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Elvis Presley, Pan Pacific, 1957

Se formos comparar com o ano anterior Elvis se apresentou bem menos em 1957. A razão é bem simples de explicar. Ao assumir o compromisso de fazer dois filmes em Hollywood sobrou pouco tempo para ele cair na estrada. As filmagens de Loving You e Jailhouse Rock foram um pouco além do que estava previsto. Além disso o cantor teve que gravar as trilhas sonoras desses filmes e mais  um álbum natalino. Fazer concertos ao vivo se tornou secundário. Mesmo assim aconteceram coisas marcantes no palco nesse ano. Elvis se apresentou fora dos Estados Unidos pela primeira (e última vez). Ele foi ao Canadá por duas vezes. Fez sucesso por lá e consolidou uma carreira internacional  (por mais curta que fosse). Por essa época começaram a chegar propostas tentadoras ao escritório do Coronel Parker. Empresários de outros países como Inglaterra, França e Alemanha, queriam contratar a nova sensação da música americana para realizar turnês em seus respectivos países. O Coronel recusou uma por uma as propostas, mesmo com cachês oferecidos que equivaliam ao triplo do que Elvis vinha ganhando ao se apresentar em algumas cidades americanas. O motivo todos sabem. O Coronel Parker era imigrante ilegal e por isso não podia tirar seu passaporte. Sem passaporte nada de viagem e ele certamente não deixaria Elvis viajar sozinho pois tinha receios de que perdesse seu passe para algum empresário estrangeiro que caísse nas graças do cantor.

Em entrevistas Elvis sempre estava falando em fazer uma turnê na Inglaterra - era um de seus sonhos. O Coronel o levava na conversa dizendo que eles deveriam esperar por propostas melhores e Elvis caía na lábia de Parker. O problema é que essa proposta de fato nunca seria aceita, em hipótese alguma, pelos motivos já explicados. Ao invés de ir para a Europa Elvis voltou ao Canadá em agosto. Ele se apresentou em Vancouver no Empire Stadium. Outro sucesso de público e crítica. Depois disso fez uma pequena e restrita turnê por três cidades importantes: Seattle, Portland e Tacoma. Foram concertos sem maiores incidentes onde Elvis procurou dar o melhor de si mas sem se cansar muito.

Seu teste de fogo nesse ano aconteceu no Pan Pacific Auditorium nos dias 29 e 29 de outubro de 1957. Nesses dois concertos Elvis estava disposto a impressionar o público. Havia muitos figurões e celebridades de Hollywood na platéia. Como Elvis almejava consolidar sua carreira de ator ele procurou dar o melhor de si para mostrar toda a extensão de seu talento como performance. Ao adentrar o palco ele parecia elétrico, realmente empenhado em fazer a melhor apresentação de sua vida. Elvis não parou um só minuto, dançando, requebrando, caindo no chão, usando o microfone ora com ternura e ora com fúria. Queria colocar tudo o que havia aperfeiçoado naqueles anos todos num único concerto. Ao seu lado no palco estava um enorme e inconveniente boneco de Nipper, o cãozinho símbolo da Radio Corporation of America (RCA), sua gravadora. Elvis olhou para aquele mascote e resolveu brincar com ele. Já que não havia como ignorar aquele boneco enorme então seria melhor usá-lo como parte do show. No começo começou a cantar abraçado ao bichinho mas depois começou a rolar pelo chão com o boneco. O público foi ao delírio. Elvis ria, se insinuava, parecia se divertir como nunca! Mal sabia ele na confusão em que estava se metendo.


