quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Elvis Presley Double Trouble 1967


Elvis Presley Double Trouble 1967
Foto promocional do filme da MGM Double Trouble. Sua trilha sonora foi originalmente lançada em 1967 e em razão das baixas vendas ficou décadas fora de catálogo. Nos anos 1990 a RCA BMG relançou várias trilhas de Elvis dos anos 60 através da série "Double Features". Entre elas foi relançada a trilha de "Double Trouble" junto com as músicas do filme "Spinout" (Minhas três noivas, 1967). As duas trilhas são equivalentes e demonstram a queda na qualidade musical do material apresentado por Elvis nessa época particularmente díficil em sua carreira. Algumas canções se salvam da mediocridade, mas o conjunto em geral deixa em muito a desejar. Esse quadro desolador só iria mudar em 1968 com a realização do NBC TV Special de Elvis Presley pelo canal americano NBC. Mas até que isso ocorresse, Elvis iria amargar um período de vacas magras, baixas vendagens e críticas severas dos principais meios de comunicação. Felizmente os dias dessas trilhas sonoras ínsipidas estavam com os dias contados e Elvis deixaria Hollywood de uma vez por todas no final daquela mesma década.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Double Trouble - Parte 4

It Won´t Be Long (Ben Weisman - Sid Wayne) - Quando você pensa que a trilha sonora de "Double Trouble" já não terá mais nenhuma surpresa digna de nota surge em seus ouvidos os primeiros acordes dessa excelente canção! O que é isso?! - e a primeira fase que surge em sua mente. De repente você se pega prestando atenção no disco novamente! Realmente meus amigos, as trilhas sonoras de Elvis dos anos 60 deixavam bastante a desejar, porém como nos microfones estava um gênio da música era mesmo de se supor que pequenas gotas de seu talento iriam despontar aqui e acolá! Sempre gostei dessa faixa, que acredito deveria ter ido até mesmo para os palcos em Las Vegas nos anos 70. Ótima gravação, sem fazer favor algum. Nem parece uma composição de Ben Weisman, considerado por alguns como o mais burocrático de todos os compositores da carreira de Elvis Presley. Dessa vez ele teve um surto de criatividade, quem diria...

Never Ending (Buddy Kaye / Phil Springer) - Nunca achei uma maravilha, mas no meio de um material tão mediano e fraco não é de surpreender que ganhe algum destaque. A partir da música anterior o álbum "Double Trouble" realmente melhora de qualidade e, pasmem, isso ocorre simplesmente porque acabam as músicas do filme e entram uma série de músicas bônus colocadas lá na RCA para o vinil não ficar muito curto e sem material mais relevante. São as famosas Bonus Songs, faixas que eram encaixadas nas trilhas sonoras, mas que não faziam parte do filme. Essa "Never Ending" não era nenhuma novidade pois já tinha sido aproveitada em um single com "Such a Night" em 1964. Depois disso foi arquivada e colocada aqui, não sei se por engano ou desconhecimento por parte dos produtores da RCA. De uma maneira ou outra acabou sendo uma boa adição. No Brasil ficou anos e anos inédita porque a partir de 1964 os discos e singles de Elvis foram rareando em nosso país, por causa das baixas vendas no exterior. Quando um disco vendia mal nos Estados e Europa ele não chegava a ser lançado no Brasil. Infelizmente foi o que aconteceu com a trilha sonora de "Double Trouble".

Blue River (Paul Evans / Fred Tapias) - O que escrevi para "Never Ending" vale também para essa canção. Está no álbum como tapa-buracos, sem qualquer ligação com o filme ou sua trilha sonora. Também havia sido arquivada e depois lançada sem qualquer promoção em um single promocional. A falta de divulgação também havia se tornado um problema. A RCA Victor, gravadora de Elvis, não se preocupava mais em trabalhar bem no marketing de lançamento dos singles e álbuns. Assim muitas faixas inéditas de Elvis foram completamente ignoradas pelo público, mostrando como andava mal administrada e gerida sua carreira na época.

What Now, What Next, Where To (Don Robertson / Hal Blair) - O álbum se encerra com essa bonus song final. Uma boa composição escrita por Don Robertson, um dos meus compositores preferidos. Pianista de mão cheia Don conseguiu escrever ternas e belas baladas para Elvis Presley nessa fase de sua carreira. Como uma andorinha só não faz verão não houve como salvar o álbum inteiro do fracasso comercial. O disco, lançado em meados de 1967 foi muito mal nas paradas, vendendo pouco e sendo praticamente todo ignorado. Um sinal de que tudo estava errado e deveria haver mudanças na carreira de Elvis Presley.

Elvis Presley - Double Trouble (1967) - Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harmon (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Pete Drake (Steel Guitar) / Charlie McCoy (Harmonica) / Boots Randolph (sax) / Richard Noel (Trombone) / The Jordanaires (Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker) / City By Night: Michael Deasy (guitarra) / Jerry Scheff (baixo) / Toxey French (bateria) / Michael Anderson (Sax) / Butch Parker (sax) / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California exceto "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas no RCA Studio B, Nashville / Data de gravação: 28 e 29 de junho de 1966, exceto "City By Night" gravada em 14 de julho de 1966 e "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas em maio de 1963 / Produzido e arranjado por Felton Jarvis e Jeff Alexander / Data de lançamento: junho de 1967 / Melhor posição nas charts: #47 (USA) e #34 (UK).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

FTD The On Stage Season

Eu sou um fã absoluto dessa temporada. Na época foi dito que Elvis estava arriscando demais já que essa seria uma época morta em Las Vegas. Havia poucos turistas nos cassinos e hotéis. Os resultados da primeira temporada do cantor na cidade (em 1969) porém tinham sido tão bons que Elvis e o Coronel resolveram arriscar mesmo e foram para Vegas bem no começo do ano de 1970. Deu certo! Elvis inclusive mudou até mesmo os hábitos de fluxos de turistas na cidade, mostrando que ainda tinha um nome forte o suficiente para reerguer sua carreira (que andava em baixa por causa dos filmes de Hollywood) ao mesmo tempo em que conseguia formar uma nova legião de fãs (processo que diga-se de passagem continua em evolução até mesmo nos dias de hoje). Na discografia oficial americana essa temporada deu origem ao ótimo álbum "On Stage - February 1970". Com poucas músicas - mas bem selecionadas - o disco servia para mostrar o clima e o repertório do astro na cidade do pecado em sua segunda rodada de shows.

