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As Lembranças de Ann-Margret

Em pessoa, você não pode chamá-la de Sra. Ann-Margret mas apenas Ann-Margret. Ela não gosta de ser chamada de senhora, pois lhe dá uma sensação de respeito, só dado a pessoas mais velhas, em sua opinião. E ela não quer esse tipo de tratamento. E mesmo agora, aos 70 anos, ela quer ser apenas a boa menina do passado.

"Não é interessante como nós definimos esses padrões impossíveis para nós mesmos?" ela pergunta servindo o chá na sua sala de estar em sua casa localizada no Benedict Canyon, com a voz um tanto sussurrada. "Eu sempre tentei ser a menina perfeita. Sempre tentei ter boas maneiras, ser educada até nos menores detalhes. Nunca quis desagradar meus pais." Ela ri um pouco quando diz isso.

Então, com os olhos azuis de tonalidade lavanda, olhando diretamente através de você, ela acrescenta: "Quero dizer, você está crescendo mas quer manter sua boa imagem de quando era jovem e inocente"

Ann-Margret teve sua cota de dificuldades, começando com sua estréia no cinema em 1961 em "Dama por Um Dia", em que ela sobreviveu ao contracenar com a exigente Bette Davis até o dia em que finalmente conheceu o reconhecimento da crítica em "Ânsia de Amar", em 1971. Nesse meio termo desenvolveu um sério problema de dependência de pílulas prescritas e álcool, algo que segundo suas próprias palavras a impedia de "separar a fantasia da realidade". Só conseguiu superar esse drama após se recuperar de um grave acidente que sofreu em Lake Tahoe quando ao esquiar caiu de uma altura considerável, quebrando praticamente todos os ossos de seu rosto. Após isso resolveu retomar os rumos de sua vida. Nada mais de bebidas ou drogas.

Com a publicação de seu livro de memórias, "Ann-Margret: My Story" ela pretende reavaliar fatos de sua vida, inclusive suas decepções amorosas como o complicado romance que manteve com Elvis Presley, um relacionamento que durou 14 anos segundo ela, só terminando definitivamente com a morte do cantor em 1977.

Elvis (ou EP, como ela gosta de chamar) sempre enviava a ela arranjos de flores em forma de guitarra, sempre que a sueca estava estreando algum show, programa ou filme. Essas gentilezas de Elvis prosseguiram com os anos, mesmo após ela se casar com o ator Roger Smith. Eles se conheceram e se apaixonaram enquanto estavam filmando "Amor à Toda Velocidade" em Las Vegas. Elvis lhe deu uma cama toda cor-de-rosa, tamanho king-size. Anos depois Ann levou o presente para seu apartamento em Beverly Hills, onde está até hoje. "Elvis gostava de brincar de se esconder de seus seguranças, então ia para minha casa onde se divertia muito ao saber que todos estavam atrás dele". Então eu dizia: "Ligue para eles ao menos" - e Elvis me respondia: "Não, deixem que fiquem loucos, chamem a polícia, nesse dia eu vou me divertir como nunca. Estou muito bem aqui mesmo!" - Ann ri muito quando se lembra disso. "Meu marido sabia que a cama havia sido um presente de Elvis mas eu sempre deixei claro que nunca iria vendê-la". E assim foi.

Sobre a biografia Ann explica: "Eu não queria escrever sobre essas coisas mas depois pensei que seria muito bom reavaliar toda a minha vida". O acordo foi mais do que satisfatório e ela recebeu um bom cachê para revelar seus segredos mais íntimos, cem mil dólares. "Antes de escrever o livro falei com meu marido, minha mãe e outras pessoas próximas, para saber se não haveria problemas. Todos disseram que estava tudo bem".

Ann-Margret não faz revelações escandalosas em seu livro. Seus atos mais ousados são considerados pueris para os padrões atuais. Margret acha que andar de moto a alta velocidade pelas ruelas de Los Angeles é algo revelador de sua rebeldia. Será mesmo? O livro é tímido se formos comparar com a história de outras celebridades.

Talvez o maior interesse venha de suas lembranças com Elvis. De certa forma ambos pareciam reflexos de uma mesma pessoa no espelho. "Assim que me encontrei com Elvis senti algo muito forte, uma eletricidade, algo fora do comum. Éramos jovens, estávamos no cinema e tínhamos gostos parecidos. Mas ele era também uma força que ninguém poderia controlar. Ele nunca mencionou Priscilla enquanto estávamos juntos nas filmagens. Só depois que ouvi alguns rumores que ele tinha uma namorada em Memphis, uma garota que ele conheceu na Alemanha mas eu não sabia de nada, nem seu nome!"

Ann continua: "O que importava era que ele estava aqui. Foi paixão à primeira vista. Ele gostava de estar em um set de filmagem. Achava tudo maravilhoso, a equipe técnica, as filmagens. Seu maior sonho era ser ator de cinema, ele me disse isso muitas vezes. Eu estava apaixonada mas conforme o filme foi chegando ao fim também fui percebendo que ele foi ficando mais distante. Soube anos depois que sua namorada, a Priscilla, tinha ficado sabendo de nosso namoro e que havia jogado um vaso de flores na parede quando soube de tudo! Ela tinha uma personalidade muito forte. Ele ficou com receios de perder ela e depois de um tempo se decidiu por ficar com Priscilla! Elvis nunca chegou para mim e disse que estava acabado ou que teríamos que dar um tempo, ele simplesmente sumiu sem dar maiores explicações. Depois de tempos em tempos me enviava flores como eu disse. Mas nunca mais passou disso".

Apesar de tudo Ann-Margret parece satisfeita com tudo. Ela é educada, com modos de uma senhora fina e elegante. Gosta de sempre se vestir de rosa, sua cor preferida. O dia está quente mas ela não abre mão de estar muito bem trajada. Ela também usa um anel de diamantes que chama a atenção. Brincos de ouro branco também formam um belo quadro. Seu perfume é marcante e seu batom segue a tonalidade de suas roupas, também rosa. O efeito de tudo isso é muito interessante, elegância e charme em um mesmo conjunto.

Sentada em um sofá floral ela vai relembrando os anos passados. Recebe muito bem as pessoas em sua casa, mandando a empregada servir chá em xícaras de porcelana de aros dourados. Sua sala de estar é mobiliada com um piano de cauda branco (teria alguma ligação com Elvis?) e o visitante tem uma bela vista de toda Los Angeles logo abaixo. Há um belo lustre de cristal sobre nós e flores de seda por todo o ambiente. Na mesa do café há peças de cristal suficientes para ela abrir sua própria franquia Lalique. Ela adora gatos de cristal, que estão em toda parte pela sala.

Ela parece descontente. Percebe que anoto tudo o que vejo. De repente diz: "Há muitas coisas sobre a mesa", e em seguida, remove as taças de cristal e gatinhos e os leva para outra sala. Ela se senta novamente, mas depois decide que a iluminação no meio da tarde não é muito boa para a decoração. Seus saltos clatter fazem barulho contra o piso de madeira, e ela brinca com o painel de luz do corredor.

Sua casa também tem muitos quadros bonitos. Em uma das paredes da sala, há um enorme do casamento de seus pais, Gustav e Anna Olsson. Ela também mandou emoldurar todas as capas de revistas em que apareceu durante todos esses anos. Curiosamente não há nenhuma foto de Elvis por perto. O único quadro de um rei a surgir em sua casa é a do Rei e da Rainha da Suécia. Nada da majestade Elvis Presley!

Artigo publicado no jornal L.A.T.

Tradução: Erick Steve.


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