sábado, 25 de março de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 4

Depois do divórcio de sua esposa Priscilla Presley Elvis se relacionou com Linda Thompson. Esse foi o relacionamento mais duradouro do cantor após o fim de seu casamento. O começo do romance foi muito bom, Elvis e Linda pareciam se dar muito bem, tanto que ele, pela primeira vez em anos, ficou bastante tempo sem procurar outra mulher. Elvis sentia-se plenamente satisfeito ao lado dela. Linda também se mostrou muito adaptável ao estilo de vida de Elvis. Pela primeira vez o astro sentia que tinha alguém ao lado com quem poderia desabafar, contar seus mais bem guardados segredos.

Embora o namoro tivesse tido um começo promissor, logo nos primeiros meses de 1973 alguns problemas começaram a surgir no horizonte. Elvis começou a ser infiel, como sempre. O pior é que ele era publicamente infiel, não se importando em ser fotografado ao lado de outras mulheres em Las Vegas e nas viagens que fazia para realizar concertos em outras cidades pelos Estados Unidos. Agindo assim Elvis não demonstrava muito respeito por Linda, que muitas vezes ficava chocada com o modo de agir do namorado. Em certos aspectos Elvis levava uma vida moral completamente ridícula, onde fidelidade não fazia parte do cardápio.

O pior é que sempre após ostentar ao lado de mulheres bonitas em público, Elvis voltava para Linda como se nada tivesse acontecido. Ele havia aparecido em jornais e colunas de fofocas curtindo seu novo romance e depois retornava aos braços de Linda, sem dar a menor satisfação. Linda também se sentia intimidada em confrontar Elvis em Graceland. O cantor era temperamental, dado a explosões de raiva quando confrontado, assim Linda começou a agir também como se nada tivesse acontecido.

O deslumbramento de Linda com Elvis também foi passando com o tempo. Ao invés de apenas enxergar o mito da música e do cinema ela começou a ver o outro lado de Elvis. Um homem que passava por momentos depressivos, que tinha problemas com drogas e que parecia nunca superar completamente o fim de seu casamento com Priscilla. Elvis pedia para que Linda lhe aplicasse injeções em seu banheiro de Graceland, dizendo que eram vitaminas, o que não era verdade. Com o tempo as aplicações foram deixando marcas na pele de Elvis, algo que seguramente não soava atrativo para uma mulher. Ele também ficava falando com frequência de seus anos ao lado da ex-esposa, outro tipo de coisa que deixava Linda constrangida e consternada. Viver ao lado de Elvis tinha um preço e Linda estava começando a entender isso.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 1

Todo artista precisa se adaptar ao público. Elvis sabia muito bem disso e por isso nos anos 70 procurou uma nova linha de repertório para seguir. Ele iria passar toda a década fazendo shows e concertos por todos os Estados Unidos, mas em especial para seu público fiel dos estados sulistas. Bom, não é complicado entender que nesses rincões a música que prevalecia nas rádios, nas festas e no dia a dia era o bom e velho country. Então Elvis tratou de providenciar um novo lote de gravações nesse gênero musical. Um artista se adaptando ao gosto de seu público, nada mais do que isso.

"Elvis Country", o álbum, foi uma surpresa em vários aspectos. Para um cantor que vinha seguindo o estilo de Hollywood era realmente uma volta às raízes, ao country and western de seus primeiros dias, ainda na Sun Records. Claro, Elvis foi um dos grandes pioneiros do rock, mas desde o começo e mesmo em suas álbuns mais, digamos, roqueiros, sempre havia uma ou outra faixa com sabor country. Não é que Elvis estivesse pulando de paraquedas dentro do universo country de Nashville. Na verdade ele nunca deixou de fazer parte desse nicho musical. Reverenciado como um dos pais do rock americano, o fato é que Elvis dedicou bem mais espaço em sua discografia para as baladas românticas e as canções ao estilo country.

Quando o álbum foi anunciado pela RCA Victor houve quem dissesse que o disco não iria vender bem. Ele não era direcionado nem para os fãs do distante Elvis roqueiro dos anos 50 e nem tampouco para os que vinham acompanhando seu estilo Made in Hollywood dos anos 60. A capa, por si só, também chamava a atenção, trazendo um Elvis garotinho em uma das suas primeiras fotos, ao mais puro estilo sulista de Tupelo, a pequenina cidadezinha onde nasceu. Elvis também fez questão que ao lado da foto mais bem trabalhada, por uma bonita direção de arte, estivesse a fotografia original, com ele ao lado de seus pais, Vernon e Gladys. Ter a oportunidade de colocar sua querida mãe na capa de um de seus discos o encheu de orgulho e saudades.

Intitulado "Elvis Country (I'm 10,000 Years Old)", o disco foi um sucesso de vendas, mostrando que a opção de se abraçar o country de vez era muito bem-vinda por parte de seu público. A seleção musical era das melhores. Elvis selecionou o material que iria gravar e fez uma mescla de antigas canções - algumas de sua época de infância - com sucessos recentes. Ele queria homenagear seus primeiros anos, quando ouvia country nas estações de rádio de Memphis, com o melhor que Nashville vinha produzindo no momento. O disco, lançado no começo de 1971, acabou antecipando muito do caminho que Elvis iria trilhar naqueles anos.

Pablo Aluísio.

sábado, 18 de março de 2017

Elvis Presley - Almost In Love (1970)

Esse disco "Almost In Love" foi lançado pelo selo azul da RCA denominado RCA Camden. Os álbuns desse selo eram lançados com preços promocionais, geralmente custando a metade do preço de um disco (LP) da RCA Victor. Como era um lançamento especial, não havia a necessidade e nem a preocupação por parte dos executivos em lançar canções inéditas entre suas faixas. Muitas vezes esses discos da Camden, embora fossem oficiais, traziam apenas uma salada de faixas de filmes, material que não havia sido muito bem aproveitado ou então gravações que há muito estavam arquivadas, sem aproveitamento pela gravadora. Curiosamente a música que deu nome ao disco era uma composição de um autor brasileiro, uma bossa nova, gênero musical que estava se tornando muito popular nos Estados Unidos, principalmente entre a elite universitária daquele país. A Bossa Nova brasileira era vista quase como uma variação do jazz, indo na mesma linha de sofisticação e bom gosto musical. Na verdade essa canção nunca foi muito badalada dentro da discografia de Elvis. Depois de fazer parte da trilha sonora esfacelada do filme "Live a Little, Love a Little" de 1969 a música ficou meio esquecida. Lançada no disco "Almost In Love" da RCA Camden ganhou alguma projeção, mas definitivamente nunca virou um hit dentro da carreira do cantor.

1. Almost In Love (Luiz Bonfá) - A Bossa Nova invadiu os Estados Unidos durante os anos 60 quando Frank Sinatra convidou Tom Jobim para gravar um álbum ao seu lado. Era uma coisa realmente inédita pois Sinatra, egocêntrico como era, jamais havia dado tanto espaço a um outro artista em sua discografia antes. Pois bem, depois desse disco a sociedade americana descobriu aquele ritmo muito interessante e sofisticado proveniente de um país tropical mais conhecido por seu carnaval e florestas do que por qualquer outra coisa. Com um feeling de jazz a Bossa Nova encontrou grande receptividade entre o público e a crítica do grande irmão do norte. Diante dessa boa recepção era de se esperar que muitos músicos e compositores brasileiros fossem para os Estados Unidos em busca de trabalho e oportunidade. Um deles foi Luiz Bonfá, compositor e violonista carioca. Ele vendeu várias canções para as editoras americanas e eventualmente uma delas foi parar na RCA Victor, onde Elvis Presley gravava. Até aquele momento Elvis jamais tinha gravado qualquer canção do gênero (por favor esqueça "Bossa Nova Baby" de "Fun in Acapulco" que não tinha nada a ver com a verdadeira Bossa Nova). Assim Elvis acabou gravando a única canção escrita por um brasileiro em toda a sua longa carreira. Eu sempre considerei essa gravação muito elegante, sofisticada, de boa cadência rítmica. É interessante notar como Elvis conseguiu realizar uma boa performance ainda mais se levarmos em conta que ele não tinha nenhuma familiaridade com a cultura brasileira e seus ritmos musicais. Obviamente se nota um certo cuidado por parte de Elvis para não pisar na bola. Como estava em terreno desconhecido ele vai encontrando seu tempo aos poucos, de forma lenta e gradual. O resultado é certamente bem melhor do que o esperado. Grande momento de Elvis Presley em raro momento de aproximação com a cultura musical do Brasil. Por anos essa música ficou fora de catálogo, sem acesso aos fãs. Com o advento do CD ela retornaria em algumas edições no formato do próprio álbum de mesmo nome. Novidade mesmo só surge com o lançamento da edição especial do selo FTD (Follow That Dream) trazendo takes inéditos da trilha sonora do filme "Live a Little, Love a Little". Durante muitos anos se especulou que não havia mais nenhum take da sessão original, mas esse CD colocou abaixo essa visão. Assim o CD trazia praticamente todos os takes da sessão. Nesse CD intitulado "Live A Little, Love A Litte sessions" você encontrará os takes de número 1, 4, 5 e 6. Também terá a oportunidade de ouvir um ensaio puramente instrumental e finalmente uma versão restaurada. Sem dúvida um excelente resgate histórico dessa faixa.

2. Long Legged Girl (McFarland - Scott) - "Almost In Love" é uma coletânea de músicas avulsas. Um exemplo desse tipo de seleção sem muito critério vem da inclusão nesse disco dessa canção "Long Legged Girl (With the Short Dress On)" da trilha sonora do filme "Double Trouble" de 1967. Qual era a razão da canção estar presente nesse álbum em especial? Provavelmente nenhuma. Era apenas uma forma de preencher o tempo de um disco como esse. A canção que nunca fora nada de muito interessante ou especial chegava assim em seu terceiro lançamento dentro da discografia de Elvis pois antes já tinha feito parte da trilha sonora do filme (que não vendeu muito bem) e do single (que também decepcionou nas paradas de sucesso!). É curioso porque sempre achei a sonoridade dessa trilha diferente. O estéreo é esquisito, os instrumentos estão mais separados do que o habitual e o próprio Elvis não primou por uma boa performance em suas gravações. Provavelmente ele sabia que esse tipo de material não valeria muito a pena. Era pura perda de tempo e dinheiro. De qualquer maneira o álbum "Almost In Love" estava nas lojas e o fã, querendo ou não, levou a música pela terceira vez para casa. Tudo fruto do velho pensamento mercenário de Tom Parker que dizia: "O Segredo do lucro é vender a mesma coisa duas, três vezes!". Esse disco seguramente provou o ponto de vista do veterano empresário.

