domingo, 7 de fevereiro de 2016

Elvis e Priscilla Presley: A vida sexual em ruínas

Poucas semanas após o nascimento de Lisa Marie o casamento de Elvis e Priscilla começou a ficar em ruínas. Embora para os que os viam de fora parecesse que era o casamento dos contos de fadas as coisas iam de mal a pior dentro do palácio do Rei do Rock. O palácio real estavam em ruínas. Em 1969 a carreira de Elvis tomou um novo impulso, seus discos começaram a vender bem novamente e seu retorno aos palcos em Las Vegas levou Elvis de volta ao seio de seu público onde passou a ser novamente idolatrado pelas massas. O Elvis dos anos de baixa, quando se mostrava mais humano e carinhoso com Priscilla desapareceu. Elvis voltou a adotar uma postura arrogante com a esposa e pior do que isso, começou a trai-la com coristas de Vegas. Todas as noites uma mulher diferente passou a passar pela cama de Elvis que imediatamente decretou que a presença de esposas estava proibida durante as temporadas de shows. Ela podiam apenas comparecer na noite de estreia e encerramento. Nos demais dias Elvis e os caras da máfia de Memphis agiam como solteiros farristas na cidade que era conhecida justamente como a Cidade do Pecado!

Outro problema muito sério surgiu também dentro da vida conjugal de Elvis. Ele parou de procurar sexualmente por sua jovem esposa. Elvis tinha um problema psicológico, um trauma, que o impedia de ter relações sexuais com mulheres que já tivessem sido mães. Talvez por ser ligado demais à sua própria mãe, Elvis colocava mulheres com filhos em uma espécie de altar santo que o impedia de ter desejo sexual por elas. Obviamente Elvis deveria ter procurado por ajuda, uma terapia faria muito bem a ele, mas famoso demais para se expor jamais foi em frente nesse aspecto. Ao invés disso passou a evitar qualquer contato sexual com Priscilla que começou a ficar desesperada com a situação. Ela era apenas uma jovem saudável que também tinha desejos sexuais e não conseguia entender porque Elvis muitas vezes demonstrava ter quase um nojo de estar com ela na cama.

A situação logo se tornou insuportável para o casal. Para escapar Elvis passou a fugir para Los Angeles com uma desculpa qualquer. Valia tudo para não ficar em casa enquanto a esposa tentava de todas as formas levá-lo para a cama. A situação obviamente logo se tornou constrangedora demais para lidar. Priscilla tentava chegar perto de Elvis, lhe fazer um carinho, sensualizando para que ele transasse com ela, mas Elvis sempre saia de perto com alguma desculpa nada convincente. O jogo de sedução de Priscilla causava um grande desconforto psicológico em Elvis. Ao lado do trauma de infância de Elvis havia também um fator complicador na situação. Elvis começou a estudar muitas religiões orientais que pregavam o celibato como um processo de purificação espiritual. Assim Elvis que já não conseguia transar com a própria esposa passou a adotar uma postura de fuga do sexo pois isso o iria tornar impuro! O mais contraditório de tudo é que mesmo pensando assim Elvis não pensava duas vezes antes de levar uma dançarina qualquer para sua suíte em Las Vegas!

Assim Priscilla com apenas 23 anos de idade tinha que lidar com um marido que lhe negava sexo de todas as formas, ora alegando que estava com algum problema, ora tentando explicar a ela que isso ia contra os fundamentos de sua religião esotérica. E para jogar tudo ainda mais no caos Elvis começou a novamente abusar das drogas. O sucesso que voltou também trouxe a pressão e a tensão dos concertos, a ansiedade dos camarins, o esgotamento físico e psicológico dos shows e toda a loucura que vinha dentro do pacote de ser um rockstar. Com tudo jogando contra Priscilla começou a ir atrás de outro homem, um amante que lhe levasse para a cama, já que seu marido não parecia disposto mais a isso. Com Elvis sempre viajando, Priscilla tinha tempo e meios para levar uma vida dupla, Arranjou amantes ocasionais e depois emplacou um caso amoroso realmente sério com um instrutor de karatê chamado Mike Stone (que havia sido sugerido a ela justamente pelo próprio Elvis). Já que Elvis não comparecia mais, Priscilla resolveu lhe trair, para muitos de uma maneira tão rápida e breve que surpreendeu. Elvis assim começava a ser traído sistematicamente a partir de 1969. Enquanto se apresentava em Vegas, surgindo como o homem ideal para as mulheres que compareciam em seus shows, sua própria esposa desfrutava do leito de um amante. Era o fim do conto de fadas.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Lindas Encrencas, As Garotas

Título no Brasil: Lindas Encrencas, As Garotas
Título Original: The Trouble with Girls
Ano de Produção: 1969
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Peter Tewksbury
Roteiro: Arnold Peyser, Lois Peyser
Elenco: Elvis Presley, Marlyn Mason, John Carradine, Vincent Price, Nicole Jaffe
  
Sinopse:
Na década de 1920 uma pequenina cidadezinha do interior dos Estados Unidos festeja a chegada de uma companhia itinerante de apresentações de variedades chamada Chautauqua. Walter Hale (Elvis Presley) é o gerente da empresa e precisa lidar com muitos problemas envolvendo a divulgação das atrações, os conflitos com os artistas e os moradores locais, a administração do parque e um crime terrível que acaba sendo cometido envolvendo um empregado da companhia. Tentando capitalizar em cima do assassinato, ele promete revelar em uma grande apresentação final a verdadeira identidade do assassino, o que coloca os moradores da cidade em polvorosa, lotando a grande noite onde tudo pode vir a acontecer.

Comentários:
Penúltimo filme ao velho estilo com Elvis Presley. Ele havia assinado um contrato com a MGM em 1963 e esse foi uma das últimas produções que precisava realizar (o contrato chegou ao seu final em 1970). Nessa fase Elvis já havia decidido deixar Hollywood para voltar a se concentrar em sua carreira musical, realizando shows ao vivo, algo que não fazia desde a primeira metade da década. Assim o astro apenas passeia em cena, sem muito esforço. O roteiro é um tanto disperso. Com excesso de personagens secundários, a maioria deles formado por moradores da cidadezinha e artistas e empregados da companhia Chautauqua, não existe propriamente um foco dirigido a algum deles (nem ao próprio Hale interpretado por Elvis Presley). De certa maneira a estrutura desse roteiro é um mosaico de situações dispersas e sem muita coesão entre si. Quem for atrás de encontrar o eterno Rei do Rock cantando e dançando ficará um pouco decepcionado. Elvis canta poucas canções e na maioria do tempo meio que desaparece de cena, ficando em uma posição menos central da que os fãs estavam acostumados na época. Como gerente da companhia, ele só surge mesmo de tempos em tempos para solucionar ou colocar panos quentes em algum problema envolvendo seus empregados. Usando um terno branco durante todo o tempo o seu personagem é quase uma homenagem ao Coronel Tom Parker que viveu praticamente toda a sua vida trabalhando em companhias como essa mostrada no filme. Aliás é interessante notar que durante muitos e muitos anos se falava em Hollywood que Elvis um dia iria estrelar uma produção  contando justamente a história de seu empresário. "The Trouble with Girls" acabou sendo de certa maneira esse filme de que tanto falavam, embora na verdade se trate de uma trama puramente ficcional. A seu favor podemos dizer que a produção é até razóavel, nada a ponto de causar vergonha alheia como se via em produções pobres e mal feitas como "Harum Scarum", por exemplo. Como se trata de um filme de época a MGM até que se esforçou para desfilar uma boa direção de arte, com boa reconstituição histórica dos anos 20, com carros antigos, cenários, figurinos, etc. Até mesmo se deu ao luxo de escalar o ator Vincent Price numa ponta bem curiosa como o Mr. Morality, um ator teatral especializado em declamar poesias e citações famosas dentro dos shows da Chautauqua. Dessa maneira, em conclusão, não podemos deixar de reconhecer que embora não seja um grande filme, "Lindas Encrencas, As Garotas" também passa longe de ser um fiasco completo. É uma comédia musical que até mesmo tem lá seu charme nostálgico. Vale a pena conhecer e conferir, principalmente para os fãs de Elvis Presley.

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Elvis Presley e James Burton

Quando Elvis e o Coronel Parker decidiram voltar aos shows regulares em 1969 logo uma dúvida surgiu entre eles: Com quem Elvis iria tocar ao vivo? Uma resposta natural seria colocar a velha banda de estúdio de Elvis de volta à ativa. Chamar novamente Scotty Moore e DJ Fontana, completando o quadro com os músicos mais regulares que vinham trabalhando com Elvis durante todos aqueles anos.

O projeto furou logo de cara quando Scotty Moore não aceitou a proposta financeira oferecida por Tom Parker. Ele achou o valor proposto pelo Coronel uma verdadeira vergonha, uma "piada". Scotty não aceitaria aquele cachê em troca da responsabilidade de tocar praticamente todas as noites ao lado de Elvis Presley em Las Vegas. Pior era ter que se responsabilizar por toda a banda perante Elvis e o empresário. Inicialmente a proposta era justamente essa, Scotty Moore traria todos os demais músicos para tocar com Elvis e a banda seria de sua total responsabilidade. Como ele disse não, a ideia inicial de ressuscitar os velhos Blue Moon Boys foi deixado de lado definitivamente.