Nesse novo FTD temos duas apresentações de Presley dessa mesma temporada. De forma inteligente resolveram colocar em apenas um título os dois shows mais significativos, justamente o da abertura (realizado no dia 26 de janeiro) e o do encerramento (no dia 23 de fevereiro). Como se sabe os concertos tinham que ser rápidos, pois Elvis geralmente realizava duas apresentações por noite, por isso o fã pode vir a estranhar a pouca duração dos shows. A pouca duração porém era compensada pela vontade de Elvis em se apresentar bem, inovando, procurando por outras canções, mudando o repertório (nesses dias ele ainda era bastante criativo e muito esforçado em Vegas). O show de abertura não tem uma qualidade sonora impecável. Talvez pela falta de talento do responsável pelas gravações algo saiu errado, com sobrecarga de grave nos microfones, mas isso não chega a ser um problema. O segundo concerto é bem melhor sob esse aspecto técnico. Não importa. Afinal de contas o que vale mesmo é a importância e o resgate históricos.

FTD The On Stage Season (2014) - CD-1: Las Vegas, Jan. 26 1970 / 1.All Shook Up 2.That's All Right 3.Proud Mary 4.Don't Cry Daddy 5.Teddy Bear / Don't Be Cruel 6.Long Tall Sally 7.Let It Be Me 8.I Can't Stop Loving You 9.Walk A Mile In My Shoes 10.In The Ghetto 11.True Love Travels On A Gravel Road 12.Sweet Caroline 13.Polk Salad Annie 14.Introductions 15.Kentucky Rain 16.Suspicious Minds17.Can't Help Falling In Love / CD-2: Las Vegas, Feb. 23 1970 / 1.All Shook Up 2.I Got A Woman 3.Long Tall Sally 4.Don't Cry Daddy 5.Hound Dog 6.Love Me Tender 7.Kentucky Rain 8.Let It Be Me 9.I Can't Stop Loving You 10.See See Rider 11.Sweet Caroline 12.Polk Salad Annie 13.Introductions 14.Lawdy Miss Clawdy 15.Heartbreak Hotel 16.One Night 17.It's Now Or Never 18.Suspicious Minds 19.Can't Help Falling In Love. 

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de janeiro de 2015

FTD Elvis For Everyone

FTD Elvis For Everyone - Eu já tive a oportunidade de escrever bastante sobre o álbum "Elvis For Everyone". Esse foi um disco criado dentro dos escritórios da RCA Victor em Nova Iorque. Os executivos da gravadora entenderam (com razão) que as trilhas sonoras em série estavam abalando a credibilidade como artista de Elvis. Era hora de lançar material convencional. Para isso enviaram memorandos às suas filiais para que os arquivos da multinacional fossem vasculhados em busca de gravações perdidas do cantor. De fato muitas músicas boas estavam pegando poeira há anos nos almoxarifados pois tinham sido arquivadas pela companhia. Outras eram sobras de trilhas sonoras que a RCA não quis lançar por um motivo ou outro. Juntou-se tudo isso e criou-se essa colcha de retalhos sonora. Não há uma identidade própria porque em última análise o que os fãs receberam ao comprar o LP era simplesmente uma fusão de sessões bem diversas de Elvis ao longo dos últimos anos. Assim foi com certa surpresa que recebi a informação que o selo FTD iria colocar no mercado uma edição especial dessa coletânea (sim, coletânea) de momentos avulsos e perdidos de Elvis Presley.

No meio da salada geral ainda enfiaram diversas outras canções que não tinha sido lançadas no disco original, mas que de uma forma ou outra tinham seguido o caminho que muitas dessas gravações tiveram: o arquivamento! Se enquadram nessa categoria coisas como "Plantation Rock" que havia sido gravada para uma trilha sonora e depois descartada e "Mama" de Girls, Girls, Girls, outra que a RCA não deu a menor bola na época de lançamento do filme (não que as outras faixas dessa trilha fossem melhores do que ela). "Yellow Rose Of Texas / The Eyes Of Texas", bom e divertido medley de "Viva Las Vegas", o grande sucesso cinematográfico de Elvis que teve o lançamento de sua trilha sonora negligenciada pela RCA e um punhado de outros registros do "Lost Album", o álbum convencional de Presley que nunca foi lançado durante sua vida. É isso, um monte de canções que para a RCA não valiam a pena, gravações que foram descartadas, praticamente deixadas de lado por anos e anos. No quadro geral esse CD duplo tem um repertório muito bagunçado, mas pensando-se bem o próprio "Elvis For Everyone" era uma bagunça, então fica tudo na mesma.

FTD Elvis For Everyone (2014)
Disc 1: THE ORIGINAL ALBUM: 1.Your Cheatin' Heart 2.Summer Kisses, Winter Tears 3.Finders Keepers, Losers Weepers 4.In My Way 5.Tomorrow Night 6.Memphis, Tennessee 7.For The Millionth And The Last Time 8.Forget Me Never 9.Sound Advice 10.Santa Lucia 11.I Met Her Today12.When It Rains, It Really Pours THE OPTIONAL MASTERS: 13.Flaming Star 14.Wild In The Country (U.K.stereo LP version) 15.Lonely Man 16.Mama 17.Plantation Rock 18.Night Life 19.Do The Vega 20.Yellow Rose Of Texas / The Eyes Of Texas 21.What Now, What Next, Where To 22.Western Union 23.Blue River 24.Tell Me Why Disc 2: THE OUTTAKES: 1.For The Millionth And The Last Time (take 2) 2.Lonely Man (take 9) 3.I Slipped, I Stumbled, I Fell (take 10) 4.No More (take 9) 5.Slicin' Sand (take 10) 6.I'm Not The Marrying Kind (splice of takes 5&6) 7.For The Millionth And The Last Time (take 6) 8.I Met Her Today (take 7) 9.King Of The Whole Wide World (take 6) 10.Home Is Where The Heart Is (take 12) 11.RidingThe Rainbow (take 6) 12.This Is Living (take 8) 13.Something Blue (takes 5&6) 14.Gonna Get Back Home Somehow (take 6) 15.I Feel That I've KnownYou Forever (take 2) 16.Fountain Of Love (take 6) 17.Happy Ending (take 9) 18.I'm Falling In Love Tonight (take 5) 19.How Would You Like To Be (take 1) 20.Bossa Nova Baby (takes 4&5) 21.I Think I'm Gonna Like It Here (remake take 15) 22.Vino, Dinero Y Amor (take 1) 23.The Bullfighter Was A Lady (remake take 10).

