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Entrevista com Elvis Presley, Las Vegas, 1969

Após sua estreia em Las Vegas no ano de 1969, Elvis concedeu uma rara entrevista. Ao longo de sua carreira Elvis realizou poucas e curtas entrevistas, e quando ele o fazia, as questões não eram bem elaboradas ou então eram superficiais. Diante de tais perguntas pouca coisa nos era revelada e não tínhamos como conhecer o homem por trás da lenda. Nesse rara entrevista, a primeira em nove anos, Elvis estava determinado a falar sobre sua carreira, sua vida e sobre si próprio. Elvis tocou em vários assuntos e não se furtou de responder sobre tudo: sua volta aos palcos, sua carreira em Hollywood e o sucesso de seu especial para a TV. Mais maduro e adulto Elvis comentou seu retorno aos shows e performances ao vivo. Também se divertiu ao se lembrar de seus filmes em Hollywood nos anos 60. Calmamente e um tanto relaxado, vestindo uma camisa preta, bronzeado e com aparência saudável e jovial, Elvis foi atencioso e procurou responder a todos com sinceridade e muito bom humor. "Como eu entrei nesse negócio. a maneira como comecei minha carreira e como seguirei adiante.. tudo já foi escrito, em muitas ocasiões diferentes, porém as pessoas ainda não conhecem a verdadeira história", filosofou o cantor logo no começo do bate papo com os jornalistas. Elvis se mostra à primeira vista como uma pessoa cortês e educada, um jeito de ser obviamente fruto de sua origem de garoto nascido e criado em um dos mais pobres Estados da América.

A típica educação sulista não aparece apenas em seu forte sotaque interiorano, mas também em cada gesto capturado pelos mais atentos. "Quando eu ainda era muito jovem sempre pensava comigo mesmo: 'quero ser um herói de histórias em quadrinhos e filmes'. Eu cresci acreditando nesse sonho..." São essas as primeiras declarações de Elvis durante a entrevista, puxando pela memória como se sentia em seus anos iniciais. "Então eu me formei na escola e tinha que tomar um rumo em minha vida. Comecei dirigindo caminhão, era um emprego simples, mas não me importei muito porque eu sempre soube que era apenas um garoto pobre de Memphis". Eram tempos difíceis para a família Presley. "Então eu dividia meu tempo entre o trabalho de motorista de caminhão e os estudos, pois queria terminar um curso de eletricista". Depois Elvis pára e ri ao afirmar: "Nesse ponto da minha vida eu cheguei a conclusão que em algum lugar no meio do caminho eu tinha tomado a direção errada!" Mesmo ao falar de temas complicados como falta de perspectiva, dificuldades econômicas e de um futuro incerto em sua adolescência, pobreza e tempos duros Elvis consegue manter o sorriso e o bom humor!

Ele se ajeita na cadeira e continua sua viagem ao passado, encontrando aquele garoto dos anos 50 andando do lado de fora dos estúdios Sun em Memphis, tentando decidir se um dia entraria ali ou se ficaria apenas na calçada namorando a ideia de ser um cantor. "Um dia eu resolvi entrar naquele estúdio de gravação e fazer um disco para um cara chamado Sam Phillips na Sun Records. Eu fiz meu disco e ele anotou meu nome. Depois disso nada aconteceu. Eu voltei para o caminhão e cheguei a conclusão que Sam havia esquecido da minha gravação. Até que voltei lá depois e resolvemos gravar outras músicas. O single foi então lançado e se tornou realmente um grande sucesso! Tudo foi meio ao acaso mesmo. Os caras da banda começaram a tocar e eu procurei segui-los e no final aquilo ficou grande, ótimo! Sabem por quê? Eu também não sei (risos) Eu nem sabia as letras direito, eu era apenas um garoto que procurava não errar durante as gravações, não fazer feio". Elvis comenta ironicamente que ao ouvir as músicas ficou realmente impressionado com sua voz no disco. "De qualquer forma ele lançaram o compacto e ele se tornou um grande sucesso no sul. Eu não quis arriscar e continuei em meu emprego, mesmo depois do lançamento do disco. De dia trabalhava dirigindo caminhão e à noite me apresentava em night clubs nos arredores de Memphis....e em lugares no mesmo estilo daqueles". Uma vez passado a fase de relembrar seu passado distante, Elvis falou sobre sonhos, medos o futuro e sua nova fase. Leiam abaixo os principais trechos da entrevista:

Imprensa: Elvis, por que você ficou tanto tempo longe dos palcos?

