Acabou caindo nas graças dos irmãos Chess e conseguiu finalmente gravar seus primeiros singles. "My Babe" foi lançada como compacto em 1955. Ele apenas adaptou a canção "This Train (Is Bound For Glory)" da cantora gospel Rosetta Tharpe, mudando sua letra original, retirando seu teor religioso, a transformando num típico R&B que a cada dia ia ficando mais popular. Essa ideia seria também aproveitada por Ray Charles na criação de seu hit "I Got a Woman". No lado B Dixon encaixou a instrumental "Thunderbird". O single fez sucesso e chegou a se destacar na parada nacional de blues da Billboard. Elvis, que sempre foi um admirador da música negra americana, logo pensou em "My Babe" para seus shows em Las Vegas. Ela seria apresentada numa versão mais rocker, sem seguir fielmente os arranjos originais. Vinte anos tinham se passado e não havia como resgatar aquela sonoridade clássica mais ao estilo blues. "My Babe" acabou se tornando um dos pontos altos da primeira temporada de Elvis no International Hotel, mas curiosamente não teve vida longa nos palcos. Embora bastante agitada, com refrão pegajoso, ela também se tornava um pouco cansativa para Elvis e banda por causa das repetições de sua letra e melodia. Elvis jamais a gravou em estúdio, nunca tendo sido reaproveitada dentro de sua discografia oficial. Da maneira como foi executada por Elvis e a TCB Band ela realmente só tinha vocação para os concertos ao vivo. Uma canção para levantar o público, nada muito além disso. A letra é básica, se formos extrair mesmo sua essência e conteúdo teremos apenas uma ou duas linhas relevantes. O que vale é a repetição do refrão e a melodia de blues, tudo de acordo com o gênero. O embalo é certamente sua maior qualidade.

Mystery Train / Tiger Man (Parker / Phillips / Hill Louis / Burns)
Há um consenso geral entre analistas sobre música de que Elvis Presley não deu o tratamento merecido e adequado a vários de seus rocks clássicos dos anos 50 quando retornou aos palcos em fins dos anos 60 e depois na sua longa trajetória na estrada pelos anos 70 afora. Todos esses sucessos surgiam em versões preguiçosas, mal executadas, com Elvis pouco empenhado em apresentar uma boa versão ao vivo. Existiram porém algumas exceções. Um exemplo veio, por exemplo, nesse medley "Mystery Train / Tiger Man". A primeira canção é uma verdadeira obra prima gravada originalmente na Sun Records. Sua gravação deu origem a um dos cinco mitológicos acetatos que Elvis gravou e lançou pela pequenina gravadora de Memphis quando era apenas um cantor promissor e praticamente desconhecido fora dos limites de sua cidade. O produtor Sam Phillips certamente não contava com  maiores recursos técnicos na época, porém era mestre em criar sonoridades diferentes em seu pequeno e acanhando estúdio. "Mystery Train" era a prova de seu talento nesse aspecto. Já "Tiger Man" surgiu na carreira de Elvis durante as gravações do NBC TV Special. A letra é bem tolinha para falar a verdade, mas tinha um feeling rocker que há tempos não se via na discografia de Elvis. Era algo que fazia falta naquele momento. Cumpriu seus propósitos. Sozinha ela poderia não ter força suficiente para empolgar o público em um show, mas em medley com o clássico da Sun a coisa poderia ficar muito interessante. Palmas para o maestro Bergen White que foi o responsável pela ideia e pelos arranjos para o grupo orquestral que tocou ao lado de Elvis no palco do International Hotel naquela sua primeira temporada. O medley foi apresentado a Elvis durante os ensaios. Assim que ouviu o arranjou ele disse imediatamente: "É isso aí, vamos usar no concerto de hoje à noite". Na ocasião ficou tão satisfeito com tudo que até mesmo criou uma coreografia própria para o medley, resultando em um dos melhores momentos desse álbum ao vivo. Um exemplo perfeito de como um velho material poderia muito bem render ainda ótimos momentos nessa nova fase de sua carreira.

Words (Robin Gibb / Barry Gibb / Maurice Gibb)
Houve um claro divisor de águas na carreira de Elvis a partir do momento em que ele retornou aos shows ao vivo em 1969. Durante toda a década de 60 Elvis havia se enfurnado dentro do estúdio produzindo um material que lhe era imposto pela gravadora RCA Victor e demais companhias de cinema. Esses álbuns produzidos do tipo Made in Hollywood tinham pouca coisa a ver com o que acontecia lá fora, no mundo real. A maioria das músicas só faziam sentido dentro do contexto das cenas dos filmes. Os arranjos tinham parado no tempo e qualquer polêmica envolvendo as letras era sumariamente eliminada pelos produtores. Elvis vivia em uma espécie de bolha. Não é de se admirar que conforme o tempo foi passando seus discos deixaram de vender bem. Pois bem, quando voltou aos concertos ele precisou se atualizar, cantar um repertório que criasse uma ligação com o gosto popular novamente. Não haveria mais câmeras e nem cenas enlatadas. Elvis tinha que encarar seu público face a face e fazer com que eles voltassem a gostar dele. Por isso o repertório mudou tanto. Elvis tinha que catar os sucessos das paradas para agradar as pessoas que tinham comprado um ingresso para vê-lo ao vivo. "Words" do Bee Gees vai justamente nessa direção. Elvis tinha pouca coisa a ver com musicalidade desse grupo que era muito bom e tudo, mas que não seguia uma linha que pudesse ser associada ao trabalho que ele próprio havia realizado em sua carreira artística em todos aqueles anos. Então por que Elvis resolveu apresentar sua própria versão desse hit do grupo Bee Gees? Simplesmente porque era sucesso nas rádios, tocando o tempo todo. Elvis queria acima de tudo demonstrar que estava novamente se religando ao que estava no topo do gosto popular, mesmo que ele próprio não fosse lá muito fã desse grupo. Em minha concepção penso que a versão de Elvis para "Words" ficou muito boa. Tal como outras canções desse álbum, Elvis também não a gravou oficialmente em estúdio. É uma versão rápida, não muito bem trabalhada, mas que conta com uma boa performance de Elvis, além dos elogios sempre merecidos para a banda de apoio, com ênfase para os tecladistas (Glen Hardin, em especial). Além da boa sonoridade "Words" também é uma raridade já que em pouco tempo Elvis a descartaria do repertório de seus concertos. Pelo visto o cantor não se empolgou muito com a canção como um todo. Ossos do ofício.

In the Ghetto (Mac Davis)
Essa foi a segunda vez que a música "In the Ghetto" apareceu na discografia de Elvis. Antes ela havia feito um belo sucesso de crítica e público quando foi lançada como single em 1968. Essa música foi um raro exemplar de música política dentro da carreira de Elvis Presley. Era fato notório que o Coronel Parker não queria que Elvis desse declarações públicas sobre suas opiniões políticas. Assuntos como guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis das minorias e suas preferências partidárias eram proibidos por Tom Parker. Em uma época muito intensa nesse campo, principalmente dentro dos Estados Unidos, toda a imprensa (e o público) queriam saber o que Elvis Presley pensava sobre tudo o que estava acontecendo, mas em entrevistas Elvis era instruído a sempre sair com respostas evasivas. Provavelmente se Elvis tivesse falado o que pensava iria surpreender muita gente. Ele era um conservador na verdade, votava no partido republicano e tinha ideias patrióticas bem definidas sobre a intervenção americana no Vietnã. Elvis, que tinha sido militar no final dos anos 1950, tinha uma postura bem clara sobre o que estava acontecendo dentro da sociedade americana. Ele achava um absurdo que outros artistas, como Jane Fonda ou John Lennon, fossem contra a guerra. Para Elvis o importante era apoiar as tropas americanas no exterior. Ser um patriota, acima de tudo. Já no campo da luta dos direitos dos negros ele tinha uma postura bem mais liberal. Elvis cresceu em Memphis, um dos polos mais racistas do sul americano (que por si só já era uma região absurdamente separatista entre negros e brancos). Por exemplo, Elvis estudou em um colégio onde apenas brancos podiam estudar. Os banheiros, ônibus e até estabelecimentos comerciais de sua cidade eram separados. Havia bairros onde apenas brancos poderiam morar. Aos negros eram destinados os piores lugares da cidade, muitas vezes sem infra estrutura alguma. Até as igrejas evangélicas eram separadas. Mesmo assim, com toda essa segregação, desde muito jovem Elvis criou uma intensa curiosidade sobre a cultura dos negros. Ele ouvia preferencialmente estações de rádio voltados para o público negro e foi dessa convivência que ele tirou grande parte de sua musicalidade. Por isso não foi surpresa que tenha sido acusado no começo de sua carreira de ser "um cantor branco cantando músicas de negros". Assim "In The Guetto" de Mac Davis era um sopro de novidade em sua discografia. Uma letra que tinha muito o que dizer e que em última análise funcionava justamente como uma declaração pública mesmo que indireta do próprio Elvis sobre a situação precária em que vivia o negro norte-americano, sofrendo todos os tipos de preconceitos desde a mais tenra idade.