Foi um prato cheio para os jornais sensacionalistas. No outro dia Elvis estava sendo acusado de ter "possuído" um cachorro no meio do show! Um claro exemplo de exibicionismo erótico e barato segundo seus críticos mais ferozes. Os conservadores arrancaram os cabelos da cabeça! Ele estava incentivando atos de Zoofilia? Meu Deus prendam esse representante de Satã na terra! O que esse marginal estava afinal querendo? Denegrir toda a moral da sociedade americana? Quem ele pensava que era? A ala mais retrógrada da sociedade americana estava chocada com os acontecimentos! Um exaltado jornalista perdeu a postura e atacou ferozmente Elvis, dizendo que tal como a Juventude Hitlerista havia corroída a alma da juventude alemã, Elvis estava corroendo a juventude americana em seus valores mais fundamentais e básicos. Era a reencarnação de Hitler! Após dizer que seus fãs clubes eram centros de incentivos para orgias, drogas, bebedeiras e delinquência juvenil sugeriu que Elvis fosse contido, se possível respondendo a um pesado processo criminal. Terminou o texto ironizando afirmando que após trancafiar o "mal em pessoa" a chave deveria ser jogada fora para não haver perigo dele voltar às ruas! A notícia se espalhou rapidamente e assim Elvis se viu no meio da maior polêmica de sua carreira até então. E isso tudo porque ele apenas rolou com Nipper pelo chão durante o show! Sem dúvida muitos queriam sua cabeça numa bandeja naquela época. O pior é que ele faria um outro concerto no mesmo local na noite do dia seguinte. Sem hesitar o chefe do departamento de polícia local mandou filmar toda a apresentação. Se Elvis voltasse a fazer alguma barbaridade iria para a prisão na mesma hora! Joguem esse louco na cadeia!!! – esbravejavam os líderes religiosos pentecostais!

Quando o show começou e Elvis entrou no palco caminhando lentamente e calmamente ele se deparou com todos aqueles tiras ao redor, com alguns deles filmando cada gesto, cada detalhe. Eles queriam pegar o flagra de Elvis e Nipper naquele enlace imoral! Elvis parou, olhou tudo aquilo e deu um sorriso irônico dizendo: "Eu vou ser um anjo essa noite"! Todos riram. Anos depois Elvis brincaria dizendo que não poderia mexer nem o dedinho da mão pois isso poderia ser considerado imoral e indecente. Para os setores conservadores isso iria dar uma lição no cantor e significaria o fim de sua carreira. Quem iria comprar um disco daquele Rasputin maníaco depois de tudo aquilo?! Pensaram errado. O fato trouxe uma publicidade jamais vista a Elvis e ele ficou mais famoso ainda. Os jovens que o idolatravam agora o endeusaram completamente. Elvis era o novo James Dean, o novo rebelde, o carinha muito louco que no palco colocava pra quebrar mesmo! Ele encarnava toda a rebeldia dos jovens do mundo! O que aqueles velhos sabiam sobre música e Rock ´n´ Roll? Nada, absolutamente nada!

Um mês depois de todo esse rebuliço Elvis chegou ao Havaí pela primeira vez. As ilhas, que teriam um papel fundamental em sua carreira no futuro, o receberam de braços abertos. Foi uma viagem produtiva e divertida onde Elvis esfriou a cabeça. O fim do ano chegou e Elvis se recolheu em sua nova mansão, Graceland. Ele havia comprado a enorme casa por cem mil dólares. Era uma velha residência no mais puro estilo sulista. Elvis que era extremamente caseiro ficou duplamente gratificado. Estava ao lado de seus pais queridos, tinha vários discos e singles nas paradas e seus filmes tinham se tornado grandes sucessos de bilheteria. Não faltava mais absolutamente nada e ele se sentia feliz e realizado, tanto profissionalmente como pessoalmente. Ao contrário da imagem que seus shows no Pan Pacific construíram, a do rebelde sem causa com guitarras, a verdade pura e simples era que Elvis não era em sua vida privada uma pessoa rebelde, que queria abalar as estruturas da sociedade. Muito pelo contrário. Presley era acima de tudo um rapaz família, que adorava estar junto de seu pai e sua mãe, curtindo a privacidade de sua nova mansão. Dentro de Graceland Elvis podia relaxar completamente, sem temer qualquer tipo de invasão de sua vida privada. Dentro dos muros de sua casa ele voltava a ser o mesmo Elvis de Tupelo. Uma pessoa brincalhona, cercado pelas pessoas que ele entendia ser de plena confiança. Com Gladys ao seu lado desenvolveu uma divertida linguagem de bebê - ele falava como uma criança pequena com Gladys e ela respondia a ele no mesmo tom! Ninguém entendia nada do que falavam entre si mas invariavelmente Elvis caia no chão de tanto dar risadas com essa brincadeira. A felicidade era plena e reinava em cada canto de sua querida Graceland! Era seu sonho se tornando realidade.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

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