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Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4

No momento em que a carreira de Elvis parecia renascer a RCA Victor soltou no mercado um novo álbum do cantor. A filosofia era a mesma dos discos anteriores, ou seja, reunir grandes sucessos de Elvis que só tinham sido lançados antes em singles (compactos). O problema básico é que os sucessos estavam rareando cada vez mais na discografia do Rei do Rock. Assim quando os executivos da RCA determinaram a produção do quarto disco da série Golden Records o responsável pela seleção musical soltou uma pergunta fatal bem no meio da reunião: "Tudo bem, mas que sucessos Elvis realmente alcançou nesses últimos anos?". Era uma constatação bem ruim e verdadeira. Ao longo dos anos 1960 Elvis foi colecionando fracassos comerciais com seus singles. A bagunça e muitas vezes falta de promoção fizeram com que muitos compactos de Elvis se tornassem grandes desastres comerciais. Eles ficavam por meses nas estantes das lojas de discos, pegando poeira sem que ninguém os quisesse comprar. Lotes e mais lotes de caixas cheias de compactos de Elvis Presley eram enviados de volta para a fábrica da RCA por não terem encontrado compradores no mercado.

Por volta de 1967 a RCA inclusive chegou a colocar em dúvida se valia mesmo a pena renovar com o astro por mais alguns anos. O fato é que a má qualidade das trilhas sonoras e dos filmes tinham literalmente acabado com Elvis do ponto de vista comercial. Ele facilmente era superado por bandinhas sem nenhuma importância musical. Seu público havia debandado e pouco sobrara do antigo campeão das paradas. Quando as negociações começaram a RCA deixou claro ao Coronel Parker que estava ficando sem interesse no passe de Elvis. Ele não vendia mais como antigamente, no começo de sua carreira. Tirando poucos discos que tinham realmente feito sucesso, Elvis amargava baixas posições nas paradas. O público não se interessava mais pelo que ele vinha produzindo e nem as revistas de fofocas mais exploravam sua vida pessoal, que andava mais fechada e reclusa do que nunca. Elvis não aparecia em festas e nem em eventos, não fazia mais shows ao vivo e só aparecia para seu público através de filmes de Hollywood bem ruins. Era a fórmula mesmo do desastre.

Sem muitos sucessos comerciais para compor o disco o jeito mesmo foi pincelar alguns poucos bons momentos de vendas do cantor na década de 1960. Um terceiro lugar aqui, um quarto lugar acolá, tudo sendo colocado junto para preencher cronologicamente o álbum. O fato é que mesmo estando em maré baixa em termos de vendas o talento de Elvis continuava lá. O problema é que a sucessão de músicas ruins de seus filmes foram soterrando a voz e o carisma do cantor. Por volta de 1966 ele foi renascendo aos poucos. Algumas sessões livres de músicas de filmes foram realizadas e nelas Elvis finalmente pôde contar com material de qualidade novamente. Curiosamente foram justamente algumas dessas gravações que conseguiram o mínimo de repercussão nas paradas, mostrando um caminho para Elvis e a RCA Victor rumo de volta ao sucesso comercial. No caso tínhamos realmente o casamento entre qualidade e sucesso comercial, algo que hoje em dia é bem raro. O fato inegável porém era que naqueles tempos Elvis sempre conseguia bons números de vendas quando apresentava material de qualidade no mercado. O inverso também era verdadeiro: quanto piores eram as trilhas sonoras, menos elas vendiam a cada ano.

Elvis Presley não era um idiota. Ele sabia o que era bom e o que era ruim no material providenciado por sua gravadora. Geralmente as trilhas sonoras eram bem ruins depois de 1965. Eram compostas às pressas, sem capricho e sem cuidado. Os autores e compositores ganhavam mal e por essa razão também não mais se empenhavam em criar algo bom. Uma coisa ruim levava a outra e em pouco tempo Elvis ia amargando sucessivos fracassos. Depois de uma sessão particularmente muito fraca, Elvis, que sempre foi conhecido por seu bom comportamento e educação dentro dos estúdios, estourou com o microfone ainda aberto: "O que mais vocês querem que eu faça com essa merda?". Quando a RCA começou a disponibilizar um material de melhor qualidade finalmente as coisas foram ficando mais claras. Elvis, livre das amarras dos estúdios cinematográficos, conseguia finalmente contar com canções realmente boas, bem compostas, bonitas. Ficar cantando sobre ostras, cachorros e namoricos de adolescentes era um suplício para The Pelvis nesses tempos nebulosos. Quando ele finalmente recebeu bom material tudo foi melhorando, não apenas em termos de vendas, mas principalmente em termos de relevância artística. Assim por volta de janeira a RCA finalmente soltou a relação das canções que iriam fazer parte de seu disco (segue lista abaixo).