A segunda opção seria contratar a banda que gravou ao lado de Elvis no American Studios. Seria ótimo, até porque eram todos feras, grandes instrumentistas, extremamente talentosos. O trabalho que tinham feito ao lado de Elvis ficou realmente fabuloso, merecedor de todas as críticas positivas que Elvis vinha recebendo desde que seus últimos discos chegaram nas lojas. "From Elvis in Memphis" estava aí para provar que eram excelentes profissionais. A proposta foi feita por Tom Parker, mas novamente não deu certo e pelo mesmo motivo que não havia dado certo com Scotty Moore. Os músicos do American não aceitaram os cachês propostos pelo empresário de Elvis. Eles até fizeram uma contraproposta, mas Parker riu do valor que eles pediram. Não havia chances de um acordo ser feito, tamanha era a desproporção entre a oferta do Coronel e o que a banda do American havia pedido.

A solução então foi procurar por um plano C. Quem deu a ideia foi o produtor Felton Jarvis. Ele disse a Elvis que tinha nomes interessantes para a formação de uma nova banda que poderia atuar ao lado de Elvis tanto nos estúdios como nos shows ao vivo em Las Vegas. Ele passou o telefone do guitarrista James Burton ao Coronel Parker e ficou esperando pelo melhor. Elvis já conhecia muito bem James Burton pois gostava de seu trabalho ao lado do cantor Ricky Nelson. Além, é claro, de inúmeras outras gravações que Burton havia feito em sua carreira, principalmente em Nashville, a capital mundial da country music.

O próprio James Burton relembraria anos depois: "A carreira de Ricky Nelson estava parada. Ele não queria que eu tocasse com mais ninguém pois considerava o meu estilo de tocar guitarra como parte de sua sonoridade. O problema é que eu queria tocar e com Ricky praticamente no ostracismo isso não era possível. Quando pintou a proposta de tocar com Elvis Presley nem pensei duas vezes, poderia ser uma nova fase em minha carreira". Na verdade James Burton estava tão interessado em tocar com Elvis que nem pensou nos aspectos puramente financeiros envolvidos em sua contratação. Aos poucos ele também acabou sugerindo novos nomes para a banda e Elvis os foi aceitando ou recusando de acordo com o que conhecia deles. Meio que informalmente o próprio Elvis acabou batizando o grupo de TCB Band, uma banda realmente maravilhosa que iria tocar ao seu lado até o final de sua vida, marcando para sempre o mundo da música mundial.

Pablo Aluísio.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Elvis Presley - Sessão de Gravação: The Trouble With Girls

Elvis já havia decidido deixar Hollywood e seus filmes para sempre quando entrou nos estúdios da United Artists na Califórnia para uma de suas últimas sessões de gravação para trilhas sonoras. O filme era "The Trouble With Girls", produção B dirigida por Peter Tewksbury. Ao lado de Elvis no filme estava o mito dos filmes de terror Vincent Price. Não era um grande filme, na realidade Elvis estava apenas cumprindo velhos contratos assinados antes de decidir encerrar sua carreira de ator. A verdade era que sua carreira cinematográfica havia estagnado. Os produtores não estavam dispostos a investir em nada que não fosse no estilo comédias românticas musicais, com muita música, garotas rebolando e roteiros primários e sem substância. Elvis por outro lado queria estrelar algo mais interessante, dramas, filmes relevantes. Como não havia um encontro de vontades entre o que ele queria fazer e o que os estúdios estavam dispostos a lhe oferecer sua carreira em Hollywood entrou em um impasse sem solução. Se o Elvis ator nunca iria se sobrepor ao Elvis cantor então era melhor mesmo retomar sua carreira musical de uma vez por todas.

Mesmo assim ainda era preciso cumprir seus contratos então Elvis viajou até a costa oeste para uma ou duas noites de gravação. Eram poucas canções, no máximo cinco e por essa razão Elvis esperava completar o trabalho de forma fácil e rápida. Billy Strange foi escolhido como produtor. Ele já havia cruzado bastante com Elvis, era um músico de estúdio e estava dando os primeiros passos como produtor musical. A United Artists também resolveu compor o time de músicos que iriam participar da sessão. Assim Elvis ficou sem sua banda de costume. Ao contrário dos velhos companheiros o estúdio ficou cheio de músicos que Elvis não conhecia, alguns deles gravando pela primeira vez ao lado do cantor. Apresentações foram feitas, Elvis bateu um pouco de papo com eles para quebrar o clima, olhou para o relógio e decretou: "Ok pessoal, vamos começar...".

Verdade seja dita, o repertório de "The Trouble With Girls" até que não era mal. Havia boas músicas ali. Ao contrário de sessões mortificantes cheias de músicas ruins, agora havia um grupo de canções que eram no mínimo boas, com sonoridade agradável. Não havia na curta seleção nenhuma música pavorosa ou que fizesse Elvis torcer o nariz. Eram sete da noite quando os primeiros acordes de "Clean Up Your Own Back Yard" soaram pelo estúdio. Essa não era apenas um boa música, mas muito superior a qualquer outra coisa que Elvis havia gravado para trilhas recentes. O coro vocal feminino negro também acrescentou um balanço ótimo para a canção. A letra, maliciosa e esperta na mesma medida, vinha para melhorar ainda mais a faixa. Uma música que poderia facilmente fazer parte de qualquer álbum convencional de Elvis na época. O curioso é que os músicos haviam providenciado uma versão instrumental de "Chautauqua" no começo da sessão, antes de Elvis chegar, mas ele no final das contas nunca gravou seu vocal nela.

Outra boa faixa dessa sessão veio com uma nova versão de "Swing Down Sweet Chariot". Elvis cantaria gospel no filme então nada melhor do que gravar uma canção no estilo, algo que Elvis obviamente adorou. Muita gente pensa até hoje que os Jordanaires participaram dessa faixa, mas na verdade quem estava ao lado de Elvis no vocais naquela noite era o grupo The Mello Men. A gravação ficou animada e com bom embalo. Talvez a única bobagem musical dessa sessão tenha sido "Signs of the Zodiac" onde Elvis cantou ao lado da atriz Marilyn Mason que apresentou uma vocalização muito boa, forte, com personalidade. O fato de Marilyn estar ao lado de Elvis, contando piadas e descontraindo o ambiente, deixou a chatice de gravar uma faixa menor menos aborrecida.

Depois dela Elvis encerrou sua participação na noite com a terna e romântica "Almost", a representante sentimental da trilha sonora para ser usada nas cenas de amor. Uma boa canção que foi bastante valorizada pela instrumentação adicional de orquestra que foi acrescentada depois. Elvis a gravou em estúdio quase em capela, apenas ele e o pianista Don Randi. Depois dela Elvis se despediu dos músicos e foi embora. Eles porém ficaram ainda mais no estúdio para terminar uma gravação que ficou registrada como "College Medley", na realidade uma fusão de várias canções incidentais para serem usadas no filme.

Elvis - The Trouble With Girls (1968) - Elvis Presley (Vocal) / Jerry McGee (Guitarra) / Morton Marker (Guitarra) / Robert Gibbons (Guitarra) / Max Bennett (Baixo) / Frank Carlson (Bateria) / John Guerin (Bateria) / Don Randi (Piano) / Buddy Colette (Clarinete) / Roy Caton (Trumpete) / Lew McCreary (Trombone) / The Mello Men (Vocais) / Marilyn Mason (Vocais) / Jack Halloran e Ronald Hicklin (Vocais) / Produzido por Billy Strange / Engenheiro de Som: Eddie Brackett / Data de Gravação: 23 e 24 de outubro de 1968.

Elvis - The Trouble With Girls (1969)
Chautauqua
Clean Up Your Own Backyard
Swing Down Sweet Chariot
Signs of the Zodiac
Almost
College medley

Pablo Aluísio.

domingo, 10 de janeiro de 2016

FTD Made in Memphis

Ao analisarmos um CD temos que levar em conta vários fatores intrínsecos e extrínsecos. Fatores extrínsecos são aqueles inerentes a aspectos externos do disco, tais como direção de arte, critérios de seleção musical e marketing. Critérios intrínsecos dizem respeito ao conjunto da obra em si, ao valor musical das próprias faixas, das músicas enfim. Só após colocar todos esses aspectos em relevo é que podemos sintetizar nossa opinião e darmos uma análise isenta e correta do ponto de vista material. No caso desse novo lançamento da FTD (Follow That Dream) verificamos que os problemas surgem logo no começo da avaliação. A primeira grande constatação é de que falta um critério mais relevante para justificar sua confusa seleção musical. Colocar em um mesmo CD canções de épocas distintas da carreira de Elvis, mesmo que sob o fraco pretexto de que todas foram gravadas em Memphis (Made in Memphis), é no mínimo tenebroso. Aliás esse foi um aspecto bastante debatido e levantado entre os colecionadores mais conceituados, ou seja, a fragilidade do critério seletivo desse CD, da escolha errática, equivocada e pouco criteriosa do repertório. O fã de longa data de Elvis Presley sabe que uma coletânea sem valor é aquela que simplesmente amontoa várias canções desse artista sem nenhum laço mais relevante as unindo, com o único propósito de vender para os leigos de forma fácil, rápida e certa. Se isso vale para a discografia oficial de Elvis, vale também para os chamados discos alternativos, como esses do selo FTD. Causou-me grande admiração a falta de critério desse lançamento, principalmente porque os lançamentos anteriores, praticamente todos eles, sempre respeitaram a ordem das sessões, a organização que sempre deve se ter em vista em se tratando da obra de um artista tão complexo e multifacetado como Elvis. Misturar em um mesmo produto canções produzidas em 1969 no American Studios com faixas gravadas no Stax em meados dos anos 70 causa arrepios e perplexidade entre os especialistas. O fato de se tratar de um CD essencialmente de takes alternativos só agrava a situação de desconforto.