3. Edge Of Reality (Giant - Baum - Kaye) - Dando continuidade na análise sobre o álbum "Almost in Love" aqui vão mais algumas considerações sobre as canções que fizeram parte desse LP do selo azul da RCA Camden. É a tal coisa, a intenção era fazer uma mistura de singles, canções de filmes e gravações que estavam pegando poeira nos arquivos da gravadora. Depois juntava-se tudo, colocava uma boa capa e lançava o disco no mercado, em preço promocional. Geralmente dava bem certo, trazendo mais alguns dólares paras as contas de Elvis e do Coronel Parker. E tudo isso sem a necessidade de se entrar em estúdio para gravar algo novo. Assim "Edge Of Reality" acabou sendo incluída nesse pacote. Falando a verdade sempre achei essa canção um tanto esquisita, com estranha harmonia. Ela foi Lado B do single campeão de vendas "If I Can Dream" em 1968, mas mesmo assim nunca conseguiu chamar muito a atenção. A música entrou no compacto não apenas como "tapa buraco", mas também para promover o filme "Live a Little, Love a Little" que estava chegando nos cinemas naquela mesma ocasião. Acabou sendo ignorada como praticamente todo o restante do material. Por essa época os fãs de Elvis já estavam fartos de seus filmes em Hollywood e toda gravação ligada às suas trilhas sonoras não parecia encontrar mais receptividade entre os admiradores do cantor. Havia ali uma clara má vontade sobre isso. E os fãs estavam mais do que certos, é bom frisar.

4. My Little Friend
(Shirl Milete) - Outra canção que fez parte do disco "Almost In Love" foi essa balada "My Little Friend". Como a intenção desse álbum era reunir músicas aleatórias da discografia de Elvis, principalmente se elas tivessem sido mal lançadas anteriormente, a inclusão dessa canção no repertório até que não foi uma má ideia. Inicialmente esse country foi lançado como Lado B do single "Kentucky Rain", em fevereiro de 1970, mas não conseguiu obter qualquer repercussão. Não era para menos. A música em si é realmente bem fraca. Felton Jarvis até tentou melhorá-la na sala de edição, mas ainda continuou sem brilho. De forma em geral é uma música country que não desperta muito atenção, a não ser para um público bem específico (entenda-se sulistas americanos).

5. A Little Less Conversation (Strange - Davis) - Não há dúvida de que essa é, hoje em dia, a música mais famosa do disco "Almost In Love" de Elvis Presley. Pois é, uma surpresa para muitos é saber que a primeira vez que "A Little Less Conversation" pintou em um álbum de Elvis foi justamente nesse "Almost in Love". Como explicar que uma das músicas mais populares de Elvis tenha sido lançada em um disco sem maior importância, uma coletânea promocional de um selo secundário da RCA? Bom, antes de qualquer coisa é importante saber que durante sua carreira a música "A Little Less Conversation" nunca foi um sucesso. Ela só se tornou extremamente popular com o Remix que foi lançado muitos anos após a morte de Elvis. Antes disso ela passou completamente despercebida, sem sucesso ou repercussão. Para o cantor e para seus fãs da época ela era apenas mais uma música de trilha sonora da fase final de Elvis em Hollywood. Nada mais do que isso. Diante disso já estava de bom tamanho e mais do que isso, ela estava encaixada mesmo no disco certo, apesar de tudo o que aconteceria depois. Nessa época ela era apenas uma canção secundária de um disco secundário da discografia de Elvis.

6. Rubberneckin´(Jones - Warren) - A canção "Rubberneckin" que também iria ganhar uma conhecida versão remix muitas décadas depois, igualmente acabou fazendo parte de "Almost in Love", o álbum. Essa canção também havia sido lado B de um single bem sucedido, "Don't Cry Daddy", e fazia parte da trilha sonora de um filme Made in Hollywood, o hoje mais reconhecido "Change of Habit". Esse foi o último trabalho de Elvis no cinema, isso naquele velho estilo com roteiro, estorinha, romance e tudo mais. Agora verdade seja dita, o roteiro dessa última produção passava longe de ser ruim, pelo contrário, ao invés de garotas em bikinis dançando na areia, esse mostrava uma trama melhor, com Elvis interpretando um médico numa periferia de uma grande cidade. Além disso contava com uma ótima atriz no elenco, a recentemente falecida Mary Tyler Moore. Tudo de muito bom gosto, bem acima da média em relação aos filmes anteriores de Elvis. Pena que essa mudança em sua carreira no cinema acabou chegando tarde demais.

7. Clean Up Your Own Backyard (Mac Davis / Billy Strange) - Outra que foi encaixada nesse disco "Almost in Love" foi a excelente "Clean Up Your Own Backyard" do filme "The Trouble With Girls" (que no Brasil recebeu o título de "Lindas Encrencas, as Garotas"). Já tive oportunidade de elogiar essa canção várias vezes aqui no site. Ela realmente tem um ótimo arranjo e a letra, nada idiota, elevou bastante a qualidade das trilhas sonoras dos filmes do cantor. Ganhou até uma cena no filme, onde Elvis surge com excelente visual, com o característico terno branco e camisa azul do figurino desse filme bem diferente. Relembrando: Elvis interpreta um gerente de um show de variedades do começo do século XX que sai de cidade em cidade com sua companhia itinerante. O roteiro foi escrito levemente inspirado na vida do Coronel Parker, o empresário do cantor, que viveu exatamente essa vida antes de conhecer Elvis e mudar sua carreira profissional para sempre. Escrita pelos ótimos Mac Davis e Billy Strange, esse blues country é certamente uma das melhores coisas da produção. Merece ser redescoberta.

8. U.S. Male (Jerry Reed) - A canção "U.S. Male" é um dos grandes destaques desse LP. Sempre considerei que essa gravação, uma das melhores feitas por Elvis no período final dos anos 60, nunca foi muito bem aproveitada em sua discografia. Essa faixa foi gravada no meio das sessões da trilha sonora do filme "Stay Away, Joe". Era uma continuação das belas sessões feitas por Elvis em setembro de 1967. Como não deu tempo de finalizá-la naquela ocasião, Elvis arranjou um tempinho no meio dessa trilha para terminar sua gravação. Tudo tem seu tempo e por essa razão a música ficou meses pegando poeira nos arquivos da RCA Victor. Em um tempo em que Elvis precisava melhorar tecnicamente no material que ele vinha apresentando no mercado, essa música deveria ter sido lançada bem antes. Aliás muitos afirmam que as sessões de 1967 teriam sido uma tentativa frustrada por parte da RCA Victor em lançar um disco de estúdio inédito, de qualidade, com várias canções ao estilo country. O projeto foi deixado de lado depois que a RCA resolveu pegar esse pacote de gravações para preencher os LPs das trilhas dos filmes, usando o material como "Bonus Songs". Um pecado! A música foi escrita por Jerry Reed, talentoso compositor e cantor. Um dos melhores com quem Elvis teve a oportunidade de trabalhar. Embora seja um dos mais interessantes momentos de Elvis em estúdio no fim dos anos 60, o fato é que U.S. Male continuou sem muito espaço dentro de sua discografia, sendo encaixada em "Almost in Love" sem muito critério. Em minha visão a música foi totalmente desperdiçada. Lamentável, mas enfim. O disco chegou ao mercado em outubro de 1970, sendo lançado pelo selo RCA Camden. Como foi lançado no mercado promocional, entre dois importantes álbuns de Elvis (On Stage e That´s The Way It Is), nunca chegou a ser um grande sucesso comercial, muito embora tenha sido lançado no Brasil, em uma época em que isso nem era tão fácil de acontecer.

9. Charro (Strange - Davis) - Já "Charro" entrou no disco por causa da proximidade de lançamento do filme nos cinemas. Naquele final de década os filmes do chamado western spaghetti estavam em alta. Até mesmo o Western Made in USA encontrava dificuldades de competir com os filmes italianos de faroeste que eram mais violentos, mais realistas e mais sangrentos. O western tradicional, cheio de mocinhos cheios de virtudes, estava em baixa perante o público. Eles queriam ver os filmes feitos na Cinecittà em Roma. Assim Elvis, procurando pelo sucesso perdido nas telas de cinema, embarcou na onda, na modinha. E assim foi feito "Charro", o spaghetti americano estrelado por Elvis Presley. Já pararam para pensar como tudo soava estranho? O Spaghetti era uma imitação do cinema americano e agora a própria indústria americana de cinema estava copiando aqueles que o tinham copiado! O original copiando a cópia! Faz sentido para você? Não muito, é verdade. De qualquer forma se o filme não é tão bom (na verdade ele é ruim mesmo), a trilha sonora teve seus encantos. O estúdio contratou um especialista em temas de faroestes italianos e o que ouvimos aqui é uma boa canção, bem arranjada. Elvis de barba, montando seu cavalo, até que não foi um desperdício total. A trilha sonora pelo menos foi boa, bem razoável. Para quem comprou o LP "Almost in Love" na época isso já era o bastante

10. Stay Away, Joe (Weisman - Wayne) - O mesmo não se podia dizer da música tema do filme "Stay Away, Joe", também incluída na seleção das canções desse disco. Esse aqui já era um filme bem nonsense, com um roteiro amalucado e sem muito sentido que tentava tirar pitadas de comédia com Elvis interpretando um mestiço nativo em meio a muitas confusões envolvendo garotas, brigas, motos e lama (não necessariamente nessa ordem!). Era um tipo de versão mais hardcore dos roteiros bobinhos que fizeram parte de vários filmes de Elvis nos anos 60. Se o filme e a trilha não ajudavam muito, uma curiosidade despertava a atenção dos fãs pois uma versão inédita da música foi incluída no disco, um take em que Elvis quase caía na risada, bem no meio da gravação. A raridade do take acabou levando muitos a comprarem o álbum, mostrando pela primeira vez aos executivos da RCA Victor que havia também um grande interesse por parte dos fãs em takes alternativos, algo que anos depois iria ser a principal razão para o lançamento da coleção FTD.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O escandaloso divórcio de Lisa Marie Presley - Parte 2

A briga judicial entre Lisa Marie Presley e seu ex-marido Michael Lockwood segue em frente. Entre derrotas e vitórias, eles continuam a troca de acusações pela imprensa. Lisa Marie Presley havia acusado o ex-marido de ter material criminoso envolvendo pedofilia em seus computadores pessoais. Todos os equipamentos foram então recolhidos pelo departamento de polícia. Na semana passada saiu o resultado da perícia. O xerife do condado resolveu não indiciar Lockwood em seu inquérito policial pois segundo ele nenhum material comprometedor foi encontrado nos HDs dos computadores.

