domingo, 28 de junho de 2015

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 - Parte 4

A Mess Of Blues (Doc Pomus / Mort Shuman) - Uma grande canção, gravada nas maravilhosas sessões do retorno de Elvis em Nashville quando ele terminou seu serviço militar na Alemanha em 1960. Foi inicialmente lançada como lado B do single campeão de vendas "It's Now or Never", um dos mais vendidos de sua discografia. O que mais me impressiona nessa fase é que Elvis conseguiu unir grande qualidade técnica com uma diversidade musical poucas vezes superada em sua carreira. É até relativamente fácil compreender isso. A volta de Elvis era ansiosamente aguardada pelo mercado mundial. Durante sua ausência o próprio rock entrou em decadência. Assim ele foi literalmente colocado na posição de salvador do ritmo musical que tanto ajudou a popularizar na década anterior. Elvis porém não estava muito preocupado com isso, para ele o importante mesmo era voltar a fazer grandes discos, gravar excelentes músicas, mesmo que essas fossem de ritmos musicais variados. Definitivamente ele não queria ficar limitado apenas a um nicho do mercado fonográfico. Pelo menos nesse primeiro momento ele realmente atingiu seus objetivos. "A Mess Of Blues", gravada no dia 21 de março de 1961, na mesma noite em que ele também gravou outros clássicos de seu repertório como "Stuck on You", "Fame and Fortune" e "It Feels So Right", era definitivamente uma prova de sua versatilidade e talento. Desfilando por um blues muito bem escrito, Elvis provava que não era apenas o Rei do Rock como todos diziam, mas sim um cantor versátil que poderia se sair bem em praticamente todos os ritmos musicais. Um verdadeiro Rei dos microfones, independentemente do tipo de repertório que lhe era disponibilizado na época.

Ask Me (Domenico Modugno / Florence Kaye / Bill Giant / Bernie Baum) - Como eu já tive oportunidade de falar antes nunca gostei de "Ask Me". Na verdade sempre critiquei o fato da música ter sido título de um single de Elvis Presley bem no auge da Beatlemania. Lançada quase sem promoção com "Ain't That Loving You Baby" no lado B o disquinho não fez muito pela carreira do cantor na época. Na verdade pode ser visto até mesmo como um produto de publicidade de outro disco, o do álbum da trilha sonora de "Roustabout" ("Carrossel de Emoções" no Brasil). Isso é facilmente constatado pela própria capa do single, com uma foto do filme e uma grande chamada promocional onde se lê "Coming Soon! Roustabout LP Album". Tudo o que a RCA Victor e o Coronel fizeram foi mesmo resgatar duas músicas que estavam há bastante tempo arquivadas para lança-las assim mesmo, sem muito esforço, na tentativa de divulgar o disco do filme, esse sim uma aposta verdadeira da gravadora. Curiosamente a trilha sonora vendeu realmente muito bem, chegando ao primeiro posto das paradas e essa repercussão comercial certamente também deu um pequeno impulso no compacto pois os americanos acabaram fazendo uma dobradinha, levando o LP e o compacto que estava à venda nas lojas na mesma ocasião. Já em termos musicais a canção é realmente fraca, uma melodia com arranjo excessivo que nunca parece ir para lugar nenhum. 

Ain't That Loving You Baby (Clyde Otis / Ivory Joe Hunter) - Essa música foi gravada em 1958, pouco antes de Elvis ir embora para a Alemanha onde cumpriria seu serviço militar. É interessante notar que enquanto esteve servindo o exército a RCA Victor negou que houvesse gravações deixadas por Elvis antes dele ir para a Europa. Eles informavam aos fãs que Elvis não havia deixado nada para trás e que tudo já havia sido definitivamente lançado como single enquanto ele estava fora. Era mentira. "Ain't That Loving You Baby" ao contrário de outras faixas dessas sessões nunca fora lançada! A razão permanece obscura até hoje. Para muitos especialistas a música foi considerada mal gravada, não finalizada. O produtor Steve Sholes nutria esperanças que Elvis a resgataria quando voltasse, mas isso definitivamente nunca aconteceu. Uma versão mais rápida, com pequenas falhas, é bem superior, mas também foi arquivada e deixada de lado. Seis anos depois de sua gravação finalmente a RCA resolveu lhe dar uma chance. Sem material inédito do cantor resolveu jogar a canção como lado B do single "Ask Me". Não fez sucesso e nem causou muito alvoroço. Aliás é até complicado de justificar sua inclusão nesse disco já que a canção não pode ser considerada um enorme sucesso de sua carreira.

Just Tell Her Jim Said Hello (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Muitos implicam com o arranjo dessa música. Consideram bobinha demais. Discordo. Nem sempre é necessário se revolucionar o mundo da música já que muitas vezes tudo o que você está querendo mesmo é ouvir uma sonoridade bem despretensiosa e agradável. Se esse for seu foco pode ficar tranquilo pois a faixa vai bem mesmo por esse caminho. Além disso vamos convir que a música foi assinada pela melhor dupla de compositores da carreira de Elvis Presley, Jerry Leiber e Mike Stoller. Eles criaram alguns dos maiores sucessos de Elvis, mas sempre tiveram um relacionamento conturbado com o Coronel Parker. A questão da discórdia geralmente envolvia dinheiro, como era de se esperar. Eles queriam mais pelas novas composições pois quando acertavam, Elvis vendia milhões de cópias. O Coronel, por outro lado, queria pagar o mesmo que eles recebiam na década de 50. Assim, com o tempo, já desapontados, eles passaram a enviar material já não tão maravilhoso como antes para Elvis gravar. Essa composição, por exemplo, não foi considerada uma obra prima e nem uma excelente composição pelos críticos da época. Isso de certa maneira irritou Tom Parker e com o tempo a parceria foi sendo desfeita aos poucos. Tudo fruto de uma desavença contratual entre as partes. Uma pena porque no final os grandes perdedores foram realmente Elvis e seus fãs.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Elvis Presley - Os Melhores Singles dos Anos 50

1. Heartbreak Hotel / I Was The One
Sem esse single você provavelmente nunca teria ouvido falar em Elvis Presley. Recém contratado pela poderosa gravadora RCA Victor foi a prova de fogo para o jovem cantor. Caso ele não vendesse o esperado muito provavelmente jamais teria tido o apoio da multinacional e sumiria pelas sombras dos tempos. É muito curioso que esse single tenha feito sucesso. Era uma música sombria, triste, com tom pessimista ao extremo. É de se admirar que os jovens Teddy Boys com cabelos cheios de brilhantina e chiclete na boca tenham captado a essência da música principal. Uma canção depressiva que foi inspirada em um caso de suicídio real! Um dos mais improváveis rocks da história.

2. Don't Be Cruel / Hound Dog
Durante muitos anos foi o single mais vendido da história. Dois enormes sucessos que concretizaram definitivamente o som e a imagem desse roqueiro diferente, com cara de baby face e letras maliciosas e cortantes. Olhando para trás temos dois momentos interessantes. Esqueça o lado puramente comercial. "Don't Be Cruel" não se destaca por sua letra, até mesmo pueril e na média do que era ouvido nas rádios da época. O que chama a atenção é sua sensualidade camuflada, moralmente ofensiva para alguns - tempos moralistas aqueles! Do outro lado o rock incendiário "Hound Dog" que é pura negritude. Composta por brancos judeus para uma cantora negra, "Hound Dog" é uma mistura incrível que tinha tudo para dar errado, mas deu certo! Elvis mandando seu ex-homem pastar! (achou estranho a frase? Pois é isso mesmo, a letra foi composta para ser cantada por uma cantora black e não um cantor white...).

3. Good Rockin Tonight / If I Don't Care if the Sun Don't Shine
Elvis gravou poucas faixas no estúdio fundo de quintal da Sun Records. Esse aqui é o seu melhor trabalho. "Good Rockin Tonight" foi até mesmo mais importante do que "That´s All Right (Mama)" em sua carreira jovem, isso porque Elvis finalmente colocou um pé a mais dentro do novo gênero musical que nascia, o Rock ´n´Roll, uma mistureba incrível de sons feito e cantado por cretinos adolescentes sem muita cultura musical (segundo o próprio mobster Frank Sinatra e toda a sua falta de bom senso e sensibilidade para com colegas da profissão). De qualquer maneira é a primeira gravação do Rei do Rock que é genuinamente um Rock, pedigree puro! Para muitos foi inclusive o primeiro rock da história - Será mesmo? Joguem os dados...

4. All Shook Up / That's When Your Heartaches Begin
Tom Parker, o empresário de Elvis e seu mentor, era seguramente um cretino e um patife, mas sabia como poucos reconhecer um grande produto quando tinha em mãos. Quando recebeu o novo 45RPM do pupilo e o colocou para tocar em seu escritório de Nashville o velho trambiqueiro deu pulos de alegria e soltou uma frase memorável, dando baforadas em seu fedido charuto: "Eu vou ganhar um milhão de dólares com essa gravação". O pior de tudo é que ele ganhou mesmo, passando mais uma vez a perna em Elvis pois embolsou a grana toda, sem muito pudor. Segundo dados revelados anos depois em auditoria Elvis não ganhou um centavo com esse compacto, uma demonstração de como ele era no fundo um inocente no mundo dos negócios. Parker, o porco, agradecia...

5. One Night / I Got Stung
Já com um pé dentro da botina do exército americano a RCA Victor soltou no mercado o novo single de Elvis Presley, o mocinho patriótico. O divertido é que o som foi considerado pornográfico na época. Elvis, todo saliente, convidava sua garota para passar a noite com ele, provavelmente em algum motel de quinta categoria, à beira da estrada. Coisa de delinquente cafajeste e muito longe da imagem de bom mocinho que Tom Parker, o escroto-mor, queria lhe impor! Foi um dos últimos suspiros de sua fase "James Dean de guitarra" porque logo depois Elvis seria devidamente embrulhado para consumo da chatíssima família modelo branca da América. Nunca mais ele pediria por uma noite de pecado com sua queridinha, passando a cantar hinos militares e louvores à bandeirona Stars and Stripes, que pena!

Erick Steve.


domingo, 21 de junho de 2015

FTD Elvis Now

FTD Elvis Now
Segue sendo um dos mais queridos discos de Elvis Presley no Brasil. A razão não é tão complicada de entender. O álbum foi muito bem sucedido comercialmente em nosso país por causa do sucesso da faixa "Sylvia", além da presença de outro hit, "Hey Jude" dos Beatles. Como artista de alcance internacional isso era até mesmo de se esperar. Alguns títulos acabam fazendo bem mais sucesso em certos países do que em outros e não existe como entender completamente o gosto de cada povo, de cada nação. Por que "Sylvia" fez tanto sucesso no Brasil enquanto era completamente ignorada nos Estados Unidos? Esse tipo de pergunta simplesmente não tem uma resposta definitiva. Outro ponto que chama a atenção vem do fato de que, pela primeira vez em muitos anos, a filial da RCA no Brasil realmente se empenhou mesmo em divulgar um disco de Elvis nas rádios. Discos promocionais foram enviados para os principais radialistas e esse trabalho acabou gerando bons frutos. A divulgação foi mesmo o grande diferencial. De repente você tinha a oportunidade ouvir "Sylvia" em várias estações, algumas vezes inclusive ao mesmo tempo. Fazia muito tempo que isso não acontecia com uma gravação de Elvis Presley em nosso país. Pois bem, deixando de lado esse aspecto verde e amarelo desse disco tão apreciado pelos brasileiros vamos tecer breves comentários sobre essa edição especial dupla, com farto material de estúdio recuperado pelo produtor Ernst Jorgensen.

