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Elvis Pós Aloha: A derrocada de um Mito

Qualquer fã de Elvis sabe que o Aloha foi seu maior feito. E também o seu último. Após o grande show de 1973 Elvis iniciou um penoso e doloroso processo de decadência física e artística. Não que durante esse período nada de bom tenha sido produzido. Se formos analisar individualmente música por música dos shows e discos vamos encontrar momentos magníficos como o show de 31/12/76 (só para citar um exemplo), as interpretações ao vivo de How Great Thou art, My Way, a assombrosa e delirante performance de Unchained Melody de 21/06/77, enfim, a lista seria imensa demais para caber em um livro. Nos discos temos o ótimo Promised Land,e grandes momentos nos álbuns Good Times, Today e Moody Blue. Porém, esses ótimos momentos eram para terem sido mais frequentes, considerando a magnitude do talento de Elvis. Eles se perdem e vão por água a baixo quando ouvimos shows horrendos comos os de College Park em 1974 ou do dia 19/06/77; versões medíocres de clássicos como Hound Dog, All Shook Up; Sessões conturbadas como as de julho de 1976 e fevereiro de 1976 e o declínio físico fulminante que se abateu sobre Elvis, notadamente da segunda metade de 1975 em diante.

Mas porque, logo no auge de sua carreira, Elvis jogou tudo no lixo? Essa pergunta é por demais complexa. Elvis era o tipo de cara que precisava ser estimulado, e quando era, dava tudo de si. Porém, se não fosse assim, Elvis se entediava fácil, simplesmente porque ele tinha tudo em suas mãos, mulheres, dinheiro, fama, carros, tudo, literalmente. Para fugir disso, muitos artistas de dedicam a causas filantrópicas ou a hobbys. John Travolta, por exemplo, pilota aviões nas horas vagas. Mas Elvis simplesmente resolveu se desconectar do mundo real usando remédios cada vez mais fortes. Saída mais fácil, porém fatal e covarde. É bem verdade que ele tentou algumas vezes se engajar em algo como o karatê, lembram do projeto do filme? Porém, devido à falta de tempo e ao condicionamento físico de Elvis deplorável o filme não passou do campo das idéias.

Em suma: imaginem um homem de 38 anos, rico, entediado e podendo fazer tudo o que queria. Temos que acrescentar os dois principais fatores que acenderam um pavio que já existia: a tendência auto-destrutiva de Elvis, que se traduzia, principalmente, em seu comportamento exagerado e impulsivo e o divórcio, que acabou com ele. Não que se Priscila não tivesse abandonado Elvis fosse modificar o que aconteceu, só iria retardar o processo.

Isso pessoalmente. Profissionalmente a bagunça era generalizada. Pergunto a vocês, o que Elvis deveria ter feito depois do Aloha? Primeiro de tudo, vamos imaginar hipoteticamente que Elvis resolvesse finalmente largar os remédios e mudar de vida pessoal e artística, certo? O primeiro passo seria tratar de sua dependência química, ainda em um estágio tratável. Depois umas férias para ficar 100%. Voltando Elvis deveria passar uns dois meses enfurnado em estúdio produzindo o melhor disco de sua carreira, procurando as melhores músicas, melhores compositores, explorando outros estilos, voltando às origens do Rock que tanto o consagrou e gravando grandes baladas. Depois disso, Elvis deveria fazer uma turnê mundial daquelas que ficam na história, pela Europa, Asia e, porque não, América do Sul. Nesses shows haveria a total reformulação do repertório e principalmente arranjo dos clássicos, que por volta de 73 já estavam ultrapassados. Mas do que outra coisa Elvis também iria divulgar nos shows música por música de seu novo álbum. O próprio contato com culturas diferentes iria causar um impacto tão violento, de forma positiva, na vida de Elvis que isso, somente, iria ajudá-lo na sua busca espiritual e de cura. Quem sabe após isso, tentar parceria com outros músicos.

