terça-feira, 14 de abril de 2015

Elvis e Nixon


Elvis e Nixon - O Rei e o Presidente
Elvis Presley e Richard Nixon - A carreira policial de Elvis Presley foi tão espetacular quanto sua carreira musical. Em pouco mais de um ano, ele passou de auxiliar de xerife de um condado do Tennessee a agente federal de uma das mais glamorosas forças de combate ao crime: o FBI. Muito mais expressivo é que, na primeira vez ele foi nomeado pelo xerife local, mas na última, quem o nomeou foi o próprio presidente dos EUA, Richard Nixon. Essa história é muito interessante e para entendê-la melhor precisamos voltar a 1970, um pouco antes do natal.

Nessa ocasião Elvis deu à sua família em Graceland uma exibição inesquecível de como um agente policial age na sombra. Naquele dia Elvis brigou com Vernon e Priscilla por causa de suas compras de natal. Vernon ficou chocado ao receber as contas de Los Angeles. Em armas Elvis havia gasto 19.972 mil dólares. Mas isso não era nada comparado com as notas das revendedoras de automóveis. Elvis havia comprado dez Mercedes Benz, que planejava presentear como se fossem bicicletas!

Elvis não tolerava qualquer crítica aos seus gastos. Mas Vernon e Priscilla eram tão mão-fechadas quanto Elvis era gastador e eles sempre estavam em pé de guerra por causa de dinheiro. Esse dia não teria sido muito diferente dos outros se Elvis não tivesse tido a idéia de punir seu pai e sua mulher e ao mesmo tempo curtir uma rara emoção. Correndo para seu quarto, Elvis vestiu um de seus ternos mais extravagantes, colocou uma colt 45 no coldre sob o ombro e uma Deringer na bota. Assim preparado, entrou no seu carro e foi para o aeroporto onde comprou uma passagem e embarcou para Washington. Na capital americana se hospedou num hotel próximo à Casa Branca com o nome de coronel Jon Burrows.

Ah, aquilo foi demais! E quando ele estava no taxi, então? O motorista não parava de olhar para suas jóias e ele teve que abrir um pouco o paletó para que o cara desse uma olhada na sua 45. Mas agora lá estava ele, o homem mais famoso do mundo, sentado num quarto de hotel olhando para a TV, completamente sozinho numa cidade estranha. No mesmo vôo que levou Elvis a Washington estava o senador George Murphy e logo o famoso cantor estava de prosa com o velho político, explicando que estava indo a Washington para oferecer seus préstimos na guerra contra os tóxicos.

O senador disse que ia ajudá-lo e que iria arranjar-lhe uma visita ao FBI e ao Bureau de narcóticos. Encorajado, Elvis teve uma idéia brilhante: porque não tentar ser recebido pelo presidente Nixon? Como não havia tempo para arrumar uma audiência pelos canais competentes, Elvis resolveu solicitar ele mesmo um encontro com o presidente dos EUA.

No avião mesmo, ele escreveu uma carta para Nixon, explicando os perigos que o país enfrentava, com os Beatles e Jane Fonda incutindo idéias radicais no pensamento da juventude americana, incentivando o uso de drogas. Para contrabalançar Elvis se oferecia para ficar do outro prato da balança. Terminou pedindo uma audiência imediata e informou que poderia ser encontrado no Washington Hotel, onde estava hospedado com o nome de coronel Jon Burrows. Assim que chegou em Washington Elvis foi direto para a Casa Branca onde se apresentou ao atônico guarda de plantão e lhe entregou a carta.

Quando Elvis voltou ao hotel duas horas depois recebeu uma notícia eletrizante: o secretário do presidente havia acabado de ligar: "O Presidente vai receber Mr. Presley" - foi isso que ele disse! sacou? Nixon havia arranjado tempo para receber o Rei do Rock naquele mesmo dia!

Elvis encontra Nixon - Porque Nixon estava com tanta pressa de se encontrar com Elvis? Bem, naquele momento ele estava para lançar uma monumental cruzada contra as drogas, e de repente aparece o Rei do Rock com a mesma idéia! Para Nixon "as drogas eram o problema número 1 da América" e ele ia transformar a Drug Enforcemente Agency (DEA) numa super agência de combate aos tóxicos no estilo da CIA e do FBI. Para se ter uma idéia o orçamento dessa polícia secreta de Nixon subiu de 69 milhões de dólares em 1969 para 719 milhões em 1973.

Quando Elvis, Jerry Schilling e Sonny West (que chegou bem a tempo!) foram introduzidos na Casa Branca, foram recebidos por Egil Krogh, o braço direito de Nixon em sua cruzada anti drogas. Ele disse a Elvis que os caras teriam que ficar esperando num prédio anexo (o Federal Bureau) porque, caso mais de uma pessoa visitasse o presidente ao mesmo tempo, seriam necessárias medidas especiais de segurança. Jerry e Sonny ficaram desapontados, pois Elvis havia prometido que eles também conheceriam o presidente.

Quando Elvis entrou no salão oval estava devidamente preparado para esse grande evento. Ao bater os olhos em Elvis, Nixon não se conteve: "Você usa roupas bem extravagantes, heim?" Sem perder o pique Elvis devolveu: "Presidente, o senhor dirige o seu show que eu dirijo o meu!". Depois o papo começou com Elvis dizendo que era "a prova viva de que a América era a terra das oportunidades", Da noite para o dia, ele passou de simples motorista de caminhão a superstar, provando a realidade do sonho americano. Mas agora ele estava preocupado com a juventude de seu país, seduzida pelo mundo das drogas.

O rei contou ao presidente que estava dedicando todo o seu tempo livre em reuniões com grupos de jovens rebeldes, usando sua autoridade para ajudá-los no caminho do bem e superar seus problemas com tóxicos. Enquanto Elvis falava, Nixon deve ter se sentido gratificado. Nixon sabia do poder de Elvis sobre a juventude americana e chegou a dizer-lhe que, se quisesse, ele poderia trocar o show business por uma carreira política de sucesso. Alguns artistas como o senador George Murphy e Ronald Reagan (então governador da Califórnia) já haviam inclusive mostrado o poder do show business na arena política. Mas quem eram eles em comparação com Elvis Presley, o Rei do Rock? Só havia uma coisa que jamais poderia ser esquecida, aconselhou Nixon: "Nunca perca sua credibilidade".

Ah, foi uma grande reunião, um grande casamento de idéias. O que Nixon tão poeticamente chamava de "Maioria silenciosa" havia enfim encontrado sua voz em Elvis Presley. Finalmente chegou a hora de Elvis fazer seu grande pedido: já que iria ajudar na cruzada contra as drogas, nada mais justo do que ter uma insígnia de agente federal do FBI. Nixon sorriu: "Não tenho muito poder por aqui, você sabe. Mas conseguir um distintivo de agente federal para você é uma das coisas que posso fazer". Elvis agradeceu e fez mais um pedido, será que o presidente poderia receber seus guarda-costas? Nixon concordou e deu ordens pelo telefone para que Jerry Schiling e Sonny West fossem trazidos a sua presença. Nixon desculpou-se com Elvis e foi assinar alguns documentos. Elvis ficou passeando pelo salão oval, observando o presidente com o canto dos olhos. Imagine seu assombro quando Nixon, depois de assinar os papéis, virou-se para o assessor que estava ao seu lado e perguntou: "O que foi que acabei de assinar?". Elvis iria contar essa história para o resto de sua vida.

Assim que Sonny e Jerry entraram, Nixon deu um soco amigável no ombro de Sonny e comentou: "Rapaz, você tem uma bela dupla de grandalhões! Acho que eles sabem cuidar muito bem de você!" - "Yes, Sir", confirmou Elvis. O fotógrafo da Casa Branca tirou retratos de todos juntos e Nixon deu a cada um dos guarda-costas um par de abotoaduras com o selo presidencial. De sua parte, Elvis deu a Nixon um colt 45 comemorativo da 2º Grande Guerra Mundial. O histórico encontro entre o Rei do Rock'n'Roll e o presidente dos Estados Unidos havia terminado.


O FBI libera o dossiê Elvis: 663 páginas de loucuras!
O FBI guardou uma grande ficha sobre Elvis Presley por mais de 20 anos - em setembro de 1956, quando Elvis pela primeira vez subiu ao palco do Ed Sullivan Show e entrou dentro dos corações de milhões de americanos, até sua morte em agosto de 1977. Os federais relataram tudo sobre Elvis: suas roupas, suas gingas no palco, sua vida e amores fora do palco - e as hostes de escroques e loucos que tentaram fazer dinheiro com sua incrível fama. O FBI liberou o dossiê Elvis devido a lei sobre liberdade de informação (Freedom of Information Act). As queixas contra Elvis começaram a chegar ao FBI nos anos 50. Entre as revelações do dossiê podemos encontrar histórias interessantes sobre a vida e a carreira de Elvis. A ficha, que não contém nada que desmereça a imagem de Presley começa com queixas sobre seus giros sexuais e progride através de ameaças de morte e extorsão - e sentimentos de Presley sobre outros astros.

Em 1956 um cartão postal enviado a Elvis dizia: "Se você não parar com isso, nós vamos te matar". Elvis imediatamente contactou o FBI que abriu uma investigação para saber quem era o autor do cartão. O agente do FBI encarregado do caso definiu o alto e o rotapé do cartão como "Obscenos" Essa seria apenas a primeira ameaça de morte sofrida por Elvis, ao longo dos anos ele receberia várias mensagens iguais, ameaçando sua vida e de sua família.

Elvis acendeu as iras da Biblebelt (área de maior influência biblica da América), motivando uma carta ao editor de um jornal religioso de Wisconsin, que dizia: "Presley é um perigo definitivo a segurança dos Estados Unidos". O artigo ainda dizia: "Testemunhas oculares disseram-me que atos e gestos de Elvis são capazes de despertar as paixões sexuais da juventude americana adolescente...Presley assinou autógrafos na barriga de uma garota...fãs clubs que se degeneram em orgias sexuais...eu poderia jurar que se trata de um viciado em drogas e de um pervertido sexual". O conservador Elvis, quem diria...

O cantor Jerry Lee Lewis tentou invadir a mansão Graceland: O agente do FBI relata um caso envolvendo Elvis e o cantor Jerry Lee Lewis. No final dos anos 70 esse cantor, antigo ídolo jovem nos anos 50, tentou invadir a propriedade de Mr. Presley totalmente embriagado e ainda por cima armado. Elvis se recusou a recebê-lo nesse estado e chamou o FBI que o prendeu. Jerry Lee Lewis depois interrogado afirmou que "seu plano era achar, libertar e seqüestrar o Rei Elvis". O Rei do Rock nunca mais quis receber Lewis, nem para receber desculpas pelo ocorrido. E avisou que nunca mais o procurasse...

