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Elvis, as últimas horas de um gênio - Parte 4

No Baptist Memorial Hospital, a equipe da emergência faz tudo que pode. Mas não existe providência, frenética ou heróica, capaz de salvar a majestade de Graceland. Por fim, o Dr. Nichopoulos, com o rosto muito pálido, surge na sala de espera onde Esposito conversa com Hodge, Strada, Smith e David Stanley. - "Ele se foi", diz o médico a quem posteriormente o Conselho de Medicina do Tennessee condenaria por receitar cerca de 12 mil medicamentos a Elvis num período, de apenas, 20 meses. - "Ele não está mais entre nós." Diante dessa notícia, os homens começam a chorar sem constrangimento, abraçando-se uns aos outros em busca de conforto. Aos 42 anos, Elvis Presley está morto.

Do Hospital, Joe Esposito liga para Portland para falar com o Coronel. -"Tenho uma notícia terrível para lhe dar" - começa Joe, com a voz trêmula. -"Elvis acaba de morrer".
Trinta segundos (ou mais) se passam até que Parker pronuncie alguma sílaba. - "Ok, Joe" - diz finalmente o empresário, coma a voz inalterada, desprovida de qualquer emoção. - "Estaremos aí o mais depressa possível".

Esposito sente que por baixo daquela frieza, o Coronel está muito abalado. Parker age rápido - por telefone, cancela a turnê e avisa a todos que está tudo acabado. Mais tarde marca uma reunião com todos os seus homens em seu quarto de hotel. Quando o último de seus homens (Lamar Fike) entra no quarto, Parker lhe ordena para que feche a porta. Nesse momento Parker está sentado na beira da cama, desligando o telefone. Com exceção de Fike, que chegara naquele instante, todos os homens olham atônitos para o chão.

Fike, sem entender nada, lança a pergunta: - "Afinal de contas, o que está acontecendo aqui?". O Coronel se levanta, vai em sua direção e diz: - "Lamar, você tem de ir a Memphis se encontrar com Vernon. Elvis morreu."

Fike fica arrasado, mas não surpreso. Havia meses que o artista mais famoso do mundo mal conseguia encontrar o caminho até o microfone. Durante um show em Baltimore, Elvis abandonara o palco por 30 minutos, sem nenhuma explicação. "No fim", publicou a revista Variety, "não houve aplausos, e os patrocinadores saíram balançando a cabeça e especulando sobre o que haveria de errado com ele."

O próprio Elvis tinha uma idéia. Não muito tempo antes, havia convidado o compositor Ben Weisman para ir à sua suíte em Las Vegas. Com o rosto inchado, o Rei sentou-se ao piano. -"Ben", disse ele - "há uma canção que eu adoro - "Softly as I leave you". Ela não fala de um homem que sofre por uma mulher. Fala de um homem que vai morrer."

Enquanto os fãs mais devotados iniciam uma peregrinação a Memphis, partindo de todos os cantos do mundo, o Coronel faz uma reserva de avião, não para o Tennessee, mas para Nova York. Lá, ele faz uma reunião na RCA, gravadora para a qual seu famoso cliente havia vendido mais cassetes e discos do que qualquer outro artista na história. Prevê, corretamente a velha raposa, que em 24 horas todos os produtos relacionados a Elvis estejam esgotados nas lojas dos Estados Unidos e, em pouco tempo, em quase todo o planeta. Parker pressiona a gravadora para contratar as principais fábricas a preços mais altos - passando à frente de outras encomendas - a fim de manter a rica torrente de discos de Elvis. Em seguida, reuni-se com um licenciador para fechar negócio envolvendo outros produtos associados ao Rei do Rock. Só então viaja para Memphis, para o funeral de Elvis, em 18 de agosto, com os helicópteros da imprensa circulando no céu e o canto estridente e monocórdio das cigarras enchendo o ar quente e úmido de emoção, no último adeus ao rei supremo do Rock.

Telmo Vilela Jr.

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