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Os Primeiros Dias de Elvis, The Pelvis

Estamos nos anos 50. Bob Luman, um cantor country daquela época relembra como eram as apresentações de Elvis Presley: "O cara apareceu de calças vermelhas, paletó verde, meias e camisa cor de rosa, com aquela cara de deboche e ficou parado em frente ao microfone por cinco minutos antes de fazer qualquer movimento. Então começou a tocar seu violão e quebrou duas cordas, eu toco há dez anos e no total ainda não quebrei duas cordas! E lá estava ele, as cordas arrebentadas e as garotas gritando e correndo até o palco. Ele mexia os quadris, como se tivesse algum caso de amor com o violão. Assim era Elvis Presley tocando em Kilgore, Texas. Ele me deixou arrepiado cara!"

A esta altura de sua vida, Elvis havia entrado para a galeria de heróis violentos, sádicos e enlouquecidos, que eram idolatrados pela juventude da década de 50. Elvis estava lado a lado com o ameaçador Marlon Brando em "O Selvagem", ou com o psicótico Vic Morrow de "Sementes da violência". Elvis era o próprio delinquente juvenil , encarando toda a rebeldia dos jovens do mundo.

O que o genial Elvis Presley fez foi combinar estes mitos rebeldes do cinema com a música Rock & Roll e criar uma nova forma de entretenimento – o concerto de Rock . Foram suas posses desafiadoras, sua dança endiabrada e seu psicodrama espontâneo que deram início a toda uma tradição no rock pesado. Da noite para o dia a imagem do "cantor jovem" ficou sendo a daquele carinha muito louco, que arrebentava a guitarra enquanto dançava como um demônio. Tão profunda e difundida é essa imagem atualmente, que não conseguimos imaginar um astro de rock agindo de outra maneira.

Em conseqüência, podemos afirmar que a imagem de Elvis como performer ultrapassou em muito sua influência na música do planeta (mesmo porque ele logo abandonaria o rockabilly, esse novo e revolucionário idioma musical). A prova disso é que todos os astros de rock dos quarenta anos seguintes, derivaram diretamente dessa sua "retórica"de palco, dessa sua sexualidade e energia incontroláveis.

Descobrindo que podia fazer as garotas ficarem selvagens, o antes tímido e encabulado Elvis Presley estendia sua imagem de símbolo sexual também à sua vida particular. Se era capaz de deixar as garotas completamente alucinadas por ele, então Elvis também seria louco por elas. Todo mundo que o conheceu por essa época, a mais pública de sua carreira, recorda-se a sua obsessão por mulheres.

Elvis dava em cima de todas. Não escapava uma. Arrumava seus encontros de forma de modo que, quando uma garota estivesse indo embora, outra estaria chegando. Não raro ele transava com três ou quatro beldades ao mesmo tempo. Se alguma dessas garotas ficasse tirando o corpo fora na hora H, Elvis ia na forçada. Uma dessas chegou a ameaça-lo com um processo por curra, e a mãe dela foi conversar com Elvis no hotel. Tiveram uma longa conversa no quarto. Depois Elvis confidenciou a um amigo: "acho que posso comer a mãe também".

A realidade era que Elvis era um garoto ingênuo que estava desvairado com a fama e indiferente a tudo que não alimentasse o seu ego faminto. Quando o coronel Parker lhe disse: "você deveria estar no cinema", Elvis caiu nas garras do velho trambiqueiro. O primeiro contrato entre ambos foi assinado em 15 de agosto de 1955, depois de exaustivas negociações entre o empresário Bob Neal, o produtor Sam Philips e Gladys Presley (que chegou a perguntar ao coronel Parker que igreja ele frequentava !!!)

A compositora do primeiro grande sucesso de Elvis Presley o conheceu em Nashville, onde estava acontecendo a convenção nacional dos disc-jockeys. Ela foi até lá com a intenção de vender a canção. Elvis ouviu a fita e seus olhos brilharam. Assim que percebeu que ele havia gostado, Mae Axton propôs que, se Elvis concordasse em fazer de "Heartbreak hotel" o seu primeiro disco pela RCA, ela lhe daria parceria na música. O resto a gente já sabe.