Love Letters (Heyman / Young) - Muita gente boa ainda confunde essa versão com a mais conhecida, dos anos 1970, que inclusive deu origem ao nome de um álbum de Elvis. A versão aqui presente é outra, gravada em meados de 1966. Bem no meio de uma fase bem ruim e pouco inspirada em sua carreira, o produtor Felton Jarvis lutou para trazer maior qualidade técnica para suas gravações. Nada que lembrasse suas trilhas sonoras. Realmente basta ouvir a música para entender bem isso. A canção se apresenta com ótimo arranjo, com um piano melódico sempre presente, ao fundo. Para tornar a música ainda mais bonita Felton escreveu um arranjo vocal feminino (algo que era muito raro nas gravações de Elvis) para soar liricamente em segundo plano. O conjunto é mais do que agradável. Ficou muito bonita realmente. A original "Love Letters" nunca foi um sucesso, mas como a RCA Victor estava sem muitas opções e como a gravação ficou acima da expectativas resolveu-se colocá-la como faixa de abertura do álbum. Um cartão de apresentação com qualidade, acima de tudo.

Whitcraft (Bartholomew - King) - Outra versão que causa certa confusão por aí. Não se trata de uma versão de Elvis Presley para o hit "Witchcraft" de Frank Sinatra. Aquela era uma swing jazz, muito conhecida por sinal, um dos grandes sucessos de Sinatra em sua carreira, sempre presente em suas coletâneas mais populares. Essa é outra canção. Poderia qualificar como um pop nervosinho, com um ótimo solo de sax do mestre Boots Randolph (sem dúvida o melhor destaque da gravação, se sobressaindo ainda mais do que a boa vocalização de Mr. Presley). A faixa é bem curtinha, simples e direta. Não há espaço (e nem tempo) para maiores firulas. Produzida por Steve Sholes ela foi gravada em 1963, numa produtiva sessão com outras 14 canções. Fazia parte da ideia da RCA Victor em lançar um LP convencional de Elvis, sem músicas de filmes, que acabou indo por água abaixo. Desastrosamente as boas músicas gravadas nessa ocasião começaram a ser lançadas como bonus songs de trilhas, as deixando em um limbo injusto. Com o tempo foram praticamente esquecidas. Só muitos anos depois o disco saiu finalmente com o nome de "The Lost Album" (o álbum perdido), já na era do CD.

It Hurts Me (Byers - Daniels) - Outro caso curioso dentro da discografia de Elvis. A música foi originalmente gravada numa rápida sessão em janeiro de 1964, entra as gravações das trilhas sonoras de "Kissin Cousins" e "Roustabout". Sem saber direito o que fazer com a música a RCA Victor resolveu que era melhor arquivá-la por um tempo. Com o lançamento da trilha sonora de "Kissin Cousins" pensou-se em utilizá-la como bonus songs do disco, mas depois se descartou essa ideia. Ela assim foi renegada, sem muita razão ou lógica, como Lado B do single "Kissin' Cousins". Péssima decisão. A canção era muito boa, com arranjos do grande Chet Atkins (que inclusive a produziu) e deveria ter sido melhor trabalhada para fazer bonito nas paradas, batendo inclusive de frente com os singles dos Beatles que no auge da Beatlemania andavam dominando todas as paradas de sucesso pelo mundo afora. Mais um exemplo de que os executivos da gravadora de Elvis definitivamente não sabiam o que fazer com suas gravações.