São dois CDs. Como é tradicão nos lançamentos do selo FTD o primeiro abre com as versões oficiais que estavam presentes no disco original de 1972. Todas apresentam uma sensível melhora em sua qualidade sonora pois foram trabalhadas com as modernas tecnologias de recuperação de áudio. Depois da faixa final do disco, a curiosa "I Was Born About Ten Thousand Years Ago", Ernst resolveu rechear o pacote com outras versões oficiais da mesma época e das mesmas sessões. Particularmente não gosto desse tipo de mistura, em minha opinião essa edição deveria se limitar exclusivamente em cima das canções do disco "Elvis Now" e nada mais. Misturar faixas, mesmo que sejam das mesmas sessões, me soa desnecessário e desconfortável. Apenas o ponto de vista comercial, para atrair mais a atenção do consumidor casual, justifica esse tipo de mix. Pois bem, depois da versão inédita de "Don't Think Twice, It's All Right" começa finalmente a segunda parte do CD e a que mais interessa aos colecionadores, aquela formada por takes alternativos e outtakes, ou seja, sobras que não foram aproveitadas na época, mostrando o processo de criação de Elvis dentro dos estúdios. Entre três takes realmente inéditos de "Help Me Make It Through The Night" e "Fools Rush In" aparece uma jam de aquecimento com Elvis mandando ver na bela "Lady Madonna" dos Beatles, mostrando que o cantor realmente apreciava o som da banda de Liverpool. Confesso que o CD 2 me deixou levemente decepcionado. Não existem versões alternativas de grandes canções como "We Can Make The Morning" e "Sylvia". Esqueceram justamente do grande hit que seria de especial interesse para nós, brasileiros. Vi pessoas reclamando da ausência também de "Hey Jude", mas a verdade é que a própria gravação é um registro praticamente informal por parte de Elvis que foi aproveitado pelo produtor Felton Jarvis no lançamento original. Então é isso. Não chega a ser o lançamento definitivo em termos de "Elvis Now", mas é um bom pacote, apesar dos pesares.

Elvis Presley - FTD Elvis Now
CD-1: Original release and outtakes
Help Me Make It Through The Night
Miracle Of The Rosary
Hey Jude
Put Your Hand In The Hand
Until It's Time For You To Go
We Can Make The Morning
Early Morning Rain
Sylvia
Fools Rush In
I Was Born About Ten Thousand Years Ago
I'm Leavin'
It's Only Love
The First Time Ever I Saw Your Face
Don't Think Twice, It's All Right (unedited master)
Help Me Make It Through The Night (Takes 8, 9, 10)
Fools Rush In (Takes 11, 12, 14)
Lady Madonna (jam)

CD-2: Outtakes
Help Me Make It Through The Night (Takes 1, 2, 3)
Early Mornin' Rain (Takes 1, 2, 9)
Fools Rush In (Takes 5, 6)
Until It's Time For You To Go (fs, Take 5)
I'm Leavin' (Take 1)
It's Only Love (Takes 1, 2, 3, 4)
I Shall Be Released (jam)
It's Only Love (Takes 6, 7)
Help Me Make It Through The Night (Takes 6, 7)
Fools Rush In (Takes 8, 9)
Put Your Hand In The Hand (Take 1)
It's Only Love (Take 8, 9)
Miracle Of The Rosary (Take 1)
Until It's Time For You To Go (Takes 6, 7)
Fools Rush In (Take 10)
Early Morning Rain (Take 11)
Help Me Make It Through The Night (Takes 14, 15)
I'm Leavin' (Takes 2, 3)

Pablo Aluísio.


sábado, 13 de junho de 2015

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 - Parte 3

Please Don't Drag That String Around (Baum / Giant / Kaye) - Em sua fase mais pop Elvis Presley realmente gravou algumas faixas adoráveis. Não estou aqui defendendo essa canção como uma grande obra de arte, nada disso, apenas dizendo que essa é uma daquelas músicas que nos deixam mais leves, felizes, simplesmente por ouvi-la. Tem um excelente balanço e uma melodia que imediatamente cria uma cumplicidade com o ouvinte. Muitos poderiam dizer que é demasiadamente inofensiva e sem pretensão, bom, isso nem sempre é um ponto negativo, muito pelo contrário, dependendo da intenção de cada composição pode ser um grande acerto. Essa é outra gravação proveniente das sessões do "The Lost Album", registrada em maio de 1963. Nessa noite, devidamente inspirado no RCA Studio B, em Nashville, Elvis conseguiu finalizar quatro faixas. Entre um gole e outro de Pepsi (seu refrigerante preferido) ele foi fazendo seu trabalho. As sessões começaram com a boa "Echoes of Love" (que seria usada como bonus songs na trilha sonora de "Kissin Cousins"); depois veio o grande hit da sessão "Devil in Disguise" (lançado como single de grande sucesso) e finalmente "Never Ending" (outra boa faixa que seria jogada no vazio pelos executivos da RCA Victor). "Please Don't Drag That String Around" foi a segunda música a ser gravada nessa noite. Elvis adorou sua intensa alegria e levou apenas seis takes para finaliza-la. Um belo trabalho de vocalização e entrosamento. Pura alegria e diversão.

Indescribably Blue (Darrell Glenn) - Balada lançada em 1967 como single com "Fools Fall in Love" no lado B. Essa música já é de uma fase em que Elvis começava a mudar sua musicalidade. Ele ia aos poucos deixando o tipo de trabalho que vinha fazendo desde 1960, quando retornou aos Estados Unidos depois de ter cumprido o serviço militar na Alemanha, para ir por novos rumos, novos caminhos, novas experiências. Talvez o grande responsável por esse novo tipo de som tenha sido o produtor Felton Jarvis. Depois da saída de Steve Sholes e Chet Atkins da produção dos discos de Elvis, Jarvis se mostrou o homem ideal para trabalhar com o cantor nos estúdios. Paciente, bom ouvinte e com sensibilidade para entender o lado emocional de Presley, Jarvis começou uma excelente parceria com o Rei do Rock. Um exemplo perfeito de sua boa simbiose com Elvis veio justamente de sessões como essa. Ao invés da correria das gravações anteriores, que deixavam Elvis nervoso e estressado, Felton Jarvis propôs mais calma e tranquilidade, trabalhando melhor em cada música. Assim em junho de 1966 lá estava Elvis e Felton juntos, pensando em arranjos para as belas baladas da noite. Nessa ocasião eles ainda gravariam a linda "I'll Remember You" (a versão de estúdio, a mesma música que Elvis consagraria ao vivo no álbum "Aloha From Hawaii") e "If Every Day Was Like Christmas" (a música natalina que viraria sucesso no Vietnã, sendo tocada nas noites de natal passadas fora de casa pelas tropas americanas, nas florestas daquele país tropical em chamas). Para muitas pessoas "Indescribably Blue" pode ser excessivamente triste e melancólica, mas para outros é mais um exemplo do tipo de bela música que Elvis e Jarvis podiam produzir juntos. Um momento memorável sob esse ponto de vista.

(You're The) Devil in Disguise (Otis Blackwell / Winfield Scott) - Um dos últimos grandes sucessos na voz de Elvis escrito por Otis Blackwell. O compositor negro tinha sido responsável por alguns dos maiores sucessos da carreira de Elvis Presley como "All Shook Up", "Don't Be Cruel" e "Fever". Nascido em uma família pobre de Nova Iorque, Blackwell soube como poucos criar hits nas paradas dos anos 1950. Além de brilhar ao lado de Elvis ele ainda escreveria um dos grandes hits da carreira de Jerry Lee Lewis, "Great Balls of Fire". Infelizmente depois de algum tempo ele começou a ter problemas com a RCA Victor e o Coronel Tom Parker. Tudo em razão de problemas financeiros e contratuais. Parker não queria pagar o que ele pedia por novas músicas; em contrapartida Otis aos poucos foi se afastando da carreira de Elvis. Para o Coronel o compositor não deveria entrar em atrito com Elvis, uma vez que havia sido ele que o tinha colocado no mapa da grande indústria fonográfica americana. As afirmações de Parker acabaram mexendo com os brios de Otis que resolveu por volta de 1964 não mais ceder canções a Elvis. A mágoa porém não apagou os grande êxitos comerciais dessa parceria. Assim "(You're The) Devil in Disguise" acabou sendo a despedida da dupla, algo realmente a se lamentar.

Lonely Man (Bennie Benjamin / Sol Marcus) - Música que fez parte das sessões de gravação da trilha sonora de "Wild in the Country". Uma faixa que sempre me recorda dos grandes faroestes do passado. O produtor Urban Thielmann escreveu um arranjo bonito que em minha opinião não envelheceu em nada e nem ficou datado. Essa canção não fez muito sucesso e passou praticamente despercebida até mesmo para os fãs de Elvis na época. Ela só entrou na seleção desse disco porque foi lado B do single "Surrender". Tirando isso não consigo achar uma boa justificativa para a faixa estar aqui. Em minha forma de entender é mais uma prova de como havia um verdadeiro deserto de sucessos na carreira de Presley naqueles tempos complicados. Se formos comparar com a seleção musical do primeiro disco, "Elvis Golden Records" de 1958, vamos perceber a grande diferença entre aquelas faixas (todas grandes sucessos) com as daqui, algumas sem nem razão de ser. Os bons tempos tinham realmente ficado para trás. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 6 de junho de 2015

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 - Parte 2

Love Letters (Heyman / Young) - Muita gente boa ainda confunde essa versão com a mais conhecida, dos anos 1970, que inclusive deu origem ao nome de um álbum de Elvis. A versão aqui presente é outra, gravada em meados de 1966. Bem no meio de uma fase bem ruim e pouco inspirada em sua carreira, o produtor Felton Jarvis lutou para trazer maior qualidade técnica para suas gravações. Nada que lembrasse suas trilhas sonoras. Realmente basta ouvir a música para entender bem isso. A canção se apresenta com ótimo arranjo, com um piano melódico sempre presente, ao fundo. Para tornar a música ainda mais bonita Felton escreveu um arranjo vocal feminino (algo que era muito raro nas gravações de Elvis) para soar liricamente em segundo plano. O conjunto é mais do que agradável. Ficou muito bonita realmente. A original "Love Letters" nunca foi um sucesso, mas como a RCA Victor estava sem muitas opções e como a gravação ficou acima da expectativas resolveu-se colocá-la como faixa de abertura do álbum. Um cartão de apresentação com qualidade, acima de tudo.

Whitcraft (Bartholomew - King) - Outra versão que causa certa confusão por aí. Não se trata de uma versão de Elvis Presley para o hit "Witchcraft" de Frank Sinatra. Aquela era uma swing jazz, muito conhecida por sinal, um dos grandes sucessos de Sinatra em sua carreira, sempre presente em suas coletâneas mais populares. Essa é outra canção. Poderia qualificar como um pop nervosinho, com um ótimo solo de sax do mestre Boots Randolph (sem dúvida o melhor destaque da gravação, se sobressaindo ainda mais do que a boa vocalização de Mr. Presley). A faixa é bem curtinha, simples e direta. Não há espaço (e nem tempo) para maiores firulas. Produzida por Steve Sholes ela foi gravada em 1963, numa produtiva sessão com outras 14 canções. Fazia parte da ideia da RCA Victor em lançar um LP convencional de Elvis, sem músicas de filmes, que acabou indo por água abaixo. Desastrosamente as boas músicas gravadas nessa ocasião começaram a ser lançadas como bonus songs de trilhas, as deixando em um limbo injusto. Com o tempo foram praticamente esquecidas. Só muitos anos depois o disco saiu finalmente com o nome de "The Lost Album" (o álbum perdido), já na era do CD.

