segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 24

Antes de tomar sua segunda rodada de remédios Elvis pedia aos seus assistentes que o ajudassem a ir ao banheiro. Mal conseguindo falar por causa de seu estado, Elvis puxava a camisa de Red West duas vezes para que ele o levantasse da cama junto a, geralmente, Rick Stanley. Os dois então seguravam Elvis em ambos os lados e o levavam até o banheiro luxuoso de sua suíte. Elvis mal podia andar em suas próprias pernas por estar tão turbinado por drogas pesadas. Poucos minutos depois eles o traziam de volta à cama. Rick Stanley relembra esses momentos difíceis: “Era muito triste presenciar Elvis nessas situações. Aqui estava essa pessoa, totalmente dependente de todos à sua volta, sendo tratado como uma criança pequena. Quando o colocava em sua cama perguntava a ele: ‘Está tudo bem Elvis? Tem certeza que não precisa de mais nada?’ Elvis mal conseguia mostrar reação nessas horas, ele simplesmente se virava para o lado e ia a nocaute novamente. O olhar estava vidrado, ele não conseguia manter a menor atenção ao que acontecia ao seu redor. Era muito deprimente testemunhar tudo isso”. Após se deitar Elvis novamente ia perdendo a consciência rapidamente, mergulhado totalmente em seu torpor químico, se afundando até o dia seguinte quando então tudo recomeçava novamente com as mesmas drogas, as mesmas situações aflitivas e... o mesmo fio da navalha...

Quando o relógio marcava dez da manhã era chegado o momento do terceiro ataque. Esse teria uma função complementar para as duas primeiras rodadas de drogas a que Elvis já tinha sido submetido nessa mesma noite. A intenção agora era completar o serviço iniciado com os ataques anteriores. De todos os procedimentos perigosos pelo qual Elvis passava esse era certamente o mais delicado. O menor erro poderia levá-lo facilmente à morte e por essa razão sempre era preciso a presença de um médico para evitar qualquer eventual problema, como por exemplo uma super dosagem de drogas que o levasse a uma overdose fatal. Tudo era feito com extremo cuidado e cautela. Nesse momento o cantor precisava de uma substância diferenciada. O médico mandava então seus assistentes virarem Elvis e com duas mechas de algodão introduzia drogas líquidas em suas narinas e finalizava o procedimento com uma dose de dexedrinas para dar partida em seu coração semi moribundo e evitar uma parada cardíaca causada por tantas substâncias circulando em seu corpo ao mesmo tempo. Elvis babava e revirava os olhos. Uma cena grotesca que deixaria o mais fanático fã de sua música em choque! Depois do terceiro ataque Elvis afundava e desabava, só conseguindo recobrar sua consciência no final da tarde. Como justificar tamanha agressão ao próprio organismo?! Com o tempo Elvis foi ficando totalmente à vontade na posição de usuário de drogas perigosas. Por mais incrível que isso possa parecer, Elvis estava sempre procurando os mais novos remédios do mercado. Mal recuperava sua consciência e ia folhear seu guia de drogas, que geralmente ficava à mão em seu quarto.

Assim que saía uma pílula nova, lá estava Elvis tentando dar um jeito de experimentar seus efeitos! Queria conferir as novidades, experimentá-las! Assim como um sujeito normal que deseja um bem de consumo novo qualquer todos os anos, Elvis desejava sempre experimentar a mais nova droga que a indústria farmacêutica colocava à venda! Segundo seu biógrafo Jerry Hopkins, Elvis era um "experimentador"! Do mesmo modo que ele queria o mais novo modelo extravagante de carro, ele queria adquirir a mais recente droga no mercado! Valium. Ethinamate. Dilaudid. Demerol. Percodan. Placidyl. Dexedrine. Biphetamine. Amytal. Quaalude. Carbrital. Ritalin. Não importa, assim que chegavam aos consumidores Elvis colocava sua tropa de médicos em ação para que as receitas chegassem logo nas suas mãos e ele mandasse seus capangas o mais rapidamente possível à farmácia local para comprar a nova química! Aos poucos Elvis foi ficando cada vez mais confortável com o uso desses remédios, afinal não eram drogas de rua, mas no final das contas também o deixavam chapado, dando um barato do qual Elvis não conseguia mais se livrar. Sob esse ponto de vista ele estava tão viciado em drogas como qualquer usuário de cocaína ou heroína na esquina. A única diferença era que as substâncias psicotrópicas eram vendidas em drogarias legais e não por traficantes perigosos. A comodidade era o grande diferencial para Elvis, embora ele no final de tudo pagasse caro por suas escolhas equivocadas.

Curiosamente Elvis odiava traficantes e usuários de drogas em geral. Em relação às drogas de rua Elvis acreditava que apenas a violência iria limpar a sociedade. Para ele deveria haver um choque de repressão violenta dentro da sociedade, com os traficantes e drogados sendo eliminados sem qualquer compaixão. Pena de morte para essa gente imunda. Chegou a dizer várias vezes: "Se os tiras quiserem minha ajuda, com meu arsenal pessoal, podem me chamar. Vou para as ruas e passo chumbo quente nessa escória". Ironicamente ele própria fazia a mesma coisa em sua vida privada. Era uma contradição impossível de contornar. Como vivia cercado de puxa sacos profissionais ninguém porém ousava contrariar seu pensamento fatalista. Elvis empunhava seus rifles de última geração, falava essas abobrinhas e todos concordavam em coro dizendo: "Sim Elvis, os drogados devem ser mortos!". Tão à vontade Elvis ficava nessa posição que nem mais se importava em comentar isso na presença de pessoas próximas a ele. Uma vez, durante uma conversa com a esposa de Red West, disse tranqüilamente: "Pat, eu já usei todas as drogas do mercado, e querida, acredite no que lhe digo, Dilaudid é a melhor!" Dilaudid era uma droga extremamente agressiva que causava forte dependência, sendo receitada geralmente para pacientes em estado terminal de câncer! Embora tivesse muitos problemas de saúde, a verdade era que Elvis usava muitas das drogas que tomava apenas para se sentir bem, no "alto", como se diz na gíria dos viciados em drogas. Nada mais do que isso! Se começava a sentir-se deprimido, Elvis logo tomava uma dose extra para desabar. Do mesmo modo, se algo o aborrecia ou o deixava triste, Elvis preferia simplesmente fugir da realidade à sua volta. Ele estava sempre se escondendo dos problemas, desabando sob efeitos de drogas pesadas. Elvis não queria enfrentar problemas, ele queria apenas se refugiar no torpor e prazer químico que estas drogas lhe proporcionavam. O preço a pagar seria muito alto, sua vida, no final desse caminho sem volta.

Erick Steve.

sábado, 18 de outubro de 2014

How Great Thou Art - Parte 2

How Great Thou Art (Stuart K. Hine) - Essa é uma canção bem antiga, escrita ainda no século XIX por um pastor chamado Carl Boberg. Só muitos anos depois foi que surgiu a primeira versão em inglês, dessa vez nas palavras escritas por Stuart K. Hine cujos créditos foram dados na contracapa do disco. Elvis tinha grande apreço por essa canção e a levou inúmeras vezes ao palco durante os anos 70. Curiosamente temos aqui um caso em que as versões ao vivo são bem melhores do que a gravada em estúdio. Durante muitos anos especialistas afirmaram (com plena razão) que há problemas de equalização na master original. O vocal de Elvis também está bem mais soturno do que nas versões gravadas em shows, onde há sem dúvida maior fluidez em seu desenvolvimento. As melhores versões são da primeira metade dos anos 70 pois sempre notei que a partir de determinado momento Elvis passou a exagerar em certos trechos da música, algumas vezes até mesmo gritando seu refrão a plenos pulmões para causar impacto no público. Funcionava, mas para falar a verdade aquilo tinha pouca coisa a ver com musicalidade verdadeira.

In The Garden (C.Austin Miles) - Outra canção religiosa bem antiga, datada do começo do século XX. A letra é muito bonita e inspiradora, mas segundo a própria neta do autor ela não foi composta em um belo jardim, como supõe o ouvinte, mas sim em um porão frio, úmido e cheio de vazamentos, onde Miles passou por maus bocados quando chegou em New Jersey pela primeira vez na década de 1930, desempregado e com família para sustentar. Ele era farmacêutico e estava na pior. Depois que compôs a música levou para um amigo que trabalhava numa editora musical de Nova Iorque e assim sua vida começou a melhorar. Foram várias gravações ao longo do tempo - o que trouxe uma certa estabilidade financeira para o compositor e sua família - e ao que tudo indica a principal referência para Elvis foi uma versão gravada em 1958 por Perry Como, um de seus cantores preferidos. Provavelmente Elvis já a conhecia de muitos anos, inclusive a mais bem sucedida versão comercial assinado por Tennessee Ernie Ford em 1956. Pelos arranjos e vocal porém tudo indica que Elvis usou mesmo o trabalho de Perry Como como norte para sua própria versão que foi finalmente finalizada no dia 27 de maio de 1967 após apenas três tentativas.