Suspicious Minds (Mark James)
Foi justamente nesse álbum "Elvis in Person" que pela primeira vez surgiu na discografia de Elvis uma versão ao vivo do grande sucesso "Suspicious Minds". Essa música, gravada maravilhosamente bem nas sessões do American Studios em Memphis, foi um verdadeiro alívio para Elvis Presley. Fazia sete anos que ele não conseguia atingir o primeiro lugar na parada de singles da Billboard. Essa era considerada a mais importante dos Estados Unidos, um verdadeiro termômetro do sucesso de cada artista dentro da indústria fonográfica. Desde "Good Luck Charm" em 1962 Elvis não conseguia chegar lá, bem no topo. Era um reflexo de como Hollywood e suas trilhas sonoras tinham arruinado o lado musical de Elvis. Dentro da indústria da música ele já não tinha mais muito prestigio, justamente pelos vários fracassos comerciais que foi colecionando ao longo dos anos 60. Para quem havia surgido no mercado como um dos maiores vendedores de discos da história era uma situação constrangedora e até mesmo vergonhosa. Assim "Suspicious Minds" serviu para melhorar sua posição dentro do mercado fonográfico, ao mesmo tempo em que passava a relevante mensagem para todos de que, apesar de tudo, Elvis ainda estava vivo musicalmente e ainda podia surpreender. O tema de "Suspicious Minds" é o ciúme. Basicamente é uma mensagem sobre um casal que vê seu relacionamento ruir por causa da desconfiança, das suspeitas. Quando foi lançada e começou a fazer sucesso nas paradas alguns críticos implicaram com suas primeiras linhas escritas, que soavam esquisitas. Ela dizia: "Nós caímos em uma armadilha. E não posso sair dela". A tal armadilha era justamente as mentes desconfiadas, que se suspeitavam mutuamente. Um tipo de relacionamento que ia aos poucos se tornando doentio. Certamente muitos casais se identificaram, inclusive o próprio Elvis. Há tempos ele vinha ouvindo rumores de que sua esposa Priscilla estava tendo um caso extraconjugal. O problema é que o próprio Elvis era um marido infiel e resolveu não ir atrás das fofocas sobre sua mulher (e que iriam se revelar em um futuro próximo como bem verdadeiras). Assim acabou-se criando mais uma irônica coincidência entre uma letra de uma canção e a vida pessoal de Elvis, algo que ele iria propositalmente procurar nas gravações futuras de seus discos. Um reflexo de seus sentimentos em meras notas musicais.

Can't Help Falling In Love (Weiss / Peretti / Creatore)
A canção "Can't Help Falling In Love" fez parte do disco mais vendido da carreira de Elvis Presley, a trilha sonora do filme "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano, no Brasil). Considerado pelo Coronel Tom Parker o "produto perfeito", acabou sendo realmente um marco comercial para Elvis. Já para os críticos em geral, tanto da área musical como cinematográfica, o projeto como um todo não era grande coisa. As canções, com arranjos havaianos, só funcionavam bem em sua maioria dentro do contexto do filme. Fora dele soavam pouco interessantes para DJs e programadores de rádio da época. Uma das poucas exceções era justamente essa canção  Can't Help Falling In Love" que tinha uma bela melodia, extremamente bem escrita, embora com letra sem maiores recursos. Foi a música mais badalada do filme, sendo inclusive vendida como single. Duplamente vitoriosa do ponto de vista comercial, determinou o caminho que Elvis iria seguir nos próximos anos. Na volta aos palcos Elvis trouxe poucas canções de sua fase em Hollywood. A maioria das músicas que gravou para filmes realmente não serviam para apresentações ao vivo. Para não deixar esse longo momento de sua carreira sem representante em seus shows Elvis resolveu levar "Can't Help Falling In Love" para o desfecho de todas as suas apresentações após seu retorno em 1969. Isso levou Elvis a cantá-la literalmente mais de mil vezes ao longo de todos aqueles anos, até sua morte em 1977. Obviamente que a saturação atingiu sua performance em cheio. Por essa razão a versão definitiva em termos de qualidade seguiu sendo a primeira, gravada em estúdio, em 1961. Todas as suas execuções ao vivo deixaram sempre um pouco a desejar. Além disso nunca conseguiram reproduzir o lado mais melódico da gravação do filme. Aquele arranjo ao mesmo tempo lírico e terno deveria ter sido preservado pois era a maior qualidade da composição. De qualquer forma, como símbolo de sua despedida ao público, acabou servindo aos seus propósitos. Assim que dava a sua nota final Elvis corria para os bastidores enquanto Al Dvorin informava aos presentes que ele não se encontrava mais no recinto. "Elvis has left the building".

Elvis Presley - Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada (1969) / Data de Gravação: Agosto de 1969 / Local de Gravação: Hotel International, Las Vegas, Nevada / Produção: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra. / Melhor posição nas paradas: #12 (Billboard USA)  #3 (Inglaterra) / Data de lançamento: Outubro de 1969.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de agosto de 2016

Elvis Presley - Proud Mary

Dentro do conceito de trazer músicas inéditas dentro da discografia de Elvis na época (estamos falando de 1970) a RCA Victor selecionou essa versão ao vivo do grande clássico do rock americano, "Proud Mary". A canção havia sido lançada originalmente em janeiro de 1969 pelo grupo Creedence Clearwater Revival, um dos melhores de sua geração. O single (com "Born on the Bayou" no lado B) acabou se tornando um dos maiores sucessos da banda. Realmente é uma grande composição, um exemplo perfeito do tipo de country / rock que Elvis estava procurando para renovar seu repertório. Certamente cantar novas versões de sucessos dos anos 50 como "Hound Dog" ou "Don´t Be Cruel" em Las Vegas até poderia soar interessante, principalmente para os fãs mais veteranos, porém era igualmente necessário não esquecer o tipo de sucesso que andava tocando nas rádios naquele período. Segundo Felton Jarvis, o produtor e arranjador de Elvis, tudo o que o cantor queria na época era equilibrar seu legado, suas antigas canções, com o mundo musical contemporâneo. Não soar apenas como um artista meramente nostálgico, que vivia de glórias passadas.

A escolha foi perfeita. A interpretação de Elvis foi uma das mais empolgantes e se tornou o ponto alto da temporada. Curiosamente, apesar da boa repercussão, Elvis iria deixar a música de lado nos anos seguintes. É bom lembrar porém que "Proud Mary" surgiu duas vezes na discografia oficial de Elvis. A primeira foi aqui, no "On Stage". Uma versão bem executada, bem elaborada, com um ritmo mais cadenciado e um sabor quase acústico. A segunda gravação veio no álbum "Elvis as Recorded at Madison Square Garden" de 1972. Para muitos essa segunda versão seria bem melhor, contando com um pique e ritmo que ficaram bem conhecidos dessa eletrizante apresentação de Elvis em Nova Iorque. Por fim, um detalhe interessante: Embora muitos reconheçam que o single do Creedence Clearwater Revival tenha sido vital para que Elvis a gravasse, sua maior influência teria vindo mesmo da versão de Ike & Tina Turner, que lançada nesse mesmo ano (1970), teria impressionado pela garra e vitalidade da interpretação da cantora. Ouvindo todas as versões (a do Creedence, a de Tina Turner e a de Elvis) chegamos na conclusão que realmente Elvis retirou muito mais inspiração da segunda gravação, que combinava muito mais com o estilo de Las Vegas. Afinal de contas ele certamente sabia que poderia contar com essa música para levantar o público durante os shows.

