Elvis Presley - Johnny B. Goode

Outra canção a surgir pela primeira vez na discografia oficial de Elvis nesse álbum foi "Johnny B. Goode", o clássico rock de Chuck Berry. A música foi originalmente lançada em 1958 na gravadora Chess de Chicago. Durante anos a RCA Victor sugeriu a Elvis que gravasse sua versão em estúdio já que esse sempre foi considerado um dos mais celebrados rocks da história, mas Elvis sempre declinava do convite. Para muitos o fato de Elvis nunca ter gravado a música em estúdio nos anos 60 se deveu ao fato dela ser uma verdadeira marca registrada de Chuck Berry, extremamente conhecida e identificada com esse artista. Faz sentido. Se formos analisar bem a carreira de Elvis perceberemos que, com algumas exceções, o cantor preferia gravar canções menos conhecidas, que não fosse hits absolutos de outros cantores. Para isso basta olhar bem o exemplo de Chuck Berry. Ao invés de gravar "Johnny B. Goode" em estúdio Elvis preferiu fazer versões de músicas menos conhecidas dele, como por exemplo, "Memphis Tennessee". Por isso, embora seja um marco da primeira geração de roqueiros americanos, Elvis nunca a tenha gravado oficialmente em estúdio.

Já uma versão ao vivo era outra história. Em concertos Elvis se sentia mais livre e solto de amarras. A versão que ouvimos aqui, gravada na primeira temporada em Las Vegas, tem todo o vigor e energia necessários para transformá-la naquela que talvez seja a melhor performance de Elvis da canção. É verdade que outras versões seriam lançadas em discos oficiais, com destaque para a do álbum duplo "Aloha From Hawaii", mas aquela, embora fosse boa, já não tinha mais o pique de antes. Aqui no "In Person" havia aquela vontade de dar certo, de se apresentar bem, isso depois de anos afastado dos palcos. Elvis nessa primeira temporada queria provar a todos que ainda era um grande artista de palco, acima de tudo. Esse foi o diferencial. O destaque em termos de banda, não poderia ser dado a outro músico, pois quem realmente arrasa nessa execução é o guitarrista James Burton. Vindo do grupo de Ricky Nelson, Burton acabou virando um dos principais elementos da TCB Band. Sua atuação aqui foi certamente irrepreensível.

Johnny B. Goode (Chuck Berry) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 24 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

5 comentários:

  1. Avaliação:
    Produção: ★★★
    Arranjos: ★★★★
    Letras: ★★★
    Direção de Arte: ★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.2

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. A versão do Chuck Barry para Johnny B. Goode não chega nem perto que qualquer uma versão do Elvis. O Elvis envenenou essa música acelerado o ritmo e dando pegada no canto dando-lhe o máximo de vigor, já que na vozinha do Chuck Barry não tem o brilho que o Elvis imprime.

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  3. A primeira versão, do single da Chess, realmente é bem diferente. Ao longo dos anos porém o próprio Chuck Berry foi aumentando a velocidade da canção. Na verdade Elvis já pegou o embalo, que foi feito originalmente pelo próprio Berry.

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  4. Eu acho que o Elvis melhora essa música não em detrimento do artista Chuck Barry, que é maravilhoso, mas porque, se compararmos, até a paródia que o Marty McFly faz de Johnny B. Goode em De Volta Para o Futuro I, tem uma interpretação mais vibrante em comparação a original. Eu percebi isso quando a dias assisti ao filme e, por curiosidade, fui ver no You Tube e tive essa sensação. Se o Marty McFly consegue me passar esse sentimento e como sabemos que o Elvis é o ELVIS...

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  5. Sempre há um choque quando se vai ouvir as versões originais de músicas que depois foram gravadas por Elvis. Em muitos casos a diferença é muito substancial. Eu particularmente não gosto muito da versão do single da Chess em 1958. A única coisa que se mantém é o riff e o solos de guitarra pois nesse aspecto Chuck Berry era realmente um gênio.

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