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Scotty Moore, o Guitarrista de Elvis!

O Primeiro Guitarrista oficial de Elvis relembra a sua trajetória ao lado do Rei do Rock!

"Você tem que ouvir isso", disse uma inglesinha de 14 anos de idade, colocando a agulha no disco de 78 rotações. Era primavera de 1956 e todos os seus amigos na escola estavam enlouquecendo com "Heartbreak Hotel" de Elvis Presley - não se parecia com nada com que haviam ouvido antes. O irmão mais jovem da menina sentou-se petrificado, olhando para o toca discos enquanto ela explicava que o som metálico que ele estava ouvindo era o de uma guitarra elétrica. "Na época em que ouvimos aquela música não sabíamos o nome do guitarrista" lembra Jeff Beck, o mais jovem daquela sala. "Eles não costumavam colocar ficha técnica nos discos. Mas minha irmã continuou me fazendo ouvir coisas diferentes, como aqueles solos. se não fosse aquela experiência, talvez eu jamais tivesse pensado em tocar. Cliff Gallup teve um impacto sobre mim também, mas Elvis Presley foi o verdadeiro começo. Aquilo para mim era uma nave decolando".

Beck e o resto do mundo acabaram descobrindo que o guitarrista de Elvis era Scotty Moore. Mas o próprio Moore não foi recompensado, sua necessidade de criar "Algo diferente" foi um ingrediente básico na mistura potente que seria chamada de Rock'n'Roll. Scotty, e o falecido baixista Bill Black além de mais tarde, o baterista D.J.Fontana, formaram a banda "Blue Moon Boys". Inspirando várias pessoas, como Beck descreve, e acendendo o pavio de uma das maiores explosões da cultura Pop. Tudo começou numa noite quente de Julho de 1954, em Memphis, quando Scotty, Elvis e Black se encontraram no Sun Studios de Sam Phillips, para escolher, entre vários standards, o material que eles iriam gravar. Num intervalo, Elvis começou a cantar "That's All Right (mama)", um som com levada de Blues, de Arthur "big Boy" Grudup. Bill e Scotty se juntaram a Elvis, Sam apertou o botão vermelho, e a história do Rock'n'Roll começou a ser feita.

Hoje, Scotty é conhecido como "o guitarrista de Elvis", mas a relação começou de outro modo. Scotty havia convidado o cantor de 19 anos de idade para ir até a sua casa na tarde anterior, para testá-lo para a Sun Records. "Me lembro de ter pensado: Que porra de nome é esse - Elvis". Ele era um sujeito legal, um pouco tímido, mas cantava muito bem. Era muito bom na divisão de tempo, eu disse a Sam que o garoto sabia todas as canções que já haviam escrito. Era uma pré audição. Eu tinha uma banda, o Starlight Wranglers, e estava com a agenda de shows lotada nos finais de semana, num lugar chamado Bon Air. Eu sabia que precisávamos de divulgação, com um show de rádio ou um disco lançado para conseguir trabalhos mais bem pagos, então fizemos um álbum com Sam. Acho que vendeu umas 12 cópias" Quando Sam preparou a audição, que se tornou a primeira Session de Elvis pela Sun, ele disse que queria ouvir apenas a voz, com um pouco de ritmo de fundo. "Como éramos apenas eu e o Bill para tocar e, sem bateria, soou muito vazio e eu quis preencher as coisas um pouco. Este foi o motivo pelo qual comecei a utilizar aquele estilo de tocar com o polegar e com os dedos, tentar manter um ritmo mais pesado, batendo nas notas para tapar os buracos. Depois que saí da marinha em 1952, ouvi muito Chet Atkins e Merle Travis. Nos primeiros trabalhos eu estava só "preenchendo". A segunda música que gravamos com Elvis foi "Blue Moon of Kentucky" que Bill Monroe já havia feito e eu não queria fazer igual, quis tocar algo que complementasse a música e o cantor. Esta é uma coisa que as pessoas tentam fazer e para mim sempre foi fácil e natural"

Como eram as sessões com Elvis nos anos 50 ? "Apesar de Elvis ser um defensor ferrenho da boa gravação, ele apreciava uma faixa menos perfeita quando ela era tocada com energia e emoção". Scotty lembra um fato que ele nunca esqueceu: "Esse era um ponto em que Elvis e eu concordávamos: Se está bom, deixe como está! Algumas vezes são os pequenos erros que tornam um disco especial. Em 'Too Much' fizemos um take onde fiquei perdido - não tinha idéia de onde estava, mas continuei tocando e logo encontrei o lugar certo. Elvis encostou-se no alto falante de retorno para ouvir o playback no momento em que toquei o solo. Ele se virou, deu aquele sorriso sacana e disse: 'É esse!' Eu Respondi: 'Seu bosta você sabe que eu tinha me perdido!", aí Elvis me disse: "Mas ficou bom. Tem um grande gancho, uma alma e é assim que vamos lançar", para Scotty: "Elvis era um monstro no estúdio, ele sempre sabia qual era a versão certa para lançar", "Steve Sholes, nosso produtor não fazia nada, só arranjava os microfones e os equipamentos, quem realmente produzia tudo era Elvis e os caras da banda".

