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The Nashville Marathon - Parte 2

1. Mystery Train / Tiger Man: O CD começa com uma jam instrumental de um dos melhores medleys da carreira de Elvis, daqueles que botava a casa abaixo quando era tocado nos grandes estádios. Mystery Train era da época da Sun e, junto com That´s all Right, a única desse período que Elvis incluía em seus shows. Curiosidade: ela foi escrita por Sam Phillips. A segunda é um agitado rock gravado por Elvis em 1968 no Comeback Special. O interessante é que o próprio Elvis, em um show em Vegas, deu a entender que a teria gravado na Sun. O único rock do CD e sem a voz de Elvis. Totalmente deslocado, mas dá uma noção de como Elvis relaxava antes de começar uma sessão. O ritmo aqui está mais lento do que o usado nos palcos.

2. Twenty Days and Twenty Nights (take 3): A sessão de gravação começou com essa belíssima balada. Se você gosta do master vai adorar essa aqui ainda mais. O take aqui apresentado é o 3, e Elvis ainda está um pouco inseguro com a música. A banda também como comprova o início meio esquisito de James Burton na guitarra. Mesmo assim a versão aqui apresentada é simplesmente belíssima. A voz de Elvis está na suavidade ideal, combinado com a letra madura aqui apresentada. Não mais aquelas canções de “garoto se apaixona por garota” da década passada. Essa balada é orientada obviamente para um público mais velho, na faixa de uns trinta anos como o próprio Elvis, então com 35. Engraçado é notar a diferença de uma música como essa que possuía teor parecido com algumas gravadas em 76, por exemplo. Em 1970 a vida de Elvis estava particularmente muito boa, com Priscila ainda em Graceland. Se tivesse sido gravada em 76 com certeza teríamos alguma coisa parecida com Bitter They are Harder they fall. Ganhou duas versões ao vivo em agosto de 1970 e foi bastante ensaiada para a temporada, porém abandonada dos palcos, onde aparentemente não funcionou muito bem.

3. I´ve Lost You ( take 1): Definitivamente uma das melhores músicas da sessão e Elvis sabia. Tanto é que a manteve em seus shows até a turnê de setembro de 70. Foi lançada em single que, inexplicavelmente, alcançou apenas a 32ª posição nas paradas, a pior desde Memories uns dois anos antes, quebrando a seqüência de 5 singles top 20. Segue a mesma linha da anterior. Uma canção de separação, só que aqui a temática é mais explícita, tendo em uma parte Elvis falando sobre um bebê chorando, mostrando que o casal da música obviamente tem filhos. Como demonstrado novamente, balada para adultos e não para adolescentes cheios de hormônios. Muito linda e bem executada e com uma ótima introdução de piano, esse é o primeiro take e soa mais como um ensaio. Reparem como o piano começa timidamente, quase como se fosse parar, mas Elvis inicia a música, talvez como quem dando uma passada geral para ir se familiarizando. Um take mais próximo do original e com todo mundo mais afiado pode ser escutado no também ótimo: A Hundred Years from Now ( Essential Elvis vol. 4). Entra fácil na lista das melhores baladas da carreira de Elvis.

