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FTD Southern Nights - Parte 3

A agradável Hawaiian Wedding Song surge logo a seguir e aqui Elvis apresenta uma bela versão, correta e sem máculas. Ele se desculpa com a plateia, que pede Blue Hawaii, e sai pela tangente apresentando essa canção do mesmo filme e com uma letra bem mais fácil para ele se recordar. Infelizmente ela é seguida de mais uma versão medíocre de Blue Suede Shoes dos anos 70. Novamente temos uma versão que dura pouco mais de um minuto, com Elvis não a levando a sério em nenhum momento e que, como já escrevi antes, só servia mesmo para acordar a platéia e chamar a atenção de todos que aquele que estava ali no palco era o mesmo Rei do Rock que virou a cultura mundial de ponta cabeça durante os anos 50. A canção é isso, um mero (e bem burocrático) memorando! O melhor momento desse primeiro show em Huntsville vem com For The Good Times. Essa versão, além de ser bem rara, ainda traz um belo momento de Elvis, com vocalização sóbria e equilibrada e com um entrosamento quase perfeito com seu grupo. Sua semelhança e fidelidade de execução realmente é espantosa, pois está bem próxima da versão oficial. Elvis está sutil, concentrado e empenhando em fazer uma bela versão. O resultado não poderia ser outro: o melhor registro do CD até esse momento. Embora esse show da tarde seja bem na média, com poucos momentos realmente interessantes e que saiam do comum, ele ainda é considerado o melhor feito por Elvis naqueles três dias estacionado em Huntsville.

Depois do primeiro contato com o público Elvis foi perdendo gradualmente o interesse nos shows seguintes, tanto que apenas duas canções do show noturno foram aproveitadas nesse CD. A primeira é I Can't Stop Loving You. Embora alguns tenham tratado essa versão com adjetivos exagerados como "maravilhosa" e "poderosa", temos que cair na real e chegar a conclusão que ela está bem na média de todas as outras versões que Elvis produziu dessa música. Aliás ela já estava totalmente saturada por essa época, tanto que Elvis a descartaria rapidamente a partir desse momento, talvez por não aguentar mais cantá-la em outras e repetidas vezes! Razoável, bem executada, tecnicamente boa, porém banal e rotineira. Isso definitivamente não é o que acontece com I'm Leavin'. Que música maravilhosa, fantástica e bela! Essa canção é tão bonita que ainda me lembro da primeira vez que a ouvi, lá nos distantes anos 80! Definitivamente um das mais belas harmonias já cantadas por Elvis Presley. O registro dessa versão ao vivo é precioso por inúmeros motivos. O primeiro deles é o fato de Elvis quase nunca a apresentar em seus shows! Uma canção tão fantástica deveria ter sido mais explorada por Elvis em seus concertos ao vivo, mas nunca ganhou um papel de maior destaque ou se firmou em seu repertório de forma definitiva. Só podemos lamentar esse fato. Outro fator que torna essa versão especial é sua qualidade técnica. Podemos ouvir com certa nitidez todos os instrumentos, a orquestra, a banda TCB (com destaque especial para a bateria) e o vocal de apoio. Não é uma maravilha, até porque se trata de um soundboard, porém estamos bem próximos de uma qualidade técnica de alto nível sonoro. Por fim, o último fator que a torna especial é a própria interpretação de Elvis durante sua apresentação. Bem distante de sua postura de desinteresse e tédio que o acometia quando cantava seus antigos rocks, aqui Elvis se entrega totalmente ao lirismo ímpar da música. O resultado final é brilhante e a faixa é a melhor, sem nenhuma sombra de dúvidas, de todo o CD.

Embora o restante do material de Huntsville não traga mais nada de novo e nem remotamente tão interessante como "I'm Leavin'", podemos ainda destacar algumas versões interessantes. Release Me gravada na tarde do dia 1º de junho é uma delas. Embora não fosse nenhuma novidade, ainda era uma estranha no ninho no repertório de Elvis nesse ano de 1975. Aqui Elvis desacelera a velocidade normal da canção, o que a prejudica, pois seu ritmo correto, que foi utilizado na versão master do disco "On Stage", é muito mais satisfatório. A sensação que Elvis passa aqui é de estar com pouca vontade de levar em frente e terminar a música. Vale como registro. A outra canção retirada desse mesmo show da tarde é o clássico Heartbreak Hotel. Aqui Elvis repete o velho erro que quase sempre o acometia quando apresentava seus velhos sucessos dos anos 50. Ele se mostra pouco interessado, pouco envolvido, quase como se estivesse segurando o riso e na parte da execução se limita a murmurar preguiçosamente a letra. Elvis deveria ter mudado um pouco esse tipo de postura, não só em respeito ao seu público, como também ao seu passado, pois se não fossem todos esses clássicos ele certamente não estaria ali fazendo mais um show com lotação esgotada. De qualquer maneira o ponto positivo desse penúltimo show de Elvis em Huntsville é que ele apresenta uma boa sonoridade. Tecnicamente perfeita não é, nenhum CD ao vivo do selo FTD é perfeito no aspecto puramente de qualidade sonora, mas podemos perceber que pelo menos esse concerto em particular foi suficientemente bem registrado.