Somebody Bigger Than You And I (Johnny Lange / Walter Heath - Joseph Burke) - A mais inspirada versão dessa canção veio em 1960 com a grande Mahalia Jackson. Na ocasião Elvis até cogitou gravá-la durante as sessões de seu primeiro disco religioso, "His Hand in Mine", mas desistiu em cima da hora por achar que a gravação seria ofuscada pela de Jackson, que ainda era muito recente e estava fazendo muito sucesso nas paradas. Elvis assim a deixou de lado. Em casa porém, nos momentos de descanso quando cantava e tocava gospel ao lado de amigos, ela sempre surgia, mostrando que Elvis a adorava. Ao longo dos anos sempre aspirou gravar sua própria interpretação para a música e assim quando pintou na noite de 27 de maio no RCA Studio B, em Nashville, Tennessee, nem pensou duas vezes. Curiosamente a canção acabou se revelando mais complicada de se gravar do que Elvis pensava. Como ele a vinha cantando por tantos anos pensou que seria relativamente fácil chegar no take ideal. Ledo engano, "Somebody Bigger Than You And I" precisou de 16 takes para ficar pronta. Quem tiver curiosidade em acompanhar o processo de se chegar no take ideal da música eu aconselho o CD "Stand by Me" que trouxe vários takes encontrados nos arquivos da RCA. 

Farther Along (W.B.Stone) - Essa não precisa ir muito longe para entender de onde Elvis a conhecia. Ela fez parte do repertório do cantor e compositor Bill Monroe, um dos preferidos de Elvis, autor de "Blue Moon of Kentucky". Ela também foi gravada pelo grupo Stamps Quartet, um dos mais apreciados por Presley e que mais tarde o iria acompanhar em futuras gravações. Aqui o processo foi bem mais simples do que "Somebody Bigger Than You And I", com Elvis chegando no take master em apenas três tentativas. Para sorte dos fãs de Elvis todos os takes sobreviveram ao tempo e podem ser conferidos em CDs como "Stand by Me vol. 2".

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 23

Elvis também utilizava uma grande quantidade de remédios para emagrecer, mas em seus últimos anos eles não faziam mais efeito fazendo com que ele muitas vezes passasse uma péssima imagem durante os concertos. Um colunista de San Diego chegou ao ponto de chamá-lo de "glutão ao vivo" em sua coluna diária. Mas isso não o impediu de comer cada vez mais. Outro problema surgia por causa da comilança sem limites de Elvis. Com a palavra Rick Stanley: "Tínhamos de vigiar Elvis 24 horas por dia no final de sua vida! O simples ato de se alimentar agora significava risco. Ele simplesmente poderia apagar no meio das refeições e então era preciso socorrê-lo imediatamente pois caso contrário ele poderia morrer sufocado com a comida obstruindo sua garganta! Algumas vezes Elvis ficava tão fora de si durante uma refeição que sentava e parecia apalermado e era preciso vigiá-lo porque ele podia deixar um pedaço de hambúrguer preso na garganta. Em mais de uma ocasião eu o encontrei em choque em cima da cama, e tive de enfiar a mão em sua garganta e puxar coisas para fora! Pressionar seu peito. E era muito triste, você sabe. Quero dizer, este cara é apenas alguns anos mais velho do que eu, e eu o estou suspendendo e colocando meu braço em volta dele, perguntando: 'Patrão, você está bem? Tem certeza? Beba alguma água! Essa era uma situação muito triste sabe! De repente estávamos segurando Elvis nos braços perguntando: 'Chefe, tudo bem? Está respirando normalmente agora?' Era como uma criança bem pequena! Era uma situação muito triste mesmo!".

Em razão disso Elvis passou a se alimentar em seu próprio quarto onde poderia ser mais facilmente vigiado por seus capangas. Tudo era devorado na cama mesmo, pois uma pequena mesinha era colocada por sua companheira (que poderia ser sua namorada oficial ou qualquer outra garota de estoque que estivesse à disposição naquele momento). Enquanto ia se alimentando Elvis mandava ligar a enorme TV que ficava à sua frente. Brincando com o prato, se distraindo com algo que passava na tela, a comida acabava esfriando e Elvis pedia que outra quente lhe fosse servida. Isso era o pior de tudo, pois Elvis acabava comendo três a quatro vezes mais do que uma pessoa normal. Barriga cheia, Elvis se preparava para finalmente ir repousar seu espírito.

Em pouco tempo ele começava a sentir os efeitos do primeiro ataque e pedia que a comida fosse retirada de sua cama, pois caso contrário ele poderia apagar e desmaiar em cima da refeição. Isso já acontecera antes. Uma vez Linda o deixou por alguns minutos e quando voltou o encontrou com a cara enfiada dentro de um prato de sopa. Alarmada ela levantou rapidamente o rosto de Elvis e o salvou de literalmente morrer afogado em um prato de sopa! Para evitar que isso novamente acontecesse Elvis imediatamente mandava retirar a comida de sua frente quando ele percebia que iria apagar a qualquer momento. Então seus assistentes levavam a mesinha e o resto da comida embora e Elvis se aconchegava em seu leito para finalmente apagar.

Para Elvis sentir-se bem em sua cama king size era necessária uma dose extra de travesseiros e almofadas. O cantor gostava de dormir de lado, com uma almofada entre as pernas, posição que aliviava suas dores nas costas, problema que tinha se agravado nos últimos anos em intensidade após seu aumento de peso. Enquanto ele não perdia sua consciência, sua companhia feminina lia para ele algum trecho da bíblia ou alguma coleção de pensamentos de seus livros espirituais e esotéricos. Em pouco tempo os remédios agiam sobre seu sistema nervoso e Elvis logo adormecia. Adormecer é um eufemismo, na realidade Elvis apagava totalmente, de forma imediata. Em poucos segundos ele entrava em um sono profundo por causa das potentes drogas que havia ingerido momentos antes. Mas estava longe de ser um sono normal, como o das pessoas comuns. Era um sono artificial, induzido por remédios poderosos. Os efeitos só duravam quatro horas e quando Elvis começava a despertar era hora do segundo ataque. O principal objetivo dessa segunda rodada de coquetel químico era completar o serviço do primeiro ataque, ou seja, colocar Elvis em nocaute até a manhã do dia seguinte, pois caso contrário ele acordaria antes do tempo necessário para se recuperar totalmente.

Erick Steve.

sábado, 11 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 22

A mistura de tantas drogas de uma só vez era um enorme risco e Elvis certamente arriscava sua vida todos os dias ao fazer uso de tantos medicamentos ao mesmo tempo. Elvis tinha plena consciência dos riscos que corria todos os dias, mas não se importava mais. O que realmente tinha importância para ele nessa fase final de sua vida era realmente ir a nocaute todas as manhãs e só acordar no final da tarde para fazer mais uma apresentação. Sua vida realmente se resumia nisso: fazer shows, ir para o hotel e desabar sob efeitos de drogas. Rick Stanley relembra: "Quando saía da cama havia uma grande quantidade de drogas excitantes. De um estado de torpor Elvis saltava rapidamente para um quadro de extrema agitação, após tomar as drogas! Ele ficava totalmente fora de ordem, ficava totalmente elétrico, matraqueando e falando sem parar, então seu médico tinha que novamente lhe aplicar algo para que ele voltasse ao normal."

O médico sempre ficava observando Elvis para ver como ele reagiria as doses que tomava pela manhã, se ele ficasse muito agitado não demorava muito e eles lhe aplicavam logo Valium ou qualquer coisa parecida e nesse vai e vem ele ficava 24 horas por dia medicado e muitas vezes perdia a noção das coisas, perdia a noção de tempo e espaço". Essa rotina, muitas vezes, fazia com que Elvis ficasse sem saber nem onde estava e nem onde se apresentava. Houve ocasiões em que ele entrou no palco sem nem ao menos saber em que cidade ou Estado estava! Não raras vezes se virava para Rick Stanley após o concerto e perguntava: "Onde estou?"