Elvis Presley - Proud Mary (John Fogerty) Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  16 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Elvis Presley - Let It Be Me

Bom, dando sequência na análise das canções que fizeram parte do álbum "On Stage" chegamos nesse verdadeiro clássico, "Let It Be Me". A primeira vez que ouvi essa música não foi na voz de Elvis Presley. Na verdade ela já havia feito muito sucesso antes na interpretação do grupo "The Everly Brothers". Essa versão - a primeira em língua inglesa - havia sido lançada pelos irmãos em 1960, alcançando um grande sucesso nas paradas, em especial da Billboard Hot 100. É curioso que esse sucesso chegou talvez tarde demais para eles. Já havia uma grande tensão entre os dois e a canção acabou sendo um de seus últimos sucessos juntos. Curiosamente alguns meses atrás assisti a uma entrevista com Paul McCartney afirmando que o estilo vocal do Everly Brothers havia se tornado a grande influência para os Beatles em seus primeiros discos. De fato, basta ouvir álbuns como "Please Please Me" ou "With The Beatles" para comprovar bem isso. Além da influência vocal havia também os arranjos, baseados principalmente na dobradinha voz e violão, que os Beatles também procuraram seguir, principalmente nas canções mais lentas, ternas, com letras que falavam de amor, romance e paixão. Não há como negar, os Beatles deveram muito em termos de influência musical a essa dupla americana.

De qualquer maneira apesar da inegável importância da versão dos irmãos Everly, o fato é que a versão original não era deles. A primeira gravação dessa canção foi lançada na França com o título de "Je t'appartiens" na voz do cantor Gilbert Bécaud. Isso abre um fato histórico interessante. Elvis teria conhecido a música através do single dos Everly Brothers ou tinha gostado dela por causa da versão original, quando ainda estava servindo o exército americano na Europa? Como se sabe Elvis adorava música francesa e chegou a visitar Paris em uma viagem de férias enquanto estava em solo europeu. Anos depois, consultando a discografia particular de Elvis em Graceland, descobriu-se que ele tinha tanto o compacto americano dos Everly Brothers como o álbum de Gilbert Bécaud. Na dúvida sobre qual gravação era a sua preferida uma coisa é certa: quando apareceu a oportunidade Elvis não deixou passar em branco e resolveu também gravar sua versão em forma de homenagem para essa grande canção, que em suas mãos ganhou um arranjo rico, com muita orquestra, bem diferente das versões originais que primavam pela suavidade e simplicidade harmônica.

Elvis Presley - Let It Be Me (Mann Curtis / Pierre Delanoë / Gilbert Bécaud) Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  17 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

sábado, 13 de agosto de 2016

O Rehab de Lisa Marie Presley: cocaína, sedativos e bebidas alcoólicas

(Los Angeles) - Lisa Marie Presley segue internada na clínica de reabilitação The Hills Treatment Centre em Los Angeles. Alguns sites e órgãos de imprensa americanos descobriram o teor do tratamento a que Lisa está sendo submetida. Seu principal foco agora é se livrar do vício em cocaína. A droga é uma velha conhecida na vida de Lisa Marie. Ela já era usuária desde os tempos da escola, o que a fez ser expulsa de vários colégios de elite em Los Angeles.

Lisa tinha superado o problema com cocaína após se tornar seguidora de uma seita chamada cientologia, muito popular entre celebridades. Depois teve uma recaída após o divórcio de Nicolas Cage. Para superar a tristeza pelo fim do casamento ele voltou a usar a droga. A coisa se agravou ainda mais após seu casamento com o músico Michael Lockwood, também usuário de cocaína.

Outro problema vem do vício em drogas prescritas, principalmente sedativos. Lisa, segundo pessoas próximas, teria criado dependência desses remédios após seu relacionamento com o cantor Michael Jackson. Como se sabe o astro morreu de uma overdose de drogas acidental após tomar uma dose letal de Propofol, uma substância legal desde que prescrita por médicos para doenças específicas. Usada fora desse contexto ela se torna uma droga altamente viciante e perigosa. Segundo fontes, Lisa Marie teria reconhecido para a mãe Priscilla que estava completamente viciada nesse tipo de droga. O pior de tudo é que ela geralmente misturava o uso de cocaína, com sedativos e bebidas alcoólicas, tudo ao mesmo tempo, o que potencializava os problemas, colocando sua própria vida em risco.

Sinais que algo de errado estava acontecendo com Lisa surgiram na imprensa através de fotos de paparazzis mostrando a cantora caindo em escadas de restaurantes finos de Los Angeles e Londres. Lisa parecia claramente embriagada, bêbada ou drogada nessas ocasiões. Diante de tantos problemas relacionados a dependência química não há ainda previsão para a alta de Lisa Marie Presley que seguirá internada e isolada até que consiga superar todos esses problemas de saúde.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Lisa Marie Presley é internada para tratar vício em drogas

(Los Angeles) - Depois do tumultuado divórcio de seu quarto marido, o jornal Daily Mail divulgou hoje que a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, 48 anos de idade, está internada em uma clínica de reabilitação em Los Angeles para tratar um sério problema de dependência em drogas e bebidas. A cantora teve uma recaída pesada nos últimos meses, segundo alguns por causa dos inúmeros problemas em seu casamento.

Lisa já havia admitido em uma entrevista anos atrás que havia usado drogas na adolescência, porém não se tinha notícia que ela continuava a abusar de substâncias ilícitas desde então. Os problemas que andam abalando a vida da única filha de Priscilla e Elvis Presley parecem ser determinantes para sua conscientização em procurar por ajuda numa clínica de tratamento de drogados e alcoólatras na costa oeste americana. O rehab estava sendo mantido em sigilo, mas a imprensa finalmente descobriu a verdade.

Segundo informações a cantora teria gasto, só nos últimos meses, algo em torno de 400 mil dólares na formação de uma equipe de especialistas contratados apenas para sua recuperação. Uma pessoa próxima afirmou que Lisa percebeu que sua vida estava saindo rapidamente dos trilhos e que ela estava perdendo o controle, a batalha, contra as drogas. Segundo foi dito sua mãe Priscilla estaria ao seu lado, a visitando na clínica todos os dias. Lisa conseguiu acobertar seus problemas de vício por longo tempo, mas agora teria decidido lutar contra o problema. "Não está sendo fácil, mas Lisa está determinada a recuperar parte de sua vida" - disse um amigo da família Presley.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - FTD NBC TV Special

Eu nunca gostei muito do álbum original do programa da NBC, o famoso "Comeback Special". O problema era de falta de qualidade sonora mesmo. Quem teve a oportunidade de ouvir o disco de vinil lançado em 1968 sabe bem das dificuldades. Ao que tudo indica houve uma gravação em mono que depois foi remasterizada para o estéreo. Tudo errado como se pode perceber. Eu credito esse erro banal ao fato da RCA Victor não ter decidido o que faria em relação ao NBC. Inicialmente a gravadora não tinha planos de lançar uma trilha sonora, até porque era um programa de TV e tudo mais.

Depois mudou-se o plano. Meio às pressas o áudio foi captado com problemas sérios, o que passou para o disco. A qualidade sonora é o calcanhar de Aquiles desse disco de Elvis. Quando o selo FTD anunciou que faria uma edição especial aqui em 2016 pensei que haveria uma grande mudança em aspectos técnicos. Fiquei com esperanças de que haveria um tratamento nas masters originais, mas confesso que não percebi grandes avanços em relação a isso. É a tal coisa, quando a pedra fundamental, as matrizes das gravações originais, já eram sem qualidade, fica complicado melhorar. De qualquer forma pela importância histórica envolvida não há outro caminho a seguir: o colecionador deve adquirir o CD. Certamente não é tudo aquilo que esperava, mas pelo menos é bem melhor do que a pálida edição de vinil que chegou a constranger quando chegou nas lojas lá no distante ano de 1968.

Elvis Presley - FTD NBC TV Special
Disc 1 Original Album: 01 Trouble / Guitar Man (3:28) June 22 & 30, 1968 02 Lawdy, Miss Clawdy (14:45) - June 27, 1968. 8 PM show Baby, What You Want Me To Do - June 27, 1968. 6 PM show Dialogue; Medley: Heartbreak Hotel / Hound Dog / All Shook Up - June 29, 1968. 6 PM show Can't Help Falling In Love - June 29, 1968. 6 PM show Jailhouse Rock - June 29, 1968. 8 PM show Dialogue; Love Me Tender - June 29, 1968. 8 PM show 03 Dialogue; Where Could I Go But To The Lord / Up Above My Head / Saved (7:35) - June 21 & 22, 1968 04 Dialogue; Blue Christmas (5:34) - June 27, 1968. 8 PM show Dialogue; One Night - June 27, 1968. 6 PM show 05 Memories (3:20) - June 23, 1968 06 Medley: Nothingville / Dialogue; Big Boss Man / Guitar Man / Little Egypt / Trouble / Guitar Man (6:44) - June 20, 21 & 30, 1968 07 If I Can Dream (3:26) - June 23, 1968 Bonus Cuts: 08 It Hurts Me (splice/edit of part 1 - take 7, part 2 - take 7 & part 1 - take 6) (2:33) - June 20 & 21, 196809 Let Yourself Go (splice/edit of part 1 - take 1 & part 2 - take 2) (2:38) - June 20, 196810 Memories (stereo master) (3:09) - June 23, 196811 If I Can Dream (stereo master) (3:13) - June 23, 196812 That's All Right (3:10) - June 27, 1968. 8 PM show 13 Love Me (2:38) - June 27, 1968. 8 PM show 14 Baby, What You Want Me To Do (1:48) - June 27, 1968. 6 PM show 15 Are You Lonesome Tonight? (3:38) - June 27, 1968. 8 PM show 16 Blue Suede Shoes (1:45) - June 27, 1968. 8 PM show 17 Trying To Get To You (3:00) - June 27, 1968. 8 PM show 18 Tiger Man (2:44) - June 27, 1968. 8 PM show 19 Let Yourself Go (closing instrumental) (1:09) - June 23, 1968

