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Elvis Presley, Las Vegas, 1956

Tudo na vida tem seu tempo certo. Se ainda não deu certo é porque ainda não é a hora. Um exemplo claro disso aconteceu com Elvis Presley em Las Vegas no ano de 1956. Hoje o nome Elvis é instantaneamente associado a Vegas por causa de suas temporadas de enorme sucesso na cidade durante a década de 70. O que poucos sabem (ou se lembram) é que Elvis foi para Vegas bem no começo de sua carreira em 1956 e as coisas não saíram tão bem como ele planejava. Na verdade a temporada de Elvis em Las Vegas, a única que fez na década de 50, foi uma idéia infeliz de Tom Parker que com uma incrível falta de visão jogou o artista errado no lugar errado na época errada. Por que Elvis não deu certo em Las Vegas naquela ocasião? Muito simples de entender. Nos anos 50 Elvis era um cantor jovem, cantando uma música essencialmente vibrante (chamada Rock ´n`Roll) feita e produzida para a juventude em geral. E o que era Las Vegas em 1956? Basicamente uma cidade-show feita para um público bem mais velho, aposentado, que ia para a cidade gastar suas economias de uma vida nas roletas de Nevada, Estado onde o jogo era legal e liberado. Havia nitidamente uma divergência entre o público que ia aos showrooms dos cassinos de Vegas e o cantor Elvis. A chamada cidade do pecado era o lar de cantores e artistas muito diferentes de Presley. Ele certamente não deveria estar lá, naquele momento.

Elvis na ocasião se apresentou com a orquestra de Freddy Martin e isso definitivamente nada tinha a ver com sua música. O marketing foi equivocado e bobo, vendendo Elvis como um “cantor atômico”! Na primeira noite Elvis subiu ao palco e logo percebeu que tudo seria diferente. O público, formado por casais em bodas de prata, aplaudiu timidamente o cantor e sua banda. Não havia gritos e nem animação na platéia, apenas uma ou outra tosse de algum fumante inveterado. O clima era tão ruim que Elvis não conseguiu se soltar, ficar à vontade. Aparentando nervosismo cometeu alguns erros, tentou contar algumas piadas mas a recepção gelada o deixou desnorteado. No outro dia a crítica sobre a apresentação de Elvis foi ruim. Um crítico escreveu: “Para os adolescentes que gritam em seus shows Elvis Presley pode ser considerado um gênio mas para o público ontem que o assistiu no Hotel Frontier ele foi apenas um furo. O conteúdo lírico de suas músicas é sem sentido e seu grupo musical com apenas 3 componentes é tosco”. A reação foi tão ruim que até o Coronel Parker entendeu que havia cometido um erro ao jogar Elvis na arena daquele público, formado pelo mesmo setor conservador e reacionário que odiava a ginga e o idioma musical do artista.

Elvis havia assinado por um determinado período com o hotel New Frontier mas queria mesmo era dar o fora de Las Vegas o quando antes. O baterista do grupo de Elvis, D.J. Fontana, deu seu veredito: “Não acho que aquele público estava preparado para Elvis. Ele fazia muito sucesso com uma platéia mais jovem mas não com aquele tipo de gente. Nós tentamos trabalhar com a orquestra de Freddy Martin mas não tinha muito a ver com nosso som. Mesmo assim fomos profissionais e tentamos fazer o melhor que podíamos para agradar”. Para tudo não se transformar em um fiasco completo o Coronel Parker resolveu lotar o hotel com um grupo de fãs adolescentes de Elvis para agitar um pouco as coisas. No sábado em que isso aconteceu Elvis finalmente realizou um bom concerto. Mas isso aconteceu apenas naquela ocasião e logo Elvis estava de novo se apresentando para o público “quadrado” de Vegas.

Liberace, um cantor extravagante que se apresentava no hotel Riviera veio dar uma força a Elvis mas ao lado do cantor só conseguiu fazer palhaçadas e macaquices. A temporada havia sido um fiasco e todos se conformaram com isso. Elvis realizou os últimos shows e finalmente se viu livre da verdadeira “arapuca” que havia se transformado Las Vegas para ele. Ironicamente a cidade o receberia de braços abertos em 1969 quando ele voltou para brilhar lá como nunca em sua carreira. Isso porém só aconteceria anos depois. Sobre sua estadia na cidade na década de 50 Elvis foi realista e brincou: “Coloquei o maior ovo da minha carreira em Las Vegas”.

Pablo Aluísio.

1 comentários:

  1. Pablo, uma coisa que não se fala mais tanto hoje sobre estes shows de Las Vegas, mas já foi muito falado ne época da morte do Elvis, é que os fãs mais puristas do Elvis abominavam estas apresentações de desancavam do Elvis dizendo que ele estava descaracterizado como ícone do rock que era e que se vendera(o Tom Parker realmente o vendeu) ao jogo barato de Las Vegas e que com suas costeletas ensebadas, se tornara um mero entretenedor de quarentonas, um palhaço. Pegavam pesado.
    Esse era o inicio do fim de um dos maiores revolucionários culturais do planeta.

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