Depois de sofrer o primeiro ataque, seu médico particular se retirava do quarto. Então um terceiro assistente vindo diretamente da cozinha do hotel trazia sua última refeição antes de ir dormir: Três enormes chessburguers, dois ou três dos famosos sanduíches de banana, quatro a cinco bananas Splits, muita fritura e bacon, três a quatro refrigerantes, muitos doces e sorvetes... enfim, uma dieta nada saudável, um verdadeiro desastre nutricional para a saúde de qualquer pessoa. Não era por outro motivo que ele estava muitos quilos à frente de seu peso normal. Tudo era fruto da gulodice desenfreada do cantor, que nem mais se importava com sua aparência anormal e pesada no palco. Em relação à sua imagem pessoal, Elvis parecia não mais se importar. Ele estava gordo?! E daí?! Para o antigo símbolo de beleza masculina isso parecia não mais incomodar. Como muitos americanos de sua idade que nunca se cuidaram, Elvis era uma paródia triste da antiga imagem impecável que tanto impacto causou no passado. Considerado nos anos 50 um dos homens mais bonitos do mundo, Elvis agora só podia se lamentar e se entristecer ao se deparar consigo mesmo em frente ao espelho: pálido, gordo e envelhecido

Os anos de símbolo sexual há muito ficaram para trás. O que importava agora era se empapuçar de comida, até como uma forma de aliviar sua angústia e sua depressão cada vez mais crescente. A obesidade descontrolada de Elvis se tornava cada vez mais um sério problema para as organizações Presley, como bem relembra Rick Stanley: "A saúde de Elvis estava praticamente arruinada por seu estilo de vida. Elvis tinha hábitos alimentares realmente ruins. Todo mundo estava sempre tentando fazê-lo perder peso, mas era preciso ter cuidado ao fazer esse tipo de sugestão ou ele ficava furioso. Então sugeriram indiretamente, como, por exemplo, assegurando-se de que ele estava ao alcance do ouvido quando diziam a alguém coisas do tipo como: 'Eu tenho um amigo que perdeu um monte de peso comendo iogurte'. Então podia ser que mais tarde Elvis começasse a tomar iogurte. Ele arranjou aquelas pequenas vasilhas de iogurte com frutas, mas não adiantou porque ele comia 20 de uma vez e continuava comendo tanto quanto antes! A mesma coisa aconteceu com pêssegos. Red West lhe disse que pêssegos ajudava as pessoas a perderem peso rapidamente. A partir desse dia Elvis teve uma loucura passageira por pêssegos e comia esse tipo de fruta dia e noite. Mas não adiantou nada por causa de sua fome descontrolada. Ele comia uma dúzia de pêssegos de uma só vez e cuspia os caroços por toda parte, em todos os lugares. Algumas vezes ele os jogava no assoalho. Passou dos 113 quilos. Houve ocasiões em que tivemos que conseguir cintas de Saran Wrap, gigantescas mesmo, e apertar seu estômago! Aquilo tornava quase impossível a respiração. Na última parte de sua vida ele não estava realmente acertando muitas notas. Apenas as tartamudeava, indo através dos movimentos!".

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FTD The Jungle Room Sessions - Parte 1

FTD The Jungle Room Sessions - É seguramente um dos dez mais importantes títulos da coleção FTD. Aqui temos pela primeira vez o resgate de alguns momentos das sessões realizadas na chamada Sala das Selvas em Graceland. Como se sabe foi uma sessão de gravação completamente fora dos padrões. Elvis se recusou a ir até Nashville para gravar novas músicas para a RCA e como a gravadora não tinha nenhum local disponível em Memphis as sessões tiveram que ser improvisadas em sua própria casa, na mitológica mansão Graceland. Ao longo dos anos muito se especulou sobre o que teria levado Elvis a se indispor com a RCA Victor. Problemas profissionais, pessoais e de saúde montam um mosaico amplo que nos faz entender as circunstâncias dessa decisão. Na vida profissional Elvis demonstrava estar exausto e cansado diante de tantos compromissos. Embora não gravasse há meses em estúdio, ele vivia de cidade em cidade, cantando e se esgotando em turnês sem fim pelos Estados Unidos. A situação era ainda mais grave tendo em vista as condições pessoais do cantor. Não raro ele mostrava claros sinais de que não estava bem, mesmo assim encarava longas e exaustivas agendas para cumprir seus compromissos assumidos. Ordens do Coronel Parker.

Na vida pessoal as coisas também não andavam muito bem. Elvis ainda tentava de alguma forma exorcizar o fantasma da traição de Priscilla em sua vida. Para isso se envolvia com beldades bem mais jovens do que ele. Agora estava apaixonado por uma garota chamada Ginger Alden. Ao contrário de sua namorada fixa anterior, Linda Thompson, Ginger não tinha ainda idade e maturidade suficientes para ter um relacionamento construtivo com Elvis, até porque ele seguia em frente na sua auto destruição pessoal causada por remédios de tarja preta. Isso obviamente abalou bastante sua saúde, o que acabou completando a tríade de fatores que impossibilitaram Elvis de se locomover até um estúdio profissional de gravação. A boa notícia é que em termos técnicos essas gravações não foram tão prejudicadas como se alardeou. Claro que a crítica não gostou muito do resultado na época do lançamento dos discos originais, mas hoje em dia poucos ainda se levantam para falar mal das músicas, até porque o consenso parece mesmo apontar para uma qualificação de mais um grande trabalho por parte de Elvis, mesmo sob circunstâncias adversas.

Outro fato digno de nota é salientar que as sessões também trouxeram uma luz para os bastidores das gravações. Durante muitos anos se escreveu que Elvis estaria severamente deprimido dentro da sala das selvas, mal balbuciando alguma palavra audível. Na realidade, como se prova esses registros, a situação não era tão negra como se supunha ser. Elvis está até mesmo brincalhão, tirando onda, rindo e fazendo piadas (como ocorre quando o cachorro late ao fundo ou o telefone toca, estragando as gravações). Nada de um Elvis saindo do caixão como um Drácula morto-vivo que tanto foi retratado até mesmo em biografias ditas sérias e bem escritas. Sim, ele estava bem acima de seu peso, tinha problemas de todos os tipos, mas seu espírito ali parecia contradizer que nuvens negras sempre estavam acima de sua cabeça o tempo todo. Ao que parece nem Elvis parecia se levar muito à sério durante esses dias, afinal de contas ele estava em casa, caso se enchesse de tudo, poderia simplesmente ir até a cozinha tomar um pouco de água ou então ir embora para seu quarto dormir.

Como praticamente fazia em todas as gravações, Elvis pouco mudou o seu estilo de agir na sala das selvas. Ele ainda sentava no centro, rodeado de seus músicos, para ir aos poucos escolhendo as faixas que gravaria. Uma a uma, Felton Jarvis ia executando as canções que estavam disponíveis. Se gostava Elvis dizia algo como "Vamos lá rapazes, essa vale a pena enfiar a cara" - caso contrário soltava algum palavrão do tipo "Essa música é uma m... Passe outra!". Também não há maiores surpresas no estillo musical adotado nessas sessões. Elvis continou seguindo a linha country romântica que vinha usando em seus últimos discos. O curioso é que isso provém do próprio gosto pessoal de Elvis na época. Ao contrário do que muitos pensam, Elvis não se interessava mais em ouvir estações de rádio que tocavam Rock. Na verdade ele havia perdido interesse pelo rock há muitos anos. Só cantava seus velhos rocks para não decepcionar seus fãs nos concertos, mas fora isso ele nem mais conhecia os novos artistas e bandas que faziam sucesso. Mal sabia quem era o Led Zeppelin ou o Pink Floyd. Para Elvis o importante era mesmo saber o que estava no ouvido do povão que adorava country music. Assim em momentos de descanso ou quando estava no carro, Elvis mandava sintonizar as principais estações country de Memphis. Não é por outra razão que esse estilo musical se proliferou em seus discos na fase final de sua carreira.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

How Great Thou Art - Parte 1

Vamos agora dar prosseguimento nas análises da discografia de Elvis Presley. Esse álbum foi literalmente uma benção para Elvis Presley. Perceba que em 1967 ele estava de fato no fundo do poço. Seus discos - em sua enorme maioria trilhas sonoras - já não faziam sucesso e Elvis deixou de ser considerado um artista relevante, daqueles que se deve prestar atenção. No lugar sobrou apenas o triste fato de ser ignorado pela imprensa, pelos críticos e o pior de tudo, pelo público. Assim foi muito mais do que bem-vindo ter entrado em estúdio para gravar um disco completamente gospel, apenas com canções religiosas. O curioso é que a carreira de Elvis dentro do setor gospel do mercado americano sempre foi muito deixada de lado pela maioria dos fãs, inclusive brasileiros. O que poucos sabem é que foi justamente nesse tipo de estilo musical que ele ganhou algumas de suas maiores glórias, como por exemplo ser premiado pelo prestigiado prêmio Grammy, não apenas uma vez, nem duas, mas três vezes! Isso se torna ainda mais importante quando descobrimos que ele nunca ganhou um Grammy fora da categoria Gospel - incrível não é mesmo?

