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Elvis e os discos de Natal - Parte 2

No Brasil os discos de natal de Elvis se tornaram verdadeiras raridades. O primeiro "Elvis Christmas Album" foi lançado timidamente no natal de 1958 (um ano após seu lançamento nos Estados Unidos) e mesmo assim em tiragem limitada, com apenas 10 mil cópias (chegando praticamente apenas nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro). Os encartes, fotos e a excelente capa bem produzida que foi usada no lançamento americano também foram deixados de lado no Brasil. A filial da RCA no Brasil decidiu elaborar uma nova edição, bem mais simples e modesta, sem nada do que se encontrava no original Made in USA. Até mesmo a capa foi mudada. Ao invés da bem trabalhada direção de arte com os presentes embaixo da árvore de natal optou-se por uma foto simples de Elvis tirada durante o filme "Jailhouse Rock" (O Prisioneiro do Rock, no Brasil). Nada de luxo.

Se isso já foi bem ruim o pior ainda estaria por vir. Em 1971 a RCA Brasil decidiu que não iria lançar o "Elvis Sings The Wonderfull World of Christmas" no mercado brasileiro. A distribuidora nacional entendeu que não havia mercado promissor para um disco de músicas natalinas cantadas por Elvis Presley em nosso país. Nem a segunda edição do "Elvis Christmas Album" com nova capa e renovado repertório que chegou ao mercado americano pelo selo RCA Camden, encontrou espaço no Brasil. Assim, sem outra alternativa, os fãs brasileiros de Elvis precisaram importar todos esses discos diretamente dos Estados Unidos, por preços nada amigáveis. Na era do vinil, onde não havia ainda internet e nem nada parecido, ou se tinha o LP original ou não se tinha nada. As coisas eram bem mais complicadas.

Depois da morte de Elvis a procura por discos do cantor explodiu, como era de se esperar, e assim a RCA Brasil decidiu inventar o disco "O Primeiro Natal Sem Elvis" que nada mais era do que o álbum de natal de 1971, com a mesma seleção musical, capa e encartes. Tudo para aproveitar o momento de comoção pela morte do cantor. O disco até que vendeu muito bem nas lojas, demonstrando que Elvis havia se tornado novamente um grande campeão de vendas no mercado, mesmo que postumamente. Nesse mesmo ano (estamos falando de 1977) três outros discos de Elvis também venderam muito bem no Brasil naquele natal. Um deles foi o "Elvis Disco de Ouro" (até hoje o LP mais vendido no Brasil). Os dois outros discos foram o "Moody Blue" (idêntico ao americano, com algumas cópias em vinil azul especial) e o "Elvis in Concert" (com a trilha sonora do último especial de TV de Elvis, em edição dupla).

Sem Elvis a RCA então fez o que foi possível nos anos seguintes para sempre lucrar com essas gravações natalinas. Novos álbuns foram criados, com novas capas, seleções musicais diferentes, algumas deles misturando as músicas dos dois discos natalinos originais, mas sinceramente falando nenhum desses discos tinham algum valor histórico. A regra era apenas ter a cada fim de ano apenas mais uma coletânea caça-níquel tentando faturar em cima do clima natalino e do nome de Elvis Presley. Por isso para o fã que queira conhecer esse aspecto diferente da carreira do cantor o ideal é apenas ter os dois álbuns oficiais que foram lançados durante sua carreira, quando Elvis ainda era vivo. Todo o resto é apenas subproduto desses dois discos originais.

Pablo Aluísio.

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