Partindo do que foi exposto chegamos logo à conclusão que nesse ponto o CD deixa a desejar, pois não há um bom critério de seleção que justifique sua existência. Uma das primeiras coisas que levo em conta quando um novo título de Elvis chega em minhas mãos são sem dúvida os critérios organizacionais utilizados. Se há mistura de faixas de momentos diversos da carreira de Elvis, já perde pontos logo no primeiro momento em que analiso seu valor. Isso é justamente o que ocorre aqui. Qualquer pessoa, com o mínimo conhecimento sobre Elvis, sabe muito bem que ele evoluiu nitidamente ao longo dos anos, o Elvis de 1969 no American, por exemplo, pouco se assemelha ao Elvis da fase final de sua carreira. É importante que se respeite a ordem cronológica histórica das sessões em que as canções foram gravadas ou então, pelo menos, que se respeite o disco oficial em que foram unidas pela primeira vez, fora disso, quando se misturam músicas de períodos distintos, fica sempre um inconfundível cheiro de bagunça e desorganização no ar, ou na pior das hipóteses de falta de conhecimento daquele que organizou a coletânea (o que certamente não é o caso aqui). De qualquer maneira essa união causa certamente perplexidade aos estudiosos do tema em questão. O segundo ponto negativo é a direção de arte, uma das mais fracas dessa coleção. Usando como base e fundamento fotos amadoras tiradas por fãs, que são apenas interessantes, o CD perde pontos significativos no critério visual, em sua beleza estética, que se é um fator extrínseco, e sem dúvida o é, não é menos importante se formos considerar e levar em conta a opinião dada pelos colecionadores e consumidores logo após seu lançamento. Se um livro não pode ser julgado pela capa, um CD muito menos, temos que nos curvar, infelizmente, ao mundo narcisista em que vivemos para dar a devida importância à beleza externa do produto e nesse ponto o CD Made In Memphis também perde pontos nesse aspecto. Não é mal feito ou mal elaborado, nada disso, é apenas banal e corriqueiro. Essas são apenas observações iniciais. Seguindo em frente na análise, vamos agora verificar cada faixa e julgá-la em seus valores intrínsecos, ou seja, deixemos os aspectos apenas periféricos para entrar naquilo que é mais importante, o valor artístico das faixas e sua importância dentro da discografia do artista.

O CD abre com três takes alternativos do American Studios, sendo In The Guetto a primeira delas. Essa canção tem grande importância na carreira de Elvis Presley porque foi uma resposta por parte dele às constantes críticas de que seu material dos anos 60 era infantil e bobo, apolítico e supérfluo, passando à margem de tudo o que ocorria dentro da conturbada sociedade daquela época. Realmente, se formos levar em conta as trilhas sonoras de seus últimos filmes, temos que dar razão à opinião daqueles que atacavam Elvis. O grande valor sempre dado às músicas do American provêm justamente disso, do salto qualitativo imenso que representou para a carreira do cantor. Depois do American Elvis foi novamente valorizado e colocado no patamar a que ele sempre teve direito. A faixa é praticamente idêntica à oficial, exceto pela ausência do acompanhamento vocal (que era quase sempre adicionado depois, pelo menos no que diz respeito a essa sessão em particular). Já as seguintes, You'll Think Of Me e Who I Am apresentam modificações. A primeira é, do ponto de vista de arranjos, bem próxima da versão que conhecemos, mas é nitidamente diferente, principalmente pelo deslocamento do refrão e de uma ou outra pequena modificação feita por parte de Elvis. A segunda é um dos grandes momentos de Elvis no American. Na primeira tentativa temos uma levada bem mais lenta que a do take definitivo que foi para o disco. Depois de uma pequena pausa, Elvis recomeça já em sua velocidade normal. Apesar de não ter sido a escolha de Elvis, a primeira tentativa me pareceu bem interessante (pena que dure tão pouco!). O que mais impressiona é saber que esse é apenas o take 4!!! Isso nos dá uma ideia de como Elvis conseguia ótimos resultados no menor tempo possível, pois apesar de ser um dos primeiros takes alternativos, ele é praticamente perfeito, com mínimas alterações em relação ao que foi escolhido para o material definitivo que iria fazer parte do disco oficial.

As três seguintes são do disco Raised On Rock / For Ol'Times Sake de 1973. Esse é um dos patinhos feios da discografia de Elvis. Quase nunca freqüenta a lista dos melhores álbuns de sua carreira (nem se a lista for limitada aos anos 70), suas canções não tiveram boa resposta por parte do público na época de seu lançamento, Elvis pouco usava de seu repertório durante os concertos e como não traz nenhum grande momento musical marcante ou sucesso eterno foi aos poucos sendo deixado de lado e esquecido. Particularmente gosto do álbum, principalmente por trazer o reencontro entre Elvis e a dupla Leiber e Stoller, meus compositores preferidos. Para minha felicidade as duas faixas alternativas estão aqui. O take 5 de If You Don't Come Back é praticamente idêntico à versão do LP. O solo de guitarra está bem interessante, pena que como se trata de um ensaio, bem no meio de sua execução a música acaba repentinamente. Já Three Corn Patches (take 5 e 6) traz um Elvis pouco ligado e interessado na gravação, nada empolgado e apenas passeando pelos versos. Mais uma vez o que salva a canção é um belo solo de guitarra que inexiste na versão oficial do disco. Aqui nesse registro podemos ter uma ideia de todos os problemas que Elvis vinha passando na ocasião. Quando esse disco foi gravado, em julho de 1973, Elvis estava passando por todos os problemas legais decorrentes do pedido de divórcio por parte de Priscilla. Além de muito deprimido com toda a situação, Elvis ainda tinha que cumprir uma agenda lotada de shows e providenciar material novo de estúdio para a RCA. Diante de tantas circunstâncias agravantes só nos resta constatar como Elvis estava fadigado, não é à toa que ele nem mesmo compareceu em algumas das noites programadas para as sessões desse disco, tendo que providenciar material gravado em sua casa de Palm Springs depois para completar o disco. A faixa seguinte, a última do Raised On Rock, é Find Out What's Happening (take 7). A curiosidade fica por conta do murmurinho das vocalistas de Elvis ao fundo quando a música acaba, passando a imagem de que elas realmente deveriam conversar um bocado entre si! Se era assim nos estúdios, imagine nos bastidores das excursões!

As três canções seguintes foram lançadas no mesmo disco, Promised Land. Assim como o disco anterior, esse também foi gravado nos estúdios Stax em Memphis. Porém, ao contrário do Raised On Rock, ele sempre foi considerado um disco mais coeso e de melhor qualidade técnica. It's Midnight retrata bem isso. Na 11ª tentativa, Elvis e seu grupo produzem uma belíssima versão de uma canção que por si só já é linda. Poderia muito bem entrar na versão final do disco, sem nenhum problema, sendo inclusive superior em certos aspectos e em determinados momentos à versão oficial. A mesma situação se repete depois com Thinking About You, que conta com um ótimo dedilhado e um belíssimo arranjo, um dos melhores dos anos 70. Mais um exemplo da grande capacidade de Elvis em gravar material inédito rapidamente! Em apenas três tentativas Elvis praticamente fecha e chega na versão original e definitiva. Não há praticamente nenhuma diferença entre essa versão e a que entrou no LP. Compare as duas e perceba bem o que estou afirmando. Fechando a parte de "Promised Land" do disco chegamos ao conhecido country You Asked Me To. Essa é bastante recomendada para quem gosta de sentir como foi a gravação, como estava o clima dentro dos estúdios. Aqui podemos ouvir Elvis relaxado, conversando e rindo bastante. Charlie Hodge novamente comparece também com sua conhecida risada e Elvis também se diverte muito! O que é mais interessante é que Elvis não desafinava nem mesmo quando estava dando suas conhecidas gargalhadas! Isso é o que eu chamo de brincadeira no tom certo!

