quinta-feira, 26 de março de 2015

FTD Burbank '68 / FTD Out In Hollywood

FTD Burbank '68
Esse foi o primeiro CD dessa maravilhosa coleção FTD (Follow That Dream). Se você é fã de Elvis Presley os títulos dessa série são simplesmente essenciais e obrigatórios. Não tem como deixar de lado. Além de trazer shows inéditos a coleção ainda revitalizou os álbuns clássicos e as trilhas sonoras, criando um panorama absolutamente completo sobre a discografia de Elvis Presley. Nesse aqui o foco se desloca para o NBC TV Special realizado em 1968. Como se sabe esse programa de TV acabou salvando a carreira de Elvis, mostrando a ele e ao Coronel Parker que havia chegado a hora de deixar Hollywood para voltar aos palcos novamente. Dito isso, temos também que lembrar que infelizmente essas sessões de gravações não foram tecnicamente bem realizadas pela RCA. Havia uma certa dúvida se as gravações do show do especial seriam lançadas em disco ou não na época - e talvez por essa razão nenhum registro dessas canções são bem realizadas do ponto de vista puramente técnico. Nem o álbum original em vinil (que saiu em mono) conseguiu ter boa qualidade sonora. Mesmo assim, com esses eventuais problemas, ter a oportunidade de ouvir e ver Elvis cantando novamente ali, ao lado do público, não tem preço. Em relação a esse CD o conteúdo se concentra basicamente nos ensaios realizados no dia 25 de junho e no show feito no dia 29. Grande parte desse material era inédito quando chegou nas lojas, causando um grande alvoroço entre os fãs de Presley. Material muito bom e histórico. 

FTD Burbank '68 - Danny Boy / Baby What You Want Me To Do / Love Me / Dialogue with Steve Binder / Lawdy Miss Clawdy / One Night /  Blue Christmas /  Baby What You Want Me To Do /  When My Blue Moon Turns To Gold Again / Blue Moon Of Kentucky / Elvis dialogue (no 2) / Heartbreak Hotel / Hound Dog / All Shook Up / Can't Help Falling In Love / Jailhouse Rock / Don't Be Cruel / Love Me Tender / Blue Suede Shoes /  Trouble/Guitar Man / If I Can Dream (Vocal overdub take 3, June 30) / Let Yourself Go (Instrumental).

FTD Out In Hollywood
Segundo lançamento do selo FTD. Já tive a oportunidade de escrever um longo review sobre esse CD. Como o próprio nome sugere o foco dessa vez é em cima das trilhas sonoras de Elvis dos anos 1960, ou melhor dizendo, dos takes alternativos de sessões de filmes diversos gravados por Presley nesse período de sua vida. Material que ficou pelo chão da sala de edição na composição dos álbuns oficiais e originais. Assim o ouvinte irá desfrutar de canções retiradas de produções como "O Seresteiro de Acapulco", "Garotas, Garotas e Mais Garotas", "Talhado Para Campeão", "Minhas Três Noivas", "Entre a Loira e a Ruiva", etc, etc. Os takes soavam interessantes na época do lançamento porque a maioria deles era inédita na ocasião. Hoje em dia esse título está superado pela simples razão de que o próprio selo FTD iria lançar nos anos seguintes CDs individuais para cada trilha sonora específica. Ora, aqui temos apenas um aperitivo, uma coletânea de takes alternativos de lançamentos avulsos que seriam completados depois com a íntegra das sessões. No geral vale como uma descompromissada audição, caso você não queira ser tão específico com os lançamentos que vieram depois dele.

FTD Out In Hollywood
1: Mexico (take 7) 2: Cross My Heart And Hope To Die (take 6) 3: Wild In The Country (take 11) 4: Adam And Evil (take 16) 5: Lonely Man (take 4) 6: Thanks To The Rolling Sea (take 3) 7: Where Do You Come From (take 13) 8: King Of The Whole Wide World [M7-version] (take 3) 9: Little Egypt (take 21) 10: Wonderful World (take 7) 11: This Is My Heaven (Vocal overdub take 4) 12: Spinout (take 2) 13: All That I Am (take 2)14: We'll Be Together (take 10) 15: Frankie And Johnny (take 1) 16: I Need Somebody To Lean On (take 8) 17: The Meanest Girl In Town (take 9) 18: Night Life (take 3) 19: Puppet On A String (take 7) 20: Hey Little Girl (take 1, 2) 21: Edge Of Reality (take 6) 22: Baby I Don't Care (Vocal overdub take 6).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Elvis Presley - Kicking And Rolling / Elvis At The Forum

Kicking And Rolling 
Dando prosseguimento às resenhas com breves comentários vamos tecer algumas palavras sobre esses dois bootlegs. Esse é o primeiro, um lançamento do selo Straight Arrow intitulado "Kicking And Rolling". O CD traz o midnight show (apresentação da meia-noite) de Elvis realizado em 18 de fevereiro de 1973 na cidade de Las Vegas. Essa temporada de Elvis é particularmente conhecida pela realização de shows bem abaixo da média o que segundo alguns biógrafos se deve exclusivamente ao abuso de remédios por parte do cantor naquela ocasião. Inclusive consta em vários biografias que Elvis quase teve uma overdose fatal após Linda o encontrar suando e enrolado numa toalha na suíte do hotel. Ele obviamente estava tendo um ataque, mas como o cantor tinha virado uma mina de ouro para empresários e promotores de shows tudo foi devidamente varrido para debaixo do tapete. O fato é que Elvis começou a abusar bastante das drogas, o que inevitavelmente se fez notar em alguns de seus concertos. É ouvir para conferir.

Kicking And Rolling - 01. Also Sprach Zarathustra (Theme from "2001 A Space Odyssey") - 02. Opening Vamp / C. C. Rider - 03. I Got A Woman / Amen (medley) / Big Boss Man (one line) - 04. Love Me Tender - 05. You Don't Have To Say You Love Me - 06. Steamroller Blues - 07. You Gave Me A Mountain (with reprise) - 08. Fever - 09. Love Me - 10. Blue Suede Shoes - 11. Johnny B. Goode - 12. Hound Dog (slow & fast) - 13. What Now My Love - 14. Suspicious Minds - 15. Instrumental Intermezzo / Elvis attacked on stage - 16. I Can't Stop Loving You - 17. An American Trilogy - 18. Can't Help Falling In Love - 19. Closing Vamp. Special bonus:20. C. C. Rider - 21. Steamroller Blues - 22. You Gave Me A Mountain - 23. Fever - 24. What Now My Love (with reprise).

Elvis At The Forum
Esse CD traz o show inédito realizado por Elvis no dia 11 de maio de 1974 em Los Angeles (concerto da tarde). Na ocasião a apresentação se transformou em um grande evento que levou milhares de pessoas ao Forum de Inglewood. Belo complemento para quem já tem o outro CD do selo FTD unindo várias apresentações de Elvis nessa mesma cidade intitulado "Live in L.A". Como todos sabem 1974 foi um dos anos mais loucos da vida de Elvis. Não se sabe exatamente a razão, mas ele parecia bem fora de si em vários momentos. Algumas biografias afirmam que nesse ano ele teria começado uma má sucedida investida no uso de cocaína líquida, que em fusão com outras drogas que tomava regularmente o teria deixado completamente alucinado, dentro e fora dos palcos. Bad Trip. Vários shows mostram um Elvis ligadaço, mas esse aqui curiosamente é considerado uma de suas apresentações mais convencionais e tranquilas. No repertório Presley resolveu apostar no estilo "feijão com arroz". As únicas boas novidades vem das versões de "Big Boss Man" e "Help Me" (uma bela canção que infelizmente sempre foi bastante subestimada pelos fãs e pelo próprio Elvis Presley).

Elvis At The Forum - Also Sprach Zarathustra - See See rider - I Got A Woman/Amen - Love Me - Trying To Get To You - All Shook Up - Teddy Bear/ Don't Be Cruel - Love Me Tender - You Can Have Her - Steamroller Blues - Hound Dog – Fever - Polk Salad Annie - Why Me, Lord? - Suspicious Minds - Introductions - I can't Stop Loving You - Help Me - An American Trilogy - Let Me Be There (reprise) - Funny How Time Slips Away - Big Boss Man - Can't Help Falling In Love - Closing Vamp – Announcer: Elvis has left the Building

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 24 de março de 2015

Elvis e as fronteiras do desconhecido

Elvis e as fronteiras do desconhecido
Larry Geller era um judeu nova-iorquino, um dos primeiros espécimes de uma raça que logo seria comum na Costa Oeste e nos resto do mundo - o hippie espiritualista dedicado à alimentação natural. Às vezes Elvis brincava se referindo a ele como "o meu guru". Mas Larry Geller absolutamente não fez a cabeça de Elvis Presley, embora cortasse seu cabelo toda semana. Geller apenas acendeu o pavio. Quase todos os dias, Elvis e Larry engajavam-se em prolongadas discussões sobre os livros de ocultismo que Larry lhe indicava e Elvis estudava com afinco. E o ocultismo ocupou seu lugar na vida do Rei. Não demorou nada para que ele se colocasse na posição de "grande mestre" e líder espiritual, e sua idéia de origem divina começou a se firmar como um dos princípios de sua vida. Elvis passou a pregar a todos que lhe rodeavam, jogando sobre eles tudo o que havia lido nos livros. Elvis estudava teologia, filosofia oriental, numerologia, Madame Blavatsky, objetos voadores não identificados, espiritismo, reencarnação, vida após a morte, telepatia, etc. Chegou inclusive a fazer muitas tentativas para se comunicar telepaticamente, mas invariavelmente acabava usando o telefone. Elvis estava particularmente curioso sobre os mistérios da morte e assegurou aos caras que, se morresse, iria encontrar um jeito de se comunicar do além. Como se não bastasse, Elvis passou a freqüentar uma academia espiritualista em Pasadena (Califórnia), fundada em 1952 por Paramahansa Yogananda, o autor de "Autobigrafia de um Yogue".

Esse "Shangrilá" ficava no topo de uma montanha, onde havia um hotel, e pelos gramados mulheres caminhavam vestidas com sáris coloridos. Existia também um jardim para meditação, que Elvis imediatamente duplicou em Graceland. No sopé da montanha havia uma cidadezinha totalmente cercada, onde ficavam os alojamentos dos irmãos e irmãs que viviam em celibato, em perpétua meditação. Quando soube que essa área lhe era proibida, Elvis não resistiu ao impulso de se declarar um celibatário e conhecer o misterioso lugar. Nessa montanha ele conheceu uma moça que se dizia chamar Daya Mata e que era uma das discípulas de Paramahansa. No primeiro encontro que teve com ela Elvis pediu que lhe ensinasse os segredos da Kriya Yoga, o último degrau da escala de auto realização. Daya Mata lhe aconselhou humildade, paciência e perseverança. Em troca Elvis ofereceu dinheiro, que ela aceitou agradecida em nome da fundação espiritualista. Mas nem toda a espiritualidade foi capaz de fazer com que Elvis controlasse seu terrível temperamento. Até mesmo quando acabava de sair de uma sessão com Daya Mata, Elvis era capaz de atos de irracional violência. Uma vez ele estava voltando para casa e passou por um posto de gasolina na encosta da montanha, onde dois empregados estavam boxeando de brincadeira. Elvis ordenou que sua limusine entrasse no posto e, abrindo sua janela, fez um discurso para os brigões, dizendo a eles que deviam abraçar o amor e não a hostilidade. Assim que o carro arrancou, um dos sujeitos lhe fez o clássico sinal de "vá se f*", isto é, o dedo médio erguido com a mão fechada. Instantaneamente o carro brecou, Elvis desceu, aproximou-se do primeiro empregado e lhe aplicou um golpe de Karatê que o jogou longe. Em seguida sacou seu revólver 38 do coldre sob o braço e estava pronto para atirar no segundo sujeito, quando Hamburguer James chegou correndo e gritando: "Me dá essa arma!". Automaticamente, Elvis virou-se e entregou o revólver ao seu valete real. Num segundo, todos estavam de volta ao carro, que saiu em disparada. (L. Gomes)

(Elvis e a Estrada da busca interior) - O cinema, principalmente o cinema B, no qual os filmes de Elvis se encaixavam, não representava, absolutamente, mais nada na vida do Rei. Com certeza, o Rei já devia estar, deveras arrependido, em ter tentado um dia ser um astro de Hollywood. As ambições e o foco de vida de Elvis, ao meu ver, tinham escolhido uma espécie de desvio na estrada lógica do sucesso: A estrada da busca interior e do esoterismo (é com "s" mesmo , pois o exoterismo com "x" representa a busca exterior), tinham seduzido, definitivamente, o Rei do Rock. E sobre essa busca, eu entendo muito bem, pois aconteceu comigo também. O livro "A Autobiografia de um Iogue", que é também o meu livro de cabeceira há mais de 20 anos, foi escrito pelo mestre indiano Paramahansa Yogananda. Nascido na Índia em 5 de janeiro de 1893, o mestre Yogananda devotou sua vida a ajudar pessoas de todas as raças e credos a compreender e manifestar mais plenamente, em suas vidas, a beleza, a nobreza, e a verdadeira divindade do espírito humano. Em 1915 fez votos solenes como monge da "Venerável Ordem Indiana dos Swamis". Em 1920, foi convidado a participar de um Congresso Internacional de Religiosos Liberais, como representante da India, realizado em Boston, Massachussets. Seu histórico discurso versando sobre o tema "A Ciência da Religião", simplesmente encantou e magnetizou todos que estavam presentes. O restante do congresso girou todo em torno de Swami. Em 1925, funda a "Self-Realization Fellowship", para difundir para o mundo inteiro, seus ensinamenntos de Ioga, a antiga ciência e filosofia da Índia. Nesse mesmo ano, estabelece a sede central de sua organização em Los Angeles, como forma de difundir a sua escola, no principal país do ocidente. Em 1946, Yogananda publica a "Auto-Biografia de um Iogue", tendo sido ampliada por ele em 1951. Esse livro foi saudado como um marco da literatura espiritual, desde sua primeira edição, permanece um dos livros mais respeitados e mais lidos acerca da Ioga e do pensamento oriental. (Telmo Jr.)