Pois bem. É sabido de todos que Elvis levava muito à sério sua fé. Embora tenha sido muito eclético em suas escolhas o fato é que Presley sempre prezou pelas canções evangélicas que aprendeu desde muito cedo nos cultos da Igreja Assembléia de Deus. Abro um parêntese aqui para uma informação importante. Ao contrário do que muitos dizem a família Presley em seus primórdios era uma família bem comum nesse aspecto. Aos domingos Gladys, Vernon e Elvis frequentavam os cultos da Igreja local, mas nunca foram também muito atuantes dentro de sua paróquia. Eram frequentadores normais e passavam longe de serem considerados fanáticos ou algo do tipo, como muitas biografias mais desinformadas costumam publicar. Sim, Elvis adorava música gospel, sim ele e seus pais eram frequentadores dominicais dos cultos, mas isso não significa que eram diferentes ou mais empenhados do que outras famílias daquela época. Ficavam na média, assistiam as celebrações, mas depois iam para a casa desfrutar o resto do domingo ouvindo rádio pelas estações de Memphis.

No final das contas o que Elvis pegou de bom do ambiente gospel foi mesmo a empolgação dos pastores, que corriam pra lá e pra cá, contorciam o corpo e gritavam aleluia com todo o fervor. Elvis desde muito criança descobriu que para mexer um público você tinha que entrar mesmo na dança, empolgar, rolar no chão se fosse preciso, mostrar que se importava e sentia aquilo que cantava. Toda essa performance o jovem Elvis soube muito bem usar em seus primeiros concertos, só que ao invés de passar uma mensagem religiosa no palco ele desfilava um modo de ser sexy e provocante, visando atingir diretamente seu público alvo, as adolescentes americanas na faixa entre 14 e 17 anos de idade. Isso porém foi em 1955, 56, agora lá estava Elvis em 1967, reencontrando sua velha paixão, a gospel music, para tentar levantar novamente sua carreira. Foi mesmo uma sábia decisão se afastar, ainda que por um breve período de tempo, do material de Hollywood. Aquele tipo de coisa já estava saturada e os fãs ansiavam por algo diferente, novo e se possível menos adolescente.

O disco logo se tornou um sucesso de público e crítica nos Estados Unidos e vizinho Canadá, mas infelizmente toda essa badalação ficou restrita ao mercado norte-americano. No Brasil o disco sequer chegou a ser editado e lançado. A razão? Muito simples de explicar. A RCA Brasil que já não vinha lançando os discos das trilhas sonoras de Elvis em nosso mercado não viu qualquer razão para investir em um disco religioso. Para eles seria um tremendo fracasso comercial. Além do próprio Elvis estar em baixa, o álbum era visto como "um disco para crentes" e como os evangélicos estavam em franca minoria em nosso país, ninguém se interessou em colocar o disco em nossas lojas. Uma pena porque sem dúvida foi o primeiro trabalho de grande qualidade musical do cantor em anos. Foi um trabalho primoroso, extremamente bem gravado, com Elvis em belo momento vocal. Uma verdadeira obra prima de sua discografia. Assim os fãs brasileiros mais fiéis tiveram que importar o disco, muitas vezes pagando verdadeiras fortunas para ter o privilégio de ouvir seu rei enaltecendo o mais puro espírito cristão.

Pablo Aluísio.

sábado, 4 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 21

Las Vegas. Anos 1970. Suíte privativa do cantor Elvis Presley no Hilton. 15:45 hs da tarde. Temperatura interna do ambiente: 9º C (ar condicionado funcionando à toda). Escuridão completa, nenhuma luz. Silenciosamente a porta do frio e escuro quarto é aberta lentamente, com o máximo de cuidado para não provocar nenhum ruído mais forte. Após essa excessiva cautela, para não interromper de forma abrupta o sono do Rei do Rock, duas pessoas adentram o ambiente. O primeiro é um dos muitos assistentes pessoais de Elvis, Red West, que imediatamente se dirige à janela e abre uma pequena aresta para deixar entrar um mínimo de raio de sol natural no ambiente altamente artificial em que Elvis passa seus dias. O cantor abre lentamente um dos olhos e nota a presença de seus valetes reais. Ele está péssimo, olhos vermelhos, cabelo despenteado, totalmente desnorteado, sem a menor disposição de se levantar de seu leito e encarar mais uma noite de trabalho. O astro levará pelo menos de 30 a 45 minutos para conseguir acordar totalmente. Um procedimento longo, penoso e nada agradável para ele. A segunda pessoa a entrar no quarto, seu médico particular, senta-se ao lado da cama de Elvis e logo abre sua pequena maleta, dando início ao longo processo de verdadeiro renascimento do artista. Elvis não consegue mais viver sem o total acompanhamento e assistência de seus homens.

O simples ato de ir dormir ou acordar acaba virando uma operação de guerra, um verdadeiro esforço coletivo envolvendo várias pessoas de sua entourage privada, cada uma com uma função determinada e precisa. Elvis havia ido dormir na noite anterior às quatro horas da manhã. Assim como seu despertar, o simples ato de ir dormir denotava uma verdadeira organização de assistentes e médicos cujo único objetivo era proporcionar uma noite tranqüila de sono ao cantor. E tudo se repetia depois para acordá-lo na tarde do dia seguinte e retirá-lo do coquetel químico a que havia sido exposto na noite anterior. O processo de fazer Elvis dormir e se levantar se constituía de três etapas básicas, que ele próprio acabou apelidando de “ataques”. Era uma ironia, mas tinha sua dose de verdade, pois era nisso mesmo que se constituía, um verdadeiro “ataque” ao seu deteriorado organismo, pois ele era literalmente “nocauteado” para finalmente conseguir pregar os olhos e chegar ao próximo dia descansado e com uma boa noite de sono. Os ataques eram feitos por cinco a oito de seus assistentes e um médico. Uma verdadeira equipe que ficava de plantão ao lado de seu quarto, para em horas pré-determinadas entrar em ação.

Antes do primeiro ataque, Elvis vestia seu pijama preferido, de náilon azul com suas iniciais escritas na parte da frente, logo acima de seu bolso frontal. Então ele se virava para seu assistente e dizia: “Me dá o primeiro ataque!”. Sentado na beira da cama, seu assistente lhe entregava um envelope amarelo com onze, isso mesmo, onze pílulas e um copo de água que Elvis logo colocava ao seu lado, acima do criado mudo. Elvis então enchia a mão com todas essas pílulas coloridas e tentava engolir todas de uma só vez, coisa que lhe divertia bastante, e que achava o maior barato. Então seu assistente pessoal lhe dava a água e assim Elvis finalmente se deitava. Nesse momento a função desse primeiro cara da Máfia de Memphis (geralmente Red ou Sonny West) estava concluída e ele se retirava do quarto. Agora era a vez de seu médico particular entrar em serviço para lhe aplicar três injeções de Demerol, em ambos os lados de sua espinha, logo abaixo das omoplatas. Lentamente as injeções eram aplicadas, com Elvis deitado de costas em sua cama e com o pijama levantado.

Geralmente o Dr Nick fazia esse trabalho, mas também poderia ser qualquer outro médico da longa lista de doutores assalariados de Elvis. O Médico então conferia se as dosagens de pílulas para Elvis estavam corretas e começava a preparar um novo envelope amarelo para o segundo “ataque”. Nesse cardápio químico que Elvis tomava diariamente havia muitos barbitúricos: Amytal, Carbital e Seconal. Todos causadores de forte dependência e cujos efeitos são facilmente tolerados pelo organismo, o que os leva a perderem o efeito, sendo necessário então o aumento de dose para garantir a mesma eficácia. No segundo envelope ainda havia duas drogas extremamente perigosas: Placidyl e Quaalude. Para finalizar o ataque, Valium e Valmid. Em ocasiões mais aflitivas o Dr Nick ainda acrescentava doses extras de Demerol, usada muitas vezes como substituta da morfina e causadora de forte dependência.

Erick Steve.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 20

Priscilla Presley resumiu toda a situação em seu livro “Elvis e Eu”. Na sua autobiografia ela escreveu: “Por volta de 1976 todos estavam alarmados com seu estado mental, além da aparência física. O rosto estava inchado, o corpo anormalmente pesado. Quanto mais as pessoas tentavam lhe falar a respeito, mais ele insistia que estava tudo bem. O Coronel estava preocupado até mesmo com as ações de Elvis no palco. Elvis começava a esquecer as letras e a recorrer às partituras. Comportava-se de maneira imprevista, ignorando a audiência e se apresentando apenas para a banda. Alguns shows foram cancelados e ninguém podia prever se ele apareceria ou não no palco! A classe, o charme e o orgulho que durante os últimos anos havia caracterizado as apresentações ao vivo de Elvis Presley beiravam agora à paródia.