As seis faixas seguintes são todas das Jungle Sessions. Muito já se escreveu sobre essas sessões. Para alguns um retrato triste de um artista na fase final de sua vida, absorto totalmente num estado tão deplorável que mal tinha ânimo para se dirigir a um estúdio de verdade e gravar seu último disco; para outros um momento precioso e raro que captou os últimos registros fonográficos da genialidade ímpar de Elvis Presley, mesmo que sob condições adversas. Qualquer posicionamento extremado aqui nessa questão é condenável. Nem podemos destituir essas faixas de sua qualidade inerente e nem podemos também celebrar a total falta de profissionalismo por parte de Elvis na gravação dessas músicas. O fato dele realmente não ter entrado em um estúdio da RCA demonstra inequivocamente seu desinteresse pela qualidade final dessas gravações. Outro fator que também pouco ajudou foi a incrível sucessão de fatos bizarros que antecederam sua descida à Jungle Room. Mas a despeito de todos os problemas que cercaram o registro dessas faixas não podemos ficar menos do que surpresos com o produto final, pois se há um ponto fora de qualquer divergência é a constatação que o material, apesar de tudo, é de excelente nível. As três primeiras faixas desse conturbado período, Solitaire, She Thinks I Still Care e Moody Blue são sintomáticas nesse sentido. A primeira traz Elvis conferindo e dando uma geral na letra e na harmonia antes das gravações e fazendo uma pequena piada com o cantor Neil Sedaka. Quando o take realmente começa podemos notar como Elvis rapidamente entra no espírito da faixa. Em poucos segundos ele sai de um estado de animação e brincadeira para assumir rapidamente o tom melancólico e pesado que a canção exige. Depois ainda afirmam que ele não era um bom ator! She Thinks I Still Care sempre foi uma das minhas preferidas, apesar de sempre ter dado preferência à versão alternativa mais ao estilo blues (que pode ser conferida na caixa "Essential Elvis 70's"). Essa versão que está presente nesse CD é ainda mais introspectiva que a do disco oficial e apesar disso não deixa de ser bem interessante, principalmente pela presença mais incisiva de teclados. A versão de Moody Blue pouco traz alterações relevantes, fato que se repete nas três últimas faixas dessas sessões, Bitter They Are, Harder They Fall, Love Coming Down e  For The Heart são praticamente idênticas ao material que já conhecemos tão bem, tirando é óbvio as devidas proporções. De todas elas destaco apenas For The Heart. É uma bela música que retrata muito bem e de forma cristalina o caminho que Elvis vinha tomando em seus últimos anos.

O antes aclamado Rei do Rock ia cada vez mais direcionando sua carreira para um tipo de música mais centrada em suas raízes, leia-se country music. Essa guinada nem sempre era bem vista por um grupo determinado de fãs, justamente àqueles que se tornaram seus admiradores nos anos 50 e eram basicamente órfãos da primeira geração do Rock'n'Roll. Essa situação de desconforto nunca foi totalmente superada. Apesar de Elvis ter realmente deixado seu velho estilo de lado, principalmente em suas sessões de estúdio dos anos 70 (com exceções como Promised Land), é inegável que o country sempre o acompanhou e fez grande parte de sua fase inicial também. Para explicar essa situação a melhor resposta mesmo tenha sido justamente àquela dada pelo próprio Elvis. Quando questionado porque não gravava mais rocks Elvis sempre respondia que não encontrava mais material de qualidade desse ritmo e que para ele nem sempre seria proveitoso trazer à tona velhas músicas dos anos 50, por exemplo. Depois de ouvir todos os takes alternativos do CD finalmente chegamos na parte realmente importante desse CD do selo FTD. O mais interessante desse lançamento talvez seja mesmo as músicas que Elvis gravou de forma caseira na casa de Sam Thompson em Memphis. Aliás se formos analisar bem, chegaremos à conclusão que a única razão da existência desse título do selo FTD se encontra justamente nesses registros. Foi a forma encontrada por Ernst Jorgensen para lançar esse material. São cinco canções, Baby, What You Want Me To Do, I'm So Lonesome I Could Cry, See See Rider, Spanish Eyes e That's All Right, todas gravadas em novembro de 1973. Ninguém aqui seria tolo o bastante para partir para uma avaliação de suas qualidades técnicas, muito longe disso, pois sua importância transcende esse tipo de atitude. O que importa é a oportunidade única de se ouvir Elvis em um momento de descontração ao lado de pessoas que desfrutavam de sua intimidade na época. Elvis vinha se recuperando de vários problemas de saúde, inclusive estivera hospitalizado vários dias e ainda se encontrava em um período de convalescença. Foi justamente nessa situação que ele e Linda Thompson resolveram visitar a casa de Sam logo na primeira semana de novembro daquele mesmo ano. Elvis, Linda e Rick Stanley (filho de Dee, a madrasta de Elvis e guarda costas de plantão) foram lá com a intenção de fazer uma visita de cortesia, conversar um pouco e se descontrair para esquecer um pouco seus problemas pessoais e de saúde. O que era para ser apenas um encontro casual e de amenidades acabou mudando de foco quando Elvis começou a promover uma animada "sessão" ao lado de seus anfitriões (estavam presentes também os pais de Sam Thompson e sua esposa, Louise). Elvis deu uma canja e nem se importou ao perceber que Sam havia ligado seu pequeno gravador para deixar registrado para a história aquela "perfomance" do Rei do Rock. Aliás ele chegou mesmo a brincar com o fato ao dizer de forma jovial: "Ladies and Gentleman, this is being recorded tonight live for a new album..."

O clima de descontração fica evidente até mesmo por pequenas coisas que são lembradas pelo próprio Sam em seu depoimento, como o latido de seu velho cachorro, o telefone tocando ao fundo (nada mais do que a cozinheira de Graceland avisando que o jantar estava pronto!), as piadas e as conversas triviais entre os presentes. O Tape finaliza com um poema declamado pelo próprio Elvis. Se você pensa que é algo muito profundo ou sério esqueça, Elvis dá sua pequena contribuição e todos caem na gargalhada (com destaque para Linda, que perde logo a compostura e mais me parece uma hiena histérica, para dizer a verdade!). Depois de ouvir essas faixas você pode se perguntar: teriam elas algum valor realmente? Na minha forma de ver as coisas, sim, certamente. Para um fã elas são interessantes pois trazem um Elvis totalmente à vontade, praticamente em casa, num clima familiar e ameno. Quem conhece a história de Elvis sabe que isso não é pouca coisa. Principalmente em seus últimos anos Elvis realmente quase nunca abria mão de sua privacidade. Não deixa de ser um momento raro podermos ouvir, mesmo que por um mínimo espaço de tempo, Elvis em seus momentos de descontração e privacidade. Só isso já seria um argumento bastante forte para demonstrar que essas faixas são realmente preciosas. Talvez elas teriam muito mais relevância se fossem músicas inéditas, canções que não fizessem parte de nenhum de seus álbuns. Como são muito conhecidas e sempre fizeram parte de seus shows e discos de estúdio o interesse decai para os colecionadores. Mas, em seu contexto, elas são muito bem-vindas.

Se há uma grande contribuição desse lançamento, ele certamente é a prova de que os responsáveis pelo catálogo de Elvis, Ernst Jorgensen e Roger Semon, estão correndo atrás, indo em busca de coisas inéditas deixadas pelo imortal cantor. Ainda não se chegou a um grande achado, a um grande tesouro perdido, mas quem sabe se no futuro não seremos brindados com um conjunto de faixas realmente inéditas, um verdadeiro registro de valor imensurável para os fãs e estudiosos em geral? Só nos resta esperar e torcer para que esse dia chegue. Enquanto ele não vem, não deixe de ouvir esse novo lançamento do selo FTD. Ele pode ser encarado muito bem como um ensaio de algo muito valioso que ainda está por vir. O saldo final do disco não deixa de ser positivo. Apesar de todas as observações que escrevi aqui, não posso retirar desse novo lançamento da FTD seus méritos. Qualquer novo material envolvendo o nome de Elvis sempre será recebido como um grande evento por todos os que se interessam pela obra e pela vida desse grande ícone cultural de nosso tempo. Que venham sempre e sempre novos lançamentos, novos registros inéditos, pois assim o interesse em torno do nome de Elvis sempre se renovará, sempre terá um inegável sabor de novidade! Que Elvis renasça em todos esses títulos, nesse e nos anos que virão pela frente e que sua chama seja sempre reacendida pelos admiradores desse fenomenal artista.

Pablo Aluísio - janeiro de 2006.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Elvis Presley - Back In Memphis - Parte 1

Esse disco trazia uma segunda leva de gravações realizadas por Elvis Presley em Memphis, no American Studios. Na verdade o álbum foi um desdobramento do primeiro LP duplo da carreira de Elvis, "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis". Eram dois LPs. Um dedicado a gravações realizadas ao vivo em Las Vegas - na turnê que marcou o retorno de Elvis aos palcos depois de muitos anos afastado - e o outro recheado de músicas inéditas produzidas por Elvis na sua volta aos estúdios de sua cidade de coração, Memphis. Poderia haver algo mais saboroso para um fã de Elvis na época? Depois de anos e anos precisando aguentar trilhas sonoras infantis era realmente uma mudança e tanto no rumos da carreira do cantor.

Eu costumo afirmar que os anos 70 para Elvis começaram bem antes, em 1969. Nesse ano ele realmente mudou tudo e para melhor. As músicas ficaram mais consistentes, lidando com temas mais significativos em arranjos mais bem elaborados, letras falando dos problemas decorrentes de relacionamentos adultos, sem bobagens adolescentes pelo meio do caminho. Finalmente Elvis parecia se comunicar com seu público que também estava em uma faixa etária mais avançada. Não havia mais como bancar o eterno cantor garotão adolescente conquistando corações de meninas bobinhas. Era necessário crescer, sair da adolescência musical, algo que Elvis finalmente conseguiu com seus registros no American.

"Back in Memphis" na realidade não tem nenhum grande hit em sua seleção musical. Isso porém não significava nada no final das contas pois a seleção musical era de uma qualidade maravilhosa, superior a qualquer outra coisa que Elvis havia produzido nos últimos anos. Comparar com trilhas recentes como "Speedway" chegava a soar como covardia até. Colocando as cartas na mesa não existem músicas insignificantes em "Back in Memphis" (afirmação que inclusive pode ser ampliada para praticamente todas as canções gravadas no American Studios). Era um novo artista que nascia das cinzas, não fazendo mais concessões descabidas do ponto de vista comercial. Claro que de uma maneira em geral as sessões foram extremamente bem sucedidas comercialmente falando, como Suspicious Minds, por exemplo, que acabou se tornando a primeira canção a alcançar o número 1 da Billboard depois de longos anos, mas isso nunca foi o foco principal dessas gravações, muito longe disso.

