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Elvis e Judy Tyler

Mal Elvis terminou de rodar "Loving You" na Paramount e ele foi para a MGM iniciar os trabalhos de seu próximo filme, "Jailhouse Rock". Isso demonstrava bem o caminho que sua carreira iria seguir nos anos que viriam. Um filme atrás do outro, trilhas sonoras e muita publicidade dos estúdios de Hollywood. A produção de "Jailhouse Rock" era mais modesta do que a do filme anterior do cantor. Há muito tempo que os anos de glória tinham passado para a Metro. O estúdio que foi o maior e mais rico do cinema americano vivia em crise e só não fechava as porta porque conseguia todos os anos pelo menos um grande sucesso de bilheteria que acabava amenizando os prejuízos dos demais filmes. Foi essa a razão da MGM ter tanta pressa em lançar um filme com Elvis. Eles queriam aproveitar o calor do momento em que Presley era o nome mais quente da música americana. Se havia dado certo na Fox com "Love Me Tender" e na Paramount com "Loving You" então daria certo novamente na MGM. Por uma questão de cortes no orçamento o filme seria em preto e branco e não haveria nem sinal do Technicolor berrante da produção de Hal Wallis.

Para contracenar com Elvis a Metro trouxe a starlet Judy Tyler, prata da casa. Judy era uma bonita morena, com cabelos pretos curtos e traços marcantes. Ela estudava ballet e sonhava com a carreira de atriz mas ainda era bem inexperiente, com apenas um filme no currículo, o musical B "Bop Girl Goes Calypso". Fora isso nada demais a não ser pequenas participações em séries de TV. A verdade é que ela era apenas uma jovem tentando emplacar no concorrido mercado de jovens atrizes de Hollywood. Elvis e Judy fotografavam muito bem juntos. Para se sair melhor na tela, Elvis foi aconselhado pelo diretor Richard Thorpe a escurecer ainda mais seus cabelos, na tonalidade mais escura que encontrasse. Assim ficaria bem melhor na fotografia preto e branco da produção. Foi então que Elvis optou pela tinta mais negra existente no mercado. Além disso os técnicos em cabelos e maquiagem da Metro fizeram um tratamento especial em seus cabelos que o deixaram mais crespos, bem longe dos longos cabelos lisos que ele desfilou na tela em seus filmes anteriores. Fazia parte da caracterização de seu novo personagem,  Vince Everett, que bem ao contrário do traumatizado Deke Rivers de "Loving You", era um sujeito durão e brigão que não levava desaforo para casa. Se Rivers tangenciava os personagens encucados de James Dean, Everett era o mais próximo que Elvis chegou dos perigosos personagens de Marlon Brando como o motoqueiro Johnny de "O Selvagem".

Infelizmente "O Prisioneiro do Rock" seria o último filme de Judy Tyler. Por um desses trágicos acontecimentos do destino ela morreria logo após encerradas as filmagens em um terrível acidente de carro, ceifando sua vida na flor da idade. Ela tinha apenas 24 anos quando morreu (coincidentemente a mesma idade de James Dean que também morreu em um acidente semelhante)  Judy vinha ao lado do marido numa estrada perto da cidade de Rock River no Wyoming quando seu esposo perdeu o controle do carro, que acabou derrapando na pista, indo de encontro a um veículo que vinha no sentido oposto. O choque foi certeiro. Com a batida Judy morreu instantaneamente. Seu marido ainda resistiu por algumas horas após o acidente mas faleceu no dia seguinte no hospital da cidade. Uma pessoa que vinha no outro carro também não resistiu aos ferimentos e também morreu. A notícia chocou Elvis! Muito abalado foi aconselhado a não comparecer ao funeral da colega. Em seu lugar o Coronel Parker soltou uma nota para a imprensa, assinada pelos pais de Elvis, que dizia: "Elvis se sente profundamente entristecido com a morte da atriz Judy Tyler. Por essa razão decidiu não comparecer ao seu funeral. Sua família entende ser essa a melhor decisão para ele. Elvis deseja se lembrar de sua amiga tal como ela era. A família Presley, com grande pesar, enviará flores em homenagem à querida amiga que deixará muitas saudades". 

O fato chocou tanto Elvis e a tal ponto que ele praticamente baniu o filme de sua vida. Ver Judy ali ao seu lado contracenando e saber que ela morreu de forma tão precoce e sem sentido o deixava terrivelmente deprimido. Na década de 60 quando sua paixão pelo cinema aumentou, Elvis sempre procurava rever seus antigos filmes menos "Jailhouse Rock" e "Loving You". O primeiro lembrava a morte de Judy Tyler e o segundo o falecimento de sua querida mãe, pois Gladys surge em cena em "Loving You", na última sequência quando aparece batendo palmas ao lado do filho no meio da platéia durante a última canção do filme; Segundo os amigos mais próximos de Elvis, sua aversão ao filme "Jailhouse Rock" se tornou tão acentuada que ele evitava ver até mesmo material promocional do filme como posters e fotos. De qualquer modo o filme realmente ficou como o último registro da atriz nas telas de cinema. Um testamento de sua potencialidade que infelizmente jamais se confirmou.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

7 comentários:

  1. Pablo:

    Como você é um grande fã e profundo conhecedor do Elvis, me responda uma coisa. Como um sujeito que ha juventude em plena década de '50 usava camisa cor de rosa, cabelo tingido e rebolava em público e depois nas duas próximas décadas usaria um macacão com pedrinhas brilhantes , os dedos cheios de anéis e com cabelinho todo armado e não foi, nem de longe, suspeito de ser gay, quando caras obviamente másculos que usavam ternos e só dançavam dança de salão, como Cary Grant e Rock Rudson, sempre sofreram com dúvidas sobre seu masculinidade, sedo que o último acabou se confirmando e sendo o símbolo da descoberta da Aids.

    Porque ninguém achava o Elvis viado com tanta viadagem que ele tinha?

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  2. Me esqueci:havia boatos de homosexualidade a respeito de James Dean e Marlon Brando também, só o Elvis escapou desse estígma.

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  3. Não concordo muito com essa visão. Elvis certamente usava roupas exóticas mas isso não define a sexualidade de uma pessoa. Além disso ele teve ao longo da vida muitos relacionamentos amorosos com atrizes, dançarinas e tietes em geral. Isso estabilizou certamente sua reputação de hetero. Sobre boatos envolvendo homossexualismo o fato é que nem Elvis escapou. Houve uma estória envolvendo ele e o ator Nick Adams, um boato de que ambos teriam um envolvimento amoroso na década de 50, o que jamais se confirmou, ficando mesmo no mundo das inverdades envolvendo o nome de Elvis.

    Abraços, Pablo Aluísio.

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    1. Esta do Nick Adams eu não sabia. Você tem razão, nem o Elvis escapou.

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  4. MUITO ELUCIDATIVO ESTE DOCUMENTÁRIO ACERCA DE JUDY TYLER.MUITO OBRIGADA. SAUDAÇÕES.

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  5. Pablo, você também tomou conhecimento, como eu, de que o carro onde faleceram Judy e seu marido sofreu saque de vândalos, imediatamente após o acidente? Abraços, Francisco.

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  6. Sim, uma coisa triste realmente. O lado mais sórdido do ser humano.

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