A revelação mais bizarra é que Elvis caiu vítima de uma corja de trapaceiros e desclassificados que pagou por seu avião Jet Star com cheques sem fundos, hipotecou o aparelho por um milhão de dólares e fez Elvis pagar 400 mil dólares extras por reparos nunca feitos. A gangue que se auto denominava "a fraternidade" foi descrita pelo FBI como "30 a 40 dos maiores vigaristas do mundo". Foram apanhados e alguns condenados, mas Elvis morreu antes que o avião fosse devolvido a Graceland, sua propriedade em Memphis. O então advogado de Elvis, Dr Beecher Smith, diz: "O avião voltou e recuperamos parte do dinheiro. Havia rumores de que alguns dos advogados de defesa tinham conexões com a máfia"

O Mesmo avião está agora exposto em Graceland. O então piloto de Elvis também estava envolvido de acordo com os relatórios do FBI, confirmados por Smith. A perda do avião deve ter sido a última e mais bem sucedida tentativa de roubar seu dinheiro, mas os registros do FBI mostram mais tentativas de extorsão e ameaças de morte desde os primeiros dias de sucesso de Presley até suas últimas apresentações pelos Estados Unidos.

As fichas também registram o não realizado sonho de Elvis em conhecer o diretor do FBI, J. Edgar Hoover. Nem uma carta de apresentação do senador George Murphy ajudou. Um auxiliar de Hoover escreveu contra um encontro com Elvis, juntando uma foto de Presley com a roupa que usou no seu encontro com o presidente Richard Nixon. Num relatório de 1970, o agente M.A. Jones observou: "Não obstante a sinceridade e as boas intenções de Mr. Presley, ele não é certamente o tipo de indivíduo que o diretor gostaria de conhecer. É notório que no momento está com os cabelos abaixo dos ombros e concorda em vestir toda espécie de roupas exóticas". O diretor Hoover estava convenientemente "fora da cidade" quando Elvis veio para a visita e depois escreveu a Presley: "Lamento que não tenha sido possível receber você durante sua visita ao FBI. Entretanto, espero que você tenha gostado da viagem e de nossas instalações"

O Dossiê também traz as impressões de Elvis sobre outros artistas. Sobre os Beatles o astro americano foi taxativo: "Esses ingleses chegam nos Estados Unidos e criticam o país por seu envolvimento com a Guerra do Vietnã! Que direito eles tem de fazer isso? São incentivadores do uso de drogas entre a juventude americana." Sobre Jane Fonda, que liderava movimentos em favor da paz, Elvis disparou: "Jane Fonda é uma subversiva que corrompe os valores nacionais de nossos jovens".

Ironicamente Elvis iria entrar para o FBI nos anos 70 como agente federal nomeado pelo presidente Nixon. O mais engraçado de tudo isso foi o fato de uma pessoa considerada pelo Bureau como uma "ameaça à nação" acabar entrando para seus quadros uma década depois. Assim Elvis se tornaria o mais "exótico" agente federal que J. Edgar Hoover jamais sonhou em ter um dia...

Artigo publicado na revista People - "O Dossiê Elvis"
Artigo escrito por L. Gomes - "Elvis e Nixon".

sábado, 11 de abril de 2015

FTD Long Lonely Highway / FTD Tucson '76

FTD Long Lonely Highway
Em poucas palavras podemos classificar esse título do selo FTD como uma coletânea de takes alternativos dos anos 1960. Por essa época a gravadora ainda não tinha se decidido em ir mais a fundo na discografia de Elvis, ficando na superfície, ainda apenas planejando criar CDs da coleção FTD que fossem específicos a cada álbum lançado pelo Rei do Rock. Menos mal. De qualquer maneira sob o ponto de vista da atualidade se torna também ultrapassado. Mesmo assim ainda vale como um mero cartão de visitas para marinheiros de primeira viagem que queiram sondar do que efetivamente se trata. No Menu temos gravações que vão de 1960 até 1968. Foi uma época de baixa na carreira de Elvis, com muitas trilhas sonoras ruins, pílulas, devaneios místicos insensatos envolvendo religiões da nova era e decepções com sua vida artística. Mesmo soterrado sob essa lama de coisas ruins, Elvis seguia tentando levantar a cabeça acima da areia movediça, ainda buscando respirar um pouco para produzir algo de valor. É o que o ouvinte perceberá no meio desse lamaçal todo. Agora, de inédito mesmo, temos até poucas faixas, se destacando o take 1 de "Long Lonely Highway", uma pouca conhecida versão stereo de "Come What May", um take 13 sem firulas de "Singing Tree" e finalmente o take 2 de "Stay Away" (que os brasileiros já conheciam antes dos gringos, veja só!). Todo o resto porém já era conhecido dos colecionadores em geral. Coisa boa, mas não tão inédita como todos pensavam.

FTD Long Lonely Highway - 1. It's Now or Never (take 1) 2. A Mess Of Blues (take 1) 3. It Feels So Right (take 2) 4. I'm Yours (take 2) 5. Anything That's Part of You (take 2) 6. Just For Old Time Sake (take 1) 7. You'll Be Gone (take 4) 8. I Feel That I've Known You Forever (take 3) 9. Just Tell Her Jim Said Hello (take 5) 10. She's Not You (take 1) 11. Devil In Disguise (takes 2, 3) 12. Never Ending (take 1) 13. Finders Keepers, Losers Weepers (take 1) 14. Long Lonely Highway (take 1) 15. Slowly But Surely (take 1) 16. By And By (take 4) 17. Fools Fall In Love (take 4) 18. Come What May (stereo master) 19. Guitar Man (take 10) 20. Singing Tree (unused master, take 13) 21. Too Much Monkey Business (take 9) 22. Stay Away (take 2).

FTD Tucson '76
Esse foi o primeiro CD da coleção FTD a trazer um show ao vivo de Elvis Presley na década de 1970. É a tal coisa, durante anos e anos, os fãs de Elvis só tinham acesso a um número restrito de gravações dos concertos do cantor. Basicamente havia apenas as faixas lançadas em seus álbuns oficiais como "On Stage", "Elvis in Concert", etc, etc. Depois, bem mais tarde, com o advento do CD que vinha para substituir o vinil, começaram a surgir os bootlegs, discos piratas, que rapidamente se alastraram entre os colecionadores. De repente surgiram shows realmente maravilhosos, que agora chegavam a um grande público, não ficando restritos a apenas alguns poucos sortudos. Por isso o selo FTD se empenhou desde o começo no mercado desse tipo de gravação. Aqui temos o primeiro movimento nessa direção. O show não é nada demais, de certa forma fica na média do que Elvis vinha mostrando em seus concertos na época. O cantor estava pesadão, excessivo, ligado, como bem conhecemos de suas turnês de 1976. Mesmo assim, pelo menos aqui, ele trouxe uma bela surpresa aos fãs em geral: uma versão de "Danny Boy" ao vivo! A canção que fazia parte do repertório do disco "From Elvis Presley Boulevard, Memphis, Tennessee" era uma tentativa de promover as faixas de seu novo álbum. Raramente Elvis fugia de um certo repertório cotidiano, mas aqui ele deu o ar da graça da renovação. Por isso o CD ainda segue muito recomendado. Não é um concerto maravilhoso, excepcional e nem muito bem gravado, mas tem "Danny Boy" em sua versão "Live" o que no final das contas é o que efetivamente conta.

FTD Tucson '76 -  1. See See Rider (Odessa, May 30 A.S.) 2. I Got A Woman/Amen 3. Love Me 4. If You Love Me 5. You Gave Me A Mountain 6. All Shook Up 7. Teddy Bear/Don't Be Cruel 8. And I Love You So 9. Jailhouse Roc 10. Help Me 11. Fever 12. Polk Salad Annie 13. Introduction of band (Early Morning Rain, What'd I Say, Love Letters (Odessa, May 30 E.S.) School Days 14. Hurt (plus reprise) 15. Burning Love 16. Help Me Make It Through The Night 17. Danny Boy (performed by Elvis) 18. Hound Dog 19. Funny How Time Slips Away 20. Can't Help Falling In Love (Closing Riff).

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Speedway

Em meados de 1968, a ano que não acabou, o novo projeto de Elvis, intitulado Speedway (O Bacana do Volante) foi lançado. Aqui Elvis contracena com a filha de Frank Sinatra, Nancy. Na direção mais uma vez Norman Taurog. Novamente outro filme sem grandes novidades, com Elvis novamente interpretando um piloto de corridas. Nancy Sinatra por sua vez interpreta uma fiscal da receita federal que vai atrás do personagem de Elvis para lhe cobrar impostos sonegados. O filme se tornou um dos últimos de Elvis na MGM pois seu contrato com a empresa estava chegando ao final. Apesar do otimismo sobre a carreira de Elvis no começo dos anos 60, em 1968 todos já estavam conscientes que dificilmente Elvis decolaria nas telas trabalhando com material tão ruim. Seu desânimo chega a ser notado durante a projeção do filme pois ele apenas passeia entre as cenas, visivelmente entediado.

Não era para menos, Speedway na realidade era apenas outro filme sobre pistas de corridas, garotas, músicas fracas e direção inexistente. A crítica da época não perdoou e demonstrou que a produção nada mais era do que apenas mais uma repetição de muitos filmes anteriores do "Rei do Rock". Eles tinham razão. Esse é outro filme de Elvis ao velho estilo, do começo ainda dos anos 60, o que em 1968, em plena época do movimento Hippie, dos movimentos sociais e das lutas políticas soava completamente quadrado e careta (aqui utilizando-se inclusive das gírias daqueles tempos). Sem sintonia com os jovens e o público o filme foi completamente ignorado, deixando as salas de cinema vazias e os LPs encalhados nas prateleiras das lojas de discos.

O projeto foi mais um da carreira de Elvis que que não se traduziu em sucesso, revelando de uma vez por todas que a antiga fórmula "brilhantemente" idealizada por Tom Parker estava completamente esgotada. Nem os fãs mais ardorosos prestigiaram. A trilha sonora chegou nas lojas um mês antes do lançamento do filme e se tornou um novo fracasso de vendas, com um péssimo 82º lugar entre os mais vendidos, sendo que na Inglaterra o resultado foi ainda mais desastroso pois sequer conseguiu classificação na parada inglesa entre os mais vendidos. No Brasil a RCA nacional, em vista do grande fracasso do disco lá fora, nem ao menos chegou a lançá-lo por aqui. Com tantos boletins desanimadores de vendas nas mãos e vendo que muitas de suas filiais estrangeiras nem sequer cogitavam mais de lançar o disco em seus respectivos países a RCA disse basta ao lançamento de trilhas e decretou o fim das mesmas, para o alívio geral, diga-se de passagem. A gravadora de Elvis realmente havia jogado a toalha e não iria mais investir nessa fórmula pois ela definitivamente só vinha trazendo prejuízos desde meados dos anos 60.