Frustrado pela falta de desafios a cada show que passava, Elvis passou a recorrer à pura exuberância, simbolizada por seus trajes, cada um mais requintado do que o anterior, com uma abundância de pedras falsas, tachas e franjas. Havia capas enormes e cintos incômodos. Ele se apresentava com trajes que acrescentavam quinze quilos a seu peso. Era como se estivesse determinado a conquistar a audiência apenas por sua aparência, em vez de confiar apenas em seu talento! Houve ocasiões, durante o último ano, em que ele foi criticado pela maneira como se relacionava com o publico. Algumas pessoas comentaram que ele gracejava demais com os músicos e não terminava as canções. Um dos rapazes (da máfia de Memphis) disse a Elvis que ele estava se parecendo cada vez mais com Liberace. Sua esperança era de que Elvis compreendesse a insinuação e recuperasse o bom senso, passando a se confiar apenas em seu talento! Mas Elvis insistira desde o início afirmando: 'Só quero ler as críticas positivas. Não quero tomar conhecimento de qualquer comentário negativo!'.

Como adolescente ele fora resguardado das críticas negativas por Gladys. Quando fazia seus álbuns ela só colava os recortes favoráveis. Se não tivesse sido tão protegido, Elvis poderia ter tido uma perspectiva melhor de sua carreira. Pelo menos estaria a par de tudo o que se dizia a seu respeito e talvez usasse alguns comentários de maneira construtiva!”. Elvis realmente preferia fugir das críticas negativas mas Tom Parker fazia questão de ler tudo! E ele estava preocupado com o que estava sendo escrito, tanto que resolveu levar Elvis para longe das grandes cidades, levando o cantor para localidades menores, de preferência no sul do país onde ele tinha sua legião de fãs mais fiéis. Isso não significaria que Elvis deixaria de se apresentar nos grandes centros, nada disso, mas em menor escala do que antes. Nas grandes cidades Elvis era selvagemente atacado pela imprensa após seus concertos. Os críticos não o poupavam e cada mínimo deslize seu virava manchete de jornal no dia seguinte! Para Tom Parker era importante se retirar desses locais até Elvis se recuperar, era necessário preservar sua já tão abalada imagem de desgastes desnecessários. Porém o empresário do cantor percebeu logo que apenas essa estratégia não bastava.

O Coronel Parker viu que era hora de agir, de ter uma conversa franca, de homem para homem, com Elvis! Ele tinha decidido que iria enfrentar o cantor em toda essa situação. Iria falar francamente com ele, expor todos os problemas. Não seria uma tarefa fácil pois Elvis, como bem resumiu Lamar Fike, era "dessa classe de pessoas que não gostam de se defrontar com a realidade. Elvis sempre confiava que desconhecendo os problemas, estes desapareciam!" Mas não desapareceram, pelo contrário, eles aumentaram. Numa noite David Stanley, filho de Dee, a madrasta de Elvis, resolveu perguntar diretamente a ele porque tomava tantos remédios, porque se submetia a uma rotina tão mortificante, tão sinistra e perigosa? Elvis ficou surpreso com a sinceridade de David e resolveu também lhe ser o mais sincero possível. Dar o troco na mesma moeda! Elvis tirou seus óculos lentamente, o encarou e foi de uma sinceridade atroz: "David..." - disse em tom melancólico - "...Prefiro estar inconsciente do que desgraçado!..." O silêncio que se seguiu a essa frase foi absoluto! Não havia mais dúvidas... A tempestade estava próxima...

Erick Steve.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

FTD Easy Come, Easy Go

O lançamento desse título realmente me deixou surpreso. O material de "Easy Come, Easy Go" é tão inexpressivo dentro da carreira de Elvis Presley que pensei que jamais seria explorado pelo selo FTD. Bom, talvez para não deixar buracos o produtor Ernst Jorgensen resolveu então incluir essa trilha na coleção. Infelizmente como já foi escrito aqui no blog todo o projeto relacionado a "Easy Come, Easy Go" foi um fracasso de público e crítica. O filme foi mal nas bilheterias e o compacto duplo com a trilha lançada nos Estados Unidos foi quase que completamente ignorado nas lojas de discos. No Brasil foi bem pior porque a filial brasileira da RCA sequer teve interesse em lançar as canções em nosso país e elas, como não poderia deixar de ser, ficaram anos inéditas por aqui. Na época a RCA esclareceu que se o EP tinha fracassado dentro do mercado americano não havia qualquer razão para chegar nas lojas do Brasil pois o prejuízo comercial seria certeiro. Some-se a isso a enxurrada de críticas negativas lá fora em seu lançamento e você entenderá porque a RCA em nosso país desistiu dos discos de Elvis por volta de 1965. Eles não vendiam mais e como Elvis foi sendo deixado de lado o primeiro reflexo disso foi o não lançamento de seus últimos títulos americanos no Brasil. Só muitos anos depois foi que Marcelo Costa do fã clube SPEPS as incluiu em um disco 100% brasileiro chamado "Elvis by Request volume 2" no distante ano de 1981. As músicas de "Easy Come, Easy Go" ocuparam todo o lado B do antigo vinil. Foi uma forma dele, que foi grande fã de Elvis Presley no Brasil, em lançar em nosso mercado a inédita trilha sonora. Uma atitude que certamente merece todos os reconhecimentos e elogios.

Pois bem, tirando tudo isso de lado e ouvindo novamente as canções temos que admitir que esse material realmente não tem salvação. É ruim, bobinho, inofensivo e muito fora do contexto. Talvez essas musiquinhas ficassem bem em um astro juvenil ao estilo Fabian, mas Elvis Presley? Lamento dizer, mas realmente o conjunto da obra é muito medíocre. Como já tive a oportunidade de escrever antes por essa época havia um descompasso entre a produção musical de Elvis e os fãs que ainda persistiam em acompanhar sua carreira decadente. Elvis e seus produtores pareciam empenhados em apresentar material adolescente, bobo mesmo, para pessoas que já tinham passado de seus 30 anos de idade. O próprio Elvis já estava com 32 anos quando gravou essa trilha sonora boboca. Talvez o Coronel pensasse que os fãs de Elvis ficariam na adolescência para sempre, como um grupo coletivo de fãs de Peter Pan, mas a realidade do mundo natural é outra. O que era divertido aos 16 anos logo se torna idiota quando se fica mais velho. Elvis na verdade estava cantando para ninguém, já que os verdadeiros adolescentes tinham outros ídolos e seus fãs antigos dos anos 50 estavam casados, com filhos e muitas contas a pagar. Não iriam perder tempo ouvindo Elvis cantando bobagens como "Yoga Is As Yoga Does". O resultado de tudo isso não foi complicado de prever mesmo, desencadeando tudo em um enorme fracasso comercial.

FTD Easy Come, Easy Go
Easy Come, Easy Go
The Love Machine
Yoga Is As Yoga Does
You Gotta Stop
Sing You Children
I'll Take Love
She's A Machine
The Love Machine (Takes 1, 2, 3)
Sing You Children (Take 1)
 She's A Machine (Takes 5, 6, 7)
Easy Come, Easy Go (Take 10)
The Love Machine (Takes 4, 5, 11)
I'll Take Love (Takes 1, 2 A)
She's A Machine (Take 10)
Sing You Children (Takes 18, 19)
Yoga Is As Yoga Does (Takes 5, 6)
The Love Machine (Takes 13, 14)
She's A Machine (Take 13)
I'll Take Love (Take 2 B)
You Gotta Stop (instrumental take 1)
Leave My Woman Alone (instrumental take 5)

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 19

No meio de todo esse cochicho começaram a surgir os primeiros boatos. Já em 1972 os hóspedes e funcionários do Hilton comentavam baixinho pelos corredores que o problema principal de Elvis era um vício profundo em cocaína. Não era verdade, mas como ninguém sabia a realidade de seus problemas com remédios, todos chegaram a conclusão que Elvis estava daquele jeito por causa de seu vício na droga. Quando Elvis soube dos boatos explodiu! O cantor era muito sensível em relação à sua imagem. Elvis gritou para os caras da máfia de Memphis: "O que essas pessoas estão pensando? Quem usa drogas são os Beatles e não eu!"

A verdade porém era que antes de estourar com seus capangas, Elvis deveria ter feito uma auto-análise e verificar que seu estado era realmente deplorável. Alguns de seus últimos shows em Las Vegas tinham sido lamentáveis, causando uma repercussão tão negativa que a direção do Hilton chamou Tom Parker para uma reunião a portas fechadas. Naquela ocasião o conselho diretor da cadeia de hotéis comunicou, sem rodeios, a Tom Parker que a partir de agora tudo o que acontecesse nas apresentações de Elvis seria de sua exclusiva responsabilidade! Na realidade a rede deixou subentendido para o empresário que se Elvis não se endireitasse logo, eles muito provavelmente iriam cancelar todas as temporadas futuras do cantor em Las Vegas. A possibilidade de uma rescisão de contrato ficou na mente de todos!