sábado, 21 de março de 2015

Elvis e a Era de Aquarius

Coronel Tom Parker, Elvis Presley e Larry Geller
Nos anos 60 durante as filmagens de mais um novo filme do Rei do Rock, o cabeleleiro do estúdio não pôde comparecer para cuidar do cabelo do Elvis. Foi então que um substituto foi enviado. Seu nome era Larry Geller, hippie, nova iorquino e judeu, uma combinação bem estranha sem dúvida, mas que era o típico espiritualista em moda naquela época. Uma pessoa versada em quase todas as religiões conhecidas, desde budismo, hinduismo, xintoismo e outras várias, que só ingeria comida natural e praticava yoga e outros tipos de vertentes das religiões orientais. Ao cuidar do cabelo de Elvis, Larry percebeu que enquanto ele estava sentado na cadeira esperando o serviço ficar pronto, ficava lendo o livro "Autobiografia de um Yogue". Logo Larry puxou papo com Elvis e lhe disse que gostava muito do assunto, de religiões esotéricas, da nova era de aquário, da busca espiritual, telepatia, de ocultismo, etc. No começo Elvis pensou que ele seria apenas mais um bajulador como tantos outros que ele encontrava pelos estúdios, mas quando Larry começou a expor seus conhecimentos, Elvis ficou completamente impressionado! Começou a surgir daí uma amizade muito especial para Elvis, pois finalmente ele havia encontrado alguém com quem discutir esses assuntos de que tanto admirava e estudava. Larry mostrou a Elvis que havia muitos outros grandes mestres além de Jesus Cristo e começou a trazer a Elvis livros sobre Buda, Confuncio, Maomé, etc. E Elvis absorveu toda a literatura disponível, sempre seguindo os conselhos de Larry nesse campo.

Elvis perguntou a Larry porque tinha sido tão abençoado por Deus em sua vida, e porque mesmo tendo tudo não conseguia atingir a felicidade! Ele queria entender seu propósito nessa vida, qual era o plano de Deus para ele, qual seria a sua missão! E desabafou que se sentia frustrado pois até sua tão gloriosa carreira de outrora agora perdia o brilho e tudo estava resumido em se fazer 3 filmes por ano com trilhas sonoras estúpidas. Ele disse a Larry que mesmo rodeado de muitas pessoas, se sentia na verdade extremamente solitário em sua vida. Larry acabou virando uma espécie de analista na vida de Elvis, um ombro amigo em que ele podia desabafar sempre que quisesse. E Elvis, para a ciumeira geral de seu grupo, começou a chamar Larry de "meu Guru" e "meu Mestre". A primeira conseqüência disso foi o gradual afastamento de Elvis das amizades anteriores, como os caras da Máfia de Memphis. Elvis sempre estava ao lado de Larry discutindo os grandes temas universais e como os demais membros da máfia não entendiam do assunto e nem tinham cultura para tanto, acabaram ficando de lado na vida de Elvis. Com Priscilla também não foi diferente. Elvis incentivou ela a também estudar todos esses assuntos, mas isso não a interessava. E assim Priscilla também começou a sentir ciúmes de Elvis, pois mesmo quando ele estava em casa, ficava distante e ausente, lendo e devorando o material recomendado por Larry. Nesse ponto a religião se tornara o ponto focal de sua vida - para Elvis nada mais tinha importância, nem seus amigos, nem seus filmes e discos e muito menos sua namorada Priscilla.

O Coronel Tom Parker começou a ficar preocupado de verdade. Chegou a perguntar a Joe Esposito: "Joe, o que está acontecendo com o menino? Parece distante e desinteressado!". Joe Esposito prometeu ao Coronel que iria ficar de longe, observando essa amizade de Elvis e Larry. Então na manhã em que Elvis iria começar as filmagens de seu novo filme, chamado Clambake (O Barco do Amor, no Brasil), ele acordou meio sonolento e não viu o fio da TV no chão. Ao caminhar para o banheiro Elvis tropeçou no fio e caiu de forma violenta, batendo a cabeça fortemente. Ao recobrar a consciência Elvis percebeu que se machucara pra valer na cabeça. "Mas que merda! Quem colocou esse fio aqui!?". Priscilla, assustada, chamou Joe Esposito imediatamente ao quarto. Em poucos minutos o recinto estava cheio de gente: médicos, produtores, Larry, os caras da máfia de Memphis e o Coronel. O doutor declarou que Elvis tinha uma forte concussão na cabeça e que deveria ficar em repouso nas semanas seguintes, pois seria necessário a realização de mais exames, para se certificar de que nada mais grave tivesse lhe ocorrido. O começo das filmagens estava adiado por tempo indeterminado. O Coronel ficou furioso com o acontecimento. Para ele tudo era culpa dos livros espiritualistas. Elvis estava com a cabeça nas nuvens, não se importava com mais nada e nem com ninguém. Tinha se tornado uma pessoa distante e desligada do mundo. Foi então que ele resolveu reunir Elvis, Larry e todos os caras da máfia de Memphis.

Para o Coronel o momento era de colocar as coisas em ordem novamente. Tom Parker não deixou por menos: "Elvis, Larry está mexendo com a sua cabeça, eu tenho certeza que ele está tentando fazer uma lavagem cerebral em você! Eu posso garantir isso! Você deve se afastar dele e dessa literatura barata. Não deve mais perder tempo com essas coisas. Você tem uma carreira para cuidar! Deve se concentrar em atuar e cantar bem e nada mais. Você não é pago para salvar o mundo, mas sim para entreter as pessoas! Deve honrar seus compromissos e cumprir seus contratos, nada mais. Você é um artista e não um guru! Você deveria queimar todos esses livros de uma vez! E vocês - disse apontando o dedo para os caras da máfia de Memphis - devem deixar Elvis em paz, ele é um artista e não um ombro amigo para trazer problemas. Cuidar de uma pessoa já é difícil, imagine onze! Isso faz qualquer homem vergar, meu Deus! Isso acaba agora, me entenderam?! Vocês devem deixar Elvis em paz, qualquer problema de agora em diante deve ser levado ao conhecimento de Joe Esposito!" - Esse último recado foi dirigido face a face a todos os membros da máfia de Memphis e a Larry Geller em especial. Foi uma bronca daquelas, com o Coronel gritando com todos a plenos pulmões!

Elvis ouviu tudo calado, com a cabeça abaixada e não contestou as incisivas palavras do Coronel e nem saiu em defesa de Larry. Em um ponto Priscilla e toda a turma da máfia de Memphis concordavam com a visão do Coronel Tom Parker: todos queriam que Elvis mandasse Larry embora de Graceland e tocasse fogo em seus livros espiritualistas. A pressão foi tamanha que numa noite Elvis, ao lado de Priscilla, resolveu fazer uma grande fogueira nos fundos de Graceland para queimar toda a sua coleção de livros. Elvis apenas ficou lá, abalado e não muito certo de sua decisão, olhando todos os seus queridos livros virarem cinzas. Chegou a murmurar: "Não se deve queimar livros!". Ele sentiu muito, mas achou que aquele era o momento certo para fazer aquilo. Pelo menos por enquanto tudo estava resolvido, enfim. Porém, conforme o tempo foi passando, Elvis foi, aos poucos, voltando aos temas espirituais. Esse assunto sempre lhe fascinara e apesar de tudo ainda lhe despertava muita atenção. De fato isso não seria o fim da amizade entre Larry e Elvis, pois esse ainda iria voltar na vida do Rei nos anos 70. Tanto que nos anos seguintes Elvis voltaria a comprar quase todos os livros que ele havia jogado na fogueira naquela noite. Definitivamente Elvis tinha sido fisgado de uma vez por todas pela chamada "Era de Aquarius".

Pablo Aluísio

terça-feira, 17 de março de 2015

Elvis Presley - Clambake

 
 
Segue abaixo o trailer original do filme "Clambake". Na foto acima Elvis e sua partner dão uma forcinha na promoção do filme.
 

Trailer do filme "Clambake" (O Barco do Amor)
Abaixo cenas do filme.






 

sábado, 14 de março de 2015

Clambake

Escrever sobre Clambake nem sempre é algo prazeroso. O filme hoje é símbolo de uma das fases mais problemáticas e menos inspiradas da carreira de Elvis Presley. Era a exaustão de uma fórmula que já tinha esgotado completamente a carreira do Rei do Rock. Em 1967 Elvis estava inteiramente absorvido nos estudos de filosofias orientais esotéricas, espiritualistas, tinha seus interesses pessoais em primeiro plano e estava se dedicando a melhorar sua vida interior. Para isso ele ficava horas e horas devorando livros e livros sobre o tema. Ficava dias e dias ao lado de seu guru pessoal tentando decifrar os grandes mistérios do universo em conversas sem fim e altamente enigmáticas. Fora disso não havia mais nada que despertasse seu interesse, sua atenção. Elvis vivia em um eterno torpor messiânico e religioso, indiferente a tudo e a todos. Na sua visão pessoal não havia nada mais importante do que crescer como um ser espiritual elevado. Nem seus amigos e sua namorada Priscilla escaparam de sua indiferença.

Tudo muito interessante e curioso, mas que tinha um outro lado altamente nocivo. A despeito de todo essa busca espiritual Elvis simplesmente negligenciou sua carreira musical, seu talento único foi colocado de lado e esquecido. Sua vida girava em torno de muitos questionamentos, nenhum deles musical. Infelizmente nada disso a que tanto se dedicava de corpo e alma tinha a ver com música! Elvis parecia estar indiferente a tudo que não se referisse a assuntos espiritualistas. Absorvido completamente numa nova mania e paixão, deslumbrado pela filosofia da nova era, Elvis não se interessava mais pelo seu talento musical e artístico, pela sua carreira, pela qualidade decrescente de seus últimos discos, pelas críticas constantes sobre seus filmes mais recentes e suas trilhas sonoras consideradas estúpidas, pela debandada de fãs decepcionados com os rumos de sua carreira.

O grande inovador e revolucionário estava totalmente estagnado. Teria o grande astro de outrora sido apenas um mero modismo? Será que todos os que o criticaram no começo de sua carreira estavam certos e Elvis iria sumir do mapa tão rapidamente como apareceu? A estrela se apagara para sempre? O Coronel estava preocupado. Será que tudo o que ele tinha nas mãos era uma lenda viva ultrapassada? Elvis estava acabado de uma vez? Era esse o quadro vivido pelas organizações Presley em 1967. Elvis não era mais considerado relevante do ponto de vista artístico, seus discos desabavam nas paradas e o pior, ele nem era mais ouvido pelos jovens, pois eles estavam muito mais interessados nos novos sons que vinham do outro lado do Atlântico, da chamada invasão britânica. O pior já começava a acontecer em 1967. Se antes todos criticavam Elvis e suas escolhas no cinema, agora ele começava a ser ignorado pelas revistas especializadas. Criticar mais uma vez Elvis por seu último filme? Até os jornalistas pareciam cansados disso.

Certamente um filme tão sem consistência como Clambake não iria reverter um quadro tão medonho. Era apenas o agravamento de uma situação que já se revelava extremamente desesperadora para os fãs mais fieis, aqueles que ainda acreditavam em uma reviravolta na vida artística do ídolo. Mas como sempre gosto de afirmar, tudo na vida possui o seu valor e Clambake também tem sua importância na carreira de Elvis. Clambake é o fundo do poço, o ponto do qual Elvis não ultrapassaria, onde não desceria mais, depois dele e de outros filmes que viriam, grandes fracassos de bilheteria, ficou claro até mesmo para Elvis que ele tinha que mudar, pois caso contrário seria simplesmente o fim de sua carreira. O cantor mesmo sabia que sua carreira no cinema estava em um impasse e que o velho sonho de se tornar ator em Hollywood não vingara. Depois de tudo isso o cenário estaria pronto para seu renascimento em 1968 no Comeback Special. Mas antes da glória, que só iria acontecer no ano que viria, vamos agora analisar, faixa a faixa, as canções que fizeram parte da trilha sonora de Clambake (O Barco do Amor, no Brasil) Obs: Não incluídas as Bonus Songs.