Se pudesse escolher apenas uma palavra para descrever "Back In Memphis" eu usaria a expressão elegância. O álbum é muito elegante, tanto em sua proposta como em sua essência. As canções foram escolhidas por Felton Jarvis que parece ter se concentrado naquela nata mais substancial das sessões, procurando a fina flor de todo o material disponível. Como se sabe essas sessões foram realizadas no esquema de maratonas, ou seja, Elvis entrou em estúdio para gravar uma grande quantidade de músicas que depois seriam lançadas de forma gradual pela RCA Victor. Nesse quesito Jarvis foi muito feliz pois realmente acabou compondo duas belas seleções musicais (tanto em relação a esse álbum como no anterior, "From Elvis in Memphis"). Era o começo de novos tempos na carreira do Rei do Rock.

Pablo Aluísio.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Elvis Presley - If I Can Dream

Vários amigos e fãs de Elvis me enviaram mensagens nos últimos dias me perguntando porque eu ainda não tinha escrito sobre esse lançamento. O CD foi um grande sucesso de vendas, levando Elvis novamente ao primeiro lugar nas principais paradas americanas e europeias. A crítica de maneira em geral elogiou e o público, mesmo o mais ligado a Elvis, principalmente formado pelos colecionadores, etc, também gostou bastante. Assim "If I Can Dream" acabou se tornando uma espécie de unanimidade. A grande novidade vem do fato de termos novos arranjos, com a riqueza sonora da Royal Philharmonic Orchestra, preservando-se das gravações originais apenas a voz de Elvis. É um trabalho refinado, com muito estilo. Disso não sobram dúvidas. Apesar disso eu sou um tradicionalista em termos musicais. Como tenho mais de três décadas ouvindo a discografia original de Elvis Presley aprecio demais os arranjos originais para ignorá-los agora, pois a maneira como as gravações foram realizadas faz parte da história de Elvis. Criei até mesmo laços sentimentais com as canções. Não importa que muitos desses arranjos estejam desatualizados com a sonoridade atual, em minha opinião isso realmente não tem a menor relevância. As músicas foram gravadas levando-se em conta o seu contexto histórico, era a sonoridade que imperava na época. Traz o sabor da história e dos anos em que foram registradas. Tampouco tenho qualquer interessa comercial em fazer novos fãs entre a nova geração.

Eu sempre digo que a arte em geral é atemporal. Tentar modernizá-la ou tentar adequar ao gosto do público atual não deixa de ser também uma forma de descaracterizá-la. Além disso o trabalho dos músicos originais que tocaram com Elvis foi literalmente deixado de lado. Na verdade esse tipo de inovação nem mesmo me soa como algo novo. Já havia sido colocada em prática no lançamento de CDs como "Elvis Medley", lá por volta do começo dos anos 1980 ou até mesmo "Guitar Man", "Too Much Monkey Business", etc, cujos arranjos modernosos da época de seu lançamento soam hoje em dia mais desatualizados do que os originais que estavam nos álbuns lançados pelo próprio Elvis em vida. Além disso alguns arranjos desse CD não me agradaram em nada, a despeito da capacidade dos músicos envolvidos nesse processo. Canções como "Bridge Over Troubled Water", "You've Lost That Loving Feeling" e principalmente "An American Trilogy" já tinham certamente encontrado seu arranjo perfeito. Não se mexe em obras primas. Bem piores ficaram "Burning Love" e "Fever", essa última certamente a pior faixa do CD, exagerada, kitsch, excessiva. A única gravação remodelada que me deixou levemente satisfeito foi "If I Can Dream". Talvez por ser a gravação título do álbum realmente capricharam em seu arranjo. Todo o resto, sinceramente falando, me pareceu apenas curioso, até um pouquinho interessante, mas nada muito além disso. Esse é aquele CD que você terá em sua coleção apenas como curiosidade e nada mais. O fã de longa data com certeza não trocará as velharias que tanto ama por essa maquiagem. Não existe botox no mundo da música que melhore o que já é tão bom e belo. Não estou muito interessado nisso, quero mesmo as marcas do tempo e da história. Coisas que um tradicionalista preza. Tudo o mais é pura frivolidade sonora.

Elvis Presley - If I Can Dream (2015)
Burning Love
It's Now Or Never
Love Me Tender
Fever (feat. Michael Buble)
Bridge Over Troubled Water
And The Grass Won't Pay No Mind
You've Lost That Loving Feeling
There's Always Me
Can't Help Falling In Love
In The Ghetto
How Great Thou Art
Steamroller Blues
An American Trilogy
If I Can Dream

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Elvis Presley - From Elvis in Memphis

As pessoas precisam entender que até o lançamento desse álbum, Elvis vinha em uma situação muito ruim em sua carreira. A discografia de Elvis atravessava uma péssima fase. A grande maioria de seus discos se resumiam em trilhas sonoras de seus filmes. Esses já não eram grande coisa e as músicas também deixavam muito a desejar. Embora existissem gemas preciosas perdidas, o material como um todo era adolescente demais, quase bobo. O problema básico era que Elvis já era um homem de 30 anos, cantando e agindo como um adolescente apaixonado no cinema. Era fora de época, quase bizarro. Os fãs dos velhos tempos de Elvis também já tinham deixado os tempos colegiais de lado, estavam casados, com filhos, enfrentando problemas no casamento e tudo o mais. Quem iria ainda perder tempo comprando discos de Elvis Presley onde ele basicamente cantava letras falando de namoricos, bichinhos de estimação e praia? Nesse tempo Elvis foi sendo abandonado pelos antigos fãs ao mesmo tempo em que não conquistava novos admiradores entre os adolescentes dos anos 60 que estavam curtindo outro tipo de som. Elvis era apenas um tiozão querendo dar uma de garotão para essa nova geração.

Assim em 1969 todos da organização Presley tomaram consciência que a mudança teria que vir. Os discos não vendiam mais bem, as trilhas encalhavam nas lojas e Elvis era um autêntico artista ultrapassado, um ídolo roqueiro do passado que "já era", ele pouco significava em termos comerciais para o mercado fonográfico. Como mudar isso? A primeira providência foi deixar Hollywood para trás. Ainda havia alguns contratos a cumprir com os estúdios de cinema, mas depois deles, nunca mais. Outro passo importante era voltar aos shows ao vivo. Elvis ficou tanto tempo fora dos palcos que as pessoas simplesmente esqueceram que ele ainda existia. A estratégia de Tom Parker em isolar Elvis do público como forma de incentivar a venda de ingressos nos cinemas não deu certo. Elvis foi sumindo dos jornais, das revistas e finalmente dos olhos do público. Ao invés de estar fazendo shows e turnês memoráveis, Elvis estava afundando em roteiros de péssima qualidade em filmes que estavam sendo solenemente ignorados pelas pessoas em geral.

Pois bem, Elvis já tinha deixado Hollywood para trás e voltado aos shows em Las Vegas. O próximo passo era voltar ao estúdio de gravação para gravar boas músicas. "From Elvis in Memphis" entra nesse último quesito. Ao invés de letras bobocas sobre amores adolescentes o produtor Chips Moman selecionou um repertório de verdade, com temas interessantes, adultos, bem de acordo com os tempos em que todos viviam. O saldo de qualidade foi absurdo. Elvis que não era bobo nem nada ouviu todos aqueles demos e ficou empolgado. Ali estava um material para enfiar a cara, dar o melhor de si. Ao invés das ridículas canções sobre mariscos e ostras de seus filmes de praia, Elvis agora tinha uma bela coleção de canções para trabalhar. Ele ficou empolgado com a oportunidade de novamente cantar bem, fazer bonito perante a crítica e principalmente reconquistar seu velho público que havia ido embora depois de tantos discos medíocres.

O estúdio escolhido foi o American que ficava ali em Memphis mesmo, em um bairro de vizinhança pobre e negra da cidade. No passado o American havia sido usado por inúmeros artistas de black music. Ao contrário dos assépticos estúdios da costa oeste, com seu ambiente de plástico, agora Elvis estava respirando história musical ali dentro. Procurando absorver os bons ares do local ele costumava chegar cedo ao estúdio para acompanhar as gravações de artistas negros que gravavam antes dele. Elvis sempre foi um apaixonado pela música negra e agora podia se sentir fazendo parte daquela comunidade de artistas. Era algo muito gratificante para ele naquele momento complicado de sua vida profissional.

Outra decisão que ajudou Elvis a respirar novos ares foi a despedida de sua antiga banda. Com os anos muitos daqueles músicos foram pegando vícios dentro dos estúdios. A convivência por muito tempo acabou criando uma certa saturação de relacionamento. Com a entrada de um novo grupo musical esses ares se renovavam. Os novos membros da banda de estúdio de Elvis nunca tinham trabalhado com ele antes. Eram jovens e admiravam Presley pelo que ele havia conquistado por todos aqueles anos, porém todos concordavam que os últimos álbuns do cantor eram verdadeiras palhaçadas. Ajudar Presley passou a ser mais um ponto de incentivo para todos. Scotty Moore, DJ Fontana e a velha banda de Elvis então foram dispensados pelo Coronel Parker. Eles faziam parte do passado e Elvis agora procurava olhar para a frente, em busca de novos horizontes e objetivos a conquistar. Uma nova era começava em sua vida.

