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Viva Las Vegas

"Viva Las Vegas" é o filme de Elvis em que tudo deu certo, desde a trilha sonora que é maravilhosa, da escolha de elenco que contou com a ótima Ann Margret, ao diretor George Sidney que deu um show de direção. Além disso foi um prato cheio para os jornais da época por tudo que rolou durante as filmagens, com o namoro de Elvis e Margret, indo muito além das telas de cinema. O rei do rock ficou perdidamente apaixonado pela atriz, bem debaixo do nariz de Priscilla. O clima de paixão passou para o filme, tudo é feito, encenado e coreografado com o maior bom gosto. Elvis estava em seus melhores dias.

A atriz sueca Ann-Margret era chamada pela imprensa americana como "Elvis de saias". Realmente foi a melhor parceira de Elvis em toda a sua carreira cinematográfica. O clima entre os dois esquentou ao ponto de Margret falar em um jornal de Los Angeles que sua cama cor de rosa foi um presente de Elvis. Os membros da máfia de Memphis também afirmam que, pela primeira vez em sua vida, o rei do rock confessou a eles estar realmente apaixonado por um mulher. Além disso Elvis passava longas temporadas com ela em sua casa em Beverly Hills. Isto sim foi uma paixão avassaladora. O filme foi filmado, claro, em Las Vegas, tendo como pano de fundo a corrida anual de Nevada. Claro que Elvis faria o papel de um piloto tentando a sorte na capital do jogo e do pecado. Para muitos esse é disparado o melhor trabalho de Elvis no cinema nos anos 60. Até os mais ferozes críticos se renderam ao seu charme. Estas são as canções do filme "Amor a toda velocidade":

VIVA LAS VEGAS (Pomus / Schuman) - Uma das últimas composições da dupla Pomus / Schuman, pois em pouco tempo eles iriam se separar definitivamente. Um tema muito bom, que tenta capturar o clima da cidade, com seus cassinos, hotéis e casas de show luxuosos. Bem executada com ótimo arranjo. O filme teve vários títulos provisórios, que iam mudando conforme as filmagens avançavam, eis alguns: "The Only Game in Town", "The Lady Loves me", "The Magic Touch" e finalmente "Mr, will you Marry Me?". Então, após ouvir toda a trilha sonora, o diretor George Sidney resolveu mudar de forma definitiva o nome do filme para "Viva Las Vegas" por causa da canção.

IF YOU THINK I DON'T NEED YOU (West / Cooper) - Composição do amigo de Elvis, Red West. Aparece numa cena divertida em que Elvis tenta atrapalhar os avanços do conde italiano Elmo Marcini, interpretado pelo bom ator Cesare Danova, sobre a personagem de Ann-Margret A música é usada para quebrar o clima romântico entre ambos. Em pouco tempo de filmagem estourou nos jornais a notícia que Elvis e Margret estavam tendo um caso amoroso. Priscila Presley então resolveu enfrentar a situação e confrontou o cantor, que saiu com esta resposta: "Não tenho nada com Ann-Margret, ela é um típica starlet de hollywood, só preocupada com sua carreira". Sonso o rapaz.

I NEED SOMEBODY TO LEAN ON (Pomus / Schuman) - Outra romântica do filme. O diretor George Sidney já havia trabalhado antes com Ann-Margret em "Bye, Bye, Birdie". Este filme é uma sátira ao próprio Elvis, pois retrata os sonhos de uma adolescente fã de um ídolo da música. Além deste, George Sidney dirigiu grandes filmes como "O barco das ilusões", "Pepe" e "melodia imortal". Sobre George Sidney, Elvis afirmaria anos depois: "Ele estava perdidamente apaixonado por Ann-Margret, o que o levou a direcionar o filme para ela, a privilegiando em todas as tomadas".