Clambake (Weisman / Wayne) - Essa canção quebra, de certa forma, uma tradição em trilhas sonoras de Elvis nos anos 1960. Mesmo nos mais mortificantes filmes, as canções títulos costumavam manter um certo nível de qualidade perante o material restante apresentado. Mas “Clambake” é nitidamente abaixo da média, um tanto quanto mal executada, com Elvis até mesmo displicente nos vocais (coisa rara de se ouvir!). O resultado final se mostra confuso, pouco inspirado. Porém temos que reconhecer que mesmo que Elvis se esforçasse, acho que a própria composição não o ajudaria, tendo um refrão muito deslocado em termos de estrutura rítmica. Alguns casos são realmente perdidos. Talvez a pior canção tema dos filmes de Elvis (lado a lado com Paradise, Hawaiian Style e Charro).

Who Needs Money? (Randy Starr) - Uma das maiores ironias da trilha sonora, pois o que mais Elvis precisava nessa época era de Money! Quem precisa de dinheiro? Ora Elvis, você mesmo! Quebrado financeiramente pelos altos custos do rancho Circle G, Elvis foi obrigado a aceitar o que estava à disposição. Ao se deparar com as enormes contas e custas chegando do último capricho de Elvis, seu pai, Vernon, ligou imediatamente ao Coronel Tom Parker para que ele arranjasse logo um trabalho para Elvis em Hollywood, caso contrário ele levaria suas próprias finanças à falência. Parker sondou os estúdios e um roteiro foi escrito às pressas para Elvis. Quando o Rei do Rock leu o conteúdo do que lhe estava sendo oferecido desabafou com Priscilla afirmando que tinha odiado tudo e que Clambake seria mais um filme nojento, ruim, cheio de “biquínis e músicas estúpidas”. Para quem estava totalmente absorvido em assuntos esotéricos como Elvis na época, deve ter sido horrível lidar com toda a superficialidade do material do filme. Mas, devendo até a alma aos bancos, o astro teve que esquecer suas próprias convicções pessoais e encarar as filmagens (Ele inclusive já tinha até mesmo colocado Graceland como garantia de alguns empréstimos pessoais feitos nesse período!). Dueto com o ator Will Hutchins, o que definitivamente não quer dizer grande coisa, pois ele até tinha uma bonita voz, mas não sabia cantar, o que convenhamos, fica constrangedor numa trilha sonora.

A House That Everything (Tepper / Bennet)- Boa balada, que se não se sobressai dentro da carreira de Elvis, pelo menos tem uma certa dignidade, sendo agradável no final das contas. Particularmente gosto de muitas canções escritas por essa dupla de compositores. Claro que algumas tolices foram escritas por eles, mas o foram em número reduzido. “A House That Everything” é a primeira canção da trilha que desperta nossa atenção. Aqui Elvis utiliza uma vocalização bem típica da primeira metade dos anos 60, calma, suave e relaxante. Praticamente todas suas baladas pré 64 apresentam essa característica (vide a linda “There’s Always Me” do disco “Something For Everybody” de 1961, símbolo do estilo que estou citando). Como faz parte dessa trilha sonora, uma das menos conhecidas da carreira de Elvis, foi totalmente esquecida e ofuscada. Merece uma segunda audição.

Confidence (Tepper / Bennet) - Nem com muita boa vontade se consegue gostar dessa música. É uma das piores coisas já cantadas por Elvis Presley em toda a sua carreira. Boba e maçante ao extremo, mais parece uma música de desenho animado infantil dos anos 40. Elvis, como sempre, cumpre o martírio e tenta se mostrar profissional até o final da canção, mas vamos ser sinceros, esse é um dos pontos mais baixos da carreira do cantor. Merecidamente esquecida por todos ao longo dos anos. Sem querer ser sarcástico, ela me lembra muito certas músicas do famoso palhaço televisivo Bozo. Como Elvis não era o Bozo, devia ter passado sem essa. Não disse que Tepper e Bennet também fizeram sua cota de tolices? Pois é...

Hey, Hey, Hey (Joy Byres) - Aqui Byers (na verdade um pseudônimo) me decepcionou. Para quem escreveu C’Moon Everybody fica um gostinho de decepção no ar quando a faixa começa a entrar em nossos ouvidos. Assumidamente descartável a música em nenhum momento se impõe ou chega a nos empolgar. Outra canção sem letra, sem ritmo, sem desenvolvimento rítmico. Se não bastasse ainda conta com uma péssima vocalização de apoio, diga-se de passagem. A cena do filme também é outra bobagem, com Elvis levando todas aquelas garotas anônimas para passar um tipo de "cola especial" em seu barco de corrida. Hey, esqueçam essa também...

You Don’t Know Me (Arnold / Walker) - Agora sim. Depois dos inúmeros enlatados surge finalmente uma canção com alma e coração. Elvis deve ter respirado aliviado ao se deparar com ela no estúdio de gravação. Finalmente uma melodia para se dedicar, que valia a pena. Gravada duas vezes por ele, em momentos distintos de sua carreira, já que acabou não gostando dessa versão da trilha sonora. Lançada também como single nesse mesmo ano, não teve maior repercussão, pois foi lado B de Big Boss Man. Ë uma canção injustiçada que merecia melhor sorte. Talvez tenha sido negligenciada pela simples razão de ser uma regravação de um grande sucesso de Eddy Arnold. A versão de Elvis não foi a primeira a surgir e por essa razão não foi acreditada como um provável sucesso pelos produtores do cantor na época. Uma decisão equivocada, sem sombra de dúvida, pois ela tinha potencial. Poderia ter caído facilmente no gosto do público. A música já era bem conhecida, um clássico cantado pelo antes outrora famoso cantor Arnold, que apesar de aparecer como compositor não a escreveu realmente. Uma coisa parecida com o que aconteceu com várias canções do próprio Elvis nos anos 50, onde ele aparecia como um dos co-autores, sem ter participado das criações das músicas. Infelizmente não foi divulgada e acabou totalmente desperdiçada, uma pena.

The Girl I Never Loved (Randy Starr) - Outra canção que, pegando o embalo de You Don’t Know Me, traz melodia e vocalização acima da média do restante da trilha sonora. Bem arranjado e produzida, a canção é um dos pontos altos do disco. O grupo vocal está muito bem posicionado e o arranjo é extremamente feliz, lembrando inclusive algumas músicas dos filmes havaianos de Elvis. Aliás é bom salientar que o arranjo é praticamente idêntico ao da canção A House That Everything, essa também um bom momento do disco. Outra pérola perdida no meio do oceano de canções sem expressão que assolavam a carreira de Elvis na segunda metade dos anos 60. Outra que merece ser redescoberta.

How Can You Lose What You Never Had (Weisman / Wayne) - Encerrando a trilha Elvis apresenta esse dublê de blues, que se não é uma maravilha, pelo menos nos proporciona uma oportunidade de ouvir Elvis se reencontrando com esse estilo musical que é um dos mais importantes dos Estados Unidos. É bom deixar claro que não estamos nos referindo a um clássico, a uma obra prima genial, nada disso, mas sim a uma canção que serve de alivio numa trilha sonora bem abaixo da média dos demais trabalhos de Elvis pós 65 no cinema (que por si só já não eram grande coisa!). É um aperitivo do que Elvis iria fazer com material de qualidade no ano que viria. Um trailer de muitos de seus compactos relevantes que iriam em breve surgir nas lojas dos EUA. Uma leve brisa de renascimento na obra de Elvis Presley.

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Charlie McCoy (harmonica) / Bob Moore (baixo) / Buddy Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Hoyt Hawkins (piano) Pete Drake (Steel Guitar) / Norm Ray (sax) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Millie Kirkham (vocal) / Gravado no RCA Studio B, Nashville, TN / Data da gravação: 21 a 23 de fevereiro de 1967 / Direção Musical: Jeff Alexander / Produzido por Felton Jarvis / Engenheiro de Som: Jim Malloy. / Lançado em Outubro de 1967 / Melhor posição nas charts: # 40 (EUA) e # 39 (UK).

Escrito por Pablo Aluísio - Março de 2006.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Elvis Presley Bootlegs

Echoes of Aloha - Depois do "Aloha From Hawaii" o que sobrara para Elvis? Era de se esperar que ele, após realizar o maior show de sua carreira, levantasse vôos ainda mais altos, quem sabe realizando sua tão aguardada turnê mundial! Infelizmente não era bem isso que o Coronel Parker planejava. Assim Elvis voltou para uma sonolenta temporada em Las Vegas. Com problema de saúde e entediado no palco, já que Vegas não mais lhe representava desafios, o cantor tentou ser o mais profissional possível. "Echoes of Aloha" traz as apresentações do dinner show nos dias 10 e 13 de fevereiro de 1973, justamente a temporada de ressaca do Aloha. O som da apresentação do dia 13 é bem ruim, mas as gravações do dia 10 são surpreendentemente boas. A lamentar apenas o claro cansaço físico e mental do cantor nesses concertos. Mesmo assim, com altos e baixos em termos de qualidade, é um bom item para se ter em sua coleção. O lançamento é do selo Audionics.

Echoes of Aloha - 1. Also Sprach Zarathustra 2. See See Rider 3. I Got A Woman/Amen 4. Love Me Tender 5. You Don't Have To Say You Love Me 6. Steamroller Blues 7. You Gave Me A Mountain 8. Fever 9. Love Me 10. Blue Suede Shoes 11. Heartbreak Hotel 12. Johnny B. Goode 13. Hound Dog 14. What Now My Love 15. Suspicious Minds 16. Band introductions 17. Celebrity introductions 18. I Can't Stop Loving You 19. American Trilogy 20. Can't Help Falling In Love 21. Closing Vamp / Announcements Bonus (Feb. 10 DS) [Soundboard]: 22. You Gave Me A Mountain (incomplete) 23. Love Me 24. Blue Suede Shoes 25. I Can't Stop Loving You 26. American Trilogy 27. Can't Help Falling In Love 28. Closing Vamp.

Things Get Loose in Tuscaloosa - Mais um lançamento do selo Audionics. Aqui pelo menos temos uma gravação de palco de melhor qualidade. Se trata de um soundboard do concerto realizado na tarde de 3 de junho de 1975 nessa pequena cidade do Alabama chamada Tuscaloosa. Esse é um reflexo dos rumos que a carreira de Elvis tomou nos anos 1970. O Coronel Parker literalmente lotou a agenda do cantor, muitas vezes com shows realizados pela tarde e à noite em cidadezinhas sem muita expressão. Ao invés de Parker levar Elvis para os maiores palcos do mundo em Londres, Paris e Madrid (cidades que ofereciam pequenas fortunas a Elvis na época por um concerto), o velho empresário preferia mandar o astro para pequenas localidades do sul dos Estados Unidos. Deixando um pouco de lado esse aspecto mais empresarial o que temos aqui é uma boa apresentação de Elvis, mesmo que incompleta, onde ele tenta criar uma cumplicidade maior com seu público. Certamente vale como curiosidade histórica.

Things Get Loose in Tuscaloosa - ...Amen / I Got A Woman / Love Me / If You Love Me / Love Me Tender / All Shook Up / Teddy Bear - Don't Be Cruel / Hound Dog / The Wonder Of You / Burning Love / Introductions / Johnny B. Goode / School Days / Bridge Over Troubled Water / T-R-O-U-B-L-E / Hawaiian Wedding Song / Let Me Be There / American Trilogy / Funny How Time Slips Away / Little Darlin' / Mystery Train - Tiger Man / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp.

Houston, We Have a Problem... - Terceiro lançamento da Audionics, o título do CD faz um trocadilho engraçadinho com a famosa frase dita pela tripulação da nave Apolo XIII. Esse é o show de Elvis realizado em Houston na data de 28 de agosto de 1976. Elvis pesadão luta para realizar uma boa apresentação. A boa notícia é que ele conseguiu. No começo o ouvinte fica com receios que Elvis fará mais um daqueles concertos preguiçosos e cheios de problemas, típicos do trabalho que ele vinha desenvolvendo ao vivo no ano do bicentenário dos Estados Unidos. Felizmente ele consegue se superar e lá pela quarta música Elvis parece se empolgar com o show. A qualidade sonora é boa, um soundboard bem gravado. Pena que o show em si esteja também incompleto. Outro problema é a já conhecida manha de Elvis em promover longas apresentações de seus músicos, o que lhe dava a chance de sentar para descansar e se poupar, tendo em vista seus problemas de saúde. O repertório é o costumeiro, sem maiores novidades. Os únicos destaques dignos de nota vem das performances de "America" (em homenagem ao seu país) e "Hurt" (onde Elvis tentava mostrar que ainda tinha muito poderio vocal).