Disc 2 The Wrecking Crew Sessions: Road Medley Outtakes - June 20-21, 1968: 01 Nothingville (Guitar Man's Evil #1) - take 1* (1:16) 02 Nothingville (Guitar Man's Evil #1) - takes 5 & 6 (2:15) 03 Guitar Man (Guitar Man's Evil #1) - take 10/M (1:02) 04 Let Yourself Go, part 1 (Guitar Man's Evil #2) - takes 5 & 6 (2:40) 05 Let Yourself Go, part 1 (Guitar Man's Evil #2) - take 7/M (2:17) 06 Let Yourself Go, part 2 (Guitar Man's Evil #3) - take 6 (1:32) 07 Let Yourself Go, part 2 (Guitar Man's Evil #3) - take 7/M (1:35) 08 Guitar Man (Escape #1, fast) - takes 1, 2 & 5 (2:48) 09 Guitar Man (Escape #1, remake) - takes 6 & 7/M (1:27) 10 Big Boss Man (Escape #3) - take 1* (1:17) 11 Big Boss Man (Escape #3) - take 2 (1:40) 12 It Hurts Me, part 1 (Escape #4) - take 1* (1:48) 13 It Hurts Me, part 1 (Escape #4) - take 5 (1:58) 14 It Hurts Me, part 2 (After Karate #1) - take 3 (1:08) 15 Guitar Man (After Karate #2) - take 1 (0:51) 16 Little Egypt (After Karate #2) - take 6* (1:25) 17 Little Egypt (After Karate #2) - take 8 (1:28) 18 Trouble / Guitar Man (After Karate #3) - take 2 (3:02) Gospel Medley Outtakes - June 21-22, 1968: 19 Sometimes I Feel Like A Motherless Child / Where Could I Go But To The Lord (Gospel #1) - rehearsal & take 1 (5:24) 20 Sometimes I Feel Like A Motherless Child / Where Could I Go But To The Lord (Gospel #1) - take 4 (3:25) 21 Up Above My Head / I Found That Light / Saved (Gospel #2) - takes 4* & 7 (3:39) 22 Saved (Gospel #3) - take 1 (4:26) 23 Saved (Gospel #3) - takes 2* & 4 (4:34) 24 Saved - splice of takes 6 & 5/M (rough mix) (4:22) OUTTAKES - June 23, 1968: 25 Trouble / Guitar Man (Opening) - take 1 (3:54) 26 Trouble / Guitar Man (Opening) - takes 6 & 7 (5:31) 27 If I Can Dream - take 1 (3:14) 28 If I Can Dream - takes 2*, 3 & 4 (4:24) 29 Memories - takes 3* & 4/v.o. #1 (3:46) 30 Let Yourself Go (closing instrumental) - take 1* (1:13) *Gravações inéditas.

Pablo Aluísio.

sábado, 6 de agosto de 2016

Elvis Presley - FTD Speedway

Outro lançamento que está chegando no mercado americano e europeu é esse CD duplo, FTD Speedway, mais um título do selo FTD (Follow That Dream). Esse aqui está catalogado na categoria "Classic Movie Album Serie" que revisita as trilhas sonoras de Elvis durante as décadas de 1950 e 1960. Bom, eu confesso que nunca gostei muito da trilha de "Speedway". O problema desse disco tem um nome bem simples: saturação.

Em 1968 Elvis já havia lançado tantas trilhas sonoras, tantos lançamentos de músicas com filmes, que até mesmo os fãs já estavam cansados. Havia uma saturação em seu catálogo. Por isso o disco vendeu pouco, sofreu muitas críticas e encerrou os lançamentos da RCA Victor nesse formato. Depois da vendas ruins Elvis e o Coronel Parker finalmente se mexeram para mudar, voltar aos palcos e dar um novo rumo para a carreira do cantor. Como diz o ditado muitas vezes coisas ruins acontecem no meio do caminho justamente para servirem de ponto de partida para um novo começo, uma nova fase, deixando os aspectos negativos de lado. Com "Speedway" Elvis encerrou um ciclo para começar outro, muito mais interessante, mais rico e relevante do ponto de vista comercial.

Esse é um aspecto histórico interessante a se considerar, mas o colecionador talvez esteja muito mais interessado no produto em si. Então vamos lá. Pois bem, como disse é um CD duplo. No primeiro, seguindo a tradição, a FTD colocou as gravações originais, master, que fizeram parte do disco, do LP que chegou no mercado na época de seu lançamento, seguido de gravações inéditas. Curiosamente a sequência das faixas não segue o set list da trilha de Speedway. Ao invés disso as canções foram separadas. As categorias que surgiram foram "Original Album" (onde a sonoridade original foi mantida), "Elvis and Nancy Sinatra" (onde as músicas de dueto entre Elvis e a filha de Frank Sinatra foram reunidas), "Nancy Sinatra" (com as canções cantadas apenas por ela), "Remixed Soundtrack Masters" (com as gravações que sofreram um verdadeiro banho de loja tecnológica) e finalmente "Outtakes" (com os takes alternativos). Nesse último aspecto o CD deixa um pouco a desejar, pois não traz muita coisa inédita como era de se esperar. Falando sinceramente o título só não é melhor porque, como escrevi, as músicas não são tão boas ou essenciais. O problema é realmente de conteúdo. No mais, em termos de direção de arte, fotos, encartes, tudo é muito bonito e de bom gosto. Um item altamente colecionável, sem a menor sombra de dúvidas.

Elvis Presley - FTD Speedway (2016)
Disc 1 - Original Album: 01 Speedway (2:13) 02 There Ain't Nothing Like A Song (2:11) Elvis and Nancy Sinatra: 03 Your Time Hasn't Come Yet, Baby (1:54)04 Who Are You? (Who Am I?) (2:35)05 He's Your Uncle Not Your Dad (2:31) 06 Let Yourself Go (3:01) 07 Your Groovy Self (2:57) Nancy Sinatra: 08 Five Sleepy Heads (1:33)09 Western Union (2:13)10 Mine (2:39)11 Goin' Home (2:24)12 Suppose (2:09) Remixed Soundtrack Masters: 13 There Ain't Nothing Like A Song (2:22)14 Your Time Hasn't Come Yet, Baby (2:04)15 Five Sleepy Heads (1:44)16 Who Are You? (Who Am I?) (2:55)17 Speedway (2:49)18 Suppose (2:13)19 Let Yourself Go (3:08)20 He's Your Uncle Not Your Dad (2:41) Outtakes: 21 Suppose (long Version) (3:22)22 Let Yourself Go - take 5* (3:14)23 Let Yourself Go - take 6* (3:17)24 Your Time Hasn't Come Yet, Baby (movie version)* (2:04)25 Goin' Home - takes 16* & 23* (4:00)26 Mine - takes 1*, 2*, 3* & 4 (5:38)27 Mine - takes 8* & 9 (3:34)28 Mine - take 13* (2:48) 29 Suppose (Nashville master) (3:06) Disc 2 -The Original Mono LP Master: 01 Speedway (2:13) 02 There Ain't Nothing Like A Song (2:12) Elvis and Nancy Sinatra: 03 Your Time Hasn't Come Yet, Baby (1:53)04 Who Are You? (Who Am I?) (2:35)05 He's Your Uncle Not Your Dad (2:31)06 Let Yourself Go (3:01)07 Your Groovy Self (2:57) Nancy Sinatra: 08 Five Sleepy Heads (1:33) 09 Western Union (2:13) 10 Mine (2:39) 11 Goin' Home (2:24)12 Suppose (2:03) 13 Suppose (long version) (3:00).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Elvis Presley - Way Down In the Jungle Room

Agosto é mês de relembrar a morte de Elvis Presley. A RCA nunca deixa a data passar em branco. Nesse ano de 2016 a gravadora anunciou esse novo CD duplo intitulado "Way Down In the Jungle Room". Como se sabe as últimas sessões de gravação de Elvis em estúdio aconteceram em Graceland, na Sala das Selvas (Jungle Room). É justamente em cima desse material que o CD é composto. Eu gosto muito dessas gravações. A divulgação de takes e ensaios dessa sessão revelou um Elvis de bom humor, brincando com músicos e produtores, tudo em um bom clima, bem ameno.

