sábado, 11 de fevereiro de 2017

Elvis Presley - That's the Way It Is - Parte 11

Bridge Over Troubled Water (Paul Simon) - Essa é uma das maiores canções populares já escritas. Gravada originalmente no final dos anos 60 e lançada em janeiro de 1970 no disco de mesmo nome da dupla Simon e Garfunkel a música logo virou símbolo de uma era e colecionou prêmios em sua vitoriosa trajetória: "Gravação do ano", "Álbum do ano", "Melhor canção escrita do ano" e outros. Além da aclamação da crítica o público também não deixou por menos colocando a música por seis semanas seguidas no topo da parada norte americana. Tanto sucesso não poderia passar despercebido por Elvis Presley. Ele amou a música desde a primeira vez que a ouviu e foi um dos primeiros intérpretes a gravar uma versão, apenas seis meses depois que ela foi lançada originalmente pela famosa dupla dos anos 70. Elvis não perderia a chance de fazer sua versão pessoal de uma canção tão significativa. Logo ele, que estava empenhado em renovar seu repertório e produzir material relevante e de importância, bem longe de seu passado recente de trilhas sonoras medíocres. Antenado no que estava acontecendo musicalmente ao seu redor, Elvis logo providenciou seu próprio registro da canção. Quando foi informado da data das sessões de gravação em junho daquele mesmo ano ele logo entrou em contato com seu produtor Felton Jarvis e pediu que ele providenciasse logo a liberação da música pois ele já tinha inclusive feito alguns ensaios com sua banda na estrada e estava procurando achar o tom certo para sua versão. Elvis sabia que seu estilo vocal em pouco se aproximava da linha folk universitária de seus autores originais.

Ele procurou adaptar a canção ao seu próprio estilo, deixando a simplicidade da versão original de lado e investindo em algo mais grandioso com presença marcante de orquestra (arranjo inexistente dentro da versão original da dupla Simon e Garfunkel). Isso também se justificava porque Elvis pretendia utilizá-la durante seus concertos e não havia como ele, sendo um barítono, fazer uma versão que se aproximasse da ideia simplória de Paul Simon e seu companheiro de dupla. Alguns ajustes teriam que ser feitos e isso traria todas as características que fariam essa canção única dentro da vasta discografia de Elvis. Esse tipo de material era o que ele iria procurar cada vez mais durante os anos 70. Canções que representassem de alguma forma um novo desafio, um novo pico a alcançar. Certamente os rocks que tanto caracterizaram sua carreira, ao ponto de receber o título de Rei do Rock, não mais significavam um grande desafio a ser superado em 1970. Elvis procurava algo mais, algo que demonstrassem a todos seu grande talento vocal, que deixasse claro para quem ouvisse seus discos ou assistisse seus shows que ele era, acima de qualquer coisa, um grande cantor, nada mais do que isso. Elvis procurava antes de qualquer coisa ser reconhecido por seus colegas profissionais, pela crítica especializada e principalmente por seu público que manteve-se fiel a ele, mesmo na pior fase de sua carreira nos anos 60. O saldo final é conhecido de todos: a canção é considerada uma das maiores interpretações de toda a carreira de Elvis Presley! A versão do Rei para o sucesso imortal da dupla "Simon e Garfunkel" emociona até hoje. Como toque final foram acrescentadas palmas para se dar a impressão que ela foi gravada ao vivo, porém esta é a versão de estúdio e não a versão que aparece no filme (e que também é ótima). Só foi lançada da forma como foi gravada muitos anos depois na caixa de CDs "Walk a mile in my Shoes" com nova mixagem e mostrando toda a extensão de sua beleza. "Bridge Over Troubled Water", sem a menor sombra de dúvida, é um dos maiores marcos da carreira de Elvis Presley.

Bridge Over Troubled Water em outros lançamentos:

FTD Elvis One night in Vegas - Nesse CD Bridge Over Troubled Water aparece em duas versões diferentes. A versão do ensaio não acrescenta muito. Muita brincadeira e conversação ao fundo prejudicam Elvis, atrapalhando sua interpretação e sua concentração. A qualidade sonora não é tão boa, aliás é bem fraca, também não poderia ser diferente pois muitos desses arquivos ficaram encostados por um longo tempo e só depois foram resgatados. Novamente o grupo e Elvis não se empenham muito, até porque tudo não passa de um ensaio rápido. A versão dura poucos minutos e o corte final está muito mal feito pois deveria ter sido deixado a parte final da canção para sabermos como Elvis a termina. Aqui Ernst faz um corte final equivocado como podemos notar se o compararmos com outros títulos. Já a versão ao vivo é mais do que preciosa, é um achado maravilhoso. Elvis está insuperável aqui. Aliás pode-se afirmar que, com raríssimas exceções, todas as versões de Bridge Over Troubled Water dessas temporadas iniciais são de excelente nível. No disco com a trilha sonora original temos outras das picaretagens de Tom Parker. Ao invés dele determinar que Felton Jarvis escolhesse uma boa versão ao vivo ele preferiu maquiar a versão de estúdio acrescentando "falsas" palmas! Outro problema que sempre chamou atenção foi a elevação gradual do volume da faixa oficial, que começava bem introspectiva, quase sussurrada e ia aumentando gradualmente seu volume até um final apoteótico. Para alguns a montagem até que era interessante mas outros se incomodavam com isso. No Brasil tentaram modificar isso e lançaram um disco em que eles fizeram uma tentativa mal sucedida de mudar artificialmente seu formato original. O problema é que como não tiveram acesso ao master original fizeram tudo sem respeitar o procedimento adequado e necessário para esse tipo de mudança. Resultado: a nova equalização "Made in Brazil" ficou horrível, mal feita e virou motivo de piadas lá fora! Para ser bem sincero, poderiam ter passado sem esse papelão!