Wearin' That Loved On Look (Dallas Frazier / Al Owens) - A canção que abre o álbum "From Elvis in Memphis" já trazia todos os elementos que demonstrariam aos fãs que Elvis finalmente trilhava um novo caminho na carreira. As mudanças já começavam pelos arranjos. Há nitidamente por parte do produtor Chips Moman um esforço em enriquecer as gravações com uma instrumentação mais bem elaborada e moderna. Também chama a atenção o fato de que os antigos arranjos vocais da discografia de Elvis, baseados em grupos masculinos de formação gospel, como os Jordanaires, foram substituídos por algo mais contemporâneo, baseado numa vocalização feminina negra. A canção deu trabalho. Elvis e seus músicos ficaram das duas da manhã até as sete do dia 14 de janeiro, já com o sol raiando, trabalhando nela. No total foram produzidas 14 takes, sendo que nenhum deles deixou Elvis suficientemente satisfeito. Chips prometeu a Elvis que iria trabalhar depois na mesa de som com as gravações para se chegar em uma versão perfeita. Depois de tanto esforço é de se reconhecer que a gravação final ficou realmente irretocável. Uma bela obra prima dessa fase mais criativa do cantor. Eis as canções do álbum:

Only The Strong Survive (Gamble / Huff / Butler) - Uma das coisas que mais chamam atenção nessa nova leva de gravações de Elvis em 1969 é a mudança significativa das letras. Durante praticamente toda a década de 1960, principalmente com suas trilhas sonoras, Elvis ficou preso a um tipo básico de letra sobre amores adolescentes que se desgastou completamente. Assim já havia passado mesmo da hora de mudar, evoluir, crescer. Certamente o tema sobre amores não seria deixado de lado, porém sob um enfoque diferente, tratando dos problemas de um relacionamento mais adulto. Essa música havia sido gravada originalmente pelo cantor e compositor Jerry Butler um ano antes. Ela fazia parte do repertório do disco "The Ice Man Cometh". Quando lançada em single se tornou um grande sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias, conquistando o disco de platina. Elvis a adorava e foi ele que a trouxe para as sessões no American. Posteriormente a música seria regravada por Billy Paul, consolidando ainda mais seu sucesso nas paradas.

I´ll Hold Your In My Heart (Arnold / Horton / Dilbeck) - Eddie Arnold foi um pioneiro da música country que cruzou várias vezes o caminho de Elvis ao longo de sua carreira. Um de seus maiores sucessos foi justamente essa canção "I´ll Hold Your In My Heart". Curiosamente, apesar de Arnold ter sido um dos maiores nomes do som de Nashville, ela gravou sua versão original nos estúdios da RCA Victor em Chicago. Outro fato que o liga a Elvis é que essa sessão de gravação foi produzida por Steve Sholes, o mesmo produtor que trabalhou ao lado de Elvis em seus primeiros anos na gravadora RCA. Elvis inclusive considerava esse um dos melhores trabalhos de Sholes e durante anos dizia que também iria gravar a sua versão da canção, que era uma de suas preferidas. Assim "I´ll Hold Your In My Heart" acabou sendo outra música escolhida pessoalmente por Elvis para a sessão. Como sempre a tocava no grande piano dourado de Graceland, em momentos de descontração, o próprio Elvis decidiu que ele iria tocar o instrumento na faixa. É justamente isso que ouvimos na versão oficial. Elvis inspirado fazendo sua pequena homenagem ao legado de Eddie Arnold.

Long Black Limousine (George / Stavall) - É certamente uma das melhores letras do disco. Evocativa, quase como uma narrativa cinematográfica, a canção chama a atenção pela originalidade e ousadia, afinal de contas não era todo dia que se ouvia algo assim. Com elementos de country e rhythm and blues, a canção foi sugerida pelo produtor Chips Moman. Ele chamou Elvis para lhe mostrar o tipo de sonoridade e criatividade que estava esperando produzir naquelas sessões. "Long Black Limousine" inclusive foi a música que abriu os trabalhos no American Studios. Moman queria começar em grande estilo, procurando ir diretamente a uma fonte com mais qualidade, com melhores arranjos e letras fortes, marcantes. Elvis adorou tanto a canção como a proposta do produtor, já que há anos vinha reclamando da falta de material de qualidade para trabalhar. A música havia sido escrita em 1958, no mesmo ano em que Elvis estrelava "King Creole". Durante anos porém ela não foi gravada. Foi considerada estranha demais pelas gravadoras da época. Apenas em 1961 ganhou sua primeira versão, em um single lançado pelo cantor Wynn Stewart. Ao longos dos anos foi ganhando novas regravações discretas. Nem a versão de Glen Campbell conseguiu se destacar nas paradas, provando que era realmente uma faixa sui generis que fugia dos padrões mais comerciais. Antes de Elvis a tornar mais conhecida, apenas sua inclusão no disco "The Nashville Sound of Jody Miller" conseguiu trazer alguma notoriedade. Depois que Elvis a gravou no American Studios finalmente a música conseguiu se tornar apreciada pelo grande público em geral. Um reconhecimento tardio, mas muito bem-vindo.

It Keeps Right A Hurtin (Johnny Tillotson) - Johnny Tillotson foi um cantor e compositor sulista que surgiu na esteira de sucesso do próprio Elvis, ainda na década de 1950. Inicialmente ele apareceu no mercado como um astro pop adolescente, porém com o passar dos anos foi crescendo musicalmente, abraçando finalmente o estilo country. Apesar de Johnny muitas vezes ser encarado apenas como um "mini Elvis" como tantos outros que surgiram naquela época, Elvis via em seus singles um claro talento musical. Na verdade o próprio Elvis costumava ouvir seus compactos quando estava na Alemanha, prestando serviço militar. Daqueles astros juvenis ele era um dos que mais chamavam sua atenção. "Pledging My Love", por exemplo, um hit na voz de Tillotson durante a década de 60, seria gravada por Elvis em seu último álbum, "Moody Blue". Já "It Keeps Right On A-Hurtin'" foi lançada originalmente como single em 1962. Desde o seu lançamento Elvis a considerou uma grande canção. A música realmente tinha excelente melodia e letra, o que a faz se destacar na Billboard, alcançando a terceira posição entre os mais vendidos. Essa foi outra especialmente selecionado por Presley para fazer parte do álbum. Uma questão realmente de gosto pessoal.

I'm Movin On (Hank Snow) - Nessa gravação Elvis Presley fez uma volta ao seu passado, mais precisamente a 1950 quando "I'm Movin On" na voz de Hank Snow estourou em todas as paradas country. Em Memphis ela virou figurinha fácil nas emissoras de rádio. Na época Elvis era apenas um garoto de quinze anos de idade que sequer sonhava em alcançar a fama de Hank, considerado um dos maiores ídolos da música country dos Estados Unidos. Durante as sessões Elvis começou a trocar ideias com o produtor Felton Jarvis (que iria se tornar seu produtor musical definitivo depois dessa gravação) e disse a ele que seria muito bom trazer grandes clássicos da country music para o American Studio. Ali mesmo, com Elvis sentado em um banco no centro do estúdio, eles começaram a lembrar de grandes músicas de um passado distante. Elvis se virou para Jarvis, apontou o dedo e disse: "Eu me lembrei agora de I'm Movin On do Hank! Vamos gravá-la!". Felton Jarvis então providenciou partituras para os músicos e após alguns breve ensaios eles conseguiram, até com relativa facilidade, chegar no take ideal que se tornaria o oficial. Depois da última tentativa, ainda com microfone aberto, Elvis empolgado disparou no microfone: "Ei, essa é uma grande canção!". Risos foram ouvidos atrás dele.

Power Of My Love (Bill Giant / Bernie Baum / Florence Kaye) - O trio Giant, Baum e Kaye escreveu algumas das mais medonhas músicas gravadas por Elvis em sua carreira. Muitas delas tinham sido compostas a toque de caixa para fazer parte das trilhas sonoras de seus filmes. Com o tempo Elvis foi desenvolvendo uma certa aversão ao trio, justamente por causa das porcarias que tinham escrito ao longo dos anos. Curiosamente ele, que chegou certa vez a dizer que nunca mais gravaria nada composto pelo trio novamente, resolveu abrir uma última exceção. A razão era simples de entender, pois "Power Of My Love" era realmente uma grande música, muito boa realmente, com letra e melodia bem acima da média. Muitos anos depois o compositor Florence Kaye confessou: "Realmente muitas músicas que fizemos para Elvis não eram grande coisa. Os filmes também não nos empolgavam a escrever nada melhor. Se o filme era ruim, as trilhas não poderiam ser melhores. Em 1969 o produtor de Elvis me ligou dizendo que providenciasse algo novo. O Coronel queria que uma de nossas músicas fosse para o novo disco de Elvis. Era um álbum de estúdio e por isso resolvemos dar o melhor de nós! Acho a gravação muito forte e bonita. Nossa melhor colaboração ao lado do cantor". Kaye tinha toda a razão, "Power Of My Love" era mesmo uma grande faixa e seguramente um dos melhores momentos do disco inteiro. Grande canção.