Algo bem diferente do que foi divulgado por anos e anos em diversas biografias. Antes da revelação desse material muito se escreveu sobre um Elvis deprimido e armado, completamente raivoso por ter que gravar novas canções em sua mansão, em um "estúdio" improvisado, sem qualquer tipo de profissionalismo. Bobagem. É certo que gravar em Graceland não era a mesma coisa que gravar em um estúdio profissional da RCA em Nashville. Aspectos absurdos e amadores - como, por exemplo, o telefone tocando bem no meio da gravação de uma faixa - era algo meio decepcionante, porém não vamos desmerecer esse rico manancial de grandes canções apenas por detalhes como esse. Assim o que o ouvinte vai ter a chance de ouvir aqui é o outro lado da história, com Elvis bem à vontade (afinal de contas ele estava gravando em sua própria casa), se divertindo e tirando onda com seus músicos. Tudo de muito bom astral e divertido.

Elvis Presley - Way Down In the Jungle Room (2016)
Disc 1 - The Masters: 1. Way Down / 2. She Thinks I Still Care / 3. Bitter They Are, Harder They Fall / 4. Pledging My Love / 5. For The Heart / 6. Love Coming Down / 7. He'll Have To Go / 8. Blue Eyes Crying In The Rain / 9. Hurt / 10. Never Again / 11. Danny Boy / 12. Solitaire / 13. Moody Blue / 14. It's Easy For You / 15. I'll Never Fall In Love Again / 16. The Last Farewell / Disc 2 – The Outtakes1. Bitter They Are, Harder They Fall - take 1 / 2. She Thinks I Still Care – take 10 / 3. The Last Farewell - take 2 / 4. Solitaire - take 7 / 5. I'll Never Fall In Love Again – take 5 / 6. Moody Blue – take 1 / 7. For The Heart – take 1 / 8. Hurt – take 3 / 9. Danny Boy – take 9 / 10. Never Again - take 9 / 11. Love Coming Down – take 3 / 12. Blue Eyes Crying In The Rain – take 4 / 13. She Thinks I Still Care – (alternate version) take 2 / 14. It's Easy For You - take 1 / 15. Way Down – take 2 / 16. Pledging My Love – take 3 / 17. For The Heart – take 4.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Elvis Presley - Back in Memphis

Elvis Presley - Back in Memphis
Esse disco trazia uma segunda leva de gravações realizadas por Elvis Presley em Memphis, no American Studios. Na verdade o álbum foi um desdobramento do primeiro LP duplo da carreira de Elvis, "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis". Eram dois LPs. Um dedicado a gravações realizadas ao vivo em Las Vegas - na turnê que marcou o retorno de Elvis aos palcos depois de muitos anos afastado - e o outro recheado de músicas inéditas produzidas por Elvis na sua volta aos estúdios de sua cidade de coração, Memphis. Poderia haver algo mais saboroso para um fã de Elvis na época? Depois de anos e anos precisando aguentar trilhas sonoras infantis era realmente uma mudança e tanto no rumos da carreira do cantor. Eu costumo afirmar que os anos 70 para Elvis começaram bem antes, em 1969. Nesse ano ele realmente mudou tudo e para melhor. As músicas ficaram mais consistentes, lidando com temas mais significativos em arranjos mais bem elaborados, letras falando dos problemas decorrentes de relacionamentos adultos, sem bobagens adolescentes pelo meio do caminho. Finalmente Elvis parecia se comunicar com seu público que também estava em uma faixa etária mais avançada. Não havia mais como bancar o eterno cantor garotão adolescente conquistando corações de meninas bobinhas. Era necessário crescer, sair da adolescência musical, algo que Elvis finalmente conseguiu com seus registros no American.

"Back in Memphis" na realidade não tem nenhum grande hit em sua seleção musical. Isso porém não significava nada no final das contas pois a seleção musical era de uma qualidade maravilhosa, superior a qualquer outra coisa que Elvis havia produzido nos últimos anos. Comparar com trilhas recentes como "Speedway" chegava a soar como covardia até. Colocando as cartas na mesa não existem músicas insignificantes em "Back in Memphis" (afirmação que inclusive pode ser ampliada para praticamente todas as canções gravadas no American Studios). Era um novo artista que nascia das cinzas, não fazendo mais concessões descabidas do ponto de vista comercial. Claro que de uma maneira em geral as sessões foram extremamente bem sucedidas comercialmente falando, como Suspicious Minds, por exemplo, que acabou se tornando a primeira canção a alcançar o número 1 da Billboard depois de longos anos, mas isso nunca foi o foco principal dessas gravações, muito longe disso. Se pudesse escolher apenas uma palavra para descrever "Back In Memphis" eu usaria a expressão elegância. O álbum é muito elegante, tanto em sua proposta como em sua essência. As canções foram escolhidas por Felton Jarvis que parece ter se concentrado naquela nata mais substancial das sessões, procurando a fina flor de todo o material disponível. Como se sabe essas sessões foram realizadas no esquema de maratonas, ou seja, Elvis entrou em estúdio para gravar uma grande quantidade de músicas que depois seriam lançadas de forma gradual pela RCA Victor. Nesse quesito Jarvis foi muito feliz pois realmente acabou compondo duas belas seleções musicais (tanto em relação a esse álbum como no anterior, "From Elvis in Memphis"). Era o começo de novos tempos na carreira do Rei do Rock.

Inherit The Wind (Eddie Rabbit) - Uma bela canção, mostrando a sofisticação das músicas gravadas por Elvis Presley no American Studios. Ouso dizer que algumas dessas músicas se encontram entre as mais sofisticadas de toda a carreira de Elvis, em qualquer época que você queira comparar. Na letra temos quase uma súplica em primeiro pessoa, em que o narrador apela com sinceridade para que a garota não se apaixone por ele de jeito nenhum, pois ele certamente a magoará no futuro. Assim como seu pai sempre fazia com sua mãe, ele também muito provavelmente a decepcionará, indo embora pela manhã, sem dizer adeus ou olhar para trás. Composta por Edward Thomas Rabbitt, um cantor country popular nas décadas de 1960 e 1970, a canção evoca um tema bem comum nesse universo, a do amor que já nasce fadado ao fracasso completo, à desilusão e à decepção completa. Vale a pena amar sabendo que sofrerá bastante lá na frente? A versão de Elvis difere em certo sentido da gravação original por trazer um desalento completo em sua voz, um clima de leve decepção e melancolia que cresce bastante em seu refrão. Aliás o trabalho de Chips Moman com o grupo vocal feminino é um dos grandes destaques da gravação. Um apelo quase desesperado para que não venha a nascer um amor entre ambos, pois a decepção certamente será completa. Excelente música!

This is The Story (Arnold / Morrow / Martin) - Uma letra que poderia muito bem ter sido escrita pelo próprio Elvis. Ele iria vivenciar mais à frente em sua vida essa mesma situação, a do homem abandonado que descobre que sua mulher amada o deixou por amar outro homem. O arranjo é bem intimista, justamente para o ouvinte se sentir no quadro descrito na letra. Uma pessoa que foi abandonada, lendo a carta de despedida (e desculpas) da sua querida que partiu para ir viver outro romance, outro amor, com outro homem. Ao seu redor tudo a lembra, a música que ele ouve, a fotografia dela ao lado de sua cama, os móveis, um livro na prateleira. Seu mundo literalmente cai após ser abandonado. Essa música foi providenciada por Felton Jarvis e gravada originalmente por Elvis no American Studios. É verdade que ela nunca chegou a ser um sucesso em sua carreira, porém se tornou extremamente importante dentro do contexto dos discos "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis" e seu desdobramento "Back in Memphis". É interessante notar que ela foi a segunda música gravada por Elvis no American, logo após "Long Black Limousine" e ao contrário dessa não deu muito trabalho para se chegar na versão oficial. Em apenas dois takes Elvis matou a gravação, provando que nessa noite ele estava mais do que afiado, pronto para dar o melhor de si (depois de anos desperdiçando seu talento em obras menores como as músicas de filmes de Hollywood). Enfim, "This is Story", apesar da clara tristeza de sua letra depressiva e melancólica, é certamente um dos melhores momentos do disco. Pequena obra prima.