It Hurts Me (Byers - Daniels) - Outro caso curioso dentro da discografia de Elvis. A música foi originalmente gravada numa rápida sessão em janeiro de 1964, entra as gravações das trilhas sonoras de "Kissin Cousins" e "Roustabout". Sem saber direito o que fazer com a música a RCA Victor resolveu que era melhor arquivá-la por um tempo. Com o lançamento da trilha sonora de "Kissin Cousins" pensou-se em utilizá-la como bonus songs do disco, mas depois se descartou essa ideia. Ela assim foi renegada, sem muita razão ou lógica, como Lado B do single "Kissin' Cousins". Péssima decisão. A canção era muito boa, com arranjos do grande Chet Atkins (que inclusive a produziu) e deveria ter sido melhor trabalhada para fazer bonito nas paradas, batendo inclusive de frente com os singles dos Beatles que no auge da Beatlemania andavam dominando todas as paradas de sucesso pelo mundo afora. Mais um exemplo de que os executivos da gravadora de Elvis definitivamente não sabiam o que fazer com suas gravações.

What'd I Say (Ray Charles) - Gravada em 1964 como parte da trilha sonora de "Viva Las Vegas" a versão de Elvis para o clássico de Ray Charles tem admiradores e detratores na mesma proporção. Particularmente gosto da alegria contagiante que Elvis e sua banda conseguiram colocar na faixa. Certamente é bem mais pop que a gravação de Ray Charles e se distancia bastante de sua característica principal, a de ser uma canção com letra profana em uma base sonora típica de música gospel, mas isso em momento algum soa como um defeito ou um demérito. Pelo contrário, penso que Elvis sabia que a sua versão seria parte de um filme de Hollywood e que teria que ter por essa razão um melhor balanço para dar a devida agilidade na cena. Essa, por seu lado, também ficou muito divertida, animada e bem realizada. O diretor George Sidney sabia como poucos coreografar bem um número musical em seus filmes. Além disso some-se a isso a notável beleza e carisma da atriz Ann-Margret e você certamente terá o pacote completo em mãos. Não é algo para se reclamar, vamos convir.

Pablo Aluísio.


domingo, 31 de maio de 2015

FTD Raised On Rock

FTD Raised On Rock
Eu nunca fui exatamente um fã do álbum original "Raised on Rock". Na minha forma de entender o disco acabou trazendo pela primeira vez em um disco de estúdio alguns dos problemas físicos e emocionais pelos quais Elvis vinha passando. O fã mais atento logo percebeu isso. A sessão de gravação foi complicada, com Elvis em um momento particularmente complicado de sua vida, com forte depressão causada pela traição da esposa Priscilla. Assim Elvis não tinha energia e nem disposição suficientes para realizar uma boa sessão de estúdio. No máximo ele apenas suportou o compromisso e depois desabou novamente em seus próprios dramas pessoais. É interessante notar que inicialmente o produtor Felton Jarvis tinha planos de realizar ao lado de Elvis mais uma maratona, como aquela em que ele fez em 1970. A ideia era gravar dezenas de novas faixas para serem aproveitadas ao longo dos anos pela gravadora. Praticamente uma semana inteira de sessão, com mais de 30 canções selecionadas. Pelas condições do cantor porém isso não foi possível. Elvis compareceu a poucas noites das gravações programadas e depois de gravar poucas faixas desapareceu da RCA. Realmente algo a se lamentar. O que sobrou foi pouco mais de uma dezena de faixas, nenhuma delas particularmente brilhante ou clássica. Claro que existem boas músicas, mas vamos convir que nenhuma delas consegue figurar entre seus grandes momentos na carreira.

O CD FTD "Raised On Rock" assim resgata o disco original e de bônus traz uma série de takes alternativos dessa mesma sessão. Além das novas versões há um ensaio de uma música que Elvis jamais gravou em estúdio, "It's Different Now". Duas outras faixas são apenas instrumentais, "The Wonders You Perform" e "Good, Bad But Beautiful". Como Elvis não apareceu em determinadas noites de sessão o produtor Felton Jarvis achou por bem gravar a parte da TCB Band para quem sabe depois o próprio Elvis dar o ar de sua graça para gravar seus vocais. Isso nunca aconteceu, infelizmente. Como eu escrevi foram tempos complicados para o cantor. Agenda lotada, depressão, crise emocional e tristeza profunda formaram um quadro nada adequado para quem precisava cumprir longos compromissos de estúdio. Na verdade apenas com muita força de vontade foi que Presley conseguiu se levantar da cama para aparecer por poucos dias ao lado de seu grupo e do produtor nos estúdios da RCA Victor. Como se trata de uma sessão recente da carreira de Elvis grande parte dos registros foram preservados. Assim, apesar de tudo, o que temos aqui é inegavelmente um bom registro de resgate de um dos momentos mais delicados da vida pessoal do grande astro. Uma forma de entender, mesmo que de maneira indireta, todo o drama particular pelo qual ele passava naquele momento em sua vida.

FTD RAISED ON ROCK! (2007) - FTD Raised On Rock -  CD01: The Original Album Raised On Rock / Are You Sincere / Find Out What's Happening / I Miss You / Girl Of Mine / For Ol' Times Sake / If You Don't Come Back / Just A Little Bit / Sweet Angeline / Three Corn Patches / Session Highlights  I Miss You (Takes 10,11 composite) Find Out What's happening (Take 6) It's Different Now (Rehearsal) Three Corn Patches (Takes 1,2) If You Don't Come Back (Take 5) Girl Of Mine (Take 9) I Miss You (Take 5) Three Corn Patches (Takes 13,14) Are You Sincere (Take 2) Find Out What's Happening (Takes 8,7composite) For Ol' Times Sake (Take 4) Instrumental Tracks Color My Rainbow / Sweet Angeline. CD 02: Rough Mixes For Ol' Times Sake/ If You Don't Come Back / Find Out What's Happening / Raised On Rock / Three Corn Patches / Just A Little Bit (Including FS) Session Outtakes: If You Don't Come Back (Takes 1,2,3) I Miss You (Take 1) Girl Of Mine (Take 1) Find Out What's Happening (Takes 1,2,4,5) Three Corn Patches (Takes 4,5,6) For Ol' Times Sake (Takes 5,6,7) I Miss You (Take 10) If You Don't Come Back (Takes 8,6) Find Our What's Happening (Takes 8,7) Are You Sincere (Take 1) Girl Of Mine (Takes 3,4,5,6) Three Corn Patches (Takes 9,10) I Miss You (Takes 12,13,14,15) Instrumental Tracks: The Wonders You Perform / Good, Bad But Beautiful.

Pablo Aluísio. 


sábado, 30 de maio de 2015

FTD Elvis 6363 Sunset

FTD Elvis 6363 Sunset
Vamos dar prosseguimento nas breves análises dos CDs da coleção FTD. Esse aqui em especial pode ser qualificado como um dos melhores já lançados. Na época de seu lançamento escrevi uma extensa matéria sobre ele. De fato é material de primeira qualidade, capturando Elvis em um momento particularmente inspirado de sua carreira. Se formos pensar bem Elvis teve dois grandes picos em sua trajetória artística. O primeiro começou em 1956 e se prolongou até sua ida ao exército americano em fins dos anos 50. O segundo vai de 1969 (quando ele retorna aos estúdios em Memphis para uma sessão maravilhosa) até 1973 (com o Aloha From Hawaii que marca o auge de seu momento popstar). Pois bem, em 1972 Elvis realizou muitos concertos, fez boas temporadas em Las Vegas, gravou um longa-metragem "Elvis on Tour" e voltou aos braços de seu público. Era um momento de grande euforia. Nesse CD "FTD Elvis 6363 Sunset" temos um registro desse momento de pique e euforia. Elvis, com agenda lotada, teve que se desdobrar para dar conta de tantos compromissos. Para isso era necessário também muitos ensaios com sua banda, para que quando estivessem em turnê ou nos estúdios tudo estivesse em ordem. A seleção musical é acima da média, com Elvis cantando um repertório simplesmente fantástico, a espinha dorsal do que ele vinha apresentando de melhor naqueles anos agitados.

O CD pode ser dividido em três grandes partes. As portas se abrem com takes do álbum "Elvis" que seria lançado em 1973. Esse disco é mais conhecido nos Estados Unidos como "The Fool Album" por causa da faixa "Fool" que abria o lado A do álbum original em vinil. É uma colcha de retalhos sonora que ganhou status cult com o passar dos anos. Na segunda parte ouvimos Elvis em pleno ensaio de seus trabalhos no filme "Elvis On Tour". Material muito bom, apesar de ser em essência momentos de ensaios e até descontração do cantor com a TCB Band. A terceira e última parte é composta por takes alternativos e inéditos das gravações do disco "Elvis Today". Coisa fina. A audição assim se torna extremamente prazerosa e gratificante. Entre os destaques é bom citar as versões deslumbrantes de belas canções como "Always on My Mind" (que só faria sucesso de verdade após a morte de Elvis), "Burning Love" (o clássico roqueiro temporão de sua carreira), "Green Green Grass of Home" (uma das mais evocativas músicas nostálgicas de sua discografia) e "And I Love You So" (bela música romântica, uma de suas mais intimistas performances em estúdio). Assim, embora um pouco ultrapassado hoje em dia tendo em vista lançamentos posteriores bem mais completos, o fato é que o CD "Elvis 6363 Sunset" ainda se mantém como uma bela pedida para os fãs. Um item que não fará feio em sua coleção.

FTD Elvis 6363 Sunset - Always on My Mind (take 3) Burning Love (take 2) For the Good Times (take 3) Where Do I Go from Here? (take 6) Fool (take 1) It's a Matter of Time (alt.) See See Rider (1972/03/31 rehearsal) Until It's Time for You to Go (1972/03/31 rehearsal) A Big Hunk o' Love (1972/03/31 rehearsal) All Shook Up (1972/03/31 rehearsal) Heartbreak Hotel (1972/03/31 rehearsal) Teddy Bear (1972/03/31 rehearsal ) Don't Be Cruel (1972/03/31 rehearsal) Can't Help Falling in Love (1972/03/31 rehearsal) Green Green Grass of Home (take 2-3) Susan When She Tried (take 1-2) And I Love You So (take 1) Bringin' It Back (take 2-3) T-R-O-U-B-L-E (take 1) Shake a Hand (take 2).

Pablo Aluísio.


sábado, 23 de maio de 2015

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4

No momento em que a carreira de Elvis parecia renascer a RCA Victor soltou no mercado um novo álbum do cantor. A filosofia era a mesma dos discos anteriores, ou seja, reunir grandes sucessos de Elvis que só tinham sido lançados antes em singles (compactos). O problema básico é que os sucessos estavam rareando cada vez mais na discografia do Rei do Rock. Assim quando os executivos da RCA determinaram a produção do quarto disco da série Golden Records o responsável pela seleção musical soltou uma pergunta fatal bem no meio da reunião: "Tudo bem, mas que sucessos Elvis realmente alcançou nesses últimos anos?". Era uma constatação bem ruim e verdadeira. Ao longo dos anos 1960 Elvis foi colecionando fracassos comerciais com seus singles. A bagunça e muitas vezes falta de promoção fizeram com que muitos compactos de Elvis se tornassem grandes desastres comerciais. Eles ficavam por meses nas estantes das lojas de discos, pegando poeira sem que ninguém os quisesse comprar. Lotes e mais lotes de caixas cheias de compactos de Elvis Presley eram enviados de volta para a fábrica da RCA por não terem encontrado compradores no mercado.

Por volta de 1967 a RCA inclusive chegou a colocar em dúvida se valia mesmo a pena renovar com o astro por mais alguns anos. O fato é que a má qualidade das trilhas sonoras e dos filmes tinham literalmente acabado com Elvis do ponto de vista comercial. Ele facilmente era superado por bandinhas sem nenhuma importância musical. Seu público havia debandado e pouco sobrara do antigo campeão das paradas. Quando as negociações começaram a RCA deixou claro ao Coronel Parker que estava ficando sem interesse no passe de Elvis. Ele não vendia mais como antigamente, no começo de sua carreira. Tirando poucos discos que tinham realmente feito sucesso, Elvis amargava baixas posições nas paradas. O público não se interessava mais pelo que ele vinha produzindo e nem as revistas de fofocas mais exploravam sua vida pessoal, que andava mais fechada e reclusa do que nunca. Elvis não aparecia em festas e nem em eventos, não fazia mais shows ao vivo e só aparecia para seu público através de filmes de Hollywood bem ruins. Era a fórmula mesmo do desastre.