Por fim chegamos nas três últimas canções retiradas das apresentações realizadas por Elvis nessa cidade, a saber: Polk Salad Annie, I'll Remember You e Little Darlin'. Antes de iniciar Polk Salad Annie Elvis começa a canção Burning Love, porém a interrompe logo nos primeiros versos. A situação fica um pouco embaraçosa, principalmente depois que ele tenta se lembrar da letra e não consegue. Então sua vocalista começa a lhe passar a letra do primeiro verso, Elvis se enche um pouco daquela coisa toda e parte logo para Polk Salad Annie. Aqui podemos perceber que Elvis, depois de cinco shows seguidos, já estava um pouco de saco cheio. Ele nem insiste em tentar terminar (ou melhor dizendo começar) Burning Love, ele simplesmente a descarta! Aliás verdade seja dita, Burning Love nunca foi parte de sua lista de músicas preferidas, tanto que ele foi praticamente levado a gravá-la em estúdio e depois que ela se tornou um grande hit ele se viu na obrigação de apresentá-la nos concertos, mas quase sempre sem muito envolvimento e emoção. A versão de Polk Salad Annie desse último concerto em Huntsville é muito boa e interessante. Percebe-se claramente que Elvis se empenha em cantar direito, até mesmo para acabar com a má impressão deixada pelo fiasco de "Burning Love". Como as versões dessa época Elvis não apresentam a introdução falada e parte logo para a segunda parte da canção. Enfim, mais uma versão de "Polk Salad Annie" para a sua coleção das milhares de outras. O destaque maior fica mesmo com a participação da banda TCB e principalmente pelos solos do baixista Jerry Scheff (que chegou a tocar com os Doors em seu último disco, "L.A. Woman"). I'll Remember You, conhecida canção de seu show Aloha From Hawaii (como ele mesmo deixa claro no começo da execução) aparece de pára-quedas no show. Essa música nem sempre foi muito utilizada por Elvis, porém as versões Off Aloha que conhecemos sempre mantiveram um nível satisfatório, tanto nos aspectos puramente técnicos como também de interpretação por parte de Elvis, sem dúvida era uma melodia que muito lhe agradava, tanto que sempre procurava apresentar belas versões para seu público.

A última canção retirada dos shows em Huntsville é Little Darlin'. Essa canção era nova no repertório de Elvis e foi incluída por ser um símbolo dos anos dourados. Aqui Elvis certamente se posicionava como um artista nostálgico e o alvo era certo quando apresentava músicas como essa: seus antigos fãs dos anos 50. O mais interessante de quase todas as versões dessa canção é que Elvis quase nunca a levava muito à sério, sempre rindo ou tentando conter o riso, além disso ele sempre aproveitava a deixa para tirar uma onda em cima do arranjo "bons tempos" da famosa baladinha. Depois disso Ernst resolveu acrescentar as despedidas finais de Elvis para o público em Huntsville. O cantor agradece e é muito celebrado pelo público. Infelizmente um dos grandes pecados desse CD é justamente a desorganização em que as faixas foram colocadas, misturando canções gravadas em shows e apresentações diferentes! Deveria ter sido respeitado a ordem cronológica dos concertos, porém Ernst escolheu o caminho mais fácil de juntar tudo num só balaio para causar a falsa impressão de se estar ouvindo um show completo e não uma coletânea de momentos diversos de turnês específicas. De qualquer forma essa canção encerra a parte Huntsville do CD. São ao total doze canções retiradas desses quatro shows (lembrando que o CD não traz nenhuma faixa da estreia de Elvis nessa cidade). Para quem quiser conhecer um pouco melhor esses concertos aconselho adquirir o Bootleg Huntsville'75 USA.

Pablo Aluísio.

1 comentários:

  1. Na próxima atualização a última parte da análise do CD FTD Southern Nights. Até lá.

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