Gentle On My Mind (John Hartford) - John Hartford foi um mestre do folk americano. Com uma carreira longa e muito produtiva ele se destacou como um grande tocador de banjo e violão folclórico. Durante toda a sua carreira Hartford lutou para a preservação da cultura dos grandes rios do sul, onde muita música de qualidade era criada, principalmente em pequenos portos fluviais, em estabelecimentos pequenos que se instalavam próximo aos locais de desembarque dos grandes barcos movidos a vapor. Folclorista e historiador, dedicou sua carreira a preservar esse aspecto histórico da música sulista americana. Também foi produtor musical, muito próximo a Chet Atkins que havia trabalhado como produtor do próprio Elvis nos anos 60. Durante uma sessão de gravação em Nashville Elvis se encontrou casualmente com Hartford nos bastidores, já que na época John trabalhava também na RCA Victor. Presley aproveitou para elogiar sua recente gravação, a própria "Gentle On My Mind" que havia sido lançada originalmente pelo autor em 1967. John nem hesitou e sugeriu a Elvis que ele um dia a gravasse. "Adoraria ouvir você cantando ela, Elvis!" - disparou o compositor. Elvis parece não ter esquecido da sugestão. Assim dois anos depois desse encontro lá estava ele no estúdio cantando a música de seu colega da RCA. O que temos aqui é uma bela faixa, um excelente momento do cantor no American. A lamentar apenas o fato de Elvis não ter gravado mais canções de Hartford ao longo de sua discografia. Ele era inegavelmente um grande talento musical.

After Loving You (Miller / Lantz) - Essa canção já tinha uma longa tradição quando Elvis a gravou no American. Ela foi escrita por Eddie Miller na década de 1930. Naquela época a indústria fonográfica americana ainda era muito primitiva e os compositores ganhavam dinheiro com a venda das partituras musicais em folhas de papel. Essas então eram levadas para as grandes casas tradicionais do sul onde eram tocadas ao piano em saraus animados e elegantes. Era uma outra era, com costumes próprios. Depois de anos nessa linha tradicional a música foi finalmente colocada em um disco, numa gravação. Coube a Joe Henderson essa honra, já na primeira metade dos anos 1960 (trinta anos depois que Miller compôs sua canção). Depois veio a versão de maior sucesso, gravada por Eddy Arnold. Foi essa a versão na qual Elvis se baseou para sua gravação no American já que ele não apreciava muito a terceira versão, lançada em 1963, com Jim Reeves nos vocais. Segundo o próprio produtor Chips Moman, Elvis até pediu para ouvir novamente a gravação de Arnold no estúdio para se preparar para a sua própria interpretação. Em suma, uma canção histórica que rendeu um ótimo momento ao disco como um todo.

True Love Travells On A Gravel Road (Frazier / Owens) - Essa canção foi sugerida a Elvis Presley pelo produtor Felton Jarvis. Vejo isso como uma prévia do que iria acontecer na parceria entre ambos durante a década seguinte. Elvis como cantor, Jarvis como seu braço direito nos estúdios, seu produtor fixo. Geralmente músicas de claro sabor country, que não tinham feito muito sucesso com seus autores originais, eram revitalizadas por Elvis em seus vários álbuns na década que viria. Isso até se tornaria padrão nas escolhas de repertórios de seus futuros discos. É justamente o que temos aqui. A versão original havia sido lançada no ano anterior, porém não conseguiu se sobressair nas paradas - nem mesmo naquelas especializadas em country music. Jarvis, que tinha claros interesses comerciais na música, a tocou para Elvis no American. "Veja que bela canção Elvis!". Os olhos do cantor brilharam na primeira audição (ele ainda não conhecida a versão de Duanne Dee) e assim em questão de segundos ele decidiu que aquela era uma boa música e que iria gravá-la. Quem produziu a faixa inteiramente foi Felton Jarvis já que o produtor principal da sessão, Chips Moman, não se encontrava no estúdio naquele momento. Na verdade Elvis gostou muito mais de trabalhar ao lado de Felton Jarvis do que de Moman, que tinha um jeito mais incisivo de impor sua opinião, algo que não era de inteiro agrado de Elvis. Havia limites que, na visão de Elvis, Chips havia ultrapassado várias vezes durante os trabalhos no American. Jarvis, por outro lado, parecia ser mais camarada, amigo e próximo, e isso fez com que Elvis nas sessões seguintes sempre pedisse a RCA Victor para que Jarvis voltasse como seu produtor principal. Ficariam juntos até a morte do cantor em 1977.

Any Day Now (Hillard / Bacharad) - Todos sabiam que Elvis tinha uma grande admiração por Chuck Jackson, cantor negro nascido na Carolina do Sul, astro do selo Motown Records. Em 1962 ele emplacou esse sucesso em um single de grande sucesso. Naquela época Elvis até tentou gravar essa faixa para fazer parte de algum single pela RCA porém por motivos contratuais relativos à direitos autorais isso jamais aconteceu. Também não era o momento adequado. Elvis estava afundado em contratos de cinema e muito provavelmente nem encontraria espaço para lançar adequadamente a canção. Quando em 1969 voltou aos estúdios e recebeu carta branca da RCA ele nem pensou duas vezes. Aquele era o momento para gravar finalmente a música. Naquela altura a canção já tinha inclusive ganhado mais duas outras novas versões, lançadas por Burt Bacharach e Percy Sladge. O que mais chama a atenção na gravação de Elvis é que ele e Chips Moman procuraram dar a ela aquela sonoridade tão característica da Motown, com ricos arranjos de metais. Quando chegou a hora de gravar Chips posicionou os microfones mais distantes de Elvis do que o habitual. Era uma forma de criar uma sonoridade característica, como se Elvis estivesse cantando do fundo de um poço. Ecos da Sun Records. Uma maneira de homenagear aquele passado glorioso do cantor, afinal de contas eles estavam ali, na mesma cidade, Memphis, tentando recriar pelo menos em parte toda aquela magia inicial da carreira de Elvis.

In The Guetto (Mac Davis) - No final da década de 1960 a chamada música de protesto estava em alta. Havia os hippies, os movimentos sociais, a luta pelos direitos civis e toda uma sociedade em ebulição. Esse clima de tensão racial, sexual e social acabou passando para a arte, como era de se prever. Assim Mac Davis escreveu essa música que tem quase uma linguagem cinematográfica. O foco vai para a dura vida dos negros nas grandes cidades americanas, vivendo em bairros e guetos pobres, longe de tudo, mas principalmente da riqueza dos brancos. Além disso havia o sempre presente preconceito racial, as atitudes de discriminação que sofriam e a exclusão social que sentiam na pele. Elvis, que em toda a sua carreira, nunca foi de cantar canções políticas ou de protesto, surpreendeu muita gente com essa faixa. Conforme ele próprio explicou numa entrevista, sua intenção não era virar um artista ativista, muito longe disso. Em sua maneira de ver a situação aquela era simplesmente uma ótima música que ele não poderia ignorar. A sua letra mais social era apenas um detalhe. Lançada como single era o tipo de gravação de que Elvis precisava para ganhar a simpatia de toda uma nova geração de radialistas, muitos deles alinhados com o novo tipo de pensamento e mentalidade que se espalhavam por toda a sociedade. Profissionais que surgiram tocando Beatles e Bob Dylan e que na maioria das vezes simplesmente ignoravam os lançamentos de Elvis, principalmente em sua fase Hollywoodiana dos anos 60. Agora o veterano Elvis parecia ter algo mais substancial para apresentar. Não é por outro motivo que a música acabou virando sucesso, também nessas rádios de universidades, comunidades, centros sociais, etc. Finalmente Elvis parecia ter algo importante para cantar após anos apresentando material de baixa qualidade. O sucesso foi então apenas um efeito natural da boa receptividade da faixa como um todo.

Elvis Presley - From Elvis in Memphis (1969): Elvis Presley (voz, piano e violão) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Mike Leech (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Ronnie Milsap (piano) / Bobby Emons (orgão) / John Hughey (steel guitar) / Ed Kollis (harmônica) / Sonja Montgomery, Mary Green, Mary Holladay, Donna Thatcher, Susan Pilikington & Sandy Bolsey (vocais) / Charlie Hodge (vocais) / The Memphis Horns (metais) / The Memphis Strings (cordas) / Orquestra Sinfônica Municipal de Memphis / Produzido por Felton Jarvis, Chips Moman e Elvis Presley / Data de gravação: 13 a 22 de janeiro e 17 a 22 de fevereiro de 1969 / Gravado no American Studios, Memphis / Data de lançamento: Novembro de 1969 / Melhor posição nas charts: #13 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Elvis Presley - From Elvis in Memphis - Parte 4

True Love Travells On A Gravel Road (Frazier / Owens) - Essa canção foi sugerida a Elvis Presley pelo produtor Felton Jarvis. Vejo isso como uma prévia do que iria acontecer na parceria entre ambos durante a década seguinte. Elvis como cantor, Jarvis como seu braço direito nos estúdios, seu produtor fixo. Geralmente músicas de claro sabor country, que não tinham feito muito sucesso com seus autores originais, eram revitalizadas por Elvis em seus vários álbuns na década que viria. Isso até se tornaria padrão nas escolhas de repertórios de seus futuros discos. É justamente o que temos aqui. A versão original havia sido lançada no ano anterior, porém não conseguiu se sobressair nas paradas - nem mesmo naquelas especializadas em country music. Jarvis, que tinha claros interesses comerciais na música, a tocou para Elvis no American. "Veja que bela canção Elvis!". Os olhos do cantor brilharam na primeira audição (ele ainda não conhecida a versão de Duanne Dee) e assim em questão de segundos ele decidiu que aquela era uma boa música e que iria gravá-la. Quem produziu a faixa inteiramente foi Felton Jarvis já que o produtor principal da sessão, Chips Moman, não se encontrava no estúdio naquele momento. Na verdade Elvis gostou muito mais de trabalhar ao lado de Felton Jarvis do que de Moman, que tinha um jeito mais incisivo de impor sua opinião, algo que não era de inteiro agrado de Elvis. Havia limites que, na visão de Elvis, Chips havia ultrapassado várias vezes durante os trabalhos no American. Jarvis, por outro lado, parecia ser mais camarada, amigo e próximo, e isso fez com que Elvis nas sessões seguintes sempre pedisse a RCA Victor para que Jarvis voltasse como seu produtor principal. Ficariam juntos até a morte do cantor em 1977.