Houston, We Have a Problem... - See See Rider (incomplete) I Got A Woman - Amen / Love Me / If You Love Me / You Gave Me A Mountain / All Shook Up / Teddy Bear - Don't Be Cruel / And I Love You So /  Jailhouse Rock / Fever / America / Polk Salad Annie - Introductions / Early Mornin' Rain / What'd I Say / Johnny B. Goode / Drum solo / Bass solo / Bass solo (#2) / Piano solo / Keyboard solo / School Days / Hurt / Funny How Time Slips Away / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 8 de março de 2015

FTD Love Me Tender

Verdade seja dita: não havia mesmo muito material para compor esse novo título do selo FTD. Pense bem. O filme "Love Me Tender" contou apenas com quatro músicas: "Love Me Tender", "Let Me", "Poor Boy" e "We're Gonna Move". Elas foram compostas meio às pressas depois que o estúdio resolveu colocar Elvis para cantar nesse western que havia sido escrito inicialmente sem qualquer tipo de número musical. Assim o produtor Ernst Jorgensen tinha a complicada tarefa de compor um CD duplo com esse escasso material disponível. Para tanto ele acabou fazendo o que era previsível: encher linguiça. Analise bem o material que está aqui. Ernst precisou recorrer a gravações que nada tinham a ver com o filme para completar o lançamento. Assim ele, sem critério algum diga-se de passagem, enfiou no CD 2 as canções "Heartbreak Hotel", "Long Tall Sally", "I Was The One", "I Want You, I Need You, I love You", "I Got A Woman", "Don't Be Cruel", "Ready Teddy", "Hound Dog", "Don't Be Cruel", "Blue Suede Shoes" e "Baby Let's Play House". O que essas faixas tem a ver com "Love Me Tender", o filme? Nada! Claro que muitos vão dizer que a inclusão dessas canções gravadas em Tupelo em setembro de 1956 são importantes do ponto de vista histórico e que o concerto foi realizado no calor do lançamento do filme, mas nem isso justifica a inclusão delas em um título dedicado à trilha sonora do filme "Ama-me Com Ternura". Que tivessem sido lançadas em um CD próprio, com temática própria, e não pegando carona em "Love Me Tender" como foi feito por aqui.

Por essa razão é desnecessária a feitura de um CD duplo. Um lançamento simples e mais bem organizado seria muito mais bem-vindo. Além disso seria mais comercialmente viável, com preço mais justo. A FTD aqui quis realmente vender gato por lepre, inventando um CD duplo, sem material para tanto, com o único objetivo de vender um produto mais caro para o colecionador. Bola fora de Ernst Jorgensen. Para não dizer que o CD 2 é um desperdício completo podemos pelo menos elogiar as entrevistas presentes lá com o próprio Elvis, seus pais (Vernon e Gladys) e curiosamente um bate papo rápido realizado com o ator Nick Adams, figura muito presente na vida de Elvis na época, uma aproximação tão constante que chegou ao ponto de criar boatos de que o cantor tinha uma "amizade colorida" com o colega ator de Hollywood. Foi um dos poucos boatos envolvendo homossexualidade e Elvis que teve alguma repercussão a longo prazo. Bobagens à parte não deixe de ser curioso ouvir sua voz ecoando aqui novamente, dando sua opinião sobre Elvis e o seu futuro no cinema (algo que os anos iriam revelar ter sido mesmo uma má ideia por parte do astro e seu empresário Tom Parker). Por falar nele, só faltou mesmo o Coronel dando entrevistas, mas claro que isso ele não faria de graça para ninguém.

FTD Love Me Tender
CD-1 - Masters and outtakes: Love Me Tender / Let Me / Poor Boy / We're Gonna Move / Love Me Tender (end-title) / The Truth About Me / We're Gonna Move (take 4) / We're Gonna Move (take 9)  / Poor Boy (take 3) / Poor Boy [remake S20] (take 1*) / Poor Boy [S31] (VO 6) / Let Me (VO #3*) / Let Me (VO #4*) / Love Me Tender (stereo) / Let Me (stereo) / Poor Boy (stereo) / We're Gonna Move (stereo) / The Truth About Me Interview. / CD-2: Tupelo, Sept 26 1956 / Heartbreak Hotel / Long Tall Sally / Indroductions / I Was The One / I Want You, I Need You, I love You / Elvis talks / I Got A Woman / Don't Be Cruel / Ready Teddy / Love Me Tender / Hound Dog / Interview -Vernon and Gladys Prelsey / Interview -  Nick Adams / Interview - Judy Hopper / Interview - Elvis / Love Me Tender / I Was The One / I Got A Woman / Announcement / Don't Be Cruel / Blue Suede Shoes / Announcement / Baby Let's Play House / Hound Dog.  / * Faixas inéditas.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Clambake - Parte 1

Clambake (1967) - No começo de janeiro de 1967 o Coronel Parker recebeu um telefonema desesperado. Era Vernon. Ela ligou ao empresário de Elvis com um pedido: que ele arranjasse logo um novo filme para Elvis estrelar porque ele vinha numa orgia de gastanças que estava destruindo todas as suas economias. Vernon era um notório pão duro e ficou horrorizado ao receber as últimas contas de seu filho. Elvis, que sempre foi um conhecido mão-aberta andava exagerando realmente. Ele tinha um novo hobby, um rancho nos arredores de Memphis e estava gastando furiosamente em cavalos, materiais, automóveis e acessórios em geral para o lugar. Era algo sem freios. Para se ter uma ideia Elvis colocou na cabeça que cada membro da Máfia de Memphis teria que ter tudo o que ele tinha naquela rancho. Assim se Elvis tinha um cavalo, todos deveriam ter também seus próprios cavalos. Se Elvis tinha um trailer equipado, todos também deveriam ter um veículo como aquele. Se Elvis tinha um traje completo de cowboy, próprio para o lugar, todos também deveriam estar devidamente equipados. Tudo, claro, pago pelo próprio bolso de Elvis.

O problema é que a carreira de Elvis derrapava. Seus discos já não vendiam bem, as bilheterias de seus filmes decaíam a cada ano e ele não mais realizava shows ao vivo. Não havia mais tanta grana como antes. Elvis porém se indignava quando Priscilla ou Vernon reclamava de seu estilo de vida perdulário. Elvis respondia que o dinheiro era dele e ele gastaria do jeito que bem entendesse. Por essa época Priscilla também começou a se aborrecer pelo fato de Elvis viver sempre ao lado de sua turma, como se fosse um garoto no colegial. Ela tinha esperanças de ter uma vida de casal ao seu lado, para que eles pudessem viver momentos românticos a dois, de mãos dadas pelos campos. Elvis porém enchia seu rancho de gente e estava sempre ao lado dos caras da Máfia de Memphis, que na verdade eram uns caipiras que pouco ligavam para seu romance ao lado da namorada. Elvis também não parecia se preocupar com isso. Os membros da Máfia de Memphis contavam piadas sujas e isso destruía qualquer possibilidade de criar um clima romântico entre eles. Por essa razão Priscilla foi ficando cada vez mais decepcionada com seu comportamento. Ela tinha razão em querer passar mais tempo com Elvis a sós e não ao lado de um bando de caras como aqueles.

De uma forma ou outra o Coronel Parker acabou arranjando um filme para Elvis na United Artists. O roteiro, escrito às pressas por Arthur Browne Jr, não trazia novidades. Era uma derivação de outros filmes passados de Elvis, com muitas garotas, praias e bikinis. Assim que leu o script Elvis deixou claro que havia odiado tudo - as cenas estúpidas, a falta de conteúdo e a precariedade de argumento. De fato era mais uma bobagem adolescente que para um homem como ele, que já havia ultrapassado os trinta anos de idade, soava como algo completamente imbecil e inoportuno. Pressionado pelos gastos porém Elvis cedeu. Ele odiava o fato de ter que voltar para Hollywood para fazer algo assim, ter que gravar mais uma daquelas horrorosas trilhas sonoras cheias de canções ruins. A necessidade porém de colocar as suas contas em dia o fez engolir suas próprias opiniões e Elvis então rumou em direção à costa oeste. Vernon ficou aliviado pois assim ele deixaria o rancho de lado, pelo menos temporariamente.

Antes de entrar no set de filmagem porém Elvis tinha que gravar a trilha sonora. Em fevereiro daquele mesmo ano ele chegou desanimado e cabisbaixo no RCA Studio B em Nashville, Tennessee. Ele havia passado a semana anterior conhecendo o material que gravaria através de gravações demos enviadas pela gravadora e ficara desolado. O material era muito, muito ruim. Um punhado de canções mal escritas, mal feitas, sem melodia decente. Ele ficou tão furioso com o que ouviu que chegou a jogar o disco de demonstração contra a parede, o fazendo em pedaços. Depois reclamou para Priscilla afirmando que aquilo era "um grande monte de m...". Por isso quando entrou em estúdio e cumprimentou Jeff Alexander e Felton Jarvis, Elvis parecia estar com cara de poucos amigos. Resignado, sentado no meio do estúdio Elvis simplesmente sentenciou: "Ok, vamos começar logo para acabar com tudo isso..."

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 1 de março de 2015

Elvis Presley e o Nosso Tempo - Parte 5

SOMA FABULOSA Artisticamente, contudo, Elvis tinha reservas quanto a seus rivais e sucessores. "Dizem que o fato de não fazer mais shows ajudou o sucesso dos Beatles", Elvis disse, "mas não acredito. Desejo a maior sorte do mundo aos Beatles. Não creio que deva dizer o que sinto sobre eles. Afinal, eles são meus colegas de profissão. Acho que eles lutaram para chegar onde chegaram e receberam um enorme voto de confiança. Sinto muito, mas tenho de ser diplomático. Eles são artistas como eu e acho que se empenham tanto quanto qualquer um de nós. E isso é o que importa no fim das contas". Nesse ano Elvis teve dois discos de ouro por vendas mundiais de um milhão de cópias: "Crying In The Chapel" (que tinha gravado em 1960 mas nunca tinha sido lançado) e o tema de filme "I'm Yours" (seu 50º disco de ouro). No cinema, ele fez os filmes "Girl Happy" e "Tickle Me" e assinou um novo contrato com o produtor Hal Wallis. Uma declaração oficial da Paramount dizia: "O dinheiro envolvido na transação está na casa dos 10 milhões de dólares, se não é um recorde mundial, ainda é uma soma fabulosa". No começo de 1966 o Coronel anunciou que Elvis faria três filmes até 1969. "Elvis não faz um show há muito tempo", ele se justificou, "nós queremos ser justos com todos os fãs. Se ele aparecesse no Texas, não seria justo com os fãs do resto do mundo. A mesma coisa se ele só se apresentasse em Londres. Mas seus filmes podem ser vistos pelos fãs de todo o mundo".

O CORONEL SE EXPLICA E seus discos? De agora em diante seriam apenas trilhas de filmes? "Não é verdade.", disse o Coronel. "Não havia nenhum filme ligado a "Crying ln The Chapel" e foi esse o maior sucesso de Elvis no ano passado. Decidimos lançar apenas dois álbuns e quatro avulsos por ano. Com três filmes por ano haverá sempre material para esses discos. Super-exposição é muito ruim para qualquer artista. Dê muito doce a um garoto e ele logo enjoa". O Coronel afirmou também, curiosamente, que 1965 tinha sido o melhor ano para Elvis em termos de vendas de discos — graças, principalmente, à seu catálogo anterior. Comentando o declínio nas paradas de sucesso, o Coronel disse: "Quando Elvis chegou aos primeiros lugares, o mercado era muito mais restrito. Agora, só na Inglaterra, existem 40 ou 50 grupos que competem com Elvis. Existe só uma porção de dinheiro para ser gasta em discos, e ela é distribuída por todas as ofertas". Nesse mesmo ano, mais tarde, o Coronel defendeu Elvis dos ataques contra seus filmes: "Dizem que os filmes de Elvis não estão indo bem. Mas eu afirmo que, de 22 filmes que fizemos, 19 foram sucesso de bilheteria. Se seus filmes não fossem sucesso, por que as pessoas iam continuar querendo fazê-los.

A VOLTA AO ESPLENDOR A derrubada dos filmes e discos de Elvis continuava e um dos mais fortes ataques veio de Tom Jones. Ignorando a ética existente entre os artistas de um não criticar o outro, o "rei do lamê" pichou o sucesso de Elvis com "If Every Day Like Christmas" dizendo: "Eu não estou feliz com nenhum dos novos discos de Elvis e essa música veio acentuar ainda mais a sua decadência como cantor". Essas criticas, contudo, passaram despercebidas. A 30 de abril de 1967, o Coronel convocou amigos e outros empresários para encontrá-lo no aeroporto de Los Angeles. Junto com eles estava Sam Brosette, divulgador da MGM, a quem o Coronel perguntou se ele podia convocar "dois fotógrafos que pudessem ser acreditados". De Los Angeles, o comitê vôou para Las Vegas, recolheu-se a um Hotel e seus membros foram instruídos pelo Coronel para estarem na recepção às sete horas da manhã do dia seguinte. Às três horas da madrugada, Elvis, Priscilla e quatro amigos chegaram a Las Vegas e a sua primeira providência foi entrar no fórum e comprar uma licença de casamento por 15 dólares. Depois, dirigiram-se ao Alladin Hotel se hospedando em suítes separadas com os respectivos pais. Brosette e o resto do comitê se encontraram às sete horas e rumaram para o Hotel Alladin. O coronel havia falado a eles que algo importante estava para acontecer, mas não disse do que se tratava. O mistério se desvaneceu quando pouco tempo antes da cerimônia do casamento, na qual Elvis e Priscilla se comprometeram a "amar, honrar, amparar e confortar um ao outro". A palavra obediência foi jogada para o alto. Anos mais tarde, Priscilla relembraria como a idéia do casamento surgiu e porque tomou tal decisão. Ela havia arranjado "Um bom trabalho em Hollywood como modelo" e disse a Elvis que se ele quisesse algo com ela, teria que segui-la. No dia seguinte, ele simplesmente lhe mostrou um anel e perguntou se ela queria casar com ele. Durante a cerimônia, Elvis puxou do bolso um anel de três quilates e enfiou rapidamente em seu dedo. Após a festa, os noivos tomaram o primeiro aviso para Palm Spríngs e passaram os quatro dias que se seguiram na cama (segundo Priscilla).