Stranger in My Own Home Town (Mayfield) - E então chegamos no blues "Stranger in My Own Home Town". Certa vez o cantor de blues Howlin' Wolf encontrou Elvis por acaso nos corredores dos estúdios da RCA Victor em Nashville e foi logo dizendo: "Ei garoto, o que você pensa que está fazendo?". Elvis ficou um pouco assustado e Wolf completou: "Sua voz é do blues, você nasceu para cantar blues! Quero ouvir você no blues garoto!". Era pura verdade. Ao longo dos anos Elvis provou que tinha um incrível feeling para o blues, embora tenha interpretado relativamente  poucas canções nesse estilo. Uma pena, tanto talento desperdiçado em canções pop de filmes! Certamente teria sido melhor aproveitado se tivesse se dedicado mais para essas velhas cantorias de escravos à beira do rio Mississippi. Sim, porque o blues nasceu exatamente dentro desse contexto histórico, do lamento do trabalho pesado sob sol a pino nas plantações de algodão do sul. Já que Elvis adorava tanto a cultura musical negra de seu país era óbvio que mais cedo ou mais tarde ele iria também desaguar nas águas do blues sulista. "Stranger in My Own Home Town" vai justamente nessa direção. A versão original é excelente. Gosto muito desse estilo mais sincopado, porém a minha preferida é a versão completamente envenenada que foi lançada pela primeira vez em 1995 no box "Walk a Mile in My Shoes: The Essential '70s Masters". Ali você pode sentir a vibração blueseira que estava rolando dentro do estúdio. O blues é aquele tipo de ritmo musical que você precisa sentir o que está cantando. É um gênero essencialmente sentimental, para se cantar com a alma aberta. Elvis conseguiu atingir esse ponto perfeito. É curioso que a música sequer estava na primeira lista de músicas que seriam gravadas naquela noite, mas Elvis curtiu muito a fita de demonstração que ouviu assim que chegou no American. Praticamente ele usou a gravação para se aquecer, uma forma de entrar no clima ao lado de sua banda. Todas as versões são excelentes, ainda mais pelo fato do produtor Chips Moman ter aceitado a sugestão de Elvis para que sua voz fosse afundada no meio do som do grupo, lá no fundo, quase inaudível. Para Elvis um bom blues tinha que sequer esse tipo de balanceamento. Nada de colocar sua voz em destaque. Isso nunca existiu nos velhos singles clássicos de blues. Elvis sabia disso. Os instrumentos em primeiro plano e o vocal mergulhado bem no meio da sopa sonora. Perfeito. Ele estava novamente certo. Ponto para Mr. Elvis Presley. Ouça e sinta-se como ele, um estranho em sua própria cidade.

A Little Bit Of Green (Arnold / Morrow / Martin) - Essa é uma antiga música lançada pelo cantor country Eddy Arnold. Para quem não sabe a história de Arnold se confunde com a do próprio Elvis pois ele era da mesma região e tinha o mesmo empresário que Presley. Sim, o Coronel Parker também era o manager de Arnold. É curioso porque muito do que aprendeu em termos de negócios no mundo da música, Parker aprendeu justamente dirigindo a carreira de Eddy Arnold, um dos primeiros artistas que empresariou. Depois de um começo modesto em Memphis e Nashville sua vida mudou quando Parker lhe arranjou um acordo com uma das empresas mais poderosas dos Estados Unidos. Em 1944 conseguiu um contrato para ele com a RCA Victor, a mesma que seria a gravadora por toda a carreira de Elvis. Pois bem, deixando isso um pouco de lado vamos tecer alguns comentários sobre a música então. Nunca achei uma grande canção e passa longe de ser um clássico dentro do repertório de Elvis. A letra novamente trata do tema sobre corações partidos. Em primeira pessoa o autor lamenta a perda da mulher amada, que agora está nos braços de outro. É o velho arrependimento que só bate quando você perde um grande amor e só se dá conta de sua importância quando ela resolve finalmente arranjar outro para tocar sua vida para frente. Assim, em termos gerais, a letra não é das mais originais e nem tampouco é tão bem escrita. Analisando bem são apenas três estrofes, nenhum deles excepcionalmente bem escrito. O refrão também não me agrada muito. Falta um pouco mais de conteúdo nessas passagens. A harmonia também não chega a surpreender. É bem gravada e executada, como tudo o que diz respeito ao material que foi gravado no American Studios (a banda que acompanhou Elvis era realmente acima da média), mas realmente novamente não impressiona. Acredito que o fato dela estar no meio de tantas obras primas ajudou a ofuscá-la ainda mais. Ela foi gravada no dia 15 de janeiro de 1969 no mesmo dia em que Elvis também gravou somente outra faixa: Gentle on My Mind. Pelo visto não foi uma das noites mais produtivas de Elvis no American.

And the Grass Won't Pay No Mind (Neil Diamond) - Elvis adorava Neil Diamond. Estava sempre conferindo o trabalho desse cantor e compositor nova-iorquino. O interessante é que tão absorvido ficou com o material que Diamond vinha gravando que ele mesmo resolveu fazer suas próprias versões em estúdio do material composto pelo colega músico. Um exemplo é essa faixa "And the Grass Won't Pay No Mind". Ela foi originalmente lançada como Lado B do single "Soolaimon". Elvis não gostava muito da canção principal, mas adorou seu Lado B. Por isso achou que a canção merecia um melhor destino, um tratamento mais digno. Assim na madrugada do dia 18 de fevereiro, quando o relógio já indicava 1 da manhã, Elvis começou a trabalhar com a canção ao lado de seus músicos. A sessão só chegaria ao fim às quatro hora da madrugada, com um Elvis bem satisfeito por seu resultado. Ele realmente se esforçou para dar um belo tratamento na criação de Neil Diamond. O resultado, como se pode perceber, superou e muito a própria gravação original de Diamond, algo que não era raro acontecer em se tratando de Elvis Presley. A letra de "And the Grass Won't Pay No Mind" é no mínimo interessante. Os primeiros versos que dizem: "Escute, você pode ouvir Deus chamando / Andando descalço na correnteza" pode dar a falsa impressão que você está prestes a ouvir uma música gospel, mas não! O autor logo muda o rumo, entrando em uma mistura de música hippie de amor, com clara conotação até mesmo um pouco esotérica. O melhor da canção como um todo é a sua linda melodia, bem suave, calma e relaxante. Elvis a canta ternamente, algo que nem estava sendo usado muito na época por ele, já que para as sessões do American o cantor tinha optado por uma vocal mais incisivo e marcante. Uma bela faixa que a despeito de todas as suas qualidades acabou não sendo também muito bem trabalhada pela RCA Victor, nunca a transformando numa música de trabalho. Uma pena, uma música tão linda merecia melhor sorte, tanto na voz de Neil Diamond como na de Elvis Presley. De qualquer maneira ela venceu a barreira do tempo por causa de sua beleza ímpar.

Do You Know Who I Am? (Bobby Russell) - Imagine saltar de sessões de trilhas sonoras ruins e fracas como "Charro" e "Speedway" direto para essa fantástica sessão de gravação do American Sound! A diferença de qualidade era algo de absurdo. Aqui Elvis interpreta uma música do cantor e compositor Bobby Russell. Ele foi um artista bem famoso e badalado no meio country de Nashville entre meados dos anos 60 e o começo dos anos 70. Entre 1966 e 1973 Russell conseguiu emplacar cinco grandes discos de sucesso. O curioso é que Elvis podia, em uma mesma sessão, interpretar velhos clássicos country das décadas de 1940 e 1950 e ao mesmo tempo registrar músicas contemporâneas que estavam fazendo sucesso nas rádios sulistas de country na mesma época em que ele as gravava. Era um cantor eclético e atemporal. É o caso de " Do You Know Who I Am?". A versão original de seu autor foi lançada um ano antes de Elvis gravá-la. No single original ela eram bem mais country, com todos aqueles instrumentos e arranjos bem característicos da música rural americana. Elvis e o produtor Felton Jarvis resolveram suavizar um pouco mais esse aspecto, dando-lhe uma roupagem mais moderna e urbana. A letra foi justamente o que atraiu Elvis. O próprio título com a pergunta "Você Sabe Quem Eu Sou?" fez com que Elvis se identificasse imediatamente com a mensagem. Ele já havia dito em entrevistas que o artista e o ser humano costumavam ser coisas bem distintas. E pessoas que viveram ao seu lado, mesmo sua esposa Priscilla, sempre deixaram claro que na verdade conhecer o verdadeiro Elvis Presley era uma das coisas mais complicadas de se fazer. Na poesia da canção o tema central é o reencontro. O autor, em primeira pessoa, indaga, em um casual e inesperado reencontro, se a mulher amada realmente poderia ainda dizer que o conhecia. Haveria ainda a possibilidade de um retorno aos velhos tempos mesmo após tantos anos? O clima é de leve melancolia. Como eu escrevi no começo a diferença entre as bobas canções de filmes e essas novas músicas, com melodias e letras extremamente mais bem elaboradas era realmente algo abissal. Elvis saiu da adolescência inocente da carreira para a maturidade plena em poucos meses. Um feito e tanto.