Any Day Now (Hillard / Bacharad) - Todos sabiam que Elvis tinha uma grande admiração por Chuck Jackson, cantor negro nascido na Carolina do Sul, astro do selo Motown Records. Em 1962 ele emplacou esse sucesso em um single de grande sucesso. Naquela época Elvis até tentou gravar essa faixa para fazer parte de algum single pela RCA porém por motivos contratuais relativos à direitos autorais isso jamais aconteceu. Também não era o momento adequado. Elvis estava afundado em contratos de cinema e muito provavelmente nem encontraria espaço para lançar adequadamente a canção. Quando em 1969 voltou aos estúdios e recebeu carta branca da RCA ele nem pensou duas vezes. Aquele era o momento para gravar finalmente a música. Naquela altura a canção já tinha inclusive ganhado mais duas outras novas versões, lançadas por Burt Bacharach e Percy Sladge. O que mais chama a atenção na gravação de Elvis é que ele e Chips Moman procuraram dar a ela aquela sonoridade tão característica da Motown, com ricos arranjos de metais. Quando chegou a hora de gravar Chips posicionou os microfones mais distantes de Elvis do que o habitual. Era uma forma de criar uma sonoridade característica, como se Elvis estivesse cantando do fundo de um poço. Ecos da Sun Records. Uma maneira de homenagear aquele passado glorioso do cantor, afinal de contas eles estavam ali, na mesma cidade, Memphis, tentando recriar pelo menos em parte toda aquela magia inicial da carreira de Elvis.

In The Guetto (Mac Davis) - No final da década de 1960 a chamada música de protesto estava em alta. Havia os hippies, os movimentos sociais, a luta pelos direitos civis e toda uma sociedade em ebulição. Esse clima de tensão racial, sexual e social acabou passando para a arte, como era de se prever. Assim Mac Davis escreveu essa música que tem quase uma linguagem cinematográfica. O foco vai para a dura vida dos negros nas grandes cidades americanas, vivendo em bairros e guetos pobres, longe de tudo, mas principalmente da riqueza dos brancos. Além disso havia o sempre presente preconceito racial, as atitudes de discriminação que sofriam e a exclusão social que sentiam na pele. Elvis, que em toda a sua carreira, nunca foi de cantar canções políticas ou de protesto, surpreendeu muita gente com essa faixa. Conforme ele próprio explicou numa entrevista, sua intenção não era virar um artista ativista, muito longe disso. Em sua maneira de ver a situação aquela era simplesmente uma ótima música que ele não poderia ignorar. A sua letra mais social era apenas um detalhe. Lançada como single era o tipo de gravação de que Elvis precisava para ganhar a simpatia de toda uma nova geração de radialistas, muitos deles alinhados com o novo tipo de pensamento e mentalidade que se espalhavam por toda a sociedade. Profissionais que surgiram tocando Beatles e Bob Dylan e que na maioria das vezes simplesmente ignoravam os lançamentos de Elvis, principalmente em sua fase Hollywoodiana dos anos 60. Agora o veterano Elvis parecia ter algo mais substancial para apresentar. Não é por outro motivo que a música acabou virando sucesso, também nessas rádios de universidades, comunidades, centros sociais, etc. Finalmente Elvis parecia ter algo importante para cantar após anos apresentando material de baixa qualidade. O sucesso foi então apenas um efeito natural da boa receptividade da faixa como um todo.

Elvis Presley - From Elvis in Memphis (1969): Elvis Presley (voz, piano e violão) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Mike Leech (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Ronnie Milsap (piano) / Bobby Emons (orgão) / John Hughey (steel guitar) / Ed Kollis (harmônica) / Sonja Montgomery, Mary Green, Mary Holladay, Donna Thatcher, Susan Pilikington & Sandy Bolsey (vocais) / Charlie Hodge (vocais) / The Memphis Horns (metais) / The Memphis Strings (cordas) / Orquestra Sinfônica Municipal de Memphis / Produzido por Felton Jarvis, Chips Moman e Elvis Presley / Data de gravação: 13 a 22 de janeiro e 17 a 22 de fevereiro de 1969 / Gravado no American Studios, Memphis / Data de lançamento: Novembro de 1969 / Melhor posição nas charts: #13 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Dissecando Mr Presley em 1969

Dissecando Mr Presley em 1969
Por Erick Steve 

Visual: Elvis abandona de forma definitiva o laquê que o caracterizou tanto em Hollywood e usa seu cabelo ao natural, novamente bem pintado de preto. Suas primeiras roupas no palco no International Hotel também trazem tonalidades escuras, com acessórios vermelhos. Visualmente Elvis ainda não se achou, coisa que só iria se consolidar nos anos seguintes com a chegada das jumpsuits brancas que seriam sua marca registrada para sempre. Elvis no final das contas cede às pressões da moda da época e adota o cabelo liso e longo (alguém aí lembrou dos Beatles?)

Voz: Elvis está em uma fase particularmente inspirada em suas interpretações, trazendo ainda ecos de suas sessões no American Studios no começo do ano. Apesar das ótimas faixas de estúdio ainda prefiro suas performances ao vivo, aonde demonstra vitalidade e força de vontade, principalmente no disco Elvis In Person (que é apenas um dos Lps do From Elvis to Vegas lançado em separado). Seu estilo no American inclusive não mais se repetiu nos discos seguintes.

Banda: Perfeita. Porém um fato chama logo a atenção: eles se saem melhor em músicas mais agitadas e viris. Nas românticas, principalmente ao vivo, nota-se certa preguiça e falta de entrosamento (vide Are You Lonesome Tonight e In The Guetto do Lp In Person). Claro que estou me referindo à TCB Band. Já os músicos do American eram melhores em estúdio, como bem demonstra os LPs de Elvis gravados ao lado deles.

Melhor show de 1969: 24 de agosto. Elvis está bastante animado e afinado. Altamente profissional e bem longe de algumas apresentações em que ele visivelmente ficaria entediado nos anos que viriam. O show de estréia não me agrada muito, pois Elvis transparece nervosismo e demora a se encontrar no palco. Compreensível já que ele estava quase dez anos sem se apresentar ao vivo – sua última apresentação tinha acontecido no Hawaii em 1961.

Vida pessoal: Quando Elvis foi para Las Vegas ele não se fez de tímido. Só existem dois tipos de pessoas que moram em Las Vegas mesmo: artistas frustrados e garotas de programa (as famosas escorts girls de Vegas). Elvis não demorou muito para se sentir totalmente à vontade na presença dessas "damas" e "tietes". Uma diferente a cada noite, senão enjoa. Priscilla? Coitada só ia nas estreias e nos shows de encerramento. Nesse meio tempo Elvis aprontava e ela ficava em Memphis cuidando da casa (machismo perde hein?). Infelizmente é isso mesmo, A Priscilla começa a virar alce, de tanto chifre que começa a levar.

Bolinhas: Ora, se Elvis já estava bem dependente em casa, imagine na loucura de Vegas. Pressionado e com a adrenalina a mil por causa dos shows e sua volta, Elvis se esbalta nos coquetéis químicos. O consumo aumenta, mas tudo é cirurgicamente abafado para não gerar escândalos na imprensa. Porém, nessa época, as drogas ainda não começam a prejudicar seus shows e poucos percebem que Elvis está de cuca alta na maioria dos concertos. Ele surge nos palcos esbelto, bronzeado e com ótimo visual. Ninguém imagina um junkie em sua presença. Só a partir de 1972 é que as pessoas iriam finalmente perceber que ele tinha algum problema escondido em sua vida pessoal. Ele começou a apresentar uma aparência ruim, visivelmente drogado.

Melhor single: Suspicious Minds – Pelo sucesso e pelo valor artístico. Nota 10.

Pior single: Complicado escolher, pois Elvis só lançou material relevante. Na dúvida fico com His Hand In Mine, por ser apenas reprise. Mas isso não quer dizer que a música é ruim, na verdade é excelente, só que é velha.

Melhor música: In The Guetto – por seu valor social e político.

Pior Música: Charro – que porcaria é essa?! Fantasma do passado negro de Elvis no cinema!

Melhor disco: Sem dúvida, From Memphis to Vegas / From Vegas To Memphis, principalmente por causa da parte "Elvis in Person" do disco.

Pior disco: Não tem. Elvis só lançou dois LPs de ótima qualidade. Como não saiu nenhuma trilha sonora, não temos como dar o troféu Abacaxi do Ano.

Saldo final: Altamente positivo. Elvis recomeçava a andar, depois de ficar uma década estagnado e morto artisticamente em Hollywood.