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Elvis Presley e o Rock no Cinema

No final do século XIX o homem via o surgimento de uma revolucionária e maravilhosa novidade. O cinema. Capturando imagens em movimento e reproduzindo-as em uma tela esta singela invenção, que alguns disseram não ir para frente, logo virou uma forma de arte popular. Pouco mais de 50 anos depois, músicos somavam ao ritmo negro ao country e com muita energia fizeram polêmica ao criar um estilo mais simples, ritmado e divertido. De origem exata indeterminada, começou-se a popularizar a expressão "Rock And Roll" com a música "Rock Around the Clock", lançada em 1954 pelo grupo Bill Haley and his Comets. Mas foi só com Elvis Presley, um branco bonitão de voz grave e passos de danças negros, que o Rock realmente explodiu. E o cinema, aquela "invençãozinha" de 50 anos antes, ajudou e documentou a evolução deste estilo de forma primordial.

Só para se ter uma idéia, o Rei do Rock Elvis Presley lançou seu primeiro LP em 1956 e em 1957 já fazia seu terceiro filme, "O Prisioneiro do Rock", cujo tema, "Jailhouse Rock", vendeu milhões de cópias e fez o Rock and Roll virar moda. Aliás, mais que moda. Elvis, Chuck Berry (chamado por John Lennon de "o verdadeiro Rei do Rock"), Jerry Lee Lewis e muitos outros começaram algo grande demais para ser simplesmente modismo. O Rock virava um conceito, um estilo de vida.

Os filmes de Elvis Presley eram feitos para vender discos, as trilhas sonoras. Era o cinema como meio de promoção da indústria do disco. O engraçado era que Elvis realmente almejava uma carreira séria em Hollywood, mas para os produtores ele tinha que interpretar sempre o mesmo papel: o de Elvis Presley. Ninguém queria um ator sério, dramático, como Marlon Brando ou Montgomery Clift, eles queriam um astro do Rock, e este era Elvis. Atores resmungões de Nova Iorque os estúdios tinham de sobra, mas ninguém tinha Elvis Presley. O cantor tentou com "estrela de fogo" e "coração rebelde", mas não deu. Elvis tinha mesmo era que cantar nas telas e não representar. Nos anos 70, todos se tocaram e filmaram Elvis direto nos palcos, nos filmes "That's The Way It Is" e "Elvis on Tour". Se era para cantar então era melhor mesmo filmar tudo o que rolava no palco.

Elvis fez 33 filmes, Hollywood os soube vender muito bem. Os roteiros eram quase sempre os mesmos, paródias da vida real de Presley. Geralmente ele fazia o papel de um rapaz pobre, adorado pela mulheres e que cantava nas horas vagas. Para mudar um pouco, às vezes o cenário mudava e a profissão dos personagem de Elvis também, mas no fundo, todos são iguais. Elvis ficou milionário, sua popularidade disparou, mas os criticos torceram o nariz. No fim de sua carreira Elvis quase estrelou um filme sério ao lado de Barbara Streisand, chamado "nasce uma estrela". Talvez fosse a chance de salvar a carreira do Rei do Rock no cinema. Mas infelizmente o projeto parou em certos detalhes e Elvis perdeu sua melhor chance de se tornar um grande ator. De qualquer forma os filmes de Elvis ficaram aí, como prova de que nem sempre a fusão do mundo da música com o mundo do cinema termina com um final feliz.

Uma série de DVDs lançados nos EUA mostra como, em nome de carreira cinematográfica medíocre, matou-se um mito. Os dois primeiros títulos da coleção, "Saudades de um pracinha" e "No paraíso do Havaí" são sintomáticos, mudam-se os cenários, mas o roteiro é o mesmo. Elvis sempre é o gostosão que usa meios politicamente incorretos para chegar a uma causa nobre. Ele é o iluminado que tem grandes idéias e é ajudado por amigos que tem apenas talentos operacionais e nunca logísticos. Os inimigos são tipos indigestos ou namorados ciumentos que serão postos a nocaute pelos punhos do roqueiro. Há também as garotas. Centenas delas, todas caindo aos pés de Elvis que, ao contrário de James Bond, não precisa sequer de boa lábia para conquistá-las. Por fim há as canções. Elas são responsáveis pelo único fio capaz de puxar um dos filmes de Elvis pela memória. Após assistir a filmes como esses dois, só há uma conclusão. Apesar de "Viva Las Vegas" - seu único trabalho notável no cinema - essa história de cantor se meter a ator só deixou saldos negativos. O rock perdeu seu Rei, e o cinema não ganhou nada em troca.

Apesar dos erros cometidos na carreira de Elvis, o Rock não abandonou o cinema, a história continuou. O fato era que ninguém sabia ao certo o que fazer com Elvis no cinema, pois não havia astros de rock antes dele. Era o começo do Rock. outros filmes que retratam esta época são "A Fera do Rock", sobre a vida de Jerry Lee Lewis e "La Bamba", que mostra a curta e trágica carreira de Ritchie Valens.

