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Elvis Os Anos Finais - Parte 37

Durante muito tempo Elvis pensou nas possibilidades do que iria fazer após a publicação do livro bomba de Red West. As dúvidas eram muitas. Ele deveria fazer uma declaração oficial desmentindo tudo? Mas isso não iria trazer uma tremenda publicidade para o lançamento? Ignorar tudo e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido? Processar todos eles e correr o sério risco de transformar tudo em um circo da mídia no tribunal, com sua vida sendo ainda mais exposta perante seu público e seus fãs? Mas afinal...que decisão ele deveria tomar? Nessa altura de sua vida essa era apenas mais uma péssima notícia que Elvis tinha que enfrentar.

Em seus últimos meses de vida o cantor podia contar nos dedos de uma única mão as coisas que ainda lhe traziam algo positivo. Eram cada vez mais raros os momentos de verdadeira felicidade para ele durante sua caminhada final. Um sorriso sincero, por exemplo, dado em um momento de extrema descontração e alegria, era algo tão raro para o envelhecido astro nessa época que certamente nem ao menos ele se lembrava de algo parecido assim acontecer em sua memória recente. Em aspectos pessoais sua única filha, Lisa Marie, ainda conseguia proporcionar momentos de amenidades e real contentamento.

Mas até nesses pequenos momentos Elvis sentia-se culpado, a ponto de um de seus homens de confiança o flagrar em prantos, sozinho, lamentando consigo mesmo o fato de não ter sido um bom pai para sua família. Elvis jamais conseguiu superar o choque do fim de seu casamento e esse pesadelo só aumentou de proporção ao longo dos anos que se passaram. No aspecto puramente profissional Elvis também ia, aos poucos, perdendo o prazer de se apresentar ao vivo. Durante anos esse contato direto com seus fãs havia proporcionado a ele muitos e muitos momentos realmente especiais. Como bem afirmou Priscilla Presley o amor de seus fãs e o carinho despejado por Elvis durante seus longos anos na estrada, tinha se transformado no único grande momento de felicidade do artista em seus últimos meses de vida. A veneração e a fidelidade de seus mais estimados fãs clubes havia se concretizado numa verdadeira muleta emocional para o Rei do Rock. Porém até nesses aspectos Elvis vinha sentindo dificuldades. Se apresentar à altura do amor e do carinho de seus admiradores lhe era agora cada vez mais difícil. Elvis enfrentava diversas dificuldades decorrentes de seu estado físico e de sua vertiginosa queda de saúde.

Fazer jus à imagem que existia no subconsciente de todos era agora um desafio a se vencer em cada novo concerto e isso definitivamente não era fácil quando se sofria de tantos problemas pessoais, tanto físicos como, e principalmente, emocionais. Somando-se a tudo isso havia ainda a crítica, quase sempre implacável com o astro, sempre colocando em destaque cada mínimo erro ou cada pequeno descompasso surgido em suas turnês. Tudo isso, somado a seu constante estado depressivo, tornava a jornada muito mais penosa de se cumprir. Infelizmente Elvis não poderia parar, ele havia entrado numa engrenagem que iria sugar até o fim sua capacidade de trabalho. Envolvido em enormes dívidas, enrolado em problemas judiciais que lhe custavam muito em termos financeiros e em desgaste emocional, Elvis virou escravo de sua própria lenda.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. No livro Elvis and Me a Priscila diz que quando passou a aconpanhar o Elvis na suas turnês descobriu que, ao contrario do que ela pensava, o principal concorrente na atenção do Elvis não eram as inúmeras mulheres que se jogavam sobre o Elvis; sua principal concorrência neste quesito era a plateia dos shows. A Priscila diz que ficou olhando a cumplicidade entre o Elvis e a plateia e percebeu que havia uma simbiose entre os dois que ela jamais teria como conseguir. Quando o Elvis viu que perderia isso também acho que foi demais. Malditos Red e Sonny West que contaram toda a verdade neste livro e por ser a verdade não havia como contesta-lo de forma efetiva.

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  2. "Elvis deixou uma grande lição para todos os superstars: Nunca fique muito próximo de seus próprios empregados" (Bono).

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