Para termos uma idéia da queda de vendas de Elvis no mercado basta apenas citar um dado revelador: Elvis Presley passou três anos sem sequer ter um álbum lançado no Brasil na segunda metade dos anos 60, o que demonstra como era grande o desinteresse pelo trabalho que ele vinha desenvolvendo na época. A trilha sonora de Speedway então, em vista de todo esse quadro desanimador, realmente foi a pá de cal nesse velho esquema inventado por Tom Parker de lançar filme / trilha no mercado. Foi a última trilha sonora da carreira de Elvis ao velho estilo e não deixou saudades. Um melancólico adeus, sem dúvida. A única nota positiva veio do advento de que o fracasso levou Elvis e seu empresário a repensar toda a sua carreira e procurar por mudanças, o que iria desaguar ainda nesse ano na gravação do maravilhoso NBC Special que iria literalmente ressuscitar a cambaleante carreira de Elvis. Realmente há males que vem para o bem, como diz o velho ditado. Essas são as canções da derradeira trilha sonora de Elvis Presley nos anos 60:

SPEEDWAY (Glazer - Schlaks} - Tudo é uma questão de comparação. Muitos afirmam que Speedway é um dos temas mais fracos já compostos para filmes de Elvis Presley! Será mesmo? Basta comparar. Spinout, por exemplo, é bem pior certamente. Obviamente que nunca poderíamos aqui cair na insensatez de comparar essa canção com temas do passado como King Creole e Jailhouse Rock. Essa seria uma comparação completamente absurda. Porém se formos nos limitar ao período pós 1965 até que Speedway não se sai completamente mal. Os compositores dessa canção (dois completos desconhecidos dentro da discografia de Elvis) até se saíram razoavelmente bem em termos de ritmo, que chega a ser agradável em algumas passagens, mas derrapam feio na letra, que é inegavelmente simplória demais. Claro que o tema, falando sobre assuntos relacionados a velocidade, carros e afins, não daria margem ao surgimento de nenhuma poesia parnasiana, mas até mesmo dentro do limitado campo artístico que o filme proporciona deixa a desejar. Elvis, como sempre, extremamente profissional, fez o melhor que pôde com o material que tinha em mãos e a canção pelo menos não aborrece em nenhum momento, tendo como maior mérito seu ritmo mesmo, como já escrevi antes. Certamente não é o melhor tema de filme já escrito para as produções de Elvis no cinema, mas fica longe de figurar entre os piores.

THERE AIN´T NOTHING LIKE A SONG (Byers - Johnston) - Byers ficou conhecido na história como o autor das melhores músicas dos piores discos de Elvis. Ele escreveu diversas músicas para filmes de Elvis, algumas realmente muito boas, que elevavam significativamente o valor artístico de algumas de suas trilhas sonoras. Essa música foi escolhida para fechar o filme, onde Elvis e Nancy Sinatra a cantam juntos. A letra é otimista e combina bem com o final feliz e Nancy, que nunca teve o carisma de seu grande pai, pelo menos não decepciona e mostra um certo talento no resultado final. Em suma, essa é uma boa canção da trilha sonora de Speedway.

YOUR TIME HASN´T COME YET BABY (Hirschhorn - Kascho) - Não há como escapar. Dentro da fórmula "Elvis" de fazer filmes nos anos 60 quase sempre haveria uma música destinada ao público infantil. Odiadas por muitos, amadas por outros, essas canções infantis foram, para o bem ou para o mal, uma das marcas registradas das trilhas sonoras de Elvis nos anos 60. Infelizmente a qualidade delas foram decaindo ao longo dos anos, já que "Wooden Heart", a grande percussora desse sub-gênero, possuía inegável qualidade que não foi mantida pelas que vieram nos filmes posteriores. Aqui, outra dupla de compositores desconhecidos aterrissam na trilha e tentam trazer alguma novidade, porém sem sucesso. Agora complicado mesmo é entender como ela foi lançada como lado principal do single do filme, justamente em um momento que Elvis precisava desesperadamente de um sucesso nas paradas. O absurdo é tamanho que ela foi preferida até mesmo em detrimento de Let Yourself Go, a melhor canção da trilha, que foi jogada para o lado B do mesmo compacto. Simplesmente inexplicável.

WHO ARE YOU? (S. Wayne - B. Weisman) - Para se perceber como as trilhas sonoras de Elvis perderam qualidade ao longo dos anos basta apenas ouvir as baladas presentes nelas. Aqui temos uma canção cheia de lugares comuns, com letra banal. A cena em que Elvis a canta para Nancy Sinatra no filme demonstra claramente que depois de Ann-Margret Elvis nunca mais teve uma partner à altura. Nancy não consegue transmitir emoção e a química do casal nunca decola. Enfim, Who Are You? é uma balada apenas mediana, sendo seu único destaque um arranjo um pouco diferenciado das demais baladas de Elvis, mas nada que a eleve demais entre as muitas baladas cantadas por Elvis durante esse período de sua carreira. O único destaque digno de nota fica com o solo bem executado do grande músico Homer "Boots" Randolph, recentemente falecido. Fora isso nada mais chama a atenção.

HE´S YOUR UNCLE, NOT YOUR DAD (Wayne - Weisman) - Depois de um começo até certo ponto animador somos lembrados, da pior forma possível, pela dupla de autores dessa música, que estamos afinal apenas ouvindo mais uma das trilhas sonoras de Elvis dos anos 60, com tudo de ruim que isso afinal significa. Candidata forte ao título de pior canção do filme, "He's Your Uncle, Not Your Dad" é aquele tipo de música que só funciona ao se assistir ao filme e mesmo assim se você estiver com muito bom humor e boa vontade. Certo que o roteiro gira em torno de um piloto com dívidas fiscais com o governo norte-americano, mas convenhamos não precisava colocar um tema tão fraco e sem graça para Elvis cantar e baixar consideravelmente o nível da parte musical da trilha sonora. A cena do filme não se salva, a coreografia apresentada é rídicula, a letra é uma piada e harmonia inexiste aqui. Méritos apenas para Elvis que demonstra mais uma vez que era um cantor que conseguia injetar um pouco de talento até mesmo nas mais horríveis canções já escritas. Simplesmente constrangedor.

LET YOURSELF GO (Joy Byers) - Sempre lembrada como grande injustiçada, Let Yourself Go é praticamente unanimidade entre os especialistas como a melhor canção dessa trilha sonora. A música tem letra interessante, trazendo até mesmo pitadas de sensualidade e charme e poderia muito bem se destacar nas paradas caso tivesse sido lançada corretamente como destaque no single do filme. Elvis, que não conseguia um primeiro lugar desde 1962 com Good Luck Charm, finalmente tinha uma boa candidata a lutar por, pelo menos, o Top l0 da Billboard. Mas infelizmente a RCA a negligenciou, a inserindo como mero lado B da infantil "Your Time Hasn't Come Yet Baby", essa sim com chances nulas de se destacar na Billboard. O resultado já conhecemos: a música foi solenemente ignorada pelo público na época e nem mesmo a boa cena em que ela é apresentada no filme serviu para tirá-la de um injusto obscurantismo. Ainda tentaram corrigir o erro a utilizando no especial da NBC mas todos os clássicos ali presentes também ajudaram para que esse bom momento de Elvis nos estúdios na segunda metade dos anos 60 passasse praticamente em brancas nuvens.

FIVE SLEEPY HEADS (Sid Tepper - Roy C. Bennett) - Talvez o maior exemplo do esgotamento da fórmula das trilhas sonoras de Elvis nos anos 60. Depois de "Your Time Hasn't Come Yet Baby" era de se esperar que o disco estaria livre de canções infantis. Que nada. Parece que sem mais nada para colocar na trilha o Coronel e a RCA resolveram colocar Elvis para cantar outra musiquinha de ninar. No disco original ela aparecia bem depois de um solo de Nancy Sinatra, "Your Groovy Self", canção sem maiores atrativos que demonstrava que uma forcinha do nepotismo também poderia ajudar na carreira de qualquer um. Sem maiores atrativos podemos classificar "Five Sleepy Heads" como uma espécie de "Big Boots" tardia. Um mero prato requentado para quem gostou das primeiras trilhas de Elvis no começo dos anos 60 como G.I. Blues e definitivamente não recomendado para gourmets musicais mais exigentes.

WESTERN UNION (Tepper - Bennet) - Essa é a primeira bonus song do disco Speedway. A inclusão de uma canção como essa só serve para demonstrar como Elvis estava estagnado artisticamente. Qual artista iria aceitar colocar em um novo disco uma música gravada quase 5 anos antes e que simplesmente havia sido arquivada? Cinco anos é uma eternidade em termos de renovação musical, todas as mudanças que surgiram no mundo da música, ainda mais nos anos 60, fazia com que uma canção gravada em 1963 soasse completamente anacrônica em 1968. Seria algo como se os Beatles lançassem She Loves You no Álbum Branco. Enfim, desleixo, displicência e estagnação, apenas esses fatores justificam esse tipo de lançamento numa trilha sonora de Elvis Presley no final dos anos 60. Mas o pior nem é isso, o pior é saber que Western Union, mesmo com vocalização ultrapassada, arranjo desatualizado e falta de sincronia com o que se ouvia em 1968 conseguia ser ainda melhor que muitas das músicas do filme Speedway! Só podemos chegar na triste constatação que sim, Elvis ficou sem evoluir durante pelo menos cinco anos em sua carreira nos anos 60, chegando inclusive a involuir (sic) em certos aspectos! Lamentável.

MINE (Tepper - Bennett) - Em setembro de 1967 o produtor Felton Jarvis levou Elvis a Nashville com a clara intenção de produzir material de melhor qualidade que o que vinha sendo apresentando nas trilhas sonoras de seus últimos filmes. Felton reuniu a nata dos músicos da cidade e conseguiu grande êxito, gravando excelentes canções como por exemplo You'll Never Walk Alone, We Call on Him, Hi-Heel Sneakers, Just Call Me Lonesome, Big Boss Man e Guitar Man. Enfim, uma excelente sessão em todos os aspectos que poderia inclusive dar origem a um excelente LP caso a RCA assim desejasse. Mas infelizmente isso nunca ocorreu. Ao invés disso os produtores tiveram a péssima idéia de utilizar ótimas faixas como essas apenas como bonus songs de algumas das piores trilhas sonoras de Elvis, ofuscando completamente o belo retorno que poderiam trazer para a carreira do cantor. Esse é o caso de "Mine", gravada nessa mesma ocasião e jogada no lado B da trilha de Speedway. Um grande equívoco pois "Mine" é uma excelente balada, com ótima interpretação por parte de Elvis.

GOIN´ HOME (Byers) - Gravada em janeiro de 1968 durante as gravações de parte da trilha sonora do filme "Stay Away, Joe", em Nashville, a canção "Goin' Home" se transformou num verdadeiro pesadelo para Elvis em estúdio, fazendo com que o cantor tivesse que registrar 30 takes diferentes para chegar na versão oficial. Curiosamente essa foi uma das sessões mais interessantes de Elvis, senão vejamos: Ele gravou o clássico de Chuck Berry, Too Much Monkey Business, a ótima U.S. Male, que seria lançada em single e versões diversas de Stay Away. Isso pelo menos demonstrava pequenos e significativos sinais de mudança, até mesmo porque Elvis ia, aos poucos, deixando o material fraco de filmes de lado para gravar canções de qualidade. A lamentar apenas o fato de Goin' Home, que sempre foi uma ótima música, ser lançada de forma tão equivocada, como mera bonus song de Speedway. Merecia melhor destino certamente.

SUPPOSE (Dee - Goehring) - Suppose nunca ganhou uma boa versão na voz de Elvis Presley. Todas as suas versões oficiais (seja a versão mais longa ou mais curta) deixam a desejar. Também pudera, gravada nas mesmas sessões do restante da trilha de Speedway a canção nunca foi prioridade para Elvis, isso apesar de haver indícios de que ele pessoalmente gostava dela, tanto que gravações caseiras do cantor em Graceland a cantando e tocando piano já eram conhecidas pelos fãs desde os anos 80. Inicialmente a música foi cogitada para entrar no filme mas logo depois foi cortada por decisão dos executivos da MGM. Curiosidade: em Suppose ouvimos o amigo de Elvis, Charlie Hodge, tocando piano em momento inspirado.

