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G.I. Blues (1960)

Trilha Sonora do quinto filme de Elvis Presley que no Brasil recebeu o título de "Saudades de um Pracinha". O filme foi dirigido por Norman Taurog e produzido por Hal Wallis e contava em seu elenco com Juliet Prowse (a atriz era na época um dos casos amorosos de Frank Sinatra). Este filme seria o percursor dos filmes de Elvis nos anos sessenta com seus roteiros fracos e trilhas de gosto duvidoso. Apesar de tudo, "G.I.Blues" apresenta alguns momentos interessantes sendo uma de suas melhores trilhas nos anos sessenta. Elvis porém não gostou nada dos resultados mas preferiu manter sua decepção só para si. Neste mesmo ano Elvis iria realizar dois projetos de alto nível artístico. O primeiro foi a gravação do disco gospel "His Hand in Mine", velho sonho do cantor. O outro foi a realização do filme "Flaming Star" (estrela de fogo, 1960), western dirigido pelo aclamado diretor Don Siegel e co-estrelado pela atriz Barbara Eden. Este filme foi bastante elogiado pela crítica e se tornou um bem sucedido veículo para o sonho de Elvis em se tornar um ator respeitado. Ambos os filmes, "Flaming Star" (estrela de fogo, 1960) e "G.I.Blues" (saudades de um pracinha, 1960) foram grandes sucessos de bilheteria. Eis as canções da trilha sonora:

TONIGHT IS SO RIGHT FOR LOVE (S. Wayne / A. Silver) - TONIGHT'S ALL RIGHT FOR LOVE (S. Wayne / A. Silver) - Essas duas canções sempre causaram grande confusão entre os fãs. A primeira é a oficial da trilha sonora americana, que inclusive foi utilizada durante o filme, onde Elvis a canta para Juliet Prowse em uma cantina. Essa se chama "Tonight is so Right For Love" e foi baseada na obra de Johannsen Strauss. Como a RCA Victor não conseguiu a liberação de seus direitos autorais na Europa, o produtor Joseph Lilley promoveu a gravação de uma outra versão com a mesma letra, porém com sutil modificação em sua harmonia. Essa segunda canção, que foi lançada na época somente nos países de língua latina (Europa e Brasil inclusive) se chamou "Tonight's All Right For Love". É bom salientar que quando este disco foi relançado em CD as duas composições foram incluídas finalmente na trilha sonora, o que não havia ocorrido na edição brasileira do disco lançado na época e nem em sua reedição de 1982 pelo selo RCA Pure Gold (embora nesse último tenha sido creditada de forma errada a canção "Tonight's All Right For Love" na contracapa, causando maior confusão ainda entre os fãs brasileiros!). A primeira é tecnicamente muito superior, com ótimo arranjo, maravilhosa vocalização de Elvis e um acompanhamento fantástico em todos os aspectos. Sem sombra de dúvida uma das mais lindas canções românticas da carreira de Elvis em Hollywood. A segunda é bem mais simples, curta e resumida, mas também não deixa de ser muito simpática e relaxante. Os fãs brasileiros certamente possuem maior familiaridade com a segunda por esta ter sido a que foi lançada por aqui! Enfim, dois ótimos momentos da trilha sonora.

WHAT'S SHE REALLY LIKE (Sid Wayne / Silver Joe Lilly) - É apresentada de forma bastante discreta no filme numa cena em que Elvis canta num banheiro! Este era um problema dos filmes do cantor: como acrescentar tantas músicas num só filme? Em decorrência disso o rei cantou ao longo de sua carreira nas mais diversas ocasiões: em barcos (garotas e mais garotas, 1962), em cassinos (entre a loira e a morena, 1965), dentro d'água (Joe é muito vivo, 1968), em montanhas russas (o carrossel de emoções, 1964), dirigindo veículos (feitiço havaiano, 1961), pescando (garotas e mais garotas, 1962) e até em helicópteros (no paraíso do Havaí, 1966)!

FRANKFORT SPECIAL (Sid Wayne / Sherman Edwards) - Elvis interpreta esta divertida canção em um trem! Pois é, como havia várias músicas na trilha então não se devia desperdiçar tempo para apresentá-las. O ritmo aliás lembra o som de um trem em movimento. De qualquer forma vale por ser um momento de alto astral do disco e do filme. A trilha do outro filme de Elvis em 1960, "Flaming Star" (estrela de fogo, 1960)", contava com as seguintes canções: "Summer Kisses, Winter Tears", "Flaming Star", "Britches" e "A Cane and A Starched Collar", esta última aliás, a única cantada por Elvis no filme.

WOODEN HEART (adapt: Kaempfert / Wise / Weisman) - A melhor música de todo o disco. É baseada na canção folclórica Alemã "Muss I Denn". A cena que Elvis a apresenta no filme (com as marionetes) é a melhor parte de toda a película. A canção foi lançada em compacto na Alemanha e no restante da Europa alcançando um tremendo sucesso. O Single norte-americano com "Wooden Heart" só foi lançado no final de 1964, ou seja, quatro anos depois!!! É digno de nota a ótima adaptação do maestro alemão Bert Kaempfert e o acordeonista Jimmie Haskiell. Ela foi gravada no dia 28 de Abril nos estúdios Radio Recorders em Hollywood.

