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Elvis Os Anos Finais - Parte 28

Certamente Tom Parker nunca pensou em Elvis como um artista inovador, que iria ser estudado nos anos que viriam após sua morte. Visão histórica era um conceito até mesmo muito complicado para que ele entendesse seu significado. Por essa razão Parker não fez nenhuma questão de vender o show de Elvis para os locais mais despreparados, toscos e obsoletos da América. Pagando, Elvis estaria lá, cantando para a caipirada! Conceitos como prestígio, classe e publicidade negativa pouco, ou nada, serviam na cabeça de Parker. Ele certamente não estava nem aí para o fato de que apresentações nesses locais remotos iriam abalar o prestigio de Elvis como artista, fatalmente o levando a ganhar uma boa dose de publicidade negativa, principalmente de todos os jornalistas que acusavam o cantor de estar perdendo a classe ao se apresentar nos cafundós dos Judas! Esse fato, de se apresentar em localidades sem importância, aliado ao seu aumento de peso, sempre eram os primeiros argumentos levantados por todos aqueles que sempre o tachavam de decadente nos anos 70! Afinal, qual é a designação certa para um cantor gordo e velho que vai se apresentar nas menores cidades, dos menores Estados? Ora, decadente é claro!

O que mais impressiona diante desse quadro lamentável é perceber que ao invés de reagir a toda essa situação ruim Tom Parker tomava atitudes que afundavam ainda mais a imagem de Elvis! Como afirmei antes, em um primeiro momento realmente Tom Parker errou por suas próprias limitações pessoais, por puro e simples despreparo, ou para simplificar ainda mais, por pura ignorância. É bem conhecida toda a coleção de piadas que os executivos da RCA tinham sobre Tom Parker. No meio ele era visto como uma figura folclórica, totalmente ultrapassado, uma espécie de Vicente Matheus do mundo musical norte-americano, com todas aquelas gafes e histórias engraçadas que sempre o cercaram. Embora várias de suas decisões acabassem virando piada entre os membros da indústria fonográfica, aos poucos seus atos começaram a chamar a atenção pela esquisitice e irracionalidade. Já em 1957 todos se perguntavam quando Elvis iria fazer sua turnê na Inglaterra e na Europa. Depois disso sempre os jornais europeus de grande circulação traziam periodicamente notícias envolvendo promotores do velho mundo oferecendo vultuosas somas a Parker para que Elvis fizesse finalmente a tão esperada turnê mundial. Mas isso nunca se concretizava pois Parker sempre se saía com uma desculpa esfarrapada qualquer.

Essa situação acabou fazendo com que muitos desconfiassem dos verdadeiros motivos por trás dessa sempre presente recusa por parte de Parker em levar Elvis para os palcos do mundo! Ninguém conseguia entender por que Elvis não saía dos EUA de jeito nenhum! Astros de magnitudes muito inferiores a incrível fama de Elvis se davam muito bem em turnês mundiais. Bill Halley, por exemplo, foi recebido como uma espécie de Deus musical em sua chegada à Londres, ainda no surgimento dos primeiros passos do Rock'n'Roll! Mas quem era ele perto da incrível fama do Rei do Rock? A despeito disso nada parecia convencer o velho Coronel de promover uma excursão épica de um dos maiores astros musicais que o mundo já conheceu! Afinal, quais eram as razões e os motivos que levavam Parker a tomar tantas decisões equivocadas? É fato que Parker deixou muito a desejar como empresário de Elvis, principalmente por não estar devidamente preparado para exercer tal função, mas isso certamente não justificava totalmente os diversos erros que eram sistematicamente cometidos durante a carreira de Elvis. Havia muito mais por trás dos notórios erros de estratégia no comando dos rumos da carreira do afamado Rei do Rock. Essas razões, bem mais sinistras e obscuras, foram sendo descobertas ao longo dos anos que viriam e fariam todos entenderem exatamente as verdadeiras causas que moveram Tom Parker e o fizeram tomar decisões, que em um primeiro momento, eram totalmente irracionais e sem nenhuma lógica comercial!

Com o passar do tempo as respostas foram surgindo para os pesquisadores. O fato dele ser um imigrante ilegal nos Estados Unidos já era bem conhecido de todos os fãs, desde que o fato foi descoberto por Albert Goldman no começo da década de 80 [Leia o artigo "Elvis e o Coronel" em nosso site]. Até aí nenhuma novidade havia surgido. Certamente Elvis nunca fez shows fora dos EUA por causa desse detalhe ilegal na vida do Coronel Tom Parker (que diga-se, não era coronel e nem muito menos se chamava Tom Parker na verdade!). De qualquer forma, para quem acompanha a literatura envolvendo Elvis, acabaram surgindo, nos últimos anos, fatos novos e recém descobertos! Em vista disso muita gente vem sendo surpreendida por novas revelações e descobertas promovidas por uma nova geração de autores que cavaram fundo nessa história envolvendo Parker, Elvis e sua vida artística enclausurada dentro das fronteiras de Tio Sam. Muita coisa que foi descoberta demonstra ainda mais o que existia por trás de toda essa suposta "incompetência" envolvendo os rumos da carreira do cantor.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

3 comentários:

  1. O extranho é que esse obtuso Tom Parker era para o Brian Epstien, empresário dos Beatles, um ídolo tão maravilhoso, quanto o Elvis o era para os Beatles quando estes chegaram aos Estados Unidos na década de "60. Isso está documentado no livro Elvis e eu, da Priscilla.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Essa admiração vinha do alcance da fama de Elvis e não propriamente da competência de Parker, que era de fato um obtuso nesse aspecto. Costumo dizer que Elvis era tão talentoso que conseguiu fazer sucesso apesar de ser empresariado por um sujeito como esse.

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