Ficha Técnica: Vocal: Elvis Presley / Guitarra: Chip Young / Guitarra: Hilmer J. "Tiny" Timbrell / Guitarra: Tommy Tedesco / Baixo: Bob Moore / Bateria: Murrey "Buddy" Harman / Bateria: D.J. Fontana / Piano: Larry Muhoberac / Piano: Charlie Hodge (somente na versão de Suppose) / Steel Guitar: Pete Drake / Saxophone: Homer "Boots" Randolph / Trumpete: Charlie McCoy / Backup Vocals: The Jordanaires (Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker) / Direção Musical: Jeff Alexander / Engenheiro: Eddie Bracket / Gravado no M.G.M. Studios, Hollywood, California / Data de Gravação: 20 a 21 e 26 de junho de 1967 / Data de lançamento: maio de 1968 / Melhor posição nas charts: #82 (EUA) e # - (UK) Obs: Não obteve classificação entre os mais vendidos na Grã Bretanha.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 5 de abril de 2015

FTD In a Private Moment / The Jungle Room Sessions

FTD In a Private Moment
Dando prosseguimento com a análise da coleção FTD (Follow That Dream) chegamos nesse terceiro CD do selo. Não é um título indicado ao ouvinte eventual da obra de Elvis Presley, isso porque se trata de uma compilação de gravações caseiras realizadas por Elvis ao longo de sua vida. Como se sabe existiam aparelhos eletrônicos chamados gravadores que foram muito populares nas décadas de 1960 até mais ou menos meados dos anos 1980. Com eles e com uma simples fita k-7, que era vendida em qualquer supermercado, era possível realizar gravações caseiras, muitas sem qualidade sonora nenhuma, é bom reconhecer, mas que se tornavam divertidas de ouvir depois. Elvis adquiriu logo um aparelho desses - e de outras tecnologias disponíveis na época também - e começou assim a gravar pequenos registros dele cantando ao lado de amigos ou sozinho em casa. Muitas vezes ele queria apenas ouvir como andava sua voz! É justamente isso que esse CD traz ao ouvinte. Grande parte foi gravado quando Elvis estava no exército, na Alemanha, em fins dos anos 1950, mas os registros  vão além, chegando até 1966, quando Elvis promovia animadas reuniões em sua casa em Malibu. Ao lado de amigos, acompanhado muitas vezes apenas de um violão, ele soltava a voz! Não se trata de, como eu já frisei, material para todos os tipos de público. É algo bem específico e deve ser ouvido com uma determinada mentalidade, que entenda seu valor histórico, ao mesmo tempo que ignora a falta de uma melhor qualidade sonora. Agindo assim você certamente ficará encantado com os registros de muitas canções que inclusive nunca foram gravadas oficialmente por Presley em estúdio ao longo de sua carreira.

FTD Elvis Presley - In a Private Moment - Loving You / Danny Boy / I'm Beginning To Forget You / Beyond The Reef / Sweet Leilani / If I Loved You / Lawdy Miss Clawdy / I Wonder, I Wonder, I Wonder / He / When The Swallows Come Back To Capistrano / She Wears My Ring / Sweet Lealani / Moonlight Sonata / Blue Hawaii / Hide Thou Me / Oh How I Love Jesus / Fools Rush In / Its A Sin To Tell A Lie / What Now My Love / Blowin' In The Wind / 500 Miles / I, John / I'll Take You Home Again, Kathleen / I Will Be True / Apron Strings / It's Been So Long Darling / I'll Take You Home Again, Kathleen / There's No Tomorrow / The Titles Will Tell.

FTD The Jungle Room Sessions
Esse foi o quarto título do selo FTD. Para muitos fãs continua sendo um dos melhores de toda a coleção. Não lhes tiro a razão. Foi o primeiro a trazer material inédito dos anos 1970, justamente de sua última sessão de gravação, realizada na "sala das selvas" em Graceland. Além da riqueza das gravações em si o registro serviu também para demonstrar que essas sessões não foram realizadas com um Elvis melancólico, depressivo, caindo pelos cantos de tristeza, como foi escrito em várias biografias. Certamente Elvis enfrentava adversidades em sua vida, mas o que ouvimos aqui é um Elvis bem distante do quadro negro que muitas vezes foi pintado. Ele na verdade está brincalhão, contando piadas, rindo e se divertindo ao lado de sua banda. Na verdade Presley não parece levar nada muito à sério. Mesmo assim o resultado artístico dessas gravações surpreende pela excelente qualidade, tanto pelos registros em si como da escolha de repertório, muito bem selecionado e executado. Além de tudo isso o CD ainda traz as sessões limpas, sem os os instrumentos adicionais que o produtor Felton Jarvis adicionou nos discos oficiais que chegaram ao mercado na época. Antes do lançamento se especulou bastante sobre a existência de faixas inéditas, mas no geral o CD só trouxe mesmo "There´s A Fire Below" nesse sentido, e mesmo assim apenas instrumental, pois Elvis não chegou a colocar sua voz nela. Então é isso. Certamente um dos dez mais relevantes títulos da FTD e um item obrigatório na coleção dos fãs de Elvis. 

FTD The Jungle Room Sessions - Bitter They Are, Harder They Fall (alt. takes 2-5) She Thinks I Still Care (alt. take 2A) The Last Farewell (alternate take 2) Solitaire (alt. take 3) I'll Never Fall In Love Again (alt. take 5) Moody Blue (alt. take 3) For The Heart (alt. take 2 & 3) Hurt (alt. take 3) Danny Boy (alt. take 8) Never Again (alt. take take 11) Love Coming Down (alt. take 2 ) Blue Eyes Crying In The Rain (alt. take 2) Graceland Session Oct.29-30,1976 It's Easy For You (alt. take 1) Way Down (alt. take 2) Pledging My Love (un-edited master) He'll Have To Go (rough mix-master) Fire Down Below (instrumental track only) America.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Barco do Amor

Título no Brasil: O Barco do Amor
Título Original: Clambake
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Arthur H. Nadel
Roteiro: Arthur Browne Jr.
Elenco: Elvis Presley, Shelley Fabares, Will Hutchins
  
Sinopse:
Scott Hayward (Elvis Presley) é um jovem rico, filho de um magnata da indústria do Petróleo do Texas, que decide trocar de lugar com o pobretão Tom Wilson (Will Hutchins) durante uma viagem de férias. Ele quer conhecer a garota certa, que não esteja atrás dele apenas por causa de sua fortuna. Assim um assume a identidade do outro. Além disso Scott pretende vencer uma disputa de barcos de velocidade nas praias da região, algo que não será muito fácil, já que agora ele está completamente sem grana. No caminho acaba conhecendo a gentil Dianne Carter (Shelley Fabares) e logo entende que está perdidamente apaixonado por ela. 

Comentários:
Elvis Presley não queria fazer esse filme. Eu não o condeno sobre, ao contrário, me solidarizo. Perceba que Elvis por essa época de sua vida estava estudando filosofias e religiões orientais, procurando entender os mistérios do universo. Agora imagine uma pessoa com essa mentalidade sendo colocada para cantar músicas ruins ao lado de garotas de bikinis salientes sem nenhum talento! Terrível, não é mesmo? Pois é, há uma ruptura entre o homem que Elvis estava se tornando e o artista que ia se afundando cada vez mais em produtos sem qualquer relevância artística. É triste porque Elvis se entupiu de pílulas para emagrecer e remédios contra depressão para encarar as estúpidas filmagens. Assim que chegou em Hollywood o produtor Arthur Gardner o achou gordo demais e o mandou emagrecer rapidamente. Elvis não encontrou outra alternativa e exagerou nos comprimidos para emagrecimento, o que o deixou meio desnorteado, o  levando até mesmo a sofrer uma séria queda no quarto onde estava hospedado. Uma sucessão de erros e fatos infelizes em sua vida. "Clambake" é um filme de verão, de praia, que não se sustenta. Claro que não chega a ser tão ruim e pavoroso como "Harum Scarum", por exemplo, mas tampouco deixará o fã de Elvis feliz. Há uma sucessão de piadas fracas e cenas musicais sem qualquer interesse. De bom mesmo apenas a presença carismática da doce Shelley Fabares. Uma atriz que era uma simpatia em pessoa e que ajuda a tornar mais suportável esse musical romântico de rotina. Por essas e outras que Elvis, em pouco tempo, chegaria na conclusão que teria que ir embora de Hollywood. Dois anos depois ele realmente daria no pé, após cumprir seus últimos contratos com os estúdios. Olhando sob esse ponto de vista até que "Clambake" não é assim um atraso de vida tão completo.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 26 de março de 2015

FTD Burbank '68 / FTD Out In Hollywood

FTD Burbank '68
Esse foi o primeiro CD dessa maravilhosa coleção FTD (Follow That Dream). Se você é fã de Elvis Presley os títulos dessa série são simplesmente essenciais e obrigatórios. Não tem como deixar de lado. Além de trazer shows inéditos a coleção ainda revitalizou os álbuns clássicos e as trilhas sonoras, criando um panorama absolutamente completo sobre a discografia de Elvis Presley. Nesse aqui o foco se desloca para o NBC TV Special realizado em 1968. Como se sabe esse programa de TV acabou salvando a carreira de Elvis, mostrando a ele e ao Coronel Parker que havia chegado a hora de deixar Hollywood para voltar aos palcos novamente. Dito isso, temos também que lembrar que infelizmente essas sessões de gravações não foram tecnicamente bem realizadas pela RCA. Havia uma certa dúvida se as gravações do show do especial seriam lançadas em disco ou não na época - e talvez por essa razão nenhum registro dessas canções são bem realizadas do ponto de vista puramente técnico. Nem o álbum original em vinil (que saiu em mono) conseguiu ter boa qualidade sonora. Mesmo assim, com esses eventuais problemas, ter a oportunidade de ouvir e ver Elvis cantando novamente ali, ao lado do público, não tem preço. Em relação a esse CD o conteúdo se concentra basicamente nos ensaios realizados no dia 25 de junho e no show feito no dia 29. Grande parte desse material era inédito quando chegou nas lojas, causando um grande alvoroço entre os fãs de Presley. Material muito bom e histórico. 

FTD Burbank '68 - Danny Boy / Baby What You Want Me To Do / Love Me / Dialogue with Steve Binder / Lawdy Miss Clawdy / One Night /  Blue Christmas /  Baby What You Want Me To Do /  When My Blue Moon Turns To Gold Again / Blue Moon Of Kentucky / Elvis dialogue (no 2) / Heartbreak Hotel / Hound Dog / All Shook Up / Can't Help Falling In Love / Jailhouse Rock / Don't Be Cruel / Love Me Tender / Blue Suede Shoes /  Trouble/Guitar Man / If I Can Dream (Vocal overdub take 3, June 30) / Let Yourself Go (Instrumental).