What'd I Say (Ray Charles) - Gravada em 1964 como parte da trilha sonora de "Viva Las Vegas" a versão de Elvis para o clássico de Ray Charles tem admiradores e detratores na mesma proporção. Particularmente gosto da alegria contagiante que Elvis e sua banda conseguiram colocar na faixa. Certamente é bem mais pop que a gravação de Ray Charles e se distancia bastante de sua característica principal, a de ser uma canção com letra profana em uma base sonora típica de música gospel, mas isso em momento algum soa como um defeito ou um demérito. Pelo contrário, penso que Elvis sabia que a sua versão seria parte de um filme de Hollywood e que teria que ter por essa razão um melhor balanço para dar a devida agilidade na cena. Essa, por seu lado, também ficou muito divertida, animada e bem realizada. O diretor George Sidney sabia como poucos coreografar bem um número musical em seus filmes. Além disso some-se a isso a notável beleza e carisma da atriz Ann-Margret e você certamente terá o pacote completo em mãos. Não é algo para se reclamar, vamos convir.

Please Don't Drag That String Around (Baum / Giant / Kaye) - Em sua fase mais pop Elvis Presley realmente gravou algumas faixas adoráveis. Não estou aqui defendendo essa canção como uma grande obra de arte, nada disso, apenas dizendo que essa é uma daquelas músicas que nos deixam mais leves, felizes, simplesmente por ouvi-la. Tem um excelente balanço e uma melodia que imediatamente cria uma cumplicidade com o ouvinte. Muitos poderiam dizer que é demasiadamente inofensiva e sem pretensão, bom, isso nem sempre é um ponto negativo, muito pelo contrário, dependendo da intenção de cada composição pode ser um grande acerto. Essa é outra gravação proveniente das sessões do "The Lost Album", registrada em maio de 1963. Nessa noite, devidamente inspirado no RCA Studio B, em Nashville, Elvis conseguiu finalizar quatro faixas. Entre um gole e outro de Pepsi (seu refrigerante preferido) ele foi fazendo seu trabalho. As sessões começaram com a boa "Echoes of Love" (que seria usada como bonus songs na trilha sonora de "Kissin Cousins"); depois veio o grande hit da sessão "Devil in Disguise" (lançado como single de grande sucesso) e finalmente "Never Ending" (outra boa faixa que seria jogada no vazio pelos executivos da RCA Victor). "Please Don't Drag That String Around" foi a segunda música a ser gravada nessa noite. Elvis adorou sua intensa alegria e levou apenas seis takes para finaliza-la. Um belo trabalho de vocalização e entrosamento. Pura alegria e diversão.

Indescribably Blue (Darrell Glenn) - Balada lançada em 1967 como single com "Fools Fall in Love" no lado B. Essa música já é de uma fase em que Elvis começava a mudar sua musicalidade. Ele ia aos poucos deixando o tipo de trabalho que vinha fazendo desde 1960, quando retornou aos Estados Unidos depois de ter cumprido o serviço militar na Alemanha, para ir por novos rumos, novos caminhos, novas experiências. Talvez o grande responsável por esse novo tipo de som tenha sido o produtor Felton Jarvis. Depois da saída de Steve Sholes e Chet Atkins da produção dos discos de Elvis, Jarvis se mostrou o homem ideal para trabalhar com o cantor nos estúdios. Paciente, bom ouvinte e com sensibilidade para entender o lado emocional de Presley, Jarvis começou uma excelente parceria com o Rei do Rock. Um exemplo perfeito de sua boa simbiose com Elvis veio justamente de sessões como essa. Ao invés da correria das gravações anteriores, que deixavam Elvis nervoso e estressado, Felton Jarvis propôs mais calma e tranquilidade, trabalhando melhor em cada música. Assim em junho de 1966 lá estava Elvis e Felton juntos, pensando em arranjos para as belas baladas da noite. Nessa ocasião eles ainda gravariam a linda "I'll Remember You" (a versão de estúdio, a mesma música que Elvis consagraria ao vivo no álbum "Aloha From Hawaii") e "If Every Day Was Like Christmas" (a música natalina que viraria sucesso no Vietnã, sendo tocada nas noites de natal passadas fora de casa pelas tropas americanas, nas florestas daquele país tropical em chamas). Para muitas pessoas "Indescribably Blue" pode ser excessivamente triste e melancólica, mas para outros é mais um exemplo do tipo de bela música que Elvis e Jarvis podiam produzir juntos. Um momento memorável sob esse ponto de vista.