YOU'RE THE BOSS (Leiber / Stoller) - Elvis reencontra Leiber e Stoller. Aqui temos um dueto entre Elvis e Ann-Margret. A música infelizmente foi arquivada, ficando anos fora de catálogo, sendo disputado e caçada pelos colecionadores. O fato desta trilha sonora nunca ter sido junta em um LP acabou deixando muitas destas canções perdidas no limbo musical. Um fato interessante sobre as gravações deste disco: Elvis, pela primeira vez em sua carreira gravou as canções sobre um playback anteriormente gravado por sua banda. Esse sistema de gravação foi utilizado justamente nos duetos entre Elvis e Ann-Margret. O fato de ficar sozinho em estúdio, sem a presença de seus músicos, desagradou profundamente o cantor, que reprovou esta forma de gravação.

WHAT'D I SAY (Ray Charles) - Clássico de Ray Charles, gravada por um grande número de artistas ao longo da história. Aqui Elvis contou não somente com sua banda, mas também por um grupo de apoio da MGM, contando inclusive com uma segunda turma de vocalização, os grupos The Jubilee Four e Carole Lombard Quartet. Este primeiro inclusive teve direito a apresentar uma canção solo no filme, chamada "The Climb". Ann-Margret também apresentou duas canções solos: "Appreciation" e "The Rival".

DO THE VEGA (Giant / Baum / Kaye) - Canção que foi arquivada na época de sua gravação. Só foi lançada em CD através da série "Double Features". Um aspecto curioso sobre "Viva Las Vegas": James Burton sustenta até os dias de hoje que participou destas sessões, mas o guitarrista Scotty Moore contesta e afirma que ele nunca participou das gravações desta trilha sonora. Ficou aí a dúvida, sendo colocados em dois lados opostos as palavras dos dois guitarristas oficiais da carreira de Elvis.

C'MON EVERYBODY (J. Byers) - Sem sombra de dúvida uma das melhores canções da carreira de Elvis. A cena em que ele dança com Ann-Margret no ginásio da universidade de Nevada é insuperável. A banda de Elvis está super afinada, tudo resultando em um ótimo momento artístico. Elvis era um grande dançarino que precisava de uma partner à altura, sendo que ele a encontra aqui. A coreografia apresentada é bem diferente da que ele usava nos anos 50, o que demonstra sua versatilidade.

THE LADY LOVES ME (Tepper / Bennett) - Deliciosa parceria entre Elvis e Ann-Margret, que cantava otimamente bem. Como sempre a cena do filme é deliciosa. Seria o tema principal do filme, mas acontece que não houve um acordo satisfatório com os empresários de Ann-Margret para o lançamento desta canção em disco. Assim surgiu um problema incrível, pois a RCA não pôde lançar a trilha sonora em um LP, pois não haveria canções suficientes depois de retirar aquelas em que a atriz sueca fazia dueto com Elvis. E assim acabou acontecendo, o projeto do LP foi arquivado definitivamente. Desta forma as músicas acabaram sendo lançadas em um EP (compacto duplo) chamado "Viva Las Vegas" com 4 canções, e em um single com "What'd I Say / Viva Las Vegas" que chegou às lojas em abril de 1964 nos Estados Unidos. Isto causou uma grande insatisfação entre os fãs de Elvis, pois todos esperavam o lançamento de um LP, com todas as canções juntas, o que efetivamente não ocorreu.

NIGHT LIFE (Giant / Baum / Kaye) - Este trio de compositores era contratado pela Metro para escrever canções para seus filmes. Às vezes eles acertavam, mas em outras ocasiões eles erravam a mão feio, como na trilha sonora de "Kissin Cousins" (com caipira não se brinca, 1964). Esta trilha é considerada uma das piores de Elvis e curiosamente é intercalada por dois bons momentos do cantor, que são "Roustabout" e "Viva Las Vegas".

TODAY, TOMORROW AND FOREVER (Giant / Baum / Kaye) - Adaptação do clássico "sonho de amor" de Liszt. Foram gravadas duas versões, uma solo e uma em dueto com Ann-Margret. Em uma palavra: linda. O arranjo piano, violão, coro e orquestra é fabuloso. Um dos melhores momentos de Elvis na música romântica. Em 2002 se comemorou os 25 anos da morte de Elvis, a RCA - BMG para celebrar e lembrar a data lançou uma coleção com mais de cem versões inéditas com o nome de "Today, tomorrow and Forever". O carro chefe foi justamente a versão nunca lançada em que Elvis dividiu o microfone com Margret. Momento raro.