LISA MARIE PRESLEY Em fevereiro, uma filha Lisa Marie nasceu de parto natural no Hospital Central de Memphis. Numa noite de sábado de abril em 1968, Elvis veio a Las Vegas para ver o show de Tom Jones no Flamingo. Priscilla e amigos viajaram 400 milhas desde Los Angeles para o acontecimento. Eles sentaram-se em uma mesa diretamente em frente ao palco e Elvis pode ser visto aplaudindo freneticamente o "rei do lamê". Durante o espetáculo, Tom anunciou: "Está aqui entre nós um homem a quem eu admirei durante muito tempo. Mr. Elvis Presley". Elvis e Priscilla foram aos camarins para cumprimentar Tom e ficaram para um longo papo. Priscilla disse o quanto havia gostado do álbum Tom Jones, Live at the Talk of the Town, enquanto Elvis falava que "Delilah" era sua melhor música. Depois desse encontro em Las Vegas, Elvis e Tom tornaram-se grandes amigos. Nesta mesma época, Elvis tinha voltado às paradas de sucesso com "Guitar Man". Na primavera, precisamente após o término de seu último filme "Live a little, Love a little", foi anunciada sua volta aos especiais de TV, o que seria sua primeira aparição desde o "Welcome Home Elvis" após o serviço militar oito anos antes.

ELVIS NBC TV Special, o especial de TV, foi exibido em Dezembro de 68. Durante seus 50 minutos de duração, podia-se ouvir algumas favoritas como "Heartbreak Hotel", "All Shook Up" e "Hound Dog" entremeadas com novas canções incorporadas ao seu repertório. Foi um grande sucesso. Este especial mostrou claramente a Elvis que o próximo capitulo de sua carreira seria seu retorno às apresentações ao vivo. Mas, antes de isto acontecer, Elvis fez outro retorno — aos estúdios de gravação em Memphis. Em Janeiro de 69, ele fez sua primeira gravação na cidade desde que havia largado a Sun há mais de dez anos. Nesta sessão, foi gravado seu grande sucesso por um longo período, "In The Ghetto '. A volta triunfal de Elvis às apresentações ao vivo deu-se em agosto de 1969 no novo Hotel Internacional de Las Vegas, rezando o contrato assinado que ele daria dois shows noturnos durante um mês consecutivo em troca de 600.000 dólares. Sua última aparição ao vivo havia sido em um show de caridade em março de 1961. Para auxiliar um pouco a divulgação do grande evento que era sua volta aos palcos, o Coronel dispôs por toda Las Vegas nada mais, nada menos, que 500 outdoors iluminados a Neon com a frase: Elvis In Person!

ELVIS ESTÁ DE VOLTA!!!. A imprensa, que durante longo tempo o havia malhado sem piedade, festejou sua volta aclamando-o com expressões dignas do retorno de um rei. Durante 20 canções, Elvis demonstrou sua grande versatilidade e domínio de palco, sendo chamado por toda crítica de "maravilhoso", "sem igual", "admirável" e outras expressões do mesmo quilate. O repertório incluía duas canções dos Beatles: "Yesterday" e "Hey Jude". Depois de ter casa lotada em Las Vegas, Elvis vai a Houston e consegue lotar o Astrodome por 6 dias seguidos. A cidade estava tomada pela histeria e nos Astrodome havia um esquadrão de Polícia destacado especialmente para proteger o palco. Nas paradas de sucesso, o mesmo se sucedia. "Suspicious Minds" — urna canção que tipificava seu novo estilo estava em primeiro lugar. No começo do verão de 1970, o coronel anuncia o filme que capitalizaria para ele todo o esplendor do cantor ao mesmo tempo que incrementaria novamente a tão desejada carreira cinematográfíca. O filme, 32º de sua carreira, seria um documentário de duas horas de duração mostrando performances de concertos e shows em Las Vegas. Segundo ele, existiam milhares de pessoas em diversos países que assim teriam chance de ver o Rei. Se elas não podiam ir a Las Vegas vê-lo, Elvis iria em filme até elas. "Elvis é assim" não passava de uma mistura de shows do cantor com entrevistas de alguns admiradores mais fanáticos. Algumas cenas incluíam até o Rei abrindo uma série de telegramas em pleno palco e fazendo piadas sem graça em cima do seu conteúdo, para delírio dos espectadores. A estréia do filme no Hollywood Egyptian Theater foi tumultuadissima, apesar da publicidade ter sido pequena - apenas notas nas colunas especializadas dos jornais locais. Isto pressagiou a sorte que o filme teria no mundo inteiro. "Elvis é assim" bateu recordes de bilheteria em 1971 e sua volta era o centro das atenções. Novamente seus discos eram sucesso e a procura por seus shows era simplesmente furiosa. Em junho do ano seguinte, depois de uma rápida tournêe pelo meio oeste americano, Elvis lota o Madison Square Garden com uma multidão uivante de 80.000 fãs em 4 shows, sendo espantosa a afluência de jovens que não eram nem nascidos durante sua fase áurea de roqueiro. Devido ao sucesso do concerto, a RCA lança um álbum intitulado "Elvis as recorded at Madison Square Garden", que recebe só em encomendas 250.000 pedidos nos E.U.A. e que vem a ser um de seus álbuns mais vendidos. Outro golpe de mestre em sua carreira acontece no mês de janeiro seguinte quando ele se apresenta em um concerto de uma hora promovido pela própria RCA no Havai. O Concerto é transmitido via satélite para todo o oeste americano, e, mais tarde, video-tapes do mesmo show são distribuídos para todas as regiões do globo. Na segunda semana de fevereiro, são lançados simultaneamente em todo o mundo um milhão de cópias do álbum-duplo Aloha from Hawaii Via Satelitte.

BOATOS E SEPARAÇÃO Mas enquanto tudo acontece como manda o figurino em sua carreira, começam a acontecer sérios problemas em sua vida pessoal e as noticias veiculadas no final de 72 deixam seus fãs arrasados. Em julho, é anunciado o fim do casamento de Elvis com Priscilla e os boatos que correm a respeito do que teria acontecido não são desmentidos. Mike Stone, professor de caratê, que havia ido a Graceland para ensinar os rudimentos de tal arte ao casal, tinha mesmo era fugido com Priscilla. Em agosto, Elvis entra com um pedido de divórcio alegando "diferenças irreconciliáveis". Também corriam boatos de que o pivô da separação do casal havia sido a cantora Hobbie Gentry. Finalmente, em outubro de 1973 o divórcio é homologado, ficando Priscilla com a custódia de Lisa e uma pensão de milhões de dólares. Logo após o divórcio, Elvis contrai pneumonia e apesar de se recuperar rapidamente, era só o começo de uma série de doenças. Em agosto do mesmo ano, ele é obrigado a faltar a dois shows em Las Vegas por estar acometido de gripe; reaparece cheio de febre e pedindo desculpas, dizendo que havia faltado somente cinco apresentações em 18 anos de carreira. Em novembro, noticia-se que Elvis havia proposto reconciliação a Priscilla e ela havia recusado e que suas relações com seu mentor e empresário Tom Parker começavam a se deteriorar. No final do ano, Elvis tem outra pneumonia. Boletins noticiosos diziam que ele estava gordo demais e passava por uma dieta rigorosa. Em janeiro de 75, ao completar 40 anos, ele dá entrada novamente no hospital. Para a imprensa, ele estava alojado em uma suíte de 400 dólares diários apenas para um ckeckup de rotina. Alguns boletins dizem que ele estava com uma complicação hepática causada por excesso de dieta agravada por aplicações de hormônios esteróides e tratamento de acupunturico receitados para problemas havidos com seu braço esquerdo. Outros boletins noticiam uma úlcera.

FILMES CONFISCADOS Em março, Elvis faz sua primeira aparição em seis meses — no Las Vegas Hilton; sua aparência é pesadona e ele confessa aos amigos mais chegados que deve perder no mínimo 10 quilos por ordem médica. Os fotógrafos são proibidos de tirarem fotos e os que o fazem são presos e tem os filmes confiscados. Em maio, a imprensa noticia: "Protegido por 15 guarda-costas, o quarentão Elvis Presley vive a vida de um prisioneiro, ele dorme até o meio da tarde e raramente sai de casa. Ele gasta a noite o que perde do dia em companhia de Linda Thompson". Em junho, Elvis é hospitalizado por dois dias devido a um problema nos olhos. Correm boatos de que o Rei está sofrendo de glaucoma, e que ficará cego. O médico pessoal de Elvis diz que o Rei está com uma inflamação na íris devido às fortes luzes de palco. Elvis começa a usar óculos escuros em tempo integral. Em agosto Elvis tem que cancelar uma série de apresentações em Las Vegas devido a uma distensão no baixo-ventre causada por excesso de peso. Somente em dezembro é que Elvis retorna aos palcos do Las Vegas Hilton fazendo apenas um show por noite. Nas vésperas do ano novo, ele canta diante da maior platéia de sua carreira, 60.000 pessoas. Isto acontece em Pontiac, Michigan. Este show vira notícia porque as calças do rei rasgaram-se em pleno palco. Duas décadas depois de chocar a consciência de uma nação, Elvis ainda estava apto a chapar a rapaziada com seu rebolado pélvico.

O FIM Depois de conseguir o que muito poucos artistas atingem em suas carreiras – o sucesso absoluto não uma, mas duas vezes – Elvis mergulha na fase negra de sua vida. A solidão da fama, a desconfiança paranóica, a obesidade e a doença corroem o Rei até a morte. Mas Elvis Aaron Presley, morto, sobrevive como Elvis, a lenda, o mito, a alma viva do rock'n'roll. - Os dois anos finais da vida de Elvis não são alegres nem apoteóticos. A idade, o excesso de peso, os componentes mais trágicos da fama, como o medo paranóico, a solidão, a desconfiança, abreviaram e consumiram a vida do antigo rebelde de todas as causas. Após a separação de Priscilla, Elvis se tornou praticamente um recluso. Suas apresentações ao vivo — geralmente em Las Vegas, capital do jogo e meca da maioria silenciosa endinheirada da América — rareavam cada vez mais. Trancado em Graceland, Elvis comia e via TV. Comia obsessivamente. Para subir num palco, seus amigos confidenciariam mais tarde, que ele chegava a devorar 6 bananas split. Dos 90 para os 100 quilos foi um pulo fácil. Não foi só o peso que subiu: a pressão também. No entanto, os médicos nunca diagnosticaram a moléstia cardíaca que acabaria por matá-lo. Ao invés disso, Elvis acusou apenas problemas intestinais, que o levariam a duas internações no Hospital Batista de Memphis em 76 e em 77, quatro meses antes de sua morte.

DROGAS PERMITIDAS Refugiava-se também nas drogas. Não nas marginais, que fizeram a fama e a ruína do sonho rock, mas nas permitidas, as mesmas que corroem sua derradeira platéia, a ampla classe média americana. Nas palavras de três de seus assessores, despedidos por Vernon no inicio de 77, Elvis tomava pílulas para tudo: para acordar, para dormir, para comer, para parar de comer, até para ir ao banheiro. "As vezes eu não podia acreditar" - disse o seu ex-guarda costas a um jornal de Chicago - "Elvis ficava sentado, com os olhos fechados, a cabeça caída e a boca aberta, não tinha forças nem para abrir os olhos. Estava sob o efeito de pílulas o dia inteiro e costumava aplicar drogas durante o dia todo no braço e até nas pernas com essas seringas de plástico". Ironicamente, essa entrevista foi concedida no mesmo dia em que Elvis morreu — 16 de agosto — apenas algumas horas antes. E esse não foi o único sinal premonitório. Três semanas antes o semanário soviético Literaturnaya Gazeta fizera uma espécie de obituário precoce, acusando "o cruel mecanismo do show business ocidental" como responsável pela extenuação do cantor. "A riqueza e a fama não trouxeram a felicidade do Rei do Rock", disse a Gazeta. "Espiritualmente o esvaziaram e despojaram. Ele se transformou num homem solitário, escravo da sua própria riqueza. A indústria ocidental dos espetáculos cria sempre novas modas, produz novos reis e novos ídolos, jogando fora os que já não estão mais na moda. Uma das vítimas deste cruel mecanismo é o Rei do Rock'n Roll".