(You're The) Devil in Disguise (Otis Blackwell / Winfield Scott) - Um dos últimos grandes sucessos na voz de Elvis escrito por Otis Blackwell. O compositor negro tinha sido responsável por alguns dos maiores sucessos da carreira de Elvis Presley como "All Shook Up", "Don't Be Cruel" e "Fever". Nascido em uma família pobre de Nova Iorque, Blackwell soube como poucos criar hits nas paradas dos anos 1950. Além de brilhar ao lado de Elvis ele ainda escreveria um dos grandes hits da carreira de Jerry Lee Lewis, "Great Balls of Fire". Infelizmente depois de algum tempo ele começou a ter problemas com a RCA Victor e o Coronel Tom Parker. Tudo em razão de problemas financeiros e contratuais. Parker não queria pagar o que ele pedia por novas músicas; em contrapartida Otis aos poucos foi se afastando da carreira de Elvis. Para o Coronel o compositor não deveria entrar em atrito com Elvis, uma vez que havia sido ele que o tinha colocado no mapa da grande indústria fonográfica americana. As afirmações de Parker acabaram mexendo com os brios de Otis que resolveu por volta de 1964 não mais ceder canções a Elvis. A mágoa porém não apagou os grande êxitos comerciais dessa parceria. Assim "(You're The) Devil in Disguise" acabou sendo a despedida da dupla, algo realmente a se lamentar.

Lonely Man (Bennie Benjamin / Sol Marcus) - Música que fez parte das sessões de gravação da trilha sonora de "Wild in the Country". Uma faixa que sempre me recorda dos grandes faroestes do passado. O produtor Urban Thielmann escreveu um arranjo bonito que em minha opinião não envelheceu em nada e nem ficou datado. Essa canção não fez muito sucesso e passou praticamente despercebida até mesmo para os fãs de Elvis na época. Ela só entrou na seleção desse disco porque foi lado B do single "Surrender". Tirando isso não consigo achar uma boa justificativa para a faixa estar aqui. Em minha forma de entender é mais uma prova de como havia um verdadeiro deserto de sucessos na carreira de Presley naqueles tempos complicados. Se formos comparar com a seleção musical do primeiro disco, "Elvis Golden Records" de 1958, vamos perceber a grande diferença entre aquelas faixas (todas grandes sucessos) com as daqui, algumas sem nem razão de ser. Os bons tempos tinham realmente ficado para trás. 

A Mess Of Blues (Doc Pomus / Mort Shuman) - Uma grande canção, gravada nas maravilhosas sessões do retorno de Elvis em Nashville quando ele terminou seu serviço militar na Alemanha em 1960. Foi inicialmente lançada como lado B do single campeão de vendas "It's Now or Never", um dos mais vendidos de sua discografia. O que mais me impressiona nessa fase é que Elvis conseguiu unir grande qualidade técnica com uma diversidade musical poucas vezes superada em sua carreira. É até relativamente fácil compreender isso. A volta de Elvis era ansiosamente aguardada pelo mercado mundial. Durante sua ausência o próprio rock entrou em decadência. Assim ele foi literalmente colocado na posição de salvador do ritmo musical que tanto ajudou a popularizar na década anterior. Elvis porém não estava muito preocupado com isso, para ele o importante mesmo era voltar a fazer grandes discos, gravar excelentes músicas, mesmo que essas fossem de ritmos musicais variados. Definitivamente ele não queria ficar limitado apenas a um nicho do mercado fonográfico. Pelo menos nesse primeiro momento ele realmente atingiu seus objetivos. "A Mess Of Blues", gravada no dia 21 de março de 1961, na mesma noite em que ele também gravou outros clássicos de seu repertório como "Stuck on You", "Fame and Fortune" e "It Feels So Right", era definitivamente uma prova de sua versatilidade e talento. Desfilando por um blues muito bem escrito, Elvis provava que não era apenas o Rei do Rock como todos diziam, mas sim um cantor versátil que poderia se sair bem em praticamente todos os ritmos musicais. Um verdadeiro Rei dos microfones, independentemente do tipo de repertório que lhe era disponibilizado na época.

