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Os discos de Elvis Presley

Anos 50: Elvis Rocker!
A discografia de Elvis é grande e complexa. Cada período apresenta características bem distintas. De maneira a simplificar o estudo e a analise dos discos do cantor eles podem ser divididos em três grandes fases. A primeira corresponde aos anos iniciais e pode ser subdividido entre a fase que Elvis gravou na Sun Records (1954 / 1955) e seus primeiros discos na RCA até ele ir servir o exército (1956/ 1958). Na fase Sun, Elvis apresenta um repertório mais restrito ao tipo de música bem regional, do sul dos EUA. Aqui estão os cincos singles que Elvis gravou na gravadora de Sam Phillips. Depois que foi para a RCA em 1956, Elvis entrou num leque maior de opções musicais. Agora ele não era mais o cantor country restrito aos estados do Tennessee e do Mississipi.

Nos anos 50, com o cabelo cheio de brilhantina, gole da camisa pra cima, olhar de deboche e desafio, terno folgadão e cara de baby face, Elvis chegava para criar todo uma revolução na careta América do pós guerra dos anos Eisenhower. Elvis Presley surgiu logo no período em que o Presidente americano era um general medalhão, herói da 2ª Guerra Mundial. O Elvis Rocker chegou para romper as estruturas e chacoalhar a morosa música da época. Elvis era visto como um incentivador da delinqüência juvenil, um perigo para os valores da geração Wasp (White, Anglo Saxon and Protestant). A gravadora RCA queria lançá-lo em nível nacional e assim seus discos se tornaram mais comerciais para se adequar aos novos tempos. A exceção a esta regra é justamente o primeiro LP de sua carreira, chamado "Elvis Presley", que pode ser considerado um disco de transição, sendo que várias faixas dele foram gravados na Sun, o que de certa forma muda a partir de "Elvis", seu segundo disco, onde o caminho a seguir fica bem definido.

Elvis agora é um produto. Ele seria lançado principalmente como roqueiro e esta foi a imagem escolhida e aclamada pelo público. Este é a fase de maior sucesso. Elvis na flor da idade incendiou toda uma geração e foi o ídolo da geração rockbilly, transviada e órfão do eterno rebelde James Dean. Mas, apesar de todo o marketing, a própria personalidade de Elvis começa a despontar ainda nesta fase mais rocker, principalmente quando ele resolve gravar canções do estilo gospel no compacto duplo "Peace in the Valley". Aqui está, sem sombra de dúvida, o verdadeiro Elvis, louco por baladas e músicas religiosas. Nos anos 50 também surgem os primeiros discos em que se reúnem os singles da carreira de Elvis como por exemplo "Elvis Golden Records", "For LP Fans Only" e "A Date With Elvis" Na primeira fase de Elvis também começa a surgir as suas trilhas sonoras. As primeiras como "Jailhouse Rock", "Love me Tender" , "Loving You" e "King Creole" são clássicos absolutos. A primeira fase termina como começa: de forma brilhante!

Anos 60: Starring Elvis Presley!
A Segunda grande fase da carreira de Elvis começa em 1960 e começa muito bem com os discos "Elvis Is Back" e "His Hand in Mine", um especial de TV com Frank Sinatra e os singles de grande sucesso como "It's Now or Never" e "Are You Lonesome Tonight?". Elvis muda de produtor (sai Steve Sholes e entra Chet Atkins) e glamouriza seus arranjos. Apesar do cantor lançar discos de qualidade como "Something for Everybody" e "Pot Luck", algo começa a dar errado, os discos começam a mostrar sinais de desgaste. Elvis começa a gravar trilhas em ritmo industrial, uma atrás da outra, três por ano, muitas vezes gravadas às pressas para atender as exigências do mercado. Elvis Presley vende muito e a RCA exige cada vez mais. A qualidade é deixada de lado para a quantidade.

No meio de toda a correria ainda é possível destacar alguns poucos momentos interessantes, nas trilhas sonoras se salvam uma ou outra canção digna de ser ouvida, principalmente nas trilhas de "Roustabout", "G.I.Blues" e "Blue Hawaii" mas é muito pouco para quem sustentava a coroa de Rei do Rock'n'Roll. Elvis tinha consciência de tudo isso e começa a perder a paciência com este tipo de pressão, mas na prática não faz nada, fica cada vez mais preso aos contratos que assinou e começa a entrar numa sucessão de filmes de baixa qualidade. Sua carreira começa a entrar em parafuso. O público prestigia, mas começa a perder a paciência com tantos discos ruins, Elvis é superado pelos Beatles, Rolling Stones e por grupos psicodélicos como The Doors.