Sem muitos sucessos comerciais para compor o disco o jeito mesmo foi pincelar alguns poucos bons momentos de vendas do cantor na década de 1960. Um terceiro lugar aqui, um quarto lugar acolá, tudo sendo colocado junto para preencher cronologicamente o álbum. O fato é que mesmo estando em maré baixa em termos de vendas o talento de Elvis continuava lá. O problema é que a sucessão de músicas ruins de seus filmes foram soterrando a voz e o carisma do cantor. Por volta de 1966 ele foi renascendo aos poucos. Algumas sessões livres de músicas de filmes foram realizadas e nelas Elvis finalmente pôde contar com material de qualidade novamente. Curiosamente foram justamente algumas dessas gravações que conseguiram o mínimo de repercussão nas paradas, mostrando um caminho para Elvis e a RCA Victor rumo de volta ao sucesso comercial. No caso tínhamos realmente o casamento entre qualidade e sucesso comercial, algo que hoje em dia é bem raro. O fato inegável porém era que naqueles tempos Elvis sempre conseguia bons números de vendas quando apresentava material de qualidade no mercado. O inverso também era verdadeiro: quanto piores eram as trilhas sonoras, menos elas vendiam a cada ano.

Elvis Presley não era um idiota. Ele sabia o que era bom e o que era ruim no material providenciado por sua gravadora. Geralmente as trilhas sonoras eram bem ruins depois de 1965. Eram compostas às pressas, sem capricho e sem cuidado. Os autores e compositores ganhavam mal e por essa razão também não mais se empenhavam em criar algo bom. Uma coisa ruim levava a outra e em pouco tempo Elvis ia amargando sucessivos fracassos. Depois de uma sessão particularmente muito fraca, Elvis, que sempre foi conhecido por seu bom comportamento e educação dentro dos estúdios, estourou com o microfone ainda aberto: "O que mais vocês querem que eu faça com essa merda?". Quando a RCA começou a disponibilizar um material de melhor qualidade finalmente as coisas foram ficando mais claras. Elvis, livre das amarras dos estúdios cinematográficos, conseguia finalmente contar com canções realmente boas, bem compostas, bonitas. Ficar cantando sobre ostras, cachorros e namoricos de adolescentes era um suplício para The Pelvis nesses tempos nebulosos. Quando ele finalmente recebeu bom material tudo foi melhorando, não apenas em termos de vendas, mas principalmente em termos de relevância artística. Assim por volta de janeira a RCA finalmente soltou a relação das canções que iriam fazer parte de seu disco (segue lista abaixo). No próximo artigo começarei a tecer comentários sobre cada canção. Até lá.

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4
Love Letters
Whitcraft
It Hurts Me
What'd I Say
Please Don't Drag That String Around
Indescribably Blue
Devil in Disguise
Lonely Man
A Mess Of Blues
Ask Me
Ain't That Loving You Baby
Just Tell Her Jim Said Hello

Pablo Aluísio.

sábado, 16 de maio de 2015

Elvis Presley 1968

Janeiro de 1968 - A RCA lança o disco Elvis Golden Records vol.4. Seguindo o esquema dos LPs da mesma coleção esse reunia os singles de maior sucesso da carreira de Elvis. Como eram apenas reprises de singles o disco chegou apenas ao 33º lugar entre os mais vendidos. Entre as faixas: Love Letters, What'd I Say, Whitcraft, Devil in the disguise, entre outras.

Janeiro de 1968 - Novo single de Elvis chega às lojas: "Guitar Man / Hi-Heel Sneakers". Mais um ótimo single retirado das sessões de setembro de 1967. Essas canções representavam para Elvis na época um salto de qualidade gigantesco em sua carreira musical. São músicas que demonstravam que Elvis ainda era o Rei do Rock, mesmo depois de tantos filmes e trilhas sonoras de baixa qualidade. Guitar Man seria utilizada posteriormente no NBC TV Special, o programa de TV que iria salvar a carreira de Elvis de uma vez por todas. E Hi-Heel Sneakers é um ótimo momento de Elvis cantando um Blues visceral. Sem as amarras típicas impostas pelos estúdios de cinema Elvis demonstrava com esse material que ainda tinha muita lenha para queimar em sua carreira. Ele não estava acabado, apenas deveria redirecionar os rumos de sua carreira. Esse single é um tiro certeiro nesse caminho.

Fevereiro de 1968 - Nasce no dia 1º Lisa Marie Presley, única filha de Elvis.

Fevereiro de 1968 - A RCA lança "US Male / Stay Away". No lado A mais uma música campeã, dessa vez gravada em janeiro de 68 juntamente com Too Much Monkey Bussines. Outro exemplo de ótimo momento de Elvis em estúdio. No Lado B, Stay Away, canção lançada para promover o péssimo filme Stay Away, Joe (Joe é muito vivo). Sem dúvida um single que retrata o novo e o velho Elvis, um esbanjando estilo em um country moderno da melhor estirpe e o outro preso às músicas medíocres de filmes B. Felizmente para todos os fãs o primeiro sairia vencedor dessa disputa.

Março de 1968 - Elvis lança o ótimo single Gospel "You'll Never Walk Alone / We Call On Him". Há muito tempo que Elvis não lançava 3 singles excelentes, um atrás do outro, em apenas 3 meses. Isso sinalizava uma só coisa: Elvis estava voltando aos seus dias gloriosos. Aqui uma música que traz uma das melhores interpretações da carreira do Rei do Rock. Elvis demonstra toda sua emoção em uma gravação eterna, para entrar na história da música religiosa dos Estados Unidos. Todas as duas canções foram gravadas nas maravilhosas sessões de setembro de 1967. Elvis estava aos poucos, renascendo e ressurgindo das cinzas, como um verdadeiro Fénix!

Março de 1968 - Um novo filme de Elvis chega às telas: Stay Away, Joe (Joe é muito vivo). No elenco os veteranos Burgess Meredith e Katy Jurado. Na direção Peter Tewksbury. A publicidade da produtora vende o filme com a seguinte frase: "Elvis vai para o Oeste e o Oeste se torna selvagem!". Elvis até mesmo defende o filme: "Em Stay Away, Joe represento um pele vermelha astuto e criativo. Acho que pode ser uma melhoria nas produções". A crítica porém não gosta do filme e Stay Away, Joe não consegue fazer sucesso nas bilheterias. O resultado é tão desanimador que pela primeira vez Elvis pensa em abandonar sua carreira de ator em Hollywood.

Maio de 1968 - A RCA lança "Your Time Hasn't Come Yet, Baby / Let Yourself Go". No Lado A apenas uma canção de rotina. No Lado B: Let Yourself Go (Joy Byers) - Gravada em 1967, se um remix fosse feito preferiria a versão de 68 onde os vocais de Elvis estão de matar. Sua voz estava rouca como na década de 50 só que mais grossa e madura. Parte da trilha de "Speedway" essa música alcançou apenas 72º lugar nas paradas e foi lado B, não recebendo maior atenção. Com uma letra maliciosa e ritmo que ficaria perfeito na voz de Britney Spears, essa música nas pesquisas entre os fãs é quase unânime como preferida para um remix. Muita gente já notou seu potencial, falta só o EPE e a BMG. Como vocês vêem Elvis não é só "Hound Dog" e "Tutti Frutti" e é o único cantor que conheço que quase trinta anos depois de sua morte possui pelo menos uma dezena de músicas, lançadas mas desconhecidas, com, talvez, o mesmo potencial de clássicos como os acima citados. "A Little Less Conversation" que o diga... (Victor Alves).

Junho de 1968 - Speedway (O Bacana do Volante) é lançado.
Aqui Elvis contracena com a filha de Frank Sinatra, Nancy. Na direção mais uma vez Norman Taurog. Novamente outro filme sem grandes novidades, com Elvis novamente interpretando um piloto de corridas. Nancy Sinatra por sua vez interpreta uma fiscal da receita federal que vai atrás do personagem de Elvis para lhe cobrar impostos sonegados. O filme se tornou um dos últimos de Elvis na MGM. O cantor apenas passeia entre as cenas, visivelmente entediado. A produção também não ajuda sendo apenas mais uma repetição de muitos filmes anteriores do "Rei do Rock". Esse é outro filme de Elvis que não se traduz em sucesso, revelando de uma vez por todas que a antiga fórmula está completamente esgotada. Nem os fãs mais ardorosos prestigiam. A trilha sonora chegou nas lojas um mês antes do lançamento do filme e se tornou um novo fracasso de vendas, com um péssimo 82º lugar entre os mais vendidos. Com isso a RCA disse basta ao lançamento de trilhas e decretou o fim das mesmas, para o alívio geral, diga-se de passagem. Speedway foi a pá de cal nesse velho esquema inventado por Tom Parker de lançar filme / trilha no mercado. Foi a última trilha sonora da carreira de Elvis e não deixou saudades. Um melancólico adeus, sem dúvida.

Junho de 1968 - Elvis viaja à Los Angeles para a gravação de um especial de TV a ser exibido pela NBC no natal. Em Burbank Elvis começa a gravação do mitológico Elvis NBC TV Special.

Setembro de 1968 - A RCA lança o single "A little Less Conversation / Almost In Love". O single se torna famoso por dois motivos: A Little Less Conversation (Mac Davis / Strange) - Uma canção obscura dentro da discografia de Elvis, fez parte do filme "Live a Little, Love a Little" (Viva um pouquinho, Ame um pouquinho, 1968) no final dos anos 60. No Brasil ela só foi lançada uma única vez, e mesmo assim em 1971 no também cavernoso disco "Almost in Love". Isso mudou radicalmente quando o DJXL resolveu fazer um remix em cima da música. Bingo! Com o apoio da Nike que a colocou em um de seus comerciais durante a Copa do Mundo 2002, a música se tornou um tremendo sucesso chegando ao primeiro lugar em inúmeros países. Foi a canção que comandou a verdadeira "Elvismania" que tomou conta do planeta em 2002. Almost In Love também se tornou bem conhecida pois foi a única música cantada por Elvis composta por um brasileiro, Luís Bonfá. E também foi a única Bossa Nova verdadeira interpretada pelo Rei do Rock. Elvis mostra aqui que seu vocal estava apto a encarar qualquer tipo de ritmo musical. Boa demonstração da versatilidade do cantor.

Setembro de 1968 - Elvis viaja ao Arizona para as filmagens de Charro, western da pequena produtora National General Corporation. O filme vai levar quase um ano para chegar às telas.

Setembro de 1968 - Morre Dewey Phillips o primeiro DJ a colocar um disco de Elvis Presley ao ar em uma rádio de Memphis. Elvis declara: "Estou muito abalado. Éramos amicíssimos. Sinto demais o passamento de Dewey. Nunca esquecerei o quanto me ajudou no começo da minha carreira."

Outubro de 1968 - É lançado para venda exclusiva nas lojas Singer o disco "Singer Presents Elvis Singing Flaming Star and Others". LP semi oficial sem importância reunindo de forma confusa várias canções de trilhas de filmes dos anos 60. Como não foi lançado em lojas de discos convencionais, não foi classificado na parada Top 200 da Billboard.

Novembro de 1968 - Novo filme de Elvis chega aos cinemas: Live A Little, Love a Little (viva um pouquinho, ame um pouquinho). O filme é criticado pelo próprio Elvis: "Meus filmes não foram lá essas coisas, mas o enredo desse último foi complicado demais. Faço o papel idiota de um fotógrafo atrás de uma linda morena, guardada por um enorme cachorro" O filme não faz qualquer sucesso e é ignorado pelo público, mas não pela crítica. O New York Times escreve: "Elvis mudou o mundo e a música há dez anos. Mas depois de tantos filmes ninguém mais pode afirmar que isso seja verdade".

