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Elvis Presley - Charro

Charro?! Muitas pessoas param e pensam: Por que Elvis fez todos esses filmes ruins? Eu poderia escrever linhas e mais linhas tentando dar mil e uma razões para vocês, mas a verdade é muito simples e básica: Elvis fez esses filmes por causa do dinheiro! Só isso! Ele era um trabalhador que vivia de seu talento e colocava sua força de trabalho à venda no mercado, como todos nós (pelos menos as pessoas honestas, pois os demais podem se candidatar a cargos públicos por exemplo, mas essa é uma outra história!). Enfim é só isso. Se Elvis era um artista ele vendia sua mão de obra a quem pudesse pagar, pagando ele iria fazer o serviço, ruim ou mal, bem feito ou não. Quantas vezes nós não trabalhamos em coisas de que não gostamos? Isso é da vida. Trabalhamos para viver, só isso. Claro que muita coisa ruim foi feita por Elvis em sua carreira do cinema, mas é o capitalismo meus amigos, a indústria cultural nem sempre quer saber de cultura, eles querem mesmo é faturar alto, como toda "indústria", ora. Se isso vale em todos os países, imagine no mais capitalista deles? Não existe almoço grátis no capitalismo e cada um tem se preço, não se enganem. Money, Money, Money....

A existência de Charro nos diz muito sobre o que movia e levava adiante a administração das empresas Presley no final dos anos 60. Em poucas palavras: grana! Por grana o Coronel (e Elvis também, diga-se de passagem) topavam quase tudo. Se o cachê fosse pago, no final da carreira de Elvis em Hollywood, ele topava e ponto final. Vira e mexe Elvis ficava muito perto de ficar sem tostão furado no bolso. Ele era assim. Dinheiro para Elvis era para se gastar e nada mais! A questão era que mais uma vez Elvis estava em sérios apuros financeiros. Nessa época ele ainda não tinha voltado aos shows e toda sua renda provinha dos discos e dos filmes. Não tinha outra opção, ou ele fazia o que lhe era oferecido ou então ele ia para a bancarrota. O problema de dinheiro para Elvis era bem sério, não que ele não tivesse ganho muito dinheiro em Hollywood, pelo contrário, ele ganhou quantias fabulosas com seus filmes, mas já tinha torrado praticamente tudo em caprichos, presentes, remédios e extravagâncias. Na verdade ele estava sem um dólar furado! Elvis nunca teve uma poupança em sua vida, o dinheiro que chegava em suas mãos se evaporava como o ar.

Por essa época por exemplo ele estava praticamente falido por causa de seu rancho Círculo G nos arredores de Memphis. Elvis torrou uma nota preta comprando cavalos, caminhões, tratores, gado e materiais relativos a essa propriedade. Ele já tinha presenteado todos os caras da Máfia de Memphis com todo tipo de coisas: caminhonetes, animais, selas, tudo! O pior de tudo é que ele nunca transformou o rancho que algo produtivo, só havia despesas e nenhum retorno. Era um hobbie dos mais caros e inúteis possíveis. Tudo caro e sem retorno financeiro, dinheiro jogado fora mesmo! Não tinha grana que desse conta, toda quantia se evaporava quando chegava na mão do perdulário astro. Outro problema era seu vício em pílulas. Elvis torrava uma grana preta na compra desses "remédios". Conforme sua dependência ia aumentando Elvis tinha que se virar para suprir seu estoque. Muitas das pílulas eram compradas por receitas legais, tudo nos conformes, receitadas por seus médicos particulares, mas essas eram insuficientes para saciar seu vício. Então muitas vezes ele tinha que comprar elas na base de uma maneira nada sutil, subornando balconistas de uma farmácia do Beverly Hills Hotel por uma grana alta, tudo feito por debaixo do pano. Para quem tomava muitas pílulas diariamente, era uma quantia considerável no final do mês! É triste, mas a verdade é que Elvis tinha se tornado um Drugstore Cowboy...