O resultado foi uma vitória para Michael Lockwood. Ele disparou dando entrevistas, dizendo que Lisa Marie queria destruir sua imagem e sua reputação com falsas acusações, mentiras dizendo que ele era pedófilo. Lockwood também afirmou que Lisa não conseguiu se livrar de seu vício em cocaína, tendo largado o tratamento pelo meio do caminho. "Lisa mente e ainda está com problemas de dependência química! Ela é mentirosa e viciada!" - disparou Lockwood.

O ex-marido de Lisa também deixou claro que vai recorrer da decisão de primeira instância que lhe negou o pagamento de uma pensão mensal. Os advogados de Lisa afirmaram ao juiz do caso que ela estaria falida, sem condições financeiras de bancar essa pensão. Também disseram que a pensão não tinha razão de ser pois Lockwood era músico profissional e não tinha sua capacidade de trabalho comprometida, nem por sua saúde e nem por sua idade. O juiz acolheu as teses da defesa e o pedido de Lockwood foi negado! O ex-marido porém não se dá por derrotado. Ele também parece disposto a brigar pela guarda das duas filhas, pois as meninas gêmeas agora estão sob a guarda da avó, Priscilla Presley, após o órgão de proteção à infância de Los Angeles ter determinado a retirada delas da guarda de sua mãe, Lisa Marie. Pelo visto novos capítulos dessa briga virão em breve.

Pablo Aluísio.

sábado, 11 de março de 2017

Elvis Presley - Almost In Love - Parte 5

Então chegamos ao fim da análise do disco "Almost in Love". Todos os demais textos anteriores publicados podem ser consultados clicando abaixo, no rodapé dessa postagem, no link "Album - Almost in Love". Pois bem, vamos lá, seguindo em frente.

A canção "U.S. Male" é um dos grandes destaques desse LP. Sempre considerei que essa gravação, uma das melhores feitas por Elvis no período final dos anos 60, nunca foi muito bem aproveitada em sua discografia. Essa faixa foi gravada no meio das sessões da trilha sonora do filme "Stay Away, Joe". Era uma continuação das belas sessões feitas por Elvis em setembro de 1967. Como não deu tempo de finalizá-la naquela ocasião, Elvis arranjou um tempinho no meio dessa trilha para terminar sua gravação.

Tudo tem seu tempo e por essa razão a música ficou meses pegando poeira nos arquivos da RCA Victor. Em um tempo em que Elvis precisava melhorar tecnicamente no material que ele vinha apresentando no mercado, essa música deveria ter sido lançada bem antes. Aliás muitos afirmam que as sessões de 1967 teriam sido uma tentativa frustrada por parte da RCA Victor em lançar um disco de estúdio inédito, de qualidade, com várias canções ao estilo country. O projeto foi deixado de lado depois que a RCA resolveu pegar esse pacote de gravações para preencher os LPs das trilhas dos filmes, usando o material como "Bonus Songs". Um pecado!

A música foi escrita por Jerry Reed, talentoso compositor e cantor. Um dos melhores com quem Elvis teve a oportunidade de trabalhar. Embora seja um dos mais interessantes momentos de Elvis em estúdio no fim dos anos 60, o fato é que U.S. Male continuou sem muito espaço dentro de sua discografia, sendo encaixada em "Almost in Love" sem muito critério. Em minha visão a música foi totalmente desperdiçada. Lamentável, mas enfim. O disco chegou ao mercado em outubro de 1970, sendo lançado pelo selo RCA Camden. Como foi lançado no mercado promocional, entre dois importantes álbuns de Elvis (On Stage e That´s The Way It Is), nunca chegou a ser um grande sucesso comercial, muito embora tenha sido lançado no Brasil, em uma época em que isso nem era tão fácil de acontecer.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Elvis Presley - Divórcio e Depressão - Parte 3

O fim do casamento com Priscilla Presley representou também o fim de velhos sonhos para Elvis, um deles o de ter uma família unida e feliz. Mesmo que o casamento estivesse falido há anos, Elvis jamais pensaria em se divorciar de Priscilla por vontade própria. Ele tinha uma visão conservadora sobre esse tipo de relacionamento, além disso passou anos e anos moldando Priscilla para o que ele considerava ser a mulher ideal. Quando Priscilla arranjou um amante, Elvis entendeu que não havia como moldar ninguém na verdade. Não importava as boas intenções, o fim sempre dependeria única e exclusivamente da vontade do outro.

Para Elvis o pior do fim de seu casamento foi saber dos novos casos amorosos envolvendo sua esposa. Já era devastador saber que ela estava morando com Mike Stone, mas pior era ficar sabendo, por fofocas, que Priscilla continuava a também namorar outros homens, principalmente após o fim de seu romance com Stone. O golpe mortal em seu ego porém aconteceu depois quando Elvis tentou uma reconciliação com Priscilla e ela recusou. Ser recusado por Priscilla feriu ainda mais Elvis do ponto de vista emocional.

Essa crise só não teve um desfecho trágico porque curiosamente a carreira de Elvis começou a entrar em um ritmo alucinante de shows, filmes e discos. Parecia que sua carreira havia voltado a um pique de auge, como havia acontecido nos anos 50. Depois de anos em Hollywood o público queria ver novamente Elvis ao vivo e ele se entregou completamente aos anseios de seus fãs. Cumprindo uma agenda puxada, com muitas viagens e apresentações por todas as cidades da América, Elvis começou a ter sua mente ocupada pelos compromissos da profissão. Se ao contrário disso tivesse ficado trancado em casa, algo muito sério poderia ter acontecido.

Assim a pura verdade é que o trabalho salvou Elvis do pior. Embora ele já começasse a apresentar sinais de depressão por esse período, a necessidade de seguir em frente, fazendo concertos e shows, gravando músicas em estúdio. manteve Elvis em atividade, se ocupando sempre de seus afazeres profissionais. Tanto isso é uma verdade que a depressão de Elvis só começou a se manifestar com maior ênfase justamente nos intervalos de seus compromissos, quando ficava no ócio, sem ter o que fazer. Era uma confirmação da máxima que dizia "Mente vazia, instrumento do diabo". Percebendo isso o Coronel Parker começou a arranjar cada vez mais shows e shows, em uma agenda lotada, para que Elvis jamais ficasse de bobeira, pensando sobre os dramas de sua vida.

Pablo Aluísio.

sábado, 4 de março de 2017

Elvis Presley - Almost In Love - Parte 4

Dando continuidade na análise sobre o álbum "Almost in Love" aqui vão mais algumas considerações sobre as canções que fizeram parte desse LP do selo azul da RCA Camden. É a tal coisa, a intenção era fazer uma mistura de singles, canções de filmes e gravações que estavam pegando poeira nos arquivos da gravadora. Depois juntava-se tudo, colocava uma boa capa e lançava o disco no mercado, em preço promocional. Geralmente dava bem certo, trazendo mais alguns dólares paras as contas de Elvis e do Coronel Parker. E tudo isso sem a necessidade de se entrar em estúdio para gravar algo novo.

Assim "Edge Of Reality" acabou sendo incluída nesse pacote. Falando a verdade sempre achei essa canção um tanto esquisita, com estranha harmonia. Ela foi Lado B do single campeão de vendas "If I Can Dream" em 1968, mas mesmo assim nunca conseguiu chamar muito a atenção. A música entrou no compacto não apenas como "tapa buraco", mas também para promover o filme "Live a Little, Love a Little" que estava chegando nos cinemas naquela mesma ocasião. Acabou sendo ignorada como praticamente todo o restante do material. Por essa época os fãs de Elvis já estavam fartos de seus filmes em Hollywood e toda gravação ligada às suas trilhas sonoras não parecia encontrar mais receptividade entre os admiradores do cantor. Havia ali uma clara má vontade sobre isso. E os fãs estavam mais do que certos, é bom frisar.

"Rubberneckin" que iria ganhar uma conhecida versão remix muitas décadas depois, também acabou fazendo parte de "Almost in Love", o álbum. Essa canção também havia sido lado B de um single bem sucedido, "Don't Cry Daddy", e igualmente fazia parte da trilha sonora de um filme Made in Hollywood, o hoje mais reconhecido "Change of Habit". Esse foi o último trabalho de Elvis no cinema, isso naquele velho estilo com roteiro, estorinha, romance e tudo mais. Agora verdade seja dita, o roteiro dessa última produção passava longe de ser ruim, pelo contrário, ao invés de garotas em bikinis dançando na areia, esse mostrava uma trama melhor, com Elvis interpretando um médico numa periferia de uma grande cidade. Além disso contava com uma ótima atriz no elenco, a recentemente falecida Mary Tyler Moore. Tudo de muito bom gosto, bem acima da média em relação aos filmes anteriores de Elvis. Pena que essa mudança em sua carreira no cinema acabou chegando tarde demais.

O mesmo não se podia dizer da música tema do filme "Stay Away, Joe", também incluída na seleção das canções desse disco. Esse aqui já era um filme bem nonsense, com um roteiro amalucado e sem muito sentido que tentava tirar pitadas de comédia com Elvis interpretando um mestiço nativo em meio a muitas confusões envolvendo garotas, brigas, motos e lama (não necessariamente nessa ordem!). Era um tipo de versão mais hardcore dos roteiros bobinhos que fizeram parte de vários filmes de Elvis nos anos 60. Se o filme e a trilha não ajudavam muito, uma curiosidade despertava a atenção dos fãs pois uma versão inédita da música foi incluída no disco, um take em que Elvis quase caía na risada, bem no meio da gravação. A raridade do take acabou levando muitos a comprarem o álbum, mostrando pela primeira vez aos executivos da RCA Victor que havia também um grande interesse por parte dos fãs em takes alternativos, algo que anos depois iria ser a principal razão para o lançamento da coleção FTD.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Elvis Presley - That's the Way It Is

I Just Can't Help Believin' (Barry Mann / Cynthia Weil) - E assim chegamos no álbum "That's the Way It Is", um dos mais queridos dos fãs de Elvis em sua fase anos 70. O disco original era basicamente a trilha sonora do novo filme de Elvis pelo estúdio MGM. Ao contrário das inúmeras trilhas do passado essa aqui não era a de uma comédia romântica musical, mas sim a de um documentário musical que trazia para as telas de cinema parte das apresentações de Elvis em Las Vegas durante o ano de 1970 (em sua terceira temporada na cidade). A canção que abriu o LP foi essa bela balada "I Just Can't Help Believing", sucesso na voz do cantor B.J. Thomas na época. É interessante notarmos que Elvis começava a flertar com uma outra geração de interpretes americanos. Cantores como B.J. Thomas e Neil Diamond nunca foram roqueiros em suas carreiras. Eram vocalistas que apostavam tudo em repertórios bem românticos - para alguns tangenciando até mesmo para o sentimentalismo mais meloso. Elvis porém não parecia se importar muito com isso. Ele estava certo nesse ponto de vista. O importante era interpretar boas músicas e sempre que encontrava uma bela composição no repertório dos colegas cantores não demorava muito para fazer a sua versão. Pois bem, quando "That's the Way It Is" foi anunciado pela RCA Victor muitos pensaram na época que o álbum seria mais um no estilo "Ao Vivo" em Las Vegas. O produtor Felton Jarvis porém não queria saturar o mercado com três discos consecutivos de Elvis gravados ao vivo em Vegas. Assim o cantor foi até Nashville para participar de uma verdadeira maratona de gravações, gravando dezenas de novas canções em estúdio. A intenção era gravar bastante material para ser lançado aos poucos, nos meses e anos seguintes. A primeira leva de canções dessa maratona surgiu justamente nesse álbum. Curiosamente a RCA acabou utilizando quase nenhuma gravação ao vivo da temporada que aparecia no filme. Uma exceção acabou sendo exatamente essa versão "Live" de "I Just Can't Help Believing". A letra é um dos pontos altos da música, retratando o sentimento de ternura e paixão que existe nos pequenos detalhes de um relacionamento amoroso, como as mãos dadas, os sorrisos e os aromas da amada. Praticamente apenas três estrofes, mas tudo muito bem escrito. A melodia também é excelente, calma, ponderada, completamente adequada para a mensagem de sua letra. Enfim, uma grande performance de Elvis que esteve bem à altura desse verdadeiro clássico da discografia do cantor. Simplesmente essencial.