4. The Sound Of Your Cry (take 3): Giant, Baum e Kaye. Por 8 anos essa tríade de compositores assombrou os pesadelos dos fãs de Elvis. Não é para menos, quando sabemos que eles foram responsáveis por grande parte da trilha de Kissin Cousins, Harum Scarum e Paradise Hawaian Style, não coincidentemente as três piores trilhas da carreira de Elvis e, provavelmente, do século passado. São deles pérolas como Beach Shack, Paradise Hawaian Style, Go East Young Man, Do The vega, músicas que fazem Tati Quebra Barraco soar como Vinicius de Moraes. Sério mesmo, onde Elvis estava com a cabeça quando gravou esse lixo tóxico musical??!! Mas vocês sabem o que The power of My Love (uma das melhores músicas de Elvis), Devil in Desguise, Today Tomorow and Forever, Tender feeling( celestialmente linda!), Edge of reality, You Gotta Stop (uma das mais genuinamente alegres músicas de Elvis) entre outras, têm em comum?? Acertou quem disse que elas foram escritas pela mesma tríade acima citada. Como explicar esses extremos tão claros?! Simples. Sinceramente acho que os três não eram escritores ruins, mas pecaram por seguir determinações do estúdio e por se acomodarem, afinal todos podemos ser medíocres se quisermos, não é mesmo? Tanto é verdade, que em 1970, os três apresentaram essa verdadeira obra prima: The Sound of Your Cry. A música tem uma letra simples, sobre um fim de relacionamento e sua melodia é uma das mais belas que já escutei. E Elvis aqui simplesmente destrói na interpretação nesse terceiro take, que dura 5:12, e ainda é incompleto, como se Elvis não se cansasse do refrão. Nem ele se cansa e nem a gente, tendo vezes que o seu canto é quase um grito de desespero. Simplesmente perfeita. Não tão lapidada quanto o master ou o take disponível na Platinium Box, mas certamente de altíssima qualidade. Claramente, Elvis gostou da música e o porquê de não a tê-la incluído em shows é um mistério. A RCA, seguindo a sua inconseqüente política de lançamentos, negligenciou essa beldade para o lado B de It´s Only Love um ano depois, não só não a lançando em nenhum álbum de Elvis enquanto vivo como também a deixando de fora do disco da Silve Box lançado em 1980 que tinha como tópico resgatar músicas perdidas em singles!!!! Ou seja, a impressão que dá é que a companhia gravadora de Elvis estava praticamente sabotando a canção. Mas a verdade não é essa. Eles só eram muito incompetentes. E Elvis foi omisso ao deixar passar preciosidades como essa.

5. Bridge Over Troubled Water (take 1): Só existe uma música que consegue seguir The Sound of Your Cry sem parecer ridícula. Paul Simon não sabia, mas escreveu Bridge para Elvis. Com certeza uma das músicas mais queridas dos fãs e do próprio Elvis, que nunca a abandonou de seu repertório, cantando-a inclusive em seu último concerto. No início da década de 70, mais precisamente em 1970 a dupla Simon and Garfunkel lançou um dos maiores clássicos da música de todos os tempos. Uma música tecnicamente perfeita e de uma melodia complexa e assustadoramente divina. Resultado: primeiro lugar por várias semanas e uma entrada triunfal na galeria das maiores músicas já gravadas. Pergunto a vocês, quem se arriscaria a fazer uma versão dessa canção sem parecer medíocre?? Bom, Elvis em junho de 1970 se atreveu e conseguiu o impossível: sua versão é melhor do que a original. Calma, antes que os fãs de Paul Simon me apedrejem, vou me explicar. Claro que ele teve o mérito de escrever a música inteira e sua gravação é excelente, porém Elvis era muito mais cantor que Paul Simon e tinha uma rara habilidade de dar vida a música de uma forma a transformar "atirei o pau no gato" em hino hippie. Pois bem, imagine o que ele fazia com uma canção do porte de Bridge? O resultado saiu no álbum That´s The Way It is e foi fruto de um trabalho de Elvis de por , por uma das únicas vezes em sua carreira, um vocal duplo em uma música, ou seja sua voz era posta por cima dela mesma!! Como se tivessem dois Elvis cantando. O resultado foi unânime. Incluída a a partir da temporada de Vegas de agosto de 70 foi paixão a primeira vista. Os fãs adoraram! O próprio Simon, ao ver o show de Elvis em Nova York em 72 tirou o chapéu para a versão dele. Se o próprio autor admitiu quem somos nós para negar? Esse primeiro take mostra a banda um pouco insegura, porém isso não diminui sua beleza . Para variar, Bridge, novamente, roubando o show!

Victor Alves

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