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Quando Elvis Mordeu a Grande Maçã - Parte 2

A apresentação que vou analisar agora é o afternoon show do dia 10, lançado pela primeira vez em 97 no cd An Afternoon in the Garden, que considero melhor que o lançado oficialmente com o show do mesmo dia, só que à noite. Elvis está mais animado e o repertório é mais variado. Talvez a RCA tenha lançado o da noite, devido à inclusão de The Impossible Dream, na época ainda inédita. Os preços dos ingressos eram de 5 ou 10 dólares e calcula-se que 80 mil pessoas viram Elvis nos quatro dias. Rachy Tewell, a primeira a comprar ingressos passou 46 horas na fila. Os ingressos foram vendidos em 2 dias, sendo que em determinado momento a fila chegou a ter 30 mil pessoas. Esses dados são interessantes para você mencionar para algum desinformado sobre Elvis nos anos 70 e mostrar a proporção absurda que esses shows tiveram na cidade, algo como o U2 no Brasil, recentemente. A ABC gravou uma filmagem do show do dia 09 até a música Polk Sallad Annie.

Existem filmagens amadoras de todos os shows. Entre os ilustres na platéia estava John Lennon, Bob Dylan e Art Garfunkel que adorou a versão de Elvis de sua música Bridge Over Troubled Water. A vendagem de discos de Elvis nesse fim de semana bateu vários recordes e o disco ao vivo lançado estrategicamente 1 semana após o show alcançou a 11ª posição em terras ianques e a 3ª na Inglaterra e até hoje recebeu o prêmio 3x disco de platina. A MGM incluiu apenas um trecho da coletiva de Elvis no documentário Elvis On Tour, cometendo o crime de não filmar nenhum dos 4 shows.

Por essa época as Jumpsuits, inicialmente simples, já haviam se desenvolvido para roupas com pedras preciosas e brilhantes de variadas cores, pois a partir de 1971 passaram a ser acompanhadas de uma capa. Mas vamos ao show. Era um sábado à tarde e não só Nova York, como os EUA voltava-se para o Garden para curtir O Rei do Rock Elvis Presley em suas primeiras apresentações na cidade que nunca dorme. Also Sprach Zaratrusta começou a tocar e essa era a música na época recentemente incluída no show para anunciar seu início. Reparem que os shows de Elvis agora haviam adquirido todo um ritual messiânico com uma música de orquestra preparando a platéia para a chegada do cantor. Esta foi seguida das frenéticas marteladas de Ronnie Tutt na bateria e de um grito ensurdecedor com a entrada de Elvis. O público de Nova York foi, definitivamente, um dos mais calorosos e agitados para quem Elvis tocou em sua carreira. Pegando seu violão Elvis se posiciona na frente do microfone faz uma pose dos anos 50, mexe a perna e, usando o jumpsuit Light Blue Grass, inicia uma fantástica versão de That´s All Right (Mama), aqui cantada com seu tempo dobrado. Não haveria mesmo maneira melhor de começar do que usando a música que deu o pontapé inicial em sua carreira e um dos primeiros rocks gravados! Essa foi uma música que mudou muito ao longo da carreira de Elvis, mas essas agitadas versões de 72 são, na minha opinião, as melhores, rock de primeira.

Sem deixar o público respirar e depois de rapidamente dar boas vindas à multidão (os diálogos nesses shows são mínimos) Elvis emenda com Proud Mary. Esse clássico dos excelentes Credence Clearwater Revival tinha ganhado uma versão incompleta que apareceu em 1970 no On stage. Nessas versões de 72 Elvis não só aumenta o tempo da música com um final que com os metais ficou excelente, mas canta todos os versos direitinho. Um dos melhores covers que Elvis fez. Depois de Proud Mary Elvis começa a ótima Never Been to Spain. Esse blues-funk-rock-pop do Three Dog´s Night (cuja mãe de um dos integrantes, Mae Axton havia escrito Heartbreak Hotel!) ficou perfeito na voz de Elvis e mostra como ele ainda se preocupava em modernizar seu repertório. Destaque para James Burton e seus solos de guitarra, como sempre excelentes. Engraçado é escutar Elvis cantar os versos: “ Eu nunca fui para a Inglaterra, mas até que gosto dos Beatles.” Com certeza esse verso expressava um posicionamento de Elvis, que admirava os Beatles, mas sempre mantendo uma certa distância com eles. Depois é a vez do hit de 1970 You Don´t Have to Say You Love Me, aqui bem mais rápida do que a versão oficial. Essa excelente música havia chegado dois anos antes à 11ª posição nas paradas e faz parte do álbum That´s The Way It Is. Seria tocada até 73, voltando rapidamente ao repertório em 1975. Seguindo a dinâmica do show essa versão mais rápida ficou boa.

As coisas se acalmam um pouco com a música seguinte: Until Is Time For You To Go, um dos singles mais recentes de Elvis. Gravada em maio de 71 essa bonita balada foi o carro chefe do álbum de janeiro de 72 Elvis Now, mas fracassou nas paradas ao conseguir a 40ª posição nos EUA. Já os ingleses gostaram muito mais dessa canção que foi 5º lugar na paradas. Ao contrário de muitas versões de 71, essa é um pouco menor, sem Elvis repetir o verso e refrão, o que de maneira nenhuma prejudica o resultado final. Também do álbum TTWII é a seguinte, You´ve Lost That Lovin´Feeling, cover do sucesso homônimo dos Righteous Brothes de 64. Elvis, como em muitos casos ao fazer um cover, se apoderou da música de um jeito que muitas pessoas só conhecem a versão dele, que é em muito superior ao do grupo citado, com arranjos de metais muito bem feitos e Jerry Scheff dando seu início com seu baixo envenenado. Elvis incluiu um pequeno verso que não constava na original. Em uma certa parte da música onde ele se agacha e canta ”Baby I´d Get Down On My Knees For You” e depois brincando grita “If My Suit Weren´t Too Tide!!”. Acabou sendo cantando assim em toda versão ao vivo, fazendo parte da música! Pelo menos na versão de Elvis. As versões de 72 são mais rápidas do que as dos anos anteriores e essa é a típica música de Elvis que não possui versões ruins. Essa não é exceção. Excelente!

Depois é a hora da casa ir abaixo com a amalucada Polk Salad Annie. Absoluto ponto alto nos shows de Elvis na década de 70, esse Funk Rock foi escrita pelo ótimo Tony White Joe e introduzida no repertório em fevereiro de 1970. A sua versão inicial era de quase 5 minutos, com Elvis abusando de sua nova dança baseada em movimentos de caratê (o baterista Tutt até estudou a arte para conseguir acompanhar seus movimentos!). Mostrada ao mundo no filme TTWII com Elvis eletrizando a platéia, dançando e rebolando feito um doido, Polk salad Annie, com exceção de 1973, nunca foi abandonada nos shows e teve seu arranjo muito modificado com o passar dos anos. Inicialmente continha 2 minutos de uma parte falada, que no fim de 71 foi cortada. A nova versão presente nesse show é mais rápida, porém mais curta, incluindo um fantástico solo de baixo do igualmente fantástico Jerry Scheff. No vídeo amador desse show, percebe-se que no fim da música, como de costume Elvis bota pra quebrar, bem parecido com a versão do On Tour. E a galera não parava de gritar. Depois da música ele fala ironicamente: “Bom, de qualquer forma, agora eu acordei!”

Victor Alves.

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