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FTD Out In Hollywood - Parte 2

01. Mexico (take 7) - O CD tem início com essa musiquinha do filme "Fun in Acapulco" (O Seresteiro de Acapulco) de 1963. Por essa época a qualidade dos filmes iria começar a baixar e Elvis não iria fazer uma sessão decente até a gravação do excelente álbum "How Great Thou Art" em 1966, uns três anos depois. 1963 marcou o primeiro ano de Elvis sem um primeiro lugar nas paradas e o preparativo da invasão britânica que iria tomar com forças de vendaval as paradas de sucesso no ano seguinte. O filme em si não é dos piores, com uma ótima leading lady, a deliciosa Bond Girl Ursulla Andress, e uma cena antológica em que Elvis “pula” de um penhasco. A palavra "pula" está entre aspas porque a cena, claro, foi feita por um dublê. Aliás, apesar de se passar teoricamente no México, Elvis nunca saiu dos EUA para filmar nada, o que gerou rumores de que Elvis era preconceituoso contra os latinos. Nada mais longe da verdade. A verdade era que Elvis mal sabia o que era um latino! O real motivo de ele não ter viajado foi, além de baratear o custo, o mesmo motivo que o levou a nunca se apresentar fora dos Estados Unidos: a situação ilegal em que seu empresário Coronel Tom “Raposa” Parker se encontrava, visto que ele era um imigrante ilegal holandês. A trilha sonora tem, em sua predominância, músicas imitando sons latinos. E eu enfatizo o imitando. Canções como "The Bullfighter Was a Lady" soam tão artificiais como corante de framboesa. Aliás, será que no México existem touradas? Hum... Pensei que era na Espanha. Mas tudo bem, para todo bom americano, latino é a mesma coisa, e esse grande lapso ficou bem exposto no filme. Mas, Elvis não teve culpa de nada disso. O descrédito fica com os escritores e roteiristas do filme. A trilha tem bons momentos como a ótima "Bossa Nova Baby", medianas como "You Can´t Say no in Acapulco" e a desastrosa "There´s no Room to Rhumba in a Sports car"! Acreditem esse é o título da música. "Mexico" fica no meio termo. É bem instrumentada e tem uma melodia agradável. O problema é que no filme ela é feita em um dueto com um moleque pentelho, o que a estraga severamente em cena. Nesse take Elvis canta as partes do garoto, o que a torna bastante melhor. Na verdade, não querendo se arriscar em lançar um dueto tosco de Elvis, a gravadora retirou os vocais da criança, o que deixou a música na versão oficial péssima, com verdadeiros rombos em todo o seu decorrer. Essa versão é muito melhor. Agora convenhamos, a idéia de se colocar Elvis, o Rei do Rock, cantando sobre senhoritas com um pivete em uma bicicleta, em uma música que mistura o inglês com o espanhol não é das melhores.

02. Cross My Heart and Hope To Die (take 6) - Vou direto ao ponto: "Girl Happy" é um dos meus filmes favoritos de Elvis. Calma, antes de criticar o meu ponto de vista vou explicar. Sei que a trilha possui músicas fracas como "Wolf Call" e a horrenda "Fort Lauderdale Chamber of Commerce". Sei que a voz de Elvis não estava lá essas coisas nesse ano e que sua paciência nas gravações dessa trilha pela primeira vez em toda sua carreira foi embora. Seu tédio é notável no filme e nas músicas. Também é de meu conhecimento que o filme é um "beach movie" dos mais bobos, inocentes e superficiais. E como esquecer das ridículas cenas de Elvis fingindo tocar baixo, fingindo estar tocando violão quando o som que sai é o de uma guitarra, ou então quando ele está tomando sol com blusa de botão azul e uma calça preta e sapatos sociais, como se fosse para uma festa de gala?! Esse são alguns dos defeitos mais graves e toscos do filme. Mas não ligo. O filme é um senhor trash, porém, super simpático. O roteiro é divertido, possui cenas engraçadas (a parte em que Elvis se veste de mulher e ainda continua com seu topete é muito surreal e ridicularmente engraçada), tiradas hilárias e um clima tão alto astral que fica difícil não se tornar um idiota completamente sem senso crítico ao assistir o longa. Claro também que enquanto Elvis estava fazendo podreiras divertidas como essa a cena musical pegava fogo. Mas vamos aos fatos, "Girl Happy" passa a léguas da ruindade de "Harum Scarum", da apatia de "Clambake" ou do absurdo de "Kissin Cousins". O filme é bom? De jeito nenhum, na verdade para quem não é fã de Elvis fica difícil engolir um longa tão bobinho e mal feito. Porém, para quem quer se divertir com besteiras sessentistas completamente fora da nossa realidade essa é uma boa pedida. "Cross My Heart and Hope to Die" vem desse filme. É uma música mediana que não incomoda, porém, fica empalidecida se comparada com clássicos do cantor. É um pop típico dos filmes de Elvis na época, com um ótimo riff de baixo. Esse take é quase igual ao master, com exceção de um erro de ritmo da banda no fim da música, que a acelera na hora errada. Tranqüila, agradável e inofensiva, porém, com um leve toque sexy, "Cross My Heart" não se destaca na trilha, mas é uma boa pedida no mar de porcarias que Elvis estava cantando na época.