FTD Spring Tours 77 - A versão de Bridge Over Troubled Water desse CD, gravada em Duluth no dia 29 de abril de 1977, apresenta problemas. Parece que esqueceram de avisar ao pianista que está é uma canção suave e intimista. Mal começa a canção e ele dispara alucinadamente, fazendo com que Elvis literalmente corra atrás! A canção está totalmente fora de seu ritmo normal, parece que Elvis fica todo o tempo da música tentando se acertar com o resto da banda, tudo ficando muito confuso. A orquestra e a banda de Elvis também não conseguem chegar num denominador comum! Certamente canções ao vivo são mais rápidas que as de estúdio, isso é natural e todo músico sabe disso, mas essa versão de Bridge Over Trouble Water mais parece uma maratona, onde a pressa e o desentrosamento imperam! Em vista de tudo isso não se poderia de jeito nenhum alcançar um resultado satisfatório. Pior faixa do CD.

FTD The Nashville Marathon - Bridge Over Troubled Water (take 1): Só existe uma música que consegue seguir The Sound of Your Cry sem parecer ridícula. Paul Simon não sabia, mas escreveu Bridge para Elvis. Com certeza uma das músicas mais queridas dos fãs e do próprio Elvis, que nunca a abandonou de seu repertório, cantando-a inclusive em seu último concerto. No início da década de 70, mais precisamente em 1970 a dupla Simon and Garfunkel lançou um dos maiores clássicos da música de todos os tempos. Uma música tecnicamente perfeita e de uma melodia complexa e assustadoramente divina. Resultado: primeiro lugar por várias semanas e uma entrada triunfal na galeria das maiores músicas já gravadas. Pergunto a vocês, quem se arriscaria a fazer uma versão dessa canção sem parecer medíocre?? Bom, Elvis em junho de 1970 se atreveu e conseguiu o impossível: sua versão é melhor do que a original. Calma, antes que os fãs de Paul Simon me apedrejem, vou me explicar. Claro que ele teve o mérito de escrever a música inteira e sua gravação é excelente, porém Elvis era muito mais cantor que Paul Simon e tinha uma rara habilidade de dar vida a música de uma forma a transformar "atirei o pau no gato" em hino hippie. Pois bem, imagine o que ele fazia com uma canção do porte de Bridge? O resultado saiu no álbum That´s The Way It is e foi fruto de um trabalho de Elvis de por , por uma das únicas vezes em sua carreira, um vocal duplo em uma música, ou seja sua voz era posta por cima dela mesma!! Como se tivessem dois Elvis cantando. O resultado foi unânime. Incluída a a partir da temporada de Vegas de agosto de 70 foi paixão a primeira vista. Os fãs adoraram! O próprio Simon, ao ver o show de Elvis em Nova York em 72 tirou o chapéu para a versão dele. Se o próprio autor admitiu quem somos nós para negar? Esse primeiro take mostra a banda um pouco insegura, porém isso não diminui sua beleza . Para variar, Bridge, novamente, roubando o show! (Victor Alves)

FTD Southern Nights - Depois de explorar bem os shows realizados em Atlanta, Macon e principalmente Huntsville (que formam o esqueleto básico desse CD), Ernst Jorgensen resolveu completar o CD pincelando pequenos momentos de outras apresentações. De seu show em Mobile, por exemplo, Ernst resgatou uma versão de Bridge Over Troubled Water. Embora muito distante das versões da segunda temporada de 1970, consideradas as melhores de toda sua carreira, essa faixa é certamente razoavelmente bem executada e traz um Elvis inspirado em certos momentos. A velocidade da canção está bem fora de seu ritmo normal e apresenta oscilações rítmicas que soam, às vezes, desconfortáveis. Além disso ela não é tão bem gravada como tantas outras que conhecemos. Por outro lado Elvis parece estar envolvido, apesar de se segurar em alguns momentos para não forçar a voz. Apesar de todos esses pequenos problemas a versão ainda consegue se manter em um nível um pouco acima da média.