FTD Out In Hollywood
Segundo lançamento do selo FTD. Já tive a oportunidade de escrever um longo review sobre esse CD. Como o próprio nome sugere o foco dessa vez é em cima das trilhas sonoras de Elvis dos anos 1960, ou melhor dizendo, dos takes alternativos de sessões de filmes diversos gravados por Presley nesse período de sua vida. Material que ficou pelo chão da sala de edição na composição dos álbuns oficiais e originais. Assim o ouvinte irá desfrutar de canções retiradas de produções como "O Seresteiro de Acapulco", "Garotas, Garotas e Mais Garotas", "Talhado Para Campeão", "Minhas Três Noivas", "Entre a Loira e a Ruiva", etc, etc. Os takes soavam interessantes na época do lançamento porque a maioria deles era inédita na ocasião. Hoje em dia esse título está superado pela simples razão de que o próprio selo FTD iria lançar nos anos seguintes CDs individuais para cada trilha sonora específica. Ora, aqui temos apenas um aperitivo, uma coletânea de takes alternativos de lançamentos avulsos que seriam completados depois com a íntegra das sessões. No geral vale como uma descompromissada audição, caso você não queira ser tão específico com os lançamentos que vieram depois dele.

FTD Out In Hollywood
1: Mexico (take 7) 2: Cross My Heart And Hope To Die (take 6) 3: Wild In The Country (take 11) 4: Adam And Evil (take 16) 5: Lonely Man (take 4) 6: Thanks To The Rolling Sea (take 3) 7: Where Do You Come From (take 13) 8: King Of The Whole Wide World [M7-version] (take 3) 9: Little Egypt (take 21) 10: Wonderful World (take 7) 11: This Is My Heaven (Vocal overdub take 4) 12: Spinout (take 2) 13: All That I Am (take 2)14: We'll Be Together (take 10) 15: Frankie And Johnny (take 1) 16: I Need Somebody To Lean On (take 8) 17: The Meanest Girl In Town (take 9) 18: Night Life (take 3) 19: Puppet On A String (take 7) 20: Hey Little Girl (take 1, 2) 21: Edge Of Reality (take 6) 22: Baby I Don't Care (Vocal overdub take 6).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Elvis Presley - Kicking And Rolling / Elvis At The Forum

Kicking And Rolling 
Dando prosseguimento às resenhas com breves comentários vamos tecer algumas palavras sobre esses dois bootlegs. Esse é o primeiro, um lançamento do selo Straight Arrow intitulado "Kicking And Rolling". O CD traz o midnight show (apresentação da meia-noite) de Elvis realizado em 18 de fevereiro de 1973 na cidade de Las Vegas. Essa temporada de Elvis é particularmente conhecida pela realização de shows bem abaixo da média o que segundo alguns biógrafos se deve exclusivamente ao abuso de remédios por parte do cantor naquela ocasião. Inclusive consta em vários biografias que Elvis quase teve uma overdose fatal após Linda o encontrar suando e enrolado numa toalha na suíte do hotel. Ele obviamente estava tendo um ataque, mas como o cantor tinha virado uma mina de ouro para empresários e promotores de shows tudo foi devidamente varrido para debaixo do tapete. O fato é que Elvis começou a abusar bastante das drogas, o que inevitavelmente se fez notar em alguns de seus concertos. É ouvir para conferir.

Kicking And Rolling - 01. Also Sprach Zarathustra (Theme from "2001 A Space Odyssey") - 02. Opening Vamp / C. C. Rider - 03. I Got A Woman / Amen (medley) / Big Boss Man (one line) - 04. Love Me Tender - 05. You Don't Have To Say You Love Me - 06. Steamroller Blues - 07. You Gave Me A Mountain (with reprise) - 08. Fever - 09. Love Me - 10. Blue Suede Shoes - 11. Johnny B. Goode - 12. Hound Dog (slow & fast) - 13. What Now My Love - 14. Suspicious Minds - 15. Instrumental Intermezzo / Elvis attacked on stage - 16. I Can't Stop Loving You - 17. An American Trilogy - 18. Can't Help Falling In Love - 19. Closing Vamp. Special bonus:20. C. C. Rider - 21. Steamroller Blues - 22. You Gave Me A Mountain - 23. Fever - 24. What Now My Love (with reprise).

Elvis At The Forum
Esse CD traz o show inédito realizado por Elvis no dia 11 de maio de 1974 em Los Angeles (concerto da tarde). Na ocasião a apresentação se transformou em um grande evento que levou milhares de pessoas ao Forum de Inglewood. Belo complemento para quem já tem o outro CD do selo FTD unindo várias apresentações de Elvis nessa mesma cidade intitulado "Live in L.A". Como todos sabem 1974 foi um dos anos mais loucos da vida de Elvis. Não se sabe exatamente a razão, mas ele parecia bem fora de si em vários momentos. Algumas biografias afirmam que nesse ano ele teria começado uma má sucedida investida no uso de cocaína líquida, que em fusão com outras drogas que tomava regularmente o teria deixado completamente alucinado, dentro e fora dos palcos. Bad Trip. Vários shows mostram um Elvis ligadaço, mas esse aqui curiosamente é considerado uma de suas apresentações mais convencionais e tranquilas. No repertório Presley resolveu apostar no estilo "feijão com arroz". As únicas boas novidades vem das versões de "Big Boss Man" e "Help Me" (uma bela canção que infelizmente sempre foi bastante subestimada pelos fãs e pelo próprio Elvis Presley).

Elvis At The Forum - Also Sprach Zarathustra - See See rider - I Got A Woman/Amen - Love Me - Trying To Get To You - All Shook Up - Teddy Bear/ Don't Be Cruel - Love Me Tender - You Can Have Her - Steamroller Blues - Hound Dog – Fever - Polk Salad Annie - Why Me, Lord? - Suspicious Minds - Introductions - I can't Stop Loving You - Help Me - An American Trilogy - Let Me Be There (reprise) - Funny How Time Slips Away - Big Boss Man - Can't Help Falling In Love - Closing Vamp – Announcer: Elvis has left the Building

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 24 de março de 2015

Elvis e as fronteiras do desconhecido

Elvis e as fronteiras do desconhecido
Larry Geller era um judeu nova-iorquino, um dos primeiros espécimes de uma raça que logo seria comum na Costa Oeste e nos resto do mundo - o hippie espiritualista dedicado à alimentação natural. Às vezes Elvis brincava se referindo a ele como "o meu guru". Mas Larry Geller absolutamente não fez a cabeça de Elvis Presley, embora cortasse seu cabelo toda semana. Geller apenas acendeu o pavio. Quase todos os dias, Elvis e Larry engajavam-se em prolongadas discussões sobre os livros de ocultismo que Larry lhe indicava e Elvis estudava com afinco. E o ocultismo ocupou seu lugar na vida do Rei. Não demorou nada para que ele se colocasse na posição de "grande mestre" e líder espiritual, e sua idéia de origem divina começou a se firmar como um dos princípios de sua vida. Elvis passou a pregar a todos que lhe rodeavam, jogando sobre eles tudo o que havia lido nos livros. Elvis estudava teologia, filosofia oriental, numerologia, Madame Blavatsky, objetos voadores não identificados, espiritismo, reencarnação, vida após a morte, telepatia, etc. Chegou inclusive a fazer muitas tentativas para se comunicar telepaticamente, mas invariavelmente acabava usando o telefone. Elvis estava particularmente curioso sobre os mistérios da morte e assegurou aos caras que, se morresse, iria encontrar um jeito de se comunicar do além. Como se não bastasse, Elvis passou a freqüentar uma academia espiritualista em Pasadena (Califórnia), fundada em 1952 por Paramahansa Yogananda, o autor de "Autobigrafia de um Yogue".

Esse "Shangrilá" ficava no topo de uma montanha, onde havia um hotel, e pelos gramados mulheres caminhavam vestidas com sáris coloridos. Existia também um jardim para meditação, que Elvis imediatamente duplicou em Graceland. No sopé da montanha havia uma cidadezinha totalmente cercada, onde ficavam os alojamentos dos irmãos e irmãs que viviam em celibato, em perpétua meditação. Quando soube que essa área lhe era proibida, Elvis não resistiu ao impulso de se declarar um celibatário e conhecer o misterioso lugar. Nessa montanha ele conheceu uma moça que se dizia chamar Daya Mata e que era uma das discípulas de Paramahansa. No primeiro encontro que teve com ela Elvis pediu que lhe ensinasse os segredos da Kriya Yoga, o último degrau da escala de auto realização. Daya Mata lhe aconselhou humildade, paciência e perseverança. Em troca Elvis ofereceu dinheiro, que ela aceitou agradecida em nome da fundação espiritualista. Mas nem toda a espiritualidade foi capaz de fazer com que Elvis controlasse seu terrível temperamento. Até mesmo quando acabava de sair de uma sessão com Daya Mata, Elvis era capaz de atos de irracional violência. Uma vez ele estava voltando para casa e passou por um posto de gasolina na encosta da montanha, onde dois empregados estavam boxeando de brincadeira. Elvis ordenou que sua limusine entrasse no posto e, abrindo sua janela, fez um discurso para os brigões, dizendo a eles que deviam abraçar o amor e não a hostilidade. Assim que o carro arrancou, um dos sujeitos lhe fez o clássico sinal de "vá se f*", isto é, o dedo médio erguido com a mão fechada. Instantaneamente o carro brecou, Elvis desceu, aproximou-se do primeiro empregado e lhe aplicou um golpe de Karatê que o jogou longe. Em seguida sacou seu revólver 38 do coldre sob o braço e estava pronto para atirar no segundo sujeito, quando Hamburguer James chegou correndo e gritando: "Me dá essa arma!". Automaticamente, Elvis virou-se e entregou o revólver ao seu valete real. Num segundo, todos estavam de volta ao carro, que saiu em disparada. (L. Gomes)

(Elvis e a Estrada da busca interior) - O cinema, principalmente o cinema B, no qual os filmes de Elvis se encaixavam, não representava, absolutamente, mais nada na vida do Rei. Com certeza, o Rei já devia estar, deveras arrependido, em ter tentado um dia ser um astro de Hollywood. As ambições e o foco de vida de Elvis, ao meu ver, tinham escolhido uma espécie de desvio na estrada lógica do sucesso: A estrada da busca interior e do esoterismo (é com "s" mesmo , pois o exoterismo com "x" representa a busca exterior), tinham seduzido, definitivamente, o Rei do Rock. E sobre essa busca, eu entendo muito bem, pois aconteceu comigo também. O livro "A Autobiografia de um Iogue", que é também o meu livro de cabeceira há mais de 20 anos, foi escrito pelo mestre indiano Paramahansa Yogananda. Nascido na Índia em 5 de janeiro de 1893, o mestre Yogananda devotou sua vida a ajudar pessoas de todas as raças e credos a compreender e manifestar mais plenamente, em suas vidas, a beleza, a nobreza, e a verdadeira divindade do espírito humano. Em 1915 fez votos solenes como monge da "Venerável Ordem Indiana dos Swamis". Em 1920, foi convidado a participar de um Congresso Internacional de Religiosos Liberais, como representante da India, realizado em Boston, Massachussets. Seu histórico discurso versando sobre o tema "A Ciência da Religião", simplesmente encantou e magnetizou todos que estavam presentes. O restante do congresso girou todo em torno de Swami. Em 1925, funda a "Self-Realization Fellowship", para difundir para o mundo inteiro, seus ensinamenntos de Ioga, a antiga ciência e filosofia da Índia. Nesse mesmo ano, estabelece a sede central de sua organização em Los Angeles, como forma de difundir a sua escola, no principal país do ocidente. Em 1946, Yogananda publica a "Auto-Biografia de um Iogue", tendo sido ampliada por ele em 1951. Esse livro foi saudado como um marco da literatura espiritual, desde sua primeira edição, permanece um dos livros mais respeitados e mais lidos acerca da Ioga e do pensamento oriental. (Telmo Jr.)