THE YELLOW ROSE OF TEXAS / THE EYES OF TEXAS (Wise / Starr / Lance Sinclair) - Medley que reúne duas canções populares do Estado americano do Texas. E o que isto tem a ver com "Viva Las Vegas", já que Vegas fica em Nevada? Acontece o seguinte: logo após Elvis conhecer a personagem de Ann Margret em uma oficina mecânica ele passa a procurá-la em cassinos e shows de Las Vegas, pensando seriamente que ela é uma dançarina. Bem, em um destes lugares Elvis se depara com um bando de texanos bêbados. A única forma de controlar a turma é cantando um canção do Estado da rose amarela. Assim Elvis coloca os rapazes para fora do estabelecimento chamando todos a acompanhá-lo neste hino alternativo do Texas. Mas não encontra Ann-Margret, pois ela na verdade não é dançarina e sim professora de natação para crianças, para surpresa de todos.

SANTA LUCIA (arranjado por Elvis Presley) - Música italiana arranjada por Elvis. "Viva Las Vegas" foi lançado na Inglaterra com o título de "Love in Las Vegas". O compacto duplo com quatro canções deste filme foi lançado em maio de 1964 e contava com as seguintes músicas: IF YOU THINK I DON'T NEED YOU / I NEED SOMEBODY TO LEAN ON / C'MON EVERYBODY / TODAY, TOMORROW AND FOREVER.

Elvis Presley - Viva Las Vegas: Elvis Presley (vocal) / Ann-Margret (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Billy Strange (guitarra) / Alton Hendrickson (guitarra) / James Burton (guitarra) / D.J Fontana (bateria) / Buddy Harmon (bateria) / Frank Carlson (bateria / Roy Hart (percussão) / Floyd Cramer (piano) / Artie Cane (piano) / Calvin Jackson (piano) / Oliver Mitchel (trumpete) / James Zito (trumpete) / Randall Miller (trombone) / Herb Taylor (trombone) / Ray Siegel (baixo) / Bob Moore (baixo) / Boots Randolph (Sax) / William Green (Sax) / Steve Douglas (Sax) / The Jordanaires (vocais) / The Jubilee Four (vocais) / Carole Lombard Quartet (vocais) / Direção musical de George Stoll / Gravado nos estúdios Radio Recorders, Hollywood / Data de Gravação: 09 a 12 de julho de 1963 e 30 de agosto de 1963 / Data de lançamento: abril de 1964 / Melhor posição nas charts: #3 (EUA) e #2 (UK).

Pablo Aluísio.


4 comentários:

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  3. Pablo:

    O interessante em C'MON EVERYBODY é ver como o Elvis, apesar de ser famoso pela sua dança, vamos dizer,,, espontânea, sofre quando tem que dançar de verdade, principalmente ao lado de uma boa dançarina como era a Ann Margreth. E como ele dança mal; o cara é duro, descompassado, desajeitado de dar vergonha alheia. Não dá pra ser perfeito em tudo..

    Outra coisa em no final da música e a Ann Margreth resolve entrar cantando (na verdade é um grito) e ela entra completamente fora do tom dando uma desafinada antológica, que não sei como não tiraram do filme na edição ou não refilmaram a cena.


    Não sei se você percebeu esses dois detalhes

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  4. Ah, eu até gosto do jeito de dançar de Elvis. Ok, ele não era nenhum Rudolf Nureyev mas dentro de sua proposta até que era bem adequada sua tão famosa Pelvis. Sobre a Ann, pois é, aquilo foi um momento de empolgação desafinada mas os produtores resolveram deixar por causa do clima, da vivacidade, etc, até porque não era uma gravação de estúdio para um disco mas apenas uma cena, cinema, onde o que vale mesmo é o que os atores passam para o público, acima de tudo. Abraços, Pablo Aluísio.

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