G.I. BLUES (Sid Tepper / Roy C.Bennett) - A canção tema do filme. Apesar de ser agradável, ela perde, e muito, se comparada com as outras canções que deram título a filmes de Elvis antes, como por exemplo "Jailhouse Rock (o prisioneiro do rock, 1957)", "Love me Tender" (ama-me com ternura, 1956), "Loving You" (a mulher que eu amo, 1957) e "King Creole" (balada sangrenta, 1958). Sem dúvida isto expressa a queda da qualidade musical das trilhas do cantor nos anos sessenta, que infelizmente só iriam decair daí em diante. Foram gravadas duas versões diferentes e Elvis acabou escolhendo esta.

POCKETFULL OF RAINBOWS (Wise / Weisman) - Elvis faz dueto com Juliet Prowse no filme, porém a versão lançada no disco só conta com a voz do cantor, o que é um alívio. É uma típica canção lenta e romântica dos filmes de Elvis nos anos sessenta. Os compositores desta música iriam compor diversos temas para Elvis durante sua carreira. A Letra traz uma mensagem bonita: "todos temos que ter um arco íris no nosso bolso nos momentos difíceis da vida".

SHOPPIN AROUND (Tepper / Bennet / Schroeder) - O ritmo é muito empolgante além de ser muito bem executada, porém mais uma vez fica evidente a fragilidade da letra. Esta aliás é uma característica de muitas canções de filmes de Elvis nos anos 60: um bom balanço com letras frágeis.

BIG BOOTS (Wayne / Edwards) - Foram gravadas duas versões diferentes desta canção: uma lenta que foi utilizada no filme e lançada junto com a trilha e outra rápida que, apesar de ser bem melhor que a primeira foi arquivada só sendo lançada muitos anos depois. A principal razão da inclusão da primeira versão é que esta se encaixou melhor na cena em que Elvis a interpreta com o objetivo de fazer uma criança dormir.

DIDJA EVER (Wayne / Edwards) - De todos os ritmos musicais do universo talvez Elvis se desse pior cantando "Marchas". Este disco apresenta várias pois o enredo diz respeito a um soldado em serviço militar na Alemanha (O que era uma paródia do que ocorreu com o próprio cantor em sua vida real e que Elvis desaprovava enfaticamente). Pois bem, de todas estas marchas talvez esta seja a pior sendo a que faz parte da parte musical final do filme.

BLUE SUEDE SHOES (Carl Perkins) - Uma nova versão para o clássico de Carl Perkins. Apesar de ser muito bem arranjada com um ótimo acompanhamento ela não consegue se tornar melhor do que a versão do cantor para o disco "Elvis Presley" (1956). Algo se perdeu, talvez falte um pouco de garra e pique nesta versão. Porém sem dúvida é um dos pontos altos de todo a trilha. Elvis não a canta no filme, ela só aparece quando um soldado liga um jukebox.

DON'T THE BEST I CAN (Pomus/Schuman) - Fechando o disco temos esta baladona romântica que pode ser considerada também um bom momento do disco (que é caracterizado por apresentar altos e baixos). A dupla de compositores iriam ser responsáveis por grandes sucessos do rei nos anos 60. De certa forma foi a solução encontrada pelo Coronel para substituir a dupla Leiber e Stoller, que eram infinitamente superiores. Apesar de tudo é uma bela canção.

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J.Fontana (bateria) / Frank Bode (bateria) / Ray Siegel (contrabaixo) / Dudley Brooks (piano) / Jimmie Haskell (acordeon) / Tiny Timbrell (guitarra) / Hoyt Hawkess (guitarra) / Neil Mathews (tamborim) / The Jordanaires (vocal) / Produzido por Joseph Lilley e Hall WallisRCA Studios - Hollywood / Data de Gravação: 27, 28 de abril e 06 de maio de 1960 / Data de Lançamento: outubro de 1960 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. Pablo:

    Nesta hora do Blue Sweed Shoes no jukbox acontece uma coisa que previa o futuro e já contava o passado do rock.

    O personagem Elvis estava com seu grupo tocando e cantando uma destas músicas fracas que você cita das trilhas sonoras deste tipo de filme em um bar, quando um soldado diz " eu prefiro o original, e coloca na máquina de música Blue Sweed Shoes com o Elvis cantando no que o personagem do Elvis em G I Blues se sente ofendido e briga no soco com o dito soldado". Olha só isso: já era o Elvis ficando velho se tornando uma espécie de Frank Sinatra mais jovem e abandonando o rock que ele próprio havia inventado a, pasme, seis anos antes! Seria como se uma pessoa tivesse se tornado um velho em seis anos, mesmo fisicamente ainda sendo muito jovem.
    Só essa cena prevê o que seria os próximos oito anos da carreira do Elvis, ou seja um terço desta carreira. É de arrepiar.



    PS. Só pra constar, em Carrossel de Emoções o Elvis não canta em uma montanha russa, mas sim em uma roda gigante. Viu como eu sou chato?

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  2. Tem razão Serge, é uma roda gigante...rs

    Sobre Blue Suede Shoes: gosto dessa versão, é mais soft, leve, mas tem um arranjo acústico muito bom mesmo, com um excelente solo na metade da música. Mas de fato não chega perto da versão original que tem a fúria de um Elvis roqueiro, jovem e com muito garra de vencer na nova gravadora (ele havia sido contratado há pouco tempo pela RCA Victor).

    Seria essa cena uma paródia entre o novo e o velho Elvis? Parece que o roteirista do filme quis mostrar justamente isso, de uma forma bem mais sutil. Abraços, Pablo Aluísio.

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  3. Pois é, o roterista quis ser sutil, mas nos dias de hoje, sabendo tudo o que sabemos, essa sutileza parece mais uma marretada!

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