03. Wild In The Country (take 11) - Quando foi filmar "Wild In The Country" (Coração Rebelde), em novembro de 1960, Elvis estava em um excelente momento em sua carreira. "Are You Lonesome Tonight?" iria logo entrar para as paradas e se tornar a terceira música de Elvis a alcançar o primeiro lugar no ano. "G.I Blues" (Saudades de Um Pracinha) havia sido um sucesso estrondoso e "Flaming Star" (Estrela de Fogo) era um ótimo filme que deu a oportunidade para Elvis de mostrar seu talento como ator. E ele acabara de sair de uma triunfante sessão de gravação que produzira seu primeiro e excepcional álbum gospel "His Hand in Mine". Definitivamente, as coisas estavam indo bem. O roteiro original de "Wild In The Country" era bom e o filme não era para conter canções. Porém, alguém deu um jeito de inserir três músicas no filme: "Wild In The Country", a bela "In My Way" e a divertida "I Slipped I Stumbled I Fell". Apesar de não produzir nenhum hit, a trilha de "Wild In The Country" era uniformemente boa, bem intimista, talvez refletindo o filme e as canções nele postas não prejudicaram o resultado. O roteiro inicial era bem dramático, porém, o Coronel resolveu fazer algumas mudanças e suavizar a coisa ao máximo. Para completar ocorreu um grave problema com a cena final. O final era dramático com a personagem principal feminina principal, interpretada pela belíssima Hope Lange morrendo. Aqui entra outro problema do filme. Após uma exibição teste inicial ocorreu uma reação negativa da platéia com a cena que teve que ser refilmada com Hope sobrevivendo. Resumindo: Avacalharam um bom roteiro em potencial e o que era bom virou um dos mais confusos filmes de Elvis que não possui clímax e tem uma história estagnada e embaralhada, com vários bons personagens nunca desenvolvidos. A interpretação de Elvis está ok. Ele poderia ter dado um tom menos educado e mais sombrio ao personagem. Esse na verdade era o erro da carreira de Elvis Presley no cinema, pois os estúdios entendiam que seus filmes deveriam ser todos muito suaves, muito família. O personagem de Elvis era bem mais complexo do que o que o filme mostra. "Wild In The Country" foi a última oportunidade dada a Elvis de provar que era um bom ator. Mas o Elvis falhou. O Coronel falhou. Os roteiristas falharam. E principalmente a platéia falhou, desprestigiando esse pequeno esforço cinematográfico e o preterindo no lugar de "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano), filme responsável pela nova prisão de Elvis Hollywood. Mas a trilha, como disse, é boa, sendo a canção tema, sem dúvida, o destaque. A leve guitarra elétrica tocada no dedilhado é lindíssima e a letra bastante singela. Uma pequena homenagem a raízes humildes, na verdade. O primeiro take dessa música é curioso, tendo seu arranjo bem mais complexo e Elvis tentando subir uma oitava acima. O resultado foi ruim e o arranjo pomposo foi abandonado. Elvis também se manteve na sua oitava. Esse take é bem próximo ao original com apenas algumas quase imperceptíveis mudanças na guitarra.

