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The Nashville Marathon - Parte 4

11. Heart of Rome (Take 1): Existem algumas músicas de Elvis que você se pega cantando sem querer, por mais bregas que sejam. Essa é um desses casos. Heart of Rome tem um arranjo mela cueca com uma letra pra lá de brega, porém é impossível não gostar de sua melodia alegre e dos perfeitos vocais de Elvis. Claro que materiais como esse não deveriam ser gravados com tanta freqüência, mas uma vez não mata ninguém. Elvis sempre teve uma forte conexão com a música italiana e aqui ela fica bastante evidente em sua letra e título que cita inclusive Roma. Uma hilária versão foi ensaiada em 24 de julho de 1970, obviamente informal, com Elvis delicadamente substituindo a frase “I´ll make a wish in every fountain” por "I´ll take a piss in every fountain”!!!! Foi erroneamente lançada como single, na continuação de uma política fonográfica equivocada que a RCA resolveu adotar no decorrer do ano de 71 e que prejudicou muito as posições de Elvis nas paradas.

12. Mary In The Morning (take 4): Lembram-se do que eu comentei nas linhas introdutórias deste texto que vocês se deparariam com músicas que ouviam há anos, mas que pareceriam novas e se tornariam suas favoritas? Bom, se essa pequena obra prima não se enquadrar nessa categoria, recomendo uma sessão com o psiquiatra mais próximo. Como diria uma crítica americana: “Nós não conhecemos Mary quando acorda de manhã, mas nada mais bonito que a música Mary In The Morning!”. Sem exageros, junto com Bridge e The Sound Of Your Cry é a melhor do CD. Essa versão é muito próxima do master, o que a torna mais perfeita. Charlie Mc Coy nos brinda com uma gaita simplesmente belíssima, que ressalta ainda mais a beleza da letra, uma das mais singelas, sem ser piegas, declarações de amor a uma mulher que eu já ouvi, com trechos como “Nada mais bonito que Mary pela manhã, perseguindo arco íris em seus distantes sonhos” e da melodia que entra redondinha no seu ouvido. A versão original é de Al Martino. Foi muito ensaiada para a temporada de Agosto de Vegas, porém Elvis irresponsavelmente a negligenciou em favor de versões de 1 minuto de Hound Dog. Uma pena mesmo. Falta de visão musical para o Rei em momentos como esse. Um dos melhores momentos de toda a carreira de Elvis e a música favorita de Lisa Marie. Só Elvis mesmo para ter um musicão como esse desconhecido do grande público até hoje.

13. Sylvia (take 9): A parte das baladas do CD termina com uma das melhores, mais escondidas e negligenciadas músicas da década de 70, gravada por Elvis ou qualquer outro cantor da época. Sylvia era para ter sido lançada, coerentemente no álbum Love Letters de 71. Não foi. Tampouco foi lançada como single. Um ano e meio depois de ser gravada, quando todas as músicas da sessão já tinham sido lançadas, eis que ela aparece no ótimo Elvis Now. E foi só. Outra pérola que ficou perdida na entrançada colcha de retalhos que é a discografia de Elvis. Ponto negativo para a gravadora e também de novo para o próprio Elvis que permitiu ações musicalmente criminosas como essa. Isso porque Sylvia é boa demais para ser uma mera musiquinha de disco. Com uma letra linda e uma melodia insuportavelmente impregnante, Sylvia ainda se vale de uma performance espetacular de Elvis. Sei que já usei esse termo e similares, mas em um CD como esse, a falta de adjetivos positivos é uma coisa normal. Esse take é bem próximo do original, com Elvis apenas fraseando uma frase diferente aqui ou ali, o que torna a experiência de ouvi-la ainda mais bela e renovante. Pena que foi esquecida. Bom pelo menos no resto do mundo, porque nós, brasileiros, não só reconhecemos seu potencial, como a catapultamos para o primeiro lugar de nossas humildes paradas, quando de seu lançamento aqui em meados de 72. Junto com Kiss Me Quick as duas únicas músicas de Elvis a chegarem ao primeiro lugar em terras tupiniquins. Seu sucesso também até hoje se restringe ao território brasileiro.

14. It´s Your Baby You Rock It (take 3): A parte country do CD começa bem com essa música bem para cima. Como Life, S. Milete é quem escreveu essa canção, que aparentemente é apenas razoável, porém com Elvis em plena forma vocal junto com a banda, com destaque para James Burton que dá um show! Mostra básica de Elvis em transformar algo normal em uma ótima música. Fez parte do Elvis Country e era a única música realmente nova do disco. Esse take carece um pouco da energia do master, mas é muito bom. Aqui sentimos falta um pouco dos backing vocals femininos, que aqui caíram como uma luva. Porém, em um disco com muitas músicas boas It´s Your Baby não ganhou muita atenção, não sendo muito conhecida e apreciada nem mesmo entre os fãs.

15. It Ain´t No Big Thing (take 6): Talvez junto com Just Call Me Lonesome, a música mais Country de toda a carreira de Elvis. Pessoalmente, não gosto muito dessa música, pois acho seu ritmo muito arrastado e sem graça, porém para quem gosta daqueles countries americanos genuínos, essa é uma verdadeira pérola. Sua letra fala de um cara que está sentindo que sua companheira está lentamente se desapegando dele. Tem boa letra, porém, como disse, seu ritmo deixa bastante a desejar. A interpretação de Elvis para variar é perfeita e esse take é bem parecido com o master, sendo novamente o destaque para James Burton, em grande forma. Seguindo a sua irracional política fonográfica, a RCA lançou esse country no Love Letters(!). Se você está coçando a cabeça sem entender nada, não se preocupe, você não é o único.

Victor Alves.

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