Todos estavam temerosos pelas repercussões e eles tinham que manter a imagem da rede Hilton de qualquer forma. Parker ficou preocupado após essa reunião! A mensagem tinha sido clara. O Coronel ficou inquieto. O que ele iria fazer agora? Mesmo quando Elvis se apresentava bem, as pessoas só conseguiam reparar em sua imagem, em seu incrível aumento de peso! Também pudera, durante vinte anos Elvis Presley foi símbolo de beleza, sua imagem era conhecida nos quatro cantos do mundo! Ele sempre foi considerado pelas fãs como um dos homens mais belos do planeta! De repente ele aparecia muito mal na frente de todas essas pessoas que ainda idolatravam aquela imagem impecável! Só poderia causar um grande choque mesmo! Às vezes, porém, Elvis nem ao menos conseguia fazer um bom concerto, em certos momentos ele realmente mal conseguia cantar as músicas até o final.

Havia muita enrolação e piadas, mas musicalidade não. O pior de tudo é que sua vida na estrada e em Las Vegas era uma verdadeira montanha russa. Numa noite ele poderia cantar muito bem, se apresentar de forma excelente, mesmo estando fora de seu peso, mas poderia muito bem acontecer que na noite seguinte Elvis se apresentasse da pior forma possível, visivelmente alterado pelo abuso de drogas, deixando todos, da banda a platéia, constrangidos com sua presença! Na verdade ninguém poderia ter certeza absoluta do que iria acontecer no palco durante essa fase da vida dele. Era um jogo de dados e isso gerava muito stress e ansiedade em todos os que estavam envolvidos nas excursões. Não é por outra razão que muitos músicos da TCB Band estavam dispostos a deixar Elvis em seus últimos momentos. Além da falta de renovação musical, que os deixavam frustrados como artistas que eram, havia ainda a enorme ansiedade decorrente do que iria acontecer nos shows por causa dos problemas pessoais de Elvis!

Fora isso tinham ainda que lidar com a má remuneração paga por Tom Parker e a desorganização total das agendas de shows, que só eram lhes repassadas em cima da hora, fazendo com que eles perdessem a oportunidade de fazer outros trabalhos com outros artistas em estúdio. Com isso perdiam uma importante fonte de renda extra. Ser um músico da banda de Elvis não estava mais compensando para esses verdadeiros heróis anônimos! Muitos chegaram mesmo a comunicar pessoalmente a Elvis que estavam indo embora e só ficaram porque Elvis resolveu oferecer muito dinheiro para eles, muitas vezes pagando de seu próprio bolso para evitar a debandada. Caso contrário era certo que muitos deles teriam ido embora já em 1975 ou 1976.

Erick Steve.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Elvis Os Anos Finais - Parte 18

Rick Stanley, uma das pessoas mais próximas de Elvis em seus últimos dias de vida, acusou, sem meias palavras, alguns médicos do cantor pela sua morte: “Em troca de receitas, quatro ou cinco médicos ganharam caríssimos presentes de Elvis”. A situação foi de certa forma confirmada por Ulisses Jones, uma das primeiras pessoas que estiveram no local da morte de Elvis para tentar salvar sua vida, pois em sua opinião algo foi deliberadamente mexido no banheiro onde Elvis morreu, escondendo evidências do local da sua morte, sumindo com caixas de remédios que estavam no chão e destruindo provas materiais da cena da morte de Elvis.

Em seu depoimento ele afirmou: “Assim que cheguei no local onde Elvis tinha morrido, vi vários frascos de remédios sobre o lavatório e no chão e imaginei, imediatamente, tratar-se de uma OD (overdose de drogas). Como de praxe pedi para que fossem recolhidos e entregues todos os remédios para as autoridades, mas as caixas de remédios nunca foram parar nas mãos dos policiais que estiveram no banheiro em que Elvis morreu. Alguém sumiu com as evidências, com todas as provas que poderiam ajudar a auxiliar no esclarecimento do que realmente aconteceu!” finalizou Ulisses.

Embora Elvis tratasse todos esses potentes medicamentos como simples caixinhas coloridas, eles estavam na realidade o levando a um caminho sem volta. As drogas foram minando seu organismo de forma gradual. Conforme a dependência ia aumentando os efeitos iam se tornando menos eficazes. Para manter a mesma eficácia Elvis tinha que sempre aumentar a dosagem, chegando ao ponto em que ele começou a andar literalmente no fio da navalha. Imagine o stress: ao mesmo tempo em que manipulava suas autoridades médicas, Elvis tinha que levar adiante sua vida, se apresentar quase todos os dias e ainda manter tudo em segredo. Um dia essa rotina iria levar Elvis ao colapso nervoso. E não deu outra. Durante muitos anos o real estado de Elvis era um segredo mantido a sete chaves pela organização Presley. A imagem de Elvis estava intocada e para o público ele era um exemplo, tanto em sua vida profissional como em sua vida pessoal.

Mas as coisas começaram a ficar complicadas quando Elvis começou a transparecer todos os seus problemas nos palcos, durante suas apresentações ao vivo. Quando Elvis começou a tropeçar na frente do público a imprensa começou a ficar de olho nele pra valer! Embora tivesse uma constituição física de um touro, o organismo de Elvis começou a fraquejar, principalmente a partir de 1974. Seus abusos iriam agora cobrar seu preço e expor Elvis e seus problemas na frente de todos. O Rei estava nu! O cantor começou a esquecer sistematicamente as letras, a se mostrar totalmente sem energia e sem interesse pelas apresentações, a fazer monólogos confusos e sem graça, a criar atritos com membros da banda e a interromper os concertos para se recuperar nos bastidores.

Isso quando ele conseguia entrar no palco, pois em algumas ocasiões ele sequer tinha condições de sair do hotel em que estava hospedado para fazer os concertos. Em Baton Rouge, Louisiana, por exemplo, Elvis nem conseguiu se levantar da cama na hora do show, totalmente prostrado, em narcose profunda! Além disso ele nunca mais iria caminhar para uma renovação em seus concertos, fazendo shows muito semelhantes entre si ao longo dos anos, quase sempre com as mesmas canções habituais tocadas repetidamente, ad nauseam. Cada apresentação sofrível de Elvis fomentava cada vez mais boatos. As pessoas saíam perplexas de suas apresentações, se perguntando o que havia acontecido com ele! Por que Elvis estava tão obeso, tão confuso e tão desnorteado?

Erick Steve.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Meu Tesouro é Você

Título no Brasil: Meu Tesouro é Você
Título Original: Easy Come, Easy Go
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: John Rich
Roteiro: Allan Weiss, Anthony Lawrence
Elenco: Elvis Presley, Dodie Marshall, Pat Priest

Sinopse:
O mergulhador e aventureiro Ted Jackson (Elvis Presley) decide dar baixa na Marinha americana para se lançar em uma busca ousada por um tesouro há muito desaparecido nas profundezas do oceano sem fim. No caminho porém acaba se apaixonando perdidamente por uma linda garota, mostrando que o verdadeiro tesouro certamente não é aquele afundado nas águas cristalinas da costa azul.

Comentários:
Esse filme marcou a despedida de Elvis Presley na Paramount Pictures. Durante anos o estúdio e o produtor Hal B. Wallis investiram na carreira de Elvis em Hollywood e foram muito bem sucedidos em termos de bilheteria. Em 1967 porém os filmes estrelados pelo cantor já não davam mais o mesmo retorno financeiro esperado. Veja os números desse aqui. O filme custou meros dois milhões de dólares, mas só faturou um milhão e novecentos mil, trazendo um prejuízo de cem mil dólares ao estúdio. Assim a Paramount não mais quis renovar com Elvis para futuras produções. O interessante é que seus filmes faziam sucesso enquanto sua carreira musical ia bem e quando os discos e as músicas deixaram de frequentar o topo dos mais vendidos Elvis foi deixando de ser interessante também para a indústria do cinema americano. De uma forma ou outra a Paramount pode ser parabenizada por sempre ter colocado à disposição do cantor o que havia de melhor em termos de produção na época. Ao contrário da MGM que jogava Elvis em qualquer abacaxi, a Paramount procurava caprichar, até mesmo aqui no final da carreira do cantor no estúdio. Um exemplo? O figurino de Elvis no filme foi todo desenhado pela ótima estilista Edith Head, considerada uma das mais marcantes profissionais da moda no cinema americano durante sua época de ouro. Infelizmente mesmo com a boa vontade dos produtores o filme não consegue decolar. O maior problema de "Easy Come, Easy Go" vem de seu fraco roteiro, com pequena carga dramática, o que deixa o espectador com a impressão de que a estória não avança para lugar nenhum. Elvis até tenta, mas não há como salvar um roteiro fraco, uma lição que todos os grandes astros de Hollywood sabiam muito bem desde sempre.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 14 de setembro de 2014

Letras - Easy Come, Easy Go

Easy Come, Easy Go (Ben Weisman / Sid Wayne) - Easy come, easy go / Here, there, everywhere / Crazy love is in the air / Nightfall, mmm, day and nightfall / So many girls in every port / You gotta be a juggernaut / Full speed ahead or you'll be caught / Oh yeah, oh yeah / Easy come, easy go / Up, down, all around, kiss and kiss / And pound for pound, delicious / Mmm, so nutritious / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go, all right / When you want love to keep you warm / There's nothing like a uniform / You got a port in any storm / There she blows / Easy come, easy go / Up, down, all around, kiss and kiss / And pound for pound, delicious / Mmm, so nutritious / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go / Sailor beware take it slow / Easy come, easy go / Easy come, easy go / Easy come, easy go / Easy come, easy go.

