quarta-feira, 24 de maio de 2017

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 7

A música "The Fool" (literalmente em português "O Tolo") nunca se destacou dentro da discografia de Elvis. Era aquele tipo de faixa que servia para completar cronologicamente um disco. Essa gravação tem uma linha melódica singular, cantada com uma certa quebra de ritmo, sempre presente ao longo de sua execução. Só acelera um pouco depois quando Elvis tenta trazer alguma energia. Particularmente aprecio o arranjo bem country and western. Aqui a banda TCB poderia muito bem ser substituída por qualquer grupo regional das montanhas do Kentucky. Aliás seria mais do que adequada. No geral é isso, um country um pouco preguiçoso que poucos pararam para prestar maior atenção. Importante dizer também que você não deve confundir essa "The Fool" com "Fool" que é outra música, essa do álbum "Elvis" de 1973.

De qualquer forma o álbum finalmente chegou ao mercado americano em janeiro de 1971, para aproveitar o período de férias. Na época muitos criticaram o Coronel Parker e a RCA Victor por eles terem escolhido a época errada para lançar o disco que deveria ter sido lançado no natal, em dezembro de 1970, uma vez que era justamente nas festas de fim de ano que os discos de Elvis vendiam bem, muito acima da média. Esse cochilo porém acabou não atrapalhando muito as vendas do disco. Ele conseguiu chegar entre os 12 álbuns mais vendidos da seletiva lista Billboard Hot 100. Uma ótima posição para Elvis naquela época, ainda mais se tratando de um disco de música country. E na lista especializada de country music o disco se saiu ainda melhor, atingindo a sexta posição. Nada mal.

Outra boa notícia em termos comerciais para a RCA Victor foi a boa receptividade do single "I Really Don't Want to Know / There Goes My Everything" nas paradas, chegando inclusive a ser premiado com um disco de ouro. Desde o lançamento do primeiro single de Elvis nos anos 70 (com as canções "Kentuck Rain / My Little Friend") o cantor vinha em uma bem sucedida sucessão de boas vendas de seus compactos, sempre premiados com discos de ouro ou platina. Uma onda muito boa que Elvis vinha surfando desde seus primeiros shows em Las Vegas. E esse novo single não seria exceção. A má notícia para os fãs brasileiros era saber que "Elvis Country" não seria lançado em nosso país. Só nos anos 90 a filial nacional completou essa lacuna imperdoável na discografia brasileira, finalmente lançando o vinil em nosso país. Antes tarde do que nunca.

Elvis Presley - Elvis Country I'm 10.000 Years Old (RCA Victor, Estados Unidos, 1971): Elvis Presley (voz, violão e piano) / James Burton (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Charlie Hodge (violão) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (percussão e bateria) / Kenneth Buttrey (bateria) / David Briggs (piano) / Joe Moscheo (piano) / Glen Spreen (orgão) / Charlie McCoy (orgão, harmônica e percussão) / Farrel Morris (percussão) / Weldon Myrick (steel guitar) / Bobby Thompson (Banjo) / Buddy Spicher (violino, rabeca) / The Jordanaires (vocais) / The Imperials (vocais) / June Page, Millie Kirkham, Temple Riser e Ginger Holladay (vocais) / Al Pachucki (engenheiro de som) / Arranjado e produzido por Felton Jarvis e Elvis Presley / Data de Gravação: 4 a 8 de junho e 22 de setembro de 1970 nos Estúdios B da RCA em Nashville / Data de Lançamento: janeiro de 1971 / Melhor posição nas charts: #12 (EUA) e #6 (UK).

Pablo Aluísio.

9 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Elvis Country Parte 7
    Todos os direitos reservados.

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  2. Pablo:

    Hoje eu estava vendo o show One Nigth With You e na hora em que o Elvis vai cantar Memories, a única música com base em play back, na hora em que ele canta "Memories, pressed between the pages of my mind" o "my mind" sai tão desafinado que ele se contorce, se estica, e revira os olhos contrariado percebendo o que aconteceu e tentando corrigir a próxima frase da música.
    Eu fiquei pensando: esse show não foi ao vivo, porque deixar uma coisa desta? Eu sei que nesta época não havia o Auto Tune para corrigir essas pequenas falhas, mas porque não regravaram essa parte? Caramba, era um dos maiores artistas contemporâneos do mundo no seu momento de ressureição, porque tanto pouco caso?

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  3. Vou rever essa cena, até porque confesso que nunca percebi essa desafinação. É algo a se conferir de novo.

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  4. É bem no comecinho da música, na primeira frase.

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  5. Pablo; comentando, finalmente este post, o que acho muito interessante na música é o fato do Elvis interpreta-la inteira na oitava debaixo, nunca passando para oitava de cima, dando assim um ar intimista na interpretação, coisa rara nas músicas do Elvis deste seu período histriônico.

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  6. Isso mesmo. O curioso é que muitos acham que isso seria uma espécie de desvantagem em sua interpretação, mas esse tipo de visão é um erro. Você nem sempre precisa cantar com opulência vocal para demonstrar talento ou qualquer coisa que o valha.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. É isso: cantar não é gritar. Assim nos ensinou Chet Baker e João Gilberto

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