Twenty days and Twenty Nights (Weisman - Westlake) - Mais uma bela balada romântica gravada por Elvis. Curiosamente essa canção nunca teve um espaço maior dentro da discografia oficial de Elvis. Ao que me consta ela nunca foi devidamente trabalhada ao vivo por Elvis e banda e nem tampouco ganhou maior cuidado por parte da RCA Victor. Em 2010 um CD foi lançado com o mesmo título da canção, trazendo uma rara versão ao vivo cantada por Elvis em agosto de 1970. Era um bootleg do selo Audionics com excelente qualidade sonora. Mesmo assim continuou sendo uma música coadjuvante dentro da vasta obra musical do cantor. De qualquer forma, como foi dito, embora Elvis tenha cantado a canção em raras ocasiões em Las Vegas a RCA Victor no álbum original "That´s The Way It Is" resolveu usar a versão de estúdio, bem mais conhecida entre os fãs. Sua linha melódica mais triste (e diria até mesmo melancólica) realmente combinava melhor com o cuidado e o clima mais intimista de um estúdio de gravação do que um palco, onde ela muitas vezes a canção caia em um clima de tédio e falta de empolgação por parte do público, afinal de contas em concertos ao vivo nem sempre a música funcionava muito bem (e talvez por isso tenha sido deixada de lado por Elvis muito rapidamente). Uma das coisas mais interessantes sobre essa música, que fala sobre solidão e arrependimento, é o salto de qualidade do compositor Ben Weisman. Autor de algumas das mais bobas, maçantes e infantis canções da fase de Elvis em Hollywood, Ben se superou de forma surpreendente nessa composição, escrevendo finalmente um tema de relevância, adulto, falando de dramas reais, de pessoas reais, tudo com muita sobriedade e maturidade. Nada mais longe das bobagens que ele costumava escrever para Elvis em suas piores trilhas sonoras. Talvez a má qualidade desse material nem tenha sido sua culpa, talvez os próprios argumentos ridículos de alguns filmes de Elvis o tenha levado a escrever tantas bobagens, mas o que é importante destacar mesmo é que dessa vez ele finalmente apresentou um material digno e à altura de um astro como Elvis gravar. Em resumo: ótima canção, belíssimo arranjo e o mais importante de tudo, uma letra relevante com uma mensagem realmente importante a se passar adiante.

How The Web Was Woven (Westlake - Most) - "How The Web Was Woven" é outra canção desse maravilhoso disco que considero apenas mediana. A letra até tem um refrão e um verso que considero bem escritos, fazendo uma analogia entre o ato de se apaixonar e a prisão em uma teia de aranha da qual não se consegue mais se desvencilhar. Mesmo assim, tirando isso, considero uma canção marcada por uma melodia que não avança, não vai para lugar nenhum. O acompanhamento de cordas ajuda a passar o tempo, mas o saldo final é de tédio. O próprio Elvis também não parecia levar muita fé na canção, tanto que nunca a trabalhou muito ao vivo, nunca ajudou em sua promoção e tampouco mostrou ter algum apreço especial por ela. Costumo rotular esse tipo de estilo de country melancólico de Nashville. Por essa época Elvis estava muito mergulhado no universo country da capital mundial desse gênero musical. A RCA Victor também enviou um grande leque de opções de músicas como essa para Elvis gravar durante a chamada Maratona de Nashville. Assim não me soa como surpresa a presença de faixas como essa durante essas produtivas sessões de gravação. Curiosamente muitos dizem perceber um certo cansaço físico por parte de Elvis na música. Sua performance seria quase no controle remoto. Não concordo muito com essa visão. No meu ponto de vista a própria canção demanda esse tipo de performance mais intimista, quase depressiva. Nesse aspecto Elvis apenas foi fiel ao que seu compositor queria passar em sua letra. O que ouvimos é uma voz de melancolia, não de cansaço.

Patch It Up (Rabbit / Bourke) - Essa faixa só se justificava mesmo no palco. Em termos gerais é uma canção bem fraca, principalmente se formos levar em conta que Elvis gravou alguns dos maiores rocks da história. Claro, não estou dizendo com isso que a canção seja um rock genuíno, nada disso. Na verdade era um pop pegajoso ao estilo Las Vegas que soava desconfortável na discografia de Elvis. Esses autores praticamente nunca tinham sido gravados por Elvis antes. A sugestão partiu de Felton Jarvis que convenceu Elvis que a música tinha potencial, principalmente durante os concertos ao vivo. Elvis não se mostrou em um primeiro momento muito convencido, mas depois resolveu gravar a canção - mais do que isso decidiu que iria interpretá-la para as câmeras da MGM que estavam prestes a filmar suas performances em Las Vegas para um filme documentário que seria lançado em breve nos cinemas. Para o fã da época deve ter sido chato perceber que a RCA Victor chegou a acreditar que a gravação seria mesmo um sucesso, a ponto inclusive de lançar duas versões diferentes da música (algo que raramente acontecia na discografia oficial), uma gravada ao vivo e outra em estúdio. A primeiro fez parte da trilha sonora, do álbum "That´s The Way It Is". É a versão que todos conhecemos muito bem. A outra chegou no mercado em compacto, como lado B da canção "You Don't Have To Say You Love Me". Nenhuma das versões se tornou sucesso. Também pudera, não tinha qualidade para tanto. A letra, que se repetia em demasia, rodando e rodando sem ir para lugar nenhum, se resumia a usar a expressão "Patch It Up" (algo como "vamos consertar" no caso o relacionamento amoroso) para grudar na mente do ouvinte e de lá não sair nunca mais. Não deu certo. O curioso é que pelo menos a faixa serviu para proporcionar uma boa cena coreografada para o filme. O próprio Elvis porém não levava muita fé, tanto que a descartou para nunca mais usar. Um fato curioso é que em países de língua alemã (Alemanha e Áustria) o single saiu com as versões trocadas, com "Patch It Up" no lado A. A capa também foi modificada - para melhor, com uma ótima foto de Elvis no palco. Esse mesmo compacto foi lançado na Holanda e Suécia dois meses depois e também conseguiu ótimas vendas. Pelo visto os germânicos estavam mais afinados com o marketing certo de vendas. Coisas de mercado.

Mary In The Morning (Cymball / Lemball) - A versão original dessa canção se tornou conhecida em 1967 na voz do cantor e ator ítalo-americano Al Martino. Para quem gosta de cinema é interessante lembrar que foi Martino quem interpretou uma paródia de Frank Sinatra no filme "O Poderoso Chefão". Ele interpretava um cantor em decadência que pedia ajuda ao chefão Corleone (Marlon Brando) para levantar sua carreira, chantageando e ameaçando o dono de um poderoso estúdio de cinema em Hollywood para lhe dar o papel em um importante filme que iria ser realizado. Dizem que foi assim que Sinatra ganhou o personagem do sargento americano no clássico "A Um Passo da Eternidade" que acabou lhe valendo o Oscar, dando um novo pulso para sua carreira, que naquele momento andava em baixa. Mario Puzo aproveitou esse fato e o usou em seu livro. Verdade ou mito? As conexões de Sinatra com a máfia sempre foram alvos de boatos. A verdade porém nunca saberemos... Deixando um pouco isso de lado o fato é que Elvis sempre parecia ter uma grande ligação com a música italiana. Basta lembrar de "It´s Now Or Never" e "Surrender". É interessante notar também que em seu lançamento original "Mary in The Morning" não foi um grande sucesso, um hit absoluto. Lançada discretamente por Martino em single pouco chamou atenção, mas Elvis a conhecia muito bem pois tinha comprado o compacto. Havia um lirismo em sua letra que lhe chamava a atenção. Esse tipo de romantismo sempre tocava o cantor. Pena que após ter gravado a canção em estúdio Elvis não a tenha trabalhado mais, inclusive no palco. No filme "That´s The Way It Is" o cantor surge em um ensaio tentando cantar a música, porém mais interessado nas brincadeiras com a Máfia de Memphis não chegava a se concentrar no que estava ensaiando. A cena diverte, mas também decepciona para quem gostaria de vê-lo cantando essa bela canção romântica. Na temporada em Las Vegas não chegou a usar a canção. Afinal havia tantas outras do álbum que acabou esquecendo de Mary, da manhã e do arco-íris... Coisas da vida!