Elvis: Bem... estava preso a contratos cinematográficos. Tínhamos de cumprir nossos compromissos, nossas obrigações. Era bem chato passar o dia cantando para câmeras de cinema!

Imprensa: Pretende retomar seus shows agora ou será apenas poucas apresentações? Será que teremos que esperar mais nove anos por novos concertos?

Elvis: Não. Espero que novas apresentações aconteçam. Gostaria de viajar pelo mundo mostrando meu show. Isso inclui a Inglaterra. Decidimos por Las Vegas porque aqui convergem pessoas do mundo inteiro.

Imprensa: Cansou de seus personagens em Hollywood?

Elvis: Sim, espero mudar daqui pra frente.

Imprensa: Você achou errado gravar tantas trilhas sonoras?

Elvis: Certamente sim. Quando se apresenta muitas canções em um só filme nem todas podem ser boas. Cansei de cantar à toa.

Imprensa: Que tipo de papel você gostaria de representar?

Elvis: Um que tenha significado, que seja relevante, com conteúdo. Não dá mais para fazer o mesmo papel, do cara que entra numa briga e minutos depois está cantando para essa mesma pessoa em que ele bateu...(risos)

Imprensa: Qual é a sua impressão agora que voltou aos palcos?

Elvis: Vou confessar que fiquei um pouco tenso até cantar "Love Me Tender". Estou muito bem acompanhado no palco com um grupo vocal feminino negro pois elas me ajudam a sentir a música no fundo da alma. Irei usar roupas mais confortáveis daqui em diante, pois aquela jaqueta de couro negra do especial de TV era muito quente. Prefiro ficar mais confortável, mais refrigerado. Essa roupa não esquenta mesmo sob fortes holofotes.

Imprensa: Está tentando mudar sua imagem com temas tipo "In The Guetto

Elvis: "Não. 'Guetto' é uma grande música e simplesmente não poderia dispensá-la após tê-la escutado".

Após mais algumas perguntas o empresário de Elvis, Tom Parker, encerrou a coletiva e informou que o cantor tinha que se retirar para cumprir outros compromissos. Elvis se levantou para ir embora mas não deixou de ser atencioso nem por um minuto durante sua saída, mesmo no momento em que teve que encerrar a entrevista. Carinhosamente ainda assinou alguns autógrafos para jornalistas, que a despeito de estarem ali a trabalho não perderam a chance de tietar um pouquinho o grande astro, tão próximo a eles ali. Elvis também atendeu alguns pedidos para tirar fotos e conversou informalmente com algumas pessoas na saquão do hotel que foi especialmente adaptado para ele atender a imprensa. Mas a proximidade não durou muito. E lá se foi, por detrás das luxuosas e grossas cortinas do International Hotel o famoso Rei do Rock.

11 comentários:

  1. Oi Pablo tudo bem??

    Sou eu novamente, adoro acompanhar os posts do seu blog. =)

    Como sempre tenho outra dúvida, rsrs.
    Quero vê se você consegue me responder e tirar a duvida.
    Me confirma então uma coisa por favor?

    Elvis não chegou a fazer shows nos 50 estados dos estados Unidos né?
    Pelas minhas contas, Alaska, Idaho, Washington (estado), Montana e Nova Jersey ficaram de fora.
    Então ao todo ele fez shows em mais ou menos 45 estados.
    Uma pena que a turnê da Europa nunca deu certo!!

    Fico triste toda vez que lembro disso.