Alguns anos depois, 4 rapazes de Liverpool surgiam nas paradas. Aprendendo direitinho a tocar o melhor do Rock And Roll, os Beatles dominavam a América e o mundo. Em "Os Reis do Ié Ié Ié", primeiro filme com a banda, vê-se o tipo de idolatria que se criava ao seu redor. De tão grandes, os Beatles foram também os principais responsáveis pelo Rock ir para outra fase, mais psicodélica e cheia de discursos. "Yellow Submarine", animação longa-metragem, retrata bem este começo, em que o Rock deixa de ser somente diversão e ritmo e começa a cantar contra a guerra e a favor da liberdade e do amor. É a época de Woodstock, dos Hippies e dos beatnicks. "Sem Destino", dirigido e estrelado por Dennis Hopper, o documentário "Woodstock - Onde Tudo Começou" e "Hair", são filmes que foram feitos nesta época e retratam alguns destes ideais. "Quase Famosos", de Cameron Crowe, é uma produção recente que marca exatamente o passar do Hippie e da cultura para a indústria. Tudo com muita emoção.

Os Beatles também romperam uma barreira importante. Ganharam o Oscar pelo filme "Let it Be", em 1970. O filme mostra o fim da banda, na realidade pode ser descrito como "crônica de uma morte anunciada". Aqui vemos Ringo Starr desabando de sua bateria de tão drogado, um John Lennon indiferente ao que acontece ao seu redor, Um George apático e um Paul McCartney desesperado tentando manter as aparências e salvar o filme. O filme é chato, os Beatles estão no seu pior momento, na realidade eles mal se suportavam uns aos outros, bem diferente da atmosfera do "Trash" filme "Help" de 1965, em que eles se metem num filmeco B com canções classe A. Esta parece mesmo a sina do Rock no cinema: grandes canções em péssimos filmes.

Outro grupo inglês que se meteu e se deu mal no cinema foi o Pink Floyd. Seu "The Wall" é longo, chato e pretensioso. Assim como o ego fenomenal de Roger Waters, "The Wall" tinha tudo para dar certo e deu errado. A culpa talvez seja do diretor Alan Parker, conhecido por "coração satânico" e "loucos pela fama". Ele brigou logo no começo do filme com o líder do Floyd e fez o filme ao seu jeito. No final perdeu o Rock uma outra grande chance de se consagrar no cinema. Tudo o que o Rock Progressivo queria alcançar se perdeu no fracassado e péssimo filme "The Wall".

Outra boa idéia desperdiçada no cinema foi a Ópera Rock "Tommy". Filmado em 1975 com Jack Nicholson e Ann Margret e dirigido pelo lunático diretor Ken Russel, o filme desperdiçou os conceitos e as idéias do líder do famoso grupo The Who, Peter Townshend. A história do rapaz que fica cego, surdo e mudo após testemunhar um crime em familia funcionava maravilhosamente no álbum, mas no cinema perdeu consistência e se tornou um embaraço para seus realizadores.

Das bandas Heavy Metal é bom nem falar. Elas protagonizaram os maiores "trashs" da história do cinema. Basta apenas lembrar das monstruosidades (no mal sentido) feitas pela banda "Kiss". Parece até filme brasileiro dos anos 70 de tão ruim. Os Rolling Stones também deram grandes vexames na tela grande. O melhor é nem lembrar para não ter náusea.

Outros que se deram muito mal no cinema foram Michael Jackson (epa! este não é rock, mas vale a citação), no pavoroso filme "Moonwalker" em que ele salva criancinhas (impossível não lembrar seus casos de pedofilia); Madonna nos horrorosos filmes "Xangai Surprise" e "Procura-se Susan desesperadamente"; Mick Jagger no "mico histórico" Freejack; Tina Turner no equivocado "Mad Max, além da cúpula do trovão" e tantos outros que ficaríamos aqui uma semana listando.

O punk, por sua vez, teve "Sid e Nancy - O Amor Mata", e o documentário "O Lixo e a Fúria", são dois filmes que mostram a banda Sex Pistols, uma das primeiras a lançar outro estilo de Rock, o Punk. Anos mais tarde, já na década de 90, mais um filme e um documentário mostram outro estilo musical, este influenciado pelo Punk; O Grunge. São eles "Vida de Solteiro" e "Hype!". As evoluções do Rock, suas influências no cinema e no dia a dia das pessoas, mostra que qualquer conversa do tipo "o rock morreu", serve apenas para um bom bate papo de bar. O rock não vai morrer enquanto pessoas sonharem com liberdade, amor livre, terem rebeldia e uma bela garagem para um ensaio. O rock é ótimo, desde que bem longe dos cinemas. Fãs de música, como Rob, do filme "Alta Fidelidade", que o digam.

Pablo Aluísio.

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