You Don't Have To Say You Love Me (Wickham - Napier - Bell - Donaggio - Pallavicini) - Em relação a essa canção "You Don't Have To Say You Love Me" eu sempre tive a mesma opinião, mesmo após tantos anos passados desde a primeira vez que a ouvi. A primeira convicção é que se trata de uma bela balada romântica, despudoradamente apaixonada com aquele sabor latino que todos conhecemos tão bem. Percebe-se desde os primeiros acordes que seu compositor não teve qualquer vergonha de se atirar nesse tipo de sentimento. Seus versos são bem claros sobre isso. A outra certeza que tenho é que a versão oficial que saiu no álbum "That´s The Way It Is" é mal gravada mesmo. Até lamento dizer isso, mas é a pura verdade. Inclusive escrevi exatamente essa opinião quando escrevi pela primeira vez sobre a faixa alguns anos atrás. Na ocasião eu coloquei minhas impressões no texto e afirmei: "A versão de Presley é mais uma representante da feliz fusão de Elvis com a música da Itália como It's Now or Never, No More e Surrender. O astro era fã do cantor Mario Lanza, o que talvez explique esta aproximação com este tipo de canção. De qualquer forma, apesar de toda essa importância histórica, não consigo deixar de ficar decepcionado com a má qualidade da gravação original de 1970. A master mais parece um ensaio descompromissado de tão mal gravada. Certamente Elvis não está em um bom momento, na realidade é fácil perceber que ele na realidade está se comportando como se estivesse em um ensaio, nada mais do que isso. Porém o produtor Felton Jarvis resolveu escolher esse Take como o master oficial o que deixou todos surpresos mesmo. Repare como até a vocalização de Elvis está ruim pois ele está com a boca excessivamente salivada, coisa que nenhum artista de seu nível deixaria passar em uma gravação oficial. Alguns autores até mesmo chegam a afirmar que ele estaria com um chiclete na boca na hora da gravação! Particularmente não acredito nisso, não vamos chegar a tanto. Apenas é uma versão abaixo da média. Se alguém errou aqui não foi Elvis, mas sim Felton Jarvis que a escolheu para compor o disco oficial. Foi uma péssima escolha." Historicamente a faixa tem uma trajetória interessante. Ela foi originalmente lançada com grande sucesso pelo cantor italiano Pino Donaggio com o título original de "Io Che Non Vivo Senza Te" em 1964 pelo selo Odeon. O cantor inglês Dusty Springfield em 1966 fez a primeira versão em língua inglesa, versão esta lançada pelo selo Philips. Certamente foi essa segunda versão a grande fonte de inspiração para Elvis fazer sua versão. Pena que não saiu tão boa.

You've Lost That Lovin' Feelin' (Mann / Well) - Essa criação do casal Barry Mann e Cynthia Weil é sem dúvida uma das músicas mais populares e bem sucedidas comercialmente da história. O curioso é que sua criação demonstrava de certa forma como funcionava a indústria fonográfica da época. O produtor Phil Spector conheceu por acaso a dupla vocal branca The Righteous Brothers durante um festival de música. Spector estava em busca de novos talentos para seu selo musical recém fundado chamado Philles Records. Até aquele momento Spector tinha gravado uma série de bons compactos (singles) de artistas negros em seu selo, porém nenhum deles tinha realmente estourado nas paradas. Assim o produtor foi atrás de artistas brancos e encontrou o que queria ao ver o Righteous Brothers. Assim ele os contratou, depois ligou para a dupla de compositores Mann e Well para que eles escrevessem um novo tema para seus novos contratados. Assim nasceu "You've Lost That Lovin' Feelin'", uma canção feita para fazer sucesso. Lançada inicialmente em outubro de 1965 o plano de Spector deu mais do que certo. A música se tornou um hit absoluto, chegando ao primeiro lugar entre os mais vendidos em todas as paradas musicais, tanto dos Estados Unidos como na Europa. Para muitos críticos o produtor havia chegado na perfeição da técnica que ele próprio havia criado, conhecida como "Wall of Sound". O interessante é que anos depois o próprio Phil Spector declarou que adoraria ouvir Elvis cantando a música que havia produzido. O problema é que em 1965 Elvis estava preso a contratos com companhias cinematográficas que muito certamente não autorizariam ele a gravar uma canção que não fosse das suas próprias editoras musicais. Assim, ao invés de gravar obras primas como "You've Lost That Lovin' Feelin'" Elvis passou aquele ano gravando trilhas sonoras bem fracas como "Harum Scarum" e "Girl Happy". A oportunidade porém pintou novamente em 1970 quando Elvis foi a Las Vegas para gravar um novo filme. O conteúdo era simples: mostrar Elvis ao vivo nos palcos da cidade. Para isso Elvis precisava de um repertório cheio de grandes canções e assim "You've Lost That Lovin' Feelin'" entrou na trilha do documentário "That´s The Way It Is". Uma ótima decisão. A versão de Elvis, mesmo gravada ao vivo, tem um sentimento e uma alma fora do comum. Elvis sabia que estava sendo imortalizado em película naquele momento e resolveu caprichar. O resultado ficou ótimo, excepcional. A canção retornaria à discografia de Elvis alguns anos depois no álbum "Elvis as Recorded at Madison Square Garden", mas devemos ser sinceros, a primeira versão é bem melhor. No Madison Elvis e banda aceleram muito o ritmo da música, a prejudicando um pouco.

I've Lost You (Howard / Blaikley) - Belo momento do disco "That´s The Way It Is". Essa famosa dupla britânica de compositores, Ken Howard e Alain Blaikley, foi uma das mais populares durante os anos 60 e 70, tendo escrito temas para grandes astros da época como The Honeycomb e Peter Frampton. Quando escreveram "I've Lost You" eles jamais pensariam que Elvis gravaria uma versão dessa canção muitos anos depois. Aliás a música chegou nas mãos de Elvis meio por acaso, quando um engenheiro de som a tocou de forma acidental durante as gravações em Nashville. Elvis se interessou e pediu que ele a tocasse novamente. O que aconteceu depois não é nenhuma novidade. A música virou título do primeiro single de Elvis composto com músicas desta trilha. A versão do disco foi gravada ao vivo e a que saiu em compacto é gravada em estúdio. A melhor sem dúvida é a do disco pois conta com a energia da plateia, o que dá um sabor especial à canção. A versão de estúdio foi gravada no dia 4 de Junho de 1970 em Nashville a a versão ao vivo foi gravada em Las Vegas no dia 11 de Agosto. Por essa época Elvis havia decidido deixar de lado as canções românticas mais voltadas para o público juvenil, afinal de contas ele próprio já não era mais um adolescente e nem um ídolo jovem. Ele estava amadurecido, assim como seus fãs. Os tempos eram outros. Quando gravou essa música Elvis já tinha seus próprios problemas em seu casamento. Foi justamente nessa segunda temporada de 1970 que surgiram os primeiros conflitos sérios com sua esposa Priscilla. Elvis havia se firmado em Las Vegas e essa cidade, como todos sabemos, é conhecida como a "cidade do pecado" nos Estados Unidos. Elvis proibiu Priscilla e as demais esposas de ficarem em Vegas durante as temporadas. Elas poderiam comparecer apenas nas noites de abertura e de encerramento. Fora isso, durante os concertos, deveriam ir embora. "Nada de esposas em Vegas" - decretou o cantor. Obviamente Priscilla soube depois que Elvis a estava traindo sistematicamente com várias mulheres enquanto realizava seus shows na cidade. O casamento começou a ruir justamente por isso e Elvis certamente foi percebendo que começava a perder sua esposa. O tema assim da letra se ajustava perfeitamente com o que ele estava passando em sua vida privada. Elvis só não sabia ainda que seu rompimento conjugal seria tão devastador e traumatizante como foi. O destino de seu casamento porém já estava traçado.

Just Pretend (Guy Fletcher, Douglas Flett) - Algumas baladas cantadas por Elvis Presley em sua carreira foram bem injustiçadas. São gravações belíssimas, mas igualmente ignoradas pelo grande público. Não fizeram o devido sucesso na época de seu lançamento e tampouco foram trabalhadas da forma que mereciam por Elvis. Um dos maiores exemplos vem de "Just Pretend". A canção nunca ganhou maior espaço dentro da carreira do cantor. Gravada durante a Nashville Marathon, em junho de 1970, em uma noite particularmente muito produtiva por parte de Elvis, a bela composição foi desaparecendo com os anos, sendo injustamente esquecida. Como bem sabemos Elvis era um artista extremamente produtivo. Basta apenas darmos uma olhada na grande quantidade de canções que ele gravou em sua longa carreira. Com tanto material novo invadindo o mercado de uma só vez não haveria como evitar que certas injustiças fossem cometidas. Uma delas foi, como escrevi, "Just Pretend". Essa música é uma das mais bonitas gravadas por Elvis. Com vocalização sóbria e pleno domínio durante as gravações, Elvis legou para a posteridade uma de suas melhores baladas românticas, daquelas que ainda merecem ser redescobertas. Usada timidamente tanto no filme como na trilha sonora, "Just Pretend" merece novas e atentas audições! Com melodia e letra acima da média, a canção que fala sobre reconciliação e reencontro, encontrou eco nos corações mais sensíveis. Ela guarda várias semelhanças de arranjo com outro momento precioso desse disco, "Bridge Over Troubled Water". Não poderia ser diferente pois ambas foram gravadas quase no mesmo dia e local, uma no dia 05 de junho de 1970 a outra um dia depois no mesmo estúdio, em Nashville. Nessa semana realmente Elvis estava extremamente inspirado para cantar belas e ternas canções de amor acompanhadas de belíssimos arranjos de teclados. O veredito final não poderia ser diferente pois essa é uma balada romântica sensível que foi injustamente subestimada na época, não tendo alcançado a devida repercussão que merecia. De qualquer forma nunca é tarde para se reparar uma injustiça.

Stranger in the Crowd (Winfield Scott) - Se "Just Pretend" e "Bridge Over Troubled Water" são músicas embasadas nos arranjos de piano, aqui o que se destaca mesmo é o pleno domínio dos arranjos de cordas e de instrumentos percussivos. A mais acústica música do disco não chega ao ponto de ser um dos destaques da trilha, sendo considerada apenas um complemento ao conjunto. Apesar disso, de ser uma mera coadjuvante, não podemos deixar de colocar em destaque seus méritos como a vocalização inspirada de Elvis e o belo solo de guitarra de James Burton, bem diferente do que ele costumava fazer em estúdio. Winfield Scott, autor dessa música, compôs várias canções dos filmes de Elvis nos anos 60. Ele esteve muito presente nessa fase e foi dele a descoberta de uma das maiores surpresas em termos de gravações perdidas de Elvis. Quase que por acaso ele acabou descobrindo o tape inédito de "I'm Roustabout", canção que havia sido originalmente composta para ser o tema principal do filme "Roustabout" (O carrossel de emoções, 1964). Assim que soube o que tinha em mãos entrou em contato com Ernst Jorgensen que não perdeu tempo em anunciar para o mundo que pela primeira vez em muitos anos havia sido descoberta uma nova música na voz de Elvis, até então totalmente inédita. A descoberta acabou sendo definida por Joe Di Muro, executivo da RCA / BMG, como a "mais inacreditável da música moderna"!