sábado, 21 de março de 2015

Elvis e a Era de Aquarius

Coronel Tom Parker, Elvis Presley e Larry Geller
Nos anos 60 durante as filmagens de mais um novo filme do Rei do Rock, o cabeleleiro do estúdio não pôde comparecer para cuidar do cabelo do Elvis. Foi então que um substituto foi enviado. Seu nome era Larry Geller, hippie, nova iorquino e judeu, uma combinação bem estranha sem dúvida, mas que era o típico espiritualista em moda naquela época. Uma pessoa versada em quase todas as religiões conhecidas, desde budismo, hinduismo, xintoismo e outras várias, que só ingeria comida natural e praticava yoga e outros tipos de vertentes das religiões orientais. Ao cuidar do cabelo de Elvis, Larry percebeu que enquanto ele estava sentado na cadeira esperando o serviço ficar pronto, ficava lendo o livro "Autobiografia de um Yogue". Logo Larry puxou papo com Elvis e lhe disse que gostava muito do assunto, de religiões esotéricas, da nova era de aquário, da busca espiritual, telepatia, de ocultismo, etc. No começo Elvis pensou que ele seria apenas mais um bajulador como tantos outros que ele encontrava pelos estúdios, mas quando Larry começou a expor seus conhecimentos, Elvis ficou completamente impressionado! Começou a surgir daí uma amizade muito especial para Elvis, pois finalmente ele havia encontrado alguém com quem discutir esses assuntos de que tanto admirava e estudava. Larry mostrou a Elvis que havia muitos outros grandes mestres além de Jesus Cristo e começou a trazer a Elvis livros sobre Buda, Confuncio, Maomé, etc. E Elvis absorveu toda a literatura disponível, sempre seguindo os conselhos de Larry nesse campo.

Elvis perguntou a Larry porque tinha sido tão abençoado por Deus em sua vida, e porque mesmo tendo tudo não conseguia atingir a felicidade! Ele queria entender seu propósito nessa vida, qual era o plano de Deus para ele, qual seria a sua missão! E desabafou que se sentia frustrado pois até sua tão gloriosa carreira de outrora agora perdia o brilho e tudo estava resumido em se fazer 3 filmes por ano com trilhas sonoras estúpidas. Ele disse a Larry que mesmo rodeado de muitas pessoas, se sentia na verdade extremamente solitário em sua vida. Larry acabou virando uma espécie de analista na vida de Elvis, um ombro amigo em que ele podia desabafar sempre que quisesse. E Elvis, para a ciumeira geral de seu grupo, começou a chamar Larry de "meu Guru" e "meu Mestre". A primeira conseqüência disso foi o gradual afastamento de Elvis das amizades anteriores, como os caras da Máfia de Memphis. Elvis sempre estava ao lado de Larry discutindo os grandes temas universais e como os demais membros da máfia não entendiam do assunto e nem tinham cultura para tanto, acabaram ficando de lado na vida de Elvis. Com Priscilla também não foi diferente. Elvis incentivou ela a também estudar todos esses assuntos, mas isso não a interessava. E assim Priscilla também começou a sentir ciúmes de Elvis, pois mesmo quando ele estava em casa, ficava distante e ausente, lendo e devorando o material recomendado por Larry. Nesse ponto a religião se tornara o ponto focal de sua vida - para Elvis nada mais tinha importância, nem seus amigos, nem seus filmes e discos e muito menos sua namorada Priscilla.

O Coronel Tom Parker começou a ficar preocupado de verdade. Chegou a perguntar a Joe Esposito: "Joe, o que está acontecendo com o menino? Parece distante e desinteressado!". Joe Esposito prometeu ao Coronel que iria ficar de longe, observando essa amizade de Elvis e Larry. Então na manhã em que Elvis iria começar as filmagens de seu novo filme, chamado Clambake (O Barco do Amor, no Brasil), ele acordou meio sonolento e não viu o fio da TV no chão. Ao caminhar para o banheiro Elvis tropeçou no fio e caiu de forma violenta, batendo a cabeça fortemente. Ao recobrar a consciência Elvis percebeu que se machucara pra valer na cabeça. "Mas que merda! Quem colocou esse fio aqui!?". Priscilla, assustada, chamou Joe Esposito imediatamente ao quarto. Em poucos minutos o recinto estava cheio de gente: médicos, produtores, Larry, os caras da máfia de Memphis e o Coronel. O doutor declarou que Elvis tinha uma forte concussão na cabeça e que deveria ficar em repouso nas semanas seguintes, pois seria necessário a realização de mais exames, para se certificar de que nada mais grave tivesse lhe ocorrido. O começo das filmagens estava adiado por tempo indeterminado. O Coronel ficou furioso com o acontecimento. Para ele tudo era culpa dos livros espiritualistas. Elvis estava com a cabeça nas nuvens, não se importava com mais nada e nem com ninguém. Tinha se tornado uma pessoa distante e desligada do mundo. Foi então que ele resolveu reunir Elvis, Larry e todos os caras da máfia de Memphis.

Para o Coronel o momento era de colocar as coisas em ordem novamente. Tom Parker não deixou por menos: "Elvis, Larry está mexendo com a sua cabeça, eu tenho certeza que ele está tentando fazer uma lavagem cerebral em você! Eu posso garantir isso! Você deve se afastar dele e dessa literatura barata. Não deve mais perder tempo com essas coisas. Você tem uma carreira para cuidar! Deve se concentrar em atuar e cantar bem e nada mais. Você não é pago para salvar o mundo, mas sim para entreter as pessoas! Deve honrar seus compromissos e cumprir seus contratos, nada mais. Você é um artista e não um guru! Você deveria queimar todos esses livros de uma vez! E vocês - disse apontando o dedo para os caras da máfia de Memphis - devem deixar Elvis em paz, ele é um artista e não um ombro amigo para trazer problemas. Cuidar de uma pessoa já é difícil, imagine onze! Isso faz qualquer homem vergar, meu Deus! Isso acaba agora, me entenderam?! Vocês devem deixar Elvis em paz, qualquer problema de agora em diante deve ser levado ao conhecimento de Joe Esposito!" - Esse último recado foi dirigido face a face a todos os membros da máfia de Memphis e a Larry Geller em especial. Foi uma bronca daquelas, com o Coronel gritando com todos a plenos pulmões!

Elvis ouviu tudo calado, com a cabeça abaixada e não contestou as incisivas palavras do Coronel e nem saiu em defesa de Larry. Em um ponto Priscilla e toda a turma da máfia de Memphis concordavam com a visão do Coronel Tom Parker: todos queriam que Elvis mandasse Larry embora de Graceland e tocasse fogo em seus livros espiritualistas. A pressão foi tamanha que numa noite Elvis, ao lado de Priscilla, resolveu fazer uma grande fogueira nos fundos de Graceland para queimar toda a sua coleção de livros. Elvis apenas ficou lá, abalado e não muito certo de sua decisão, olhando todos os seus queridos livros virarem cinzas. Chegou a murmurar: "Não se deve queimar livros!". Ele sentiu muito, mas achou que aquele era o momento certo para fazer aquilo. Pelo menos por enquanto tudo estava resolvido, enfim. Porém, conforme o tempo foi passando, Elvis foi, aos poucos, voltando aos temas espirituais. Esse assunto sempre lhe fascinara e apesar de tudo ainda lhe despertava muita atenção. De fato isso não seria o fim da amizade entre Larry e Elvis, pois esse ainda iria voltar na vida do Rei nos anos 70. Tanto que nos anos seguintes Elvis voltaria a comprar quase todos os livros que ele havia jogado na fogueira naquela noite. Definitivamente Elvis tinha sido fisgado de uma vez por todas pela chamada "Era de Aquarius".

Pablo Aluísio

terça-feira, 17 de março de 2015

Elvis Presley - Clambake

 
 
Segue abaixo o trailer original do filme "Clambake". Na foto acima Elvis e sua partner dão uma forcinha na promoção do filme.
 

Trailer do filme "Clambake" (O Barco do Amor)
Abaixo cenas do filme.






 

sábado, 14 de março de 2015

Clambake

Escrever sobre Clambake nem sempre é algo prazeroso. O filme hoje é símbolo de uma das fases mais problemáticas e menos inspiradas da carreira de Elvis Presley. Era a exaustão de uma fórmula que já tinha esgotado completamente a carreira do Rei do Rock. Em 1967 Elvis estava inteiramente absorvido nos estudos de filosofias orientais esotéricas, espiritualistas, tinha seus interesses pessoais em primeiro plano e estava se dedicando a melhorar sua vida interior. Para isso ele ficava horas e horas devorando livros e livros sobre o tema. Ficava dias e dias ao lado de seu guru pessoal tentando decifrar os grandes mistérios do universo em conversas sem fim e altamente enigmáticas. Fora disso não havia mais nada que despertasse seu interesse, sua atenção. Elvis vivia em um eterno torpor messiânico e religioso, indiferente a tudo e a todos. Na sua visão pessoal não havia nada mais importante do que crescer como um ser espiritual elevado. Nem seus amigos e sua namorada Priscilla escaparam de sua indiferença.

Tudo muito interessante e curioso, mas que tinha um outro lado altamente nocivo. A despeito de todo essa busca espiritual Elvis simplesmente negligenciou sua carreira musical, seu talento único foi colocado de lado e esquecido. Sua vida girava em torno de muitos questionamentos, nenhum deles musical. Infelizmente nada disso a que tanto se dedicava de corpo e alma tinha a ver com música! Elvis parecia estar indiferente a tudo que não se referisse a assuntos espiritualistas. Absorvido completamente numa nova mania e paixão, deslumbrado pela filosofia da nova era, Elvis não se interessava mais pelo seu talento musical e artístico, pela sua carreira, pela qualidade decrescente de seus últimos discos, pelas críticas constantes sobre seus filmes mais recentes e suas trilhas sonoras consideradas estúpidas, pela debandada de fãs decepcionados com os rumos de sua carreira.

O grande inovador e revolucionário estava totalmente estagnado. Teria o grande astro de outrora sido apenas um mero modismo? Será que todos os que o criticaram no começo de sua carreira estavam certos e Elvis iria sumir do mapa tão rapidamente como apareceu? A estrela se apagara para sempre? O Coronel estava preocupado. Será que tudo o que ele tinha nas mãos era uma lenda viva ultrapassada? Elvis estava acabado de uma vez? Era esse o quadro vivido pelas organizações Presley em 1967. Elvis não era mais considerado relevante do ponto de vista artístico, seus discos desabavam nas paradas e o pior, ele nem era mais ouvido pelos jovens, pois eles estavam muito mais interessados nos novos sons que vinham do outro lado do Atlântico, da chamada invasão britânica. O pior já começava a acontecer em 1967. Se antes todos criticavam Elvis e suas escolhas no cinema, agora ele começava a ser ignorado pelas revistas especializadas. Criticar mais uma vez Elvis por seu último filme? Até os jornalistas pareciam cansados disso.