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Elvis Presley - Memphis To Nashville '61

Elvis Presley - Memphis To Nashville '61 - E as novidades continuam. Esse é um lançamento duplo contendo CD e livro (com 528 páginas) explorando os dois concertos beneficentes que Elvis realizou no Auditório Ellis em fevereiro de 1961. Como se sabe Elvis realizou raros shows ao vivo depois que voltou do exército. O Coronel Parker entendia que shows esvaziariam as bilheterias de seus filmes, assim Elvis foi afastado dos concertos por um longo período em sua carreira. O objetivo dessa obra é fazer um levantamento amplo dessas duas apresentações e todo o contexto histórico em que estão inseridas. Assim o livro traz relatos de pessoas que foram nos concertos, a repercussão na imprensa, artigos de revistas e jornais, além de fotos raras - algumas descobertas apenas recentemente.

No geral o livro traz mais de 100 fotografias inéditas, sendo a grande maioria delas em preto e branco. Como a proposta é trazer ao fã tudo o que estava acontecendo com Presley na época o livro ainda traz uma seção dedicada especialmente apenas às gravações que Elvis realizou em Nashville em março daquele mesmo ano. Como brinde informações adicionais sobre a homenagem que Presley recebeu direto das mãos do governador do Tennessee, Buford Ellington. O livro por si só já é uma peça rara para colecionadores, mas para tornar o pacote ainda mais completo ele ainda vem com um CD com as faixas (em versão mono) do álbum "Something For Everybody". Achou pouco? Então que tal ouvir Elvis em sua entrevista coletiva realizada no Hotel Claridge em Memphis em 25 de Fevereiro de 1961? Então é isso, muito material raro embalado por encartes bonitos e cheios de informações. Realmente não há o que reclamar.

Elvis Presley - Memphis To Nashville '61 (2014) - 1.There's Always Me 2.Give Me The Right 3.It's A Sin 4.Sentimental Me 5.Starting Today 6.Gently 7.I'm Comin' Home 8.In Your Arms 9.Put The Blame On Me 10.Judy 11.I Want You With Me 12.I Slipped, I Stumbled, I Fell  Bonus: 13.Press Conference (March 25, 1961) 14.Elvis Is Made An Honorary Colonel (March 8 1961).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

FTD The Something For Everybody Sessions

Sou suspeito para escrever sobre esse CD pois sempre adorei esse álbum. Aliás essa fase como um todo é muito boa, com Elvis Presley caprichando em interpretações suaves e ternas de lindas canções românticas. "Something For Everybody" em edição especial já havia sido lançado antes, mas isso não tira o interesse nesse título. Os fãs do velho e bom vinil também não terão do que reclamar uma vez que no mercado americano, europeu e japonês também já foi anunciado o lançamento do disco no formato LP - para matar as saudades dos colecionadores saudosistas. A se lamentar apenas o fato que no Brasil não há nada programado nesse sentido. A nota que diferencia esse CD / LP duplo do anterior é que aqui não teremos as versões oficiais do disco de 1961, mas apenas os takes alternativos. Não deixa de ser uma experiência muito gratificante acompanhar Elvis em estúdio tentando chegar no take ideal, pena que muitas das versões já são velhas conhecidas dos colecionadores. Mesmo assim, pela bonita direção de arte, vale a pena ter mais esse item em sua coleção. Data de lançamento: Novembro de 2014.

FTD The Something For Everybody Sessions (2014) - 1.There's Always Me (take 2) 2.Give Me The Right (takes 3, 2) 3.It's A Sin (takes 1, 2) 4.Sentimental Me (take 1) 5.Starting Today (take 1) 6.Anything That's Part Of You (take 2) 7.Gently (takes 1, 2) Side B 1.I'm Coming Home (take 2) 2.In Your Arms (take 1) 3.Judy (take 4) 4.I Want You With Me (take 1) 5.I Slipped, I Stumbled, I Fell (low key) 6.Little Sister (takes 7, 8, 9) 7.His Latest Flame (takes 3, 4) 8.I Slipped, I Stumbled, I Fell (take 11) Side C 1.I Feel So Bad (take 1) 2.I'm Coming Home (takes 1, 3) 3.Gently (take 3) 4.There's Always Me (take 4) 5.Judy (takes 2, 3) 6.Good Luck Charm (take 1) 7.Put The Blame On Me (master) Side D 1.Little Sister (take 6) 2.His Latest Flame (takes 10, 11, 12) 3.Anything That's Part Of You (takes 4, 5) 4.There's Always Me (takes 5, 6, 7, 8, 9) 5.Judy (takes 5, 6, 7) 6.I'm Coming Home (takes 5, 4).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Double Trouble - Parte 3

City By Night (Giant / Baum / Kaye) - A pior tragédia para um artista que começa a ser ignorado por público e crítica é que em determinado momento de sua carreira, mesmo que ele venha a produzir algo de bom novamente, ninguém mais prestará atenção. Esse é o caso dessa gravação. No meio de uma trilha sonora realmente fraca temos essa boa faixa que acabou passando em branco até pelos fãs. "City By Night" tem um ritmo que nos remete a um jazz mais tradicional. Possui bons arranjos e uma melodia inspirada. Infelizmente como fazia parte do pacote "Double Trouble" ninguém parou para prestar atenção. Curiosamente a canção foi composta pelo trio Giant, Baum e Kaye que já tinham escrito grandes bobagens em filmes anteriores de Elvis, o que acabou afastando ainda mais qualquer possibilidade da música vir a ter algum destaque.

Old MacDonald (Randy Starr) - É como ter Elvis Presley cantando "Atirei o Pau no Gato!" em um disco. Não dá. Esse tipo de gravação acabou destruindo a imagem de cantor sério de Elvis. Tudo bem que as crianças podem até vir a se divertir, isso apesar de Elvis a cantar pessimamente mal (em determinado momento ele quase cai na gargalhada), Nada porém justifica uma bobagem desse tamanho em um dos seus discos. Apenas a saturação completa de seu repertório justificaria tal gravação. A cena no filme também é igualmente ruim e constrangedora, com Elvis soltando a voz na parte de trás de um caminhão cheio de animais. Uma lástima sem conserto.