The Next Step Is Love (Evans / Barnes) - Quando Elvis resolveu retomar o rumo de sua carreira e deixar Hollywood para trás ele procurou encontrar inspiração e renovação em um novo grupo de compositores. Paul Evans, cantor, compositor e famoso produtor certamente se encaixava nesse novo perfil que Elvis tanto procurava. Antes de compor "The Next Step is Love", Evans já era muito conhecido nos EUA por causa de suas músicas românticas, doces e ternas, que fizeram muito sucesso principalmente na primeira metade dos anos 60 como, por exemplo, "Too Make You Feel My Love", "When" e principalmente "Roses are Red (My Love)", seu grande sucesso que chegou ao primeiro lugar nas paradas. Além disso ainda escreveu novas versões para o clássico sacro "Amazing Grace". Compositor de grande talento, foi ainda gravado por Pat Boone, La Vern Baker e Bobby Vinton. Pena que não tenha tido uma parceria de maior duração ao lado de Elvis, pois na visão estreita de Tom Parker ele ainda era considerado um compositor muito "caro"!!! De qualquer maneira a música acabou sendo lançada como Lado B do Single "I've Lost You". No filme Elvis aparece ouvindo e dando sua aprovação final ao resultado da gravação desta canção. É uma bela música sem dúvida, porém perde em comparação com alguns clássicos presentes neste disco. Poderíamos dizer que é um belo complemento ao disco, mas sem jamais ser protagonista dentro da seleção de boas melodias desse trabalho de Elvis. A letra da canção exalta principalmente a paixão, os primeiros momentos em que cada um se descobre apaixonado pelo outro. Há uma clara intenção de, em forma poética, tentar capturar esse momento. Até mesmo aspectos bobos ganham relevância, como caminhar descalços pelos campos, rindo debaixo da chuva. Particularmente penso que essa gravação teria ficado bem melhor se tivesse sido feita com a antiga banda de Elvis, principalmente com aquela formação da primeira metade da década de 1960. Essa música tem uma singeleza que combinaria bem com aquele período histórico da carreira do cantor. Além disso se ele tivesse optado por aquela linha vocal mais terna, que tanto caracterizou suas canções naquela época, o resultado teria sido bem bonito. Já em Nashville, com todas aquelas canções para se gravar, onde o tempo era mais do que precioso, houve uma certa pressa em finalizar a faixa. Com isso a melodia não foi tão valorizada. Some-se a isso o fato da TCB Band ser um grupo com características de palco, o que deu a esse registro um certo sabor de música gravada ao vivo. Mas enfim, mesmo sendo feitas essas observações é importante ressaltar a boa qualidade da música como um todo. Nunca chegou a ser um hit ou um standart na discografia de Elvis, porém como coadjuvante nesse ótimo álbum "That´s The Way It Is" está de bom tamanho.

Bridge Over Troubled Water (Paul Simon) - Essa é uma das maiores canções populares já escritas. Gravada originalmente no final dos anos 60 e lançada em janeiro de 1970 no disco de mesmo nome da dupla Simon e Garfunkel a música logo virou símbolo de uma era e colecionou prêmios em sua vitoriosa trajetória: "Gravação do ano", "Álbum do ano", "Melhor canção escrita do ano" e outros. Além da aclamação da crítica o público também não deixou por menos colocando a música por seis semanas seguidas no topo da parada norte americana. Tanto sucesso não poderia passar despercebido por Elvis Presley. Ele amou a música desde a primeira vez que a ouviu e foi um dos primeiros intérpretes a gravar uma versão, apenas seis meses depois que ela foi lançada originalmente pela famosa dupla dos anos 70. Elvis não perderia a chance de fazer sua versão pessoal de uma canção tão significativa. Logo ele, que estava empenhado em renovar seu repertório e produzir material relevante e de importância, bem longe de seu passado recente de trilhas sonoras medíocres. Antenado no que estava acontecendo musicalmente ao seu redor, Elvis logo providenciou seu próprio registro da canção. Quando foi informado da data das sessões de gravação em junho daquele mesmo ano ele logo entrou em contato com seu produtor Felton Jarvis e pediu que ele providenciasse logo a liberação da música pois ele já tinha inclusive feito alguns ensaios com sua banda na estrada e estava procurando achar o tom certo para sua versão. Elvis sabia que seu estilo vocal em pouco se aproximava da linha folk universitária de seus autores originais. Ele procurou adaptar a canção ao seu próprio estilo, deixando a simplicidade da versão original de lado e investindo em algo mais grandioso com presença marcante de orquestra (arranjo inexistente dentro da versão original da dupla Simon e Garfunkel). Isso também se justificava porque Elvis pretendia utilizá-la durante seus concertos e não havia como ele, sendo um barítono, fazer uma versão que se aproximasse da ideia simplória de Paul Simon e seu companheiro de dupla. Alguns ajustes teriam que ser feitos e isso traria todas as características que fariam essa canção única dentro da vasta discografia de Elvis. Esse tipo de material era o que ele iria procurar cada vez mais durante os anos 70. Canções que representassem de alguma forma um novo desafio, um novo pico a alcançar. Certamente os rocks que tanto caracterizaram sua carreira, ao ponto de receber o título de Rei do Rock, não mais significavam um grande desafio a ser superado em 1970. Elvis procurava algo mais, algo que demonstrassem a todos seu grande talento vocal, que deixasse claro para quem ouvisse seus discos ou assistisse seus shows que ele era, acima de qualquer coisa, um grande cantor, nada mais do que isso. Elvis procurava antes de qualquer coisa ser reconhecido por seus colegas profissionais, pela crítica especializada e principalmente por seu público que manteve-se fiel a ele, mesmo na pior fase de sua carreira nos anos 60. O saldo final é conhecido de todos: a canção é considerada uma das maiores interpretações de toda a carreira de Elvis Presley! A versão do Rei para o sucesso imortal da dupla "Simon e Garfunkel" emociona até hoje. Como toque final foram acrescentadas palmas para se dar a impressão que ela foi gravada ao vivo, porém esta é a versão de estúdio e não a versão que aparece no filme (e que também é ótima). Só foi lançada da forma como foi gravada muitos anos depois na caixa de CDs "Walk a mile in my Shoes" com nova mixagem e mostrando toda a extensão de sua beleza. "Bridge Over Troubled Water", sem a menor sombra de dúvida, é um dos maiores marcos da carreira de Elvis Presley.

Pablo Aluísio.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O escandaloso divórcio de Lisa Marie Presley

E o escandaloso divórcio de Lisa Marie Presley segue em frente. Na última sexta-feira houve uma audiência judicial na corte de Los Angeles. Essa foi a primeira aparição pública de Lisa Marie Presley desde que ela se retirou para se submeter a um tratamento de recuperação e reabilitação de seu problemas de vício em relação a cocaína. Nessa semana Lisa também perdeu a guarda das duas filhas de oito anos que foram morar com a avó, Priscilla Presley.

Lisa parecia bem de saúde, posou para fotos e sorriu para os fãs de Elvis que foram até o fórum de Los Angeles. Parecia bem disposta e saudável. Algumas fontes afirmam que ele entrou recentemente em um programa dos N.A. (Narcóticos Anônimos) para ajudar em sua recuperação de sua dependência química.

Em meio a tantos escândalos Lisa conseguiu uma vitória nas tribunais. O juiz negou o pedido de seu ex-marido Michael Lockwood que havia solicitado uma pensão mensal de 40 mil dólares a ser paga por Lisa, afirmando que estaria morando de favor na casa de um amigo, dormindo em seu sofá. Lockwood afirmou ao juiz que esse valor seria justo pois ninguém conseguiria viver com dignidade com menos do que 40 mil dólares mensais (algo em torno de 130 mil reais!).

O juiz indeferiu seu pedido dizendo que Lockwood não havia perdido sua capacidade de trabalhar, que não sofria de nenhuma doença grave e que poderia arranjar um emprego para superar suas dificuldades financeiras. Além disso explicou que as duas filhas estavam sob a guarda da avó Priscilla e que nada justificaria o pagamento de uma pensão a ele.

Indignado o ex-marido de Lisa Marie declarou que ela está tentando destruir sua reputação ao afirmar que ele tinha material de pedofilia em seus computadores. "Eu estou enojado com o que foi feito contra mim! Nada foi provado e eu irei provar que fui vítima de uma armação!" - gritou aos jornalistas ao deixar o tribunal. Ele também afirmou que irá recorrer da decisão que negou sua pensão mensal, além de seguir em frente para ter sua parte na fortuna de Lisa Marie Presley. O advogado de Lisa, por outro lado, negou que sua cliente tenha tanto dinheiro como afirmado por Lockwood. "Minha cliente passa por dificuldades financeiras, excelência!" - teria dito o advogado de Lisa ao juiz do processo de divórcio - "Ela está falida!" - Concluiu.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Priscilla Presley assume guarda das netas!

No meio dos problemas jurídicos, familiares e de saúde envolvendo Lisa Marie Presley, a avó Priscilla Presley tomou a frente na guarda das netas Finley e Harper. As meninas gêmeas de oito anos de idade corriam o risco de irem parar em uma instituição mantida pelo Estado depois que o Departamento de proteção às crianças da cidade de Los Angeles pediu na justiça que elas fossem afastadas tanto de Lisa Marie Presley, que passa por problemas envolvendo drogas, como do marido Michael Lockwood, acusado de ter fotos e material envolvendo pedofilia em seus computadores pessoais que foram apreendidos pela polícia americana.

As duas crianças passam agora a viver ao lado de Priscilla Presley em sua casa em Los Angeles. Os advogados de Priscilla foram rápidos para pedir a custódia das meninas, evitando assim que elas fossem enviadas para alguma instituição mantida pelo Estado da Califórnia. Pelas redes sociais Priscilla agradeceu o apoio dos fãs e pediu orações para toda a família Presley que passa por um dos momentos mais complicados de sua história. Ao lado de Priscilla as autoridades se convenceram que as duas menores terão a tranquilidade e a estabilidade emocional que precisam, longe dos problemas de Lisa Marie que enfrenta um violento e escandaloso processo de divórcio na justiça.

E por falar em Lisa Marie Presley ela confidenciou a pessoas próximas e a alguns jornalistas americanos que havia sido ela que tinha encontrado o material nos computadores do ex-marido. Sem pensar duas vezes ela ligou para a polícia que apreendeu todos os computadores de Lockwood que agora poderá ser processado e preso criminalmente pela posse desse tipo de fotos e vídeos. "Era uma coisa de embrulhar o estômago!" - teria dito Lisa Marie. O processo de divórcio porém segue, com Lockwood pedindo uma verdadeira fortuna nos tribunais, dinheiro esse que Lisa Marie nega possuir, pois segundo seu advogado a filha de Elvis passa por um péssimo momento financeiro, estando praticamente falida e quebrada nos negócios. "Eu nem sei como vou conseguir pagar meu advogado!" - teria afirmado Lisa Marie.