"Heartbreak Hotel" estabeleceu Elvis Presley como o novo herói da música pop. O disco foi lançado em 28 de janeiro de 1956 num programa de televisão, e na primeira semana de abril era o primeiro lugar em todas as paradas de sucesso – country, R&B e pop, um fato inédito até então. Pode crer que a televisão ajudou bastante.

A primeira vez que The Pelvis apareceu na TV foi para lançar "Heartbreak Hotel". Aconteceu no programa de Stage Show, dos irmãos Tommy e Jimmy Dorsey, e no dia seguinte, a rede CBS, uma verdadeira instituição nacional , foi afogada pelos protestos dos puritanos pelo imperdoável pecado de colocar no ar um delinquente juvenil berrando e rebolando escandalosamente.

Embora não tenha dado muita audiência, o resultado mais importante deste programa, entretanto, foi um teste para o cinema, oferecido por Hal Wallis, um famoso produtor de Hollywood. Elvis e o coronel concordaram que o objetivo final de todos os seus esforços era a consolidação de uma carreira cinematográfica. "cantores surgem e desaparecem" – Elvis dizia – "mas se você for um bom ator, poderá durar por muito tempo". Aprovado no teste, Elvis assinou um contrato de sete anos com o produtor Wallis, e seu primeiro filme foi acertado: The Reno Brothers (mais tarde o nome foi mudado para "Love me Tender" – para capitalizar em cima do sucesso da canção) .

"Os pesadelos e ataques de sonambulismo se agravam"

Quando Elvis foi contratado por Hollywood ele estava no apogeu de sua carreira de rockeiro. Durante o verão de 1956, sua vida foi uma correria total: cada noite tocando em um lugar diferente, aparições na TV, filmagens em Hollywood e gravações em Nashville. Sempre que possível Elvis viajava de automóvel, usando dois cadillacs de sua frota, para transportar ele, sua banda e mais dois primos, Gene e Júnior Smith. Seus pesadelos e ataques de sonambulismo havia se agravado, e Gladys, alarmada com a possibilidade do filho sair andando / dormindo e cair por alguma janela do hotel, colocou os irmãos Gene e Júnior para acompanharem Elvis e dormirem no mesmo quarto que ele.

The Elvis Presley Show, o espetáculo itinerante engendrado pelo coronel Parker, era um dos piores shows de variedades que já existiu. A única coisa que salvava era o próprio Elvis. Nas matinês, metade do público era de meninas de 13 anos de idade, mas a noite a média de idade subia e a proporção de garotas na audiência subia para noventa por cento. Há semanas essas garotas esperavam para ver Elvis e quando a ocasião chegava, todas se vestiam com suas melhores roupas e se equipavam com uma máquina fotográfica com flash de bulbo.

Durante esses dias, Elvis nunca entrou no palco sem ser iluminado por uma saraivada de flashes produzidas por duas, três mil garotas fotografando seu ídolo. Deve existir pelo menos um milhão de fotos de Elvis Presley tiradas somente em 1956. Elvis é considerado, desta forma, a pessoa mais fotografada da história.

Como era o Elvis Presley Show? A primeira parte era constituída apenas por artistas "kamikazes", que tentavam conseguir inutilmente conseguir a atenção das adolescentes e eram escorraçados do palco pelas vaias ensurdecedoras. Tinha de tudo: uma menininha que tocava xilofone, um tenor irlandês, um cômico sem graça, dançarinos acrobatas e por aí afora. Era um bombardeiro de mediocridade. Até que chegava a hora do intervalo e o coronel Parker ia para o hall do teatro, charuto na boca, vender fotos de Elvis autografadas.

