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The Nashville Marathon - Parte 5

16. A Hundred Years From Now (takes 1 e 2): Lançada pela primeira vez em 1995, 25 anos depois de ser gravada, esse frenético e descontraído country é um verdadeiro achado. Sua letra despretensiosa e sua melodia amalucada são absolutamente contagiantes. Some a isso um Elvis extremamente brincalhão e você terá uma música deliciosamente informal. Talvez por não ter sida gravada de forma séria, nunca foi lançada oficialmente. Tanto é verdade que Ernest Jorgensen quando de seu lançamento teve que, para conseguir um master, fazer uma junção de partes dos dois takes disponíveis. O resultado pode ser conferido no terceiro CD da caixa The Essential 70´s Masters. Caberia tranqüilamente no disco Elvis Country. Um dos melhores momentos do CD.

17. Tomorrow Never Comes (take 2): Gravada originalmente em 1944 por Ernest Tubb, essa canção deve ter sido um difícil desafio vocal para Elvis, principalmente em seu final, que exigia uma entonação de tenor. Como demonstrado neste take Elvis dá conta, e bem, do recado. Nela foram acrescentados pesados metais culminando com um final regido à la orquestra, um pouco exagerado pelo meu gosto. Mas na música como um todo os metais são bem vindos, junto com o acompanhamento dos backing vocals. Esse take é bem parecido com a versão final e demonstra que Elvis segurava uma música dessa magnitude sem a presença de pesadas orquestras (apesar do bom arranjo de orquestra incluído no master). Elvis a tentou informalmente em ensaio de julho de 70. Não ganhou lugar nos shows de Elvis por pura injustiça. Ou talvez por ser muito melodramática. Sua introdução lembra bastante Running Scared de Roy Orbison.

18. Snowbird (take 2): Apesar do número absurdo de canções gravadas em junho de 70, em setembro após ensaios, uma temporada em Vegas e uma turnê, tudo emendado, Elvis estava novamente de volta aos estúdios de Nashville. Porém, Ele estava aparentemente mau-humorado nesta sessão devido a dores que sentia em seu olho, sinais iniciais de um glaucoma que iria se manifestar com toda força em março do ano seguinte. Pela única vez na década inteira, James Burton não pôde comparecer à sessão e foi substituído por Chip Young. O motivo do não comparecimento de Burton foi que a sessão foi marcada de última hora e James já tinha outros compromissos. Apesar do incômodo do olho, Elvis gravou quatro músicas de altíssima qualidade. A primeira a ser gravada foi Snowbird, que na época que Elvis gravou estava nas paradas na voz da canadense Anne Muray. Essa é, sem dúvida, uma das mais belas canções de Elvis, com uma letra bucólica ao estilo de And The Grass Won´t Pay No Mind. Como o título sugere, ela fala sobre um pássaro, pelo menos aparentemente. Analisando a letra mais calmamente, vemos que na verdade ela fala sobre um homem que devido a um fim de relacionamento, se vê sem esperança na vida, contemplando sua época de juventude quando era mais feliz. O Snowbird metaforicamente é usado na música como uma espécie de guia espiritual imaginário que guiou o homem quando mais jovem para momentos mais felizes em sua vida, representados aqui por uma paisagem de natureza, descrita de forma bela no primeiro verso. Logo em seguida, o homem faz a comparação da alegria de sua juventude com o vazio que está sentido no momento. No refrão pede ao Snowbird para se libertar, abrindo suas pequenas asas e voar para longe e afirma que se pudesse voaria com ele, dando a entender que se o Snowbird conseguisse se libertar, ele também conseguiria. No terceiro, para fechar o homem reforça seu desejo de mudança, misturado com a mágoa de um fim de relacionamento mal resolvido. No final da música, percebemos que o Snowbird na verdade é um alter-ego do próprio homem que sempre travou vários diálogos consigo próprio, para superar os momentos mais difíceis. Em suma: uma das melhores e mais complexas músicas da carreira de Elvis, totalmente disfarçada por uma melodia muito suave! O solo de guitarra introdutório foi posto posteriormente e esse take nos mostra a versão limpa e seca. Uma das melhores do CD, sem dúvida.

19. Rags to Riches (take 2): Outro excelente momento do CD, Rags to Riches é aquele tipo de música onde Elvis usa quase 100% de seu potencial vocal. Escrita por Richard Edler e Jerry Ross, ganhou uma versão em 1953 por Tony Bennet que alcançou o primeiro lugar na Billboard. Apesar da música ser excelente e a rendição de Elvis sublime, a RCA errou pela milionésima vez em 71 ao lança-la como lado A de um single que alcançou a fraca posição de número 33. Interessante é notar que Elvis, percebendo que a música estava muito lenta, dá um gritinho ao seu estilo no final do take, meio que justificando depois ao dizer que o ritmo estava muito lento. Ganhou uma única e surpreendente versão ao vivo no lendário show de Pitsburgh em 31 de dezembro de 1976.

20. Where Did They Go Lord: Se você chegou ao final desse CD completamente impressionado com a qualidade do material, naturalmente vai fazer a seguinte pergunta: “Depois de músicas tão boas qual seria uma ótima para ser escolhida para fechar com chave de ouro?”. Eu lhes respondo: Where Did They Go Lord. Desconhecida até para o fã mais ardoroso de Elvis, essa obra-prima foi uma das muitas vitimas da desastrosa política fonográfica da RCA, criticada tantas vezes nesse mesmo texto. Relegada ao lado B de Rags to Riches, da mesma forma que a igualmente ótima The sound of Your Cry, essa canção não iria ver a luz do dia em um álbum até a década de 90. Se você está achando estranhos os meus rasgados elogios a ela, lhe proponho ler sua letra e escuta-la. Isso vai valer mais que qualquer texto que eu aqui escreva. Essa balada (sim é uma balada, apesar de muitos a classificarem erroneamente como um Gospel, devido à presença do nome LORD em seu título) é sobre um tema recorrente na carreira de Elvis: o fim de um relacionamento. O que a difere de outras gravadas é sua belíssima melodia e letra muito bem escrita, que começa com o protagonista da história se lembrando das promessas feitas durante o relacionamento, do amor que nunca iria se acabar. No final ele se pergunta: "Meu Deus, para onde eles foram?". No segundo verso o autor diz que o para sempre escapou de suas mãos e os seus sonhos foram embora com o vento. No refrão notamos o verdadeiro teor da música com Elvis se lamentando, afirmando que preferia ter a perdido para outro, a saber que ela simplesmente o abandonou. No último verso Elvis fala da paixão que a ela foi delegada e sobre a verdade em que se apoiou todo o sentimento do seu relacionamento, citando ainda a esperança que o tornaria forte para superar o fim e grita, como a própria música declama e exige: "Para onde eles foram, Meu Deus???". Aqui, como em muitas ocasiões em sua fantástica carreira, a música é Elvis e Elvis é a música. Esse take é muito parecido com o master, faltando só um pouco mais de emoção no final. Mas nada que prejudique o resultado final. Resumindo: um grande momento da carreira de Elvis relegado ao esquecimento. Infelizmente.

Victor Alves.

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