Pablo Aluísio.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Elvis News - Lisa Marie Presley perde a custódia das filhas / A morte de Marty Lacker / Novos CDs

Lisa Marie Presley perde a custódia das filhas - E o escandaloso divórcio de Lisa Marie Presley ganha mais um novo capítulo. Ela agora perdeu a custódia sobre suas duas filhas. Atendendo a um pedido do Departamento de proteção às crianças de Los Angeles, a justiça americana determinou que Lisa Marie não mais tivesse a custódia das duas meninas de oito anos. Tudo foi embasado em um material impróprio que foi encontrado dentro dos computadores pessoais de seu ex-marido. Embora nada tenha se revelado publicamente supõe-se que o material tenha conteúdo impróprio, colocando as netas de Elvis em situações inadequadas e imorais para elas.

O recente problema de Lisa Marie com drogas também levou a justiça a tirar as crianças de sua proteção. Para as autoridades americanas Lisa Marie tem um sério problema com drogas (cocaína e bebidas alcoólicas, etc) o que a tornaria uma pessoa perigosa em potencial para as duas filhas. Lisa e o marido estão brigando na justiça em um feroz processo de divórcio envolvendo muito dinheiro. O advogado de Lisa informou que a cantora e herdeira de Elvis Presley está falida, quebrada, e que jamais poderia pagar o que o ex-marido pede na justiça. O marido contesta as informações dizendo que Lisa leva uma vida de luxos exagerados. Lisa nega e chegou ao ponto de informar no processo que não teria nem dinheiro para pagar o próprio advogado nesse divórcio. O assunto tem sido explorado em detalhes pela imprensa americana nos últimos dias.

Morre Marty Lacker - Um dos grandes amigos de Elvis morreu nessa semana aos oitenta anos de idade.  Lacker era um dos homens da Máfia de Memphis mais próximos de Elvis, a tal ponto que o cantor o escolheu para ser um dos seus padrinhos de casamento. Ele faleceu na segunda-feira de uma doença renal crônica, um sério problema de saúde que o tinha feito sofrer por muitos anos. Elvis considerava Marty Lacker um dos seus amigos mais leais, porém após sua morte em 1977, ele foi criticado por alguns por explorar comercialmente sua amizade com Elvis Presley. Marty Lacker escreveu o livro "Elvis: Portrait of a Friend". Também colaborou em outra obra, "Elvis and the Memphis Mafia" da escritora Alanna Nash.

Novos CDs do selo FTD - Contrariando alguns boatos de que o selo FTD estaria finalmente chegando ao fim de seus lançamentos, tivemos o anúncio de novos CDs trazendo material inédito para os fãs. "A Date With Elvis", álbum originalmente lançado no final dos anos 1950, quando Elvis estava servindo o exército americano na Alemanha, ganhará uma nova edição. O CD trará não apenas as versões alternativas das músicas que fizeram parte do disco original, mas também outras faixas, gravadas na mesma época. Em edição dupla o CD contará ainda com gravações privadas e amadoras feitas por Elvis enquanto estava na Alemanha. A trilha sonora do filme "Speedway" (no Brasil, "O Bacana do Volante") também ganhará em breve uma nova edição especial com muito material inédito, ou seja, novidades para os fãs de Elvis não faltarão nos próximos meses. Agora é esperar pelo melhor.

Pablo Aluísio.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Lisa Marie Presley pode perder a guarda de suas filhas

O inferno astral da vida de Lisa Marie Presley parece não ter mais fim. Agora a filha de Elvis corre o risco de perder a guarda de suas próprias filhas. Envolvida em um processo de reabilitação de vício em drogas e lutando na justiça contra o ex-marido, Lisa agora tem novos problemas. Segundo alguns sites americanos, entre eles o TMZ, autoridades americanas encontraram "fotos perturbadoras" envolvendo suas duas filhas no computador do ex-marido de Lisa, Michael Lockwood.

Segundo informações essas fotos traziam as filhas gêmeas de Lisa Marie em situações incomuns e não adequadas para elas, o que fez com que o Departamento de proteção à crianças e adolescentes de Los Angeles entrasse com uma ação na justiça pedindo a custódia protetora das duas filhas de Lisa Marie. As autoridades querem tirar as duas crianças de 8 anos da guarda de ambos os pais. Não se sabe até o momento o que realmente havia nesses vídeos e fotos, porém tudo leva a crer que foi algo grave tendo em vista as diligências promovidas por esse órgão público do condado de Los Angeles.

Lisa afirmou que não tem ideia do que pode haver nesses vídeos e imagens. Já outras fontes afirmam que foi a própria Lisa Marie quem denunciou as fotos para as autoridades que confirmaram sua existência ao cumprir um mandado de busca e apreensão dos computadores pessoais de Michael Lockwood. A situação de Lisa Marie anda complicada e ela pode perder em definitivo o pátrio poder sobre suas filhas. Pior do que isso, seu advogado alegou recentemente na corte onde está se desenvolvendo o processo de divórcio que Lisa está financeiramente quebrada, sem condições de cumprir as exigências do ex-marido. Pelo visto os problemas legais e familiares de Lisa Marie estão apenas começando.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Elvis Presley - The Wonder of You - Parte 3

A nova versão de "Just Pretend" seguiu basicamente as linhas básicas da gravação original. A diferença principal é que um fundo incidental, muito discreto e elegante, foi adicionado. Um violão muito sensível, em dedilhado quase inaudível, também foi um belo acréscimo. De maneira em geral considerei essa uma das melhores versões desse novo CD, basicamente por ter sido bem respeitosa em relação ao que ouvimos no álbum "That´s The Way It Is". Isso prova que Felton Jarvis fez realmente um grande trabalho em 1970, sem necessidade de muitas mudanças agora.

"Love Letters" que vem logo a seguir, por outro lado, já sofreu maiores modificações. Curiosamente já li muitos textos afirmando que os arranjos desse álbum de Elvis ficaram terrivelmente datados com os anos - será mesmo? Os produtores desse CD certamente trocaram a orquestra original pela Filarmônica britânica - saem os antigos instrumentos e entram os novos. Porém se formos pensar bem a linha base de melodia segue sendo a mesma, apenas com um arranjo mais bem elaborado, mais sutil e elegante. Curiosamente os produtores também resolveram adicionar um novo grupo feminino em destaque, eliminando a participação original das vocalistas de Elvis. Ficou bom, tenho que admitir.

O tradicional gospel "Amazing Grace" sempre foi um dos preferidos de Elvis. Ele tinha grande reverência por essa música. Aqui eu notei que foi escrito um belo arranjo de introdução, mas penso que a transição para a versão original de Elvis se fez de forma muito abrupta, quase um susto! Os produtores deveriam seguir por uma transição menos impactante, afinal essa é uma canção reflexiva, de teor religioso, quase uma oração! De qualquer maneira a decisão de manter o grupo vocal que gravou ao lado de Elvis foi acertada - ao que parece se tornou impossível separar os vocais de Elvis dos de seus grupos de apoio. Melhor para o ouvinte, que assim toma maior contato, mesmo que indiretamente, com a gravação do álbum "He Touched Me". Certas gravações são mesmo para sempre!

"Something for Everybody" de 1961 é um dos mais belos trabalhos da discografia de Elvis Presley. Sempre achei um disco que foi muito subestimado, nunca ganhando o devido reconhecimento. Por essa época Elvis havia adotado um estilo vocal muito suave e terno que deu uma beleza incomum a todas as canções desse disco. Aqui os produtores resolveram resgatar a bela balada "Starting Today". Eu sempre vou preferir a versão original, em todos os aspectos, porém não deixarei de elogiar essa nova versão. Conseguiram o ideal: manter a beleza original acrescentando um arranjo que serve basicamente para realçar a beleza da melodia. Um ponto positivo desse CD, sem dúvida.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Elvis News - A BMW de Elvis Presley / Tom Jones e Priscilla Presley estão namorando? / Elvis está vivo?

BMW de Elvis passa por restauração - Enquanto estava servindo o exército americano numa base militar na Alemanha, Elvis resolveu comprar um carro novo, um BMW modelo 507 conversível. Um automóvel que ele usaria todos os dias para ir e vir do quartel onde estava servindo. Depois que seu serviço militar chegou ao fim Elvis resolveu vender o carro, pois não tinha intenção de levá-lo para os Estados Unidos. Por muitos anos esse BMW ficou passando de proprietário em proprietário, até que um colecionador de carros históricos conseguiu localizá-lo. Por causa dos anos o automóvel realmente não estava mais em boas condições. Porém como havia pertencido a Elvis Presley seu valor era considerável. Uma ampla reforma foi realizada e recentemente o carro, praticamente novo, foi apresentado em um salão de exposição de automóveis raros em Berlim. O sucesso foi tanto que a própria fábrica BMW se mostrou interessada em adquirir o modelo para exposição permanente em seu museu de carros raros e históricos da marca no norte da Alemanha. A proposta da empresa já feita, resta saber se o carro será realmente vendido.

Priscilla Presley e Tom Jones juntos? - A imprensa de fofocas divulgou há poucos dias que a viúva de Elvis Presley estaria namorando o cantor Tom Jones. Um fato muito curioso já que Jones era um amigo próximo de Elvis, principalmente em sua fase Las Vegas. O casal foi visto diversas vezes em restaurantes da moda em Los Angeles e Londres. O tabloide The Sun afirmou que sim, Jones e Priscilla estariam mesmo juntos, namorando! Em abril do ano passado, após 59 anos de casamento, a mulher de Tom Jones faleceu. Ele ficou devastado por longos meses, até ser convidado por Priscilla para sair um pouco de casa, aliviar um pouco a mente e conversar com ela, que se considera acima de tudo uma velha amiga. De fato atualmente Tom Jones e Priscilla Presley tem sido vistos constantemente juntos, mas Priscilla nega os boatos de um romance. "Eu sou sua amiga e estou lhe dando todo o apoio para ele superar a morte de sua esposa. Isso é tudo!" - explicou Presley.

Elvis está vivo? - Como acontece com regularidade nos últimos anos, de tempos em tempos surgem boatos e estórias de que Elvis Presley estaria vivo, escondido em algum lugar dos Estados Unidos. Na celebração de seu aniversário de 82 anos em Graceland, no último mês de janeiro, os boatos voltaram a ganha força. Isso aconteceu porque um misterioso homem, com longa barba branca e muito parecido fisicamente com Elvis, foi visto circulando pela mansão do cantor! Seria ele o próprio Elvis que resolveu matar as saudades, aparecendo de surpresa em seu próprio aniversário? A nova teoria da conspiração, como era de se esperar, se espalhou rapidamente pela internet. Seria muito legal se fosse verdade e não apenas mais uma grande bobagem em torno do velho slogan "Elvis não Morreu!"

