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Elvis Presley - From Elvis in Memphis - Parte 4

True Love Travells On A Gravel Road (Frazier / Owens) - Essa canção foi sugerida a Elvis Presley pelo produtor Felton Jarvis. Vejo isso como uma prévia do que iria acontecer na parceria entre ambos durante a década seguinte. Elvis como cantor, Jarvis como seu braço direito nos estúdios, seu produtor fixo. Geralmente músicas de claro sabor country, que não tinham feito muito sucesso com seus autores originais, eram revitalizadas por Elvis em seus vários álbuns na década que viria. Isso até se tornaria padrão nas escolhas de repertórios de seus futuros discos. É justamente o que temos aqui. A versão original havia sido lançada no ano anterior, porém não conseguiu se sobressair nas paradas - nem mesmo naquelas especializadas em country music. Jarvis, que tinha claros interesses comerciais na música, a tocou para Elvis no American. "Veja que bela canção Elvis!". Os olhos do cantor brilharam na primeira audição (ele ainda não conhecida a versão de Duanne Dee) e assim em questão de segundos ele decidiu que aquela era uma boa música e que iria gravá-la. Quem produziu a faixa inteiramente foi Felton Jarvis já que o produtor principal da sessão, Chips Moman, não se encontrava no estúdio naquele momento. Na verdade Elvis gostou muito mais de trabalhar ao lado de Felton Jarvis do que de Moman, que tinha um jeito mais incisivo de impor sua opinião, algo que não era de inteiro agrado de Elvis. Havia limites que, na visão de Elvis, Chips havia ultrapassado várias vezes durante os trabalhos no American. Jarvis, por outro lado, parecia ser mais camarada, amigo e próximo, e isso fez com que Elvis nas sessões seguintes sempre pedisse a RCA Victor para que Jarvis voltasse como seu produtor principal. Ficariam juntos até a morte do cantor em 1977.

Any Day Now (Hillard / Bacharad) - Todos sabiam que Elvis tinha uma grande admiração por Chuck Jackson, cantor negro nascido na Carolina do Sul, astro do selo Motown Records. Em 1962 ele emplacou esse sucesso em um single de grande sucesso. Naquela época Elvis até tentou gravar essa faixa para fazer parte de algum single pela RCA porém por motivos contratuais relativos à direitos autorais isso jamais aconteceu. Também não era o momento adequado. Elvis estava afundado em contratos de cinema e muito provavelmente nem encontraria espaço para lançar adequadamente a canção. Quando em 1969 voltou aos estúdios e recebeu carta branca da RCA ele nem pensou duas vezes. Aquele era o momento para gravar finalmente a música. Naquela altura a canção já tinha inclusive ganhado mais duas outras novas versões, lançadas por Burt Bacharach e Percy Sladge. O que mais chama a atenção na gravação de Elvis é que ele e Chips Moman procuraram dar a ela aquela sonoridade tão característica da Motown, com ricos arranjos de metais. Quando chegou a hora de gravar Chips posicionou os microfones mais distantes de Elvis do que o habitual. Era uma forma de criar uma sonoridade característica, como se Elvis estivesse cantando do fundo de um poço. Ecos da Sun Records. Uma maneira de homenagear aquele passado glorioso do cantor, afinal de contas eles estavam ali, na mesma cidade, Memphis, tentando recriar pelo menos em parte toda aquela magia inicial da carreira de Elvis.

In The Guetto (Mac Davis) - No final da década de 1960 a chamada música de protesto estava em alta. Havia os hippies, os movimentos sociais, a luta pelos direitos civis e toda uma sociedade em ebulição. Esse clima de tensão racial, sexual e social acabou passando para a arte, como era de se prever. Assim Mac Davis escreveu essa música que tem quase uma linguagem cinematográfica. O foco vai para a dura vida dos negros nas grandes cidades americanas, vivendo em bairros e guetos pobres, longe de tudo, mas principalmente da riqueza dos brancos. Além disso havia o sempre presente preconceito racial, as atitudes de discriminação que sofriam e a exclusão social que sentiam na pele. Elvis, que em toda a sua carreira, nunca foi de cantar canções políticas ou de protesto, surpreendeu muita gente com essa faixa. Conforme ele próprio explicou numa entrevista, sua intenção não era virar um artista ativista, muito longe disso. Em sua maneira de ver a situação aquela era simplesmente uma ótima música que ele não poderia ignorar. A sua letra mais social era apenas um detalhe. Lançada como single era o tipo de gravação de que Elvis precisava para ganhar a simpatia de toda uma nova geração de radialistas, muitos deles alinhados com o novo tipo de pensamento e mentalidade que se espalhavam por toda a sociedade. Profissionais que surgiram tocando Beatles e Bob Dylan e que na maioria das vezes simplesmente ignoravam os lançamentos de Elvis, principalmente em sua fase Hollywoodiana dos anos 60. Agora o veterano Elvis parecia ter algo mais substancial para apresentar. Não é por outro motivo que a música acabou virando sucesso, também nessas rádios de universidades, comunidades, centros sociais, etc. Finalmente Elvis parecia ter algo importante para cantar após anos apresentando material de baixa qualidade. O sucesso foi então apenas um efeito natural da boa receptividade da faixa como um todo.

