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Easy Come, Easy Go - Parte 1

A data era 26 de setembro de 1956. Deve ter sido um dos dias mais especiais para Elvis. No auge do sucesso, voltar para sua cidade natal, Tupelo, para fazer dois shows e rever amigos e colegas de escola, junto com seus pais. A vida realmente tinha mudado para aquele pobre garoto do Mississipi. Há menos de 20 dias da data ele havia se apresentado no Ed Sullivan, conseguindo índices recordes de audiência e entrando para a história. O futuro parecia brilhante à sua frente. E foi, por alguns anos.

28 de setembro de 1966. Pouco mais de dez anos após aquela gloriosa data, a situação para Elvis Presley tinha virado de ponta cabeça. O cantor se encontrava em um dos pontos baixos de sua carreira, fazendo 3 filmes por ano com suas respectivas trilhas. A qualidade de ambos era bastante sofrível. Enquanto Elvis se afundava cada vez mais em sua mistura de música ruim, exageros químicos e deslumbramento com as religiões da nova era, a geração psicodélica dos anos 60 tomava forma e ganhava os EUA.

1966 foi um ano um pouco melhor do que 1965, pois Elvis finalmente, após mais de 2 anos sem gravar nada além de trilhas, entrou em estúdio e gravou material de alta qualidade como "Down in the Alley", "Tomorrow is a Long Time", "Love Letters" e outras, além do excepcional álbum "How Great Thou Art", ganhador de um Grammy. Elvis conseguiu um produtor novo, Felton Jarvis, que já dava novos ares para carreira do cantor em termos de qualidade de material e arranjo musical. Porém essas mudanças eram feitas a passo de tartaruga e iriam culminar com o especial de 1968, uns 2 anos depois.

Em termos de trilhas e filmes, 1966 é muito melhor que seu antecessor. "Spinout" possui material ainda fraco, mas algumas músicas de qualidade como a belíssima "Am I Ready" e o rock" I´ll Be back", uma das melhores músicas das trilhas de Elvis nos anos 1960, além do filme ser bem divertido. "Double trouble" é um filme bem legal, com uma história nada original, mas interessante. A trilha também é razoável e tirando a horrorosa e degradante "Old MacDonald", é bastante escutável.

Porém, qualquer melhora nesse complexo e difícil ano foi por água abaixo com "Easy Come, Easy Go" e sua horrorosa trilha. O filme só perde em termos de ser ruim para "Harum Scarum" e "Paradise Hawaiian Style". E a trilha é pior ainda do que "Harum Scarum". O filme conta a história de Ted Jackson, membro da marinha, que em uma de suas últimas expedições ao mar encontra um tesouro naufragado. Já civil, semanas depois, Ted se junta com seu amigo de banda e um jovem e vão à procura do tesouro. Porém, terão que enfrentar um grupo de playboys que também querem se apoderar dele. Se a história já parece ser sofrível, você não viu nada, só assistindo o filme. Os vilões são ridículos, as cenas embaixo d´água são as mais chatas já filmadas na história, e a não ser que você seja um oceanógrafo, não vai curtir muito elas.

Elvis simplesmente passeia pelo filme, não demonstrando nenhum interesse. Também com um roteiro desses! Foi o último filme que ele fez para a Paramount e o último sob a batuta de Hall B. Wallis. Os poucos pontos positivos são que Elvis está com um ótimo visual no filme, tendo perdido peso, se comparado com o ano anterior e apesar do guarda roupa limitado do filme, a calça preta e camisa preta que Elvis usa quase o tempo todo não poderia ter lhe caído melhor. O filme possui alguns indícios da psicodelia da época com garotas fazendo uma espécie de pintura nada convencional, além de referências ao yoga e a própria garota que contracena com Elvis, Pat Priest, ser um típico exemplo de garota zen-hippie que começava a pipocar no país por aquela época.

Outra curiosidade é que a senhora que faz a professora de yoga era casada com Charles Laughton, que foi o apresentador substituto de Ed Sullivan no dia 09 de setembro de 1956, primeira apresentação de Elvis no show. No mais o filme é completamente esquecível e foi um fracasso quando lançado em 1967. Merecidamente.

Já sua trilha sonora é outro desastre. Composta de 6 músicas, quando lançada em formato de Extended Play em março de 1967, nem entrou para o Hot 100, vendendo meras 30.000 cópias, se transformando na trilha de menos vendagem da carreira de Elvis. Foi o último Extended Play de sua carreira. Na Inglaterra o EP continha apenas 4 músicas, sendo as outras duas: "The Love Machine" e "You Gotta Stop" lançadas como single, que merecidamente alcançou apenas a 38ª posição.

Para piorar a situação, além de ter que gravar material de péssima qualidade, Elvis ainda teve que utilizar os estúdios de gravação da Paramount que eram péssimos e mais pareciam uma garagem, além de ter que ser obrigado a gravar de dia, fato que era único em sua carreira, visto que, todas as sessões de Elvis eram realizadas à noite ou então de madrugada. De propósito, Elvis chegou atrasado para os dois dias de gravação. Uma curiosidade dessas sessões de gravação é a presença do baixista Jerry Sheff que iria acompanhar Elvis nos anos 70.

Victor Alves.

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