Novembro de 1968 - A RCA se antecipa ao especial da NBC e lança o single "If I Can Dream / Edge of Reality". If I Can Dream (Brown) - Pôxa! às vezes eu gosto tanto de uma música de Elvis Presley que fica até difícil escrever sobre ela. É esse o caso. Sem dúvida uma das minhas preferidas disparadas. Em uma palavra: épica! Com um simples single Elvis colocou os Beatles e os Rolling Stones no bolso e detonou eles das paradas! Depois de anos sendo superado, por causa de suas trilhas ruins, Elvis mostrou quem é que mandava. Os fãs do Rei ficaram de peito lavado e eu também (se tivesse tido a oportunidade e a idade de vivenciar isso, claro!). Mas deixando essas questões puramente comerciais de lado, se "If I Can Dream" fosse apenas um compacto obscuro na carreira de Elvis eu ainda iria amar essa música, sem dúvida nenhuma. Ela foi lançada com "Edge of Reality" no natal de 1968 e foi ouro na mesma semana. Foi uma das mais políticas músicas de Elvis, que tratava e falava de forma poética de vários problemas que a sociedade americana e mundial vinham enfrentando naquela época. Para gravá-la Elvis pediu que ficasse sozinho no estúdio, que fossem apagadas todas as luzes. Ele se sentou no chão do estúdio e comovido presenteou e deixou para a eternidade um momento simplesmente insuperável! Um momento raro. Os produtores e engenheiros de som do Burbank Studios ficaram simplesmente de queixo caído! Anos depois, Bones Howe, um dos presentes, confidenciou que após gravar a música Elvis conversou baixinho com alguém no estúdio! Ainda sentado no chão ele agradeceu, emocionado, a essa "entidade" pela inspiração. Não se sabe o que ocorreu, mas dizem que naquela noite conversou com sua querida mãe, falecida dez anos antes... ela estava ao seu lado, segurando sua mão...

Dezembro de 1968 - NBC TV Special é exibido.
No final dos anos 60 a TV NBC passava por uma séria crise financeira e de audiência. Suas concorrentes ABC e CBS ganhavam cada vez mais espaço, enquanto a NBC perdia cada vez mais. Para mudar esse quadro, a direção da emissora resolveu apostar alto em uma nova grade de programação, dando destaque especial para a sua área de shows. A NBC resolveu investir pesado e entrou em contato com o coronel Tom Parker para a realização de um especial de final de ano com Elvis Presley. Seria a principal atração do fim da temporada, com ampla publicidade e ótimos contratos de marketing. Elvis precisava tanto da NBC quanto ela precisava de Elvis. O Rei do Rock vinha em um mal momento da carreira. Seus filmes já estavam desgastados, Elvis sentia-se cada vez mais frustrado com a política dos grandes estúdios de cinema de Hollywood, que lhe mandavam fazer o mesmo filme ano após ano, com as mesmas trilhas sonoras e os mesmos roteiros estúpidos. Elvis estava mais do que farto deste esquema em 1968. Quando soube da idéia do especial, se empolgou e disse ao seu empresário que fechasse o contrato, pois ele queria voltar o quando antes a se apresentar ao vivo. Ainda tinha contratos a cumprir na costa oeste, mas queria que estes fossem os últimos. Sem dúvida, para quem apostava em uma carreira de ator, aquilo tudo representava um grande retrocesso. Era uma derrota para Elvis deixar Hollywood assim. A verdade era que ele descobriu, ao longo dos anos, que nenhum estúdio iria lhe dar uma chance para desenvolver uma carreira dramática em Hollywood. Para os chefões Elvis tinha que sempre desempenhar o mesmo papel: o de Elvis Presley. Se continuasse no esquema dos estúdios cinematográficos, Elvis iria continuar a fazer uma comédia musical atrás da outra até sua carreira se apagar de vez. Ele estava decidido a pular fora e salvar o que ainda tinha restado de seu legado musical. E assim foi feito. Depois de acertar seu cachê (meio milhão de dólares por quatro dias de trabalho) Elvis finalmente se preparou para sua volta. O show seria transmitido no final do ano, em dezembro. O coronel Parker sugeriu um roteiro simplesmente desastroso para o especial: "Elvis entraria de papai noel, cantaria meia dúzia de músicas natalinas e iria embora pela chaminé". Elvis e o produtor Steve Binder simplesmente odiaram essa idéia. Juntos, trocaram pensamentos e conceitos e chegaram a um modelo básico. Elvis seria acompanhado de sua primeira banda, Scotty Moore e D.J. Fontana (Bill Black havia morrido em 1965). Seria um show acústico (o primeiro da história), com Elvis vestindo uma roupa de couro negro, tocando uma guitarra Gibson, tudo de forma natural e autêntica. Ele interpretaria seus velhos sucessos e duas canções escritas especialmente para o programa: "If I Can Dream" e "Memories". Estava em ótima forma física e empolgado pela chance de voltar a apresentar um material de qualidade. Tudo que precisava era uma chance de mostrar novamente seu incontestável talento. Os ensaios foram exaustivos, Elvis tomou a frente, elaborando arranjos e produção, esse foi um momento crucial de sua vida, se falhasse, provavelmente seria o fim de sua carreira. E ele sabia disso. Em 1968, aos 33 anos de idade, Elvis Presley finalmente voltou à TV, num especial histórico para NBC em comemoração ao natal. O cantor estava no auge de sua beleza física e o show foi um marco em sua vida. Com cenas em estúdio e ao vivo, Elvis estava natural, espontâneo, Elvis como ele só. Priscilla Presley em seu livro "Elvis e eu" relembra o impacto do show: - "O especial de Elvis foi um sucesso espetacular e alcançou o maior índice de audiência do ano. A música final, "If I Can Dream", foi sua primeira gravação que ultrapassou a barreira de um milhão de cópias vendidas em muitos anos. Sentamos em torno da TV assistindo ao programa, esperando nervosamente pela reação. Elvis se manteve silencioso e tenso durante toda a exibição do programa, mas assim que os telefones começaram a tocar, compreendemos que ele conquistara um novo triunfo. Não perdera a classe, ainda era o rei do rock'n'roll". Com esse programa Elvis se convenceu que era hora de deixar Hollywood para trás e retomar os rumos de sua carreira musical. Não haveria mais trilhas sonoras insípidas, o momento era de entrar em estúdio novamente para gravar canções de qualidade, para mudar novamente os rumos musicais de seu tempo.

Destaques do Especial: Trouble (Jerry Leiber / Mike Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - Para abrir o programa Elvis apresentou esse Medley bem sacado. Em um disco pirata dos anos 80, pode-se ouvir Elvis trocando idéias sobre esses arranjos com W. Earl Brown. Elvis diz: - "Vamos balancear a orquestra com a banda, cara!", no que o produtor responde: -"Também pensei nisso, ok!". O acompanhamento ficou bem mais forte e presente, sem dúvida. A orquestra presente foi a da NBC. Isso se nota bem, pois seu som é bem peculiar dentro da discografia de Elvis, essa você só vai ouvir nesse disco. Mas, vamos às músicas: "Trouble" é a melhor música da trilha do filme "King Creole" e também a mais conhecida. Trouble é uma preciosidade composta por Leiber e Stoller em que o ritmo e o conteúdo de sua letra caiu como uma luva para a estória do personagem Danny Fisher, um garoto correto que tenta sobreviver numa New Orleans infestada de Gangsters. Esta versão que foi utilizada no memorável "Comeback Special" de 1968 é muito boa. Porém sem sombra de dúvida "Trouble" vai ficar imortalizada mesmo na versão original gravada por Elvis no dia 15 de Janeiro de 1958 para o filme "King Creole". "Se você procura por encrenca, veio ao lugar certo!" Já "Guitar Man" é a típica música de Elvis pós 67: muito mais arranjada do que o normal trazendo a excelência instrumental do compositor Hubbard. Ela foi lançada em um single em janeiro de 1968 com "Hi-Heel Sneakers" no lado B. Baby, What You Want Me to Do - Clássico de Little Richard e Jimmy Reed. Elvis pára a música no meio para brincar um pouco, falando com os músicos e com a platéia: ao simular um problema no lábio Elvis vira a boca e diz: "Espere caras, estou com um problema nos lábios", dá seu sorriso ímpar e diz: "Pois fique sabendo que fiz 29 filmes desse jeito". Todos riem. Depois relembra seus shows na Flórida onde não podia mexer nada, apenas seu dedo mindinho. Lembra que os shows eram filmados pela polícia para impedir que ele fizesse "imoralidades" nos palcos. Elvis se diverte com o fato. Mostra o lado divertido do Rei do Rock. Where Could I Go But The Lord (James B. Coats) - Canção do disco "How Great Thou Art", por demais conhecida no mundo Gospel norte americano. Foi escrita inicialmente pela dupla de compositores K.E.Harris e J.M.Black em 1890. Em 1940 J.B.Coats escreveu uma versão bastante modificada. Foi gravada ainda por Red Foley em 1951 e por Faron Young em 1954. Elvis a utilizou ainda no NBC TV Special num medley com outras canções evangélicas. Up Above My Head (Brown) - Esse medley continua com essa música inédita. São ao todo sete minutos e meio de gospel. Faz sentido. Até porque era época de natal e também porque Elvis não ia dispensar essa chance de colocar esse ritmo, o seu preferido, no seu especial de retorno. Esse é um gospel tocado principalmente em igrejas de negros no sul dos Estados Unidos. Elvis sempre teve uma posição altamente positiva em relação à questão racial. Colocava artistas negros para lhe acompanhar em seus shows (como as Sweet Inspirations) e sempre que podia incentivava e elogiava a cultura negra de seu país. Para um sulista isso significava uma atitude altamente louvável, pois estes Estados sulistas dos EUA sempre foram os mais racistas. Saved (Leiber / Stoller) - Até hoje me pergunto: como uma dupla de judeus iria escrever uma música gospel como essa? Só mesmo Leiber e Stoller para aprontar uma dessas. Devem ter deixado seu rabino com os cabelos em pé, sem dúvida. Viva o ecumenismo! Medley: Nothingville (Strange / Davis) / Big Boss Man (Smith / Dixon) /  Guitar Man (Hubbard) / Little Egipt (Leiber e Stoller) / Trouble (Leiber e Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - O último medley do especial, juntando músicas novas e inéditas como Nothingville (nunca mais foi usada por Elvis) com trilhas sonoras (Little Egipt de "Carrossel de Emoções"), além das já citadas "Guitar Man" e "Trouble". Funciona? Em termos, acho que "Big Boss Man" merecia uma faixa solo e não cortada como saiu. Tremenda geléia geral que às vezes dá indigestão! Esse medley foi utilizado no especial como pano de fundo de várias cenas de estúdio, com Elvis, dançarinos e um fiapinho de roteiro. Totalmente dispensável. Não deveriam ter cortado vários trechos de Elvis ao vivo para colocar isso. Felizmente anos depois, as cenas inéditas apareceram e tudo foi corrigido.

Dezembro de 1968 - A RCA lança a trilha do NBC TV Special. É o primeiro álbum de Elvis Presley a alcançar o Top 10 desde 1965. O disco vende muito bem e Elvis se reconcilia com o sucesso finalmente. A imprensa americana em peso elogia a perfomance de Elvis no Especial. Muitos analistas acabam denominando o show de "Comeback Special", ou seja, o especial da volta de Elvis. Ao longo dos anos o apelido pegará e o NBC TV Special acabará ficando conhecido por esse nome. Muitos jornais e revistas colocam Elvis e seu retorno em destaque. A revista Eye escreve: "É um milagre ver um homem perdido reencontrar o caminho. Elvis cantou com o ímpeto que as pessoas esperam de um verdadeiro astro de Rock'n'Roll. Movimentou seu corpo com um empenho tão natural que deve ter deixado Jim Morrison verde de inveja. Não importa que a maioria das músicas tenha mais de dez anos, pois Elvis as interpretou como se tivessem sido escritas ontem!". A Record World celebrou a volta de Elvis: "Não foi o velho Elvis, comercializado na nostalgia de seus velhos rocks e na ridícula censura de Ed Sullivan, mas sim uma apresentação atual, viril, cheia de humor, vibrante e com a agitação de nossos dias". O New York Times, sempre cético em relação aos filmes de Elvis disse: "Parece que Elvis finalmente vai seguir o caminho da luz da boa música e do bom gosto, luz essa que passa bem longe de seus filmes em Hollywood". A Variety estampou com destaque: "Elvis enfim ressuscita!".

