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Elvis e Norman Taurog

Elvis Presley recebe instruções do diretor Norman Taurog
Quando Elvis retornou de seu serviço militar para retomar sua carreira na música e no cinema a Paramount saiu na frente e contratou o astro por um cachê fantástico. Afinal valia tudo para obviamente aproveitar a grande publicidade que estava sendo feita em torno de Elvis na imprensa. Um filme com ele no exército certamente renderia alguns milhões na bilheteria. O Coronel Parker também tinha novos planos para Presley. Queria deixar de lado aquela imagem de rebelde no estilo James Dean para investir em algo mais familiar. Assim seus filmes teriam que ter muita música, muito romance e diversão, sem aquele peso mais dramático de filmes como “Balada Sangrenta”.

A Paramount então trouxe um diretor que considerava o ideal para esse novo rumo de Elvis em Hollywood. Era Norman Taurog que havia consolidado em uma longa carreira um talento muito especial para dirigir comédias musicais românticas. Por suas mãos já tinham passado grandes ídolos do passado como Judy Garland, Gene Kelly, Mickey Rooney e Cyd Charisse. Definitivamente sabia lidar com cantores e cantoras que tentavam fazer sucesso no mundo do cinema. “Eu sobrevivi a Judy Garland” – costumava brincar! Era um diretor da velha escola, premiado com o Oscar de melhor direção por seu trabalho em “Skippy” (1931).

Para dirigir Elvis a Paramount lhe orientou que fizesse algo parecido com o que tinha realizado ao lado da dupla Jerry Lewis e Dean Martin. Filmes leves, simples, que seriam exibidos durante as férias escolares. Nada de muito dramático ou pesado, longe disso, o estúdio queria “um passeio no parque” como definiu o chefão da Paramount, Leonard Goldenson. “Não me venha com bobagens dramáticas!” – orientou ao cineasta.

Taurog viu em Elvis um bom profissional, obediente, que não criava problemas no set mas também notou uma certa apreensão no astro pelo excessivo número de músicas inseridas no filme. Presley inclusive chegou a reclamar pelo fato de começar a cantar no meio de uma viagem de trem ou então em uma roda gigante. Tudo parecia bem superficial e muito longe da qualidade de seu último filme. Norman Taurog lhe aconselhou paciência, calma, que tudo iria dar certo. E deu. “Saudades de um Pracinha” (G.I. Blues) virou um sucesso de bilheteria em 1960. Além do bom êxito comercial havia se mostrado também o filme adequado para os executivos do estúdio. Era aquilo mesmo que eles queriam.

Depois do sucesso e do bom relacionamento profissional entre ele e Elvis as coisas ficaram meio que acertadas que eles voltariam a trabalhar juntos, sempre com produção de Hal B. Wallis. Assim Norman Taurog acabou se tornando o diretor mais assíduo nos chamados “Elvis movies”. Foram nove filmes ao total: Blue Hawaii (1961), Girls! Girls! Girls! (1962), It Happened at the World's Fair (1963), Tickle Me (1965), Spinout (1966), Double Trouble (1967), Speedway (1968) e Live a Little, Love a Little (1968). Em meados dos anos 70 Norman Taurog respondeu com muito bom humor uma critica durante uma entrevista que lhe foi feita no famoso periódico Variety. Perguntado sobre a qualidade dos filmes que fez ao lado de Elvis, ele respondeu: “Eu tinha o maior cantor do mundo trabalhando comigo, o que vocês queriam que eu fizesse?! Que o colocasse para “atuar”?! Elvis Presley tinha que cantar, era isso. Os filmes foram grandes sucessos e o público gostava, isso me basta!”.

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. “Eu tinha o maior cantor do mundo trabalhando comigo, o que vocês queriam que eu fizesse?! Que o colocasse para “atuar”?! Elvis Presley tinha que cantar, era isso. Os filmes foram grandes sucessos e o público gostava, isso me basta!”.

    Onde eu assino Pablo? Eu não quero ver filme algum do Elvis em que ele não cante muito, como já lhe disse que pode ser até Atirei o Pau no Gato, afinal ele não cantou Old MacDonald had a Farm em um filme?

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  2. Em minha forma de pensar o diretor e a Paramount foram simplesmente realistas. Elvis era um cantor fenomenal mas como ator não podemos perder a realidade, ele era muito abaixo de um Marlon Brando ou um James Dean. Pensar de outra forma seria forçado demais. Abraços, Pablo Aluísio.

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  3. Elvis era (e é ainda) o maior cantor do mundo e não o maior ator do mundo. Pra mim ele era cantor, nada de ator "serio" e "respeitado" como ele mesmo queria ser, não não, Elvis era o rei da musica seu palácio era o palco e não uma tela de cinema. Não que ser cantou o impedisse de atuar, ele poderia conciliar shows e cinema como fazia nos anos 50, mas ele não devia ter levado o cinema tão a serio. “Eu tinha o maior cantor do mundo trabalhando comigo...".

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