I Love Only One Girl (S. Tepper / R.C. Bennett) - Segue a sina da canção anterior, ou seja, é bobinha, maçante e chatinha demais para ser levada à sério. Perceba que por essa época havia gente como Bob Dylan (isso mesmo, Bob Dylan!) implorando para que Elvis gravasse suas músicas e o que os responsáveis pela carreira de Elvis faziam? Não apenas recusavam sua oferta como o colocavam para cantar musiquinhas bobas como essa! Eu sinceramente até hoje não sei como a carreira musical de Elvis não acabou de vez depois dele ter gravado tanto material sem qualidade por anos e anos. Elvis era tão talentoso e carismático que conseguiu sobreviver até mesmo ao Coronel Parker, à RCA e à MGM, que pareciam estar juntos, firmes no objetivo de acabarem com seu prestígio artístico.

There´s Too Much World To See (Randy Starr) - Mais uma composição de Randy Starr. Na verdade ele era dentista! Isso mesmo que você leu. Nas horas vagas esse dentista de Nova Iorque resolveu que iria compor algumas músicas. Ao se associar a uma editora musical jamais pensaria que iria ter Elvis Presley, o maior ídolo musical de sua época, gravando suas "obras primas"! E qual era o segredo para Starr ter tido mais de vinte composições gravadas por Elvis? Simples, eram todas canções bem baratas, muito abaixo do que era cobrado pelos compositores mais caros e talentosos. Assim você entende porque Elvis chegou ao fundo do poço em sua carreira musical. Para Tom Parker o importante era economizar e lucrar ainda mais, mesmo com material sem qualidade.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Double Trouble - Parte 2

Double Trouble (D. Pomus / M. Shuman) - Uma decepção! Claro que a partir de 1965 as trilhas sonoras de Elvis vinham descendo ladeira abaixo em termos de qualidade e por essa razão estavam sendo ignoradas pelo público e destruídas pela crítica, mas todos os fãs esperavam pelo menos por uma boa canção título do filme, ainda mais depois que foi divulgado que seria escrita pela excelente dupla de compositores Doc Pomus e Mort Shuman. Infelizmente o que se nota é que eles não se empenharam muito em dessa vez escrever algo melhor. Alguns especialistas creditam isso ao fato do Coronel Parker ter estipulado um teto máximo para o valor das canções que eram vendidas a Elvis. Como não era algo expressivo os compositores, inclusive os bons, já não se esforçavam muito para escrever algo melhor. Uma atitude do tipo "Para o preço que você está pagando essa música já está de bom tamanho". Uma pena porque realmente não é uma grande canção e para piorar sua gravação deixa bastante a desejar.

Baby If You Give All Or Your Love (Joy Byers) - Joy Byers foi responsável por salvar algumas das piores trilhas sonoras da carreira de Elvis. Até não podiam ser consideradas grandes músicas, mas eram divertidas e contavam com Elvis, quase sempre, empolgado em disponibilizar uma grande performance. Curiosamente todas as músicas que recebiam essa assinatura foram na verdade compostas por Bob Johnston, que era o marido de Byers na época. Ele usou o nome da esposa para escapar de um contrato com cláusula de exclusividade que tinha com outra editora musical. Nos anos 1980, após o fim do casamento, Joy e Bob acabaram tendo problemas judiciais sobre direitos autorais dessas canções gravadas por Elvis Presley por essa razão. Em entrevista ela declarou: "Foi uma honra ter meu nome nos discos de Elvis! Imagine, eu era uma típica dona de casa dos anos 60. Isso me enche de orgulho até hoje!".

Could I Fall In Love (Randy Starr) - Nas trilhas sonoras de Elvis dos anos 60 não podiam faltar baladas românticas. Era uma necessidade imposta pelos próprios roteiros de Hollywood, afinal sempre haveria cenas em que Elvis cortejaria a mocinha. O próprio Elvis brincava sobre isso ao dizer que em seus filmes sempre tinham dois tipos de cenas básicas que se repetiam todas as vezes, quando ele cantava para alguma garota ou quando socava algum desafeto. Nessa cena em particular Elvis coloca um single para tocar para a atriz Annete Day (uma estrelinha sem expressão). No final ele acaba dublando a si mesmo (no papel de Guy Lambert).

Long Legged Girl (J.L. Mc Farland / W. Scotty) - Essa foi a canção de trabalho do filme, ou seja, a música que a RCA Victor trabalhou para divulgar em rádios na época. Também foi lançado em um single que no final das contas não fez qualquer barulho nas paradas. As razões do fracasso comercial são facilmente perceptíveis. Curta demais, com letra adolescente e mal gravada, não era para fazer sucesso mesmo. Muitos criticaram a má equalização da canção, com uma guitarra fora de tom, estridente e irritante. Era mais um sinal de que as gravações de Elvis continuavam a não ter o tratamento sonoro adequado por parte de sua gravadora. Um sinal de que as trilhas sonoras já tinham dado tudo o que podiam dar e que mais cedo ou mais tarde deveriam ser deixadas de lado definitivamente.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Elvis Presley - Lançamentos em CD

The Return To Vegas - Vamos disponibilizar agora alguns CDs com breves resenhas para informar ao fã de Elvis o que há de novo no mercado fonográfico. Começamos por esse. Se trata de mais um CD trazendo um concerto de Elvis em Las Vegas durante seu histórico retorno aos palcos em 1969. A gravação foi realizada em agosto do mesmo ano. Como sempre nada de muito novo, já que muitas dessas apresentações já foram fartamente exploradas por selos piratas. De positivo mesmo temos que dizer que nenhum concerto dessa temporada é ruim! Elvis estava com muita vontade de fazer bonito nos palcos, ele estava com sede de público e de se apresentar bem, após passar vários anos apenas fazendo filmes em Hollywood. Por isso é aquele tipo de lançamento que você pode comprar sem maiores receios. Vá ouvindo enquanto não saem os concertos de abertura e encerramento dessa temporada com boa qualidade sonora. / Elvis Presley - The Return To Vegas (2014) - Blue Suede Shoes - I Got A Woman - All Shook Up - Love Me Tender - Jailhouse Rock / Don't Be Cruel - Heartbreak Hotel - Hound Dog - Memories - Mystery Train/Tiger man - Life Story (dialogue) - Baby What You Want Me To Do - Are You Lonesome Tonight - Yesterday/Hey Jude - Band introductions - In The Ghetto - Suspicious Minds - What'd I Say - Can't Help Falling In Love.

