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FTD Burbank 68 - Parte 1

Elvis Presley estava acabado artisticamente em 1968. Seus discos não freqüentavam mais a lista dos mais vendidos e seus filmes já tinham passado da fase de sofrer críticas implacáveis por sua ruindade à toda prova e eram agora simplesmente ignorados, tanto pela crítica especializada quanto pelo público. Elvis em 1968 era um artista que nem mais era ouvido pelos jovens, que na realidade apenas tinham ouvido falar dele como um grande astro que fez muito sucesso na década anterior mas que já era, um nome importante no nascimento do Rock ´n´ roll mas que agora não passava de um tolo que estrelava filmes completamente ridículos que ninguém mais dava bola.

Elvis Presley estava morto e enterrado, um artista que era ouvido apenas por um seleto grupo de fãs leais que havia ficado ao seu lado, mesmo sendo massacrados ano após ano por uma sucessão de projetos patéticos que fariam vergonha até mesmo a Ed Wood. A carreira de Elvis Presley tinha virado uma piada que não tinha mais a menor graça. A pergunta que todos faziam nessa época era se o outrora aclamado Rei do Rock não passava de um projeto de marketing das gravadoras, um artista fabricado, que só fez sucesso e emplacou vários sucessos porque era um branco boa pinta que simplesmente roubara a cultura negra e a utilizou em seu favor, passando a perna na riqueza cultural afro-americana. Seria isso mesmo? Elvis Presley era uma farsa da indústria musical?

Não havia a menor dúvida que Elvis se encontrava em uma das fases mais delicadas de sua carreira. Ao trocar a música pelo cinema no começo dos anos 60 Elvis colocou seu prestígio como músico em xeque mate, virando um astro canastrão de filmes sem nenhuma importância e agora pagava o preço por ter tomado uma decisão tão equivocada como essa. O jogo finalmente havia chegado em seu final? Haveria saída para Elvis nesse tormentoso momento de sua vida profissional? A saída obviamente passava longe da tela grande dos cinemas, já que foi ali que ele entrou definitivamente em declínio profundo. Sua salvação seria certamente se utilizar de uma mídia de grande poder para lembrar a todos do imenso talento desse artista que, apesar de tudo, ainda estava lá pronto para lutar e reinvidicar seu trono. Era antes de tudo uma forma de deixar claro a todos que Elvis não havia morrido completamente, que ele apenas tinha sido afogado num pantanoso mar de projetos de quinta categoria, o lançando num injusto obscurantismo artístico. Se andava sendo ignorado nos cinemas, com bilheterias cada vez mais murchas, certamente ele não passaria despercebido na TV norte-americana, onde literalmente entraria na casa de todos para cantar (e tocar) seus grandes sucessos e mostrar que ele não estava irremediavelmente morto, que seu talento estava intocável e que seu sumiço das paradas nada mais era do que um fruto mais do que amargo da péssima administração de sua carreira ao longo dos anos.

O CD Burbank 68 captura Elvis nesse momento decisivo de sua vida e mostra os bastidores do especial que literalmente salvou seu pescoço. O especial para a TV NBC foi a tábua de salvação para o cantor que procurava desesperadamente por um projeto que não fosse descartável, tolo e infantil, como a maioria de seus filmes dos anos anteriores. Um projeto em que ele pudesse mostrar novamente ao povo americano seu talento, seu pique nos palcos, sua vontade de interpretar seus velhos sucessos ao mesmo tempo em que mostrava novas canções antenadas com os novos tempos. Uma forma de afirmar a todos que ainda estava vivo, artisticamente falando.

O Elvis que emerge desses registros é um artista extremamente carismático, talentoso e com domínio total sobre o publico. Nada poderia ser mais distante do entediado astro de produções B que literalmente passeava entre a maioria das cenas de seus filmes "linha de produção industrial" daqueles tempos. Um astro genuíno, não um produto de marketing vendido e plastificado para o gosto da acomodada classe média de Tio Sam. Um astro de verdade, não uma paródia de si mesmo. Um interprete de belas canções, não um idiota cantando para ostras e tartarugas como ele próprio gostava de brincar ao se referir aos seus anos em Hollywood. O verdadeiro Elvis Presley estava de volta!

Pablo Aluísio e Erick Steve.

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