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Elvis Presley e a RCA Victor

Elvis e Nipper! - Em 1958, em um dos seus mais ousados shows, o cantor Elvis Presley ao cantar um de seus maiores rocks, olhou para o lado e viu que no palco estava o cachorrinho símbolo de sua gravadora, a RCA Victor. O nome do mascote era Nipper e Elvis querendo fazer o maior show de sua vida agarrou o bonequinho e começou a rolar com ele no palco. Elvis levou as fãs e os presentes à loucura, as meninas gritavam, a força policial então teve que fazer muito esforço para o palco não ser invadido. Após rolar literalmente com Nipper por todo o palco Elvis levantou-se e sob o delírio do público se mandou para os camarins.

Nossa, aquilo foi chocante demais, no outro dia as noticias dos jornais eram sensacionalistas e estampavam em letras garrafais: "Elvis possui cachorro em pleno palco" ou "Elvis tem relações sexuais com boneco na frente de uma multidão". Pode parecer engraçado hoje, mas na época as coisas ficaram pretas, Elvis foi acusado de incentivar o libido de garotinhas e a delinquência juvenil, a policia disse que iria instalar câmeras de vídeo no palco para filmar as obscenidades, as autoridades religiosas clamavam que aquela era a música de satã e tudo mais.

E Elvis? Bem, ele ficou indignado e disse que não iria ceder as pressões, iria barbarizar no próximo show e foi o que fez. Logo ao entrar no palco Elvis virou-se para as câmeras e disse: "Vou ser um anjo esta noite. Se vocês acham que sou obsceno o problema é de vocês. Nada vai me impedir de fazer o maior show da história". E assim o fez.

Este foi um momento ímpar na carreira de Elvis e retratava bem o poder da gravadora de Elvis Presley, a RCA Victor e seu onipresente símbolo, o fofinho cachorrinho Nipper. Elvis logo depois foi servir as forças armadas americanas na Alemanha e o "caso Nipper" ficou para trás. Durante um bom tempo não se falou mais no "love affair" entre Elvis e o cachorrinho Nipper, símbolo máximo da RCA Victor. Esta é apenas uma história entre muitas outras que fizeram parte da longa trajetória que a RCA percorreu neste 100 anos. Mas a história desta gravadora começou bem antes, em 1901...

A História da RCA Victor

Gravadora fundada em 1901, cujo catálogo reúne Elvis Presley, Duke Ellington, Foo Fighters e Christina Aguilera, sobreviveu ao tempo mas sofreu mudanças

Responda rápido: o que Elvis Presley, Arthur Rubinstein, Cesária Évora, Christina Aguilera, Duke Ellington, Foo Fighters e Sam Cooke têm em comum? Resposta: estão todos no catálogo da companhia discográfia RCA, que está celebrando seus 100 anos neste 2001. Em 1901, em Camden, New Jersey, foi criada a Victor Talking Machine Company numa associação entre o inventor do gramofone, Emile Berliner, e um dos inventores que desenvolveram a máquina, Eldridge R. Johnson.

O cachorrinho no gramofone, símbolo dos mais conhecidos no século passado, foi uma sacada de Berliner. Em visita a Londres, ele viu uma pintura de Francis Barraud chamada His Master´s Voice, que mostrava um fox terrier (o cachorro de Barraud, batizado de Nipper) ouvindo um fonógrafo. Berliner comprou a pintura e seus direitos por cem libras esterlinas, e pediu licença para usá-la como logomarca de sua companhia nos Estados Unidos.

Em 1904, a Victor Co. já conquistava seu primeiro milhão de discos vendidos com a ária Vesti la Giubba, da ópera Pagliacci, gravação feita por Enrico Caruso em 1904. Caruso tinha apenas 29 anos na época e assinara um contrato de 100 libras para fazer 10 discos. Tornava-se assim o primeiro astro globalizado da era da reprodução elétrica de sons. Desde então, a história da RCA Victor confunde-se com a história da música americana no século 20.

Eldridge Johnson vendeu sua companhia para um banco em 1926. Em 1929, os banqueiros revenderam a Victor para a Radio Corporation of America, de onde veio o batismo mais conhecido de RCA Victor, em 1930. A Depressão trouxe a crise financeira e os discos podiam ser comprados a 30 ou 50 centavos nos Estados Unidos. A empresa passou a fabricar rádios para sobreviver. Naquela época, o catálogo da RCA tinha artistas como Benny Goodman, Glenn Miller, Tommny Dorsey e Fats Waller.

Ao final da Segunda Guerra, acabou-se o fôlego das big bands e começou a era dos grandes crooners. O maior deles, claro, foi Frank Sinatra, mas ele tinha contrato com a Columbia Records. A RCA disseminou o estilo "Nashville sound" nos anos 40 e foi responsável pelos primeiros grandes astros daquela década, como o cantor Perry Como, morto essa semana aos 88 anos. Os anos 40 também foram pródigos em grandes negócios artísticos. O maior de todos, para a RCA, foi a compra do "passe" de Elvis Presley por US$ 40 mil, numa disputa com a Mercury Records.

Elvis era uma cria de Sam Philips e estava na Sun Records. Elvis Presley, em 1956, ficou 11 meses no topo da parada da Billboard. Foi o primeiro artista a suceder ele mesmo no topo das paradas, quando Love me Tender sucedeu Don´t be Cruel nos charts. Nos anos 60, a RCA teve John Denver e Peter, Paul & Mary. Nos anos 70, Daryl Hall & John Oates. Nos anos 80, Eurythmics e David Bowie. Nos anos 90, Foo Fighters e Dave Matthews.

Em 1986, a RCA Records foi comprada (pertencia então à General Electric) pelo gigante alemão Bertelsmann Music Group, a BMG, negócio que envolveu ainda os selos Arista e Ariola. Boa parte da história da música americana foi parar em Berlim, seguindo a lógica do capital globalizado dos dias atuais. "Se você olha para trás, vê Elvis Presley, o rei do rock´n´roll, e hoje você tem um dos maiores vendedores de discos que é a Dave Matthews Band", disse o presidente da BMG, Rolf Schmidt-Holtz, em entrevista à Billboard, explicando que a companhia se mantém atenta ao legado da RCA Victor.

"Tradição significa poder", ele diz. O fato é que o cast hoje tem preocupações mais comerciais. A BMG tem em seu catálogo boa parte dos ídolos adolescentes de plantão, como Christina Aguilera, Westlife, Five, ´N Sync, e o neorumbeiro alemão Lou Bega.

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