    Mas, então, adorei essa entrevista que você postou, Elvis sempre era ótimo nas coletivas!
    *.*

    =)

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  2. Elvis realmente nunca se apresentou no Alaska, até porque esse Estado é separado geograficamente dos Estados Unidos. No Estado de Washington Elvis se apresentou em Seattle no ano de 1973. Nos demais você está correta. Além deles Elvis também nunca se apresentou em Delaware, New Hampshire, Dakota do Norte, Vermont, e Wyoming.

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  3. Verdade! Tinha esquecido de Seattle. =) Eu já tinha visto sobre esse show mas tinha esquecido. rsrs.

    Muito obrigada pela informação. ;)
    Nossa! fiquei impressionada dele não ter se apresentado na Dakota do Norte! Não sabia tb, porque ele se apresentou na Dakota do Sul né? e na Carolina do Sul, ele tb fez show??

    Quanto ao Alaska, eu não sei se é porque é frio demais ou porque ele nunca achou que fosse relevante. Na verdade ele não, o Coronel ¬¬.
    Até porque Hawaii é bem mais longe que o Alaska.

    Outro fato que eu nunca engoli é o porque de um astro como Elvis fazer tanto shows em cidades tão pequenas de interior??
    O que aquele velho tinha na cabeça? será que as grandes metropoles não davam tanto dinheiro quanto as cidades do interior??

    Ou será que as grandes casas de shows, arenas das metropoles, não faziam questão de levar um show do Elvis??
    Sério, tem umas cidades que ele fez show que eu nunca sequer tinha ouvido falar que existia!
    Por que ele se sujeitava a isso?
    Será que o cachê era tão bom assim, do que se fosse em cidades como: Nova York, Los Angeles, Chicago??
    Aliás , outra coisa que eu nunca engoli pra variar, foi o fato de que depois dele ter quebrado todos os records nos shows da Madison Square Garden, ele nunca mais voltou a se apresentar em NY City.

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  4. O Coronel Parker tinha uma mentalidade muito atrasada. Acho que você já deve ter conhecido alguém assim em sua vida, são pessoas que preferem não se arriscar muito, ficando paradas no tempo, muitas vezes se limitando ao básico, porém seguro. Não saem de sua zona de conforto. A zona de conforto para o Coronel era Las Vegas e cidadezinhas do interior onde ele acreditava que não haveria perigo de um show de Elvis fracassar ou então dele ser criticado. É impressionante, mas o Coronel tinha receios de Elvis Presley, naquela altura de sua vida, não conseguir lotar um show! Não disse que ele era atrasado? Pois é. Em relação aos shows, bom, o público mais fiel de Elvis se localizava no sul dos Estados Unidos. Assim ele sempre retornava para concertos nesses Estados sulistas. Ali era o lugar onde ele sempre era ovacionado, mesmo sob condições adversas muitas vezes. Era o seu público mais fiel, por isso sempre havia apresentações por ali, perto de Memphis, Atlanta, etc. E por causa da mentalidade super atrasada de Parker, Elvis ia apenas esporadicamente em grandes centros, como Nova Iorque. Dentro da mente do Coronel a coisa funcionava da seguinte forma: Levar Elvis para longe das grandes cidades para quando ele retornar a elas haver uma espécie de evento cultural, com todos os jornais e imprensa cobrindo, afinal de contas Elvis ia tão pouco nesses lugares que quando ia virava notícia.

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  5. Pablo:

    O paradoxo é que apesar de tacanho o Coronel foi o grande responsável pelo sucesso mundial do Elvis. Haja visto tantos outros muito talentosos que passaram pela Sun Records e nunca explodiram como o Elvis. O Coronel acertava até errando; vide a carreira no cinema e Las Vegas, que para muitos eram grandes erros, mas levaram o Elvis ao ápice da fama. Até o Brian Epstein, empresário de ninguém menos que os Beatles, reconhecia o gênio do Coronel. Esse nosso mundo é muito estranho.