Flaming Star - Essa trilha sonora tem poucas músicas, até porque o filme se trata de um faroeste ao velho estilo onde não havia muito espaço para Elvis cantar. A fita em si é muito boa, um dos bons momentos de Elvis em Hollywood nos anos 1960, já a trilha sonora deixa um pouco a desejar. Com letras e arranjos simples não há nenhum clássico no CD. "Flaming Star" até que é bem gravada, mas depois de algumas audições se torna cansativa. "Summer Kisses, Winter Tears" tem um arranjo diferente do que Elvis vinha produzindo na época. Divertida mesmo é "A Cane And A High Starched Collar". Como sempre acontece nesse tipo de edição especial temos vários takes alternativos, com excesso de versões de "Summer Kisses, Winter Tears". Se você não gosta dessa música é melhor ficar longe do título. / Elvis Presley - Flaming Star (2014) -  1. Flaming Star - 02. A Cane And A High Starched Collar - 03. Britches - 04. Summer Kisses, Winter Tears - 05. Flaming Star - 06. Black Star - 07. Black Star - 08. Flaming Star (1) - 09. Summer Kisses, Winter Tears (1, 2) - 10. Black Star (5) - 11. Black Star [end title] (1, 2, 4, 5) - 12. Summer Kisses, Winter Tears (3, 4, 7, 8, 9)  - 13. Summer Kisses, Winter Tears (10*, 12*, 14) - 14. A Cane And A High Starched Collar (1, 2, 3, 4, 5)  - 15. A Cane And A High Starched Collar (take 1, 5, 6) - 16. Summer Kisses, Winter Tears [movie] (2) - 17. Flaming Star (2)  - 18. Flaming Star (3, 4) - 19. Summer Kisses, Winter Tears (15, 16) - 20. Summer Kisses, Winter Tears (17) - 21. Summer Kisses, Winter Tears (19) - 22. Flaming Star (5) - 23. Flaming Star [end title] (1, 3, 4) - 24. Britches (1, 2, 3, 4, 5) - 25. Britches (take 7 + insert take 1) - 26. Summer Kisses, Winter Tears (26) - 27. A Cane And A High Starched Collar - 28. Summer Kisses, Winter Tears (overdubbed).

Pablo Aluísio.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Double Trouble

Logo no começo de junho de 1966 Elvis viajou para Nashville para passar o mês inteiro se dedicando a sessões de gravação. No dia 10 começou a maratona. Elvis entrou no RCA Studio B para uma sessão de gravação de músicas avulsas. A RCA queria material para lançamento em singles e bonus songs em trilhas sonoras. Elvis queria acima de tudo gravar material de qualidade, longe dos pacotes vindos de Hollywood. Acabou gravando apenas três faixas, todas ótimas. "Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every Day Was Like Christmas" demonstravam que o talento do cantor continuava intacto, sem máculas. O que faltava mesmo era repertório de valor. A intenção de Elvis inicialmente era ficar em Nashville para aproveitar o embalo e gravar sua nova trilha sonora nos estúdios da cidade, onde se sentia à vontade ao lado de sua banda habitual.

A MGM porém não pensava assim. Os executivos consideraram bem caro gravar nos estúdios da RCA em Nashville e procurando ter controle completo sobre os trabalhos enviaram um telegrama a Elvis para que ele fosse imediatamente para a costa oeste para gravar as músicas do novo filme em West Hollywood no bem equipado Radio Recorders. Aqui Elvis gravaria quatro das músicas da futura trilha, curiosamente algumas delas consideradas das melhores do filme. "City by Night", "Could I Fall in Love?" e "There Is So Much World to See" ficaram praticamente prontas. A MGM porém não estava satisfeita e transferiu Elvis e banda mais uma vez de estúdio. Visando cortar ainda mais os custos todos foram enviados para o M.G.M. Sound Stage 1 em Culver City. Não era um lugar apropriado, pois geralmente era usado para dublagens em animações e filmes da empresa. O som certamente ficaria ruim, abaixo do que era considerado aceitável pelos fãs de Elvis. 

Foram programadas três noites de gravação, mas todos sabiam que Elvis poderia finalizar a trilha sonora em apenas uma noite se estivesse particularmente produtivo. Logo na primeira sessão Presley confirmou as expectativas. Em pouco tempo ele já tinha chegado nas versões definitivas de "Double Trouble", "Baby, if You'll Give Me All of Your Love", "I Love Only One Girl", "Old MacDonald" e "Long Legged Girl". Em pouco menos de 50 minutos de sessão Elvis já tinha gravado praticamente a metade do disco, um feito que deixou o produtor Jeff Alexander surpreso! Na noite seguinte Elvis foi ainda mais rápido, terminando os trabalhos da trilha sonora em menos de 40 minutos. Muitos podem achar que isso era um retrato da falta de capricho das trilhas sonoras - de fato algumas canções não levaram mais do que quatro ou cinco takes para ficarem prontas, mas esse tipo de rapidez era uma característica de Elvis desde os seus primeiros anos na RCA Victor.

Na última noite programada Elvis não apareceu - e nem precisava já que tinha terminado sua parte nas gravações. Apenas alguns músicos foram ao estúdio para gravar linhas de seus instrumentos para serem usados nas gravações caso o produtor assim desejasse. Infelizmente o álbum era mais uma daquelas trilhas sonoras fracas de Hollywood. Geralmente Elvis recebia uma semana antes das gravações as fitas de demonstração das canções gravadas em Nova Iorque. Esse material era enviado para que Presley pudesse memorizar as músicas. Ele obviamente odiou a maioria do material, mas teve que se calar sobre isso pois tinha que cumprir os contratos que havia assinado. Durante as sessões Elvis não se mostrou empolgado, pelo contrário, ficou claro que ele estava ali por puro profissionalismo. Não havia qualquer sentimento de satisfação por gravar todas aquelas canções plastificadas.

Continua...

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Elvis News - Notícias da Semana

Elvis 80 Anos - Hoje o mundo celebra os 80 anos de Elvis Presley. Inúmeros jornais, revistas e TVs pelo mundo relembram a trajetória do eterno Rei do Rock. No Brasil o canal Globo News exibiu ontem um programa especial denominado Arquivo N com imagens de arquivo da emissora em relação à carreira do cantor. Com pouco mais de 30 minutos de duração não houve maiores surpresas aos fãs de longa data. De certa forma foi apenas um resumo bem simples do que significou Elvis para o mundo da música e da cultura pop em geral. Em determinados momentos houve vários erros históricos relacionados a datas e locais. Ao exibir cenas do documentário "Elvis - That´s The Way It Is" letreiros informaram ao espectador que as cenas tinham sido filmadas em Las Vegas no ano de 1977 (o correto seria 1970). Já nas imagens do especial "Elvis in Concert" novos erros (o lugar da apresentação foi informada como sendo Las Vegas!). De bom mesmo apenas alguns rápidos depoimentos de Roberto Carlos, Erasmo e Nelso Motta, tentando descrever em breves palavras o que realmente teria significado o surgimento de Elvis para o mundo. Para trazer algum conteúdo mais profundo os realizadores acertaram ao exibir depoimentos do autor Maurício Camargo Brito. Sua presença salvou o programa da obsolescência completa.  