Quando a plateia voltava aos seus lugares, era a vez do quarteto gospel The Jordanaires cantar duas músicas e dar no pé. Nesse momento, o show já havia torturado tanto as vulneráveis cabecinhas adolescentes, que era só falar o nome Elvis Presley, para o teatro vir abaixo. E era isso que acontecia quando o mestre de cerimônias anunciava:

- Senhoras e senhores, com vocês o homem por quem todos nós estamos esperando: ELVIS PRESLEY !!!

Elvis adorava excitar e provocar sua plateia

Milhares de vozes femininas se punham a gritar descontroladamente. Quando Elvis surgia com seu violão, a gritaria aumentava ainda mais. Elvis adorava excitar e provocar sua plateia. Assim que atingia o centro do palco, segurava o pedestal do microfone como se fosse uma mulher e, pernas abertas, pronto para começar a cantar.

-Well...

Cada garotinha na platéia delirava por antecipação. Mas Elvis parava subitamente, rindo para seus músicos Scotty Moore e D.J. Fontana, que tinham embarcado no acompanhamento. E recomeçava:

-Well...

Esse joguinho infantil continuava até que ele resolvesse a cantar "Heartbreak Hotel"

O que essas adolescentes viam em Elvis Presley ? Alguns comentários típicos: "Ele é um ursinho de pelúcia, e eu adoro brincar com ursinhos" , "Gosto dele porque é super excitante" , "Ele é fascinante como uma serpente" , "Ele está sempre indo para a cadeia" , "Ele vai morrer de câncer daqui seis meses" . Ah! Essas garotas de 13 anos e suas fantasias românticas!

Com os olhos maquiados com sombra escura, o cabelo já tingido de preto, Elvis não sossegava um segundo. Nos vinte minutos que ficava no palco, ele se movimentava sem parar. Embora não fosse um dançarino, Elvis instintivamente sabia que essa nova música exigia ação. E ele era a própria fúria e energia do rockabilly. Elvis era diferente de todos os outros rockeiros daquele tempo, pois com sua pantomima ele projetava uma sensualidade violenta e animalesca, um erotismo que sugeria não apenas o ato sexual, mas sim uma curra brutal.

Elvis brincava com as meninas da plateia do mesmo modo que elas brincavam com suas bonecas. "Eu te amo... Eu te odeio... vou te beijar...vou te bater!". Era esse o monólogo subconsciente que ele transmitia enquanto estava no palco. O objeto com que externalizava essa charada erótica era o pedestal do microfone, que ele arrastava consigo para todo lado, ora tratando-o violentamente, ora com carinho, deitando-se no chão, abandonando-o para em seguida tentar alcança-lo, contorcendo-se...As fãs berravam e choravam tentando tocá-lo com a ponta dos dedos, Elvis deitado ali tão pertinho...

Mas podiam chorar e implorar que não adiantava nada – Elvis não se deixava tocar! Bem, às vezes ele passava o dedo pela testa e deixava cair algumas gotas de suor sobre as mocinhas. Ou, talvez, abaixava-se impulsivamente e beijava alguma na testa. Nem bem ela gritava e caía para trás. Elvis já estava de pé novamente, fora do alcance das fãs, que de repente se davam conta:

- "Ela foi beijada por Elvis!" e berravam ensandecidas.

Era um delírio, a excitação era incrível, inacreditável. Mas geralmente não acontecia nada. Algumas ocasiões, é claro, ocorriam tumultos e a polícia tinha que intervir, para impedir que Elvis fosse rasgado pelas admiradoras mais afoitas. Esses acontecimentos fizeram com que logo no começo de 1956, Elvis desenvolvesse uma técnica para escapar do teatro sem ser atacado, a qual se transformaria em outro ritual. Quase no final de seu último número, "Hound Dog", ele se dirigia para um lado do palco e na nota final, largava o pedestal balançando e corria para o carro estacionado na porta dos bastidores. Enquanto o público delirava, o mestre de cerimônias avisava:

- "Elvis já deixou o prédio e não mais está conosco"

As fãs sempre ficavam implorando por mais. Elvis, The Pelvis acabava de nascer.

Fonte: Elvis, Documento Histórico.

1 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Os Primeiros Dias de Elvis, The Pelvis

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