From a Jack to a King (Ned Miller) - Priscilla Presley adorava essa canção. Era uma de suas preferidas do American. Isso de deve muito ao fato de Elvis ter o single original (lançado em 1957 por Ned Miller, cantor country). Sempre ouvindo a canção em casa a sua melodia acabou sendo quase uma trilha sonora para o namoro de Priscilla, principalmente depois que ela foi morar em Graceland ao lado de Elvis. A canção ainda teve outras versões ao longo dos anos, em especial a de Jim Reeves em 1962, cujo single Elvis também comprou (repare na data, 1962, o mesmo ano em que Priscilla foi morar em Memphis). Como virou uma espécie de standard do country music "From a Jack to a King" ganhou ainda muitas outras gravações depois da de Elvis no American. A mais recente foi gravada em 1988 na voz do cantor Ricky Van Shelton. Particularmente eu não gosto muito desse country, mas essa é meramente minha opinião pessoal. Acho que sua melodia é um pouco estranha, fora do convencional, com um ritmo pouco atraente. Enfim, um ponto de vista bem subjetivo, pessoal. A letra também nunca me agradou muito. O autor fez uma analogia entre jogo de cartas e romance. Algo que soa hoje em dia meio brega. O uso de um anel de casamento nos versos só piora ainda mais a situação. Talvez a Priscilla estivesse obcecada em se casar com Elvis, daí sua identificação com a letra, quem sabe... Mesmo assim, como se trata de Elvis Presley, você sabe que no mínimo terá uma boa interpretação pela frente. O curioso é que o produtor Chips Moman tentou mudar os arranjos, mas Elvis dessa vez preferiu ser mais fiel ao espírito country and western. Para Elvis não havia como mudar o jeito da canção já que ela seria assumidamente muito country, impossível de mudar. Basta imaginar um bando de cowboys ao redor de uma mesa jogando cartas para entender bem isso. Para reforçar então suas origens o músico John Hughey, especialista em Steel Guitar em Nashville (a capital mundial da música caipira e rural americana), foi especialmente contratado para se unir à banda de Elvis. Enfim, uma prévia do que Elvis iria fazer nos anos 70, com muito country em seus álbuns.

The Fair's Moving On (Fletcher / Flett) - Essa canção foi lançada como lado B do single "Clean Up Your Own Back Yard", tema do filme "The Trouble With Girls" (Lindas encrencas, as garotas, 1969). É mais um country. É a tal coisa... Tanto o Coronel Parker como Elvis pensavam principalmente em seu público. E qual era esse público? Certamente não era o internacional. Elvis não gravava seus discos pensando em Londres, Paris ou Madrid. Elvis gravava seus álbuns pensando nos estados do sul dos Estados Unidos, onde ele fazia suas turnês e era adorado por sua faixa de fãs mais fiel e leal. Por essa razão temos um certo excesso de country music em seus discos, principalmente a partir de 1969. É interessante notar que em pouco tempo Elvis estaria de volta às turnês e essas seriam realizadas em sua grande maioria justamente para os sulistas americanos. E essa gente vivia sob a forte influência cultural de Nashville, a capital mundial do country. Por isso tantos discos de Elvis tiveram essa linha. Ele gravava pensando nisso e o repertório mais voltado para esse tipo de música era gravado para que Elvis também o utilizasse em shows. "The Fair's Moving On" é apenas na média. A letra da canção tinha tudo a ver com o enredo de "The Trouble With Girls". No filme Elvis interpretava um gerente de um parque de diversões itinerante. Um tipo de circo de variedades que era muito popular no começo do século XX nos Estados Unidos. Enquanto ele ia de cidade em cidade ia conhecendo novas pessoas, se envolvendo com as garotas locais e a vida seguia em frente, tudo pensando na próxima cidade a se visitar. Veja esses versos: "Todos os caminhos já foram percorridos / É tarde e não sobrou nenhum prêmio a ser ganho / Os caminhos estão fechados, é o fim do dia / Os cavalos estão indo embora / Sim, o parque está indo embora / E logo mais eu também irei". Dá para perceber bem que é aquele tipo de música que só fazia muito sentido dentro da temática do filme. O curioso é que ela não foi gravada nas sessões de gravação da trilha sonora de "The Trouble With Girls", mas bem depois, quando Elvis já estava empenhado nas sessões do American Studios, trabalhando inclusive com outra banda. Uma verdadeira estranha no ninho dentro daquela coleção de músicas.

You'll Think of Me (Mort Shuman) - Essa canção ficou notabilizada dentro da discografia de Elvis por ter sido o lado B do single de grande sucesso comercial "Suspicious Minds". Por isso acabou pegando carona com o hit principal do compacto e acabou se tornando relativamente bem conhecida. Outro fato que chama a atenção é que ela foi composta por Mort Shuman. Ao lado de Doc Pomus ele escreveu dezenas de músicas para Elvis na década de 60. Ele era um talentoso pianista e conseguia sempre escrever temas que caíam no gosto popular. O sucesso que abriu as portas para sua carreira foi a linda "Save The Last Dance For Me", gravada pelo grupo The Drifters, que logo se tornou um imenso hit, chegando ao topo da Billboard. A partir daí vários cantores encomendaram músicas à dupla. Para Elvis, Shuman escreveu entre outras o tema principal do filme "Viva Las Vegas", além de "Little Sister" e "(Marie's the Name) His Latest Flame" que acabaram se transformando em singles premiados com discos de ouro. Essa gravação assim acabou se tornando uma despedida de Shuman da discografia de Elvis, sem parceria dessa vez com Pomus. Um trabalho solo. A letra da música fala em despedida. Na primeira pessoa o autor se despede do grande amor de sua vida. Há um ressentimento em suas palavras, como se ela tivesse feito algo que o magoou. Isso porém fica sempre subentendido, nada é dito de forma muito clara. Para o autor aquela que ficará para trás vai se arrepender do fim desse amor. Isso fica bem claro logo na primeira estrofe: "Desculpa, garota, mas vou te deixar / Há algo profundo em minha alma que me chama / O vento do inverno, garota, não vai te enganar / E na sua cama vazia e fria, você vai pensar em mim...". O curioso é que nos versos o autor também deixa claro que é um caso perdido, que nunca se ligará fortemente com ninguém por ter "um coração perturbado" e uma alma livre. Ecos de um romance que nunca daria realmente certo. O arranjo ficou bem bonito. Há um verdadeiro "diálogo" entre guitarra e baixo ao fundo que funcionou muito bem. Some-se a isso o belo acompanhamento vocal feminino (que era uma novidade nas gravações de Elvis na época) e você terá uma bela faixa, com boa letra e performance bonita de Elvis e seus músicos.

Without Love (There is Nothing) (Danny Small) - Essa é uma velha canção dos anos 50. Ela foi gravada inicialmente por Clyde McPhatter, um cantor negro de R&B e soul em 1957. O single se destacou nas paradas conseguindo uma ótima nona posição entre os mais vendidos na lista Billboard Hot 100, a mais importante da indústria americana. Anos depois o guitarrista Scotty Moore afirmaria que essa música vinha sendo ensaiada por Elvis desde os tempos da Sun Records. Ele tentava gravar, mas por uma razão ou outra isso nunca acontecia. Moore provavelmente se enganou, pois o single original dela só foi lançada em 1957, quando Elvis já estava na RCA Victor. Por essa razão ele nunca chegou a ensaiá-la nos tempos da Sun Records simplesmente porque ela ainda não existia naquela época. É certo que o guitarrista confundiu datas, gravadoras e sessões de gravação, algo esperado de uma pessoa de sua idade. De qualquer forma o mais importante nessa informação é o fato de que Elvis vinha planejando gravá-la há muito tempo, algo que ele conseguiu concretizar no American Studios. Essa canção foi a escolhida para fechar o disco. É uma faixa triste, com acompanhamento melancólico. Sua introdução conta apenas com um dueto entre a voz de Elvis e piano. Depois sutilmente entra o coro vocal feminino, tudo culminando em uma explosão de sentimentos no refrão que é claro em sua mensagem: "Sem Amor (Não existe Nada)". O curioso é que sem saber disso Elvis a gravou em um momento em que dois outros grandes astros a registravam também em estúdio, com suas respectivas versões. A primeira a sair foi a de Ray Charles. Três meses depois outro single com a mesma música chegava nas lojas, dessa vez na voz de Tom Jones. Com isso as chances comerciais da versão de Elvis ficaram nulas. Certamente uma terceira versão em poucos meses não chamaria mais a atenção do público. A RCA prevendo isso a colocou discretamente fechando ambos os álbuns ( Back in Memphis e From Memphis to Vegas – From Vegas to Memphis). Foi uma boa escolha pois o clima da melodia se adequava perfeitamente com a proposta dos discos em questão.