Elvis Presley - From Elvis in Memphis (1969): Elvis Presley (voz, piano e violão) / Reggie Young (guitarra) / Tommy Cogbill (baixo) / Mike Leech (baixo) / Gene Chrisman (bateria) / Bobby Wood (piano) / Ronnie Milsap (piano) / Bobby Emons (orgão) / John Hughey (steel guitar) / Ed Kollis (harmônica) / Sonja Montgomery, Mary Green, Mary Holladay, Donna Thatcher, Susan Pilikington & Sandy Bolsey (vocais) / Charlie Hodge (vocais) / The Memphis Horns (metais) / The Memphis Strings (cordas) / Orquestra Sinfônica Municipal de Memphis / Produzido por Felton Jarvis, Chips Moman e Elvis Presley / Data de gravação: 13 a 22 de janeiro e 17 a 22 de fevereiro de 1969 / Gravado no American Studios, Memphis / Data de lançamento: Novembro de 1969 / Melhor posição nas charts: #13 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

7 comentários:

  1. Avaliação:
    True Love Travells On A Gravel Road ★★★★
    Any Day Now ★★★★
    In The Guetto ★★★★

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Gênio e Burro: esse paradoxo acompanhou o Elvis por toda a sua carreira. Já ouvi muitos dizerem que o Elvis não passava de um caipira com um talento, beleza e carisma impar e por isso fez sucesso, mas intelectualmente era um zero. É difícil discordar disso quando vemos o que ele deixou o Coronel fazer com s sua vida. Mesmo seus personagens no cinema são bobo-alegres, excetuando um ou dois.
    Por isso eu acredito na sinceridade dele quando diz que somente achou In The Guetto bonita, pois ele realmente não tinha profundidade para levantar uma bandeira daquela. O Elvis era um maravilhoso simplório.

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  3. Intelectualmente Elvis estava na média das pessoas de sua cidade e origem. De certa maneira ele tinha um certo ressentimento pessoal de nunca ter ido para a universidade. Há um trecho no livro de Priscilla, quando ela se forma no ginasial (ensino médio) em que Elvis lhe diz que um diploma não era tão importante, mas sim as experiências da vida. Outro fato que sempre me chamou a atenção é que apesar de tudo Elvis era um leitor contumaz de livros por décadas. Pena que em muitas situações ele tenha dirigido esse hábito para apenas um tipo de literatura, geralmente religiosa ou esotérica.

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  4. Só completando: eu percebi que após Priscilla conquistar seu ensino médio houve por parte de Elvis um certo receio dela ir para a universidade, pois assim haveria um claro desnível entre eles. Por isso Elvis lhe disse que um diploma não era tão importante, etc e tal. Anos depois a própria Priscilla se lamentaria por não ter cursado um ensino superior, ainda mais depois que se separou de Elvis e tentou arranjar um trabalho no mercado. Sem qualificações ela não viu outra alternativa a não ser abrir uma pequena loja de roupas em Los Angeles.

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  5. Complementando, o Elvis também era um ávido leitor de livros médicos para poder se entupir de pílulas.
    Realmente não se tratava de cursar ou não a universidade, mas de profundidade de pensamento; o americano médio em geral é meio tonto.

    O caso Priscila mostra uma inteligência significativa, pois, mesmo sem universidade a Priscila, com inteligência e uma força pessoal extraordinária, salvou o espólio do Elvis da degradação e dos ladrões.

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  6. Apenas como exemplo, o Caetano Veloso e o Gilberto Gil também não tem formação acadêmica mas tem um estofo intelectual evidente. Pena que são pernósticos até a medula.

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