Priscilla Presley se irrita com fãs de Elvis - Durante a semana a atriz e modelo Priscilla Presley se irritou com as constantes críticas feitas à venda dos dois aviões que pertenceram a Elvis. No meio da verdadeira avalanche de depoimentos raivosos de alguns fãs pela internet, Priscilla explicou que os aviões não pertenciam mais à família desde os anos 1970, quando foram vendidos por Vernon Presley logo após a morte do cantor. Depois disso ela e a EPE (empresa que controla o legado de Elvis) resolveram entrar em acordo com os proprietários para que as aeronaves ficassem em exposição no complexo turístico de Graceland. Esse contrato perdurou por longos anos e foi muito bem sucedido para ambas as partes até que no ano passado os donos dos aviões decidiram que queriam vender os dois jatos. Priscilla deixou claro que desde o começo a EPE tinha intenção de comprar as aeronaves, mas no preço certo. Com a indignação dos fãs os atuais proprietários enxergaram nisso uma oportunidade de aumentar ainda mais o preço de venda, por causa da pressão que havia se iniciado pelos admiradores de Elvis Presley. Para Priscilla isso teria atrapalhado e muito as negociações. Hoje a EPE ainda tem intenção de dar o lance final no leilão que venderá os aviões, porém não está mais disposta a pagar um preço exorbitante pelas aeronaves. Assim o futuro do destino das aeronaves Lisa Marie e Hound Dog II que pertenceram a Elvis é completamente incerta.

Data de Aniversário esconde fatos históricos interessantes - Embora todos estejam focados no aniversário de 80 anos do Rei Elvis, esse 8 de janeiro também marca diversos acontecimentos históricos interessantes sobre o cantor. Um deles aconteceu no dia 8 de janeiro de 1946 no décimo primeiro aniversário de Elvis. Foi justamente nesse dia que Elvis foi com a mãe até o comércio de Memphis procurar por um presente. O jovem Presley queria uma bicicleta nova pois ele adorava andar de bike pela cidade, porém como o preço estava um pouco salgado (e acima das possibilidades de compra de sua querida mãe) ele acabou trocando o presente escolhendo um violão para levar para casa! O fim dessa história todos já sabemos...

Decepção nos 80 anos de Elvis - Há um certo gostinho de decepção de alguns fãs em relação a lançamentos em CD nesses 80 anos de Elvis. De fato nenhum CD novo foi programado para chegar no mercado nesse dia, nada, absolutamente nada. Uma data tão importante não poderia passar em brancas nuvens. Ao contrário de muitos outros aniversário redondos de Elvis Presley nos anos anteriores, os fãs terão que se contentar com os últimos lançamentos de catálogo da gravadora - todos lançados no ano passado. No cardápio temos edições especiais do "Elvis Christmas Album" e da trilha sonora do filme "Flaming Star". Para quem gosta de álbuns ao vivo as novidades são "Elvis in Florida" (capa acima) trazendo o concerto realizado por Elvis na cidade de Lakeland em abril de 1975 e "The Return To Vegas" trazendo shows de Elvis em Las Vegas durante o ano de 1969.


Elvis aos 80 anos - O Canal ABC News encomendou a um grupo de especialistas em reconstrução e progressão de idade em rostos do setor de pessoas desaparecidas do Departamento de Perícia da cidade de Nova Iorque, para que fosse realizado uma projeção de como seria a aparência de Elvis Presley nos dias de hoje, aos 80 anos de idade, caso estivesse vivo. A técnica é muito utilizada para localizar crianças desaparecidas que precisam ter seus retratos atualizados com o passar dos anos. Segundo especialistas a fidelidade é acima de 95 por centro de veracidade. Vejam como ficou o resultado.


Elvis 80 anos - A família Presley esteve hoje em Graceland para celebrar os 80 anos de nascimento de Elvis Presley. Priscilla, Lisa Marie e netos, compareceram a uma breve cerimônia onde Lisa realizou um pequeno discurso lembrando seu pai. Um enorme bolo esteve presente. Todos cantaram parabéns para você e se abraçaram ao final. Uma bonita cerimônia em homenagem ao Rei do Rock Elvis Presley. Confira todas as fotos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Elvis News - Notícias da Semana

A morte de Joe Guercio - Infelizmente após uma série de boatos e desmentidos envolvendo a morte do maestro Joe Guercio, lamentamos informar que ele realmente morreu na manhã de ontem (dia 4). Após sofrer uma queda no banheiro de sua residência (um problema que atinge bastante pessoas idosas como ele e que pode trazer sérias consequências) o músico deu entrada em um hospital de sua cidade. Joe Guercio acompanhou Elvis Presley em um momento de grande auge em sua carreira, quando o Rei do Rock abandonou Hollywood para voltar à estrada em inúmeras turnês pelos Estados Unidos. Além das centenas de concertos que atuou ao lado de Elvis ainda apareceu ao lado dos membros de sua orquestra nos especiais de TV "Aloha From Hawaii" (1973) e "Elvis in Concert" (1977). Joe Guercio nasceu em Buffalo no estado de Nova Iorque em julho de 1928. Além de Elvis ainda acompanhou outros grandes astros da música americana como Barbra Streisand e Diana Ross. Muito querido dos fãs esteve no Brasil durante apresentações dos músicos de Elvis em nosso país. Atencioso e simpático, conquistou a todos por seu modo de ser e agir. Descanse em paz Joe!

Morre Donna Douglas - Outra morte anunciada essa semana. A atriz Donna Douglas, que contracenou ao lado de Elvis Presley no filme "Frankie and Johnny" morreu de um câncer no pancreas no último dia 3, aos 81 anos de idade, informou sua assessoria de imprensa. Sua carreira começou no início dos anos 1960 quando apareceu com sucesso em séries de TV, como "Mister Ed", "The Twilight Zone", "The Adventures of Ozzie and Harriet", "Adam 12", "Route 66" e "McMillan & Wife". Seu grande sucesso veio com "The Beverly Hillbillies" de 1962. No cinema se destacou em produções como "Volta Meu Amor" (1962) com Rock Hudson e "Entre a Loura e a Ruiva" (1966) onde teve a oportunidade de fazer um dueto musical com o próprio Elvis, embora ela própria não se considerasse uma cantora. Seu último trabalho foi o filme "Chronicles of Life Trials" de 2013.

