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Dissecando Mr Presley em 1969

Dissecando Mr Presley em 1969
Por Erick Steve 

Visual: Elvis abandona de forma definitiva o laquê que o caracterizou tanto em Hollywood e usa seu cabelo ao natural, novamente bem pintado de preto. Suas primeiras roupas no palco no International Hotel também trazem tonalidades escuras, com acessórios vermelhos. Visualmente Elvis ainda não se achou, coisa que só iria se consolidar nos anos seguintes com a chegada das jumpsuits brancas que seriam sua marca registrada para sempre. Elvis no final das contas cede às pressões da moda da época e adota o cabelo liso e longo (alguém aí lembrou dos Beatles?)

Voz: Elvis está em uma fase particularmente inspirada em suas interpretações, trazendo ainda ecos de suas sessões no American Studios no começo do ano. Apesar das ótimas faixas de estúdio ainda prefiro suas performances ao vivo, aonde demonstra vitalidade e força de vontade, principalmente no disco Elvis In Person (que é apenas um dos Lps do From Elvis to Vegas lançado em separado). Seu estilo no American inclusive não mais se repetiu nos discos seguintes.

Banda: Perfeita. Porém um fato chama logo a atenção: eles se saem melhor em músicas mais agitadas e viris. Nas românticas, principalmente ao vivo, nota-se certa preguiça e falta de entrosamento (vide Are You Lonesome Tonight e In The Guetto do Lp In Person). Claro que estou me referindo à TCB Band. Já os músicos do American eram melhores em estúdio, como bem demonstra os LPs de Elvis gravados ao lado deles.

Melhor show de 1969: 24 de agosto. Elvis está bastante animado e afinado. Altamente profissional e bem longe de algumas apresentações em que ele visivelmente ficaria entediado nos anos que viriam. O show de estréia não me agrada muito, pois Elvis transparece nervosismo e demora a se encontrar no palco. Compreensível já que ele estava quase dez anos sem se apresentar ao vivo – sua última apresentação tinha acontecido no Hawaii em 1961.

Vida pessoal: Quando Elvis foi para Las Vegas ele não se fez de tímido. Só existem dois tipos de pessoas que moram em Las Vegas mesmo: artistas frustrados e garotas de programa (as famosas escorts girls de Vegas). Elvis não demorou muito para se sentir totalmente à vontade na presença dessas "damas" e "tietes". Uma diferente a cada noite, senão enjoa. Priscilla? Coitada só ia nas estreias e nos shows de encerramento. Nesse meio tempo Elvis aprontava e ela ficava em Memphis cuidando da casa (machismo perde hein?). Infelizmente é isso mesmo, A Priscilla começa a virar alce, de tanto chifre que começa a levar.

Bolinhas: Ora, se Elvis já estava bem dependente em casa, imagine na loucura de Vegas. Pressionado e com a adrenalina a mil por causa dos shows e sua volta, Elvis se esbalta nos coquetéis químicos. O consumo aumenta, mas tudo é cirurgicamente abafado para não gerar escândalos na imprensa. Porém, nessa época, as drogas ainda não começam a prejudicar seus shows e poucos percebem que Elvis está de cuca alta na maioria dos concertos. Ele surge nos palcos esbelto, bronzeado e com ótimo visual. Ninguém imagina um junkie em sua presença. Só a partir de 1972 é que as pessoas iriam finalmente perceber que ele tinha algum problema escondido em sua vida pessoal. Ele começou a apresentar uma aparência ruim, visivelmente drogado.

Melhor single: Suspicious Minds – Pelo sucesso e pelo valor artístico. Nota 10.

Pior single: Complicado escolher, pois Elvis só lançou material relevante. Na dúvida fico com His Hand In Mine, por ser apenas reprise. Mas isso não quer dizer que a música é ruim, na verdade é excelente, só que é velha.

Melhor música: In The Guetto – por seu valor social e político.

Pior Música: Charro – que porcaria é essa?! Fantasma do passado negro de Elvis no cinema!

Melhor disco: Sem dúvida, From Memphis to Vegas / From Vegas To Memphis, principalmente por causa da parte "Elvis in Person" do disco.

Pior disco: Não tem. Elvis só lançou dois LPs de ótima qualidade. Como não saiu nenhuma trilha sonora, não temos como dar o troféu Abacaxi do Ano.

Saldo final: Altamente positivo. Elvis recomeçava a andar, depois de ficar uma década estagnado e morto artisticamente em Hollywood.

2 comentários:

  1. Escrevi esse texto no tempo da Guaraná de rolha. Ver ele aqui em primeiro lugar entre os mais acessados do blog do meu amigo Pablo é realmente um orgulho e tanto. O que tem qualidade nunca fica velho.

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