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Quando Elvis Mordeu a Grande Maçã - Parte 3

É chegada a hora da sessão nostalgia do show com uma versão de Love Me típica da época. Sempre achei que o arranjo mais calmo dos anos 50 é melhor. O desse disco é típico da época, mais acelerado, meio blues, mais ainda agradável de se ouvir, diferente das versões dos últimos anos. Seguindo, Elvis enrola a língua antes de começar uma curtíssima, porém frenética versão do clássico All Shook Up. E de novo a galera explode. Pena que aqui como em outras oportunidades a música não foi tratada com o devido respeito. Com um hit atrás do outro é a vez de Heartbreak Hotel, uma das poucas músicas da década de 50 que não sofreram com o descaso de Elvis. Boa versão. Quase sem parar Elvis inicia Teddy Bear / Don´t Be Cruel, sendo essas duas a 3ª e 4ª músicas seguidas cantadas no show a terem alcançado o primeiro lugar. Ao contrário dos anos finais, essa medley ainda é bem legal e executada corretamente. E pra não perder o costume a 5ª música ao ter chegado ao primeiro lugar é Love Me Tender. Elvis nunca conseguiu um arranjo apropriado para essa música nos anos 70 e falhou ao enchê-la de metais. Essa versão do show é só regular. Outra estragada é a seguinte, Blues Suede Shoes, com pouco mais de 1 minuto e um arranjo ultrapassado, se tornando a segunda decepção seguida da noite.

As coisas melhoram 100% com uma rara e inspirada Reconsider Baby, a obra prima de Elvis de 1960, com novamente James exercitando seus famosos licks de Blues. Um dos momentos mais aguardados da noite vem a seguir quando Elvis anuncia: “Eu estava no Ed Sullivan quando eu cantei essa música. Essa é minha música mensagem hoje à noite.” Seguida dessa afirmação pra lá de irônica, visto sua ridícula letra, e após atiçar a platéia, Elvis começa uma boa versão de seu grande clássico Hound Dog, com um começo em ritmo mais lento Elvis depois acelera, para novo delírio da galera que grita de forma ensurdecedora. As versões de 72 são as últimas que considero boas desse clássico, visto que em anos seguintes virariam a parte mais trash do show de Elvis. Seguindo Hound Dog, surge a belíssima I´ll Remember You de 1966. O master dessa música é simplesmente fantástico, com um suave e emocionante solo de gaita e a voz de Elvis perfeita. Essa versão ao vivo tira a suavidade e aposta numa voz de Elvis mais grossa e um arranjo mais de corda. Suspicious Minds segue e com ela mais gritaria, dança, caratê e o gordinho Ronnie Tutt judiando sua bateria. Por volta dessa época Elvis estava ficando cansado dessa absoluta obra prima gravada em 69 e que pôs o rei no mapa da música de novo. Isso é justificado, pois ela foi cantada em quase todos os shows de 69 até aquele momento, tendo suas melhores versões em agosto de 1970. Mais um hit na listagem do show. Clássico absoluto, e essa versão é ótima.

Hora de apresentar a banda e ao contrário do que aconteceria em shows futuros as honras são feitas não em 1/3 do show, mas em menos de 3 minutos. Seguindo a apresentação Elvis deveria ter tocado Burning Love, que chegaria ao primeiro lugar em NY alguns meses depois. Porém, ele toca a melancólica, porém bonita For The Good Times, até então inédita na sua discografia. Uma pena, pois desacelerou totalmente o show, principalmente quando a seguinte é American Trilogy, uma das melhores músicas de toda sua carreia e que o público simplesmente amava. Porém Trilogy é muito “hino à República” para o meu gosto e destoa completamente do show. Mas a platéia adora. Lançada em single pouco antes, me surpreende que essa música alcançou uma das piores posições de Elvis na década, a 66ª, apesar de tocada em quase todos os shows daquele ano. O patriotismo de Elvis aqui é evidente e chega a incomodar os não americanos.

Depois Elvis fala pela primeira vez diretamente com o público dizendo que é bom estar em NY com uma ótima platéia e pede para serem acessas as luzes do Garden. Aí meu amigo se você esquecer de abaixar o volume do som, vai ficar surdo, porque a gritaria que se segue é ensurdecedora. Luzes acessas é hora de Funny How Times slips Away, do álbum Elvis Country. Gravada originalmente por Willie Nelson, essa música é a parte country do show, apesar do arranjo nela posto no show passar longe de ser country. Outro exemplo de música com poucas versões ruins. Muito boa essa aqui também, com Elvis dando uma hilária roncada no fim! I Can´t Stop Loving You é a próxima e James Burton capricha na distorção. Gravada por Ray Charles em 62 e escrita por Don Gibson, esse country virou um rock alucinante na versão de Elvis, principalmente as de 1970. Essa aqui fica num meio termo, sendo um pouco mais lenta, mas acelerando um pouquinho o ritmo do show, caído desde For The Good Times. Hora de ir embora, a costumeira Can´t Help Falling Love encerra esse fantástico show, que com algumas poucas exceções é de primeiríssima.

O repertório sofreu poucas alterações nos 3 dias de Nova York, porém foi sempre consistente. Tirando a porção final um pouco lenta, a ausência de Burning Love e as versões de Love me Tender e Blue Suede Shoes esse é um fantástico show de Elvis, superior ao Aloha que mostra o rei em uma de suas melhores formas. Os shows em NY foram um arrebatador sucesso, junto com seu álbum lançado. Meses depois Burning Love chegava a 2ª posição nas paradas, confirmando a super fase de Elvis, que deu impulso para o primeiro show a ser transmitido via satélite para o mundo. Mas isso é uma outra história. A mordida que Elvis deu na grande maçã lhe valeu alguns dos melhores momentos de sua carreira e abriu portas para o maior. Como Glen Hardin disse: “Nunca tocamos melhor do que em Nova York!”.

Victor Alves

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