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Elvis Presley - Girls, Girls, Girls

O filme em si é um dos muitos que Elvis rodou na década de 1960. Em termos amplos é um genérico de "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano) lançado um ano antes. Também filmado no Havaí, não havia nada de muito especial nele. Aliás a equipe técnica, diretor, roteirista, estúdio, tudo era o mesmo do filme anterior. Se cinematograficamente não havia qualquer novidade em termos musicais até que tínhamos algumas coisas interessantes. A sonoridade já não era mais tão "havaiana" como na trilha sonora anterior. De certa maneira havia até mesmo um estilo mais caribenho envolvido. Isso acabou sendo bem positivo pois deu um sabor especial e único às músicas do filme.

A música título do filme é um exemplo. Ela se diferencia de todas as outras faixas do disco, principalmente por ser uma ótima versão de Elvis para o sucesso dos Drifters. Além da boa melodia essa canção se notabiliza principalmente pelo solo do saxofonista Homer "Boots" Randolph, um músico fantástico, excepcionalmente talentoso. Poucas vezes em músicas de Elvis se abriu tamanho espaço para um solo como ouvimos aqui. Enfim, seguramente se trata de uma das melhores músicas temas de filmes de Elvis na primeira metade dos anos 60. A seguinte "I Don't Wanna Be Tied" também é muito agradável. Bom ritmo, excelente vocalização dos Jordanaires e o mais importante de tudo: seu embalo, acima de qualquer crítica. O final mais lembra um blues rasgado, o que ajuda ainda mais em seu aspecto geral.

Após abrir o álbum com duas músicas alegres e divertidas, bem para cima, temos uma quebra de ritmo com a romântica (e depressivamente melancólica) "Where Do You Come From?". É curioso. Por essa época Elvis sempre estava interpretando as músicas de amor com uma ternura que ele jamais voltaria a repetir na carreira, mas aqui adota um ritmo mais forte, quase incisivo (embora procure obviamente soar romântico acima de tudo). O estilo se repete com "I Don't Want To" que tem uma melodia bem mais bonita do que a que a precede. O grande destaque vem do acompanhamento vocal, quase épico, em um crescente apoteótico que norteia cada momento dessa boa música. Gosto de seu final. Quando tudo parecia explodir a música termina de forma diferente, suave e terna. Da que vem a seguir já não gosto tanto. "We'll Be Together" ficaria bem melhor encaixada na trilha sonora de "O Seresteiro de Acapulco". Seus versos em espanhol e seu estilo que lembra um bolero cubano não se encaixa muito bem no restante do disco.

"A Boy Like Me, a Girl Like You" é uma prova que Elvis estava se distanciando cada vez mais do bom e velho Rock ´n´ Roll. Essa canção ficaria confortável em qualquer disco com Doris Day, mas na voz de Elvis, após duas músicas românticas assumidas, soava como uma prova de que o cantor estava mesmo virando um galã romântico de Hollywood ao velho estilo. Apesar disso é uma boa balada, com um bom arranjo. O antigo vinil terminava seu Lado A justamente com essa canção infantil chamada "Earth Boy". No filme ela era usada quando Elvis contracenava com suas garotinhas orientais. Funcionava como momento gracinha no cinema, mas no disco nada tinha a acrescentar. Além disso era aquele tipo de canção que não existia fora da trilha sonora. Não havia nenhuma chance de uma música assim se destacar nas rádios, por exemplo.

Virando o vinil o ouvinte era presenteado logo de cara, no Lado B, com o grande sucesso do filme, "Return to Sender". Essa canção pop (não é um rock, por favor não confunda) tinha um refrão pegajoso que grudava na mente. Não me admira em nada que tenha feito sucesso. Sobre isso é bom esclarecer que embora tenha se destacado o número de cópias vendidas foi bem menor do que nos tempos de auge de Elvis nos anos 50. Isso mostrava que os filmes realmente mais atrapalhavam do que ajudavam na promoção das músicas gravadas por Elvis por essa época. Depois do hit vem a última boa canção da trilha sonora. "Because of Love" é cheia de clichês melódicos, mas sempre me agradou. Hilmer J. "Tiny" Timbrell que tocou a guitarra rítmica dessa trilha foi quase um herói anônimo dessas gravações. Muitas músicas se salvam justamente por causa de sua econômica, mas eficiente participação.

Infelizmente depois de "Because of Love" a trilha cai consideravelmente de qualidade. As demais canções são, em maior ou menor escala, meras bobagens sem muito valor artístico. "Thanks to the Rolling Sea" e "We're Coming in Loaded" são esquisitas, vendidas como músicas de pesca, seja lá o que isso venha a significar. "Song of the Shrimp" é um pouco melhor, pois tem uma melodia que lembra até mesmo a nossa Bossa Nova (mas claro, tudo em um nível bem superficial). Já "The Walls Have Ears" é terrível e ficou mais conhecida por causa de sua cena no filme do que por qualquer outra coisa. Um verdadeiro desperdício. O interessante é que Elvis teve que lidar com um pacotão de músicas em estúdio, um excesso de canções para gravar. Sem espaço o vinil original deixou de fora "Mama", "Plantation Rock" (que é até legalzinha) e "Dainty Little Moonbeams". Nenhuma delas fez grande falta, mas serviam para mostrar que nem sempre quantidade era sinônimo de qualidade.

Pablo Aluísio.

1 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Elvis Presley - Girls Girls Girls
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