Aviões de Elvis Presley à venda - Não houve solução. Os aviões "Lisa Marie" e "Hound Dog 2" estarão mesmo à venda nas próximas semanas. Houve uma tentativa de compra por parte da EPE, mas os proprietários das aeronaves não conseguiram chegar a um acordo. Como não têm mais interesse em continuar com a propriedade dos aviões eles serão colocados à venda em leião pela casa de leilões Julien's Auctions. Espera-se que sejam vendidos pelo valor de 40 milhões de dólares. Os lances podem ser dados até o dia 2 de fevereiro de 2015. O comprador não poderá cruzar os céus dos Estados Unidos com as aeronaves pois no estado em que estão não podem mais voar, porém com as reformas técnicas adequadas os jatos podem ser recuperados, embora com altos custos, informou a empresa que os colocou em leilão. Depois de serem vendidos o destino dos aviões é incerto, mas parece que não continuarão mais no mesmo local em que se encontram uma vez que a EPE tem planos de construir um hotel no mesmo lugar onde estão expostos à visitação pública em Graceland.

Londres recebe exposição de Elvis Presley - A cidade de Londres recebeu no último dia 12 de dezembro a maior exposição já realizada fora dos Estados Unidos. Intitulada "Elvis no O2: a exposição de sua vida" a mostra trouxe aos ingleses centenas de itens como Ternos, carros, jóias, instrumentos musicais e até fotografias pessoais. No total são mais de 300 itens inéditos que o público inglês teve oportunidade de conhecer. Angie Marchese, diretora de Arquivos de Graceland e curadora da exposição, explicou a importância da exposição: "Esta é a maior exposição sobre Elvis já feita na Europa. Gente dos Estados Unidos, do Reino Unido e do resto da Europa viaja para Memphis para ver de perto o que foi. É incrível poder trazer a Elvis à Europa. Elvis representa o verdadeiro sonho americano, e ele era realmente isso. As pessoas sabem o quão famoso é Elvis, mas pouco se sabe sobre o rei do rock'n'roll como pessoa: um menino com amigos, família, filha..., aqui podemos vê-lo". A intenção dos organizadores é levar a exposição para outras cidades da Europa nos próximos meses.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Long Legged Girl / That's Someone You Never Forget

Bom, a alegria dos fãs de Elvis infelizmente não iria durar muito em 1967. É certo que nesse ano ele gravou um grande disco, "How Great Thou Art" que lhe trouxe pela primeira vez em anos muitas críticas positivas. O problema é que lá atrás Elvis havia assinado contratos de longa duração com as principais companhias cinematográficas de Hollywood e precisava cumpri-los. Como já estava muito claro nem sempre a qualidade pontuava os filmes e as trilhas sonoras desses projetos e assim o fã tinha que se contentar em ver Elvis envolvido em uma sucessão de abacaxis. Em abril de 1967 pintou nas lojas seu novo single, "Long Legged Girl / That's Someone You Never Forget". A primeira canção do lado A era de fato inédita, já o lado B trazia uma reprise antiga do álbum "Pot Luck With Elvis". Isso por si só já tirava a metade da vontade de comprar o single para o colecionador de longa data. Sobrava assim apenas a curiosidade de ouvir mais uma faixa inédita de Elvis que vinha para promover um novo filme de título esquisito "Double Trouble" (algo como "Problemas em dobro"). Ao colocar o disquinho para tocar o ouvinte logo chegava na conclusão que o título era mais do que adequado pois Elvis tinha mesmo muitos problemas em sua carreira musical, em dobro! A música era extremamente fraca, um "roquinho", vamos colocar dessa forma. Não, não se tratava de um rock digno de alguém que era chamado de Rei do Rock e passava muito longe de seus antigos clássicos imortais no gênero.

Era mais uma daquelas musiquinhas com letra adolescente que não diziam absolutamente nada. Elvis demonstrou toda a sua má vontade na gravação. Ele estava visivelmente mal, desinteressado, chegando ao ponto de conter o riso em razão da mediocridade dos arranjos, da letra e da melodia. Elvis era, gosto de sempre relembrar isso, um cantor com muita cultura musical, adquirida desde seus tempos de infância, lá em Memphis. Ouvindo apenas as rádios mais importantes, ele sabia muito bem o que tinha valor como música e o que era lixo cultural. Não era um idiota. Sob qualquer ponto de vista "Long Legged Girl" era mesmo lixo. O problema de trilhas sonoras era que o pacote chegava até Elvis fechado, completo. Ele sequer tinha direito de opinar sobre a qualidade das faixas. Por questões contratuais seu trabalho se resumia em ir até o estúdio e cantar as músicas, por piores que fossem! Um horror! E como se tudo isso não fosse ruim o bastante o fato é que a gravação em si da música deixou muito a desejar. A faixa foi gravada na correria em junho de 1966 no Radio Recorders em Hollywood. Foi a última canção gravada da trilha naquela noite, já na alta madrugada, quando nem os músicos e nem o produtor Jeff Alexander estavam mais dispostos em realizar um trabalho melhor. Todo mundo estava cansado e de saco cheio. Elvis levou apenas seis takes para chegar ao seu take definitivo, enfim, correria, falta de qualidade e desinteresse formavam em conjunto os ingredientes certeiros para compor mais um decepcionante novo single para Elvis em uma das piores fases de sua carreira.