Certamente um filme tão sem consistência como Clambake não iria reverter um quadro tão medonho. Era apenas o agravamento de uma situação que já se revelava extremamente desesperadora para os fãs mais fieis, aqueles que ainda acreditavam em uma reviravolta na vida artística do ídolo. Mas como sempre gosto de afirmar, tudo na vida possui o seu valor e Clambake também tem sua importância na carreira de Elvis. Clambake é o fundo do poço, o ponto do qual Elvis não ultrapassaria, onde não desceria mais, depois dele e de outros filmes que viriam, grandes fracassos de bilheteria, ficou claro até mesmo para Elvis que ele tinha que mudar, pois caso contrário seria simplesmente o fim de sua carreira. O cantor mesmo sabia que sua carreira no cinema estava em um impasse e que o velho sonho de se tornar ator em Hollywood não vingara. Depois de tudo isso o cenário estaria pronto para seu renascimento em 1968 no Comeback Special. Mas antes da glória, que só iria acontecer no ano que viria, vamos agora analisar, faixa a faixa, as canções que fizeram parte da trilha sonora de Clambake (O Barco do Amor, no Brasil) Obs: Não incluídas as Bonus Songs.

Clambake (Weisman / Wayne) - Essa canção quebra, de certa forma, uma tradição em trilhas sonoras de Elvis nos anos 1960. Mesmo nos mais mortificantes filmes, as canções títulos costumavam manter um certo nível de qualidade perante o material restante apresentado. Mas “Clambake” é nitidamente abaixo da média, um tanto quanto mal executada, com Elvis até mesmo displicente nos vocais (coisa rara de se ouvir!). O resultado final se mostra confuso, pouco inspirado. Porém temos que reconhecer que mesmo que Elvis se esforçasse, acho que a própria composição não o ajudaria, tendo um refrão muito deslocado em termos de estrutura rítmica. Alguns casos são realmente perdidos. Talvez a pior canção tema dos filmes de Elvis (lado a lado com Paradise, Hawaiian Style e Charro).

Who Needs Money? (Randy Starr) - Uma das maiores ironias da trilha sonora, pois o que mais Elvis precisava nessa época era de Money! Quem precisa de dinheiro? Ora Elvis, você mesmo! Quebrado financeiramente pelos altos custos do rancho Circle G, Elvis foi obrigado a aceitar o que estava à disposição. Ao se deparar com as enormes contas e custas chegando do último capricho de Elvis, seu pai, Vernon, ligou imediatamente ao Coronel Tom Parker para que ele arranjasse logo um trabalho para Elvis em Hollywood, caso contrário ele levaria suas próprias finanças à falência. Parker sondou os estúdios e um roteiro foi escrito às pressas para Elvis. Quando o Rei do Rock leu o conteúdo do que lhe estava sendo oferecido desabafou com Priscilla afirmando que tinha odiado tudo e que Clambake seria mais um filme nojento, ruim, cheio de “biquínis e músicas estúpidas”. Para quem estava totalmente absorvido em assuntos esotéricos como Elvis na época, deve ter sido horrível lidar com toda a superficialidade do material do filme. Mas, devendo até a alma aos bancos, o astro teve que esquecer suas próprias convicções pessoais e encarar as filmagens (Ele inclusive já tinha até mesmo colocado Graceland como garantia de alguns empréstimos pessoais feitos nesse período!). Dueto com o ator Will Hutchins, o que definitivamente não quer dizer grande coisa, pois ele até tinha uma bonita voz, mas não sabia cantar, o que convenhamos, fica constrangedor numa trilha sonora.

A House That Everything (Tepper / Bennet)- Boa balada, que se não se sobressai dentro da carreira de Elvis, pelo menos tem uma certa dignidade, sendo agradável no final das contas. Particularmente gosto de muitas canções escritas por essa dupla de compositores. Claro que algumas tolices foram escritas por eles, mas o foram em número reduzido. “A House That Everything” é a primeira canção da trilha que desperta nossa atenção. Aqui Elvis utiliza uma vocalização bem típica da primeira metade dos anos 60, calma, suave e relaxante. Praticamente todas suas baladas pré 64 apresentam essa característica (vide a linda “There’s Always Me” do disco “Something For Everybody” de 1961, símbolo do estilo que estou citando). Como faz parte dessa trilha sonora, uma das menos conhecidas da carreira de Elvis, foi totalmente esquecida e ofuscada. Merece uma segunda audição.

Confidence (Tepper / Bennet) - Nem com muita boa vontade se consegue gostar dessa música. É uma das piores coisas já cantadas por Elvis Presley em toda a sua carreira. Boba e maçante ao extremo, mais parece uma música de desenho animado infantil dos anos 40. Elvis, como sempre, cumpre o martírio e tenta se mostrar profissional até o final da canção, mas vamos ser sinceros, esse é um dos pontos mais baixos da carreira do cantor. Merecidamente esquecida por todos ao longo dos anos. Sem querer ser sarcástico, ela me lembra muito certas músicas do famoso palhaço televisivo Bozo. Como Elvis não era o Bozo, devia ter passado sem essa. Não disse que Tepper e Bennet também fizeram sua cota de tolices? Pois é...

Hey, Hey, Hey (Joy Byres) - Aqui Byers (na verdade um pseudônimo) me decepcionou. Para quem escreveu C’Moon Everybody fica um gostinho de decepção no ar quando a faixa começa a entrar em nossos ouvidos. Assumidamente descartável a música em nenhum momento se impõe ou chega a nos empolgar. Outra canção sem letra, sem ritmo, sem desenvolvimento rítmico. Se não bastasse ainda conta com uma péssima vocalização de apoio, diga-se de passagem. A cena do filme também é outra bobagem, com Elvis levando todas aquelas garotas anônimas para passar um tipo de "cola especial" em seu barco de corrida. Hey, esqueçam essa também...

You Don’t Know Me (Arnold / Walker) - Agora sim. Depois dos inúmeros enlatados surge finalmente uma canção com alma e coração. Elvis deve ter respirado aliviado ao se deparar com ela no estúdio de gravação. Finalmente uma melodia para se dedicar, que valia a pena. Gravada duas vezes por ele, em momentos distintos de sua carreira, já que acabou não gostando dessa versão da trilha sonora. Lançada também como single nesse mesmo ano, não teve maior repercussão, pois foi lado B de Big Boss Man. Ë uma canção injustiçada que merecia melhor sorte. Talvez tenha sido negligenciada pela simples razão de ser uma regravação de um grande sucesso de Eddy Arnold. A versão de Elvis não foi a primeira a surgir e por essa razão não foi acreditada como um provável sucesso pelos produtores do cantor na época. Uma decisão equivocada, sem sombra de dúvida, pois ela tinha potencial. Poderia ter caído facilmente no gosto do público. A música já era bem conhecida, um clássico cantado pelo antes outrora famoso cantor Arnold, que apesar de aparecer como compositor não a escreveu realmente. Uma coisa parecida com o que aconteceu com várias canções do próprio Elvis nos anos 50, onde ele aparecia como um dos co-autores, sem ter participado das criações das músicas. Infelizmente não foi divulgada e acabou totalmente desperdiçada, uma pena.

The Girl I Never Loved (Randy Starr) - Outra canção que, pegando o embalo de You Don’t Know Me, traz melodia e vocalização acima da média do restante da trilha sonora. Bem arranjado e produzida, a canção é um dos pontos altos do disco. O grupo vocal está muito bem posicionado e o arranjo é extremamente feliz, lembrando inclusive algumas músicas dos filmes havaianos de Elvis. Aliás é bom salientar que o arranjo é praticamente idêntico ao da canção A House That Everything, essa também um bom momento do disco. Outra pérola perdida no meio do oceano de canções sem expressão que assolavam a carreira de Elvis na segunda metade dos anos 60. Outra que merece ser redescoberta.

How Can You Lose What You Never Had (Weisman / Wayne) - Encerrando a trilha Elvis apresenta esse dublê de blues, que se não é uma maravilha, pelo menos nos proporciona uma oportunidade de ouvir Elvis se reencontrando com esse estilo musical que é um dos mais importantes dos Estados Unidos. É bom deixar claro que não estamos nos referindo a um clássico, a uma obra prima genial, nada disso, mas sim a uma canção que serve de alivio numa trilha sonora bem abaixo da média dos demais trabalhos de Elvis pós 65 no cinema (que por si só já não eram grande coisa!). É um aperitivo do que Elvis iria fazer com material de qualidade no ano que viria. Um trailer de muitos de seus compactos relevantes que iriam em breve surgir nas lojas dos EUA. Uma leve brisa de renascimento na obra de Elvis Presley.

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Charlie McCoy (harmonica) / Bob Moore (baixo) / Buddy Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Hoyt Hawkins (piano) Pete Drake (Steel Guitar) / Norm Ray (sax) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais) / Millie Kirkham (vocal) / Gravado no RCA Studio B, Nashville, TN / Data da gravação: 21 a 23 de fevereiro de 1967 / Direção Musical: Jeff Alexander / Produzido por Felton Jarvis / Engenheiro de Som: Jim Malloy. / Lançado em Outubro de 1967 / Melhor posição nas charts: # 40 (EUA) e # 39 (UK).

Escrito por Pablo Aluísio - Março de 2006.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Elvis Presley Bootlegs

Echoes of Aloha - Depois do "Aloha From Hawaii" o que sobrara para Elvis? Era de se esperar que ele, após realizar o maior show de sua carreira, levantasse vôos ainda mais altos, quem sabe realizando sua tão aguardada turnê mundial! Infelizmente não era bem isso que o Coronel Parker planejava. Assim Elvis voltou para uma sonolenta temporada em Las Vegas. Com problema de saúde e entediado no palco, já que Vegas não mais lhe representava desafios, o cantor tentou ser o mais profissional possível. "Echoes of Aloha" traz as apresentações do dinner show nos dias 10 e 13 de fevereiro de 1973, justamente a temporada de ressaca do Aloha. O som da apresentação do dia 13 é bem ruim, mas as gravações do dia 10 são surpreendentemente boas. A lamentar apenas o claro cansaço físico e mental do cantor nesses concertos. Mesmo assim, com altos e baixos em termos de qualidade, é um bom item para se ter em sua coleção. O lançamento é do selo Audionics.

Echoes of Aloha - 1. Also Sprach Zarathustra 2. See See Rider 3. I Got A Woman/Amen 4. Love Me Tender 5. You Don't Have To Say You Love Me 6. Steamroller Blues 7. You Gave Me A Mountain 8. Fever 9. Love Me 10. Blue Suede Shoes 11. Heartbreak Hotel 12. Johnny B. Goode 13. Hound Dog 14. What Now My Love 15. Suspicious Minds 16. Band introductions 17. Celebrity introductions 18. I Can't Stop Loving You 19. American Trilogy 20. Can't Help Falling In Love 21. Closing Vamp / Announcements Bonus (Feb. 10 DS) [Soundboard]: 22. You Gave Me A Mountain (incomplete) 23. Love Me 24. Blue Suede Shoes 25. I Can't Stop Loving You 26. American Trilogy 27. Can't Help Falling In Love 28. Closing Vamp.

Things Get Loose in Tuscaloosa - Mais um lançamento do selo Audionics. Aqui pelo menos temos uma gravação de palco de melhor qualidade. Se trata de um soundboard do concerto realizado na tarde de 3 de junho de 1975 nessa pequena cidade do Alabama chamada Tuscaloosa. Esse é um reflexo dos rumos que a carreira de Elvis tomou nos anos 1970. O Coronel Parker literalmente lotou a agenda do cantor, muitas vezes com shows realizados pela tarde e à noite em cidadezinhas sem muita expressão. Ao invés de Parker levar Elvis para os maiores palcos do mundo em Londres, Paris e Madrid (cidades que ofereciam pequenas fortunas a Elvis na época por um concerto), o velho empresário preferia mandar o astro para pequenas localidades do sul dos Estados Unidos. Deixando um pouco de lado esse aspecto mais empresarial o que temos aqui é uma boa apresentação de Elvis, mesmo que incompleta, onde ele tenta criar uma cumplicidade maior com seu público. Certamente vale como curiosidade histórica.