Dezembro de 1968 - A revista inglesa New Musical Express, mais influente publicação de música do Reino Unido, coloca Elvis na capa e o elege o "Cantor número um do ano". A Billboard faz uma votação entre seus leitores e o NBC TV Special vence como melhor apresentação musical do ano na TV americana.

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de maio de 2015

Frank Sinatra Jr afirma que Elvis Presley foi medíocre

Frank Sinatra Jr ao lado do pai famoso
(Las Vegas) - O cantor Frank Sinatra Jr, filho do lendário Frank Sinatra, afirmou em entrevista ao jornal DN que Elvis Presley foi medíocre. Para ele o próprio rock nada trouxe de relevante para a música mundial. Sinatra Jr disse que cresceu em uma época muito fértil para o rock nos Estados Unidos, na década de 1960, mas que jamais pensou em se tornar roqueiro, preferindo adotar o gênero musical de seu pai, seguindo os passos do jazz e do swing dos anos 1940. Ele confidenciou que a RCA Victor o procurou para que ele se tornasse um novo rockstar quando era jovem, mas que ele recusou desde o começo essa ideia. "Senti que não poderia cantar um estilo do qual nunca realmente acreditei". Ainda analisando o surgimento do rock nos Estados Unidos ele foi mais longe e disse: "Eu sempre vi o rock como um prêmio para quem nunca teve realmente talento. É um testamento para mediocridade. Elvis Presley era um medíocre! Ele jogou a música para baixo, apelando para movimentos sensuais. Não se confiava em seu talento apenas. Seu estilo acabou dando origem a outras coisas ruins como o Punk Rock e o Rap, que é um lixo total".

Sinatra Jr afirmou que nunca se considerou um artista de sucesso. Com seis álbuns gravados e várias turnês pelos Estados Unidos desde os anos 1970, ele passa longe de se considerar um astro. "Um cantor de sucesso estrela filmes, ganha um programa de TV numa grande emissora e tem vários hits nas rádios. Eu nunca tive nada disso, mas mesmo assim fico feliz com minha carreira porque fiz aquilo em que acreditei.". No final da entrevista Sinatra Jr reconheceu ser muito complicado trilhar seu próprio caminho tendo um pai tão famoso e cultuado, com uma obra tão rica, adorada mesmo nos dias de hoje, muitos anos após sua morte. "Meu pai foi um ídolo de milhões. Jamais alcançarei nem a metade do que ele se tornou. Ninguém pode me comparar a Frank Sinatra pois todos sabemos que isso seria duplamente injusto".

Fonte: DN.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Elvis NBC TV Special

Elvis NBC TV Special (1968)
No final dos anos 60 a TV NBC passava por uma séria crise financeira e de audiência. Suas concorrentes ABC e CBS ganhavam cada vez mais espaço, enquanto a NBC perdia cada vez mais. Para mudar esse quadro, a direção da emissora resolveu apostar alto em uma nova grade de programação, dando destaque especial para a sua área de shows. A NBC resolveu investir pesado e entrou em contato com o coronel Tom Parker para a realização de um especial de final de ano com Elvis Presley. Seria a principal atração do fim da temporada, com ampla publicidade e ótimos contratos de marketing. Elvis precisava tanto da NBC quanto ela precisava de Elvis. O Rei do Rock vinha em um mal momento da carreira. Seus filmes já estavam desgastados, Elvis sentia-se cada vez mais frustrado com a política dos grandes estúdios de cinema de Hollywood, que lhe mandavam fazer o mesmo filme ano após ano, com as mesmas trilhas sonoras e os mesmos roteiros estúpidos. Elvis estava mais do que farto deste esquema em 1968. Quando soube da idéia do especial, se empolgou e disse ao seu empresário que fechasse o contrato, pois ele queria voltar o quando antes a se apresentar ao vivo. Ainda tinha contratos a cumprir na costa oeste, mas queria que estes fossem os últimos. Sem dúvida, para quem apostava em uma carreira de ator, aquilo tudo representava um grande retrocesso. Era uma derrota para Elvis deixar Hollywood assim.

A verdade era que ele descobriu, ao longo dos anos, que nenhum estúdio iria lhe dar uma chance para desenvolver uma carreira dramática em Hollywood. Para os chefões Elvis tinha que sempre desempenhar o mesmo papel: o de Elvis Presley. Se continuasse no esquema dos estúdios cinematográficos, Elvis iria continuar a fazer uma comédia musical atrás da outra até sua carreira se apagar de vez. Ele estava decidido a pular fora e salvar o que ainda tinha restado de seu legado musical. E assim foi feito. Depois de acertar seu cachê (meio milhão de dólares por quatro dias de trabalho) Elvis finalmente se preparou para sua volta. O show seria transmitido no final do ano, em dezembro. O coronel Parker sugeriu um roteiro simplesmente desastroso para o especial: "Elvis entraria de papai noel, cantaria meia dúzia de músicas natalinas e iria embora pela chaminé". Elvis e o produtor Steve Binder simplesmente odiaram essa idéia. Juntos, trocaram pensamentos e conceitos e chegaram a um modelo básico. Elvis seria acompanhado de sua primeira banda, Scotty Moore e D.J. Fontana (Bill Black havia morrido em 1965).

Seria um show acústico (o primeiro da história), com Elvis vestindo uma roupa de couro negro, tocando uma guitarra Gibson, tudo de forma natural e autêntica. Ele interpretaria seus velhos sucessos e duas canções escritas especialmente para o programa: "If I Can Dream" e "Memories". Estava em ótima forma física e empolgado pela chance de voltar a apresentar um material de qualidade. Tudo que precisava era uma chance de mostrar novamente seu incontestável talento. Os ensaios foram exaustivos, Elvis tomou a frente, elaborando arranjos e produção, esse foi um momento crucial de sua vida, se falhasse, provavelmente seria o fim de sua carreira. E ele sabia disso. Em 1968, aos 33 anos de idade, Elvis Presley finalmente voltou à TV, num especial histórico para NBC em comemoração ao natal. O cantor estava no auge de sua beleza física e o show foi um marco em sua vida. Com cenas em estúdio e ao vivo, Elvis estava natural, espontâneo, Elvis como ele só. Priscilla Presley em seu livro "Elvis e eu" relembra o impacto do show: - "O especial de Elvis foi um sucesso espetacular e alcançou o maior índice de audiência do ano.

A música final, "If I Can Dream", foi sua primeira gravação que ultrapassou a barreira de um milhão de cópias vendidas em muitos anos. Sentamos em torno da TV assistindo ao programa, esperando nervosamente pela reação. Elvis se manteve silencioso e tenso durante toda a exibição do programa, mas assim que os telefones começaram a tocar, compreendemos que ele conquistara um novo triunfo. Não perdera a classe, ainda era o rei do rock'n'roll". Com esse programa Elvis se convenceu que era hora de deixar Hollywood para trás e retomar os rumos de sua carreira musical. Não haveria mais trilhas sonoras insípidas, o momento era de entrar em estúdio novamente para gravar canções de qualidade, para mudar novamente os rumos musicais de seu tempo.


Medley: Trouble (Jerry Leiber / Mike Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - Para abrir o programa Elvis apresentou esse Medley bem sacado. Em um disco pirata dos anos 80, pode-se ouvir Elvis trocando idéias sobre esses arranjos com W. Earl Brown. Elvis diz: - "Vamos balancear a orquestra com a banda, cara!", no que o produtor responde: -"Também pensei nisso, ok!". O acompanhamento ficou bem mais forte e presente, sem dúvida. A orquestra presente foi a da NBC. Isso se nota bem, pois seu som é bem peculiar dentro da discografia de Elvis, essa você só vai ouvir nesse disco. Mas, vamos às músicas: "Trouble" é a melhor música da trilha do filme "King Creole" e também a mais conhecida. Trouble é uma preciosidade composta por Leiber e Stoller em que o ritmo e o conteúdo de sua letra caiu como uma luva para a estória do personagem Danny Fisher, um garoto correto que tenta sobreviver numa New Orleans infestada de Gangsters. Esta versão que foi utilizada no memorável "Comeback Special" de 1968 é muito boa. Porém sem sombra de dúvida "Trouble" vai ficar imortalizada mesmo na versão original gravada por Elvis no dia 15 de Janeiro de 1958 para o filme "King Creole". "Se você procura por encrenca, veio ao lugar certo!" Já "Guitar Man" é a típica música de Elvis pós 67: muito mais arranjada do que o normal trazendo a excelência instrumental do compositor Hubbard. Ela foi lançada em um single em janeiro de 1968 com "Hi-Heel Sneakers" no lado B.

Lawdy, Miss Clawdy (Price) - Depois da apresentação, Elvis começa a parte acústica do show: Só ele e os caras da banda, tocando ao vivo, sem frescuras, numa volta sobrenatural aos tempos da Sun Records. Só faltou mesmo Bill Black, e tenha certeza, faz uma tremenda falta. Sem dúvida, disparado esse é o ponto alto tanto do disco como do especial. Rock'n'Roll é isso aí. "Lawdy, Miss Clawdy" é um grande momento da carreira de Elvis cuja versão original foi gravada no dia 3 de fevereiro de 1956 nos estúdios da RCA em Nova Iorque. Foi lançada como lado B de um single com "Shake, Rattle and Roll" em Agosto de 56. Era uma das preferidas do Rei do Rock. Pintou pela primeira vez na discografia de Elvis no famoso disco "For LP Fans Only" que foi lançado nos Estados Unidos quando ele estava servindo o exército na Alemanha.

Baby, What You Want Me to Do - Clássico de Little Richard e Jimmy Reed. Elvis pára a música no meio para brincar um pouco, falando com os músicos e com a platéia: ao simular um problema no lábio Elvis vira a boca e diz: "Espere caras, estou com um problema nos lábios", dá seu sorriso ímpar e diz: "Pois fique sabendo que fiz 29 filmes desse jeito". Todos riem. Depois relembra seus shows na Flórida onde não podia mexer nada, apenas seu dedo mindinho. Lembra que os shows eram filmados pela polícia para impedir que ele fizesse "imoralidades" nos palcos. Elvis se diverte com o fato. Mostra o lado divertido do Rei do Rock.

Medley: Outro medley, esse fazendo uma revisão geral na carreira de Elvis. O problema é que muito material foi cortado da exibição, pois o programa só teve uma hora de duração. Então o jeito foi fazer um medley que resumisse grande parte da vida de Elvis de uma vez só. Claro que isso é impossível, mas até que ficou bom, no balanço geral. Essas foram as utilizadas:

Heartbreak Hotel (Axton / Durden / Presley) — O primeiro grande sucesso de Elvis em nível nacional foi lançado em Janeiro de 1956 com "I was the one" no lado B alcançando o primeiro lugar na parada americana e européia. A música foi escrita especialmente para ele e se tornou uma de suas marcas registradas. Foi gravada em 10 de janeiro de 1956 no estúdios da RCA em Nashville. Foi gravada na primeira sessão de Elvis na RCA. Para tentar reproduzir o som das gravações da Sun Records, o engenheiro Bob Ferris construiu uma câmara no prédio do novo estúdio, buscando eco de telhas e vidro. Inacreditáveis as guitarras acústica e elétrica de Chet Atkins e Scotty Moore na gravação. A companhia de discos a considerou "um desastre", imprópria para tocar no rádio. Cinco semanas depois, tornava-se seu primeiro hit número 1.