Long Legged Girl (J. Leslie Mcfarland / Winfield Scott) - All right / I've been thumbin' rides travellin' light / Walked the streets till past midnight / Trampin' roads, trails and lanes / Scaling cliffs fields and plains / Searchin' till the early dawn / For that long legged girl with the short dress on / Riding trucks, bikes and skis / Sailing lakes and brooks and seas / Driving wagons, cars and jeeps / Walking stilts in ten foot leaps / Searchin' till the early dawn / For that long legged girl with the short dress on / And everywhere I go she's been and gone / She's fine, it's just too bad she's the travellin' kind / So fine, I just can't rest till I make her mine / I've been from Maine to Tennessee, Mexico from Wahkiki / Rain or shine, sleet or snow / Searchin' high, searchin' low / Everything depends upon / That long legged girl with the short dress on / She's fine, it's just too bad she's the travellin' kind / So fine, I just can't rest till I make her mine / I've been from Maine to Tennessee, Mexico from Wahkiki / Rain or shine, sleet or snow / Searchin' high, searchin' low / Everything depends upon / That long legged girl with the short dress on / The long legged girl with the short dress on.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

How Great Thou Art - Parte 5

Crying In The Chapel (Artie Glenn) - Essa canção foi incluída no álbum por sugestão de Tom Parker. Na verdade era uma gravação antiga de Elvis Presley gravada sete anos antes e que seguia inédita em LPs do cantor. Só havia sido lançada em single em 1965 com "I Believe in the Man in the Sky" no Lado B. Como havia sido muito bem sucedida Parker entendeu que seria uma adição importante ao disco pois seria uma faixa conhecida que poderia puxar as vendas do álbum como um todo. O compositor Artie Glenn escreveu a música em 1953 com a intenção de ser gravada por seu próprio irmão, o cantor Darrell Glenn. Curiosamente as editoras musicais não acreditaram muito na canção. Os editores da Hill and Range Songs e da Acuff-Rose Music recusaram a música, afirmando que não tinha chances de virar um sucesso nas rádios. Mal sabiam o erro que estavam cometendo. A música logo se tornou uma campeã de vendas, sendo depois sucessivamente gravada por grandes nomes como Rex Allen, Ella Fitzgerald, June Valli e The Wailers. Assim quando Elvis a gravou ela já era considerada um standard da história da música norte-americana. Sob a voz de Presley "Crying In The Chapel" chegou no disco de platina vendendo mais de um milhão de cópias, um dos grandes êxitos comerciais de sua discografia.

How Great Thou Art - Elvis Presley (1967): Elvis Presley (vocal, piano e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Bob Moore (baixo) / Henry Strzelecky (baixo) / Charlie McCoy (baixo e gaita) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harman (bateria e timba) / Floyd Cramer (piano) / Henry Slaugter (piano) / David Briggs (orgão) / Pete Drake (steel guitar) / Boots Randolph (sax) / Rufus Long (sax) / Ray Stevens (piston) / The Jordanaires (vocais) / Millie Kirkham, June Page, Dolores Edgin & Sandy Posey (vocais) / The Imperials (vocais) / Produzido por Felton Jarvis / Arranjado por Felton Jarvis & Elvis Presley / Local de gravação: RCA Studios B, Nashville / Data de gravação: 25 a 28 de maio de 1966 / Lançado em fevereiro de 1967 / Melhor posição nas charts: #18 (EUA) e #11 (UK).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

How Great Thou Art - Parte 4

By and By (Charles B. Tindley) - Canção antiguíssima! Para certos autores a música teria sido composta no século XIX durante a Guerra Civil Americana. As partituras originais porém se perderam no tempo. O que chegou até nós foi essa versão escrita pelo pastor metodista Charles Albert Tindley. Aqui chamo a atenção para um fato importante: Tindley era um ministro negro cujo pai tinha sido escravo, ou seja, ele fazia parte da primeira geração a ganhar o direito de ser livre nos Estados Unidos. Obviamente que por sua experiência pessoal havia muito clamor e emoção em suas palavras. Talvez por essa razão a canção tenha essa puxada para cima, um sentimento efervescente de quem deseja recomeçar de novo, ir adiante e vencer. Impossível ficar parado ouvindo esse hino gospel. Elvis provavelmente a conheceu através da gravação de Bill Monroe, um cantor e compositor que ele aprendeu a adorar desde muito cedo em sua vida.

If The Lord Wasn´t Walking By My Side (Henry Slaughter) - O autor Slaughter nasceu em uma fazenda de tabaco perto de Roxboro, Carolina do Norte. Ele provavelmente teria trilhado o mesmo destino de miséria e privações de muitos que nasceram nessas regiões rurais atrasadas do sul dos Estados Unidos se não fosse salvo pela música. Depois de servir o exército americano ele decidiu que iria dedicar sua vida compondo canções religiosas. Além de ser bom escritor de letras era também excelente cantando, por isso fez parte de vários quartetos gospel ao longo da vida, entre eles os mais famosos foram o Selo-Ozark Quartet, seguido do The Weatherford Quartet (1958-1961), finalmente integrando o The Imperials (1964-1966), que era um dos preferidos de Elvis Presley.

Run On (Tradicional) - Outra cujas origens se perderam no tempo. Era um dos hinos religiosos mais populares em igrejas negras no começo do século XX. Dito isso é importante salientar que "How Great Thou Art" é isso mesmo que você está pensando, praticamente um disco gospel negro, para surpresa de muitos. Como isso aconteceu? Ora, Elvis provavelmente não frequentava as igrejas de comunidades negras em Tupelo e nem no Tennessee pois a sociedade ainda era fortemente segregada naquela época. Elvis certamente tomou conhecimento desse tipo de som ouvindo rádio, mais especificadamente estações direcionadas ao povo negro de Memphis. Como ele era apenas um garoto não havia em sua mente esse estado de coisas, essa separação entre brancos e negros. Para ele o que importava era que se tratava de uma música ótima, que mexia com ele. Como bem resumiria Sam Phillips muitos anos depois: "Para Elvis não havia música negra ou música branca, havia simplesmente música!".

Where No One Stands Alone (Mosie Lister) - Você sabe quem foi Mosie Lister? Thomas Mosie Lister nasceu na pequenina cidade sulista de Cochran, Georgia em 1921. Desde cedo se mostrou um garoto muito religioso e por isso sonhava um dia se tornar pastor protestante. Já adulto entrou no ministério se tornando ministro Batista na década de 1940. Embora fosse branco ele logo compreendeu que a ginga e o barulho do gospel negro poderia se tornar uma ótima ferramenta de evangelização. Como tinha excelente voz começou a cantar nos cultos e depois de dois anos sentiu-se suficientemente seguro para apresentar suas próprias composições no altar. Escreveu grandes sucessos, entre eles “Till the Storm Passes By”, “Then I Met the Master” e “How Long Has It Been?”. Ao longo de sua vida fez parte também de vários grupos vocais entre eles Melody Masters Quartet, porém acabou se consagrando mesmo alguns anos depois no maravilhoso Statesmen Quartet, outro grupo que Elvis amava e que não perdia nenhum lançamento. Presley levou sua paixão para seus próprios discos pois além de "Where No One Stands Alone" ainda gravou "He Knows Just What I Need" e "His Hand in Mine", do mesmo autor. Maior prova de sua admiração não poderia existir.

Pablo Aluísio e Erick Steve.