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  6. Hoje eu vejo que Tom Parker foi importante apenas no começo da carreira de Elvis. Depois ele ficou obsoleto. Usando uma analogia com o futebol, Parker seria como um técnico que consegue levar um time para a primeira divisão, mas que uma vez lá certamente não conseguirá vencer o campeonato. Elvis foi grande, mas teria sido imensamente maior se tivesse um bom empresário ao longo de sua carreira.

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  7. Oi Pablo, tudo bem??
    Então, VC acha que os Beatles são maiores ou mais famosos que o Elvis?
    Eu percebo que no Brasil os Beatles têm mais fãs que Elvis, principalmente entre jovens de 14 a 30 anos. E muito comum VC vê gente dessa idade usando camisa dos Beatles por exemplo ( embora na realidade a maioria não conhece uma música dos beatles e usam só por moda). Mas o que eu quero dizer e que eu acredito que não tem como o Elvis ser mais famoso do que ele já e. Ele e o maior artista, pelo menos destes dois últimos seculos, pq se VC diz o nome Elvis, ninguém fica perguntando Elvis o que? Todo mundo sabe que e o Elvis. Isso aqui, fo outro lado do mundo, no Catar por exemplo, em qualquer parte desse mundo.
    Agora, o que eu acredito e que com um empresário de verdade ele teria feito a turnê dele pelos 4 cantos do mundo, teria se renovsfo como artista dem ficar naquela mesmice dos últimos anos, pra não ser chamado de decadente como ele foi . Na verdade ele TB tem alguma culpa pq ele nunca deveria ter se afastado do Rock definitivamente, apesar de que amo o Elvis country, mas o Rock deveria ser a base dele sempre.

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  8. Em termos de Brasil a imprensa sempre foi mais direcionado em prol dos Beatles. Há uma questão ideológica por trás disso, por mais incrível que isso possa parecer. Elvis era associado a imagem de um americano de direita, enquanto os Beatles eram vistos como heróis da classe trabalhadora de esquerda. Como o Lennon foi por muitos anos admirado pela geração hippie a tendência se consolidou em aclamar os Beatles e tratar Elvis como aquele caipirão americano reacionário. Em termos comerciais os Beatles e Elvis se equivalem em números. Já do ponto de vista da fama nos dias atuais realmente os Beatles possuem uma pequena margem de vantagem sobre Elvis.

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  9. Obrigada por sua atenção em sempre me responder Pablo. :)
    Então, eu acho que isso e só no Brasil mesmo, até porque na época do Elvis o Brasil estava na ditadura ne e acho que aquela imagem dele de rebelde do inicio da carreira misturado com aqueles movimentos que ele fazia, fizeram com que ele meio que fosse censurado. Bom não
    vivi nesse tempo, não posso ter certeza sobre isso. Mas VC fala sobre fama atual aqui no Brasil ne??
    Tipo não sei como e a fama dos Beatles em lugares como Arabia por exemplo, como não sou fã deles então eu não sei, mas acho que não se iguala a fama do Elvis.

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  10. Em países do Oriente Médio não existe cultura ocidental. Pelo islã é proibido ouvir Elvis e Beatles, por exemplo. No resto do mundo há uma equivalência entre ambos, com pequena vantagem dos Beatles. O que aconteceu no Brasil foi que, como sempre, a imprensa sempre foi muito ideológica. Para os jornalistas da época Elvis - já em sua fase de Hollywood e depois em Las Vegas - era visto como um artista tipicamente americano e isso para os esquerdistas não era bom. Sabe-se lá porque decidiram associar os Beatles a uma linha mais liberal, inclusive anárquica (graças em parte ao John Lennon e seus protestos pela paz) e assim o grupo inglês sempre teve muito espaço dentro da mídia.

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  11. Entendi! :)
    Agora mudando totalmente de assunto, Pablo foi VC quem escreveu um post falando sobre a Joyce Bova?
    Se foi, VC pode me mandar o link por favor?
    E verdade que ela engravidou do Elvis?!

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