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Careless Love: The Unmaking of Elvis Presley

É lançado novo livro sobre um dos maiores ícones do Rock'n'Roll!

Elvis, o mito, ganha mais 658 páginas - No dia 30 de outubro de 1976, com menos de um ano de vida pela frente, Elvis Presley, aos 41 anos entrou num estúdio de gravação pela última vez. A verdade, porém não foi bem assim.

Como o cantor já não sentia interesse suficiente em seu próprio trabalho para fazer a viagem (curta) até os estúdios de Memphis ou Nashville de onde saíram seus grandes sucessos, a gravadora, em desespero, enviou os equipamentos necessários até sua mansão, Graceland, onde foram montados numa sala conhecida como Jungle Room (sala das Selvas). A carreira de Elvis já estava reduzida a pouco mais do que uma seqüência de turnês comerciais organizadas para subsidiar uma microeconomia devastada por hábitos caros; não apenas a compulsão de gastar do próprio Elvis, mas também os desmandos de seu empresário, viciado em jogos de azar.

A Música com a qual Presley conquistara fama e fortuna e ajudara a criar uma nova cultura popular agora mal conseguia despertá-lo do torpor provocado por sua extravagâncias farmacológicas. A sessão foi um desastre. No segundo e último volume de sua biografia definitiva de Elvis Presley, Peter Guralnick descreve como Elvis adiou sua chegada ao "estúdio" até os músicos chegarem ao ponto de se rebelar.

Depois de gravar uma canção, perdeu o interesse pelo trabalho ao ser avisado da chegada de um carregamento de motos. Um pouco mais tarde, retornou à jingle Room com uma metralhadora na mão. Dizendo a seus assistentes que não estava no estado de espírito certo para cantar, mandou todos para casa.

Ou seja, foi um episódio tipicamente bizarro e lamentável da última fase da vida de um dos maiores ícones do Rock. Mas o que sobreviveu daquele dia, deixando de lado mais uma anedota, é a canção gravada, uma versão de quatro minutos e meio de "He'll Have to Go", um sucesso antigo de Jim Reeves. Diante de um arranjo sóbrio, com guitarra eloqüente e coro discreto, Elvis canta a balada tristonha com sobriedade emocional, tom firme, fraseado meticuloso, um comando belíssimo dos vibratos e o ar geral de um homem que vive a melhor fase de sua vida.

Seria impossível estar mais distante da caricatura do Elvis gordo e inchado de Las Vegas - e como suas versões de "Promised Land" de Chuck Berry, "Tomorrow is a long Time" de Bob Dylan, e um velho lado B de Bing Crosby chamado "Beyond the Reef", a gravação deita por terra a idéia amplamente difundida de que a produção de Elvis depois de sua saída do exército foi totalmente destituída de valor. O autor enxerga a verdade inerente à aparente contradição entre o comportamento grosseiro de Elvis e a beleza de sua música. Guralnick não santifica seu objeto, mas também tampouco o massacra; conta sua história da maneira mais justa e escrupulosa possível. Sua disposição de apresentar e pesar as evidências, recorrendo às extensas entrevistas que ele próprio conduziu e a uma cuidadosa seleção de materiais vindos de fontes publicadas anteriormente, possibilita ao leitor tirar sua próprias conclusões.

Ann-Margret
Assim, o charme e a generosidade de Elvis são contrapostos ao nepotismo que praticava e a seu hábito de manipular as muitas mulheres com quem ele se relacionou. O Livro traz novos depoimentos de diversas namoradas do cantor e integrantes da máfia de Memphis. Ao lado da grotesca auto gratificação (possivelmente induzida pelo sargento que o iniciou no consumo de anfetaminas, durante manobras do exército na Alemanha) e da auto-indulgência desvairada, figuram as oportunidades perdidas em sua vida, como o romance com Ann-Margret, com quem estrelou "Viva Las Vegas" e cuja inteligência poderia haver sido a sua salvação.

Em lugar dela, Elvis se casou com Priscilla Beaulieu, uma adolescente de personalidade ainda informe e fisicamente parecida com ele. E vemos Elvis Presley, com sua tendência a absorver-se em si mesmo, incentivada pela mãe e reforçada por seu público, tropeçar nas baixezas da exploração espiritual, extasiado com Khalil Gibran Khalil e Madame Blavatsky, dopado com Tuinal, Dexamyl, Placidyl e Dilaudid, experimentando LSD, em parte à procura de alguém a quem reverenciar e em parte convencido da própria divindade.

Com 658 páginas, "Careless Love: The Unmaking of Elvis Presley" é quase 50% mais longo que o primeiro livro escrito por Guralnick "Last Train to Memphis". O primeiro volume retrata os anos iniciais de Elvis até a sua ida ao exército americano. Este retrata o período que vai da volta de Elvis do exército até a sua morte em 1977. Perto do final de "Careless Love", o autor ao analisar o tape de um show de Elvis em 1977, resume o destino lamentável do artista num parágrafo de profunda ressonância: "Elvis dá a impressão de um homem que grita por socorro, mas sabe que ninguém virá em sua ajuda. E, mesmo hoje, 20 anos depois, ainda é quase insuportável ouvir ou assistir ao apagar não apenas a beleza, e ver no seu lugar ser tomado pelo horror nu e cru". Homérico nos contrastes que traça entre a beleza e a loucura, esta é uma obra monumental.

Artigo escrito por Richard Williams para o jornal "Independent".

Publicado no site Elvis Presley Home Page (Pablo Aluísio) em junho de 2000.

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