sábado, 4 de março de 2017

Elvis Presley - Almost In Love - Parte 4

Dando continuidade na análise sobre o álbum "Almost in Love" aqui vão mais algumas considerações sobre as canções que fizeram parte desse LP do selo azul da RCA Camden. É a tal coisa, a intenção era fazer uma mistura de singles, canções de filmes e gravações que estavam pegando poeira nos arquivos da gravadora. Depois juntava-se tudo, colocava uma boa capa e lançava o disco no mercado, em preço promocional. Geralmente dava bem certo, trazendo mais alguns dólares paras as contas de Elvis e do Coronel Parker. E tudo isso sem a necessidade de se entrar em estúdio para gravar algo novo.

Assim "Edge Of Reality" acabou sendo incluída nesse pacote. Falando a verdade sempre achei essa canção um tanto esquisita, com estranha harmonia. Ela foi Lado B do single campeão de vendas "If I Can Dream" em 1968, mas mesmo assim nunca conseguiu chamar muito a atenção. A música entrou no compacto não apenas como "tapa buraco", mas também para promover o filme "Live a Little, Love a Little" que estava chegando nos cinemas naquela mesma ocasião. Acabou sendo ignorada como praticamente todo o restante do material. Por essa época os fãs de Elvis já estavam fartos de seus filmes em Hollywood e toda gravação ligada às suas trilhas sonoras não parecia encontrar mais receptividade entre os admiradores do cantor. Havia ali uma clara má vontade sobre isso. E os fãs estavam mais do que certos, é bom frisar.

"Rubberneckin" que iria ganhar uma conhecida versão remix muitas décadas depois, também acabou fazendo parte de "Almost in Love", o álbum. Essa canção também havia sido lado B de um single bem sucedido, "Don't Cry Daddy", e igualmente fazia parte da trilha sonora de um filme Made in Hollywood, o hoje mais reconhecido "Change of Habit". Esse foi o último trabalho de Elvis no cinema, isso naquele velho estilo com roteiro, estorinha, romance e tudo mais. Agora verdade seja dita, o roteiro dessa última produção passava longe de ser ruim, pelo contrário, ao invés de garotas em bikinis dançando na areia, esse mostrava uma trama melhor, com Elvis interpretando um médico numa periferia de uma grande cidade. Além disso contava com uma ótima atriz no elenco, a recentemente falecida Mary Tyler Moore. Tudo de muito bom gosto, bem acima da média em relação aos filmes anteriores de Elvis. Pena que essa mudança em sua carreira no cinema acabou chegando tarde demais.

O mesmo não se podia dizer da música tema do filme "Stay Away, Joe", também incluída na seleção das canções desse disco. Esse aqui já era um filme bem nonsense, com um roteiro amalucado e sem muito sentido que tentava tirar pitadas de comédia com Elvis interpretando um mestiço nativo em meio a muitas confusões envolvendo garotas, brigas, motos e lama (não necessariamente nessa ordem!). Era um tipo de versão mais hardcore dos roteiros bobinhos que fizeram parte de vários filmes de Elvis nos anos 60. Se o filme e a trilha não ajudavam muito, uma curiosidade despertava a atenção dos fãs pois uma versão inédita da música foi incluída no disco, um take em que Elvis quase caía na risada, bem no meio da gravação. A raridade do take acabou levando muitos a comprarem o álbum, mostrando pela primeira vez aos executivos da RCA Victor que havia também um grande interesse por parte dos fãs em takes alternativos, algo que anos depois iria ser a principal razão para o lançamento da coleção FTD.

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Almost in Love - Parte 4
    Todos os direitos reservados.

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  2. É Pablo, a verdade, quando falamos Elvis no cinema ou TV, é que o Elvis Comeback Special '68, excetuando a parte em que o Elvis está de roupa de couro cantando com seus músicos, também é um programa péssimo com uns quadros mambembes de mal gosto em que só se salva o canto do Elvis, o resto é de doer. O Elvis só vai ter um chance de mostrar uma melhora no vídeo no "Elvis: That's the Way It Is" interpretando seu melhor personagem, ele mesmo. Antes disso foi difícil.

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  3. O NBC TV Special envelheceu mal, com exceção das cenas no tablado, onde Elvis toca violão e guitarra e no final com "If I Can Dream". Já o filme "That´s The Way It Is" segue ainda um excelente documentário musical.

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