Pablo Aluísio.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Elvis Presley - Bridge Over Troubled Water

Bridge Over Troubled Water (Paul Simon) - Essa é uma das maiores canções populares já escritas. Gravada originalmente no final dos anos 60 e lançada em janeiro de 1970 no disco de mesmo nome da dupla Simon e Garfunkel a música logo virou símbolo de uma era e colecionou prêmios em sua vitoriosa trajetória: "Gravação do ano", "Álbum do ano", "Melhor canção escrita do ano" e outros. Além da aclamação da crítica o público também não deixou por menos colocando a música por seis semanas seguidas no topo da parada norte americana. Tanto sucesso não poderia passar despercebido por Elvis Presley. Ele amou a música desde a primeira vez que a ouviu e foi um dos primeiros intérpretes a gravar uma versão, apenas seis meses depois que ela foi lançada originalmente pela famosa dupla dos anos 70. Elvis não perderia a chance de fazer sua versão pessoal de uma canção tão significativa. Logo ele, que estava empenhado em renovar seu repertório e produzir material relevante e de importância, bem longe de seu passado recente de trilhas sonoras medíocres. Antenado no que estava acontecendo musicalmente ao seu redor, Elvis logo providenciou seu próprio registro da canção. Quando foi informado da data das sessões de gravação em junho daquele mesmo ano ele logo entrou em contato com seu produtor Felton Jarvis e pediu que ele providenciasse logo a liberação da música pois ele já tinha inclusive feito alguns ensaios com sua banda na estrada e estava procurando achar o tom certo para sua versão. Elvis sabia que seu estilo vocal em pouco se aproximava da linha folk universitária de seus autores originais.

Ele procurou adaptar a canção ao seu próprio estilo, deixando a simplicidade da versão original de lado e investindo em algo mais grandioso com presença marcante de orquestra (arranjo inexistente dentro da versão original da dupla Simon e Garfunkel). Isso também se justificava porque Elvis pretendia utilizá-la durante seus concertos e não havia como ele, sendo um barítono, fazer uma versão que se aproximasse da ideia simplória de Paul Simon e seu companheiro de dupla. Alguns ajustes teriam que ser feitos e isso traria todas as características que fariam essa canção única dentro da vasta discografia de Elvis. Esse tipo de material era o que ele iria procurar cada vez mais durante os anos 70. Canções que representassem de alguma forma um novo desafio, um novo pico a alcançar. Certamente os rocks que tanto caracterizaram sua carreira, ao ponto de receber o título de Rei do Rock, não mais significavam um grande desafio a ser superado em 1970. Elvis procurava algo mais, algo que demonstrassem a todos seu grande talento vocal, que deixasse claro para quem ouvisse seus discos ou assistisse seus shows que ele era, acima de qualquer coisa, um grande cantor, nada mais do que isso. Elvis procurava antes de qualquer coisa ser reconhecido por seus colegas profissionais, pela crítica especializada e principalmente por seu público que manteve-se fiel a ele, mesmo na pior fase de sua carreira nos anos 60. O saldo final é conhecido de todos: a canção é considerada uma das maiores interpretações de toda a carreira de Elvis Presley! A versão do Rei para o sucesso imortal da dupla "Simon e Garfunkel" emociona até hoje. Como toque final foram acrescentadas palmas para se dar a impressão que ela foi gravada ao vivo, porém esta é a versão de estúdio e não a versão que aparece no filme (e que também é ótima). Só foi lançada da forma como foi gravada muitos anos depois na caixa de CDs "Walk a mile in my Shoes" com nova mixagem e mostrando toda a extensão de sua beleza. "Bridge Over Troubled Water", sem a menor sombra de dúvida, é um dos maiores marcos da carreira de Elvis Presley.

Bridge Over Troubled Water em outros lançamentos:

FTD Elvis One night in Vegas - Nesse CD Bridge Over Troubled Water aparece em duas versões diferentes. A versão do ensaio não acrescenta muito. Muita brincadeira e conversação ao fundo prejudicam Elvis, atrapalhando sua interpretação e sua concentração. A qualidade sonora não é tão boa, aliás é bem fraca, também não poderia ser diferente pois muitos desses arquivos ficaram encostados por um longo tempo e só depois foram resgatados. Novamente o grupo e Elvis não se empenham muito, até porque tudo não passa de um ensaio rápido. A versão dura poucos minutos e o corte final está muito mal feito pois deveria ter sido deixado a parte final da canção para sabermos como Elvis a termina. Aqui Ernst faz um corte final equivocado como podemos notar se o compararmos com outros títulos. Já a versão ao vivo é mais do que preciosa, é um achado maravilhoso. Elvis está insuperável aqui. Aliás pode-se afirmar que, com raríssimas exceções, todas as versões de Bridge Over Troubled Water dessas temporadas iniciais são de excelente nível. No disco com a trilha sonora original temos outras das picaretagens de Tom Parker. Ao invés dele determinar que Felton Jarvis escolhesse uma boa versão ao vivo ele preferiu maquiar a versão de estúdio acrescentando "falsas" palmas! Outro problema que sempre chamou atenção foi a elevação gradual do volume da faixa oficial, que começava bem introspectiva, quase sussurrada e ia aumentando gradualmente seu volume até um final apoteótico. Para alguns a montagem até que era interessante mas outros se incomodavam com isso. No Brasil tentaram modificar isso e lançaram um disco em que eles fizeram uma tentativa mal sucedida de mudar artificialmente seu formato original. O problema é que como não tiveram acesso ao master original fizeram tudo sem respeitar o procedimento adequado e necessário para esse tipo de mudança. Resultado: a nova equalização "Made in Brazil" ficou horrível, mal feita e virou motivo de piadas lá fora! Para ser bem sincero, poderiam ter passado sem esse papelão!

FTD Spring Tours 77 - A versão de Bridge Over Troubled Water desse CD, gravada em Duluth no dia 29 de abril de 1977, apresenta problemas. Parece que esqueceram de avisar ao pianista que está é uma canção suave e intimista. Mal começa a canção e ele dispara alucinadamente, fazendo com que Elvis literalmente corra atrás! A canção está totalmente fora de seu ritmo normal, parece que Elvis fica todo o tempo da música tentando se acertar com o resto da banda, tudo ficando muito confuso. A orquestra e a banda de Elvis também não conseguem chegar num denominador comum! Certamente canções ao vivo são mais rápidas que as de estúdio, isso é natural e todo músico sabe disso, mas essa versão de Bridge Over Trouble Water mais parece uma maratona, onde a pressa e o desentrosamento imperam! Em vista de tudo isso não se poderia de jeito nenhum alcançar um resultado satisfatório. Pior faixa do CD.

FTD The Nashville Marathon - Bridge Over Troubled Water (take 1): Só existe uma música que consegue seguir The Sound of Your Cry sem parecer ridícula. Paul Simon não sabia, mas escreveu Bridge para Elvis. Com certeza uma das músicas mais queridas dos fãs e do próprio Elvis, que nunca a abandonou de seu repertório, cantando-a inclusive em seu último concerto. No início da década de 70, mais precisamente em 1970 a dupla Simon and Garfunkel lançou um dos maiores clássicos da música de todos os tempos. Uma música tecnicamente perfeita e de uma melodia complexa e assustadoramente divina. Resultado: primeiro lugar por várias semanas e uma entrada triunfal na galeria das maiores músicas já gravadas. Pergunto a vocês, quem se arriscaria a fazer uma versão dessa canção sem parecer medíocre?? Bom, Elvis em junho de 1970 se atreveu e conseguiu o impossível: sua versão é melhor do que a original. Calma, antes que os fãs de Paul Simon me apedrejem, vou me explicar. Claro que ele teve o mérito de escrever a música inteira e sua gravação é excelente, porém Elvis era muito mais cantor que Paul Simon e tinha uma rara habilidade de dar vida a música de uma forma a transformar "atirei o pau no gato" em hino hippie. Pois bem, imagine o que ele fazia com uma canção do porte de Bridge? O resultado saiu no álbum That´s The Way It is e foi fruto de um trabalho de Elvis de por , por uma das únicas vezes em sua carreira, um vocal duplo em uma música, ou seja sua voz era posta por cima dela mesma!! Como se tivessem dois Elvis cantando. O resultado foi unânime. Incluída a a partir da temporada de Vegas de agosto de 70 foi paixão a primeira vista. Os fãs adoraram! O próprio Simon, ao ver o show de Elvis em Nova York em 72 tirou o chapéu para a versão dele. Se o próprio autor admitiu quem somos nós para negar? Esse primeiro take mostra a banda um pouco insegura, porém isso não diminui sua beleza . Para variar, Bridge, novamente, roubando o show! (Victor Alves)

FTD Southern Nights - Depois de explorar bem os shows realizados em Atlanta, Macon e principalmente Huntsville (que formam o esqueleto básico desse CD), Ernst Jorgensen resolveu completar o CD pincelando pequenos momentos de outras apresentações. De seu show em Mobile, por exemplo, Ernst resgatou uma versão de Bridge Over Troubled Water. Embora muito distante das versões da segunda temporada de 1970, consideradas as melhores de toda sua carreira, essa faixa é certamente razoavelmente bem executada e traz um Elvis inspirado em certos momentos. A velocidade da canção está bem fora de seu ritmo normal e apresenta oscilações rítmicas que soam, às vezes, desconfortáveis. Além disso ela não é tão bem gravada como tantas outras que conhecemos. Por outro lado Elvis parece estar envolvido, apesar de se segurar em alguns momentos para não forçar a voz. Apesar de todos esses pequenos problemas a versão ainda consegue se manter em um nível um pouco acima da média.

Bridge Over Troubled Water (Paul Simon) - When you're weary, feeling small / When tears are in your eyes I will dry them all / I'm on your site, oh, When times get rough / And friends just can't be found / Oh, like a bridge over troubled water, / I will lay me down, / Oh, like a bridge over troubled water / I will lay me down / When you're down and out, when you're on the streets / When evening falls so hard, I will comfort you / I'll take your part when the darkness falls and pain is all around / Yeah, like a bridge over troubled water / I will lay me down / Oh, like a bridge over troubled water / I will lay me down / Sail on, silver girl, sail on by / Your time has come to shine / All your dreams are on their way / See how they shine / Oh, if you need a friend, / I'm sailing right behind / Yeah, like a bridge over troubled water / I, I will ease your mind / Like a bridge over troubled water / I will easy your mind / (BMI) 4:29 - Data de gravação: 05 de junho de 1970 - Local: RCA Studio B, Nashville.

Pablo Aluísio.