Então essa era a situação: Astro falido se alia com empresa cinematográfica à beira do abismo. A National General era outra das minúsculas empresas produtoras em Hollywood lutando desesperadamente para sobreviver à concorrência com as grandes da mega do cinema. Que chance ela tinha contra MGM, Warner, Paramount? Praticamente nenhuma a não ser que... encontrasse um ator de nome, mas decadente, que topasse encarar qualquer coisa por um cachê interessante. Primeiro ela entrou em contato com Peter O'Toole. Esse ator já tinha deixado sua época de ouro há tempos, seu grande momento no cinema se deu com Lawrence da Arábia, mas agora ele não passava de uma sombra do que fora. Corroído pelo alcoolismo, O'Toole só aparecia ultimamente na imprensa por causa de suas bebedeiras homéricas, escândalos e vexames em festas e nada mais. A National ofereceu a ele 250 mil dólares para filmar Charro. Ele recusou. Preferia ficar o dia de pileque do que encarar um filme incerto produzido por um estúdio sem grande projeção. Outro que também não quis fazer o filme, nem por 350 mil dólares, foi Richard Burton. Ele era outro famoso bêbado de Hollywood, que também tinha sérios problemas com o copo. Além de bebum, gostava de entrar em brigas nas espeluncas em que enchia a cara e quebrar botecos de quinta categoria nos arredores de Los Angeles. Era uma figura desprezível mesmo, um galês movido a teor alcoólico. Mas como ele tinha Elizabeth Taylor para pagar as suas contas resolveu se preservar e disse não. Até mesmo porque ele não arranjaria tempo para se dedicar ao filme pois quase todos os anos ele se separava de Liz Taylor para voltar a se casar com ela no ano seguinte. Os dois eram estranhos mesmo.

Depois de todas essas recusas tudo parecia perdido mesmo. Foi quando alguém lembrou de Elvis! O outrora Rei do Rock vinha de uma grande sucessão de filmes ruins, seu prestígio em Hollywood andava tão em baixa que por um cachê bom ele toparia fazer Charro. Entraram em contato com o Coronel Parker, pois esse tinha fama de aceitar tudo desde que fosse muito bem remunerado. No começo Tom Parker pediu um milhão de dólares pelo filme. Os produtores da National acharam aquilo um verdadeiro disparate. Ofereceram 450 mil dólares. O Coronel disse não. Depois fizeram um contra proposta de 500 mil dólares. O Coronel deu então o lance final: eles pagariam 500 mil dólares pelo cachê de Elvis e 100 mil dólares de luvas para ele, Tom Parker. O estúdio avisou que precisaria de uma semana para levantar a comissão de Parker. Finalmente o Coronel assinou o contrato. Detalhe importante: o Coronel nem sequer chegou a ler o roteiro, para falar a verdade ele nem sequer sabia do que se tratava. Sabia apenas que era um filme de faroeste e nada mais. Nem quis saber se a empresa tinha infra estrutura para fazer um filme digno. Tudo o que ele sabia era que iria levar sua nada pequena comissão de 100 mil pratas e Elvis seu cachê de 500 mil (descontado é claro mais 30% dos serviços de Tom Parker).

Fazendo uma conta rápida o Coronel levou 100 mil dólares pagos pela National + 150 mil verdinhas diretamente do cachê de Elvis, faturando algo em torno de 250 mil dólares, mais da metade do que Elvis ganharia para estrelar tamanha porcaria (e sofrer as humilhações das críticas sozinho depois). Viram o método do velhote? Quem se importaria com roteiro ou qualidade diante de uma grana fácil como essa? Depois de embolsar a grana, Elvis que se viraria para fazer o abacaxi! Como ele estava endividado até o pescoço topou correndo a produção do filme, cujo orçamento foi tão precário que chegaram a utilizar cenários baratos de programas de TV nas cenas. Logo no comecinho do filme tem um tiroteio dentro de uma saloon simplesmente hilário de tão malfeito (as janelas são claramente de papel luminoso, um horror trash!). E assim foi feito. Mesmo depois do NBC, mesmo depois de todo seu tão propagado renascimento artístico, Elvis passou por esse novo vexame! Só depois de 1969, quando ele voltou aos palcos e ganhou essa nova fonte de renda com seus shows ao vivo foi que ele finalmente pode deixar Hollywood para sempre! (graças a Deus!). Então para resumir tudo o que escrevi: O Coronel Parker, que era um homem "sem lei e sem alma" obrigou "por um punhado de dólares" Elvis a fazer esse filme pois ele estava sem "um dólar furado"... Esse Coronel era mesmo uma "raposa cinzenta"....

Erick Steve.

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