The Love Machine (Gerald Nelson / Fred Burch / Chuck Taylor) - Step right up to the love machine / You may get lucky when you zap a dream / Let the wheel go round, round and round / You may win that girl you've never found / She may be Suzy or Maybelline / She could be Cathy or Angeline / Let the wheel go round, round and round / Try your luck right now on the love machine / We're just a bunch of salty sailors / One thing on our mind / Takin' a chance on this machine / Maybe love we'll find / She maybe tall she maybe short / She may be wide / But Lady Luck stop that wheel / On 38-24-35 / Step up, whose next in line / This love machine don't waste no time / Let the wheel go round, round and round / What will your fortune be on the love machine / All right / We're just a bunch of salty sailors / One thing on our mind / Takin' a chance on this machine / Maybe love we'll find / She maybe tall she maybe short / She may be wide / But Lady Luck stop that wheel / On 38-24-35 / Step up, whose next in line / This love machine don't waste no time / Let the wheel go round and round and round / And round and round and round and round / What will your fortune be on the love machine / What will your fortune be on the love machine. 

Yoga Is Yoga Does (Gerald Nelson / Fred Burch) - Well I can see that you and yoga will never do / Yoga is as yoga does there's no in-between / Your either with it on the ball or you've blown the scene / I can see lookin' at you, you just can't get settled / How can I even move, twistin' like a pretzel / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / Come on come on, untwist my legs / Pull my arms a lot / How did I get so tied up / In this yoga knot / You tell me just how I can take this yoga serious / When all it ever gives to me is a pain in my posteriors / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / Stand upside down on your head, feet against the wall / A simple yoga exercise done by one and all / Now cross your eyes and hold your breath, look just like a clown / Yoga's sure to catch you if you come falling down / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene) / (Yoga is, yoga does) / (There's no in-between) / (Your either with it all the way) Or you've blown the scene / (Or you've blown the scene). 

You Gotta Stop (Giant / Baum / Kaye) - Baby you've been lying to me now I'm onto you / It's the same old song but it doesn't ring true / That's right you're wrong again / Time to change and put you on your own again / You've had your way too long / Time for me to be moving on / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / You've been steppin' out wild and fancy free / Now you've had your fun and you're running back to me / It just can't be if there's no harmony / Then stop! / That's all let's break it up / You've had me fooled now I'm wakin' up / I see right through your lies / You made me open my eyes / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / It's too late now I've made up my mind / Being here with you is just a waste of time / Nothing to say so I'll be on my way / Stop! / You gotta stop, you're wrong again / Stop ... that song again / It's too late now I've made up my mind / Being here with you is just a waste of time / It just can't be if there's no harmony / Then stop! Stop! you're wrong again / Stop that song again / Stop! you're wrong again / You gotta stop that song again / Stop!

Sing You Children (Gerald Nelson / Fred Burch) - Oh Jonah he was desperate / In the belly of the whale / Well Jonah had a plan / He knew he couldn't fail / He raised his head on high / And looking for the sky / And sang his song so pretty / The whale told him goodbye / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / Well Moses said good Lord / Open up these waters for me / So I can get Your children / Across the salty sea / Well the Lord parted the waters / And singing hand in hand / Moses and the children / Walked over to the promised land / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / Oh Joshua had a plan / At the Walls of Jericho / He'd march around those walls / And on his horn he'd blow / That horn would play a tune / And sing a happy song / When Joshua got through / Those walls came tumbling down / You got to sing you children sing / Sing you children sing / I only know one thing / Hey, hey, hey / Sing you children sing / Everybody / Sing you children sing / Sing your troubles away / You got to sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away / Sing your troubles away.

I'll Take Love (Fuller / Barkan) - Some people think that pot of gold / Is all they ever want to hold / But there's a treasure, I think more of / Measure for measure .. I'll take love / Some people think that their success / Is all they need for happiness / But there's a pleasure, I think more of / Measure for measure .. I'll take love / Pound for pound oh yeah and / Ounce for ounce love is all that really counts / So let them have their wealth and fame / Eat caviar and drink champagne / You're all the treasure I'm dreaming of / Measure for measure .. I'll take love / Pound for pound oh yeah and / Ounce for ounce love is all that really counts / So let them have their wealth and fame / Eat caviar and drink champagne / You're all the treasure I'm dreaming of / Measure for measure .. I'll take love / I'll take love, I'll take love / I'll take love, I'll take love.

Elvis Os Anos Finais - Parte 17

Já que o ser humano Elvis era totalmente preso ao Elvis mito então ele teria que tirar algum proveito dessa situação. Talvez a fama o ajudasse de alguma forma na busca da satisfação de suas necessidades químicas mais urgentes. O fato de ser uma celebridade iria certamente lhe abrir muitas portas! O que importava para Elvis nesse período nebuloso de sua vida era suprir seu vício! Ele não se importava mais, nessa altura dos acontecimentos, com o que as pessoas próximas a ele pensavam de tudo o que estava acontecendo. Enquanto houvesse medicação suficiente para sua satisfação pessoal e enquanto tudo estivesse encoberto de seus fãs e imprensa, para ele tudo estaria bem. Elvis nunca reconheceu para si mesmo que estava perdido, que precisava urgentemente de um tratamento de desintoxicação. Em sua forma de ver as coisas ele era apenas uma pessoa doente que precisava desses remédios para se curar. Ele não se considerava um viciado em drogas, mas sim uma pessoa enferma.

Infelizmente só ele pensava dessa forma. Era fácil perceber que ainda estava na fase de negação. Por essa razão, para continuar firme em sua jornada insana de hedonismo químico travestido de ciclo de auto destruição, Elvis precisaria de alguma ajuda externa e facilmente ele a teria. Para quem dependia de sua fama para viver seria fácil. Em relação e eles Elvis não teria com o que se preocupar. Mas havia também as pessoas que não eram subordinadas diretamente a ele. Para essas a antiga solução ao velho estilo "Tom Parker": muito dinheiro vivo, em cash! Segundo a peça de acusação que foi elaborada contra um dos médicos de Elvis, para contornar essa delicada situação ele simplesmente os comprava de forma indireta. Isso não era uma coisa feita de forma ostensiva, nada disso, era tudo muito bem simulado entre eles. Em troca de presentes caros como carros de alto luxo, por exemplo, os médicos receitavam as drogas que Elvis tanto queria.

Era uma simulação muito bem orquestrada, uma peça de teatro macabra! O cantor simulava estar seriamente doente e os médicos fingiam que ele realmente precisava de uma quantidade absurda de medicamentos e os receitava. Claro que Elvis sofria de alguns problemas de saúde, como glaucoma, lesões no cólon e no aparelho digestivo e depressão, muitos deles agravados inclusive pelo uso abusivo de remédios, mas nada poderia justificar um abuso tão grande de drogas por uma só pessoa! Elvis podia até estar doente, mas não em proporções tão alarmantes que justificassem o uso constante de enormes doses de drogas tão diferentes entre si. A verdade pura e simples é que Elvis havia perdido totalmente o controle da situação, principalmente em meados dos anos 70. As coisas ficaram mais claras em 1981, quando a justiça norte americana provou que só um de seus médicos receitou mais de dezenove mil doses de narcóticos e barbitúricos diversos para Elvis em seus dois últimos anos e meio de vida.