04. Adam and Evil (take 16) - O ano de 1966 veio e com ele o ultimato do mundo da música de que as transformações ocorridas nos últimos anos não só haviam modificado tudo, como tinham vindo para ficar. E não por coincidência os anos de 1964 e 1965 foram abissais para Elvis em termos de queda da qualidade de material. A coisa iria piorar e muito. Percebendo as mudanças no mercado e vendo a queda nas vendas de seus discos, os produtores de Elvis tentaram fazer algumas mudanças no próximo filme do cantor. A começar pela trilha sonora que deveria conter mais rocks, em vez de cânticos árabes, músicas dos anos 20 ou temas havaianos pra lá de bregas. Apesar de realmente ser um pouco superior a outras trilhas "Spinout" oscila entre o muito bom ("Am I Ready" e "I´ll be Back"), o apenas mediano ("Stop Look And Listen") e o trash total (a horrorosa e mortífera "Beach Shack"). "Adam and Evil" fica no intermediário. Esse rock bastante peculiar segue a cartilha de tentar balançar a trilha de Elvis tentando reviver glórias passadas. A música em si não é ruim, com um ótimo ritmo, uma boa pegada de bateria e uma letra curiosa. Mas é só. Não entra na categoria das melhores músicas de Elvis, apesar de passar longe de incomodar. O interessante sobre essa música é que ela foi a mais trabalhosa da sessão. O take aqui presente é o primeiro completo após várias tentativas, simplesmente porque Elvis não conseguia achar o tom certo na parte em que canta a frase “But you´re the devil I don´t want to live without”. Ele mesmo comenta no estúdio essa ser a nota mais difícil de sua vida inteira! O CD "Spin in Spinout" mostra a crescente dificuldade de Elvis na gravação, take após take. Até que enfim ele acerta na 16ª tentativa! O interessante é que essa ainda não seria a master que só viria mais tarde, na tentativa de número vinte!!! Aqui os produtores da "Follow That Dream" botaram trechos de várias músicas cantaroladas por Elvis na sessão como "Flowers on the Wall" (presente no filme "Pulp Fiction"). O Coronel tentou promover o filme como o triunfal aniversário de 10 anos de Elvis no cinema, porém os próprios fãs, sabendo da necessidade de mudanças, boicotaram a produção que se tornou o maior fracasso de bilheteria de Elvis em Hollywood. Uma pena, pois o filme não é dos piores. Esse boicote deveria ter ido para algo como "Kissin Cousins" ou "Paradise Hawaiian Style".

05. Lonely Man (take 4): Delicada, bela e melancólica são alguns dos adjetivos que podem ser empregados para essa belezura gravada para o filme "Wild In The Country". "Lonely Man" reflete bem toda a atmosfera intimista do filme e fala de um homem totalmente desiludido, extremamente machucado pela vida e não mais desejoso de viver. O homem da canção é posto como se fosse um andarilho que “vai de cidade em cidade procurando algo que não consegue encontrar”. A sensação de auto abandono e falta de esperança é extremamente latente durante toda a canção e culmina no final quando é revelado que o homem é o próprio narrador da canção. Definitivamente, uma das mais melancólicas canções da carreira de Elvis, melancolia esta acentuada por um estranho acordeão. Se você nunca percebeu nada disso que eu falei sobre a música, não se preocupe. A interpretação de Elvis é tão suave e singela, que todo esse sofrimento e sua real essência são bastante atenuados, ficando quase imperceptíveis. Ganhou uma versão ainda mais triste, só com o violão, porém, nunca lançada. Foi cortada do filme injustamente e lançada como single, no lado B do single da ótima "I Fell So Bad", alcançando a razoável 32ª posição. Os fãs logo estranharam essa verdadeira alienígena no mundo de Elvis da época.

Continua...

Victor Alves e Pablo Aluísio.

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