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Elvis Presley - Elvis e o Blues

"O blues não é nada além de um bom homem se sentindo mal"

(Elvis e o Blues) - Essa história de que o rock'n'roll é um novo ritmo criado na década de 50 com a mistura do country (brancos) e do blues (negros) é "papo furado". O rock'n'roll já existia há muitos anos atrás entre os negros do sul dos Estados Unidos com o nome de rhythm & blues e quando os rockers brancos começaram a regrava-los, a mídia tratou logo de dar uma "branqueada" na música e rebatiza-la de rock'n'roll, para que a sociedade branca hipócrita da época pudesse engoli-lo como "música branca" sem se engasgar tanto.

Muitos rockers brancos (inclusive Elvis Presley) foram acusados de terem se enriquecidos com as regravações destes rhythm & blues enquanto os seus verdadeiros autores caíram na miséria e no esquecimento. Eles davam uma suavizada nas letras e regravavam como rock'n'roll e para muitos estas regravações soavam como nova e original, pois nem faziam idéia que esta "nova" música já era febre entre os negros desde as décadas de 30 e 40.

O que muitos não sabem é que alguns rockers como Elvis Presley e Jerry Lee Lewis foram criados na pobreza; e na miséria as barreiras da segregação são derrubadas e a cultura das duas raça se fundem. Isto quer dizer que Elvis e Jerry Lee sentiram na pele toda a discriminação, segregação e privações que eram comuns – tanto para negros quanto para brancos – aos que nasciam na miséria, e estes são elementos essenciais para uma alma bluseira!

Outro "papo furado" é a história que se conta sobre a primeira gravação comercial de Elvis. Diz a lenda que do lado "A" do compacto, Elvis gravou "That's All Right Mama" (um blues de seu ídolo Artur Crudup) como se fosse um country e do lado "B", gravou "Blue moon of Kentucky" (country de Bill Monroe) como se fosse um blues... isso é "conversa mole"! Na realidade (é só ouvir as gravações e conferir), Elvis cantou as duas música da maneira que ele as sentiam, ou seja, BLUES! A mídia deu uma "maquiagem" nesta gravação porque estava "soando negro demais" e então inventaram esta desculpa esfarrapada para acalmar os ânimos mais exaltados (pois cantar um clássico do country – "Blue moon of Kentucky" – como se fosse um blues era considerado blasfêmia!!) e poder tocar o disco nas rádios locais.

Toda a influência musical de Elvis foi baseada no gospel e no blues, isto é, na música negra. Certa vez, o mestre do blues Wowlin' Wolf declarou: "Esse garoto começou do blues" e o grande compositor e cantor Joe Cocker escreveu: "Elvis é o maior cantor de blues hoje no mundo". Inúmeras canções de Elvis eram blues autênticos tais como: "Money Honey" (Jessie Stone – Clyde Mac Phatter - Drifters 1950), "Hound Dog" (1º lugar nas paradas com a bela cantora e compositora de blues Mama Thornton), "That's all right mama" (Artur Big Boy Crudup – 1946), "See see rider" (Ma Rayney – 1924), "Good Rock'n Tonight" (Wynonie Hanis) "Merry Christmas baby" (Charles Brown), "Stranger in my own home town" (Percy Mayfield), Hi-Heel Sneaker" (Tommy Tucker), "Reconsider baby" (Lowell Fulson) entre tantas.

Até na maneira de cantar, dançar e se expressar nos palcos Elvis sofreu influência do blues. Certa vez ele foi assistir a um show de Charlie Burse - da Menphis Jug Band - no início da década de 50 no Handy Park e na Beale Street e foi totalmente inspirado pela maneira frenética de cantar e rebolar de Burse. Até mesmo a primeira gravadora de Elvis (a Sun Records) era especializada em blues antes do surgimento dos rockers brancos, gravando nomes como Rufus Thomas, Doctor Isaiah Ross, Joe Hill Lowis, Willie Nix, Junior Parker, etc. Aliás, o disco gravado na Sun Records por Jackie Brenston em 1951 onde consta o rhythm & blues "Rocket 88" é considerado o "primeiro disco de rock'n'roll".

Elvis sofreu muita discriminação e retaliações por cantar blues, pois ele sendo branco conseguia se apresentar onde os negros não entravam nem "por decreto" e levar a sua mensagem. Certa vez, Elvis foi se apresentar no "Grand Old Opry" (o santuário da Country Music) e cantou "That's all right mama"... prá que?!? O produtor do programa, Jim Deany disse para Elvis: "Não queremos música de preto aqui!!! Volte a ser motorista de caminhão!". Elvis saiu de lá tão deprimido e chateado que acabou esquecendo a sua mala com todas as sua roupas (as únicas que tinha) num posto de gasolina. O curioso é que, anos mais tarde, o "cara de pau" do Jim Deany declarou sobre Elvis: "- Eu sempre soube que este rapaz faria sucesso".

Entre os maiores ícones do blues que Elvis admirava estavam Artur Big Boy Crudup, Jimmy Reed, Mississipi Slim (Elvis estudava com o irmão mais novo de Mississipi Slim, antes de se mudar para a cidade vizinha Tupelo), entre outros. De Arthur Crudup Elvis regravou "My baby left me", "That's all right (mama)", "So glad you're mine" e de Jimmy Reed regravou "Ain't that lovin'you baby", "Baby what you want me to do", "Big boss man" entre outros.

Em 1959, quando Arthur Crudup estava desiludido, perdido e achando que sua carreira havia acabado, Elvis lhe patrocinou um disco que foi um grande sucesso, lançando o "Big Boy" nas paradas (inclusive as européias) tornando-o conhecido e admirado por Rolling Stones, Beatles, entre outros.

Elvis Presley não foi um mercenário que usou o blues e seus compositores para enriquecer e ficar famoso. Foi, sim, um incentivador e amante deste gênero musical que revolucionou o mundo e através dele (Elvis), muitos tiveram acesso a este universo musical, inclusive este que vos escreve. Mesmo na década de 70, onde Elvis se dedicou mais as baladas, ele não abandonou totalmente o blues, pois quem nasce com a alma bluseira nunca deixará de ser um bluesmen e como disse Wowlin' Wolf: "Se ele parou, parou. Não é caso para rir. Ele tomou seu impulso do blues!"

Recomendo o Cd "Reconsider Baby - Elvis Presley sings the blues" (BMG) lançado no Brasil em 1985.

Na foto acima: Elvis Presley e B.B. King.

Donizete Augusto.

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