All Shook Up (Elvis Presley / Blackwell) — Esta canção alcançou tamanho sucesso quando lançada que se tornou parte do vocabulário da juventude norte americana da época. Elvis alcança uma das mais brilhantes interpretações de sua vida resultando num dos singles mais vendidos de sua carreira. A canção chegou a Elvis através de Steve Sholes, seu produtor na RCA Victor. O single alcançou o primeiro lugar da parada da revista Billboard em março de 1957 tendo sido gravada em 12 de janeiro do mesmo ano nos estúdios Radio Recorders em Hollywood. Esta canção foi gravada primeiramente como I´m All Shook Up por David Hill, na Aladdin Records. Elvis gravou fazendo percussão na parte de trás do violão. O single ficou durante nove semanas no topo das paradas dos EUA, seu maior tempo consecutivo como número 1. Também foi seu primeiro número 1 na Inglaterra.

Can't Help Falling In Love (Peretti/Creatore/Weiss) -- Canção baseada em "Plaisir d'Ámor" do compositor francês de origem alemã Jean Paul Martini. A versão de Presley foi muito feliz pois foi muito bem adaptada. O maior sucesso do filme. Quando foi lançada em Single em Novembro de 1961 alcançou um enorme sucesso de vendas. Nos anos setenta ela seria utilizada como desfecho de todos os seus shows. Nos anos 90 o grupo UB40 faria uma nova versão de grande sucesso. Parte da trilha sonora do filme Blue Hawaii. O álbum ficou durante incríveis 20 semanas no nº 1 e vendeu mais de 2 milhões de exemplares.


Jailhouse Rock (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Música título do terceiro filme estrelado por Elvis que no Brasil recebeu o nome de "O Prisioneiro do Rock", sendo que sua trilha foi lançada em um Compacto Duplo em outubro de 1957. Foi ainda lançada como single em setembro de 1957 com "Treat Me Nice" no lado B. O Sucesso foi imediato e o single chegou ao primeiro lugar na parada americana. A cena do filme em que Elvis apresenta esta canção é considerado o melhor momento do cantor no cinema. Leiber e Stoller afirmaram posteriormente que sua intenção era "...imitar o som de pedras quebrando" o que de certa forma foi conseguido. Foi gravado em 30 de abril de 1957 nos estúdios Radio Recorders em Hollywood. Assim Elvis ignorou a intenção satírica dos autores (Jerry Leiber e Mike Stoller) e interpretou a canção com fúria. Jailhouse Rock foi o primeiro single da história a ir direto para o topo das paradas no Reino Unido.

Love Me Tender (Presley / Matson) - Música título de seu primeiro longa Metragem que no Brasil recebeu o nome de "Ama-me Com Ternura". O titulo original do filme era "The Reno Brothers" mas com a ascensão do Rei resolveu-se mudar o titulo para aproveitar o sucesso do cantor. A estória se passa durante o final da guerra civil norte americana e trata da delicada disputa de uma mulher por dois irmãos. A trilha foi lançada em um compacto duplo com "We're Gonna Move", "Let Me" e "Poor Boy" todas de autoria de Elvis Presley e Vera Matson. Era o inicio de uma carreira cinematográfica que iria contar com mais de trinta filmes. "Love Me Tender" foi gravada em Agosto de 1956 nos estúdios I da 20th Century Fox em Hollywood. Ele não contou com sua banda tradicional e sim músicos determinados pelo estúdio cinematográfico da Fox. Elvis produziu Love me Tender durante sua primeira sessão de gravações na Costa Oeste, em agosto de 1956. Ele apresentou a canção no The Ed Sullivan Show, em 9 de setembro. Provavelmente, este foi o primeiro disco da história a ter 1 milhão de cópias pré-vendidas, graças à expectativa gerada em torno de seu lançamento.

Fim do Medley: Elvis encerra sua volta aos anos iniciais com "Love Me Tender". Esse segmento, ao contrário do anterior, foi apresentado com Elvis de pé e acompanhado da orquestra da NBC, ao invés de sua banda. Funciona melhor com as canções mais, digamos, virtuosas como "Can't Help Falling In Love". Com os rocks, perde-se um pouco, seria melhor que fosse executada com o apoio de Scotty Moore e cia.

Medley Gospel: Where Could I Go But The Lord (James B. Coats) - Canção do disco "How Great Thou Art", por demais conhecida no mundo Gospel norte americano. Foi escrita inicialmente pela dupla de compositores K.E.Harris e J.M.Black em 1890. Em 1940 J.B.Coats escreveu uma versão bastante modificada. Foi gravada ainda por Red Foley em 1951 e por Faron Young em 1954. Elvis a utilizou ainda no NBC TV Special num medley com outras canções evangélicas.

Up Above My Head (Brown) - Esse medley continua com essa música inédita. São ao todo sete minutos e meio de gospel. Faz sentido. Até porque era época de natal e também porque Elvis não ia dispensar essa chance de colocar esse ritmo, o seu preferido, no seu especial de retorno. Esse é um gospel tocado principalmente em igrejas de negros no sul dos Estados Unidos. Elvis sempre teve uma posição altamente positiva em relação à questão racial. Colocava artistas negros para lhe acompanhar em seus shows (como as Sweet Inspirations) e sempre que podia incentivava e elogiava a cultura negra de seu país. Para um sulista isso significava uma atitude altamente louvável, pois estes Estados sulistas dos EUA sempre foram os mais racistas.

Saved (Leiber / Stoller) - Até hoje me pergunto: como uma dupla de judeus iria escrever uma música gospel como essa? Só mesmo Leiber e Stoller para aprontar uma dessas. Devem ter deixado seu rabino com os cabelos em pé, sem dúvida. Viva o ecumenismo!

Blue Christmas (Billy Hayes / Jay Jonhson) — Essa foi incluída para satisfazer o coronel Parker. E pensar que ele queria transformar o especial numa breguice de natal. Outro sucesso dos anos 40 cantada por Elvis neste disco. O Rei apresentaria uma versão no Histórico "NBC TV Special" (Comeback Special) em 1968. A versão em questão está no LP da Trilha do especial de TV que trouxe o Rei de volta as apresentações ao vivo depois de uma longa ausência proporcionada pela série de filmes protagonizados por ele nos anos sessenta. Foi gravada no dia 5 de setembro de 1957 em Hollywood.

One Night (Bartholomew/King) - A Versão original desta canção foi lançada por Smiley Lewis em 1956 pelo selo Imperial. A Versão de Elvis se tornou um grande sucesso. Ele a utilizou também dez anos depois no memorável NBC Special em 1968 (Comeback Special). A letra mais uma vez foi considerada ofensiva o que fez a produção mudá-la de forma a torná-la mais aceitável. A versão com a letra completa foi lançada muitos anos depois como "One Night a Sin". "One Night" chegou ao quarto lugar nas paradas em Outubro de 1957 nos EUA e ao topo na terra dos Beatles. Para aplacar a sanha dos censores, essa música teve um verso mudado. Em vez de "One night of sin is what I´m not paying for" (Uma noite de pecado é para o que não estou pagando), ele cantou "One night with you is what I´m now praying for" (Uma noite com você é pelo que estou rezando agora). Ainda assim, foi considerada escandalosa.


Memories (Strange / Davis) - Acho "Memories" realmente uma música muito especial. Muito bem escrita, bem arranjada e contando com Elvis em um dos seus melhores momentos. No especial Elvis a canta no finalzinho do show, ainda com sua roupa de couro negro. Foi lançada em single no começo de 1969 com "Charro" (do filme de mesmo nome) no lado B. Foi um belo sucesso, reconciliando definitivamente Elvis com as paradas de sucesso.

Medley: Nothingville (Strange / Davis) / Big Boss Man (Smith / Dixon) /  Guitar Man (Hubbard) / Little Egipt (Leiber e Stoller) / Trouble (Leiber e Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - O último medley do especial, juntando músicas novas e inéditas como Nothingville (nunca mais foi usada por Elvis) com trilhas sonoras (Little Egipt de "Carrossel de Emoções"), além das já citadas "Guitar Man" e "Trouble". Funciona? Em termos, acho que "Big Boss Man" merecia uma faixa solo e não cortada como saiu. Tremenda geléia geral que às vezes dá indigestão! Esse medley foi utilizado no especial como pano de fundo de várias cenas de estúdio, com Elvis, dançarinos e um fiapinho de roteiro. Totalmente dispensável. Não deveriam ter cortado vários trechos de Elvis ao vivo para colocar isso. Felizmente anos depois, as cenas inéditas apareceram e tudo foi corrigido.

If I Can Dream (Brown) - Em uma palavra: épica! Com um simples single Elvis colocou os Beatles e os Rolling Stones no bolso e detonou eles das paradas! Depois de anos sendo superado, por causa de suas trilhas ruins, Elvis mostrou quem é que mandava. Os fãs do Rei ficaram de peito lavado e eu também (se tivesse tido a oportunidade e a idade de vivenciar isso, claro!). Mas deixando essas questões puramente comerciais de lado, se "If I Can Dream" fosse apenas um compacto obscuro na carreira de Elvis eu ainda iria amar essa música, sem dúvida nenhuma. Ela foi lançada com "Edge of Reality" no natal de 1968 e foi ouro na mesma semana. Foi uma das mais políticas músicas de Elvis, que tratava e falava de forma poética de vários problemas que a sociedade americana e mundial vinham enfrentando naquela época. Para gravá-la Elvis pediu que ficasse sozinho no estúdio, que fossem apagadas todas as luzes. Ele se sentou no chão do estúdio e comovido presenteou e deixou para a eternidade um momento simplesmente insuperável! Um momento raro. Os produtores e engenheiros de som do Burbank Studios ficaram simplesmente de queixo caído! Anos depois, Bones Howe, um dos presentes, confidenciou que após gravar a música Elvis conversou baixinho com alguém no estúdio! Ainda sentado no chão ele agradeceu, emocionado, a essa "entidade" pela inspiração. Não se sabe o que ocorreu, mas dizem que naquela noite conversou com sua querida mãe, falecida dez anos antes... ela estava ao seu lado, segurando sua mão...

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal, guitarra e violão) / Scotty Moore (guitarra) / D.J. Fontana (bateria) / Charlie Hodge (guitarra) / Alan Fortas (percussão) / Lance Le Gault (tamborim) / The NBC Orquestra / Bob Finkel (produção executiva) / Steve Binder (direção) / Bones Howe (supervisão musical) / Allan Blye e Chris Beard (roteiro) / W. Earl Brown (arranjos) / Gene McAvoy (direção de arte) / Jaime Rodgers e Claude Thompson (coreografias) / Gravado nos estúdios Burbank, Califórnia / Data de gravação: 27, 28, 29 e 30 de junho de 1968 / Data de exibição: 3 de dezembro de 1968 / Data de lançamento da trilha sonora: dezembro de 1968.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lisa Marie e a morte de Michael Jackson

Lisa Marie e a morte de Michael Jackson
Lisa escreveu no dia 26 de junho de 2009, em seu blog pessoal no My Space, um texto bem sincero sobre a morte de Michael Jackson. Leia a íntegra de seu desabafo:"Ele sabia. Alguns anos atrás Michael e eu estávamos tendo uma conversa profunda sobre a vida em geral. Eu não consigo lembrar o assunto exato mas ele deve ter questionado sobre as circunstâncias da morte do meu pai. Em algum ponto ele parou, me encarou intensamente e ele calmamente disse com toda certeza, "eu acho que vou acabar igual a ele, do jeito que ele fez." Na mesma hora eu tentei afastá-lo desta idéia mas ele apenas deu de ombros e acenou como se me deixasse saber o que ele pensava. 14 anos depois eu estou aqui sentada olhando as notícias, com uma ambulância saindo de sua casa, os altos portões, a multidão lá fora, a cobertura, a multidão no hospital, a causa da morte e o que levou a isso e a lembrança desta conversa chegou a mim assim como as lágrimas que não conseguiam parar. Um final previsto por ele, pelos que o amavam e por mim, mas o que eu não previ foi o quanto iria doer quando isso realmente acontecesse.