Things Get Loose in Tuscaloosa - ...Amen / I Got A Woman / Love Me / If You Love Me / Love Me Tender / All Shook Up / Teddy Bear - Don't Be Cruel / Hound Dog / The Wonder Of You / Burning Love / Introductions / Johnny B. Goode / School Days / Bridge Over Troubled Water / T-R-O-U-B-L-E / Hawaiian Wedding Song / Let Me Be There / American Trilogy / Funny How Time Slips Away / Little Darlin' / Mystery Train - Tiger Man / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp.

Houston, We Have a Problem... - Terceiro lançamento da Audionics, o título do CD faz um trocadilho engraçadinho com a famosa frase dita pela tripulação da nave Apolo XIII. Esse é o show de Elvis realizado em Houston na data de 28 de agosto de 1976. Elvis pesadão luta para realizar uma boa apresentação. A boa notícia é que ele conseguiu. No começo o ouvinte fica com receios que Elvis fará mais um daqueles concertos preguiçosos e cheios de problemas, típicos do trabalho que ele vinha desenvolvendo ao vivo no ano do bicentenário dos Estados Unidos. Felizmente ele consegue se superar e lá pela quarta música Elvis parece se empolgar com o show. A qualidade sonora é boa, um soundboard bem gravado. Pena que o show em si esteja também incompleto. Outro problema é a já conhecida manha de Elvis em promover longas apresentações de seus músicos, o que lhe dava a chance de sentar para descansar e se poupar, tendo em vista seus problemas de saúde. O repertório é o costumeiro, sem maiores novidades. Os únicos destaques dignos de nota vem das performances de "America" (em homenagem ao seu país) e "Hurt" (onde Elvis tentava mostrar que ainda tinha muito poderio vocal).

Houston, We Have a Problem... - See See Rider (incomplete) I Got A Woman - Amen / Love Me / If You Love Me / You Gave Me A Mountain / All Shook Up / Teddy Bear - Don't Be Cruel / And I Love You So /  Jailhouse Rock / Fever / America / Polk Salad Annie - Introductions / Early Mornin' Rain / What'd I Say / Johnny B. Goode / Drum solo / Bass solo / Bass solo (#2) / Piano solo / Keyboard solo / School Days / Hurt / Funny How Time Slips Away / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 8 de março de 2015

FTD Love Me Tender

Verdade seja dita: não havia mesmo muito material para compor esse novo título do selo FTD. Pense bem. O filme "Love Me Tender" contou apenas com quatro músicas: "Love Me Tender", "Let Me", "Poor Boy" e "We're Gonna Move". Elas foram compostas meio às pressas depois que o estúdio resolveu colocar Elvis para cantar nesse western que havia sido escrito inicialmente sem qualquer tipo de número musical. Assim o produtor Ernst Jorgensen tinha a complicada tarefa de compor um CD duplo com esse escasso material disponível. Para tanto ele acabou fazendo o que era previsível: encher linguiça. Analise bem o material que está aqui. Ernst precisou recorrer a gravações que nada tinham a ver com o filme para completar o lançamento. Assim ele, sem critério algum diga-se de passagem, enfiou no CD 2 as canções "Heartbreak Hotel", "Long Tall Sally", "I Was The One", "I Want You, I Need You, I love You", "I Got A Woman", "Don't Be Cruel", "Ready Teddy", "Hound Dog", "Don't Be Cruel", "Blue Suede Shoes" e "Baby Let's Play House". O que essas faixas tem a ver com "Love Me Tender", o filme? Nada! Claro que muitos vão dizer que a inclusão dessas canções gravadas em Tupelo em setembro de 1956 são importantes do ponto de vista histórico e que o concerto foi realizado no calor do lançamento do filme, mas nem isso justifica a inclusão delas em um título dedicado à trilha sonora do filme "Ama-me Com Ternura". Que tivessem sido lançadas em um CD próprio, com temática própria, e não pegando carona em "Love Me Tender" como foi feito por aqui.

Por essa razão é desnecessária a feitura de um CD duplo. Um lançamento simples e mais bem organizado seria muito mais bem-vindo. Além disso seria mais comercialmente viável, com preço mais justo. A FTD aqui quis realmente vender gato por lepre, inventando um CD duplo, sem material para tanto, com o único objetivo de vender um produto mais caro para o colecionador. Bola fora de Ernst Jorgensen. Para não dizer que o CD 2 é um desperdício completo podemos pelo menos elogiar as entrevistas presentes lá com o próprio Elvis, seus pais (Vernon e Gladys) e curiosamente um bate papo rápido realizado com o ator Nick Adams, figura muito presente na vida de Elvis na época, uma aproximação tão constante que chegou ao ponto de criar boatos de que o cantor tinha uma "amizade colorida" com o colega ator de Hollywood. Foi um dos poucos boatos envolvendo homossexualidade e Elvis que teve alguma repercussão a longo prazo. Bobagens à parte não deixe de ser curioso ouvir sua voz ecoando aqui novamente, dando sua opinião sobre Elvis e o seu futuro no cinema (algo que os anos iriam revelar ter sido mesmo uma má ideia por parte do astro e seu empresário Tom Parker). Por falar nele, só faltou mesmo o Coronel dando entrevistas, mas claro que isso ele não faria de graça para ninguém.

FTD Love Me Tender
CD-1 - Masters and outtakes: Love Me Tender / Let Me / Poor Boy / We're Gonna Move / Love Me Tender (end-title) / The Truth About Me / We're Gonna Move (take 4) / We're Gonna Move (take 9)  / Poor Boy (take 3) / Poor Boy [remake S20] (take 1*) / Poor Boy [S31] (VO 6) / Let Me (VO #3*) / Let Me (VO #4*) / Love Me Tender (stereo) / Let Me (stereo) / Poor Boy (stereo) / We're Gonna Move (stereo) / The Truth About Me Interview. / CD-2: Tupelo, Sept 26 1956 / Heartbreak Hotel / Long Tall Sally / Indroductions / I Was The One / I Want You, I Need You, I love You / Elvis talks / I Got A Woman / Don't Be Cruel / Ready Teddy / Love Me Tender / Hound Dog / Interview -Vernon and Gladys Prelsey / Interview -  Nick Adams / Interview - Judy Hopper / Interview - Elvis / Love Me Tender / I Was The One / I Got A Woman / Announcement / Don't Be Cruel / Blue Suede Shoes / Announcement / Baby Let's Play House / Hound Dog.  / * Faixas inéditas.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Clambake - Parte 1

Clambake (1967) - No começo de janeiro de 1967 o Coronel Parker recebeu um telefonema desesperado. Era Vernon. Ela ligou ao empresário de Elvis com um pedido: que ele arranjasse logo um novo filme para Elvis estrelar porque ele vinha numa orgia de gastanças que estava destruindo todas as suas economias. Vernon era um notório pão duro e ficou horrorizado ao receber as últimas contas de seu filho. Elvis, que sempre foi um conhecido mão-aberta andava exagerando realmente. Ele tinha um novo hobby, um rancho nos arredores de Memphis e estava gastando furiosamente em cavalos, materiais, automóveis e acessórios em geral para o lugar. Era algo sem freios. Para se ter uma ideia Elvis colocou na cabeça que cada membro da Máfia de Memphis teria que ter tudo o que ele tinha naquela rancho. Assim se Elvis tinha um cavalo, todos deveriam ter também seus próprios cavalos. Se Elvis tinha um trailer equipado, todos também deveriam ter um veículo como aquele. Se Elvis tinha um traje completo de cowboy, próprio para o lugar, todos também deveriam estar devidamente equipados. Tudo, claro, pago pelo próprio bolso de Elvis.

O problema é que a carreira de Elvis derrapava. Seus discos já não vendiam bem, as bilheterias de seus filmes decaíam a cada ano e ele não mais realizava shows ao vivo. Não havia mais tanta grana como antes. Elvis porém se indignava quando Priscilla ou Vernon reclamava de seu estilo de vida perdulário. Elvis respondia que o dinheiro era dele e ele gastaria do jeito que bem entendesse. Por essa época Priscilla também começou a se aborrecer pelo fato de Elvis viver sempre ao lado de sua turma, como se fosse um garoto no colegial. Ela tinha esperanças de ter uma vida de casal ao seu lado, para que eles pudessem viver momentos românticos a dois, de mãos dadas pelos campos. Elvis porém enchia seu rancho de gente e estava sempre ao lado dos caras da Máfia de Memphis, que na verdade eram uns caipiras que pouco ligavam para seu romance ao lado da namorada. Elvis também não parecia se preocupar com isso. Os membros da Máfia de Memphis contavam piadas sujas e isso destruía qualquer possibilidade de criar um clima romântico entre eles. Por essa razão Priscilla foi ficando cada vez mais decepcionada com seu comportamento. Ela tinha razão em querer passar mais tempo com Elvis a sós e não ao lado de um bando de caras como aqueles.

De uma forma ou outra o Coronel Parker acabou arranjando um filme para Elvis na United Artists. O roteiro, escrito às pressas por Arthur Browne Jr, não trazia novidades. Era uma derivação de outros filmes passados de Elvis, com muitas garotas, praias e bikinis. Assim que leu o script Elvis deixou claro que havia odiado tudo - as cenas estúpidas, a falta de conteúdo e a precariedade de argumento. De fato era mais uma bobagem adolescente que para um homem como ele, que já havia ultrapassado os trinta anos de idade, soava como algo completamente imbecil e inoportuno. Pressionado pelos gastos porém Elvis cedeu. Ele odiava o fato de ter que voltar para Hollywood para fazer algo assim, ter que gravar mais uma daquelas horrorosas trilhas sonoras cheias de canções ruins. A necessidade porém de colocar as suas contas em dia o fez engolir suas próprias opiniões e Elvis então rumou em direção à costa oeste. Vernon ficou aliviado pois assim ele deixaria o rancho de lado, pelo menos temporariamente.

Antes de entrar no set de filmagem porém Elvis tinha que gravar a trilha sonora. Em fevereiro daquele mesmo ano ele chegou desanimado e cabisbaixo no RCA Studio B em Nashville, Tennessee. Ele havia passado a semana anterior conhecendo o material que gravaria através de gravações demos enviadas pela gravadora e ficara desolado. O material era muito, muito ruim. Um punhado de canções mal escritas, mal feitas, sem melodia decente. Ele ficou tão furioso com o que ouviu que chegou a jogar o disco de demonstração contra a parede, o fazendo em pedaços. Depois reclamou para Priscilla afirmando que aquilo era "um grande monte de m...". Por isso quando entrou em estúdio e cumprimentou Jeff Alexander e Felton Jarvis, Elvis parecia estar com cara de poucos amigos. Resignado, sentado no meio do estúdio Elvis simplesmente sentenciou: "Ok, vamos começar logo para acabar com tudo isso..."

Pablo Aluísio e Erick Steve.