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Elvis e a Surf Music!

Trilhas sonoras como Blue Hawaii e Girls, Girls, Girls, lançadas por Elvis Presley na primeira metade dos anos 1960, deixaram alguns dos fãs mais antigos e leais Rei do "Rock" de orelhas em pé. As composições, os arranjos, as ideias por trás de cada música das novas trilhas sonoras de Elvis bebiam diretamente de um movimento musical que vivia naquela altura uma de suas melhores fases de sucesso: a Surf Music. Esse estilo de música louvando o verão, o surf e a vida dos praticantes desse esporte tinha definitivamente caído no gosto da juventude americana e dominava o espaço que até bem pouco tempo atrás era exclusivo do Rock ´n´ Roll, que naquele momento estava adormecido e ofuscado pelas novas manias musicais.

O Surf Music surgiu ainda nos anos 50 mas sua repercussão não foi tanta a ponto de chamar a atenção. A primeira geração do Rock (formada por artistas como Chuck Berry, Bill Halley e o próprio Elvis) dominava inteiramente as paradas musicais no final dos anos 50, deixando pouco espaço para que os astros que iriam influenciar o surgimento do surf Music como Dick Dale ou Duanne Eddy se sobraíssem mais. A nova onda musical só começou a crescer mesmo no momento do esfacelamento das carreiras dos roqueiros pioneiros. Enquanto Elvis estava no exército americano vários ídolos teen, que bebiam diretamente dessa nova onda, como Fabian e Frankie Avalon, alcançavam o estrelado tanto nos discos como no cinema.

Então quando retornou do exército em 1960 Elvis acabou aderindo, embora nunca de forma direta ou assumida, ao novo estilo. Em 1961 Elvis estrelou Blue Hawaii, um filme que hoje é considerado um dos maiores símbolos da dominação da Surf Music no cinema. A ligação de Elvis com esse estilo musical iria se aprofundar nos filmes que viriam, como Girls, Girls, Girls (que embora não mostrasse um personagem ligado ao Surf em si, trazia nos arranjos de suas canções todas as características desse som). A coisa continuaria até bem mais tarde na carreira de Elvis, em canções espalhadas por diversos filmes dele, como o fraquíssimo Paradise Hawaiian Style e Clambake (com todas aquelas canções falando de mariscos, praia e biquínis).

Elvis de certa forma ficou entre a cruz e a espada durante esses anos. De um lado a Surf Music alcançava ainda mais sucesso, notadamente a partir de 1961 quando os grupos musicais ligados ao estilo (como The Beach Boys, The Trashmen, The Rivieras, etc) começaram a frequentar os primeiros postos da Billboard e do outro lado os grupos britânicos começavam a dominar também as paradas com a invasão Britânica (com grupos como The Beatles e Rolling Stones, os maiores símbolos dessa era). No meio de tanta novidade e sem fazer parte totalmente de nenhum dos lados, Elvis começou a sumir das paradas musicais. Definitivamente não havia mais espaço para um pioneiro do Rock que só apresentava trilhas sonoras tentando em vão copiar o estilo das bandas da moda.

Elvis só iria reencontrar o caminho do sucesso mesmo em 1968 quando usando um blusão de couro negro (símbolo de ídolos da primeira leva de roqueiros como Gene Vincent) lembrou a todos da importância daquele inigualável grupo de artistas dos anos 50, que ao fundirem o som negro ao branco trariam ao cenário musical uma revolução cultural que sobrevive até os dias de hoje. Elvis certamente nunca convenceu como um membro da turminha da praia, até porque ele não era mesmo, tampouco foi produtiva sua passagem pela nova onda da Surf Music.

Mas tudo serviu como lição. Nos anos 70 Elvis deixaria de uma vez por todas de tentar seguir as modinhas que iam surgindo no mundo da música. Assumiu seu lado mais verdadeiro e recheou seus álbuns setentistas com canções que tocavam fundo em sua alma e em seu sentimento, sem ligar para os modismos e as tendências musicais que dominavam as paradas. Se tivesse seguido esse caminho certamente seus discos dos anos 70 estariam cheios de canções do estilo Discoteca, o que definitivamente seria um terror para seus antigos fãs. Mas isso era passado definitivamente, os filmes e discos da praia mudaram a visão de Elvis. Os dias de verão eterno finalmente foram deixados para trás para todo o sempre. Amém.

Pablo Aluísio

2 comentários:

  1. No Paraíso Havaiano e namorada do Elvis chega em uma ilha de surfistas e pergunta aonde ele estaria, no que um rapaz responde "surfando' e a câmera mostra o Elvis deitado sobre a prancha, que cena patética. Acho que o Elvis parecia tanto praticar o surf, quanto o Frank Sinatra. Alguém imagina o Elvis, o Jerry Lee Lewis, o Chuck Barry, e o Litlle Richards fazendo surf? Os caras eram caipiras de Menphis. só estes produtores de cinema oportunistas mesmo pra querer fazer do Elvis um Frank Avalon, que, pro bem da verdade, também não parecia ser um verdadeiro surfista.

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  2. Elvis só viu praia com mais de 20 anos quando foi para a Califórnia, já como cantor famoso. Não convencia como surfista realmente - e nem era a "praia" dele esse tipo de papel. Mas é tal coisa, Hollywood é Hollywood...

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