ALMA DOENTE Um pouco depois, três antigos empregados de Elvis lançaram um livro devastador: "Elvis, o que aconteceu?". Nele, toda a solidão amarga, toda a alma doente, toda a estagnação da vida privada do Rei eram postos a nu. Revelava-se que Elvis tinha um medo obsessivo de ser assassinado, e já tinha dado até recomendações expressas para que "arrancassem os olhos" de seu provável futuro assassino para que ele "não entrasse rindo no tribunal". Que ele acreditava ter o dom da cura milagrosa pela imposição das mãos, como apregoavam os antigos ministros de Tupelo. Que colecionava armas de fogo e se divertia atirando em aparelhos de TV, cada vez que um programa não lhe agradava. Uma vida inútil, estéril. E triste. Não por coincidência seu derradeiro LP se chamava exatamente Moody Blue (algo como Deprimido) e foi prensado em vinil azul que, para a cultura americana, é a cor da tristeza. Contudo, o fim veio inesperadamente. E foi tão solitário como todo o resto da sua vida. Na tarde de segunda feira, 15, foi ao dentista. A noite, convidou alguns amigos a Graceland e ficou jogando frescobol com eles até de madrugada. Na manhã de terça, perto das 9h, caiu morto em um dos muitos banheiros da mansão de 18 quartos. Seu gerente Jerry Esposito — irmão do velho companheiro de exército Joe Esposito — o encontrou. Ainda tentou reanima-lo, acreditando ser apenas um desmaio. Mas o laudo médico do Hospital Batista de Memphis, para onde foi levado, indicou claramente a morte: arritmia cardíaca, causada provavelmente pela pressão alta e pelo endurecimento das coronárias. O funeral foi grandioso. Durante dois dias 80 mil pessoas desfilaram aos prantos diante do caixão de bronze onde Elvis descansava, sóbrio e obeso, de terno e gravata. "Por favor não digam que ele era gordo assim", soluçava uma fâ madurona. "Fizeram com que ele ficasse gordo no caixão. Ele era magro e ágil assim" (e mostrava um medalhão do jovem Elvis rebelde dos anos 50).

VITALIDADE AMERICANA Um motorista bêbado atirou o carro contra a multidão do lado de fora de Graceland, matando duas pessoas.. O Presidente Carter lamentou a morte "de um símbolo do bom humor e da vitalidade americana". Jaqueline Onassis enviou pêsames. Elton John mandou uma corbeille imensa e reconheceu que, sem Elvis, ele não existiria. Finalmente, 50 limusines escoltaram Elvis até o mausoléu da família Presley onde já estava sua mãe, morta, como ele, aos 42 anos, vítima da obesidade, dos remédios em excesso e do coração. Seis mil pessoas — a maioria madura, quase da idade do ídolo morto choraram, gemeram e desmaiaram. Mais um sonho — e um pesadelo — terminavam.

FILMES E DISCOS Tudo parecia acabado, mas não em relação a Elvis, o mito. Para os fãs, continuarão a existir seus filmes e discos. Estes, até 1975 já tinham vendido um total que ultrapassava a cifra dos 300 milhões. E, com sua morte, poderia em breve dobrar esse número. Mas não é nem isso que importa. O Elvis que ficou não é nem o dos discos — pelo menos não de seus discos mais famosos e campeões de venda — nem o dos filmes. Nem o Elvis triste, amargo, paranóico e obeso de seus últimos anos, O Elvis da história —e não só da história do rock — é o ato, o gesto, a atitude, a imagem daquele garoto vestido de cetim, cabelo cheio de brilhantina, costeletas, girando como um selvagem, libertando, desafiando. Não é nem o que Elvis realmente pensou, ou sonhou: é o que ele significou, a ruptura definitiva, o modelo sobre o qual tudo se forjou. E o que ele nem conseguia dizer quando balbuciou, lá em 1954, assustado: "Não sei onde tudo isso vai parar".

Nota: Agradecimentos especiais a Sérgio Capuzzo (In memoriam) que me enviou esse texto sobre Elvis em maio de 2005 para ser publicado em nosso site EPHP. Sua publicação em nosso blog é uma homenagem a esse querido amigo que já não mais se encontra entre nós.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Elvis Presley e o Nosso Tempo - Parte 4

PRISCILLA BEAULIEU Apesar dos pesares, o Exército prestou a Elvis um favor. Em 1973, Priscilla Beaulieu, filha do Capitão do Exército Joseph Beaulieu relembraria "Eu me lembro do dia em que meu pai anunciou à família que ele seria transferido para a base aérea de Wiesbaden. Eu me lembrei, brincando com meus pais, que Elvis estava estacionado ali por perto e talvez eu tivesse uma chance de conhecê-lo". Então minha mãe disse: "Eu nunca deixarei você atravessar a rua para falar com Elvis Presley". Certo dia, Priscilla estava em um café perto da base, comendo alguma coisa, quando um rapaz lhe perguntou se ela tinha vontade de conhecer Elvis. Ela pensou que era brincadeira e aceitou o convite. Segundo suas lembranças deste dia memorável, quando ela deu por si, estava em frente a Elvis, apertando sua mão. Dois dias antes de deixar a Alemanha definitivamente, Elvis declarou a imprensa que só havia uma razão para ele não ir embora. Esta razão chamava-se Priscilla. Felizmente para ela, ninguém a conhecia e nem sabia como achá-la. No dia em que Elvis retornou aos States, 3 de março de 1960, para sermos mais precisos, a base aérea de Maguire estava coberta de uma espessa neblina e o vento soprava selvagemente, o que fazia a temperatura andar pelos 20 graus abaixo de zero. No entanto, uma pequena multidão de fãs estava lá, enfrentando as intempéries para dar boas-vindas ao recém-promovido Sargento Presley.

VOLTA TRIUNFAL Quando perguntado a respeito de seu futuro, Elvis declarava que gostaria de representar um pouco mais em seus filmes, assim como Frank Sinatra. Logo Elvis estaria representando em Holiywood. Mas antes disso, ele fez um retorno triunfal a Memphis e a Graceland e entrou em estúdio para gravar o disco que seria o teste para ver se sua carreira havia sido prejudicada com a ida para a Alemanha. Apesar de contar com vários milhões de discos vendidos, Elvis e a RCA estavam com receio de um redundante fracasso. As sessões foram transferidas para a vizinha cidade de Nashville devido a problemas surgidos entre Elvis e o pai. Vernon havia se casado com uma mulher de 31 anos de idade, mãe de três filhos, chamada Davida Elliot. Isto aconteceu em 12 de Abril de 1960. Para Elvis e para o Coronel Tom Parker logo dissiparam-se os temores. O compacto que marcaria sua reentrada no show-bizz foi um grande sucesso. De um lado a faixa "Stuck on You" e do outro "Fame and Fortune". Antes do lançamento oficial já havia sido encomendadas 1.275.077 cópias — um recorde mundial. Após o lançamento, o disco passou da casa dos 2 milhões de cópias. O tão esperado especial de Televisão foi um estrondo. O cachê de Elvis para cantar apenas três canções foi de apenas 125.000 dólares e o Cel. Parker anunciava que Elvis só se apresentaria a partir disso por um cachê mínimo de 150.000 dólares. O filme "Saudades de um Pracinha" bateu recordes de bilheteria e como se não bastasse sua trilha sonora recebeu um disco de ouro. Elvis ainda era um sucesso e continuava a ser o "Rei".

O REI DESTRONADO? - Estava se tornando muito claro que Elvis queria mudar de estilo. A gravação de "It's Now or Never" — que se tomaria o maior sucesso de toda a sua carreira — confirmou isso. Baseado na balada italiana "O Sole Mio" — composta em 1901 e muito popular entre tenores operistícos — recebeu letra em inglês de Aaron Schroeder e W. Gold e vendeu um total de 9 milhões de cópias, sendo 5 milhões nos Estados Unidos, 1 milhão na Inglaterra e o restante no mundo todo. Elvis explicou sua escolha: "O Sole Mio sempre foi uma de minhas canções favoritas. Eu sempre cantei essa música e agora resolvi gravá-la. Não sei ler música, mas sei do que gosto. Essa música não era rock'n'roll mas tinha um certo balanço. No final deu tudo certo". Depois de G.I. Blues, Elvis teve o seu primeiro papel realmente, dramático no cinema com Flaming Star, a história de um mestiço "dividido entre dois amores, dois compromissos, e lutando para manter os dois". O papel tinha sido escrito originalmente para Marlon Brando e nele, para tristeza de fãs e críticos, Elvis quase não cantava: apenas a canção título e "A Cane And A High Starched Collar". Seus seguidores, principalmente, tiveram uma tremenda decepção e ficou bem claro que a maior parte de seu público não estava satisfeita com sua carreira pós-exército. Hal Wallis assim definiu a escolha de filmes para Elvis: "Não enchemos seus filmes com problemas sociais, é tudo pura diversão. Fazer um filme com Elvis é a única coisa segura que conheço em todo mundo dos espetáculos. Gostaria que muitos de meus colegas estivessem ganhando dinheiro tão facilmente como eu". Em 1960 uma estimativa dava como em torno de 2 milhões e 500 mil dólares a fortuna total de Elvis ganha só em filmes e royalties fonográficos naquele ano. A sua única aparição na TV foi um especial com Frank Sinatra porque, como explicou o Coronel, "se os fãs podem ficar vendo Elvis de graça na TV vão diminuir a procura por seus discos e filmes". A maior parte dos cantores famosos, estabelecidos, como Frank Sinatra e Bing Crosby, exigiam o fim do rock'n'roll e a volta das canções e baladas que tinham feito sua glória. E Elvis acabou ficando do seu lado, com resultados mais do que lucrativos para suas finanças. O disco seguinte a "It's Now or Never" só fez confirmar essa tendência: tratava-se de outro clássico, "Are You Linesone Tonight?" escrito em 1926 e gravado por Al Johnson e outros astros da canção americana. A versão de Elvis nada tinha de rock: era romântica, sentimental, e vendeu mais de 4 milhôes de cópias nos Estados Unidos.

VIDA SENTIMENTAL Nessa época, as colunas de fofocas especulavam sobre a vida sentimental de Elvis apontando a atriz Juliet Prowse como sua garota definitiva. Mas a verdade era outra: ao contrário do que esperava, Priscilla Beaulieu tinha saído muitas vezes com Elvis, após o seu primeiro encontro na Alemanha. O pai era um pouco contra, mas a mãe apoiava. "Elvis era muito realista, muito calmo" Priscilla recorda. "Ele me fazia sentir à vontade, não era agressivo, era muito gentil". Quando Elvis voltou para os Estados Unidos Priscilla pensou que o namoro tinha terminado. Por isso ficou muito surpresa ao ser convidada para vir passar o Natal de 1960 em Graceland. "Fiquei espantada com esse convite. E claro que meus pais foram contra, mas Elvis conversou com eles e eles concordaram. Ficou acertado que eu terminaria meus estudos lá mesmo, em Memphis". Priscílla se mudou para a ala leste de Graceland, sob os cuidados de Vernon e Dee. Não se falava ainda em casamento, mas Priscilla estava contente com o desenrolar dos fatos: "Elvis não teria me chamado para Graceland se não tivesse um bom motivo. Creio que ele já gostava muito de mim e não se incomodaria em providenciar uma nova escola para mim se não se sentisse de algum modo comprometido".

ENCABULADO Segundo Priscilla, o divertimento favorito de Elvis nessa época era passar filmes em casa, especialmente bangue bangues, filmes de guerra e comédias de Peter Sellers. "Mas ele nunca exibia seus próprios filmes por que se sentia encabulado. Ele nunca ficava contente com sua imagem, com seu penteado ou com o modo como representava. Não gostava de se ver na tela, era muito auto-critico". De yez em quando Priscilla ia a Holiywood para ver Elvis trabalhando, mas ficava sempre fora do alcance dos repórteres. Estes continuavam arranjando romances para Elvis em suas colunas, numa lista que incluía várias estrelas e estrelinhas de Hollywood e até uma lutadora de catch de Memphis chamada Penny Bunner. Houve rumores também sobre uma possível briga séria entre Elvis e Frank Sinatra por causa de Juliet Prowse, co-estrela de G.I. Blues.

ARTISTA ROMÂNTICO Mas apesar de tais boatos a imagem pós-exército de Elvis continuava sendo solidificada bem longe da aura de rebelde que marcara o começo de sua carreira. Agora Elvis era o artista romântico que qualquer mãe do mundo aprovaria como namorado de sua filha. Em Paris, ainda no exército, Elvis dissera que, caso seus fãs pedissem, ele gravaria baladas com todo prazer. Agora tanto ele como o Coronel tinham, decidido que os fãs queriam baladas, e Elvis as incluía em todos os seus discos e filmes. O resultado inicial foi um sucesso estrondoso —, mas ele viria de qualquer jeito, nem que Elvis saisse recitando o catálogo telefônico de Nova York! Em 1961 seus filmes foram "Wild ln The Country" — dramático, com Elvis no papel de um garoto sulista em luta com seu irmão malvado — e "Blue Hawaii", escapista. Os dois, inevitavelmente, foram sucesso de bilheteria. Seus discos acompanharam o mesmo ritmo: atingiram a marca de um milhão de cópias vendidas, com os sucessos "Surrender" (versão de outro clássico italiano, "Torna a Sorrento"), "I Feel So Bad", "Little Sister", "His Latest Flame" e duas canções de Blue Hawaii, "Cant Help Falling ln Love" e "Rock-a-Hula Baby"! Para completar, o álbum com a trilha sonora de Blue Hawaii se tornou mais um disco de ouro, ultrapassando rapidamente a marca de milhão de cópias em vendas. Lançado em outubro, de 1961, permaneceu 20 semanas no primeiro lugar das paradas americanas e atingiu vendas absurdamente altas

PRODUTOS ELVIS O ano seguinte, 1962, foi repleto de sucessos semelhantes, com os filmes "Follow That Dream", "Kid Galahad" e "Girls, Girls, Girls", mais os discos de ouro "She's Not You" e "Return To Sender", Elvis estava tão seguro de seu sucesso que não fez aparição alguma em shows ou programas de TV e desprezou ofertas milionárias para apresentações no exterior, principalmente na Inglaterra, onde tinha um séquito numeroso de adoradores. Nessa época, Elvis já era um dos homens mais ricos do mundo. Uma estimativa da época dizia que cada filme de Elvis custava de 1 a 2 milhões de dólares e rendia, no mínimo, 6 milhões. Outras fontes de renda eram as vendas de "produtos Elvis", como fotografias, camisetas, anéis, brinquedos, pulseiras e bolsas. Estes produtos eram supervisionados pela firma Television Personalities Inc., que teve uma renda de 2 milhões e 500 mil dólares em 1962 — a percentagem de Elvis na empresa era de meio por cento. Todas essas fontes davam a Elvis uma renda anual estimada em muitos milhões de dólares.