Isso dava uma média de mais ou menos 25 ou 30 diferentes remédios por dia, entre pílulas e injeções! No seu receituário diário havia Quaalude (conhecida como "Wall Banger", que traduzindo significa "Bater a cabeça na parede"), Amytal, Dexedrine, Biphetamine, Percodan, Demerol, Valium, Codeína, Dilaudid, a preferida de Elvis, enfim... uma diversidade absurda e mortal. Foi com base nessas informações que o Dr. Nick, médico particular de Elvis, foi a julgamento no começo dos anos 80. Para os promotores do caso, mesmo correndo o risco de ser investigado um dos médicos não se fez de tímido e prescreveu uma quantidade mais do que excessiva para seu cliente famoso! Em troca Elvis comprou uma casa para ele no valor de 350 mil dólares, deu carros importados e financiou um centro clínico no valor de 5.5 milhões de dólares. Como se isso não bastasse, ainda investiu em negócios de seu médico particular, como a construção de um complexo esportivo!

Mas isso era apenas uma peça dentro do complexo mosaico de médicos fornecedores de que Elvis se utilizava. Não raro ele pegava seu avião e atravessava o país em busca de uma nova fonte de medicamentos, pois a anterior já havia se esgotado. Todos esses fatos só servem para termos uma idéia de como era grave o estado de Elvis Presley em seus últimos meses de vida! No final das contas, apesar da promotoria ter demonstrado com amplo material probatório a má fé do médico em receitar tantos remédios em troca de favores, um dos médicos foi inocentado na esfera penal alegando que as drogas eram consumidas por todo o pessoal envolvido nas turnês e não apenas por Elvis, fato que foi negado por vários membros da máfia de Memphis e da própria banda do cantor. Lamar Fike afirmou: "Eu nunca tomaria coisas como Demerol ou Quaalude na minha vida!" Já Red West foi mais incisivo e disse depois do julgamento: "Aquilo foi o médico que inventou uma história sem pé, nem cabeça! Eu não sou e nunca fui um usuário desse tipo de substância, se quiserem me submeto até a exames para provar o que digo!".

Erick Steve.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Easy Come Easy Go - Parte 2

Vamos agora tecer alguns comentários sobre as músicas do filme "Meu Tesouro é Você" (Easy Come, Easy Go, EUA, 1967):

Easy Come, Easy Go (Ben Weisman / Sid Wayne) - Música título do filme, é apresentada no início e sua cena é ridícula, com Elvis cantando-a dentro de um barco com seus amigos da marinha. Mas essa é o tipo da música que tem que ser avaliada por partes. Sua letra é completamente imbecil, porém seu ritmo é EXCELENTE!!! Frenética e com um ótimo solo de guitarra ECEG poderia ter sido uma boa música, se não fosse sua letra, que não chega a ser ruim como em outras, mas... o que dizer de uma letra que chama um beijo de nutritivo!!!???

The Love Machine (Gerald Nelson / Fred Burch / Chuck Taylor) - Essa música fala sobre uma suposta roda com várias fotos de garotas que você gira e na garota que parar essa vai ser sua. Ótimo tema para música não acham?! Pela explanação acima já dá pra ver que a letra, novamente não é o forte dessa canção, que possui um ritmo até simpático, mas que não se desenvolve, apesar dos competentes vocais de Elvis. Essa é o tipo de música que fora do filme não faz sentido algum. Curiosamente foi primeiro lugar na Índia!!!

Yoga Is Yoga Does (Gerald Nelson / Fred Burch) - Ai Meu Deus, o que foi que eu fiz pra merecer isso?! Essa música é tão ruim, mas tão ruim, que só perde para a pérola "Dominic" de Stay Away Joe. De longe uma das mais odiadas pelos fãs de Elvis, essa "coisa" pavorosa não possuía nem ritmo, nem melodia e é uma das piores letras já escritas. Para completar é cantada em um dueto simplesmente horroroso e em uma cena que deve ter sido no mínimo constrangedora para Elvis. Poderia passar horas a criticando, mas ela nem isso vale a pena!

You Gotta Stop (Giant / Baum / Kaye) - Você já está quase chorando de raiva com a trilha quando de repente escuta Elvis: "Baby you´ve been Lying to me..." Seus ouvidos não acreditam, que melodia boa, que letra legal! Pois é senhores, toda trilha de Elvis é uma montanha russa, tem altos e baixos e nessa, apesar dos baixos serem em número maior, conseguimos encontrar essa preciosidade que vem para salvar tudo. "You Gotta Stop" não só é a melhor da trilha (grande coisa), mas é uma das mais desconhecidas preciosidades da carreira de Elvis! Divertida, com uma introdução que lembra "Runaround Sue" essa belezura tem uma das melodias mais gostosas que já escutei, com uma letra que foge da temática "rapaz se apaixona por garota". Falando de um cara que acabou um relacionamento e não quer mais nem saber da menina, "You Gotta Stop", recorre a um tema muito pouco explorado na carreira de Elvis: a superação amorosa.

Foi um pecado da RCA não ter lançado um single dessa música. Se bem que com a má publicidade do filme talvez a canção não teria sido bem sucedida. Mas fica aí a dica: no dia que a BMG resolver remixar outra música de Elvis, essa é bastante indicada. Por incrível que pareça, as trilhas de 1966 tem uma qualidade melhor do que os horrorosos "Paradise Hawaiian Style" e "Harum Scarum", definitivamente uma prova de que Elvis estava dormindo em 1965. "Double Trouble" é bem razoável e "Spinout" é até interessante (tirando a horrenda Beach Shack!).

O mesmo não pode se dizer de "Easy Come Easy Go", que está em 5º lugar nas piores bilheterias de Elvis. E pessoalmente eu achei o filme horrível. A trilha é péssima, com exceção de "I´ll Take Love" e a mencionada acima. Essa trilha contém a extremamente desprezível "Yoga is as Yoga Does", uma das piores músicas que já escutei. Mas como esse é um caso de altos e baixos, temos o prazer de escutar essa excelente música completamente desconhecida até entre os fãs, talvez por ser dificílima de se conseguir. Com uma letra fugindo da temática "garoto apaixonado pela garota", falando de um cara que quer terminar um relacionamento, essa música tem um excelente ritmo e é extremamente contagiante, com uma introdução que usa os mesmos acordes do clássico de Dion "Runaroun Sue". Como já disse, se quisessem fazer um remix dela ficaria perfeito. Nada dance, mas um arranjo mais rock. Se o Offspring descobrisse essa música... Tenho certeza que iam fazer maravilhas, transformando-a num punk rock, pois ela tem ritmo para isso. Nota dez para talvez a mais desconhecida canção dessa lista de preciosidades!!!

Sing You Children (Gerald Nelson / Fred Burch) - Tentativa frustrada de incluir um Gospel fajuto na trilha. Esse gospel é forçado, de letra boba e melodia sofrível. Também, o que esperar de uma música escrita pelos mesmos autores de Yoga is Yoga does? Pior é a cena em que ela é cantada no filme, onde Elvis a usa como forma de passar de um canto pra outro do recinto onde se encontra, pois o mesmo está lotado!!! Acho que existem melhores desculpas para incluir uma música em um filme. Mas quem sabe funciona? Quando estiver em um show lotado e quiser me locomover posso até tentar...

I'll Take Love (Fuller / Barkan) - A trilha se encerra com essa música simpática, de ritmo agradável, apesar dos toques caribenhos em sua parte instrumental. Não é uma das melhores da discografia do rei, mas passa longe de incomodar. É usada na habitual seqüência final do filme onde Elvis sempre canta uma música, depois que tudo ocorreu bem. Cerca de 80% dos filmes do rei acabam assim. Infelizmente.

Em resumo, só assiste ao filme e ouve essa trilha três tipos de pessoas:
- Os masoquistas
- Os fãs de Elvis
- Se você for ambos!
Tirando "You Gotta Stop", a trilha é dispensável e o filme bem ruim. Demoraria ainda dois anos para Elvis entrar nos estúdios da NBC e voltar com a mesma força que o fez imortal.

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Charlie McCoy (guitarra e órgão) / Bob Moore (baixo) / Buddy Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Hal Blaine (bateria) / Curry Tjader (bateria) / Larry Bunker (bateria) / Emil Radocchia (percussão) / Michel Rubini (Harpsichord) / Mike Henderson (trumpete) / Anthony Terran (trumpete) / Jerry Scheff (trumpete) / Butch Parker (trombone) / Meredith Flory (sax) / William Hood (sax) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Gravado no Paramount Scoring Stage, Hollywood, California / Data de gravação: 28 e 29 de setembro de 1966 / Produzido e arranjado por Joseph Lilley / Data de lançamento: Março de 1967 / Melhor posição nas charts: # - (USA) e # - (UK) Obs: O EP (compacto duplo) não conseguiu classificação nas paradas inglesas e americanas pois foi um fracasso comercial de vendas.

Victor Alves.