Ask Me (Domenico Modugno / Florence Kaye / Bill Giant / Bernie Baum) - Como eu já tive oportunidade de falar antes nunca gostei de "Ask Me". Na verdade sempre critiquei o fato da música ter sido título de um single de Elvis Presley bem no auge da Beatlemania. Lançada quase sem promoção com "Ain't That Loving You Baby" no lado B o disquinho não fez muito pela carreira do cantor na época. Na verdade pode ser visto até mesmo como um produto de publicidade de outro disco, o do álbum da trilha sonora de "Roustabout" ("Carrossel de Emoções" no Brasil). Isso é facilmente constatado pela própria capa do single, com uma foto do filme e uma grande chamada promocional onde se lê "Coming Soon! Roustabout LP Album". Tudo o que a RCA Victor e o Coronel fizeram foi mesmo resgatar duas músicas que estavam há bastante tempo arquivadas para lança-las assim mesmo, sem muito esforço, na tentativa de divulgar o disco do filme, esse sim uma aposta verdadeira da gravadora. Curiosamente a trilha sonora vendeu realmente muito bem, chegando ao primeiro posto das paradas e essa repercussão comercial certamente também deu um pequeno impulso no compacto pois os americanos acabaram fazendo uma dobradinha, levando o LP e o compacto que estava à venda nas lojas na mesma ocasião. Já em termos musicais a canção é realmente fraca, uma melodia com arranjo excessivo que nunca parece ir para lugar nenhum.

Ain't That Loving You Baby (Clyde Otis / Ivory Joe Hunter) - Essa música foi gravada em 1958, pouco antes de Elvis ir embora para a Alemanha onde cumpriria seu serviço militar. É interessante notar que enquanto esteve servindo o exército a RCA Victor negou que houvesse gravações deixadas por Elvis antes dele ir para a Europa. Eles informavam aos fãs que Elvis não havia deixado nada para trás e que tudo já havia sido definitivamente lançado como single enquanto ele estava fora. Era mentira. "Ain't That Loving You Baby" ao contrário de outras faixas dessas sessões nunca fora lançada! A razão permanece obscura até hoje. Para muitos especialistas a música foi considerada mal gravada, não finalizada. O produtor Steve Sholes nutria esperanças que Elvis a resgataria quando voltasse, mas isso definitivamente nunca aconteceu. Uma versão mais rápida, com pequenas falhas, é bem superior, mas também foi arquivada e deixada de lado. Seis anos depois de sua gravação finalmente a RCA resolveu lhe dar uma chance. Sem material inédito do cantor resolveu jogar a canção como lado B do single "Ask Me". Não fez sucesso e nem causou muito alvoroço. Aliás é até complicado de justificar sua inclusão nesse disco já que a canção não pode ser considerada um enorme sucesso de sua carreira.

Just Tell Her Jim Said Hello (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Muitos implicam com o arranjo dessa música. Consideram bobinha demais. Discordo. Nem sempre é necessário se revolucionar o mundo da música já que muitas vezes tudo o que você está querendo mesmo é ouvir uma sonoridade bem despretensiosa e agradável. Se esse for seu foco pode ficar tranquilo pois a faixa vai bem mesmo por esse caminho. Além disso vamos convir que a música foi assinada pela melhor dupla de compositores da carreira de Elvis Presley, Jerry Leiber e Mike Stoller. Eles criaram alguns dos maiores sucessos de Elvis, mas sempre tiveram um relacionamento conturbado com o Coronel Parker. A questão da discórdia geralmente envolvia dinheiro, como era de se esperar. Eles queriam mais pelas novas composições pois quando acertavam, Elvis vendia milhões de cópias. O Coronel, por outro lado, queria pagar o mesmo que eles recebiam na década de 50. Assim, com o tempo, já desapontados, eles passaram a enviar material já não tão maravilhoso como antes para Elvis gravar. Essa composição, por exemplo, não foi considerada uma obra prima e nem uma excelente composição pelos críticos da época. Isso de certa maneira irritou Tom Parker e com o tempo a parceria foi sendo desfeita aos poucos. Tudo fruto de uma desavença contratual entre as partes. Uma pena porque no final os grandes perdedores foram realmente Elvis e seus fãs.

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 (1968) - Ficha técnica: Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Grady Martin (guitarra) / Jerry Kennedy (guitarra) / Bob Moore (baixo) / Murrey "Buddy" Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Homer "Boots" Randolph (sax) / David Briggs (piano) / Henry Slaughter (órgão) / Peter Drake (steel guitar) / Rufus Long (sax) / The Imperials (vocais) / The Jordanaires (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / Red West (vocais de apoio) / Produzido por Steve Sholes, Chet Atkins, Felton Jarvis / Local de gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee / Data de Lançamento: janeiro de 1968 / Melhor Posição nas paradas: 33 (EUA).

Pablo Aluísio.

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