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Elvis Presley e Yvonne Lime

Elvis conheceu Yvonne Lime no set de filmagens de Loving You. Filmes assim, com muitos jovens em cena, exigiam uma quantidade extra de “gatinhas” para figuração. Yvonne era uma delas. Ao contrário das demais não ficou se atirando em cima de Elvis o tempo todo durante as gravações o que talvez tenha chamado sua atenção. Após alguns desencontros entre uma cena e outra Elvis finalmente conseguiu ficar a sós com ela. Começou aí um dos milhares de “namoricos” que Elvis teria com tietes e atrizinhas nos estúdios de Hollywood, onde passaria grande parte de seu tempo a partir de agora. O curioso em relação a Yvonne é que Elvis parece ter se afeiçoado bem a ela, ao ponto inclusive de levá-la para Memphis na Páscoa de 1957 para que ela conhecesse seus pais – e tudo isso bem debaixo do nariz de Anita Wood!

Logo ambos estavam em um namorinho do tipo “chove não molha”. Ela vinha e ia de acordo com a vontade de Elvis. Yvonne por sua vez não deixou de reparar algumas coisas curiosas no modo de ser do namorado. Ao contrário de todo jovem americano que assim que entra na maioridade fica louco para ir embora morar sozinho, Elvis não tinha qualquer plano nesse sentido. Ele adorava seus pais e não tinha a menor intenção de ir morar longe de sua mãe Gladys. Outro detalhe que chamou atenção em Yvonne era o gosto musical do namorado. Na época em que Elvis era considerado o roqueiro número 1 do mundo ele simplesmente não ouvia nada do gênero em casa. Na coleção de LPs de vinil do Rei do Rock simplesmente não havia discos de rock. Ao invés disso Elvis passava horas ouvindo música gospel em sua recente vitrola (ou victrola), dada de presente por sua gravadora, a RCA Victor. Quando dava um tempo nas músicas religiosas Elvis sintonizava a estação country de Memphis.

O cantor também tinha criado fascinação por motos e cinema. De fato seu programa preferido nas horas de lazer era assistir algum filme no cinema local durante as madrugadas – Elvis invariavelmente tinha que pagar do próprio bolso o projetista pois poucos topavam passar a noite trabalhando para um único espectador. A grande quantidade de caras ao redor de Elvis também deixou a atriz surpresa. Onde quer que ia Elvis se via acompanhado por seis, dez, algumas vezes até doze amigos a tiracolo. Nessas ocasiões tudo era pago pelo cantor – da entrada do cinema ao refrigerante consumido por seus amigos. Se Elvis ria, todo mundo ria, se ele ficava sério, todo mundo ficava em silêncio. Se pedisse um refrigerante os caras se atropelavam entre si para ver quem pegava a garrafa primeiro. Yvonne logo percebeu que a maioria deles eram simples puxa-sacos. Era o começo daquilo que anos depois ele iria chamar de Máfia de Memphis.

O breve romance de Yvonne e Elvis terminou de forma abrupta depois que ela de volta a Hollywood confessou a uma revista de fofocas que estava namorando ele. Elvis sentiu-se traído e em sua concepção Yvonne havia ultrapassado uma linha que ele não admitia ser transposta – aquela que revelava algum aspecto de sua vida pessoal para a grande imprensa. Quando Elvis “descurtia” alguém não tinha mais volta e assim Yvonne deixou de fazer parte de seu círculo íntimo. Foi descartada.

Yvonne só veria Elvis pessoalmente novamente na década de 70. Em 1975 ela e o seu segundo marido foram a Las Vegas assistir a uma apresentação do cantor. Depois  usando de sua influência como atriz de cinema conseguiu encontrar Elvis nos bastidores. Ela não gostou nada do que viu. Elvis estava muito acima do peso e parecia meio desnorteado, sem saber direito quem ela era. Só depois de apresentados é que ele finalmente se lembrou: “Ah, é você! Como tem passado querida?”. Cordial e educado Elvis procurou ser, como sempre, um exemplo da velha educação sulista. Perguntou como estavam as coisas e depois se desculpando disse que teria que ir embora pois tinha “compromissos demais para uma só pessoa”. Essa seria a última vez que Yvonne veria Elvis Presley pessoalmente. Em 1977 ela soube da morte de Elvis pois na TV não se falava de outra coisa. Ficou obviamente chocada mas não muito surpresa pois o estado de saúde de Elvis era sempre comentado no meio artístico de Los Angeles. Muitos anos depois ainda tencionou visitar Graceland que agora tinha visitação pública aberta mas desistiu de última hora. Para quem teve o privilégio de ser uma pessoa tão próxima dele em vida não havia muito sentido em visitar agora a velha e solitária mansão.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

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