"Elvis explodiu mesmo por causa de seus shows. Era demais para os anos 50, cara! Elvis dançava, rebolava, quebrava as cordas de seu violão, as mulheres ficavam loucas", Scotty lembra de um fato curioso: "Em um de nossos shows, o público enlouquecido invadiu o palco e arrebentou com tudo, minha guitarra Gibson ES-295 novinha em folha ficou em pedaços, Acho que foi a primeira guitarra de Rock'n'Roll quebrada no palco!" (risos). "A coisa começou a ficar grande demais, no começo a gente tocava em qualquer buraco, mas depois que a fama de Elvis se espalhou, começou a aparecer tanta gente para nos ver que sempre os shows acabavam em tumulto" Scotty lembra: "Não havia concertos de Rock assim, Elvis foi o primeiro a transformar os shows musicais em delírios coletivos". Scotty Moore lembra as viagens com o Rei: "Elvis nunca dormia, isso é um fato, o cara era uma coruja", No começo eles viajavam num velho carro caindo aos pedaços: "Muitas vezes nós dormíamos no carro mesmo, éramos uns duros", "Então Elvis ligava o rádio do carro e tinha que sair no tapa com Bill Black, pois Elvis queria ouvir rádio a noite inteira e Black e eu queríamos dormir". Scotty lembra com carinho aqueles dias: "Os melhores shows de Elvis nunca foram filmados. O começo foi fantástico, Elvis enlouquecia todo mundo, quando chegávamos a alguma cidadezinha, logo todo mundo ficava sabendo e a rapaziada lotava todos os shows", "Chegamos a tocar em cima da carroceria de um velho caminhão Plymouth, foi um sucesso".

Um fato marcou Scotty para sempre: "Depois de ralar muito, Elvis conseguiu comprar um carro velho. Era a realização de um de seus sonhos. O cara nunca teve dinheiro para possuir um carro. Elvis ficou a noite inteira olhando o velho Cadillac da varanda do hotel onde estávamos hospedados. No outro dia quando pegamos a estrada, o carro pegou fogo! Puxa, foi muito azar, o cara ficou arrasado!" Outro fato chamou a atenção de Scotty: "Elvis era muito ligado a sua mãe, Gladys. Sempre antes de pegarmos a estrada a senhora Presley me chamava no canto e dizia para termos cuidado. Uma vez eu e Bill fomos a um cabaret, numa cidadezinha do Kentucky, convidamos Elvis a ir conosco e ele respondeu: 'Não acho que minha mãe iria querer me ver neste inferninho'. A gente era Músico, bebia e se divertia pra valer e às vezes esquecíamos que Elvis era só uma criança na época". Mas isso iria durar pouco tempo como relembra Scotty: "No começo Elvis ficava assustado com todo aquele assédio, mas depois ele tomou gosto pelo negócio"

"Na semana seguinte à que fizemos a primeira session com Elvis, me tornei seu empresário. Na realidade, fiz aquilo porque todo mundo queria ser empresário dele e, comigo nos negócios, ele poderia dizer que já tinha alguém. Desempenhei essa função durante a maior parte do primeiro ano de sua carreira". Moore dava o som característico a todos os sucessos do Rei, aparecia nos filmes, tocava nas trilhas sonoras e excursionava com o astro. Nesta época, com Elvis no auge, começaram os primeiros atritos com o Coronel Parker, um velho astuto que se tornara o empresário do cantor. "Sabíamos desde o primeiro dia que o Coronel não queria a gente por perto" diz Moore. "Ele tentou convencer Elvis a nos substituir pela banda de Hank Snow, Elvis resistiu, mas o Coronel começou a nos pagar uma miséria e praticamente levou Bill Black a cair fora", Scotty lembra: "As pessoas riam de nós, Até os vendedores de souvenirs ganhavam mais do que nós". Scotty é implacável com o Coronel: "Veja, primeiro o Coronel tentou nos despedir, depois entrou em atrito com todos aqueles que tinham talento e poderiam influenciar Elvis de alguma maneira. Ele brigou logo com os compositores Leiber e Stoller, que eram os responsáveis diretos pelas melhores canções de Elvis. Foi burrice, a partir daí Elvis começou a declinar".

Quando Elvis foi para o exército em 1958, nenhuma providência foi tomada para manter sua banda unida. Scotty pendurou sua guitarra e se concentrou em seu trabalho de técnico de som. Elvis recomeçou sua carreira no cinema e voltou às gravações após sua dispensa, mas não mais marcou shows. Para Scotty foi bom, ele podia voar para L.A. para gravar as trilhas de Elvis e voltar a fazer alguns extras como técnico de som. Em 1965 Scotty já tinha seu próprio Estúdio de gravação. "A carreira de Elvis estava limitada, na época a gravação de trilhas sonoras para seus filmes. Era um desperdício um talento como o de Presley gravando aquelas músicas ruins", Scotty lembra como Elvis se sentia nestas sessões: "No fundo Elvis estava puto, ele sabia que as canções eram ruins e as trilhas uma palhaçada, mas não podia fazer nada, ele tinha assinado contratos e tinha que cumpri-los, nesta época Elvis começou a perceber a enrascada que o Coronel Parker tinha feito", "Elvis sentiu que tinha que mudar, voltar para a estrada e colocar sua carreira no rumo certo novamente".