Elvis Presley - Back in Memphis (1969) - Elvis Presley (voz, violão, baixo e piano) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Mike Leech (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Ronnie Milsap (piano) / Bobby Emons (orgão) / John Hughey (steel guitar) / Ed Kollis (harmonica) / Sonja Montgomery, Mary Green, Mary Holladay, Donna Thatcher, Susan Pilikington & Sandy Bolsey (vocais) / Charlie Hodge (vocais) / The Memphis Horns (metais) / The Memphis Strings (cordas) / Orquestra Sinfônica Municipal de Memphis / Felton Jarvis (produção) / Chips Moman (produção) / Data de gravação: 13 a 22 de janeiro e 17 a 22 de fevereiro de 1969 / Gravado no American Studios, Memphis / Data de lançamento: Novembro de 1969 / Melhor posição nas charts: # 12 (Billboard) e # 3 (UK).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

FTD Live A Little, Love A Litte sessions

Novo lançamento do selo FTD (Follow That Dream). Bom, não faz muito tempo comentei sobre as músicas que fizeram parte desse filme de Elvis Presley, um dos últimos que ele rodou em Hollywood naquela velha fórmula de que o Coronel Tom Parker tanto gostava. Uma trilha sonora, um filme, um roteiro básico, garotas, garotas, garotas... em suma, mais uma comédia musical romântica. Esse aqui pelo menos era um pouquinho diferente, com cenas externas (saindo dos estúdios de cinema), um roteiro que procurava ser um pouco mais moderno e algumas canções que não foram reunidas pela RCA Victor na época para a composição de uma trilha sonora (o filme não teve direito a qualquer cuidado ou capricho melhor por parte da gravadora). Uma pena porque havia coisa boa no meio dessas sessões.

Hoje em dia certamente a faixa que mais chama a atenção é o sucesso tardio "A Little Less Conversation". Quando foi lançada originalmente mal conseguiu chamar muito a atenção. Décadas depois estourou como remix de sucesso. Hoje em dia é uma das canções mais famosas da carreira de Elvis Presley. Assim o produtor Ernst Jorgensen usou e abusou da faixa, a repetindo sempre que o CD ameaça cair no marasmo. Das outras canções há pouco destaque, embora não se possa considerar o material como um todo como ruim ou péssimo. Há uma certa qualidade em faixas como "Wonderful World", "Edge Of Reality" e "Almost In Love", a tão falada única música composta por um brasileiro gravada por Elvis em sua carreira. Eu recomendaria esse CD para o fã de Elvis por um simples motivo, a trilha sonora desse filme foi tão mal lançada na discografia oficial que é bem melhor colecionar um CD como esse, que já vem todo organizado, com muitas informações, fotos e detalhes. Temos aqui um caso bem típico de um lançamento atual que supera e muito o que foi feito na época em que as canções foram lançadas originalmente.

Elvis Presley - FTD Live A Little, Love A Litte sessions
Wonderful World
Edge Of Reality
A Little Less Conversation (Take 16)
Almost In Love
Wonderful World (Take 1)
A Little Less Conversation (Takes 1, 2)
Edge Of Reality (Takes 1, 2)
Almost In Love (Takes 1, 4, 5, 6)
Wonderful World (Takes 2, 3)
Edge Of Reality (Take 3)
A Little Less Conversation (Takes 4, 5, 6, 7, 8, 9)
A Little Less Conversation (Take 10)
Almost In Love (instrumental rehearsal)
Wonderful World (Take 7) (film master)
Edge Of Reality (Take 5, 6)
Almost In Love (Take 2, 4)
Wonderful World (Takes 14, 15)
A Little Less Conversation (Takes 11, 12, 16)
Edge Of Reality (Take 8)
Almost In Love (Take 4)
Wonderful World (Takes 16, 17)

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de julho de 2016

Lisa Marie Presley volta para Nicolas Cage

(Los Angeles) - Após anunciar seu quarto divórcio, Lisa Marie Presley voltou para Nicolas Cage, seu terceiro marido. Pelo menos é o que afirmam as pessoas mais próximas ao casal. São cada vez mais fortes os boatos que Lisa Marie Presley já estaria de volta aos braços de seu marido anterior, o ator Nicolas Cage, morando juntos em uma casa nos arredores de Los Angeles. Segundo fontes próximas ao casal eles estariam tentando retomar o romance de uma vez por todas. Um quinto casamento de Lisa já chegou até mesmo a ser cogitado por eles.

Cage e Lisa Marie já teriam se reencontrado várias vezes nos últimos meses e agora que o anúncio de seu quarto divórcio se tornou público o rumor de que estariam juntos novamente ganha mais veracidade. O jornal The National Enquirer afirma que Lisa e Cage já estariam juntos há um bom tempo, mesmo antes do divórcio do quarto marido de Lisa. Esse aliás anda sumido desde que Lisa Marie anunciou publicamente sua vontade de se divorciar dele. Alguns amigos de Lisa dizem que o seu ex-marido tem se escondido para não ser encontrado pelos oficiais de justiça que estão levando a ele os papéis de citação do processo de divórcio.

Em relação a Cage uma amiga de Lisa declarou: "Lisa Marie e Nicolas Cage se lamentam até hoje pelo que aconteceu com eles... Eles querem tentar tudo de novo. Ambos estão separados e estão com muito interesse em voltar". Lisa Marie Presley e Nicolas Cage estariam prontos para assumir o namoro e aparecer publicamente de mãos dadas e com um novo anel de compromisso na estreia do próximo filme de Nicolas Cage que terá premiere em breve na cidade de Los Angeles. É esperar para conferir.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Elvis Presley - Walk A Mile In My Shoes

Certa vez Elvis declarou: "Antes de criticar os outros, meu caro, se coloque no lugar deles!". A essência da letra dessa música é justamente essa. Coloque-se no lugar do outro, lute suas batalhas, vejas as dificuldades que cada um enfrenta na sua própria pele. Criticar é fácil, viver os problemas alheios, não! Elvis foi tão criticado ao longo dos anos 60 que ele sabia muito bem o que essa mensagem significava. "Caminhe uma milha em meus sapatos", ou seja, fique no meu lugar, veja como é difícil andar nessa jornada, como a vida definitivamente não é nada fácil para ninguém. Em um trecho a letra é clara sobre isso ao dizer: "Viva um pouco no meu lugar, antes de abusar, criticar e acusar, viva um pouco no meu lugar". Aliás se formos analisar bem a letra foi a chave, o fator determinante, que fez Elvis gravar essa canção. Elvis estava farto, cansado, exausto de ser tão criticado depois de tantos anos.

Em termos puramente musicais "Walk A Mile In My Shoes" não havia se destacado antes de Elvis gravar a sua própria versão. A canção foi lançada de forma bem obscura como Lado B de um single do cantor e compositor Joe South. O compacto, um tanto precário, quase uma produção independente, foi lançado como sendo do grupo "Joe South and the Believers". Na realidade não era bem uma banda, um novo conjunto vocal country, mas sim um arranjo envolvendo Joe South, seu irmão Tommy e sua cunhada. Eles se reuniram em Atlanta, juntaram uns trocados, fizeram uma gravação praticamente amadora em um estúdio da cidade e mandaram prensar 500 cópias. Tinham a esperança de vender pelo menos umas 300 cópias para lucrar algum dinheiro, e isso era tudo. Acontece que a música acabou chegando até Elvis (não me perguntem como!) e assim o astro a cantou ao vivo em Las Vegas. Quando o álbum "On Stage" chegou nas lojas Joe South pulou de alegria obviamente. Depois de Elvis colocar sua voz em sua criação finalmente Joe conseguiu lançar um single profissional que, pasmem, acabou fazendo um bom sucesso na parada country do cinturão bíblico do sul dos Estados Unidos. Sua sorte havia finalmente mudado!

Walk A Mile In My Shoes (Joe South) Álbum: On Stage - February 1970 / Data de Gravação:  19 de fevereiro de 1970 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.