Bridge Over Troubled Water (Paul Simon) - When you're weary, feeling small / When tears are in your eyes I will dry them all / I'm on your site, oh, When times get rough / And friends just can't be found / Oh, like a bridge over troubled water, / I will lay me down, / Oh, like a bridge over troubled water / I will lay me down / When you're down and out, when you're on the streets / When evening falls so hard, I will comfort you / I'll take your part when the darkness falls and pain is all around / Yeah, like a bridge over troubled water / I will lay me down / Oh, like a bridge over troubled water / I will lay me down / Sail on, silver girl, sail on by / Your time has come to shine / All your dreams are on their way / See how they shine / Oh, if you need a friend, / I'm sailing right behind / Yeah, like a bridge over troubled water / I, I will ease your mind / Like a bridge over troubled water / I will easy your mind / (BMI) 4:29 - Data de gravação: 05 de junho de 1970 - Local: RCA Studio B, Nashville.

Pablo Aluísio.

9 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Elvis Presley - Bridge Over Troubled Water
    Todos os direitos reservados.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Pablo, post excelente ressaltando as diferenças das intepretações do Simon e o Elvis.
    Só vou dar um pitado para fazer justiça a quem de direito. Na versão mais famosa, quem canta realmente essa música, por sinal de forma esplendida, é o Art Garfunkel (o Simon a compôs). Talvez por estar vivendo um certo ostracismo artístico , o Art veio a público recentemente dizer que o Elvis na década de "70 estava cantado mal, com excesso de vibratos e com isso danificou a intenção da mensagem de Bridge Over Trouble Water etc. Na verdade, como você Pablo ressaltou, os arranjos do Elvis nesta época eram grandiloquentes nos moldes de Las Vegas por necessidade contextual,(fazer o que, quando em Roma...), mas no que tange a intepretação vocal do Elvis a única diferença para o intepretação do Art nesta canção era a potencia da voz do Elvis que era barítono/tenor e tinha recursos extraordinários ao seu registro vocal natural; no que tange a intepretação em si o Elvis praticamente faz um cover exatamente com os vibratos que o Art coloca na sua intepretação e tudo mais (basta ouvir os dois). A interpretação do Art só não fica tão pesada como a do Elvis porque s sua voz é muito mais suave, portanto menos pesada e isso reduz a intensidade dramática da canção, no mais ele deveria se sentir honrado por um cantor como o Elvis praticamente imita-lo na sua versão de Bridge Over Troubled Water. O Elvis canta com som de cabeça, como os cantores de ópera, e o Art canta com voz mais gutural, de garganta, o que torna a musica mais coloquial, porem menos vibrante. Cantores e...cantores.

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  4. Obrigado pelas observações pertinentes Serge.
    Pois é, o Paul Simon é um fã assumido de Elvis Presley. Ele já deixou isso claro em inúmeras entrevistas, porém o Garfunkel parece ter um sentimento nada amistoso com o Rei do Rock. Acredito até que se fosse nos dias de hoje ele não mais liberaria a música para Elvis gravar, tamanha sua má vontade com o legado de Presley.

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  5. Pablo, eu ouvi uma versão de Bridge Over Trouble Water no show Elvis in Anaheim! (30-11-1976) West Coast Tour 76 FTD e, pasme, o Elvis manda os músicos pararem no meio da música, diz algo e recomeça daquela parte, como se fosse um ensaio, mas é um show ao vivo. Eu nunca vi o Elvis, e acho que nenhum cantor profissional, fazer isso. A Maria Callas uma vez não conseguiu chegar numa nota de um determinada Aria, parou, se dirigiu ao público e pediu para recomeçar e ai ficou perfeito, mas fora ela nunca ouvi falar de nada igual. Você sabe deste show do Elvis? Se sim comente o que aconteceu aqui por favor. Segue link do You Tube.

    https://www.youtube.com/watch?v=lmjTAa97NjU

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  6. Versão complicada, já começa errada, com Elvis errando sua entrada na música - percebe-se que ele estava falando com alguém, se divertindo. Os arranjos também não estão bons... Orquestra mal se encontra... com tantos problemas não é de se admirar que Elvis tenha parado. Embora ele confesse que o erro havia sido dele, a verdade é que essa versão é bem desorganizada musicalmente.

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  7. É isso; parece que o Elvis fala que quer ver a letra, fica esperando alguém pega-la, conversa, o público ri de algo, enquanto o piano toca a introdução em looping e aí quando finalmente a música começa todos estão perdidos, inclusive o Elvis.

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  8. Complementando: é legal, apesar meio bizarro, ele recomeçar quando percebe que está muito ruim, mas o problema é que não melhora e só vai piorando e até os vibratos do Elvis estão doidos (ah se o Garfunkel viu isso!) e da a impressão que o Elvis está torcendo muito para a música acabar de uma vez e assim estancar aquela tortura.

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  9. Elvis fazia shows demais... Era impossível sair tudo perfeito.

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