Mas vamos ser realistas e sonhadores. Realistas pois, sabemos que se Elvis quisesse poderia ter feito isso. Tinha talento de sobra e com um empresário decente isso seria mais fácil ainda. E sonhar, porque Elvis não estava em condições nem de jogar um jogo de tênis, quanto mais de fazer um projeto ambicioso desse. Não tinha forças para se reeguer. Ou não queria. Também não possuía ninguém para ajudá-lo. Ele havia se divorciado há pouco tempo e as mulheres que dele se aproximavam era por puro interesse. Do outro lado seus "amigos" se resumiam há um bando de pilantras interesseiros: A máfia de Memphis. Claro, Elvis não queria ser ajudado, mas os outros que fizessem sua parte. E não adianta Joe Esposito vir com uma cara lambida em entrevistas dizer que fez o melhor que pode porque é mentira. Joe morria de medo de enfrentar Elvis dizendo o que realmente pensava. Já os outros não vou nem comentar. Basta lembrar um comentário póstumo de Marty Lacker que disse em entrevista que quando carregava o caixão de Elvis, que era muito pesado murmurou pra si mesmo: "Esse desgraçado, nem quando morto para de nos dar trabalho!" Que amigão, hein?! Pois era daí para pior. Quanto mais chapado Evis estivesse melhor para esses caras, pois podiam roubá-lo com mais facilidade. E vernon, seu pai, não tinha cultura suficiente para entender o que estava acontecendo com seu filho. Além disso, ele nunca teve muita influência sobre Elvis. E o coronel? Bom a velha raposa, que numa altura dessas deve estar queimando nas profundezas do inferno, só queria saber de dinheiro e de desperdiçá-lo em Vegas. Outra preocupação dele era de não ser descoberto como imigrante ilegal. Já pensou se alguém tivesse descoberto isso enquanto Elvis estava vivo? Esse alguém iria ter o Coronel nas mãos, que iria passar de chantageador para chantageado. Vejam em que ambiente social mais podre e miserável Elvis estava. Como um homem, já sem muita vontade de viver, poderia te alguma chance em um ambiente assim?

Turnês mundiais? Álbum bem produzido e com material de vanguarda? Que nada! A realidade foi distinta do sonho. O que Elvis fez, graças ao coronel? 15 dias após o Aloha começou mais uma temporada em Vegas. Sinceramente, esse foi o maior anti-clímax da carreira do astro. Foi como se após a gravação de Suspicius Minds em 69 elvis tivesse ido a um estúdio de terceira categoria para gravar canções de ninar lançadas posteriormente em um álbum chamado " Elvis canta para bebês" (acredite, a RCA, por incrível que pareça lançou, postumamente, um álbum similar!!!). Enfim, entenderam o que eu quis dizer? Las Vegas em 1973 não tinha mais nada para oferecer para Elvis, nem Elvis tinha nada a oferecer a Vegas. Tenho um show dessa temporada e Elvis nunca soou tão entediado. Também pudera!!! Há pouco mais de duas semanas atrás você está fazendo um show via satélite para o mundo todo, assistido por mais de um bilhão de pessoas e logo depois você está cantando duas vezes por dia para a platéia mais gagá, careta e desinteressante do planeta!!!  Realmente uma pena! Elvis era um artista tão formidável para ser desperdiçado dessa forma.

Não é minha intenção aqui culpar os amigos de namoradas e Elvis, mas sim afirmar que eles possuem sua parcela de culpa. Assim como o próprio Elvis. Assim como seus fãs que o aceitavam e ainda o aceitam de qualquer forma. O que quero dizer é que se Elvis tivesse por perto pessoas que realmente gostassem dele de verdade ele talvez ainda estivesse vivo. E, principalmente, se ele soubesse o quanto era importante para milhões de pessoas no mundo talvez ainda tivéssemos o privilégio de escutar e o maior vocalista de todos os tempos em ação. E seria ótimo saber que ele estaria bem e feliz.

Victor Alves.

8 comentários:

  1. Concordo com tudo o que foi dito aqui, e sei que o Elvis teve culpa no seu próprio declinio fisico, porém o cara vivia cercado de pessoas 24 horas por dia!
    Sério, não tinha uma só pessoas ao redor dele que tivesse coragem de chegar e dizer que ele estava morrendo?
    O Joe esposito deu milhões de entrevistas depois da morte do Elvis, sempre com aquela desculpa esfarrapada que o Elvis não queria se ajudar, que O Elvis era o único que poderia ter feito algo por si próprio", mas vamos admitir que se o Esposito fosse amigo de verdade ele teria enfrentado o Elvis, mesmo que depois ele fosse demitido, ele deveria ter cheegado no Rei e ter dito: "Escuta aqui Elvis você pode até me demitir depois e não querer falar comigo, mas eu sou teu amigo car, tenho que te dizer a verdade, você precisa de ajuda, você precisa se libertar desse vicio em remédios, vocês está doente! Você precisa se tratar e depois disso tirar umas férias, de preferencia na Europa e na Asia, mas principalmente você devia demitir o coronel! esse velho decadente e cafona vai acabar com a sua carreira."
    Ia doer no ego do elvis ter que ouvir isso, com certeza! Ele ia querer sumir com o Joe, mas aquilo com certeza ia ficar martelando na cabeça dele, até que algum dia ele acordasse e tomasse uma decisão.
    Mas nem Joe e nenhum dos idiotas da Maphia, nem mesmo o Charlie tiveram coragem suficiente para enfrentar o Elvis, por medo de perderem os empregos e a boa vida que levavam talvez.
    Não me conformo por que o Charlie não tinha coragem pra enfrentar o Elvis.
    Eles fecharam os olhos, estavam fingindo que Elvis não estava morrendo.
    O velho Vernon eu não digo nada porque ele além de ser pai do Elvis, era fraco demais, jamais enfrentou o filho quando este era jovem o que dirá depois de coroa, além disso ele dependia do Rei pra tudo.
    Mas são apenas perguntas, perguntas que talvez nunca sejam respondidas!
    Meu consolo é que o Elvis está num lugar muito melhor que antes que ele está imortalizado com seu legado.
    Mas o vazio que ele deixou, nenhum artista jamais conseguirá preencher.

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    1. Ótimo ponto de vista Kamylla. Infelizmente amigos de verdade são raros na vida de todas as pessoas, inclusive do Elvis Presley. Um grande abraço, Pablo Aluísio.

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  2. Obrigada Pablo Aluísio!
    Aproveitando o assunto, me diz uma coisa por favor?
    Qual a sua opinião do por que o Elvis nunca demitiu o Coronel?
    Eu não aguento mais aquelas desculpas de que o Elvis devia uma fortuna para o velho em multas e tudo o mais Porque se o rei sabia de fato que o Coronel era imigrante ilegal, neste caso o velho é quem estaria nas mãos do Elvis não concorda?

    Abraços!

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  3. No fundo a questão tem a ver com a própria personalidade de Elvis. Ele tinha esse problema de romper qualquer relacionamento mais duradouro ou antigo em sua vida. Talvez por causa de sua educação sulina e suas crenças religiosas ele sentia que não estaria agindo bem ao descartar o Coronel Parker, um homem que tinha conhecido sua mãe e feito parte de sua vida praticamente inteira. Assim penso que uma certa lealdade emocional um tanto irracional o impedia de demitir de uma vez por todas o Coronel.

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  4. Você tem razão quanto a questão da educação dele, o Elvis era um gentleman e tinha muitos principios, o que eu vejo é um certo comodismo da parte do Elvis e também procrastinação, eu acho que ele pensava sempre em demitir o coronel, mas dizia pra si mesmo: "deixa pra depois", "deixa pra amanhã" e o amanhã nunca chegava e nunca chegou! A propria Priscilla fala no livro dela que Elvis sempre evitou enfrentar as pessoas e os problemas. No fundo ele era só um garoto de 42 anos de idade. Mas talvez o motivo não seja só esse né Pablo?
    Afinal de contas, ele demitiu os irmãos West, meio que indiretamente sim, mas ele aceitou que os demitissem.

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  5. Já no final da vida, numa certa noite Elvis viu o Coronel vendendo fotos suas entre o público, tal como fazia no começo da sua carreira. Segundo relatos isso até mesmo emocionou Elvis. Ver aquele homem idoso (o Coronel) vendendo fotos tal como nos anos 1950 provavelmente fez Elvis pensar sobre os efeitos que uma demissão teria na vida de um senhor já velho como aquele. Claro que o Coronel Parker não era nenhum santo, mas depois de tantos anos eles criaram esse tipo de sentimento de solidariedade e gratidão que para nós é complicado de entender pois não vivenciamos tudo aquilo pelo qual eles passaram. Elvis era no fundo uma boa pessoa que tinha receios de fazer algo como demitir o velho Parker.

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  6. É por esses e outros motivos que eu admiro demais Elvis.
    O carater dele era incontestável, eu jamais conheci ser humano assim na vida e acho que jamais vou conhecer.

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