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Quando Elvis Mordeu a Grande Maçã - Parte 1

1972. Se alguém me perguntar qual o ano da década de 70 mais essencial a ser estudado para compreender a história de Elvis dessa época respondo 72. Foi o ano em que Elvis e Priscila se separaram, fato que o levou ao processo final de sua auto destruição alguns anos mais tarde. Foi o ano em que ele levou seu segundo Grammy pelo álbum He Touched Me. Foi o ano de Burning Love, um de seus melhores rocks e a última música sua a alcançar o top 10 nos EUA. Foi o ano de preparação do Aloha, evento que agitou a carreira do cantor como em poucas épocas. Também foi nesse ano que as turnês de Elvis chegaram a um auge, só visto na década de 50. E definitivamente o auge dessas turnês foram os grandiosos 4 shows que Elvis fez em junho de 72 no Madison Square Garden.

O ano começou como os dois anteriores, com uma temporada em Vegas. Foi nessa época que ocorreu a separação com Priscila, que após anos de uma vida conjugal praticamente inexistente criou coragem e abandonou Elvis. Não coincidentemente, isso refletiu no repertório dos shows que ficou repleto de músicas como It´s Over, It´s Impossible e You Gave me a Mountain, que tratavam de separação e eram muito melancólicas. Elvis estava com 37 anos e era apenas o início de sua crise de meia idade. Essa temporada foi regular, apesar de apresentar bons shows. Elvis ainda incluíra no repertório a ótima Never Been to Spain e algumas outras novidades como A Big Hunk O´Love e Little Sister, músicas antigas quase nunca cantadas em shows

Em março era chegada a hora de entrar em estúdio e aqui novamente a separação deu o tom da sessão, com Elvis gravando músicas como Separate Ways, uma quase semi-biografia, Fool, For the Good Times e o clássico Always on My Mind, uma de suas melhores músicas. A única exceção era um rock agitado e ritmado escrito pelo jovem de 19 anos Dennis Linde. Felton Jarvis, o produtor de Elvis e a banda inteira sabiam do potencial da música, mas tiveram muita dificuldade de convencer Elvis a gravá-la, único que parecia não enxergar isso. Logo ele, que tinha o ouvido tão bom para reconhecer um hit, não deu a devida atenção para esse clássico. Na verdade Burning Love só receberia a devida atenção em 75, quando era quase sempre tocada ao vivo. Nos dias seguintes às sessões, as câmeras da MGM chegavam no estúdio para começar a gravar o material para o documentário Elvis on Tour, último filme de Elvis, que registraria seus shows em sua turnê que começaria em abril e percorreria os Estados do sul dos EUA. Alguns dos melhores shows de sua carreira são dessa turnê e a voz de Elvis estava impecável.

Após o fim da turnê chegava hora para se preparar para um dos grandes eventos da carreira do cantor: os 4 primeiros shows da turnê seguinte seriam em Nova York, a grande maçã. Apesar de já ter estado em NY para gravar os programas de Tv nos anos 50, Elvis nunca havia se apresentado na megalópole americana. Ao entrar no MSG Elvis disse: “Vocês não acham que eu vou conseguir lotar esse monstro não é?” Irônico ou não, nos show, o MSG estava abarrotado. O Coronel não poupou esforços na divulgação do show, fazendo com que Elvis inclusive concedesse uma de suas raras entrevistas coletivas, antes da apresentação. Vestindo uma roupa azul, bonitão, em forma e bastante simpático com a imprensa Elvis respondeu a algumas intrigantes perguntas dos jornalistas, como o que ele achava do movimento feminista e dos protestos contra a guerra do Vietnã e se ele se recusaria a ser convocado novamente. Fugindo totalmente das questões e avesso a dar qualquer comentário político que pudesse comprometer sua imagem, Elvis educadamente disse que preferia não comentar sobre o assunto. Infelizmente, se tivesse respondido, as respostas de Elvis seriam bem conservadoras. Ele era a favor da guerra (mais por desinformação do que por alguma posição política de direita), e era completamente contra o movimento feminista.

Se analisarmos as origem de Elvis e onde ele nasceu, suas preferências nesses aspectos são completamente lógicas e perdoáveis. Afinal um garoto do sul dos EUA nascido na década de 30 aceitar a emancipação das mulheres como algo bom é querer um pouco demais! Também foi perguntado sobre seu novo visual com o cabelo grande e assanhado, o que ele respondeu que havia deixado de usar brilhantina, assim como todo mundo. Foi como se ele dissesse: “Ei, me adaptei aos novos tempos, não fiquei parado nos anos 50 como vocês pensam.” Interessante é a reação de Elvis quando lhe perguntam se sua esposa tinha vindo com ele (a imprensa ainda não sabia da separação). Reparem na expressão triste que Elvis faz. Além da coletiva, nesse mesmo período, foi anunciado que seria lançado um álbum com um dos shows em Nova York na íntegra, fato que botou o projeto de um álbum que se chamaria Standing Room Only por água abaixo. Esse disco conteria músicas gravadas ao vivo em Vegas em fevereiro, mais algumas de estúdio. Curiosidade: a capa do Lp Elvis as Recorded at Madison Square Garden é a mesma que seria utilizada, no S.R.O e a foto é de um dos shows da turnê de abril, e não do show em NY como se pensa.

Victor Alves

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