A vida de guitarrista de Scotty acabou depois do "Comeback Special" em 1968. "Depois do Special, D.J. Fontana e eu fomos jantar na casa de Elvis e ele nos chamou na sala de fundo. Nos disse que queria excursionar pela Europa e pretendia reservar algumas semanas em meu estúdio. Por algum motivo, nenhuma dessas coisas aconteceu e esta foi a última vez que vi o cara. Nunca mais falei com ele, nem por telefone. Seu empresário o Coronel Parker não o deixou excursionar pela Europa, uma besteira porque lá eles adoravam Elvis", Scotty conclui: "O Coronel foi muito prejudicial para a carreira de Elvis". "Um dia o Coronel Parker ligou para mim e disse que Elvis nos queria em Las Vegas. Também chamaram os Jordanaires. O Pagamento que nos ofereceram era ridículo. O Pagamento semanal era o equivalente ao que eu ganhava em um dia como técnico de som". Scotty: "Então fizemos uma contra oferta, foi quando Elvis formou aquela banda com James Burton e aqueles caras". Depois disso "Abaixei minha guitarra, não a toquei durante 24 anos - nem uma nota, exceto uns overdubbs para alguns amigos"

"Elvis era uma boa pessoa, mas, acabou sendo atropelado pelo seu próprio sucesso". Hoje Scotty é reverenciado por grandes guitarristas como Keith Richards dos Rolling Stones: "É muito legal saber que esses caras lembram da gente", "É sinal de que fizemos um trabalho que ainda tem algum valor depois de todos esses anos", "Não sei quantas vezes ou quantas horas eu passei ensinando a Keith Richards a tocar "Mistery Train", por seu lado o Rolling Stone fala sobre Scotty: "Mr. Moore, Mr. Fontana, Mr. Presley e Mr. Black, Hillbilly Cats - esta é a maior banda de Rock'n'Roll do mundo. Sem eles não haveriam outros. Obrigado por tudo"

Scotty Moore finaliza a entrevista fazendo um balanço de sua vida: "Vocês tem que carregar a tocha agora - você e os caras mais novos. Nós fizemos nossa parte", "Algumas vezes as pessoas esperam que você seja amargo por uma ou outra razão. Bom, muitas coisas que aconteceram no caminho não estavam certas, mas nós somos parte de algo especial, ainda saímos por aí e tocamos com muita gente legal. Não posso reclamar a esse respeito. Para falar a verdade sou um sortudo".

7 comentários:

  1. Muito interessante seu texto. Sempre tive curiosidade de saber porque Elvis tinha trocado sua banda a partir de 1968. Eu gosto demais do Elvis, mas fiquei triste em saber que ele nunca mais procurou aqueles músicos que fizeram a base da sua carreira por mais de 14 anos! Saudações a Scotty Moore e Fontana!

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  2. Na verdade Elvis nunca foi próximo ou amigo de nenhum de seus músicos, em época alguma. Eram relações puramente profissionais com raras exceções.

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  3. Primeiramente, me permita esclarecer que sou fanzaço do Elvis a quase 40 anos! Tenho um canal do youtube só para postagens sobre ele, vsbonvenutoep. Mas pelo que li na sua matéria, por ter sido início de carreira, Elvis teve sim muita intimidade com Scotty Moore! E não tinha como ser diferente, afinal, dormiam até mesmo dentro do carro! rsss A partir de James Burton, ai sim acredito que a relação foi extritamente profissional! Compartilhei sua página no meu face, obrigado pela atenção! Abraços!

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  4. Muito bem meu caro. Bom saber que você é fã do grande Elvis Presley. Vou explicar um pouco melhor a questão. Embora tenha tido intimidade com Scotty e Bill (mais com Bill) durante os primeiros anos eles realmente não foram amigos próximos. Perceba que Scotty e Bill nunca foram de frequentar a máfia de Memphis (o grupo de amigos de Elvis) e tampouco foram de ir muito em Graceland. Tanto isso é verdade que Bill logo seria demitido pelo Coronel Parker e Elvis não faria muita coisa para reverter isso. Com Scotty a mesma coisa, depois que deixou de tocar com Elvis nunca mais se viram novamente, prova que não havia realmente uma amizade próxima ou profunda.

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    1. Valeu Pablo! Elvis Forever!! Parabéns pela riqueza de informações nesse seu blog. Vou vir com mais tempo para passear por tantos tópicos interessantes. Um grande abraço e muito obrigado!

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    2. Valeu Pablo! Elvis Forever!! Parabéns pela riqueza de informações nesse seu blog. Vou vir com mais tempo para passear por tantos tópicos interessantes. Um grande abraço e muito obrigado!

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