COMO UM SULTÃO Toda essa fortuna trouxe os problemas de praxe — como separar os verdadeiros amigos dos falsos. EIvis mantinha-se apegado a um círculo restrito de amizades, que a imprensa chamava de "Máfia de Memphis". A "Máfia" compunha-se de oito homens que Elvis conhecia desde a infância (inclusive seu primo Gene Smith) mais Joe Esposito, seu companheiro no exército. Eles acompanhavam Elvis em toda parte, tinham tarefas especificas e recebiam um bom salário, mas seu papel principal era preservar a privacidade do Rei. Em 1974 Elvis comentou acerca de seus amigos: "Eles gostavam muito de dar festas e chamavam algumas garotas, mas nunca permiti que se excedessem. Nunca tolerei palavrões na minha casa. Todo mundo se divertia muito, de um modo sadio e limpo" Na mesma época, um companheiro de Elvis também tratou, do mesmo assunto: "Nós apanhávamos e selecionávamos as garotas muito bem. Sempre dividíamos as garotas entre nós, e se uma reclamava não voltava mais. Elas tinham que ter muito bons modos, disso Elvis fazia questão fechada. Eu me lembro dele reclinado num sofá, com meia dúzia de meninas em volta, como um sultão num harém. Quando dava meia noite ele subia e ia dormir. Não me lembro de nenhuma vez em que ele tenha ido dormir com alguma dessas garotas". É claro que, hoje, é muito difícil crer nessa imagem límpida, perfeita. Mas nessa época — inicio dos anos 60 — um astro como Elvis tinha que controlar muito bem sua imagem privada. Se o público descobrisse por exemplo, que Priscilla Beaulieu vivia com ele em Graceland, sua aura impecável estaria definitivamente comprometida. Hoje, com quem um artista vive interessa tanto quanto a pasta de dente que usa.

BOM MOÇO E a imagem de bom moço de Elvis funcionava. Em 1963 até seus antigos detratores elogiavam seus bons modos, polidez, educação e esforço em se tornar um bom ator. Evidentemente, a música acompanhava. O rock'n'roll sensual e violento dos anos 50 estava definitivamente esquecido e enterrado. Agora, Elvis só gravava canções muito bem comportadas e tradicionais como as do filme It Happenned At The World's Fair, tema de seu filme de 1963. Embora muita gente já estivesse decepcionada com esse novo EIvis, isso ainda não afetava a parte financeira. Em 1963, Elvis ganhou três discos de ouro e a RCA anunciou que suas vendas anuais atingiam o número de 11 milhões de LPs e 49 milhões de avulsos vendidos. Seus filmes — agora estava filmando Fun In Acapulco — tinham rendido a soma total de 75 milhões de dólares, e o Coronel declarou que, só em 63, a renda de Elvis com o cinema tinha ido ao milhão e meio de dólares. Nessa época o Coronel deu uma longa entrevista a um jornal de finanças, esclarecendo muito coisa sobre o lado econômico da carreira de Elvis. Segundo ele, sua percentagem em tudo era de 25%, indo 75% para Elvis —menos em filmes, onde a Agência William Morris ficava com 10%. Ele acrescentou que pelo menos metade de sua quota era reinvestida na carreira de Presley, sob a forma de anúncios, custos da agência, salários, etc. "A parte de Elvis", ele disse, "vai direto para uma junta de administradores de Memphis". Inquirido sobre a possibilidade de "queima" de Elvis por super-exposição em filmes, o Coronel disse: "Se eu tenho um produto, eu trato de vendê-lo. Se existe uma demanda por alguma coisa, você tem de atender essa demanda se quiser fazer dinheiro, porque senão alguém vai preencher por você".

SINAIS DE DECADÊNCIA A obsessão do Coronel por dinheiro era clara. Clara também era sua despreocupação com o aspecto artístico do seu produto. No tocante a filmes, por exemplo, uma vez que o lado financeiro estivesse acertado, o estúdio decidia tudo: atores, história, direção. "Não temos controle algum sobre os filmes", o Coronel disse. "Só sobre o dinheiro. Mas o que Elvis precisa num filme? Algumas canções, um pouquinho de enredo, alguns atores simpáticos, e só". Superficialmente, o sucesso de Elvis ainda era o mesmo. Mas, visto com mais atenção, já estava esfriando. Em 63. por exemplo, ele aparece com três discos de ouro — "One Broken Heart For Sale, "Devil in Disguise" e "Bossa Nova Baby" — mas a marca do milhão só foi atingida com as vendas mundiais. Nas paradas americanas e inglesas eles não eram os super-sucessos do passado. "One Broken Heart for Sale", por exemplo, não passou do 11º lugar nos Estados Unidos. "Devil" conseguiu chegar ao 3º posto, mas "Bossa Nova Baby" também ficou na 11º colocação. Em 1964 suas vendas de discos pareciam as mesmas do ano anterior: "Viva Las Vegas", "Kissin' Cousins" (dois temas de filmes) e "Ain't That Lovin You Baby" venderam um milhão de cópias mundialmente, isso faria a felicidade de qualquer artista, mas, para quem fora um superastro como Elvis, era um sinal de decadência.

COM OS BEATLES Mesmo seus filmes — e em 64 Elvis fez três, Viva Las Vegas, Kissin' Cousins e Roustabout — decaíam em qualidade e em afluência de público. Desde que todo mundo ganhasse seu quinhão, ninguém parecia se preocupar com um mínimo de nível artístico. O declínio de Elvis costuma ser atribuído ao baixo nível de seus filmes e às canções melosas de seus discos. A tomada da América pelos Beatles, em 1964, também deve ter contribuído em muito para acelerar esse processo. O pique e impacto de sua escalada para o sucesso foi um fato inédito no show businnes, suplantando os do próprio Elvis. E eles contavam com compositores de talento, como John Lennon e Paul McCartney, enquanto Elvís era apenas uma voz a serviço das (más) baladas alheias. (Elvis chegou a declarar certa vez que nunca compusera uma canção em toda a sua vida). Tudo isso certamente contribuiu, mas o declínio de Elvis era inevitável dentro do próprio ritmo de vida do show business. Como ele se resguardou do contato direto com o público fugindo dos shows desde que voltou do exército, Elvis custou a perceber que, um dia, a loucura termina naturalmente. Na noite de 27 de agosto de 1965, a mansão de Elvis em Bel Air viu um encontro histórico: Elvis Presley e os Beatles. Contatos telefônicos já tinham sido feitos antes, mas esse foi o primeiro encontro ao vivo. Os Beatles ficaram com Elvis até duas da manhã, ouvindo discos, conversando sobre a vida na estrada e tocando. Quando Elvis confessou que seus filmes levavam pouquíssimo tempo para serem feitos — um deles, ele disse, tinha sido rodado em apenas 15 dias — John Lennon retrucou: "Ainda temos uma hora livre. Vamos fazer um épico!"

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Elvis Presley e o Nosso Tempo - Parte 3

TÍMIDO E EDUCADO Mas a maioria dos críticos e das autoridades não prestava muita atenção a esses nobres sentimentos. Para eles, Elvis continuava sendo um selvagem e um ignorante musical, uma ameaça às boas famílias. No sul, seus discos e fotos eram queimados em praça pública. Só um crítico, Walter Wintchell, ficou a seu lado. "Elvis é a melhor coisa a acontecer no cenário da música jovem", ele escreveu. Evidentemente o Coronel vibrava com a controvérsia. E alimentava o mito, organizando fãs clubes, incentivando as reuniões e rebuliços das fãs, mandando confeccionar camisetas, botões de lapela e outras bugigangas com I LOVE ELVIS escrito. Mas não se descuidava da administração: o cachê de Elvis subia diariamente e, afinal, o Coronel passou a exigir — e obter — uma gorda percentagem das bilheterias. Por uma curta participação no filme Bye Bye Birdie o Coronel pediu — e acabou conseguindo, depois de muita discussão — a soma de 100 mil dólares. O caminho que levava Elvis ao cinema era natural e inevitável. O astuto produtor HaI Wallis foi o primeiro a ver isso e, em abril de 1956, Elvís e o Coronel voaram para Hollywood para tratar de contratos e royalties. Recebido com a habitual histeria de fãs, Elvis passou facilmente nos testes cinematográficos. "Ninguém sabia o que esperar dele, mas assim que as câmeras começaram a rodar, vimos que ele era um ator nato, instintivo", Wallis recorda. O sucesso no teste levou a um contrato inicial para três filmes, com cachês de 100 mil, 150 mil e 200 mil dólares respectivamente. O primeiro foi Love Me Tender, filmado entre junho e novembro de 1956 e co-estrelado por Richard Egan e Debra Paget. Uma revista especializada descreveu o inicio dessa nova carreira para Elvis: "O mesmo tumulto que Elvis provoca em seus shows, ele consegue nos estúdios. Técnicos, atores, figurinistas, todos querem ver de perto o jovem cantor. Ele é timido, educado, trata a todos de 'senhor' e 'madame', e, mesmo após dias de trabalho, não consegue chamar ninguém pelo primeiro nome". Seu companheiro Richard Egan também teve boa impressão de Elvis: "Era tão simples e humilde que todos se esforçavam para ajudá-lo. Ele encantava todo mundo".

LOVE ME TENDER Como se toda essa simpatia e atividade não fossem o suficiente, Elvis ainda se envolveu numa briga, num posto de gasolina de Memphis, onde tinha ido descansar uns dias. Como uma pequena multidão tivesse se reunido para ver o cantor e seu Continental branco, o dono do posto, temendo por seu patrimônio, tentou tirar Elvis do estabelecimento à força. Elvis reagiu e todos foram parar na delegacia. Julgado semanas depois — com o tribunal cheio de microfones e câmeras de TV e rodeado de fãs ululantes — ele foi obviamente absolvido, para delírio e alegria da meninada. Porém mais importante para a carreira de Elvis era seu filme de estreia, Love Me Tender. A trama se desenrolava nos tempos da Guerra de Sucessão norte-americana e contava a história de dois irmãos — Elvis e Richard Egan — que roubam um trem. Embora Elvis cantasse, o filme não era um musical, mas um drama — e o cantor inclusive morria no final. Embora se diga que o próprio Elvis tenha ficado descontente com seu trabalho de ator ao ver o copião, os fãs adoraram. Em três dias a 2Oth Century Fox recuperou todo o investimento feito. Os críticos, tanto americanos como ingleses, massacraram o filme. E, curiosamente, na Inglaterra Love Me Tender fez pouco ou nenhum sucesso de público. Apesar disso, a trilha sonora vendeu um milhão de cópias antes sequer de ser lançada, e tornou-se seu sexto disco de ouro (os outros cinco foram "Heartbreak Hotel" / "I Was The One" / "I Want You" / "Need You / "Löve You" / "Don't Be Cruel" e "Hound Dog". Em 1957, outros discos de ouro vieram aumentar essa lista: "Too Much" / "Pia yin 'For Keeps" / "All Shook Up"/ "That's When the Heartaches Begin"/ "Loving You"e "Teddy Bear" tudo isso, só no primeiro semestre do ano.