Em 1964 Elvis gravou aquele que seria talvez o único trabalho de consistência deste período, a trilha de "Viva Las Vegas"; em compensação os trabalhos ruins são em maior número: "Kissin Cousins", "Harum Scarum" e "Paradise, Hawaiian Style" provavelmente nunca passariam no crivo de Sam Phillips. Em 1967 no meio do pântano de trabalhos inconsistentes Elvis lança um disco que vem reafirmar todo o seu talento, o disco gospel "How Great Thou Art" e ganha seu primeiro prêmio Grammy, justamente na pior fase de sua carreira musical, novamente a canção religiosa faz emergir o verdadeiro Elvis. Porém, infelizmente esta segunda fase acaba de forma melancólica com as péssimas trilhas "Speedway" e "Clambake", meros enlatados dos estúdios de cinema.

Anos 70: Elvis on the Road!
Em 1968 começa a terceira fase da carreira de Elvis. Ele faz o especial de TV para a NBC e volta a tocar junto de seus velhos companheiros. O cantor muda novamente de produtor e Felton Jarvis assume a produção de seus discos. Talvez o maior mérito de Jarvis tenha sido deixar Elvis em paz para ele gravar as músicas que quisesse. O sucesso do NBC TV Special faz o rei do rock voltar, em 1969, aos estúdios de Memphis onde ele grava um trabalho que literalmente salvou sua carreira. Estas músicas foram reunidas nos melhores discos da terceira fase de sua carreira : "From Elvis in Memphis" e "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis".

Elvis monta uma nova banda, com orquestra e acompanhamento vocal completo e volta aos shows ao vivo e às paradas de sucesso. Seus discos começam a trazer os shows do cantor em Las Vegas como "On Stage" e "That's the Way It Is" ou os seus shows em turnês como "Madison Square Garden" e "On Stage in Memphis". Além de todo este pique para cruzar os Estados Unidos de costa a costa Elvis ainda arranja tempo de gravar belos trabalhos de estúdio como "Elvis Country" e "Elvis Now". O Rei do Rock em sua segunda chance caiu de corpo e alma na estrada. Voltou ao seio de seu público e conquistou novamente a todos com o seu enorme talento. Em 1973 Elvis se apresenta ao vivo via satélite para o mundo no show "Aloha From Hawaii", seu último grande momento antes da queda final.

O Elvis dos anos setenta, em pouco lembra o rocker dos anos 50. Elvis começa a cantar um repertório mais romântico, intimista e às vezes até mesmo deprimido. Começa a usar uma coleção de trajes com pedras preciosas e transforma muitos de seus shows em adorações coletivas. Seu lado místico se acentua e Elvis se torna um Deus azteca no palco. Este aspecto religioso e esotérico se reflete na sua música. Seus discos são intercalados com muito country e muitas vezes até mesmo com gospel. Apesar de gravar outro disco gospel "He Touched Me", Elvis sempre achava uma maneira de colocar mais uma canção religiosa em seus discos "não temáticos".

Elvis não segue tendências musicais nos anos 70, seu estilo se torna bastante peculiar, enquanto o rock entra fundo no progressivo com Pink Floyd e outras bandas do gênero, Elvis sequer toma conhecimento deste movimento e prefere seguir gravando as canções de sua preferência musical. Seu público continua fiel a ele, sempre lotando seus shows, mas a partir de 1974 Elvis começa a apresentar os primeiros sinais de seu declínio físico e emocional.

Ofegante, obviamente drogado, Elvis erra as letras e o acompanhamento, cancela shows e começa a aparecer nos meios de imprensa mais por suas atitudes "excêntricas' do que por sua música. O rei começa a morrer artisticamente. Apesar de tudo são desta época bons trabalhos como "Elvis Today" e "Promised Land". Finalmente em 1977, seu debilitado organismo diz basta e Elvis é encontrado morto. Seus últimos discos não são muito relevantes artisticamente falando e perdem muito em comparação a trabalhos de outros artistas do mesmo período, sem falar se o compararmos até mesmo aos outros discos da própria carreira de Elvis. "Moody Blue" é uma colcha de retalhos que traz instantâneos do talento de Elvis em seus momentos finais e "Elvis in Concert", que registra seus últimos shows, é só um documentário triste do fim do Rei do Rock.

Enfim, a discografia de Elvis é igual a ele: fantástico e muitas vezes decepcionante, fenomenal e banal, memorável e esquecível, feroz e cansado, verdadeiro e tremendamente falso. Elvis foi todos ao mesmo tempo e seus discos também o foram. O retrato do homem perfeitamente traduzido em seu trabalho.

Pablo Aluísio - Junho de 2001.

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