A pessoa que eu falhei em ajudar está sendo transferida agora para o IML de Los Angeles para a autópsia. Toda a minha indiferença e desapego que eu tentei tanto ter ao longo dos anos se foram para o inferno e agora eu estou arrasada. Eu vou dizer agora o que eu nunca disse antes porque eu quero a verdade de uma vez por todas. Nossa relação não foi uma "farsa" como foi dito pela imprensa. Foi uma relação diferente, sim, onde duas pessoas diferentes que não viviam ou sabiam o que era uma "vida normal" descobriram uma conexão, talvez com alguma perspectiva suspeita da parte dele. Entretanto, eu acredito que ele me amou tanto quanto ele poderia amar alguém e eu o amei muito. Eu queria ter dito que o salvei do inevitável, que foi o que aconteceu. A família dele e aqueles que o amavam também queriam salva-lo disso mas não sabíamos como fazer e isso foi há 14 anos. Todos nós nos preocupamos que isto viria algum dia. Naquela época, tentando salva-lo, eu quase me perdi. Ele era uma força incrivelmente dinâmica e tinha um poder que não poderia ser subestimado. Quando ele usava isso para o bem, era o melhor e quando ele usava isso para alguma coisa ruim, ele era realmente, realmente mal. A mediocridade não era um conceito que entraria nas ações ou no jeito de ser de Michael Jackson. Eu fiquei doente, emocionalmente e espiritualmente arrasada nas minhas tentativas de salva-lo de um certo comportamento de auto destruição e dos vampiros e sanguessugas com os quais ele parecia sempre atrair para perto dele.

Eu estava fora de mim tentando. Eu tinha uma criança para tomar conta, eu tinha que tomar uma decisão. A decisão mais difícil que eu tive que fazer, que foi ir embora e deixa-lo ao seu próprio destino, mesmo embora eu estivesse desesperadamente apaixonada por ele e tentasse parar ou reverter isso. Depois do divórcio, eu passei alguns anos com uma obsessão sobre ele e com um remorso sobre o que eu poderia ter feito de diferente. Então, eu passei alguns anos com raiva de toda a situação. Ao mesmo tempo eu fiquei indiferente, até agora. Enquanto eu me sento aqui dominada pela tristeza, reflexão e confusão naquela que foi a minha maior falha até agora, olhando as notícias quase passo a passo. O exato cenário eu vi acontecer no dia 16 de agosto de 1977, acontecer de novo agora com Michael (algo que eu queria nunca mais ver de novo) como ele previu, eu estou muito, muito arrasada. Qualquer experiência ruim ou palavras que eu senti por ele no passado morreu comigo. Ele era uma pessoa surpreeendente e eu tive sorte de ter sido próxima dele como eu fui e tido as muitas experiências ao longo dos anos que tivemos juntos. Eu sinceramente desejo que ele possa estar livre e aliviado de sua dor, da pressão e do tumulto agora. Ele merece estar livre de tudo e eu espero que ele esteja num lugar melhor agora. Eu também espero que qualquer um que sinta que falhou em ajuda-lo possa sentir que ele está livre agora finalmente. O mundo está em estado de choque mas de alguma forma ele sabia exatamente como seu destino seria mais do que qualquer um de nós, e ele estava certo. Eu realmente precisava dizer iso agora, obrigada por ouvir.

LMP"

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Livro - Elvis Presley: Graceland's Table

Graceland's Table: Recipes and Meal Memories Fit for the King of Rock and Roll - Eu já comprei muito material estranho sobre Elvis Presley, sendo que alguns poderiam ser encarados mesmo como meras bobagens por quem não é fã de Elvis (e provavelmente sejam bobeirinhas drops realmente). Veja o caso desse "Graceland's Table: Recipes and Meal Memories Fit for the King of Rock and Roll" que foi escrito em colaboração com a EPE. Do que diabos se trata? De um livro que inclui muitas fotos inéditas mostrando Elvis à vontade, em Graceland, completamente relaxado e entre amigos. Muitas das fotografias são totalmente inéditas e grande parte delas são coloridas, em uma edição de luxo. Vale a pena ter em sua mesinha de sala para as visitas folhearem enquanto você prepara o chá das cinco! Achou descartável? Calma, que tem mais... Ao adquirir o book você ainda leva de presente o livro de receitas completo de mama Presley, copiado diretamente do caderno de anotações da cozinha de Graceland.

São 175 receitas saborosas (e que farão um mal danado para sua saúde) que revelam um painel do cardápio do dia a dia de Elvis. Muito bacon, gordura, frituras e refrigerantes para você arrasar na sua taxa de colesterol! Como profissional de saúde posso dizer que todas as comidas, sem exceção, são bombas calóricas para levar você direto a um hospital. Você certamente vai adorar os sabores dos pratos, mas provavelmente não curtirá muito quando suas artérias ficarem entupidas! Na década de 50, 60 e 70 as pessoas não estavam preocupadas com taxas de colesterol, gordura, etc. Se comia basicamente para se fartar e quanto mais gostosa fosse a comida, melhor! Nada de verduras à vista ou Menu vegano. Elvis gostava mesmo de um cardápio feito para carnívoros esfomeados! Há muitas carnes, bifes enormes como os sulistas gostam, de preferência ainda escorrendo sangue ao serem servidas. Frutas? Quase nenhuma, apenas banana frita para ser servida dentro de um sanduíche enorme, cheio de creme de amendoim e gordura, que acabam escorrendo por todos os lados! Seus dedos ficarão completamente melados ao tentar abocanhar esse monstro calórico! Uma orgia de gula! Para se ter uma ideia Elvis no café da manhã se fartava com uma quantidade realmente insana de calorias - bem acima do que é necessário para um homem adulto passar o resto do dia sem precisar fazer novas refeições. Como sabemos porém isso era apenas o breakfast pois Elvis beliscava o dia inteiro e geralmente suas comidas favoritas fazem parte do que hoje em dia se chama "Junk Food", um degrau acima do já danoso "Fast Food".

Mas o livro não se resume nas comilanças desenfreadas do Rei do Rock. Há espaço também para outro tipo de informação. Assim o leitor é presentado com muitas fofoquinhas banais relembradas por aqueles que faziam parte do círculo íntimo de Elvis. Entre eles, Joe Esposito e a única mulher a fazer parte da Máfia de Memphis, Patty Perry. Outro depoimento inédito é o da enfermeira de Elvis, Marian Cocke, que mostra pela primeira vez qual era a refeição preferida de Elvis quando ele estava doente (Meu Deus - como você viveu até hoje sem essa informação?!). Em suma, um lançamento que mostra os dois lados de Elvis: o do Gourmet e o do Glutão. Por fim, se você estiver disposto a um programa de leitura duplamente bizarro eu ainda indico outro título, mais um a engrossar a longa lista de livros que tentam provar que Elvis ainda está vivo. Ele se chama "Elvis' DNA Proves He's Alive". É um livro alemão escrito pelo autor Bill Beeny, que tenta em 112 páginas provar de uma vez por todas que através de exames de DNA se pode provar com certeza que a pessoa que está enterrada em Graceland não é Elvis Aaron Presley. O díficil mesmo vai ser convencer a família Presley a promover uma investigação com o cadáver do suposto de cujus que jaz no Jardim da Meditação. Beeny só não explica como Elvis estaria vivo com todo aquele bacon gorduroso consumido diariamente! Então é isso, leia e se divirta, mas pelo amor de Deus não tente fazer da dieta de Elvis o seu Menu diário, as consequências para sua saúde podem ser bem trágicas! Palavra de escoteiro...

Erick Steve. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Bacana do Volante

Quando "Speedway" pintou nos cinemas em junho de 1968 Elvis Presley já estava com um pé fora de Hollywood. Ele tinha planos para retornar em um grande especial de TV na NBC e posteriormente voltar para a estrada, para aquilo que mais gostava de fazer, realizar shows ao vivo. Sua carreira em Hollywood havia entrado em um beco sem saída e assim todos já sabiam de antemão que ele tinha dois caminhos a seguir: ou continuava a tentar emplacar ano após ano com esse tipo de filme ou então voltar para a música de forma definitiva."O Bacana do Volante" foi produzido pela MGM. Nesse estúdio Elvis amargou seus piores filmes. Ao contrário da Paramount que sempre procurava fazer algo no mínimo decente para ser lançado, na Metro, em sua eterna crise financeira, valia tudo ou quase tudo. Filmes rodados em duas semanas, sem capricho, sem cuidado com pobre qualidade técnica. "Speedway" não chega a ficar entre os piores filmes de Elvis nesse estúdio mas também não fica entre os melhores. Não há como negar que o roteiro é bem derivativo, copiado inclusive de outras fitas de Elvis no próprio estúdio. De fato há pouca coisa que separa esse filme de "Spinout", por exemplo. A trama era quase sempre a mesma: Elvis como piloto de corridas, se apaixona por alguma starlet, canta algumas músicas e The End. Tudo muito leve e inofensivo.

O filme custou 1 milhão e meio de dólares e não fez grande sucesso. Lançado no Sul dos EUA inicialmente, em pequenas cidades onde Elvis tinha seu público mais fiel, o filme logo recuperou seu investimento em poucas semanas, mas mesmo assim tampouco virou um sucesso comercial. A estréia ocorreu na mesma cidade onde foram realizadas quase todas as cenas externas de corrida. Essas sequências foram realizadas por uma segunda unidade em Charlotte na Carolina do Norte onde todos os anos a cidade promovia uma famosa corrida de Stock Car. Todos os pilotos foram devidamente creditados, mostrando respeito dos produtores com esses profissionais. Só depois o estúdio finalmente o colocou em cartaz nos grandes centros (Nova Iorque, Los Angeles, etc) onde como sempre o filme foi impiedosamente malhado pela crítica especializada. Dividindo a tela com Elvis surge aqui Nancy Sinatra. Muito longe do carisma e o talento de uma Ann-Margret, Nancy fez o que foi possível para se tornar um boa partner para Elvis Presley. Dança, canta e tenta trazer alguma veracidade para o romance. Ela interpreta uma fiscal do imposto de renda que está atrás do piloto Steve Grayson (Elvis Presley) por sonegação. Já Elvis aqui apenas passeia em cena. Algumas canções são até boas - a própria "Speedway" tem bom ritmo e fluência, embora a letra seja fraca - mas ele visivelmente não se esforça muito. Em alguns momentos transparece até mesmo estar entediado. De qualquer modo o famoso cantor desfila um figurino interessante que anos depois seria parcialmente copiada pelos criadores do desenho animado Speed Racer. Em conclusão podemos dizer que "Speedway" até mesmo tem alguns bons momentos mas no geral a produção realmente deixa a desejar seja como musical, seja como comédia romântica. Revisto hoje em dia realmente o único interesse que sobrevive é a própria presença de Elvis Presley, que como todo mito tinha um carisma fora do normal, que o fazia sair ileso até mesmo de filmes como esse. Fora isso realmente não temos nada de muito marcante.

O Bacana do Volante (Speedway, EUA, 1968) Direção: Norman Taurog / Roteiro: Phil Shuken / Elenco: Elvis Presley, Nancy Sinatra, Bill Bixby, Gale Gordon / Sinopse: Susan Jacks (Nancy Sinatra) é uma agente fiscal do governo americano que vai no encalço de um piloto de corridas, Steve Grayson (Elvis Presley), que não pagou seu imposto de renda. Não demora muito para ela ficar completamente apaixonada pelo carismático corredor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.