CENTRO ELVIS PRESLEY O segundo filme, Loving You, mostrava Elvis como um caipira que chega à cidade e se torna cantor de sucesso com a ajuda de um maestro (Wendell Corey) e por uma esperta divulgadora (Lizabeth Scott). Mesmo com as habituais críticas e poucas oportunidades para cantar no filme — o que deve ter decepcionado os fãs — o filme foi um sucesso de bilheteria. Com a prosperidade recém-alcançada, Elvis comprou duas mansões. Uma em Bel Air, Hollywood, para quando estivesse filmando. Outra, que se tornaria lendária, no número 3.764 na Estrada 51 Sul de Memphis: a Mansão Graceland, com 18 quartos e o "modesto " custo de 100 mil dólares. Pouco depois, em 1957, fez uma volta triunfal a Tupelo, palco de sua infância pobre, e foi recebido por 20 mil fãs ululantes. "Quando eu era garoto", Elvis disse à abarrotada platéia da Feira Municipal, onde fora cantar, "não tinha dinheiro para vir aqui e acabava preso por tentar penetrar. Agora a policia tem que me proteger quando entro". Alguns meses depois, os organizadores da Feira convidaram Elvis novamente, oferecendo o cachê anterior, 10 mil dólares por duas apresentações. Primeiro Tom Parker recusou, depois disse que Elvis faria os shows de graça. Com a renda dessas duas noites, foi construído em Tupelo o Centro Elvis Presley Para a Juventude, atrás da cabana miserável onde Elvis vivera quando garoto. Evidentemente o Coronel sabia como tirar o máximo proveito da fama. Em todo show lá estava ele, coordenando as vendas — e às vezes vendendo pessoalmente — cerca de 78 artigos com o nome "Elvis", de fotos a camisetas e ursinhos de pelúcia. "O melhor modo de desvalorizar o seu produto é dando-o de graça", ele dizia sempre, quando o acusavam de comercialismo excessivo. O terceiro filme de Elvis foi JaiIhouse Rock. Nele, Elvis ainda é o matuto ingênuo, mas a história é mais verossímel e realista: o herói é preso por homicídio involuntário e aprende guitarra com um companheiro de cela. Com Jailhouse Rock o sucesso de Elvis atinge o ponto máximo, e o filme se torna o campeão de bilheteria de 1958.

LUXO E RIQUEZA Elvis passara a viver em sua mansão de Bel Air, cercado por seis amigos de Memphis, dois primos, três músicos, três assistentes e dois secretários. Seu nome era ligado ao de várias estrelas de Hollywood, como Natalie Wood, e ele se concedia todos os luxos de um milionário. Mas, para o serviço militar, Elvis Aaron Presley ainda era um cidadão comum, e a 30 de dezembro de 1958, ele recebe uma notificação convocando-o a se apresentar em Fort Chafee, Arkansas. Como seu quarto filme, King Creole, estava ainda em filmagens, foi pedido — e obtido — uma prorrogação para o alistamento. Isso provocou nova controvérsia: Milton Bowes, chefe da seção de recrutamento de Memphis, foi soterrado de cartas protestando ora contra o privilégio concedido ao cantor, ora contra a própria convocação. "Elvis é um sujeito simpático", Bowes se defendeu, "mas já convocamos gente mais importante e não houve toda essa celeuma". Apesar dos protestos, o filme foi concluído a tempo. A história de King Creole — baseada livremente na novela de Harold Robbins, A Stone For Danny Fisher — mostrava de novo Elvis como duro, metido em encrenca. Dessa vez a Paramount, que produzia o filme, procurou agradar a todos, incluindo muitas músicas na trilha e dando a Elvis oportunidade de mostrar que sabia ser ator quando necessário. A RCA soube acompanhar a publicidade do filme com um álbum de trilha sonora e outro de antologia, reunindo os maiores sucessos de Elvis. Na verdade, mesmo com a diminuição de renda que dois anos de serviço militar representavam, Elvis estava com o futuro assegurado, financeiramente, com royalties de discos, filmes, edição, de música e percentagens sobre Jailhouse House e King Creole. E o Coronel sabia como administrar tudo com astúcia.

SOLDADO DE ELITE - A data de apresentação de Elvis ao serviço militar chegou. A 24 de março de 1958, Elvis apareceu no Hospital Central de Memphis para um exame médico. Ele desembarca de seu Cadillac Branco vestindo camisa preta, calça preta, cinto preto, sapatos pretos e uma jaqueta escarlate debruada de preto. Com ele estava uma loura dançarina de Las Vegas conhecida como Dovyt Harmony, mas ele nâo queria ser fotografado com ela. Sua classificação nos testes de saúde mental foi AI. Apesar da controvérsia que causou a sua convocação, o exército insistia em que Elvis não receberia tratamento especial devido a sua condição de astro popular, e ele mesmo declarou que nâo queria nada dessas frescuras que a imprensa estava botando em suas manchetes como declaraçôes saídas de sua boca. "Eu estou orgulhoso de servir o exército" — ele diria — "E um dever e eu vou cumpri-lo. Papai uma vez me disse: seja um bom soldado e você será tudo na vida". No começo de 1958 a convocação e treinamento básico de Elvis eram tão relevantes para o alto comando do Exército que eles destacaram oito oficiais para trabalharem full-time neste insólito evento. Acabado o trabalho em King Creole, Elvis recebeu um adeus sui-generis de Hollywood: ganhou de presente um velho rifle da guerra civil, um bolo e um poster de um pracinha descascando batatas. Após a despedida, Elvis fez uma última visita a Memphis, alugando o rinque de patinação local por oito noites seguidas para que ele e doze maravilhosas garotas pudessem patinar à vontade sem que ninguém os incomodasse. Segunda-feira, 24 de Março. Fazia um frio desgraçado. Elvis chegou à junta militar nº 86 exatamente às 6:35 da manhã, 25 minutos antes da abertura do expediente. Com ele estavam Judy Spreckles, uma loura ex-exposa de um magnata do açúcar que explicou a imprensa: — "Eu sou como uma irmã para Elvis", e , logicamente. Tom Parker, com as mãos cheias de balões de propaganda de King Creole. Elvis recebeu o número US53310761. Após a entrevista com o pessoal da junta, tomou um ônibus junto com 14 outros recrutas e após uma ligeira refeição na parte oeste de Memphis, deu-se a tragédia: apesar dos esforços policiais, os fãs imprensaram Elvis dentro do ônibus, rasgando suas roupas civis e várias meninas tiveram crises histéricas, gerando um louco pandemônio.

TRISTEZAS DE UM PRACINHA  Após 8 semanas de treinamento básico, ele estava apto para receber a usual licença de duas semanas. Uma garota em um conversível veio busca-lo em Fort Hood às 6:00 horas da manhã e eles se dirigiram a Graceland onde sua mãe começou por alimenta-lo bem para ver se ele conseguia recuperar as 12 libras que havia perdido nas duras horas do treinamento básico. Durante esta licença, novamente Elvis alugou o ringue de patinação, gravou rapidamente em Nashville e incorporou um brilhante conversivel vermelho à sua frota de carros"... Soldados podem receber permissão para dormir em casa se seus pais morarem nas cercanias do quartel. Os pais de Elvis então alugaram um trailer, postando-o em frente ao portão de Fort Hood, para logo depois alugarem uma cabana em um loteamento situado ao lado da base. Mas, ao mesmo tempo em que ele passava as noites "em casa", ele treinava e aprendia diligentemente os ofícios inerentes a seu dever. Em artilharia, Elvis era o terceiro colocado em sua unidade. Como atirador, recebeu as melhores notas da turma, sendo indicado como instrutor antes do término do tempo de instrução. A sua ida para a Alemanha tinha razão de ser. Afinal Elvis era um soldado de elite, e como tal, seria mandado para os locais onde tais indivíduos eram necessários. Logo depois de voltar a Camp Hood para terminar seu período de instrução, começou o drama que iria abalar sua vida. Sua mãe estava gravemente doente e ele e seu pai decidiram levá-la a Memphis para consultarem o Médico da família. O diagnóstico revelou hepatite aguda e Gladys foi internada no hospital metodista de Memphis. Três dias depois, Gladys Presley faleceu de um ataque do coração. Ela tinha apenas 42 anos de idade. Para Elvis, ela não havia sido somente sua mãe. Ela havia sido sua melhor garota. Ela havia inspirado a sua luta para a fama e a glória e lhe dera coragem para agüentar as pressões daquela vida infeliz que levaram durante a fase pobre de suas vidas. Ela havia cuidado de todo o jeito para que não caísse doente e havia mantido a calma enquanto todos o criticavam por sua maneira de ser. O Corpo de Gladys Presley foi transferido para a sala de música de Graceland. Elvis teimou em manter abertos os portões da mansão no dia do funeral. — "Mamãe amava meus fãs" — ele respondeu — "Eu quero que eles dêem seu adeus a ela". Mas, orientado pelo Coronel, Elvis tinha mesmo eram outros pensamentos.

ATITUDES NOBRES Marlon Brando, Cecil B. De Mille, o Governador do Tenesee e milhares de outras pessoas haviam mandado mensagens de simpatia e 400 convidados assistiram ao funeral. Depois do elogio fúnebre feito a Gladys pelo Reverendo James E. Hammill, os quatro irmãos Blackwood cantaram "Rock of ages" e "Precious Memories" que haviam sido as canções preferidas dela. Do lado de fora, 3.000 fãs estavam em vigília. Com uma escolta de 65 policiais, a procissão do funeral partiu de Graceland em direção ao cemitério de Forest Hills ao sul de Memphis. Após o enterro, Elvis voltou a sua Limousine chorando e entre soluços exclamou: "— Oh, Deus, tudo que eu tinha foi embora". Elvis ficou em Memphis mais uma semana. Depois, retornou para Fort Hood para se preparar para o embarque na Doca da Marinha em Brooklyn, o que ocorreu em 1º de Outubro de 1958. quando o transporte de tropas Gen. Randall partiu em direção a Alemanha. Elvis subiu ao navio, posou para fotografias enquanto uma banda militar tocava canções gravadas por ele. Um release distribuído à imprensa noticiava: "O Soldado Presley demonstrou desde o início um sentimento de liderança e atitudes nobres diante de suas obrigações". A pequena cidade de Friedberg estava deliciada com a novidade e o movimento trazido pelo novo residente. Os discos de Elvis tocavam dia e noite nas juke-boxes dos bares da cidade e as lojas vendiam souvenirs absurdos para os 18.000 habitantes. A imprensa havia falado que a ocupação de Elvis era simplesmente a de dirigir um Jeep, mais tarde circularam rumores que ele fazia parte da tripulação de um tanque Patton.

"GENERAL PRESLEY" O pai de Elvis resolveu ir para Friedberg e hospedou-se na suite de um hotel perto da base. Mais tarde, a avó de Elvis também veio para cozinhar para o neto querido as delícias sulistas de que ele tanto sentia falta. Depois de mudarem-se de um hotel para outro incessantemente, Elvis finalmente alugou uma casa de três andares em Bad-Nauheim, uma estação de águas perto de Friedberg. Quase 10.000 cartas por semana chegavam para ele. Algumas endereçadas ao "General Presley" — e para responder a esta avalanche de correspondência, Elvis contratou duas secretárias locais. Mas ele tinha que cumprir seus deveres para com o Exército e estava na Alemanha faziam poucas semanas quando seu batalhão foi convocado para manobras na fronteira, perto da Tchecoslováquia. Uma de suas ocupações era dirigir um Jeep, com um sargento como passageiro, checando as estradas da retaguarda porque, se o batalhão fosse subitamente obrigado a entrar em ação, informações completas a respeito das condições das estradas seriam vitais. Em Friedberg, a vida que Elvis levava não diferia das dos outros pracinhas. A alvorada era as cinco da matina. As sete horas devia se apresentar ao sargento de dia. Depois, chegava a hora da limpeza do alojamento e 15 minutos de ginástica para manter o preparo físico. Das nove ao meio dia eram ministradas aulas sobre códigos de rádio, comunicações e outras matérias do programa de treinamento. As tardes eram usadas para serviços de escritório e a saída era as cinco da tarde, quando ele corria para casa para saborear a refeição preparada pela avozinha querida. Aos sábados, havia o tradicional baile do quartel e Elvis normalmente, atendendo a pedidos dos colegas, sentava-se, pegava o violão e cantava clássicos como "Danny Boy" e outras músicas de seu repertório.

G. I. BLUES Em junho do ano seguinte, Elvis obteve 14 dias de licença e resolveu ir passá-las em Paris. Esta viagem teve uma significação toda especial em sua carreira após a sua desmobilização. No Lido Club, Elvis conheceu os irmãos Barnard, de quem ficou muito amigo. Um certo dia, George conheceu outra face de Elvis: o baladista romântico. Enquanto ele trocava de roupa em seu apartamento para irem juntos a uma boite, seu irmão Bert sentou-se ao piano e começou a tocar uma canção bem melosa chamada "Willow weep for me". Então, do quarto começou-se a ouvir uma voz melodiosa e bem modulada cantando a canção. Por incriveI que pareça, era Elvis cantando. Não o Elvis que todos conheciam dos discos, mas um Elvis suave com a voz controlada, um excelente cantor ao estilo de Frank Sinatra. Em 5 de março de 1960, Elvis é desmobilizado do Exército Americano. Outras pessoas estavam também conscientes do que isso significava. Entre elas estavam Hal Wallis e Tom Parker. Era chegada a hora de Elvis retornar ao lar. E isso merecia sem dúvida uma grande comemoração. Ao mesmo tempo, o Coronel estava transando um espetacular show de TV com Elvis e co-estrelado, quem diria, por... Frank Sinatra. HaI Wallis certamente não havia perdido tempo. Em 1959, ele começou as tomadas do próximo filme de Elvis — sem Elvis. O Filme se chamaria G.I. Blues (no Brasil, saudades de um pracinha) e seria uma história sobre os soldados americanos estacionados na Alemanha entremeada de canções. O Exército concordou em ajudar nas filmagens e a terceira divisão blindada foi usada como suporte nas cenas. Um doublê foi usado para substituir Elvis. Aos 25 anos de idade, Elvis achava que sua carreira estava terminada mas o Coronel percebeu que ele devia, agora mais do que nunca, dar a cartada certa.